Autor: Deuseane Queiroz

  • Rodeio Itu Festival 2026 terá pista gratuita e shows de Luan Santana e Gusttavo Lima

    Rodeio Itu Festival 2026 terá pista gratuita e shows de Luan Santana e Gusttavo Lima

    O Rodeio Itu Festival comemora 20 anos com cinco noites de shows entre 4 e 12 de setembro de 2026, na Arena Itu, em Itu (SP). Pela primeira vez, o evento terá entrada gratuita para a pista na abertura, com apresentações de Sorriso Maroto e Guilherme & Santiago.

    A programação também inclui Luan Santana, Pedro Sampaio, Gusttavo Lima, Zé Neto & Cristiano, Matheus & Kauan, Natanzinho Lima, Dennis DJ e João Bosco & Vinícius.

    Programação do festival
    Data Atrações
    4 de setembro Sorriso Maroto e Guilherme & Santiago — pista gratuita
    5 de setembro Natanzinho Lima e Matheus & Kauan
    6 de setembro Luan Santana e Pedro Sampaio
    11 de setembro Gusttavo Lima e João Bosco & Vinícius
    12 de setembro Zé Neto & Cristiano e Dennis DJ

    Além do sertanejo, o festival terá atrações de pagode, samba e música eletrônica.

    A organização também confirmou dez artistas para o palco Novos Talentos. O espaço receberá duas apresentações por dia, com nomes de diferentes regiões do país.

    Ingressos e setores

    Os ingressos custam entre R$ 70 e R$ 740, de acordo com a data e o setor escolhido. O público poderá optar por:

    • Pista.

    • Pista premium.

    • Camarote único.
    • Camarote prime.

    • Camarote backstage.

    Após os shows, os camarotes terão acesso a festas que seguem até o amanhecer.

    A organização estima receber 50 mil pessoas por noite. Se a projeção se confirmar, o festival superará o recorde anterior, de 40 mil espectadores.

    Os ingressos para os dias 4, 5 e 6 de setembro estão à venda pelo Q2 Ingressos. Já as entradas para os dias 11 e 12 estão disponíveis na BaladAPP.

    Motivo da pista gratuita

    Segundo Herculano Neto, fundador do festival e CEO da NLN Eventos, a entrada gratuita homenageia as histórias construídas pelo público ao longo das duas décadas do evento.

    “Ao longo desses 20 anos, é muito gratificante receber histórias de pessoas que tiveram a oportunidade de ver seu ídolo ao vivo ou contando que conheceu a esposa no festival e agora estão trazendo o filho. Por isso, para que mais pessoas tenham essas oportunidades, nada mais justo do que celebrar nossos 20 anos com a pista gratuita”, afirma.

    O empresário também explica a escolha de artistas de diferentes gêneros para a edição comemorativa.

    “Selecionamos artistas que se conectam com vários estilos musicais para agradar o maior número de fãs”, acrescenta.

    Sustentabilidade e bem-estar animal

    Desde 2023, o Rodeio Itu não realiza mais a prova de montaria em touros. O festival passou a concentrar a programação nos shows e afirma priorizar o bem-estar dos animais envolvidos no evento.

    A organização também informa que neutraliza as emissões de gás carbônico e controla os ruídos gerados durante a programação em parceria com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

    Além disso, o evento faz a triagem, a reciclagem e a destinação adequada dos resíduos. A organização também doa alimentos para entidades sociais e ambientais.

    Em 2025, o festival arrecadou e distribuiu mais de 18 toneladas de alimentos.

    Como o evento começou

    Herculano Neto criou o Rodeio Itu depois de receber a sugestão de um médico que atendia peões da região. Na época, o empresário já trabalhava no setor de entretenimento.

    “Passei por uma cirurgia e quem me operou também atendia os peões da região e me fez quase um desafio: ‘já que você é do ramo de eventos, por que você não promove um rodeio aqui em Itu?’ A partir disso, viramos amigos e comecei a estruturar o festival que agora completa 20 anos”, relembra Herculano.

    Com o tempo, o evento ampliou o espaço dedicado à música. Segundo o fundador, a mudança acompanhou a preferência do público.

    “Nosso line-up acabava encantando muito mais nosso público. E somos movidos a atender pedidos”, explica.

    Palco revela novos artistas

    O palco Novos Talentos oferece espaço para artistas iniciantes se apresentarem diante de um público amplo. A cantora Lauana Prado está entre os nomes que passaram pelo projeto antes de alcançar projeção nacional.

    Em 2026, dez atrações participarão do palco, com representantes do sertanejo, samba, pagode e música eletrônica.

    Artistas que já passaram pelo evento

    Ao longo de 20 anos, o festival recebeu artistas como Daniel, Jorge & Mateus, Marília Mendonça, Luan Santana, Anitta, Thiaguinho, Jorge Aragão e Alok.

    A NLN Eventos promove o evento sob a liderança de Herculano Neto, que atua há mais de 25 anos no setor de entretenimento.

    Serviço

    Evento: Rodeio Itu Festival 2026
    Datas: 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2026
    Local: Arena Itu, Itu (SP)
    Ingressos: de R$ 70 a R$ 740
    Pista gratuita: 4 de setembro
    Site: rodeioitu.com.br
    Redes sociais: @rodeioitu no TikTok, Instagram, Facebook e YouTube
    Contato: (11) 2429-1414 e (11) 98163-4820, incluindo WhatsApp

  • Amônia em aviários pode reduzir produtividade em até 9%

    Amônia em aviários pode reduzir produtividade em até 9%

    A amônia gerada pela decomposição da matéria orgânica na cama das aves pode reduzir em até 9% a produtividade dos aviários brasileiros, segundo a DUX Grupo.

    Quando se acumula, o gás piora a qualidade do ar, irrita as vias respiratórias e aumenta o risco de doenças. Concentrações acima de 25 partes por milhão (ppm) já podem causar perdas produtivas. Em alguns sistemas, níveis superiores a 50 ppm reduzem o desempenho das aves em até 9%.

    Efeito sobre as aves

    A amônia elevada também pode diminuir o consumo de água e ração. Além disso, favorece a pododermatite, lesão que afeta as patas dos frangos.

    O problema pode provocar desclassificações e reduzir o valor dos produtos exportados. As patas têm alta demanda em mercados internacionais, especialmente na Ásia.

    Ganho potencial

    De acordo com a empresa, o controle da amônia pode acrescentar, em média, 60 gramas ao peso de cada ave.

    Considerando cerca de 7 bilhões de frangos abatidos por ano no Brasil, a projeção indica até 420 mil toneladas adicionais de carne. O ganho potencial para a cadeia avícola chegaria a R$ 2 bilhões, sem ampliação proporcional da estrutura das granjas.

    Solução para a cama

    A empresa desenvolveu o um produto de aplicação direta sobre a cama das aves. A solução mineral ajuda a neutralizar a amônia e reduzir sua volatilização nos aviários.

    Testes realizados no Brasil e no Peru indicaram redução de 5% a 17,5% nos casos de pododermatite. A empresa afirma que o resultado pode preservar a qualidade das patas e diminuir perdas na cadeia produtiva.

    Monitoramento dos galpões

    A empresa também trabalha na integração do produto com sistemas de monitoramento em tempo real. As ferramentas acompanham os níveis de amônia, a temperatura, a umidade e a pressão dos galpões.

    Com esses dados, o produtor pode identificar alterações rapidamente e agir antes que o ambiente prejudique o desempenho dos lotes.

    Impacto na eficiência

    “A gestão da ambiência representa um dos maiores ganhos de produtividade”, afirma Marcelo Spaziani, CEO da empresa.

    Segundo ele, melhorar a qualidade do ar reduz perdas e aumenta a competitividade da avicultura brasileira. O país lidera as exportações mundiais de carne de frango e está entre os maiores produtores do setor.

  • Nova floresta urbana será ampliada na região norte de Curitiba

    Nova floresta urbana será ampliada na região norte de Curitiba

    Uma floresta urbana com mais de 23 mil m² receberá centenas de novas mudas neste sábado (29), em Curitiba. O plantio ocorrerá nos Altos do Parque Barreirinha, na região norte da capital, em uma área próxima ao condomínio horizontal Lockwood.

    A ação integra o projeto Floresta do Futuro, desenvolvido pela Paysage Corpal. Segundo a empresa, as espécies nativas vão ampliar a vegetação existente e favorecer a biodiversidade local.

    Plantio reúne futuros moradores

    Clientes e futuros moradores do Lockwood participarão do plantio ao lado de amigos e familiares. Além de contribuir para a expansão da área verde, a atividade pretende estimular a convivência entre os participantes.

    A incorporadora também planejou o encontro para aproximar os futuros moradores do espaço preservado. A floresta, contudo, não fará parte das áreas de uso exclusivo do condomínio.

    Área verde ficará disponível à cidade

    A Paysage Corpal decidiu preservar a floresta ainda durante a concepção do Lockwood. Agora, a empresa pretende ampliar a vegetação e destinar a área à cidade de Curitiba.

    Foto: Divulgação.

    “É uma área que poderia ser percebida apenas como um atributo do empreendimento, mas entendemos que seu valor é maior quando se estende à cidade. Preservar essa floresta, ampliar a vegetação e destiná-la a Curitiba é uma forma de deixar um presente que permanece para além do próprio Lockwood”, afirma Gustavo Barreto, CEO da Paysage Corpal.

    Região concentra áreas verdes

    O condomínio fica a pouco mais de três minutos do Parque Barreirinha. Além disso, a área tem acesso à Avenida Anita Garibaldi e fica próxima de escolas, supermercados, serviços e outros bairros de Curitiba.

    O empreendimento oferece terrenos com áreas entre 152 m² e 383,71 m². De acordo com a empresa, os lotes permitem a construção de residências personalizadas.

    O escritório Jayme Bernardo Arquitetos assina o projeto arquitetônico e de interiores. Já o paisagismo foi desenvolvido por Daniel Dillenburg.

    Natureza influencia escolha de imóveis

    A proximidade com áreas verdes passou a pesar nas decisões de parte dos consumidores que procuram imóveis, segundo Gustavo Barreto.

    “Morar próximo a uma área verde em um grande centro urbano é um desejo de boa parte da população e um ativo de valorização no futuro”, diz o executivo.

    A declaração representa a avaliação do CEO da incorporadora sobre a relação entre áreas verdes, preferência dos compradores e valorização imobiliária.

  • Azeites gaúchos ganham novo selo de qualidade

    Azeites gaúchos ganham novo selo de qualidade

    O número de marcas de azeite certificadas com o Selo Produtos Premium, Origem e Qualidade RS quase dobrou neste ano. A lista passou de 14 para 26 rótulos aprovados.

    Concedido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o selo exige comprovação da origem gaúcha, análises físico-químicas e avaliação sensorial.

    Critérios de qualidade

    O programa estabelece acidez máxima de 0,3% para os azeites certificados. O limite é inferior ao de um azeite extravirgem convencional, de 0,8%.

    Os produtos também devem estar livres de defeitos e apresentar padrão de qualidade superior ao extravirgem convencional. A acidez está relacionada à qualidade da fruta e aos cuidados na colheita, no transporte e no processamento.

    Esses fatores influenciam a estabilidade do azeite e a concentração de polifenóis e antioxidantes.

    Testes e rastreabilidade

    A certificação acompanha o produto desde o cultivo das oliveiras até a extração no lagar. As amostras passam por análises laboratoriais e testes sensoriais às cegas, conduzidos por provadores treinados.

    Durante a avaliação, são analisados atributos como frutado, amargo e picante, além da presença de possíveis defeitos. As amostras recebem códigos para evitar que a marca ou o produtor influencie o resultado.

    Segundo o Ibraoliva, o selo informa ao consumidor que o lote foi testado e atende aos critérios de origem e qualidade definidos pelo programa.

    Marcas aprovadas

    Receberam o selo neste ciclo:

    • Alto Bonito
    • Altos da Bolena
    • Batalha
    • Biome Pampa
    • Cadenza
    • Candeia
    • Capela de Santana
    • Casa Gabriel Rodrigues
    • Cerro Partido
    • Don José
    • Estância das Oliveiras
    • Fazenda Quintana
    • Herança do Cerro
    •  Milonga
    • Nina
    • Nô
    • Olivae
    • Olivas D’Altas
    • Olivas do Campo
    • Olivas do Sul
    • Olivos Serra do Caverá
    • Quatro Luas
    • Sol das Olivas
    • Tenuta do Bosque
    • Terruá
    •  Torrinhas

    A entrega dos selos ocorrerá durante a Expointer no dia 1º de setembro, às 18h , na Casa do Ibraoliva, no Parque Assis Brasil. O programa define critérios de procedência e qualidade para produtos produzidos no Rio Grande do Sul.

  • BNDES oferece R$ 40 milhões para projetos de bioinsumos; inscrições terminam em 31 de agosto

    BNDES oferece R$ 40 milhões para projetos de bioinsumos; inscrições terminam em 31 de agosto

    As inscrições para o segundo ciclo do BNDES Bioinsumos terminam em 31 de agosto. Além disso, o programa oferece R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis. O valor é destinado a cooperativas e associações de agricultura familiar que produzem seus próprios insumos biológicos.

    A iniciativa faz parte do BNDES Bioinsumos, lançado em 2025. Assim, o objetivo é reduzir custos de produção. Além disso, o programa busca diminuir a dependência de insumos externos e apoiar práticas agrícolas mais sustentáveis.

    O que são os bioinsumos

    Bioinsumos são produtos de origem biológica usados no campo. Entre eles estão microrganismos, predadores naturais de pragas e extratos vegetais. Esses produtos ajudam no crescimento e na saúde das plantações.

    Para Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, esses produtos fortalecem a segurança alimentar. Segundo ela, “seu uso está associado a práticas agrícolas mais sustentáveis e à segurança alimentar”.

    Quem pode participar

    Organizações sem fins lucrativos podem se inscrever, individualmente ou em parceria, pelo Portal do Cliente do BNDES. Porém, os beneficiários finais precisam ser cooperativas ou associações da agricultura familiar. Essas entidades devem atuar juntas na produção, na agregação de valor e na venda de alimentos.

    Cada projeto, além disso, deve somar no mínimo R$ 5 milhões. O passo a passo completo, por sua vez, está disponível no site oficial da chamada.

    Quais projetos podem ser financiados

    Os recursos vão para a implantação ou estruturação de unidades industriais e semi-industriais de bioinsumos. Para isso, os projetos devem usar processos biotecnológicos. As categorias apoiadas incluem:

    • Inoculantes e bioestimulantes a partir de microrganismos
    • Microrganismos para controle de pragas
    • Insetos usados no controle biológico
    • Biofertilizantes

    Cada proposta, ainda, precisa mostrar como o projeto vai beneficiar a agricultura familiar. Ou seja, é preciso apresentar objetivos claros, público atendido, capacidade de produção e estratégia de uso dos bioinsumos.

    Embrapa pode entrar como parceira técnica

    Na segunda-feira (24), Tereza Campello visitou a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). O local reúne a maior coleção da Embrapa dedicada a bioinsumos. Durante a visita, as equipes avançaram nas conversas para formalizar o apoio técnico da Embrapa ao programa do BNDES.

    Se a parceria avançar, os projetos poderão contar com conhecimento científico da Embrapa já na fase de estruturação.

    Como foi o primeiro ciclo

    O BNDES Bioinsumos tem orçamento total de até R$ 60 milhões. Desse valor, R$ 20 milhões foram para o primeiro ciclo, encerrado em novembro de 2025. Já os outros R$ 40 milhões estão reservados para a chamada atual.

    Na primeira etapa, quatro projetos foram selecionados. Por enquanto, porém, o banco ainda avalia essas propostas antes de concluir a aprovação e a contratação.

    Com o segundo ciclo, portanto, o BNDES quer ampliar o número de organizações apoiadas. Ao mesmo tempo, o banco pretende fortalecer a produção própria de bioinsumos entre agricultores familiares.

  • Rios do Brasil escondem milhões de partículas de plástico invisíveis

    Rios do Brasil escondem milhões de partículas de plástico invisíveis

    Pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, investigam como os microplásticos afetam rios, lagos e a fauna aquática no Brasil. O tema ganha relevância porque a produção mundial de plástico não para de crescer desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje, o mundo fabrica cerca de 400 milhões de toneladas por ano, e boa parte desse material acaba descartada de forma incorreta. Assim, o plástico se acumula na natureza e preocupa cientistas em todo o planeta.

    Os microplásticos medem menos de 5 milímetros. Por isso, eles se espalham com facilidade pelo ambiente e interagem diretamente com organismos vivos e outros componentes dos ecossistemas. A maior parte dos estudos científicos ainda se concentra no ambiente marinho. Porém, as pesquisas sobre água doce também avançam.

    Como os microplásticos chegam à água

    Efluentes domésticos e industriais, escoamento superficial, atividades humanas diretas e até o transporte pelo ar levam microplásticos até rios e lagos. Uma vez na água, as partículas se distribuem por toda a coluna hídrica, da superfície até o sedimento. Ao longo do tempo, elas passam por transformações físicas, químicas e biológicas. Nesse processo, bactérias e fungos colonizam as partículas e ajudam a degradar alguns de seus componentes.

    No Brasil, diferentes bacias hidrográficas já registram esses poluentes. Na bacia do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, pesquisadores encontraram cerca de 330 microplásticos por litro em águas superficiais. Já o Rio Amazonas aparece em levantamentos internacionais que mapeiam o transporte de resíduos plásticos por sistemas fluviais.

    Como os microplásticos afetam os peixes

    Os cientistas também analisam efeitos físicos, bioquímicos, comportamentais e ecotoxicológicos de longo prazo sobre a fauna aquática. Nos peixes, a ingestão acidental — ou por confundirem o plástico com alimento — provoca irritações no sistema digestivo e altera o comportamento alimentar. “Como o plástico não possui valor nutricional, seu acúmulo também pode dar ao peixe uma falsa sensação de saciedade, fazendo com que ele coma menos e receba menos nutrientes”, explica Katharina Eichbaum Esteves, pesquisadora do IP e coordenadora dos projetos sobre o tema.

    Porém, a ingestão não é o único risco. As partículas também interagem com as brânquias dos peixes e podem comprometer a respiração. Além disso, elas funcionam como vetores de outras substâncias nocivas: carregam metais, agroquímicos e demais poluentes presentes na água, somados aos aditivos usados na fabricação dos plásticos. Esses estudos ajudam a entender em quais condições essas interações aumentam o risco para os organismos aquáticos.

    Caminhos para reduzir a poluição

    Os achados da pesquisa não apenas ampliam o conhecimento científico, mas também orientam estratégias de prevenção.

    Recuperar rios e áreas degradadas, preservar matas ciliares, melhorar a coleta de lixo e o saneamento, conscientizar a população e investir em pesquisa formam o conjunto de medidas necessárias para conter o avanço da poluição plástica.

    Pesquisa aplicada busca soluções sustentáveis

    O Centro de Engenharia da Plasticultura (CEP), do qual o IP faz parte, une pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico para tornar o uso de plásticos mais eficiente e sustentável. A equipe reúne especialistas de diferentes áreas e conduz pesquisas voltadas à aquicultura, à ciência de polímeros, à reciclagem, à economia circular e à logística reversa.

    Entre as frentes de trabalho, os pesquisadores desenvolvem e validam novos materiais, avaliam seu desempenho em diferentes culturas e aplicações e estudam estratégias para recuperar e reaproveitar esses materiais após o uso. Dessa forma, o Centro transforma evidências científicas em soluções aplicáveis e complementa as pesquisas sobre microplásticos, aproximando o conhecimento ambiental do desenvolvimento de práticas capazes de reduzir perdas para o ambiente.

  • São Paulo colhe cacau pela 2ª vez e mostra que o estado pode virar polo da cultura

    São Paulo colhe cacau pela 2ª vez e mostra que o estado pode virar polo da cultura

    Evento reuniu 47 colaboradores da SAA-SP e destinou os frutos ao Ital-APTA, que vai transformá-los em chocolate.

    O Instituto Biológico (IB-APTA/SAA) realizou, na segunda-feira (24), a 2ª Colheita do Cacaual Urbano em sua sede na capital paulista. O evento integra o Projeto Cacau SP, iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento que a CATI conduz em parceria com institutos de pesquisa do estado.

    Os frutos colhidos seguiram para o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), onde serão processados para a produção de chocolate.

    Cultivo avança em diferentes regiões do estado

    O Projeto Cacau SP começou em 2014 e, desde então, a produção de cacau cresceu em São Paulo. A cultura se expandiu principalmente no noroeste paulista, na região de São José do Rio Preto, além de recuperar espaço no Vale do Ribeira e no litoral.

    Instituições ligadas à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) acompanham esse avanço, entre elas o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto Biológico e o próprio Ital. Juntas, elas integram o Cacau SP ao lado da CATI.

    Para a coordenadora do Instituto Biológico, Ana Eugênia de Carvalho Campos, o projeto também sinaliza o potencial produtivo do estado. “Queremos mostrar que São Paulo está plantando cacau, que o estado pode se tornar um importante produtor no país e como a cultura pode gerar riqueza, trabalho e oportunidades no campo”, afirma.

    Pesquisadores monitoram sanidade das plantas

    No Instituto Biológico, técnicos e pesquisadores acompanham o desenvolvimento dos cacaueiros com foco na sanidade agropecuária. A equipe observa o surgimento de doenças e outros desafios fitossanitários da cultura.

    Segundo Ana Eugênia, a CATI investiga paralelamente como a produção e o desenvolvimento das plantas respondem às condições ambientais do estado.

    CATI orienta manejo do cacaual desde a implantação

    O engenheiro agrônomo Lucas Volpato, da Casa da Agricultura de São Paulo e integrante do Grupo Técnico de Cacau da CATI, orienta o manejo das plantas desde o início do projeto. As orientações incluem poda e condução da cultura, adaptadas às condições da capital paulista.

    Para Volpato, a colheita simboliza o avanço da cultura no estado e aproxima a população urbana da origem dos alimentos que consome, como o chocolate.

    Crianças da Vila Mariana acompanham o cacaual desde 2022

    Em 2022, 84 crianças plantaram as mudas que deram origem ao cacaual e se tornaram “padrinhos” e “madrinhas” das plantas. Desde então, acompanham o crescimento das árvores no bairro da Vila Mariana, sede do Instituto Biológico.

    A instituição completa 99 anos em dezembro de 2026.

    Para Ana Eugênia, o cacau tem potencial de agregar valor e gerar emprego no campo. “Quando mostramos esse processo à sociedade, com resultados concretos de desenvolvimento e produção, também evidenciamos a importância da ciência e da atuação conjunta das instituições para o desenvolvimento de novas cadeias produtivas”, conclui.

  • União Europeia aperta o cerco: Brasil precisa provar controle de antibióticos em granjas

    União Europeia aperta o cerco: Brasil precisa provar controle de antibióticos em granjas

    Auditores da União Europeia inspecionaram, em agosto, os setores de carne de aves e mel em três estados brasileiros: Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A visita colocou o controle sobre antimicrobianos no centro das atenções do comércio internacional de proteína animal.

    Os fiscais europeus não encontraram uso de substâncias proibidas. Eles cobram, porém, que o serviço veterinário oficial mostre com clareza como fiscaliza, no campo, as prescrições médicas feitas nas granjas.

    Brasil espera retomar exportações em setembro

    A Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA) debateu o tema na quarta-feira (26/8), durante a quinta edição do FACTA Conecta. O Ministério da Agricultura e Pecuária já prestou esclarecimentos ao bloco europeu e, agora, o governo brasileiro espera retomar a pré-lista de exportação para a União Europeia a partir de 3 de setembro.

    Além disso, a diretora de Monogástricos da Elanco Brasil, Deyse Galle, reforçou o peso da rastreabilidade no encontro. Segundo ela, “o episódio evidencia como o acesso aos mercados internacionais depende não apenas das práticas adotadas pelos produtores e agroindústrias, mas também da capacidade de comprovar o cumprimento das exigências sanitárias e de controle”.

    Países classificam antimicrobianos de forma diferente

    A falta de uniformidade na classificação dos antimicrobianos foi um dos pontos centrais do debate. Brasil, Europa e Japão tratam os ionóforos como aditivos anticoccidianos, enquanto Estados Unidos, Canadá e China os classificam como antibióticos.

    Diretora de Monogástricos da Elanco Brasil, Deyse Galle. Foto: Divulgação.

    Segundo Deyse, no Brasil, moléculas de importância médica humana não são autorizadas como melhoradores de desempenho. Essa postura segue diretrizes internacionais e reduz o risco de resistência bacteriana.

    Limites de resíduos variam entre mercados

    Os parâmetros para resíduos também mudam de país para país. Os signatários do Codex Alimentarius aceitam um limite padrão de 10 partes por bilhão (ppb) quando não há um limite específico definido.

    Já a União Europeia, a China e a União Eurasiática, que inclui a Rússia, adotam critérios mais restritivos. Nesses mercados, as empresas precisam atender aos limites de detecção do método analítico usado.

    Divergências regulatórias afetam procedimentos das agroindústrias

    Essas diferenças mudam, na prática, os procedimentos dentro das agroindústrias. “O período de carência estabelecido na bula de um produto no Brasil nem sempre é suficiente para atender a um mercado que trabalhe com Limites Máximos de Resíduos (LMR) mais baixos”, explicou Deyse.

    Por isso, plantas de abate e outras unidades da cadeia precisam considerar os requisitos do país de destino. Esse cuidado vale, principalmente, na hora de definir os tempos de retirada dos animais.

    Japão e China notificam publicamente as empresas

    A gestão de resíduos também pesa na exposição das empresas no mercado externo. Japão e China fazem notificações nominais quando identificam descumprimentos, tornando públicos os nomes da empresa e do país de origem envolvidos.

    Essa exposição pública funciona como um incentivo extra ao cumprimento das regras. Afinal, o risco reputacional se soma ao risco comercial nesses dois mercados.

    Brasil ainda precisa sistematizar dados sanitários

    Um desafio segue em aberto: transformar os registros sanitários da produção em indicadores consolidados. A avicultura brasileira já usa boletins sanitários e fichas de lote para registrar tratamentos.

    Ainda assim, falta sistematizar e automatizar essas informações em escala nacional, segundo Deyse. Sem esse passo, fica mais difícil comprovar de forma ágil o cumprimento das exigências para os compradores internacionais.

    Biosseguridade ganha espaço como alternativa

    Diante desse cenário, Ariel Mendes, presidente da FACTA, destacou o avanço dos programas de biosseguridade e saúde intestinal na produção animal. Essas ferramentas reduzem a dependência de intervenções terapêuticas e, ao mesmo tempo, atendem às exigências crescentes dos mercados compradores.

    “O debate mostrou que a discussão sobre antimicrobianos ultrapassa a definição de quais produtos podem ou não ser utilizados. Para uma cadeia voltada ao mercado internacional, o desafio envolve também prescrição, registro, monitoramento, períodos de carência, limites de resíduos e capacidade de comprovar, aos diferentes países compradores, que os requisitos foram cumpridos”, concluiu Mendes.

  • Sindustrigo alerta: safra do trigo cai e ameaça preços no Brasil

    Sindustrigo alerta: safra do trigo cai e ameaça preços no Brasil

    A quebra na safra de trigo deve elevar as importações do cereal no Brasil. O movimento tende a pressionar os custos da indústria e também os preços de pão, massa e biscoito nas prateleiras.

    A produção nacional caiu 26% nesta temporada. Segundo a Conab, o volume total ficou em 5,8 milhões de toneladas.

    Diante do resultado, o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo) alerta para o aumento das importações. A entidade também vê pressão maior sobre os preços da matéria-prima.

    “Temos uma combinação de fatores que exige atenção de toda a cadeia do trigo”, diz o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri. Para ele, a queda na produção nacional coincide com instabilidade no mercado internacional, o que afeta preços, logística e disponibilidade do cereal.

    Área plantada também encolhe

    A área cultivada com trigo recuou 20,4% nesta safra. O total chegou a 1,92 milhão de hectares, o menor patamar dos últimos anos no país.

    O dado reforça a retração já apontada pela Conab na produção total do cereal. Menos área plantada, somada à queda de produtividade, explica o resultado da safra.

    Guerra e clima pressionam oferta global

    No mercado externo, o conflito no Mar Negro segue afetando a logística do trigo. A região é uma das principais fornecedoras globais do grão.

    As condições ligadas ao El Niño ampliam ainda mais a instabilidade da oferta mundial. A consultoria StoneX projeta o fenômeno como um dos mais fortes já registrados.

    Chuva compromete qualidade na Argentina

    O excesso de chuvas no Sul da América do Sul também preocupa a cadeia produtiva. Na Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil, produtores já relatam queda na qualidade dos grãos.

    O USDA projeta redução de 19% nas exportações argentinas por causa do problema. A perspectiva reduz ainda mais as opções de fornecimento para compradores brasileiros.

    Lavouras brasileiras sofrem com as chuvas

    No Paraná, as primeiras colheitas já mostram sinais de doenças ligadas ao excesso de chuva. No Rio Grande do Sul, as lavouras ainda não chegaram à fase final do ciclo, mas as precipitações já prejudicam o desenvolvimento das plantas.

    Para Piermartiri, o risco não está apenas no volume colhido. A qualidade do trigo que chegará à indústria também preocupa, segundo ele, e pode levar compradores a buscar fornecedores em mercados mais distantes, o que eleva o custo de aquisição.

    Importações devem crescer para suprir demanda

    O consumo brasileiro de trigo ultrapassa 13 milhões de toneladas por ano. Com a quebra da safra nacional, o país deve recorrer mais às importações para suprir essa demanda.

    Piermartiri destaca que o dólar valorizado e os preços internacionais em alta ampliam a pressão sobre os custos de toda a cadeia produtiva. A combinação de fatores internos e externos, segundo ele, torna o cenário mais desafiador para o setor.

    Consumidor pode sentir alta nos preços

    As cotações do trigo no Brasil acompanham a volatilidade das bolsas de Chicago e Kansas, referências do mercado internacional. Com menor oferta doméstica e maior dependência de importações, o custo da matéria-prima ganha peso para a indústria moageira.

    O cenário pode se refletir nos preços de pão, macarrão e biscoito ao consumidor final nos próximos meses.

  • Vinho sem álcool tem qualidade? Marca brasileira prova que sim em Londres

    Vinho sem álcool tem qualidade? Marca brasileira prova que sim em Londres

    O Aurora Desalcoolizado Cabernet Sauvignon Não Adoçado, da Vinícola Aurora, conquistou medalha de bronze no International Wine & Spirit Competition (IWSC), um dos concursos de vinhos e destilados mais tradicionais do mundo. O rótulo gaúcho foi, assim, o único vinho desalcoolizado brasileiro premiado na edição realizada em Londres.

    A conquista veio depois de avaliações às cegas com bebidas sem álcool de diferentes países. Entre os concorrentes internacionais, o vinho da Aurora ficou em terceiro lugar na categoria.

    Como o vinho perde o álcool sem perder o sabor

    O enólogo Christian Bernardi, responsável pelo projeto de produtos desalcoolizados da Cooperativa Vinícola Aurora, explica a diferença entre esse tipo de bebida e os rótulos “zero álcool”. Enquanto estes últimos são produzidos a partir de suco de uva, os vinhos desalcoolizados passam por todas as etapas tradicionais da vinificação antes da retirada do álcool.

    Segundo Bernardi, é justamente nessa etapa final que está o maior desafio. Isso porque é preciso remover o álcool sem prejudicar os aromas, os sabores e as demais características desenvolvidas ao longo da elaboração. Ao final do processo, portanto, o teor alcoólico da bebida fica abaixo de 0,5%.

    Vinícola desenvolveu tecnologia própria

    Para viabilizar a produção, a Aurora criou internamente a tecnologia usada na desalcoolização. O processo, dessa forma, utiliza equipamentos que extraem todo o álcool com controle rigoroso de temperatura e pressão.

    Para Bernardi, a premiação valida esse esforço de inovação.

    O rótulo é produzido com uvas Cabernet Sauvignon e passa por um breve estágio em barril de carvalho antes da retirada do álcool. Como resultado, segundo a vinícola, o vinho tem perfil seco e sem dulçor.