Tag: Conab

  • Cesta básica sobe em todas as capitais brasileiras em abril; veja os motivos

    Cesta básica sobe em todas as capitais brasileiras em abril; veja os motivos

    O custo da cesta básica de alimentos subiu em todas as 27 capitais brasileiras entre março e abril de 2026. De acordo com a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta segunda-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fatores globais e sazonais impulsionaram os preços.

    A Superintendência de Gestão da Oferta da Conab identifica a variação nos preços dos combustíveis como um dos principais vilões. O conflito entre Irã e Estados Unidos impactou o mercado internacional, elevando os custos de transporte e remoção de produtos. Gabriel Rabello, gerente da Companhia, explica que, embora cada setor tenha particularidades, a logística mais cara acaba repassada ao consumidor final.

    Capitais em destaque

    No ranking das altas mensais, Porto Velho liderou o índice com um salto de 5,60%, seguida por Fortaleza (5,46%) e Cuiabá (4,97%). No entanto, em termos de valor absoluto, São Paulo mantém o título de capital com a cesta mais cara do Brasil, custando R$ 906,14. Cuiabá (R$ 880,06) e Rio de Janeiro (R$ 879,03) aparecem logo em seguida.

    Alguns alimentos específicos registraram aumentos generalizados:

    • Leite integral: subiu em todas as 27 capitais devido à redução da oferta no campo (entressafra).
    • Batata e tomate: a menor oferta desses tubérculos e frutos elevou as cotações no varejo de quase todas as cidades pesquisadas.
    • Feijão: o preço subiu em 26 capitais, com queda registrada apenas em Belo Horizonte.
    • Carne e pão: a oferta restrita de animais para abate e o alto custo da farinha de trigo encareceram a carne bovina e o pão francês em 22 capitais.
    • Arroz: mesmo com o início da colheita, os preços subiram em 21 cidades, pois os produtores limitaram a venda à espera de valores mais altos.

    Análise anual e alívio no café

    Apesar da alta mensal generalizada, o cenário de longo prazo apresenta variações. Entre abril de 2025 e abril de 2026, nove capitais conseguiram reduzir o custo total da cesta, com destaque para São Luís (-4,84%). Produtos como açúcar e arroz também acumulam queda nos últimos 12 meses em todas as praças.

    No curto prazo, o café em pó trouxe um alívio pontual, com redução de preço em 22 capitais em abril, beneficiado pela proximidade da safra e menor volume de exportação.

    Expansão da Pesquisa A coleta de dados, que antes abrangia 17 cidades, agora monitora todas as 27 capitais brasileiras. Esta ampliação resulta de uma parceria entre Conab e Dieese, visando fortalecer as políticas nacionais de abastecimento e segurança alimentar. Os resultados completos com a nova metodologia estão disponíveis desde agosto de 2025.

  • Conab investe R$ 920 mil para fortalecer agricultura familiar no Rio Grande do Norte

    Conab investe R$ 920 mil para fortalecer agricultura familiar no Rio Grande do Norte

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou um investimento de aproximadamente R$ 920 mil para apoiar o escoamento da produção da agricultura familiar no Rio Grande do Norte. A ação ocorre por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e contempla projetos nos municípios de Janduís, Touros e Pendências.

    As equipes realizaram as atividades ao longo da semana, entre 4 e 8 de maio, com eventos de lançamento e distribuição simbólica de alimentos destinados a entidades socioassistenciais e redes de segurança alimentar.

    No município de Janduís, o maior volume de recursos será aplicado: cerca de R$ 610 mil. O programa vai beneficiar 61 agricultores familiares e garantir o escoamento de mais de 36 toneladas de alimentos. Os produtores destinarão a produção ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), incluindo hortaliças e produtos beneficiados, como doces, bolos e polpas de frutas.

    Já em Touros, o investimento previsto é de R$ 180 mil, com a participação de três associações da agricultura familiar. A expectativa é adquirir mais de 34 toneladas de alimentos, entre eles abacaxi, banana, batata-doce, coco, feijão e mandioca.

    Em Pendências, o programa aplicará aproximadamente R$ 130 mil e possibilitará o escoamento de mais de 26 toneladas de produtos como hortaliças, frutas, raízes e legumes, incluindo abóbora, alface, banana, beterraba, caju, cenoura, feijão, mamão, mandioca, melancia e melão.

    Presença do programa em diferentes regiões

    Segundo o superintendente regional da Conab no estado, Sebastião Arruda Júnior, as ações reforçam a presença do programa em diferentes regiões potiguares. “O PAA tem papel fundamental no desenvolvimento local, fortalecendo a agricultura familiar e ampliando o acesso à alimentação”, afirmou.

    Os investimentos recentes se somam aos resultados obtidos em 2025. No Sertão do Apodi, onde está localizado o município de Janduís, foram destinados mais de R$ 4,7 milhões. Assim, viabilizando o escoamento de cerca de 238 toneladas de alimentos produzidos por 432 agricultores e beneficiando 34 entidades.

    Em Touros, os aportes no ano passado chegaram a R$ 1,51 milhão, atendendo 158 agricultores familiares e quatro entidades socioassistenciais.

    A Conab executa o Programa de Aquisição de Alimentos com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. A iniciativa promove a compra direta de alimentos de pequenos produtores, garantindo renda no campo e destinando os produtos a populações em situação de vulnerabilidade.

    O PAA atende diversos públicos da agricultura familiar, incluindo assentados da reforma agrária, pescadores artesanais, extrativistas, povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos tradicionais, fortalecendo a economia local e combatendo a insegurança alimentar.

  • Como o manejo do pirarucu virou fonte de renda e esperança na Amazônia

    Como o manejo do pirarucu virou fonte de renda e esperança na Amazônia

    Comunidades indígenas, pescadores artesanais e povos tradicionais da Amazônia poderão receber pagamento do governo federal pelo trabalho de conservação do pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo e símbolo da biodiversidade amazônica. O programa Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu) abriu nesta semana sua primeira chamada pública, com até R$ 15 milhões em recursos disponíveis para organizações comunitárias do Amazonas.

    O lançamento ocorreu durante a “Oficina PSA Pirarucu: Valorização do Manejo Comunitário na Amazônia”, realizada em Manaus e organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do Projeto Floresta+ Amazônia. O evento reuniu cerca de 150 pessoas, entre beneficiários, representantes de associações, cooperativas e organizações parceiras. E contou com o apoio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ibama.

    O que é o PSA Pirarucu e quem pode receber

    O programa reconhece e remunera financeiramente atividades que já são realizadas pelas comunidades, mas que até então não eram compensadas pelo poder público. São considerados serviços ambientais o zoneamento de lagos, a vigilância territorial, a contagem e manutenção dos estoques, a pesca controlada e a gestão territorial comunitária.

    Podem se inscrever associações, cooperativas e colônias de pescadores vinculadas a unidades de manejo autorizadas pelo Ibama. Desde que tenham CNPJ ativo, estatuto social registrado, ata de eleição da diretoria vigente e tenham entregado os relatórios anuais de manejo. O cadastramento deve ser feito em duas etapas: no Portal Gov.br e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican), da Conab.

    Uma política construída junto com as comunidades

    Para a diretora de Política Agrícola e Informações da Conab, Naiara Bittencourt, que participou do evento, o lançamento representa um marco histórico. “É a primeira chamada pública do programa, tendo o pirarucu como primeiro produto, um alimento fundamental para a segurança alimentar de quem maneja e de quem consome. É uma política pública inovadora, construída junto com as comunidades. E que fomenta a geração de renda e reconhece o trabalho socioambiental na preservação da natureza”, afirmou.

    A diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia do MMA, Bruna De Vita, reforçou que o PSA complementa um trabalho de conservação construído ao longo de 26 anos de manejo do pirarucu. “A gente espera que, ao final do projeto, as organizações estejam ainda mais preparadas para acessar outras políticas públicas da agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Sociobio Mais”, disse.

    Números que mostram a dimensão do manejo comunitário

    O impacto do manejo sustentável do pirarucu na Amazônia é expressivo. Atualmente, a atividade envolve cerca de 5.500 pessoas e 60 organizações, distribuídas em 41 áreas protegidas que somam mais de 20 milhões de hectares. Todos os anos, o programa mobiliza aproximadamente 2.500 ambientes aquáticos e permite o monitoramento de cerca de 1,2 milhão de peixes por meio de contagens participativas realizadas pelas próprias comunidades.

    Para a cacica do Povo Apurinã, Maria Dione, o programa chega como uma resposta concreta a décadas de esforço coletivo. “É mais uma renda para todos nós, manejadores, que estamos lutando para preservar o nosso rio, o nosso peixe e a nossa floresta. Antes, o peixe estava acabando e pensávamos nos nossos filhos e netos, que talvez não vissem mais pirarucu. Hoje, conseguimos tirar nossa cota e sobreviver bem do manejo”, relatou a liderança indígena.

    De onde vêm os recursos

    Os R$ 15 milhões destinados ao programa são provenientes de resultados de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) alcançados pelo Brasil na Amazônia em 2014 e 2015, oriundos do Fundo Verde para o Clima.

    A iniciativa integra ainda a Missão 2 do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). E prevê salvaguardas socioambientais, com incentivo à participação das mulheres no manejo. A meta do governo é alcançar 300 mil beneficiários com pagamentos por serviços ambientais até 2036.

  • Girassol: opção rentável para diversificar a produção agrícola

    Girassol: opção rentável para diversificar a produção agrícola

    Quem busca diversificação na lavoura tem encontrado no girassol uma alternativa cada vez mais atraente, e os dados confirmam esse movimento.

    Segundo a Conab, a área plantada na safra 2022/23 chegou a 70 mil hectares, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. A cultura reúne uma combinação rara de baixo custo de manejo, ciclo curto e múltiplas fontes de receita.

    Encaixe perfeito no calendário agrícola

    O ciclo de aproximadamente 120 dias é um dos grandes trunfos da cultura. Ele permite o plantio justamente nos períodos de entressafra, ocupando a terra em janelas que normalmente ficariam ociosas. Combinado com soja e milho na rotação, o girassol ainda contribui para a saúde do solo, quebrando o ciclo de pragas e doenças, o que traz benefícios que vão além da safra atual.

    Para pequenos e médios produtores, essa flexibilidade é especialmente valiosa.

    Girassol: uma oportunidade lucrativa para agricultores
    Uma oportunidade lucrativa para agricultores

    Números que explicam o interesse crescente

    A produtividade média no Brasil fica entre 1.500 e 2.000 kg por hectare, de acordo com a Embrapa. Com manejo adequado e condições favoráveis de solo e clima, esse número pode ultrapassar os 2.500 kg/ha.

    No mercado, as cotações têm se mantido atraentes, em torno de R$ 100 por saca de 60 kg. Considerando uma produtividade média de 1,8 tonelada por hectare e preço médio de R$ 1.700 por tonelada, um produtor pode alcançar receita bruta de aproximadamente R$ 3.060 por hectare. Dependendo da eficiência do manejo e das condições de mercado, esse valor pode ser ainda maior.

    Mais de uma fonte de renda na mesma planta

    Um ponto que chama atenção é a diversidade de produtos que a cultura gera. O óleo é o mais conhecido, com ampla aplicação na indústria alimentícia e cosmética, além do crescente interesse para a produção de biodiesel, um mercado em expansão no Brasil.

    Além disso, há outro produto que muitos ignoram: o farelo. Subproduto do processo de extração de óleo, ele é altamente valorizado na alimentação animal, especialmente na pecuária leiteira, pelo alto teor proteico.

    Onde a produção acontece

    Estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná concentram a maior parte da produção nacional, destacando-se pela alta eficiência. Mas a Embrapa reforça que a cultura tem boa adaptação a diferentes tipos de solo e clima, incluindo regiões mais secas, o que abre espaço para expansão em áreas onde outras culturas têm dificuldade de prosperar.

    Nem tudo são facilidades, é claro. A colheita exige máquinas específicas, o que representa um investimento inicial que pode pesar no orçamento de quem ainda não tem esse maquinário. Em algumas regiões, a escassez de sementes de qualidade e a falta de assistência técnica especializada também travam a expansão.

    No entanto, com o suporte de instituições de pesquisa como a Embrapa e o acesso a programas de assistência técnica, muitos produtores têm conseguido superar essas barreiras e colher bons resultados já nas primeiras safras.

  • Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    A produção de cana-de-açúcar no Brasil deve alcançar 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma leve queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, segundo o 4º Levantamento da Safra divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com a retração, o país registra a maior produção de etanol da série histórica e a segunda maior fabricação de açúcar.

    O volume colhido coloca a safra atual como a terceira maior já registrada pela Conab, atrás apenas dos ciclos 2022/23 e 2024/25.

    Produção de etanol cresce com avanço do milho

    A produção total de etanol, somando cana-de-açúcar e milho, deve atingir 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8% na comparação anual. O crescimento ocorre principalmente pelo avanço do etanol de milho.

    A produção do biocombustível a partir do cereal chega a 10,17 bilhões de litros, um salto de 29,8% frente à safra passada, passando a representar mais de 27% do total produzido no país.

    Por outro lado, o etanol de cana recua. A produção deve somar 27,33 bilhões de litros, queda de 6,9% em relação ao ciclo 2024/25.

    Açúcar registra segunda maior produção da história

    A produção de açúcar está estimada em 44,2 milhões de toneladas, leve alta de 0,1% na comparação anual. O volume configura a segunda maior produção já registrada pela Conab, atrás apenas da safra 2023/24.

    A menor disponibilidade de cana limitou um crescimento mais expressivo, mesmo com maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante.

    A queda na produção de cana reflete a redução de 2,6% na produtividade média nacional, estimada em 75.184 kg por hectare. Condições climáticas adversas ao longo de 2024, especialmente no Centro-Sul, afetaram o desenvolvimento das lavouras, com estiagens, altas temperaturas e incêndios.

    A expansão da área colhida ajudou a compensar parte das perdas. A área total chega a 8,95 milhões de hectares, crescimento de 2,1% frente à safra anterior.

    Sudeste lidera queda na produção

    Principal polo produtor, o Sudeste deve colher 430,1 milhões de toneladas, queda de 2,2% na comparação anual. O recuo reflete os impactos climáticos registrados ao longo de 2024.

    No Norte, a produção soma 3,8 milhões de toneladas, retração de 7,1%, mesmo com aumento de área. No Nordeste, a estimativa é de 53,3 milhões de toneladas, queda de 2%, influenciada pela menor produtividade.

    A região Centro-Oeste deve produzir 150,2 milhões de toneladas, alta de 3,4%. O avanço ocorre principalmente pela expansão da área colhida, que passou de 1,85 milhão para 1,96 milhão de hectares.

    Apesar disso, a produtividade caiu 2,2%, impactada por condições climáticas menos favoráveis.

    Na região Sul, a produção deve atingir 36 milhões de toneladas, crescimento de 1,9%. O resultado reflete a recuperação da produtividade, favorecida por chuvas mais regulares em comparação ao ciclo anterior.

    Mercado: açúcar ganha espaço e etanol se mantém firme

    Na safra 2025/26, o setor direciona mais cana para a produção de açúcar, o que sustenta a oferta do produto mesmo com menor disponibilidade de matéria-prima.

    Já o mercado de etanol segue equilibrado no curto prazo, com destaque para o segmento de etanol anidro. A menor produção de etanol de cana encontra compensação no avanço do etanol de milho.

    No mercado internacional, a maior oferta de açúcar limita altas mais consistentes nos preços. Ainda assim, prêmios de exportação positivos e incertezas externas garantem sustentação pontual às cotações.

  • Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    A produção de grãos no Brasil pode alcançar 356,3 milhões de toneladas na safra 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou os dados no 7º Levantamento de Grãos.

    O volume estimado indica aumento de 4,1 milhões de toneladas frente à safra 2024/25. Além disso, o resultado supera em 2,9 milhões de toneladas o levantamento anterior. Caso se confirme, a produção marcará um novo recorde histórico no país.

    Área e produtividade

    A área plantada deve crescer 2% e atingir 83,3 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade média deve cair 0,8%, chegando a 4.276 quilos por hectare. Mesmo com a leve queda, o índice representa o segundo melhor desempenho da série histórica.

    O presidente interino da Conab, Sílvio Porto, destaca investimentos federais no setor. Segundo ele, os planos safras fortalecem a agricultura empresarial e familiar.

    Além disso, Porto ressalta o bom desempenho da primeira safra de milho. A colheita supera 3 milhões de toneladas e avança para a fase final. Ele também projeta expectativa positiva para a segunda safra do cereal.

    Soja

    A produção de soja pode atingir recorde de 179,2 milhões de toneladas. A redução das chuvas em março favoreceu o avanço da colheita.

    Atualmente, os produtores já colheram 85,7% da área plantada. A produtividade média nacional da oleaginosa alcança 3.696 quilos por hectare. Mesmo com desempenho menor em alguns estados, o índice é o maior já registrado.

    Milho

    Para o milho, a Conab projeta produção total de 139,6 milhões de toneladas. O volume representa queda de 1,1% em relação ao ciclo anterior.

    A primeira safra cresce em área e pode alcançar 28 milhões de toneladas. Já a segunda safra deve somar 109,1 milhões de toneladas, com recuo de 3,6%.

    A semeadura do segundo ciclo está quase concluída em todo o país. As lavouras apresentam estágios que variam da germinação à floração. Porto afirma que a estimativa atual adota postura conservadora. Segundo ele, condições climáticas favoráveis podem elevar a produção final.

    Arroz

    A produção de arroz deve cair para 11,1 milhões de toneladas na safra atual. O volume representa redução de 12,9% frente ao ciclo passado. A queda ocorre devido à redução de 13,1% na área plantada. Além disso, condições climáticas desfavoráveis afetaram algumas lavouras.

    A colheita avança nos principais estados produtores. No Rio Grande do Sul, o índice chega a 72%. Em Santa Catarina, a colheita atinge 93%. No Tocantins, o avanço alcança 52%.

    Feijão

    A produção de feijão deve totalizar 2,9 milhões de toneladas. O volume indica queda de 5,2% em comparação à safra anterior. Mesmo assim, a produção prevista garante o abastecimento interno.

    Algodão

    Para o algodão, a estimativa aponta 3,8 milhões de toneladas de pluma. O volume representa recuo de 5,8% frente ao ciclo anterior.

    A área plantada deve cair 2,1% e atingir 2 milhões de hectares. Apesar disso, as condições climáticas favorecem o desenvolvimento das lavouras.

    Mercado

    No mercado, a Conab ajusta os estoques de passagem de milho. A previsão indica volume de 12,8 milhões de toneladas até janeiro de 2027.

    As exportações seguem estimadas em 46,5 milhões de toneladas. Já o consumo interno deve alcançar 96,5 milhões de toneladas.

  • Cesta básica fica mais cara em março nas 27 capitais, apesar da queda em três itens essenciais

    Cesta básica fica mais cara em março nas 27 capitais, apesar da queda em três itens essenciais

    A cesta básica de alimentos ficou mais cara em março em todas as 27 capitais brasileiras, mesmo com a queda nos preços de açúcar, café e óleo de soja, os três produtos com maior recuo no período. Os dados constam da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

    Foto gerada por IA

    Os três produtos acumulam quedas de preço desde janeiro. O açúcar ficou mais barato em 19 cidades, com os maiores recuos em Goiânia (-4,91%), Curitiba (-4,70%) e Belo Horizonte (-4,52%). Mesmo em período de entressafra, a projeção de oferta elevada, sustentada pela alta produção no Brasil, na Tailândia e na Índia, pressiona os preços do produto para baixo no varejo.

    O café em pó recuou em 17 capitais. Rio de Janeiro (-3,16%) e Belo Horizonte (-2,55%) registraram as maiores quedas. Segundo a Superintendência de Gestão da Oferta (Sugof) da Conab, a expectativa de safra recorde no Brasil e de boa colheita no Vietnã no ciclo 2025/26 influencia as cotações nas bolsas internacionais e, por consequência, no mercado doméstico.

    O óleo de soja caiu em 16 das 27 capitais analisadas. Rio Branco liderou o recuo, com queda de 2,78%. A safra recorde da soja intensifica a oferta da oleaginosa no mercado, o que pressiona os preços no varejo.

    Tomate, batata e feijão puxam a alta

    Apesar da queda nesses três itens, outros produtos pressionaram o custo total da cesta para cima. Manaus registrou a maior alta entre as capitais (7,42%), seguida por Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%).

    O tomate subiu em todas as cidades. A variação ficou entre 0,72%, em São Luís, e 46,92%, em Maceió. A menor oferta e perdas na colheita provocadas pelas chuvas explicam as altas.

    As chuvas também afetaram a colheita da batata, reduzindo a oferta do tubérculo. Nas cidades do Centro-Sul, onde o produto compõe a cesta básica, os preços subiram entre 5,54%, em Belo Horizonte, e 22,24%, em Vitória.

    O feijão avançou em todas as praças analisadas, com variações entre 1,68%, em Curitiba, e 21,48%, em Belém. Dificuldades na colheita, redução da área plantada na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra explicam a pressão sobre o preço da leguminosa.

  • Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    A guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês neste sábado (28). Apesar de distante 12 mil quilômetros, o conflito já provoca efeitos concretos na economia brasileira.

    O primeiro impacto foi a alta de 20% no preço do diesel. Com isso, os custos de frete aumentaram. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou, inclusive, a cancelar contratos para o escoamento de 23,7 mil toneladas de milho fechados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

    Além disso, especialistas alertam que os efeitos podem chegar à mesa do consumidor. Combustíveis mais caros encarecem o transporte e a distribuição. Por sua vez, a alta nos fertilizantes pressiona o produtor rural. O resultado é um efeito cascata que atinge grãos, pão, carnes e hortaliças.

    O alerta dos especialistas

    Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, avalia que o consumidor não deve sentir o impacto de imediato. No entanto, a tendência é de elevação nos preços, especialmente se o conflito se prolongar.

    Para ele, o maior risco não é a alta dos combustíveis em si, mas o desabastecimento. “Qual foi a última vez que vimos o Estreito de Ormuz fechado? Nunca. É um evento sem registro na história econômica mundial”, afirma, em entrevista à Globo Rural.

    O especialista reforça que o cenário afeta diretamente a logística nacional, que depende do transporte rodoviário. Segundo ele, importadores já sinalizaram que, com a defasagem atual de preços, não compensa trazer diesel para o Brasil.

    Quanto aos insumos agrícolas, Serigati pondera que o repasse ao consumidor não é automático. “O fato de o fertilizante estar mais caro não significa que o alimento também ficará. O repasse depende, principalmente, da produtividade”, explica, citando a Guerra da Ucrânia como exemplo de quando o setor absorveu custos sem repassá-los.

    Quais alimentos podem ficar mais caros?

    As commodities são as mais vulneráveis, pois têm preços definidos no mercado internacional. A consultoria Datagro identificou os produtos agropecuários brasileiros com maior risco diante do conflito:

    • Milho: risco de atrasos nos embarques pelo aumento dos custos logísticos
    • Açúcar: forte presença de exportações para o Oriente Médio
    • Carne de frango: dificuldades de entrega aos países do Golfo Pérsico, além de alta em fretes e seguros
    • Suco de laranja: o Brasil, líder global nas exportações, pode sentir o encarecimento logístico e a instabilidade na demanda

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também expressa preocupação com carne suína e ovos. Segundo a entidade, o conflito já elevou em até 30% o custo das embalagens plásticas feitas com matéria-prima importada da região. Diante disso, a ABPA não descarta repasses ao consumidor em breve.

  • Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Carlos Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária na última sexta-feira, 27 de março. A saída, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, acontece em um momento sensível para o setor produtivo e, portanto, coloca o agronegócio diante de um período de incerteza institucional.

    A exoneração de Fávaro tem motivação política direta. O ex-ministro retorna ao Senado Federal para participar da votação do relatório final da CPMI do INSS, comissão que recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

    Com a volta de Fávaro ao Senado, sua suplente, Margareth Buzetti, alinhada à oposição, perde a vaga na comissão. Em seguida, o primeiro suplente, Beto Faro, do PT, assume o lugar. Dessa forma, o movimento busca garantir ao governo votos suficientes para rejeitar o relatório, que precisava ser votado até ontem, sábado, 28 de março, prazo limite de funcionamento da CPMI após o STF negar a prorrogação dos trabalhos.

    Além disso, Fávaro ainda tem agenda no Ministério na próxima terça-feira, 31 de março, quando deve se despedir formalmente da pasta.

    O impacto direto no agronegócio

    A troca no comando do Ministério da Agricultura ocorre em um momento delicado. O setor enfrenta juros ainda elevados, pressão sobre custos de produção e necessidade de previsibilidade em políticas estratégicas como crédito rural, seguro agrícola e apoio à comercialização.

    Para produtores e entidades do setor, mudanças no comando do Mapa fora do ciclo tradicional de transição de governo tendem a gerar cautela. Afinal, decisões sobre financiamento de safra, programas de seguro e abertura de mercados dependem de continuidade técnica e orçamentária. Mudanças abruptas, portanto, podem atrasar decisões e aumentar o risco no campo.

    Paralelamente, a Conab também passa por troca de comando. Sílvio Porto assume a presidência no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul. A estatal é peça estratégica para o agronegócio, pois é responsável por levantamentos de safra, controle de estoques e execução de políticas de abastecimento que influenciam diretamente a formação de preços.

    Quem assume o Ministério da Agricultura?

    Nos bastidores, o PSD, partido de Fávaro liderado por Gilberto Kassab, atua para manter o controle da pasta. Por ora, o nome mais cotado é o do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, visto como alternativa para garantir a continuidade da legenda em uma das pastas mais relevantes para a economia brasileira.

    A eventual troca, contudo, acontece em meio a uma relação ainda irregular entre o ministério e parte do setor produtivo. Ao longo da gestão, Fávaro enfrentou resistência de segmentos do agro, especialmente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que cobrou maior alinhamento em pautas como política agrícola, defesa sanitária e abertura de mercados.

    Um momento de transição que o agro acompanha de perto

    A saída de Fávaro inaugura uma nova rodada de rearranjos políticos no governo. À medida que outros ministros deixam seus cargos para disputar as eleições, a “dança das cadeiras” na Esplanada tende a se intensificar nos próximos meses.

    Para o agronegócio, esse movimento ocorre em um cenário de margens mais apertadas e maior exposição a variáveis externas. Sendo assim, mais do que nomes, o que está em jogo é a condução da política agrícola em um momento de maior risco. E isso, o produtor rural acompanha com atenção redobrada.

  • Guerra no Irã ameaça a safra brasileira: diesel dispara 22% e produtores entram em estado de alerta

    Guerra no Irã ameaça a safra brasileira: diesel dispara 22% e produtores entram em estado de alerta

    Um mês após o início do conflito no Irã, os efeitos da guerra chegaram com força ao campo brasileiro. O diesel, combustível essencial para colheitadeiras, tratores e caminhões, saltou 22,53% em apenas quatro semanas, passando de R$ 6,08 para R$ 7,45 o litro. O valor é o maior desde julho de 2022. E o momento não poderia ser pior: o Brasil colhe soja e arroz em ritmo acelerado.

    O receio de novos reajustes e de possível desabastecimento já mudou a rotina de produtores rurais em todo o país. No interior de São Paulo, Azael Pizzolato, produtor rural e diretor da Aprosoja-SP, agiu rápido: triplicou sua reserva de diesel, de 10 mil para 30 mil litros.

    O motivo preocupa. Suas quatro propriedades somam cerca de 7 mil hectares entre cana-de-açúcar, amendoim, soja e milho, e consomem entre 5 mil e 6 mil litros de diesel por dia. Com o estoque atual, Pizzolato garante apenas cinco dias de operação em caso de desabastecimento.

    “Estamos em uma fase bem crítica aqui, porque estamos colhendo soja e amendoim, plantando cana, e são essas etapas que mais exigem volume de diesel. E no dia 2 de abril começa a safra de cana. Na colheita de cana, mais de 30% do custo é diesel”, alerta o produtor.

    Colheita atrasada, transporte travado: o efeito dominó no agro

    O problema vai além do custo. A escassez ameaça diretamente o ritmo da safra brasileira. Os dados da Conab de 23 de março mostram que o Brasil colheu apenas 67% da soja e 34,9% do arroz, índices abaixo do mesmo período do ano passado.

    Produtores de milho em sete estados já relatam dificuldade para adquirir diesel. Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e interior de São Paulo enfrentam o problema, segundo Daniel Rosa, diretor-técnico da Abramilho.

    “A soja está com cerca de 70% colhida, e o milho, em torno de 90% plantado na segunda safra. Esse produtor está pagando um frete mais alto do que previa no início da safra. No caso do maquinário para a segunda safra de milho, também há aumento de custo”, explica Rosa.

    O impacto ultrapassa a porteira. “Sem diesel, a colheita atrasa, o transporte trava, os custos aumentam. É um prejuízo imediato que não fica só no campo, a gente começa a ver o reflexo na cidade”, alerta Adriane Perin de Oliveira, presidente da Famurs.

    Do campo à cidade: o diesel que encarece tudo

    A alta do diesel já pressiona as transportadoras, e o bolso do consumidor sente o impacto. A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística registra alta média de 10% no frete em todo o país. Em algumas regiões, o aumento chega a 50%.

    Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a West Cargo já reajustou o frete em 12%. Como resultado, as reclamações dos clientes aumentaram. “Tivemos algumas reclamações de clientes dizendo que o preço está muito alto. Mas o mercado está volátil e tudo vem subindo”, afirma Luigi Rosolen, diretor da empresa.

    Isso acontece, sobretudo, porque o diesel responde por até metade dos custos operacionais do transporte de cargas. Dessa forma, cada centavo a mais no litro pressiona diretamente os preços de alimentos, insumos e produtos em geral. Em outras palavras, o que começa no campo termina no carrinho do supermercado.

    Um conflito distante, consequências muito próximas

    A guerra no Irã pode parecer distante da realidade do produtor rural brasileiro. Na prática, porém, seus efeitos já alcançam as lavouras de soja do Mato Grosso, os arrozais do Rio Grande do Sul e os canaviais do interior de São Paulo.

    O cenário exige ação imediata. Quando o diesel falta ou encarece, toda a cadeia sofre: da colheita ao transporte, do armazém ao supermercado. O agronegócio brasileiro, responsável por parcela expressiva do PIB nacional, não pode aguardar que a geopolítica se resolva para reagir.