Autor: Beto Ribeiro

  • 18 elefantes morrem e tomates viram peça-chave de mistério

    18 elefantes morrem e tomates viram peça-chave de mistério

    A morte de 18 elefantes em uma das regiões de vida selvagem mais conhecidas do Quênia colocou até plantações de tomate no centro de uma investigação.

    Os animais morreram no ecossistema de Amboseli, no sul do país. Resultados preliminares apontaram sinais de intoxicação e levantaram a suspeita de contato com cianeto.

    Além disso, veterinários encontraram tomates no conteúdo estomacal de alguns animais. Por isso, uma das hipóteses considera a possível ingestão de alimentos contaminados.

    No entanto, a relação entre as mortes, os tomates e pesticidas agrícolas ainda não foi comprovada. Agricultores também contestam a hipótese e afirmam que não utilizam cianeto nas lavouras.

    Mortes começaram em junho

    Os primeiros casos ocorreram entre 24 de junho e 24 de julho. Inicialmente, 15 elefantes morreram. Depois, o número de animais encontrados mortos chegou a 18.

    As ocorrências atingiram áreas como o Parque Nacional de Amboseli, o Kimana Sanctuary e Kuku Ranch. A região fica próxima à fronteira com a Tanzânia e aos pés do Monte Kilimanjaro.

    Antes de morrer, alguns elefantes apresentaram sinais de paralisia e dificuldade para respirar, segundo informações do Kenya Wildlife Service (KWS).

    elefantes
    Foto: Parque Nacional Amboseli/Quênia

    Exames realizados após as mortes também identificaram alterações nos pulmões e no coração. Além disso, veterinários encontraram tomates e melancias no conteúdo estomacal dos animais.

    Agora, uma das principais perguntas da investigação é descobrir a origem do cianeto e determinar como os elefantes tiveram contato com a substância.

    Por que os tomates entraram na investigação?

    A ligação com a agricultura surgiu porque o entorno de Amboseli reúne importantes áreas de produção.

    A região de Kimana, por exemplo, possui lavouras de tomate, cebola e vagem. Parte desses alimentos abastece mercados de Nairóbi, capital do Quênia.

    Ao mesmo tempo, elefantes entram em propriedades rurais em busca de alimento. Nessas incursões, podem consumir produtos cultivados e provocar prejuízos aos agricultores.

    Foi nesse contexto que os tomates encontrados nos animais passaram a chamar atenção.

    tomates
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    Resultados laboratoriais preliminares indicaram possível intoxicação por cianeto. Assim, investigadores passaram a analisar se os elefantes poderiam ter ingerido alimentos contaminados em propriedades próximas às áreas de conservação.

    Entretanto, ainda falta estabelecer como ocorreu o contato com a substância.

    A ministra do Turismo e Vida Selvagem do Quênia, Rebecca Miano, ressaltou que os resultados disponíveis ainda não permitem uma conclusão.

    “Essas descobertas ainda estão sujeitas a uma verificação científica adicional antes que a investigação seja considerada concluída”, afirmou Miano, em comunicado divulgado pelo governo queniano.

    Agricultores contestam suspeita

    A possível ligação entre as mortes e as lavouras provocou reação entre produtores.

    Agricultores afirmam que não utilizam cianeto na produção. Além disso, questionam a hipótese de que pesticidas aplicados nas plantações estejam diretamente relacionados às mortes.

    Outro ponto chama atenção. Cabras, bovinos, gazelas e outros animais também circulam pelas propriedades agrícolas da região.

    por do sol na Africa
    Foto: Parque Nacional Amboseli/Quênia

    Por isso, os investigadores ainda precisam determinar a fonte da possível intoxicação e explicar por que o episódio atingiu os elefantes.

    O Kenya Wildlife Service informou ainda que o cianeto não é um ingrediente comum nos pesticidas agrícolas usados na região.

    Produtos químicos foram apreendidos

    Nos últimos dias, as autoridades ampliaram as buscas.

    Uma operação realizada em Tikondo, na área de Kimana, encontrou substâncias potencialmente tóxicas e materiais sem identificação.

    Agora, esses produtos passam por análises para determinar sua composição e descobrir se existe alguma relação com as mortes.

    Quatro pessoas foram detidas durante a investigação e posteriormente liberadas sob fiança. Além disso, as autoridades procuram outro suspeito.

    Entretanto, o governo ressaltou que as detenções não comprovam envolvimento no caso.

    “A prisão de pessoas de interesse e a recuperação de materiais não estabelecem, por si só, responsabilidade criminal”, afirmou Rebecca Miano.

    Elefantes e lavouras disputam espaço

    O episódio também expõe um problema antigo no Quênia: a convivência entre animais selvagens e propriedades agrícolas.

    A população de elefantes do país voltou a superar 36 mil animais depois de décadas de esforços de conservação e combate à caça ilegal.

    Entretanto, a expansão agrícola aumentou o contato entre comunidades rurais e esses grandes mamíferos.

    Em determinadas regiões, elefantes atravessam áreas de cultivo em busca de água e alimento. Consequentemente, uma única passagem pode representar prejuízo elevado para pequenos agricultores.

    Dados do Plano Nacional para Elefantes do Quênia mostram a dimensão do conflito. Pelo menos 1.160 elefantes morreram entre 2000 e 2020 em episódios relacionados à autodefesa ou à retaliação de comunidades.

    Em muitos desses casos, moradores tentavam proteger pessoas, propriedades ou plantações.

    Causa das 18 mortes ainda não está definida

    Apesar das suspeitas, não existe até agora uma conclusão definitiva de que tomates ou pesticidas agrícolas tenham causado a morte dos 18 elefantes.

    Os exames preliminares apontaram uma possível intoxicação. Além disso, a presença de alimentos cultivados nas propriedades próximas ajudou a direcionar parte da investigação.

    Por outro lado, ainda é necessário determinar a origem da substância e explicar como os animais tiveram contato com ela.

    Por isso, amostras dos elefantes, do ambiente e dos produtos apreendidos continuam sendo analisadas.

    Enquanto a investigação avança, o episódio chama atenção para um desafio crescente no campo. De um lado estão produtores que precisam proteger suas lavouras. Do outro, elefantes que circulam por um território cada vez mais compartilhado com propriedades rurais.

    Por enquanto, os tomates fazem parte do quebra-cabeça. A causa definitiva das 18 mortes, porém, ainda depende das análises científicas e da conclusão das autoridades quenianas.

  • USP entra no Top 15 mundial em Ciências Agrárias

    USP entra no Top 15 mundial em Ciências Agrárias

    A Universidade de São Paulo (USP) conquistou uma posição de destaque mundial em uma área diretamente ligada ao agronegócio. A instituição aparece como a 14ª melhor do planeta em Ciências Agrárias no NTU Performance Ranking of Scientific Papers for World Universities 2026.

    O resultado coloca a universidade brasileira entre as principais referências internacionais em pesquisa agrícola. Além disso, reforça a presença da ciência produzida no País em áreas relacionadas à agricultura, pecuária, sustentabilidade e inovação.

    Na classificação geral do NTU, a USP ficou na 55ª posição mundial, avançando uma colocação em relação a 2025. Entre as universidades brasileiras, ocupa o primeiro lugar.

    Ciências Agrárias colocam USP no Top 15

    O desempenho em Ciências Agrárias chama atenção porque coloca a USP no Top 15 mundial da área. A posição ajuda a dimensionar a relevância internacional da pesquisa agrícola desenvolvida no Brasil.

    O ranking elaborado pela Universidade Nacional de Taiwan concentra a avaliação na produção científica das instituições. Portanto, considera indicadores que permitem medir tanto a quantidade quanto a influência das pesquisas publicadas.

    Três aspectos têm peso na nota final: excelência das pesquisas, com 40%; impacto, com 35%; e produtividade, com 25%.

    Além disso, a metodologia considera a frequência com que os estudos são citados e a quantidade de artigos publicados em periódicos científicos de destaque. A análise acompanha tanto a produção recente quanto o desempenho acumulado ao longo dos anos.

    Ranking das universidades brasileiras no NTU 2026

    A USP aparece com ampla vantagem entre as instituições brasileiras classificadas. A Unicamp, segunda colocada no País, ocupa a 358ª posição mundial.

    Brasil Universidade Mundo
    1º Universidade de São Paulo (USP) 55º
    2º Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 358º
    3º Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 382º
    4º Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 435º
    5º Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 453º

    USP também avança em produção científica

    O bom desempenho não aparece apenas na classificação de Taiwan. No Academic Ranking of World Universities (ARWU) 2026, conhecido como Ranking de Xangai, a USP permaneceu como a universidade mais bem colocada do Brasil.

    A instituição ficou na faixa entre as 101ª e 150ª melhores universidades do mundo. O levantamento avalia mais de 2,5 mil instituições e utiliza indicadores relacionados principalmente à produção científica.

    Entre os critérios estão pesquisadores e ex-alunos vencedores de Prêmios Nobel e Medalhas Fields, pesquisadores altamente citados, artigos publicados nas revistas Nature e Science e trabalhos indexados em bases científicas internacionais.

    Um indicador, entretanto, chama atenção. A USP alcançou a 30ª posição mundial em volume de publicações científicas indexadas.

    Ciência produzida pode chegar ao campo

    Para o agronegócio, o resultado em Ciências Agrárias ganha importância porque o conhecimento produzido pelas universidades pode posteriormente chegar às propriedades rurais.

    Pesquisas envolvendo produtividade, genética, solos, nutrição animal, sustentabilidade, novas tecnologias e sistemas de produção, por exemplo, ajudam no desenvolvimento de soluções aplicadas ao campo.

    Em entrevista ao Jornal da USP, o reitor da Universidade de São Paulo, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, destacou a relação entre produção acadêmica e demandas da sociedade.

    “O resultado das avaliações reforça a relevância da produção acadêmica, cujo conhecimento gerado se converte em ciência de melhor qualidade e na formulação de políticas públicas voltadas às necessidades da sociedade e do País”, afirmou.

    De acordo com Segurado, o desempenho também demonstra a capacidade da universidade de reunir diferentes frentes de atuação.

    “O desempenho da USP evidencia também a força de uma universidade que articula ensino, pesquisa e extensão, forma profissionais e participa de redes nacionais e internacionais de colaboração científica, produzindo conhecimento de impacto e respondendo aos desafios da sociedade contemporânea”, disse.

    Ranking não mostra toda a universidade

    Apesar dos resultados, o reitor faz uma ressalva sobre a interpretação das classificações internacionais. Para ele, os rankings são ferramentas importantes, mas não conseguem representar todas as dimensões de uma universidade pública.

    “Devemos pontuar, entretanto, que os rankings são instrumentos importantes para acompanhar tendências e identificar oportunidades de aprimoramento, mas não traduzem, isoladamente, a complexidade de uma universidade pública”, afirmou.

    Assim, para o setor agropecuário, a 14ª posição mundial em Ciências Agrárias é um dos números de maior destaque. O resultado coloca a pesquisa brasileira entre as referências internacionais justamente em uma área estratégica para o País.

  • Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Elas têm pelos longos, chifres e aparência de bicho de pelúcia. As chamadas mini vacas ganharam espaço como pets nos Estados Unidos e agora começam a mudar até a rotina de clínicas veterinárias.

    O movimento aparece principalmente em pequenas propriedades. Nesses locais, alguns bovinos deixaram de ter finalidade exclusivamente produtiva e passaram a receber cuidados semelhantes aos destinados aos animais de companhia.

    Com isso, clínicas acostumadas a cães e gatos começam a enxergar uma nova demanda. A tendência foi relatada pela Today’s Veterinary Business, publicação especializada em gestão e medicina veterinária.

    Além do potencial comercial, porém, o fenômeno exige cuidados. Especialistas alertam que tamanho reduzido não elimina as necessidades de um bovino. A seleção genética também merece atenção.

    Mini vacas começam a chegar aos consultórios

    Um dos casos relatados ocorreu no estado do Missouri. Uma bezerra Highland em miniatura apresentava uma lesão na coluna e precisava de atendimento.

    Os proprietários procuraram a Orchard Hills Veterinary Clinic em busca de uma segunda opinião. No entanto, havia uma diferença importante em relação ao manejo tradicional de bovinos destinados à produção.

    Para aquela família, a bezerra era um animal de companhia. “Este é o nosso animal de estimação. Não vamos abater o nosso pet”, disseram os proprietários durante o atendimento.

    Mini vaca em atendimento veterinário
    Foto: Todays Veterinary Business

     

    Diante da decisão, a médica-veterinária Hannah Gawf, proprietária da clínica, avaliou alternativas para tratar o animal.

    Uma das possibilidades envolvia um medicamento manipulado. Além disso, o produto poderia receber um sabor mais atrativo para facilitar sua administração.

    “Com certeza. Podemos mandar manipular um medicamento e dar a ele sabor de melaço”, afirmou Gawf à Today’s Veterinary Business.

    O caso ajuda a explicar por que algumas clínicas começam a olhar para esses bovinos de outra maneira.

    De animal de produção a pet

    Segundo Gawf, a procura por um atendimento individualizado para animais de grande porte vem crescendo. Dessa forma, os veterinários encontram proprietários dispostos a buscar alternativas que antes poderiam não fazer sentido econômico em sistemas produtivos.

    “Muitos tutores modernos estão buscando um atendimento mais compassivo e personalizado para seus animais de grande porte, em vez de uma abordagem tradicional voltada à produção”, explicou a veterinária.

    Essa mudança não envolve apenas as mini vacas. Cabras, ovelhas, aves e outros animais mantidos em pequenas propriedades também aparecem entre os novos pacientes.

    Ao mesmo tempo, nem todas as regiões possuem profissionais preparados para atender diferentes espécies. Portanto, a distância até um veterinário pode se tornar um problema para os proprietários.

    Médica veterinária com cavalos
    Foto: Todays Veterinary Business

    Nesse cenário, clínicas que ampliam os serviços conseguem atender uma demanda ainda pouco explorada.

    Highland chama atenção pela aparência

    Entre os bovinos que ganharam popularidade estão os Highlands e animais selecionados para apresentar menor porte.

    A raça Highland tem origem na Escócia. Segundo a Highland Cattle Society, entidade responsável pelo registro genealógico da raça no Reino Unido, esses bovinos se desenvolveram em condições ambientais difíceis e ficaram conhecidos pela rusticidade.

    A pelagem longa é uma de suas características mais marcantes. Além disso, os chifres ajudam a criar a aparência facilmente reconhecida nas redes sociais.

    Nos animais menores, essas características ganharam ainda mais apelo.

    Vídeos mostram bezerros sendo escovados, recebendo carinho e acompanhando seus proprietários. Consequentemente, o interesse ultrapassou o universo tradicional da pecuária.

    O crescimento já havia chamado atenção fora dos Estados Unidos. Em 2024, a emissora pública australiana ABC mostrou um criatório que registrou aumento de 30% nas vendas de Highlands em miniatura em um ano.

    Apesar da aparência, entretanto, especialistas alertam que esses animais continuam sendo bovinos.

    Mini vaca exige estrutura adequada

    O tamanho reduzido não significa que uma mini vaca possa ser criada nas mesmas condições de um cachorro.

    O animal precisa de espaço, água limpa, alimentação adequada e cercas capazes de garantir segurança. Além disso, a propriedade deve oferecer estrutura para o manejo veterinário.

    Outro ponto importante é o tamanho adulto.

    Um bezerro pequeno não necessariamente permanecerá com aquelas dimensões. Por isso, avaliar somente a aparência nos primeiros meses pode levar compradores a conclusões erradas.

    Nesse sentido, conhecer os pais e o histórico do animal ajuda a estimar seu desenvolvimento.

    Da mesma forma, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário continuam necessários. O manejo também deve considerar idade, condição corporal, alimentação e ambiente.

    Genética das mini vacas preocupa especialistas

    Além dos cuidados de rotina, a popularidade dos bovinos menores trouxe uma discussão sobre genética.

    A professora Imke Tammen, da Sydney School of Veterinary Science, da Universidade de Sydney, alertou para variantes genéticas associadas à condrodisplasia em alguns bovinos comercializados como miniatura.

    A condrodisplasia afeta o desenvolvimento de cartilagens e ossos. Portanto, dependendo da variante genética e do cruzamento realizado, podem surgir problemas importantes para a saúde dos animais.

    “Se um animal herdar duas cópias do gene, isso resulta em uma manifestação muito mais grave, e eles frequentemente nascem mortos”, explicou Tammen à ABC.

    Por isso, a procedência ganha importância no momento da compra.

    Criadores responsáveis precisam acompanhar características genéticas e evitar cruzamentos que aumentem o risco de problemas hereditários. Além disso, selecionar animais apenas pelo menor tamanho pode comprometer o bem-estar.

  • Caminhonete queridinha do agro perde liderança após quase 5 anos

    Caminhonete queridinha do agro perde liderança após quase 5 anos

    Uma diferença de apenas 33 caminhonetes mudou o ranking de vendas no Brasil. Depois de quase cinco anos, a Toyota Hilux perdeu a liderança mensal entre as picapes médias.

    Quem assumiu o primeiro lugar foi a Ford Ranger. Em julho, foram 3.402 unidades emplacadas, diante de 3.369 unidades da Hilux.

    A mudança chama atenção principalmente pela longa sequência da Toyota. Desde agosto de 2021, a Hilux não terminava um mês atrás de uma concorrente direta entre as caminhonetes médias.

    Desta vez, porém, a Ranger conseguiu quebrar a sequência.

    Ranger supera Hilux por diferença mínima

    A disputa entre Ford Ranger e Toyota Hilux terminou praticamente empatada.

    Segundo os dados de emplacamentos, apenas 33 veículos separaram as duas caminhonetes em julho. Logo atrás apareceu a Chevrolet S10, com 2.810 unidades.

    Assim, o ranking das médias ficou com Ranger em primeiro, Hilux em segundo e S10 na terceira posição.

    O resultado ganha importância porque Hilux, Ranger e S10 estão entre as caminhonetes mais tradicionais do mercado brasileiro. Além do uso urbano, os modelos têm forte presença em propriedades rurais e regiões produtoras.

    Hilux ainda tem vantagem no acumulado de 2026

    Foto: Divulgação – Toyota

    Apesar da virada mensal, a Toyota continua na frente quando o período analisado aumenta.

    De janeiro a julho, a Hilux acumulou cerca de 26,7 mil unidades, enquanto a Ranger chegou a aproximadamente 20,4 mil.

    Portanto, a vantagem da Toyota ainda supera 6 mil caminhonetes no ano.

    A Ranger, contudo, conseguiu um resultado simbólico. A última vez que a Hilux havia perdido a liderança mensal da categoria ocorreu em agosto de 2021, quando a Chevrolet S10 ficou na frente.

    Strada vende mais que Ranger, Hilux e S10 juntas

    Quando todas as categorias de picapes entram na comparação, a liderança muda completamente de escala.

    A Fiat Strada registrou 14.912 emplacamentos em julho. Além de liderar entre as picapes, o modelo terminou o mês como o veículo mais vendido do Brasil.

    A diferença é grande.

    Somadas, Ranger, Hilux e S10 alcançaram 9.581 unidades. Isso significa que a Strada vendeu, sozinha, mais de 5 mil veículos acima das três principais caminhonetes médias juntas.

    Além disso, a Fiat colocou outro modelo entre os primeiros colocados. A Toro registrou 5.798 unidades e terminou à frente da Volkswagen Saveiro, que teve 5.328.

    Veja as 10 picapes mais vendidas do Brasil

    Os emplacamentos de julho mostram como ficou a disputa no mercado brasileiro:

    1- Fiat Strada: 14.912 unidades

    2- Fiat Toro: 5.798

    3- Volkswagen Saveiro: 5.328

    4- Ford Ranger: 3.402

    5- Toyota Hilux: 3.369

    6- Chevrolet S10: 2.810

    7- Ram Rampage: 2.338

    8- Chevrolet Montana: 1.769

    9- Mitsubishi Triton: 1.526

    10- Renault Oroch: 943

    Brasileiros compraram mais de 45 mil picapes em um mês

    O tamanho desse mercado ajuda a explicar por que as montadoras continuam investindo no segmento.

    Em julho, foram 45.576 picapes emplacadas no Brasil. Um ano antes, o volume havia ficado em 41.464 unidades.

    Portanto, as vendas cresceram quase 10% na comparação anual.

    Em relação a junho, o avanço ficou próximo de 12%.

    As picapes também responderam por aproximadamente 17% dos veículos emplacados no país durante o mês.

    Strada e Toro tiveram peso importante nesse desempenho. Juntas, as duas alcançaram 20.710 unidades, perto de 45% de todas as picapes vendidas no período.

    Mercado terá ainda mais caminhonetes

    A disputa não deve ficar restrita aos modelos tradicionais.

    Novas caminhonetes começam a ocupar espaço no mercado brasileiro. A GWM Poer, por exemplo, registrou 801 unidades em julho. Já a Ram Dakota alcançou 527 emplacamentos.

    A Fiat Titano apareceu com 476 unidades, enquanto a Volkswagen Amarok teve 442.

    Além disso, outras novidades estão previstas para os próximos meses. A Volkswagen, por exemplo, prepara a Tukan, picape desenvolvida no Brasil e prevista para chegar ao mercado em 2027.

    Com mais modelos nas concessionárias, a concorrência tende a aumentar.

    Por enquanto, a Strada reina com folga no mercado geral. Entre as médias, entretanto, a diferença de apenas 33 unidades entre Ranger e Hilux mostra que a liderança já não parece tão confortável quanto nos últimos anos.

  • Veterinária: Brasil tem 2 universidades entre as melhores do mundo

    Veterinária: Brasil tem 2 universidades entre as melhores do mundo

    O Brasil tem duas universidades entre as 100 melhores do mundo em Veterinária. A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) aparecem na edição 2026 do QS World University Rankings by Subject.

    As duas instituições estão na faixa entre a 51ª e a 100ª posições em Veterinary Science. Nessa parte da classificação, o QS reúne as universidades em grupos e, portanto, não estabelece uma colocação individual para cada uma.

    O ranking avaliou instituições de diferentes países e selecionou as 100 que mais se destacaram na área. Além disso, a classificação permite comparar o desempenho das universidades em diferentes aspectos acadêmicos e científicos.

    No topo, por exemplo, o domínio se concentra principalmente em universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido.

    As 10 melhores universidades do mundo em Veterinária

    Veja as primeiras colocadas no QS World University Rankings by Subject 2026 em Veterinary Science:

    Posição Universidade País Nota
    1º Royal Veterinary College, University of London Reino Unido 98,2
    2º University of California, Davis Estados Unidos 95,8
    3º Cornell University Estados Unidos 94,7
    4º University of Guelph Canadá 92,8
    5º Texas A&M University Estados Unidos 90,7
    6º Colorado State University Estados Unidos 89,4
    6º University of Edinburgh Reino Unido 89,4
    8º The Ohio State University Estados Unidos 89,0
    9º Utrecht University Holanda 88,7
    10º Iowa State University Estados Unidos 88,4

    O Royal Veterinary College (RVC), ligado à Universidade de Londres, manteve a liderança mundial. A instituição alcançou 98,2 pontos e, além disso, obteve a pontuação máxima em reputação acadêmica.

    Logo depois, aparece a University of California, Davis, com 95,8 pontos. A universidade norte-americana ocupa a segunda colocação mundial e, ao mesmo tempo, lidera o ranking dentro dos Estados Unidos.

    Na sequência, Cornell University completa o pódio. University of Guelph e Texas A&M, por sua vez, fecham as cinco primeiras posições.

    Onde aparecem USP e Unesp?

    Foto de tigresa em atendimento na UNESP

    Depois das dez primeiras colocadas, o ranking segue até chegar ao grupo no qual aparecem as duas representantes brasileiras.

    A USP e a Unesp estão na faixa 51-100 do mundo em Veterinary Science no QS 2026.

    Nesse intervalo, entretanto, o QS deixa de divulgar uma posição ordinal específica. Por isso, não é possível estabelecer qual das duas brasileiras aparece à frente.

    Ainda assim, a classificação coloca as duas universidades paulistas entre as 100 instituições de maior destaque internacional em ciência veterinária na edição de 2026.

    O resultado também mantém o Brasil representado em um grupo que reúne algumas das principais universidades e centros de pesquisa veterinária do planeta.

    UFMG deixou o Top 100

    Por outro lado, o levantamento de 2026 apresenta uma mudança importante em relação à edição anterior.

    Em 2025, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também figurava entre as 100 melhores do mundo em Veterinária. Na ocasião, a área estreou na classificação da universidade já dentro do Top 100.

    Em 2026, porém, Veterinária da UFMG não permaneceu no Top 100. Com isso, o Brasil passou de três para duas universidades nesse grupo.

    A mudança, contudo, não permite concluir que houve perda de qualidade do curso. O QS não divulgou uma justificativa específica para a saída da Veterinária da UFMG do Top 100.

    Além disso, a classificação funciona de maneira comparativa. Isso significa que o resultado de uma instituição também depende do desempenho das demais universidades analisadas.

    Dessa forma, mudanças podem ocorrer de uma edição para outra mesmo sem uma piora absoluta na qualidade acadêmica de determinada instituição.

    Como o QS avalia as universidades?

    Fachada da Faculdade de Medicina Veterinária da USP

    O QS World University Rankings by Subject analisa o desempenho das instituições em áreas específicas do conhecimento.

    Em Veterinary Science, a metodologia combina indicadores relacionados à reputação acadêmica, reputação entre empregadores e impacto da produção científica. Além disso, a avaliação considera aspectos relacionados à colaboração internacional em pesquisa.

    Entre os indicadores científicos está o índice H, usado para mensurar a produtividade e a influência dos trabalhos acadêmicos produzidos pelos pesquisadores.

    Portanto, o levantamento não funciona como uma avaliação exclusiva da graduação em Medicina Veterinária. Na prática, ele considera a força acadêmica, científica e internacional da universidade naquela área.

    Assim, uma instituição com forte produção científica e pesquisadores altamente citados pode ganhar destaque no levantamento. Ao mesmo tempo, a reputação construída junto à comunidade acadêmica e aos empregadores também influencia o resultado.

    No Brasil, por fim, a edição de 2026 deixa USP e Unesp como as duas representantes nacionais entre as 100 melhores do mundo em Veterinária.

  • Pescador fisga tartaruga gigante no Rio Araguaia

    Pescador fisga tartaruga gigante no Rio Araguaia

    Uma pescaria no Rio Araguaia terminou com um encontro muito diferente do esperado. Em vez de um peixe, um pescador fisgou acidentalmente uma tartaruga de grande porte e precisou trazer o animal até a margem.

    O tamanho do quelônio chamou atenção. Nas imagens, a tartaruga aparece sendo segurada antes de voltar para a água.

    O episódio ocorreu na região de Aruanã, em Goiás, um dos destinos de pesca mais conhecidos do Araguaia. Além de grandes peixes, porém, as águas do rio também abrigam diferentes espécies de animais silvestres.

    Entre elas está a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), considerada pelo Ibama o maior quelônio aquático de água doce das Américas. A espécie ocorre na bacia Tocantins-Araguaia e pode alcançar dimensões impressionantes.

    Entretanto, apenas as imagens não permitem afirmar com segurança que o animal fisgado pertence a essa espécie.

    Tartaruga-da-Amazônia pode chegar a 65 quilos

    Quando adulta, principalmente no caso das fêmeas, a tartaruga-da-Amazônia pode se transformar em um verdadeiro gigante dos rios.

    Segundo o Programa Quelônios da Amazônia, do Ibama, uma fêmea adulta pode pesar cerca de 65 quilos. Além disso, dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) registram exemplares ainda maiores.

    A maior fêmea mencionada pelo instituto chegou a 109 centímetros de comprimento e 90 quilos.

    Portanto, encontrar uma tartaruga enorme nos rios onde a espécie ocorre não representa necessariamente uma anomalia. O próprio tamanho faz parte das características desses animais.

    https://www.instagram.com/reel/DZ2o18WO-9N/?utm_source=ig_web_copy_link&igsi=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Os machos, por outro lado, costumam ser menores que as fêmeas.

    Além disso, a tartaruga-da-Amazônia apresenta carapaça achatada e mais larga na região posterior. A coloração varia entre tons de marrom, cinza e verde-oliva.

    Gigantes também vivem no Araguaia

    Embora o nome remeta diretamente à Amazônia, a distribuição da espécie vai além da calha do Rio Amazonas.

    O Ibama informa que a Podocnemis expansa também ocorre na bacia Tocantins-Araguaia, alcançando áreas de Goiás e Mato Grosso.

    Por isso, o Rio Araguaia representa um habitat importante para esses animais.

    Um estudo realizado na Área de Proteção Ambiental Meandros do Araguaia, entre Goiás e Mato Grosso, por exemplo, analisou fêmeas com peso entre 17 e 38 quilos. Em média, elas apresentaram 65,45 centímetros de comprimento de carapaça.

    Além do tamanho, outra característica chama atenção: a longevidade.

    Dados reunidos pelo ICMBio indicam que a tartaruga-da-Amazônia pode chegar a aproximadamente 80 anos de vida. Assim, alguns dos grandes indivíduos encontrados nos rios podem ter várias décadas.

    Tartarugas colocam mais de 100 ovos

    Filhotes de tartaruga-da-amazônia

    O comportamento reprodutivo da espécie também impressiona.

    Durante o período de reprodução, as fêmeas migram para praias arenosas e se concentram em locais conhecidos como tabuleiros. Ali, elas escavam a areia para construir os ninhos.

    De acordo com o Ibama, cada fêmea nidifica uma vez durante o período reprodutivo e pode depositar entre 60 e 135 ovos.

    Depois disso, os filhotes levam entre 42 e 75 dias para nascer. O tempo varia conforme a região e as condições do rio.

    Entretanto, chegar à fase adulta não é simples. Ovos e filhotes enfrentam predadores naturais e também pressões provocadas pela ação humana.

    Por esse motivo, praias de reprodução recebem ações de monitoramento e proteção em diferentes regiões brasileiras.

    Por que a espécie precisa de proteção?

    Durante séculos, populações amazônicas utilizaram tartarugas e seus ovos como fonte de alimento. A exploração intensa, porém, provocou forte redução de algumas populações.

    Para enfrentar o problema, o Brasil mantém o Programa Quelônios da Amazônia (PQA), coordenado pelo Ibama. A iniciativa atua desde 1979 na conservação e no manejo de espécies de quelônios.

    Atualmente, a tartaruga-da-Amazônia aparece na categoria “menos preocupante” nas avaliações nacional e internacional citadas pelo Ibama.

    Ainda assim, o trabalho de conservação continua importante, principalmente nas áreas onde os animais se concentram para colocar seus ovos.

    O flagrante no Araguaia, portanto, chama atenção não apenas pelo tamanho do animal. Ele também revela que, sob as águas frequentadas por milhares de pescadores todos os anos, vivem alguns dos maiores quelônios de água doce das Américas.

  • Cobra de 85 milhões de anos é encontrada no Brasil; veja como vivia

    Cobra de 85 milhões de anos é encontrada no Brasil; veja como vivia

    Uma cobra que rastejou pelo território brasileiro há até 85 milhões de anos está ajudando cientistas a entender como esses animais viviam quando os dinossauros ainda dominavam o planeta.

    Batizada de Tametara mirim, a espécie ganhou atenção dos pesquisadores após a descoberta de um fóssil em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O exemplar surpreendeu, sobretudo, pelo ótimo estado de conservação do crânio e de parte do esqueleto.

    A descoberta aparece no estudo “Exceptional brain and ecological diversity in the earliest snakes”, publicado em julho na revista científica Nature. A pesquisa reuniu cientistas de diferentes instituições e contou com a participação de pesquisadores brasileiros.

    Além disso, o material abriu uma oportunidade rara. Os cientistas conseguiram investigar uma região que dificilmente deixa vestígios depois de milhões de anos: o cérebro.

    Para isso, a equipe utilizou microtomografias computadorizadas de alta resolução. Dessa forma, conseguiu reconstruir estruturas internas do crânio e analisar características do cérebro, dos nervos cranianos e do ouvido interno da serpente.

    Cobra brasileira vivia debaixo da terra

    A Tametara mirim viveu entre 75 milhões e 85 milhões de anos atrás, durante o período Cretáceo. Pesquisadores encontraram o fóssil em 2020 no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente.

    O exemplar conserva parte do crânio e mais de 100 vértebras articuladas. Portanto, os cientistas tiveram acesso a uma quantidade de informações incomum para uma serpente tão antiga.

    “Trata-se de uma das serpentes mais antigas conhecidas e melhor preservadas, sendo o primeiro fóssil articulado de serpente encontrado no País”, explicou Annie Hsiou, professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, ao Jornal da USP.

    A boa conservação do material também permitiu que a equipe estudasse estruturas internas sem destruir o fóssil. Para isso, os pesquisadores recorreram à microtomografia computadorizada.

    Foi justamente essa análise que revelou uma das principais surpresas da pesquisa.

    Características do cérebro, do ouvido interno e da estrutura dos ossos indicam que a Tametara estava adaptada a escavar e passar boa parte da vida no subsolo. Os cientistas chamam animais com esse comportamento de fossoriais.

    Cérebro revelou como a cobra vivia

    Reprodução do vídeo com a cobra

    O crânio preservado se tornou uma das peças centrais da pesquisa. Afinal, fósseis de serpentes antigas geralmente aparecem fragmentados, o que limita a quantidade de informações disponíveis.

    Neste caso, porém, os pesquisadores conseguiram avançar.

    “Essa qualidade de preservação nos permite responder a perguntas que simplesmente não podem ser respondidas se você não tiver as partes certas do corpo preservadas”, afirmou Tiago Simões, paleobiólogo da Universidade de Princeton e principal autor do estudo, em entrevista à Science News.

    A reconstrução mostrou que o cérebro da Tametara apresentava diferenças em relação tanto a outras serpentes primitivas quanto às espécies atuais.

    Além disso, características do telencéfalo, do ouvido interno e da microestrutura dos ossos reforçaram a hipótese de uma vida subterrânea.

    Os cientistas, então, compararam a cobra brasileira com outra espécie antiga: a Dinilysia patagonica, encontrada na Argentina.

    Embora as duas tenham vivido durante o Cretáceo, elas aparentemente adotavam estratégias diferentes. Enquanto as características da Tametara apontam para hábitos subterrâneos, a Dinilysia apresenta sinais compatíveis com um modo de vida não fossorial.

    Essa diferença trouxe uma nova pista sobre a evolução das serpentes.

    Descoberta muda visão sobre primeiras cobras

    Durante décadas, pesquisadores tentaram responder a uma pergunta aparentemente simples: onde viviam as primeiras cobras?

    Uma das hipóteses relacionava características marcantes desses animais à adaptação para viver debaixo da terra. Por outro lado, pesquisadores também discutiram possíveis origens ligadas a ambientes aquáticos ou à vida sobre a superfície.

    Agora, a Tametara ajuda a mostrar uma história mais complexa.

    “Nós reformulamos o antigo debate sobre os fatores ecológicos por trás da origem das cobras”, afirmou Simões ao Museu de História Natural de Los Angeles.

    Segundo o pesquisador, as evidências indicam que as serpentes já apresentavam uma diversidade ecológica e neuroanatômica considerável há cerca de 80 milhões de anos.

    Portanto, esses animais provavelmente não seguiram apenas uma estratégia de sobrevivência durante as primeiras etapas de sua evolução.

    O estudo publicado na Nature reforça justamente essa interpretação. Os autores apontam que a evolução inicial das serpentes envolveu mudanças complexas no uso do habitat e também na ecologia sensorial.

    Assim, a diversidade entre as cobras antigas pode ter sido muito maior do que os fósseis conhecidos anteriormente sugeriam.

    Ela dividia espaço com dinossauros

    Preparação da cobra para pesquisa,

    O mundo da Tametara mirim também era completamente diferente daquele encontrado hoje no interior paulista.

    Na região que atualmente corresponde a Presidente Prudente, grandes dinossauros herbívoros de pescoço longo dividiam o ambiente com crocodilos, aves primitivas e outros animais.

    Enquanto esses gigantes ocupavam a superfície, a pequena serpente provavelmente encontrava proteção no subsolo.

    O fóssil preservado mede 41,9 centímetros. Entretanto, o animal completo era maior, pois os pesquisadores não encontraram toda a coluna e a cauda.

    Seu tamanho modesto, porém, contrasta com a importância científica da descoberta.

    Isso porque o exemplar brasileiro oferece aos cientistas uma rara janela para uma época em que as serpentes já começavam a explorar diferentes ambientes e desenvolver estratégias próprias de sobrevivência.

    Além disso, a descoberta mostra como fósseis encontrados no Brasil podem ajudar a responder questões sobre a evolução de animais que hoje vivem praticamente em todo o planeta.

    Há dezenas de milhões de anos, enquanto enormes dinossauros caminhavam pela superfície do que hoje é o Brasil, uma pequena cobra já havia encontrado uma estratégia bastante diferente para sobreviver: desaparecer debaixo da terra.

  • Animal com 3 corações desafia criação em fazendas pelo mundo

    Animal com 3 corações desafia criação em fazendas pelo mundo

    A tentativa de criar polvos em escala comercial sofreu um revés na Espanha. A Nueva Pescanova abandonou o projeto daquela que seria a primeira grande fazenda comercial desses animais no mundo, prevista para Gran Canaria.

    A instalação teria 52 mil metros quadrados e capacidade para produzir cerca de 3 mil toneladas de polvo por ano, além de gerar aproximadamente 300 empregos.

    A empresa atribuiu a decisão a questões empresariais e regulatórias durante o processo de licenciamento. Segundo o El País, novas exigências administrativas alteraram condições, prazos e requisitos previstos inicialmente.

    Com isso, o fim do projeto reacendeu uma discussão que acompanha as tentativas de produzir o animal em cativeiro: por que é tão difícil criar polvos em fazendas?

    Polvo ainda desafia criação em escala

    Até agora, nenhuma criação em grande escala do polvo-comum (Octopus vulgaris) conseguiu se consolidar comercialmente, segundo o britânico The Guardian.

    Os obstáculos, porém, aparecem em diferentes etapas da produção. Os animais são naturalmente solitários, apresentam comportamento complexo e precisam de ambientes estimulantes.

    Além disso, a fase inicial da vida é delicada. A alimentação, por sua vez, também representa um desafio para a produção industrial.

    “Os polvos são animais extremamente inteligentes e complexos”, afirmou ao El País Elena Lara, pesquisadora da organização Compassion in World Farming.

    Há ainda outra diferença em relação a várias espécies utilizadas na produção de alimentos. Segundo Lara, o polvo nunca passou por um processo de domesticação.

    Nesse cenário, a discussão ganhou destaque neste mês em reportagem do The Guardian. O jornal britânico apresentou o dilema já no título: “Inteligente demais para comer?”

    Três corações e sangue azul

    Além das dificuldades de produção, a própria biologia do polvo ajuda a explicar por que o animal desperta tanto interesse.

    Para começar, ele possui três corações. Dois atuam principalmente no envio de sangue às brânquias. Enquanto isso, o terceiro bombeia o sangue para o restante do organismo.

    O sangue também tem uma característica incomum: é azul.

    Nesse caso, a coloração está relacionada à hemocianina, proteína que contém cobre e participa do transporte de oxigênio. Nos seres humanos, por outro lado, essa função é desempenhada pela hemoglobina, que contém ferro.

    Outra particularidade está no sistema nervoso. Grande parte dos neurônios do polvo fica distribuída pelos braços. Por isso, o animal consegue realizar movimentos e apresentar respostas complexas.

    Na prática, cada braço consegue processar informações enquanto permanece conectado ao cérebro central.

    Inteligência entra no debate

    A capacidade cognitiva do polvo também está no centro das discussões sobre a criação intensiva.

    Experimentos científicos mostraram que esses animais conseguem abrir recipientes, explorar objetos, encontrar caminhos e aprender com experiências.

    Ao mesmo tempo, o The Guardian apontou a combinação de inteligência elevada, comportamento solitário e evidências de senciência entre as preocupações apresentadas por cientistas e organizações de bem-estar animal.

    Dessa forma, a criação de vários indivíduos no mesmo ambiente impõe desafios diferentes daqueles encontrados na produção de espécies que vivem naturalmente em grupos.

    Mercado movimenta bilhões

    Apesar das dificuldades, existe interesse econômico na criação comercial.

    O consumo mundial de polvos capturados na natureza gira em torno de 370 mil toneladas por ano, segundo dados citados pelo The Guardian.

    Além disso, o mercado é particularmente relevante na Europa e na Ásia.

    Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), reproduzidos pelo El País, mostram que os cefalópodes, grupo que inclui polvos, lulas e sépias, responderam por cerca de 7% das exportações mundiais de produtos aquáticos de origem animal em 2024.

    Esse comércio movimentou aproximadamente US$ 12,7 bilhões naquele ano.

    China, Marrocos e Mauritânia aparecem entre os grandes produtores de polvo capturado. Enquanto isso, Espanha, Itália, China e Japão estão entre mercados importantes para o produto.

    Projeto acabou, pesquisa não

    A desistência da fazenda nas Ilhas Canárias, porém, não significa, segundo a Nueva Pescanova, que futuros projetos sejam inviáveis.

    A discussão envolve justamente a possibilidade de atender a um mercado consumidor relevante sem depender apenas da captura de animais na natureza.

    “Queremos continuar comendo polvo?”, questionou ao El País Eduardo Almansa, pesquisador do Instituto Espanhol de Oceanografia que participou de pesquisas relacionadas ao projeto.

    Segundo ele, a demanda mundial está aumentando e, por isso, existe interesse em encontrar alternativas capazes de produzir o alimento de maneira economicamente viável e sustentável.

    Por enquanto, no entanto, a produção comercial em grande escala continua sendo um desafio. Apesar de anos de pesquisas, o polvo ainda não fez a transição da captura na natureza para as grandes fazendas de aquicultura.

  • Lavoura: como calibrar um pulverizador agrícola

    Lavoura: como calibrar um pulverizador agrícola

    A eficiência de uma pulverização não depende apenas do produto utilizado. O desempenho do equipamento também pesa, e muito, no resultado final. Um pulverizador agrícola desregulado pode provocar falhas na cobertura das plantas, aumentar o desperdício de defensivos e comprometer o controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

    É justamente por isso que a calibração faz parte da rotina das propriedades mais tecnificadas. O procedimento ajusta o equipamento para que ele aplique a quantidade de calda prevista pelo agrônomo, com uniformidade e dentro das condições recomendadas para cada cultura.

    Embora muitos produtores associem a calibração a equipamentos sofisticados, ela também é indispensável em pulverizadores costais e máquinas de menor porte.

    O que significa calibrar um pulverizador?

    Calibrar um pulverizador é ajustar todos os componentes responsáveis pela aplicação para que o volume distribuído na lavoura corresponda ao planejado.

    Na prática, isso envolve verificar a vazão dos bicos, regular a pressão de trabalho, conferir a velocidade de deslocamento da máquina e observar a altura correta da barra de pulverização.

    Quando um desses fatores está fora do padrão, a aplicação perde eficiência. Em alguns pontos da área, o produto pode ser aplicado em excesso. Em outros, a cobertura pode não ser suficiente para controlar o problema.

    Por que a calibração é importante?

    Uma regulagem adequada reduz desperdícios e melhora o aproveitamento dos defensivos agrícolas, que representam uma parcela significativa do custo de produção.

    Além da economia, a calibração ajuda a diminuir riscos de deriva, evita sobreposição de aplicações e contribui para uma cobertura mais uniforme das plantas.

    O resultado costuma aparecer não apenas na qualidade do manejo, mas também no bolso do produtor.

    Quando fazer a calibração?

    A recomendação é nunca iniciar uma pulverização sem conferir o equipamento.

    Sempre que houver troca de bicos, alteração na pressão de trabalho, mudança de velocidade, substituição da bomba ou manutenção no sistema hidráulico, uma nova calibração deve ser realizada.

    Também vale repetir o procedimento quando o pulverizador permanecer parado por longos períodos ou antes do início de uma nova safra.

    O que deve ser conferido antes da aplicação?

    Homem trabalhando com pulverizador agrícola
    Foto: Embrapa/Ronaldo Rosa

    Antes de levar a máquina para o campo, alguns itens merecem atenção especial.

    Verifique se existem bicos desgastados ou entupidos, observe possíveis vazamentos em mangueiras e conexões, confira a limpeza dos filtros e certifique-se de que a pressão indicada no manômetro corresponde à regulagem prevista para o trabalho.

    Também é importante avaliar o estado da barra de pulverização. Barras desniveladas ou com folgas podem comprometer a distribuição da calda.

    O clima também interfere na pulverização

    Mesmo um equipamento perfeitamente regulado pode apresentar baixo desempenho quando as condições climáticas não são favoráveis.

    Ventos fortes aumentam o risco de deriva. Temperaturas elevadas aceleram a evaporação das gotas. Já a baixa umidade reduz a eficiência da aplicação.

    Por isso, técnicos costumam recomendar que a pulverização seja realizada nos horários mais amenos do dia, sempre respeitando as orientações técnicas para cada cultura.

    Os erros mais comuns durante a calibração

    Pulverizador agrícola em ação em plnatação de pêssegos
    Foto: Embrapa/Paulo Lanzetta

    Algumas falhas aparecem com frequência no campo e acabam reduzindo a eficiência da operação.

    Uma delas é utilizar bicos com desgaste acima do recomendado. Como a vazão aumenta ao longo do tempo, o equipamento passa a aplicar mais produto do que o previsto, elevando o custo da operação.

    Outro erro recorrente é aumentar a velocidade da máquina para ganhar produtividade sem corrigir os demais parâmetros da pulverização. A consequência costuma ser uma cobertura irregular das plantas.

    Também é comum encontrar produtores que deixam de conferir a pressão de trabalho ou utilizam bicos diferentes na mesma barra, situação que compromete a uniformidade da aplicação.

    A tecnologia facilita o processo

    Os pulverizadores mais modernos contam com recursos que simplificam a calibração.

    Controladores eletrônicos ajustam automaticamente a vazão durante o deslocamento da máquina. Sensores monitoram a altura da barra em tempo real e sistemas de agricultura de precisão registram todas as informações da operação.

    Mesmo assim, esses equipamentos continuam dependendo de inspeções periódicas e manutenção preventiva para entregar o desempenho esperado.

    Calibrar custa pouco e pode evitar grandes prejuízos

    Em muitas propriedades, a calibração leva menos de uma hora. Ainda assim, o procedimento costuma ser um dos que oferecem maior retorno ao produtor.

    Uma aplicação bem regulada reduz desperdícios, melhora o controle fitossanitário e aumenta a eficiência dos produtos utilizados na lavoura.

    No fim da safra, essa diferença pode representar economia de insumos, menor necessidade de reaplicações e uma produção mais eficiente.

  • Pulverizador agrícola: como escolher o equipamento certo?

    Pulverizador agrícola: como escolher o equipamento certo?

    Quem passa por uma grande lavoura costuma reparar primeiro no tamanho das máquinas. Entre elas, o pulverizador chama atenção pelas barras que, abertas, podem ultrapassar a largura de uma quadra esportiva. Mas a importância desse equipamento vai muito além da aparência. É dele que depende boa parte da eficiência das aplicações realizadas ao longo da safra.

    Na prática, uma pulverização mal executada pode significar desperdício de defensivos, aumento dos custos e menor controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Já um equipamento bem dimensionado para a realidade da propriedade ajuda a distribuir o produto de forma uniforme e melhora o aproveitamento de cada litro aplicado.

    Por isso, a escolha do pulverizador deixou de ser apenas uma decisão sobre máquinas. Hoje, ela faz parte do planejamento técnico e financeiro da fazenda.

    O que faz um pulverizador agrícola?

    O pulverizador é responsável por aplicar produtos líquidos nas lavouras, como defensivos agrícolas, fertilizantes foliares, bioinsumos e, em algumas culturas, reguladores de crescimento.

    O objetivo é simples: fazer com que o produto alcance o alvo na quantidade correta. Parece uma tarefa básica, mas pequenos erros de regulagem ou de operação podem comprometer toda a aplicação.

    Não basta colocar a calda no tanque e seguir para o campo. Pressão, velocidade, tipo de bico, altura da barra e até as condições climáticas interferem no resultado.

    Cada propriedade pede um equipamento diferente

    Não existe um pulverizador ideal para todas as fazendas. O modelo que funciona em uma pequena propriedade dificilmente será a melhor escolha para uma área com milhares de hectares.

    Pulverizador agrícola acoplado ao trator
    Foto: Embrapa/Christiane Congro Comas

    Os pulverizadores costais continuam bastante presentes na horticultura, na fruticultura e em pequenas lavouras. São equipamentos simples, de baixo custo e fáceis de transportar, embora tenham rendimento limitado.

    Nas culturas de grãos, o cenário muda completamente. O pulverizador de barra domina as operações por oferecer maior capacidade de trabalho e uma distribuição mais uniforme da calda. Dependendo da necessidade, ele pode ser montado no trator ou operar em sistema de arrasto.

    Já nas grandes propriedades, os autopropelidos passaram a ocupar espaço cada vez maior. Eles trabalham em alta velocidade, cobrem grandes áreas diariamente e costumam sair de fábrica equipados com piloto automático, controle eletrônico de vazão, desligamento automático de seções e integração com plataformas de agricultura de precisão.

    Nos últimos anos, outro equipamento entrou definitivamente nessa lista: o drone pulverizador. Ele ganhou espaço principalmente em áreas inclinadas, cultivos perenes e locais onde a passagem de máquinas pode causar danos às plantas. Ainda assim, na maior parte das lavouras de grãos, atua como complemento aos pulverizadores convencionais.

    Quanto custa investir em um pulverizador?

    O preço varia bastante conforme o porte do equipamento e o nível de tecnologia embarcada.

    Pulverizador agrícola de costas em propriedade rural
    Foto: Embrapa/Eliana Lima

    Um pulverizador costal manual pode ser encontrado por menos de R$ 200. Já um modelo motorizado costuma custar entre R$ 1.200 e R$ 4 mil.

    Os pulverizadores de barra montados em tratores normalmente variam entre R$ 12 mil e R$ 60 mil. Os modelos de arrasto podem superar R$ 250 mil, dependendo da capacidade e dos opcionais.

    Os drones agrícolas destinados à pulverização aparecem em uma faixa intermediária. Hoje, equipamentos profissionais custam, em média, entre R$ 70 mil e R$ 350 mil.

    No topo da lista estão os autopropelidos. Máquinas com grande capacidade operacional e tecnologias de agricultura de precisão ultrapassam facilmente R$ 2 milhões, podendo chegar perto de R$ 2,5 milhões nas versões mais completas.

    Esses valores são apenas uma referência e variam conforme fabricante, capacidade do tanque, largura das barras, recursos eletrônicos e condições comerciais.

    O investimento vai além da compra

    Quem olha apenas para o preço da máquina pode acabar fazendo uma conta incompleta.

    Pulverizador Agrícola em vinhedo
    Foto: Embrapa/Renato Teodoro de Souza

    Todo pulverizador exige manutenção periódica. Bicos sofrem desgaste, filtros precisam de limpeza, mangueiras envelhecem e bombas trabalham sob grande esforço durante a safra.

    Somam-se a isso despesas com combustível, lubrificantes, pneus — quando aplicável — e revisões preventivas. Técnicos do setor costumam estimar que esses gastos representem algo entre 2% e 5% do valor do equipamento por ano, embora esse percentual varie conforme a intensidade de uso.

    Ignorar essas despesas geralmente sai mais caro do que manter a manutenção em dia.

    Tecnologia ajuda, mas não faz milagres

    Os fabricantes investiram pesado em eletrônica embarcada nos últimos anos. GPS, sensores, mapas de aplicação e controladores eletrônicos passaram a fazer parte da rotina de muitas fazendas.

    Esses recursos reduzem sobreposições, evitam falhas e ajudam a economizar produtos. Em algumas situações, sensores identificam plantas daninhas e liberam herbicidas apenas onde existe necessidade.

    Mesmo assim, nenhuma tecnologia compensa uma regulagem mal feita.

    Velocidade excessiva, pressão inadequada, bicos desgastados ou aplicações realizadas sob vento forte continuam entre as principais causas de perdas no campo.

    Pequenos cuidados fazem diferença

    Antes de iniciar qualquer operação, vale conferir se o pulverizador está calibrado.

    Também é importante inspecionar os bicos, limpar filtros, verificar possíveis vazamentos e acompanhar a previsão do tempo. Aplicar produtos durante períodos de calor intenso ou baixa umidade aumenta o risco de deriva e reduz a eficiência da pulverização.

    São medidas simples, mas que costumam fazer diferença no bolso do produtor.

    Como escolher o equipamento certo

    A decisão deve levar em conta muito mais do que o preço.

    Área cultivada, relevo, culturas produzidas, disponibilidade de assistência técnica, custo das peças e capacidade diária de trabalho precisam entrar na conta.

    Em algumas propriedades, um equipamento seminovo pode atender perfeitamente à demanda. Em outras, investir em uma máquina mais moderna reduz desperdícios suficientes para compensar o valor desembolsado ao longo dos anos.

    No fim das contas, o melhor pulverizador não é o mais caro nem o mais tecnológico. É aquele que entrega uma aplicação eficiente, cabe no orçamento da fazenda e acompanha o ritmo da produção sem comprometer a rentabilidade da safra.