Categoria: Boletins

  • Com R$ 15 bilhões em investimentos, Porto de Santos deve dobrar movimento de cargas em 10 anos

    Com R$ 15 bilhões em investimentos, Porto de Santos deve dobrar movimento de cargas em 10 anos

    Os investimentos em infraestrutura no Porto de Santos foram assuntos no Agro em Campo nesta semana. Em entrevista, o diretor de operações da autoridade portuária de Santos, Beto Mendes, comentou sobre as estratégias para ampliar a capacidade de exportação do local, tendo em vista o crescimento das negociações internacionais que envolvem inclusive o mercado agrícola. 

    Responsável por movimentar quase um terço de toda a corrente comercial do Brasil, o Porto de Santos é hoje o maior e mais importante complexo portuário da América Latina. Diante disso, sua relevância para o agronegócio brasileiro é cada vez maior. 

    Só em 2024, o porto foi responsável por exportar 34,3 milhões de sacas de café, o equivalente a quase 70% de todo o volume embarcado pelo Brasil, se consolidando como um dos principais canais logísticos para o setor.

    “O porto de Santos é realmente a maior e a melhor porta de entrada do Brasil para os produtos transnacionais. Devido a sua interlândia, região onde produz os produtos. Produtos agrícolas representam 72% de tudo que se movimenta lá no Porto de Santos. […] Está inserido no maior centro consumidor do Brasil e isso dá condição para que tenha um crescimento muito forte e frequente”. 

    Crescimento acelerado e visão de longo prazo

    Segundo Mendes, a movimentação do Porto de Santos tem crescido acima da média nacional, com taxa anual de cerca de 6%. Em 2024, atingiu seu maior recorde histórico: 179,88 milhões de toneladas, com projeção de ultrapassar 300 milhões de toneladas em 10 anos. Esse ritmo de crescimento exige infraestrutura robusta e capacidade operacional compatível com a demanda.

    No total, R$ 12,5 bilhões estão sendo investidos no Porto de Santos apenas em recursos públicos federais, que já estão destinados. Além disso, atualmente o porto conta com mais R$ 3,75 bilhões em caixa. 

    Entre os projetos prioritários que recebem investimentos estão o novo túnel Santos-Guarujá, orçado em R$ 6,8 bilhões, a pavimentação de vias perimetrais e o novo terminal de combustíveis STS8. O Tecon Santos 10 também é um dos destaques, pois aumentará a capacidade de contêineres em 3,5 milhões de TEUs, além da implantação do VTMIS, um sistema de controle de tráfego aquaviário que promete mais segurança e agilidade nas operações portuárias.

    Além dos investimentos que estão relacionados aos recursos públicos, os terminais também recebem aplicações do mercado privado. “As empresas privadas também estão investindo forte em Santos. Nós temos 62 terminais privados, todos eles, na sua grande maioria, recebendo investimentos”, disse Mendes. 

    Modelo de gestão, investimentos e expansão territorial

    Na entrevista ao Agro em Campo, Beto Mendes defendeu que os investimentos na infraestrutura portuária sejam perenes, justamente para acompanhar o crescimento das demandas e sustentar um planejamento de longo prazo. 

    “Ocorre que no passado recente, no governo anterior, houve um investimento realmente de R$ 70 milhões. Parece ser um volume razoável, mas para um porto do porte de Santos, que vai chegar em 10 anos a 300 milhões de toneladas movimentadas, é um dinheiro irrisório, insignificante. Não dá para recuperar, muitas vezes, o asfalto de uma perimetral”. 

    Com 62 terminais privados em operação, o Porto de Santos já funciona sob regime de concessão privada, conforme ele esclareceu. O debate mais recente girou em torno da desestatização da própria Autoridade Portuária, hoje uma empresa pública federal que faz as normas e fiscaliza. 

    Para Mendes, manter a Autoridade Portuária de Santos sob gestão pública é essencial para garantir isonomia entre os diferentes segmentos logísticos que operam no porto, atuando como se fosse a “síndica do porto”. 

    “O modelo de gestão de Santos é muito parecido, principalmente, com todos os portos da Europa. São portos multipropósitos que movimentam vários tipos de carga. Se existe uma concorrência interna entre os terminais de granéis líquidos, de granéis sólidos, terminais de fertilizantes, e assim por diante… a autoridade nesse caso é mais inteligente seja pública porque ela não é tendenciosa para um segmento ou para o outro”. 

    Outro projeto estratégico, de acordo com ele, é a ampliação da poligonal do porto, que passará de 7,8 milhões para quase 21 milhões de metros quadrados, envolvendo áreas em Santos, Guarujá e Cubatão. Com o investimento, o espaço também será ampliado para São Vicente. A proposta visa acomodar novos terminais e dar conta da crescente movimentação de cargas.

    “É o primeiro passo. Isso é planejamento. Isso é olhar para o futuro e pensar que daqui 10 anos nós vamos ter que movimentar 300 milhões de toneladas em Santos ou mais. Nós vamos trabalhar para que o Brasil ainda cresça mais acelerado e, se crescer ainda mais rápido, obviamente a média do crescimento de Santos ainda pode ser ampliada”.

    Efeitos da taxação do café brasileiro pelos EUA

    A entrevista também abordou os impactos da tarifa imposta pelo governo Trump sobre as exportações. Mendes revelou um aumento pontual na movimentação de cargas no porto nas últimas semanas por conta da medida que começa a valer no dia 01 de agosto, com exportadores tentando antecipar embarques antes da aplicação da nova tarifa.

    “O perfil do presidente Trump é de um grande fanfarrão. Ele fez isso também com a China e depois voltou atrás. Nós estamos trabalhando acreditando que as nossas lideranças, que as autoridades brasileiras que têm o poder dessa regulação e negociação internacional, estão buscando novas alternativas”. 

    Para Beto Mendes, faltou assessoria ao presidente dos Estados Unidos antes da tomada de decisão. O diretor de operações portuárias acredita que os norte-americanos vão, na verdade, perder e não ganhar. “Primeiro que o americano produz somente 1% do café que consome. Quase 40% do café que consome, ele compra do Brasil, a grande maioria movimentada em Santos”. 

    Segundo ele, grandes compradores norte-americanos já pressionam o governo dos EUA para que haja um recuo na decisão. Por outro lado, o Brasil já está preparado para buscar novas rotas e parceiros comerciais.

    Futuro: Brasil com pressa

    Por fim, Beto Mendes reforçou o compromisso da APS com o futuro do país, inclusive do agronegócio brasileiro. Conforme ele explicou, o porto recebe em média 11 mil caminhões por dia, chegando a picos de até 18 mil em épocas de safra, e cerca de 6 mil navios por ano. A implantação de um novo sistema integrado de agendamento de cargas visa dar mais previsibilidade, reduzir gargalos e aumentar a eficiência logística.

    “Estamos contratando o VTMIS, que é um sistema de controle aquaviário focado no cuidado com a segurança da navegação. […] Queremos ainda esse ano iniciar a implantação, que será de radares, onde vai coordenar toda a entrada e saída de navios do porto de Santos. Vamos poder compartilhar tanto com a Polícia Federal quanto com a Receita Federal, e com a nossa diretoria de operações, para que a gente possa continuar tendo as melhores condições de Santos continuar crescendo e atendendo toda a movimentação de carga”. 

     

  • Cecafé avalia 10º Coffee Dinner & Summit e reforça papel do Brasil no café mundial

    Cecafé avalia 10º Coffee Dinner & Summit e reforça papel do Brasil no café mundial

    O diretor geral do Cecafé, Marcos Matos, fez um balanço positivo do 10º Coffee Dinner & Summit, que reuniu 83 painelistas de diversos países entre os dias 2 e 4 de julho, em Campinas (SP). Em entrevista ao Portal Agro em Campo, ele destacou o esforço coletivo para consolidar o evento como o maior da cafeicultura mundial.

    “O sentimento é de gratidão e felicidade pelos resultados alcançados. Nós trabalhamos com afinco durante um ano e meio”, afirmou Matos, que também ressaltou a liderança do presidente do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, além do comitê executivo e organizador e toda a equipe da entidade. “Tivemos um trabalho muito grande e cuidadoso para escolher os painelistas, palestras técnicas, reservadas… muitas reuniões de negócio institucionais também aconteceram”, detalhou.

    Marcos Matos acredita que o Brasil, enquanto maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor mundial da bebida, precisa protagonizar o debate global sobre o setor. “O Brasil merece ter o maior evento da cafeicultura. E nós estamos nesse caminho”

    Entre os destaques do evento, ele mencionou a abordagem de pautas estratégicas, como as tarifas dos Estados Unidos, debatidas com grandes negociadores, e os desafios trazidos por novas regulações e mudanças climáticas. 

    E em meio aos desafios que envolvem a produção, diante de mudanças climáticas, e o consumo, com questões geopolíticas mundiais, o diretor geral do Cecafé enfatizou a importância da união da cadeia produtiva. “Quando vem novas regras e desafios climáticos, isso pega todos da mesma forma. Unidos, nós trabalhamos de uma forma muito mais inteligente”

    “Colapsar é um caminho próximo”, diz sobre o sistema portuário

    O diretor do Cecafé também chamou atenção para os desafios logísticos, considerados alarmantes. “O painel de logística trouxe muitos elementos. Foi alarmante no sentido de mostrar a realidade que nós temos. Quando falamos de logística, a gente não pode pensar em café, exclusivamente. Temos que pensar em agronegócio. São vários produtos que usam containers e o Brasil precisa continuar a crescer”. 

    Segundo ele, o sistema portuário do país está no limite da capacidade. “Colapsar é um caminho que nós estamos vendo muito próximo. Esse é um dever de casa nosso. Não depende de mercados, política tarifária dos Estados Unidos ou regulamentações da União Europeia. É uma questão nossa, um dever de casa, que temos que assumir”.

    Para debater a logística nacional, a presença do Ministério de Portos e Aeroportos no 10º Coffee Dinner & Summit foi significativa. No entanto, Marcos Matos também destaca a participação de outras lideranças, que estiveram no painel sobre política. Por exemplo, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o secretário de Agricultura do Espírito Santo, Enio Bergoli. 

    “Infraestrutura tem que estar no orçamento público, por uma questão de segurança nacional. É o futuro do crescimento econômico do Brasil. Esse é o novo desafio: trazer o parlamento, governo com seus ministérios e a cadeia produtiva como um todo. Estamos unidos em prol de melhorias”, finalizou.

  • Café e infraestrutura: Espírito Santo aposta em logística e sustentabilidade para liderar setor

    Café e infraestrutura: Espírito Santo aposta em logística e sustentabilidade para liderar setor

    O painel político que encerrou o terceiro dia do 10º Coffee Dinner & Summit trouxe reflexões sobre o futuro do agronegócio brasileiro. Representando o Espírito Santo, o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, reforçou o protagonismo capixaba na cafeicultura e detalhou os avanços estruturais e produtivos do setor no estado.

    “O Espírito Santo é o estado em que a cafeicultura é proporcionalmente mais relevante. Minas Gerais, é verdade, o maior produtor do Brasil com cerca de 50% da safra. Mas lá, 20% das propriedades produzem café. No Espírito Santo, quase 70%”, enfatizou.

    Segundo ele, o estado é o único a produzir, em escala, as duas espécies de café comercializadas e consumidas no mundo: arábica e conilon. “Nós temos uma cafeicultura muito completa e muito determinante na formação de renda no rural”, afirmou. Nacionalmente, o Espírito Santo é responsável por cerca de 75% da produção de conilon e ocupa a terceira posição na produção de arábica.

    Além da produtividade e rentabilidade, ele ressaltou que a sustentabilidade se tornou fator decisivo para a permanência dos cafeicultores no mercado global. “O mundo, além da qualidade, exige produtos que tenham os aspectos de sustentabilidade em todos os elos de uma cadeia produtiva”.

    Ao falar sobre a produção de cafés especiais, o secretário destacou que o Espírito Santo tem três ambientes geográficos diferentes de arábica: Montanhas Capixaba, Caparaó e Noroeste Alto Capixaba, além do conilon. “Nós temos cafés para oferecer à população para todos os gostos. […] Saímos daquele período de outrora, daqueles cafés ruins, que a gente tinha que colocar açúcar para corrigir defeito. Hoje não, os cafés bons já têm seus açúcares naturais. Os cafés estão muito bons.”

    Avanços logísticos

    No campo da infraestrutura, o Espírito Santo vem se consolidando como uma das principais apostas logísticas do Brasil, com novos investimentos que envolvem a construção e ampliação de portos. Conforme o próprio secretário esclareceu, parceria entre o setor público e privado tem proporcionado melhorias, previstas na região norte do estado. 

    “Três portos, com aeroporto. Ou seja, investimentos privados. Com o Governo do Estado investindo em infraestrutura de ferrovias, vias. E o setor privado, investindo em porto”.

    A operação de um novo porto privado está prevista para o segundo semestre de 2026. 

    “Está previsto para o segundo semestre do ano que vem a operação de um grande porto privado, resolvendo o problema logístico que os capixabas e o Brasil têm, criando novas alternativas de carga”, salientou Bergoli.

    Sobre o assunto, o secretário disse que o estado faz o dever de casa. “O Espírito Santo é um estado de pequenas dimensões territoriais, mas é um grande produtor e exportador no agronegócio e outras atividades. […] A gente precisa estar preparado”.

  • Agro supera mineração em Minas e impulsiona economia com sustentabilidade, destaca Zema

    Agro supera mineração em Minas e impulsiona economia com sustentabilidade, destaca Zema

    O futuro do agronegócio brasileiro foi pauta do painel político que encerrou o terceiro dia do 10º Coffee Dinner & Summit, com a presença de nomes estratégicos como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Em entrevista ao Portal Agro em Campo, o chefe do Executivo mineiro destacou a força do agronegócio no estado e sua crescente relevância para a economia nacional.

    “No ano passado, pela primeira vez na história do Estado de Minas Gerais, as exportações do agro superaram as exportações de mineração. Então, o agro tem tomado uma relevância cada vez maior no estado. É uma atividade que em todos os anos tem liderado o crescimento econômico em Minas Gerais”, afirmou Zema. 

    O avanço no setor, segundo ele, ocorre com base em produtividade, com recuperação de áreas degradadas e não desmatamento. Mais de 95% das propriedades, inclusive, atendem exigências mais rigorosas do mundo, como as da União Europeia. Ainda de acordo com o governador, um sistema via satélite, acompanhado pela Secretaria do Estado e pela UFMG, atesta a produção com sustentabilidade ambiental. 

    Zema também valorizou a qualidade do café mineiro e classificou como um dos melhores do mundo, com base no apoio de pesquisa e participação em concursos. 

    “O que nós temos feito é o que sempre aconteceu com o vinho. Tem vinho de todo valor, de R$ 20 a R$ 50 mil a garrafa. Nós já tivemos produtores em Minas que venderam a sua saca por R$ 62 mil. Isso demonstra que há consumidores no mundo dispostos a pagar por um café superior”

    Desafios e investimentos logísticos no Brasil

    Sobre os gargalos logísticos, o governador reconheceu os avanços no território capixaba, destacando que o estado vizinho tem a melhor logística com o menor caminho a ser percorrido. “Os portos do Espírito Santo têm se modernizado. As ferrovias, melhoradas. Tudo isso tem contribuído para que cada vez mais exportações mineiras sejam feitas via Espírito Santo”.

    Apesar disso, Zema cobrou ações do Governo Federal para que melhorias sejam feitas com o intuito de superar os desafios logísticos. “Nós temos lutado. Já estive com o Ministro da Infraestrutura diversas vezes. Mas, é um problema do Brasil. E com essa taxa de juros elevada, esse problema só se agrava, infelizmente. Quanto maior a taxa de juros, mais caro fica o investimento e menos viável ficam vários projetos”, afirmou.

    Ele ainda fez críticas sobre a maneira com que o país é conduzido economicamente. “O Brasil, infelizmente com essa gastança do Governo Federal, tem ido na contramão da história. Um governo eficiente, mais comedido com os gastos, estaria facilitando o investimento e resolvendo esses problemas”.

  • Representante do governo e especialistas falam sobre crise logística nos portos do país

    Representante do governo e especialistas falam sobre crise logística nos portos do país

    “O que está acontecendo agora é uma crise. É um problema de curtíssimo prazo”.  A frase veio do diretor de políticas setoriais, planejamento e inovação do Ministério de Portos e Aeroportos, Tetsu Koike, em entrevista ao Portal Agro em Campo. 

    A crise logística nos terminais portuários do Brasil foi um dos destaques do painel “Desafios Logísticos no Abastecimento de Café”, um dos mais movimentados do terceiro dia do 10º Coffee Dinner & Summit, evento promovido pelo Cecafé, em Campinas (SP). 

    Segundo Koike, o governo federal tem um plano de investimentos privados nos portos por meio de programas de arrendamento e autorizações portuárias, mas que o diálogo entre os envolvidos no processo logístico podem formar um esforço coletivo importante. 

    “Um investimento novo portuário demora anos para ser operacional. Não adianta dizer agora que está investindo mas só vai ficar pronto daqui a 5 ou 6 anos. O problema é agora. A gente está na urgência. Só a articulação e o diálogo para enfrentarmos essa situação”

    Especialistas debatem crise logística nos portos

    Também participante do painel, o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, avaliou que o conteúdo apresentado atendeu às expectativas dentro do contexto logístico do país. “Nós entendemos, na nossa avaliação, que o planejamento logístico é dessa forma: reunindo carga, transportador marítimo, terminal… hoje nós temos a clara evidência de que há um esgotamento na infraestrutura portuária do país”.

    Heron reforçou que as cargas seguirão crescendo e que a falta de estrutura compromete o escoamento da produção brasileira. “É importante que a gente coloque na mesa as pessoas para debaterem e planejar os próximos anos. Não há dúvida de que, tanto o café quanto outras cargas, seguirão crescendo. Nós vamos precisar de condução adequada, de infraestrutura, para escoar nossas cargas”.

    Para Casemiro Tércio, engenheiro naval e sócio da 4Infra, a situação já aponta para quase um colapso nos próximos três ou quatro anos. “Principalmente para o agronegócio, que depende do contêiner. E não é só o café. Essas cargas vão sofrer esse engargalamento, não só dentro do terminal”. 

    Ele lembrou que os navios precisam de berço liberado para operar, mas também enfrentam desafios externos. 

    “O clima não só atinge a lavoura, mas atrasa a navegação. E para uma operação que teoricamente deveria ser sincronizada, dessincronizando, perde a janela. Quando você chega no porto, tem um navio operando no seu lugar. Você omite aquele porto e já sabe o problema: a carga vai ficar para o próximo serviço”.

    Tércio destacou que esse descompasso gera prejuízos em cadeia. 

    “Os cumprimentos de contratos, a entrega de mercadoria, o fluxo de pagamento para quem está no campo… esse descasamento entre a entrega do produto no consumidor final é consequência dessa logística bagunçada”.

    Falta de infraestrutura nos próximos anos

    Ainda conforme Eduardo Heron, apesar de anúncios recentes de investimentos públicos, o setor deverá conviver com a ausência de infraestrutura adequada nos próximos anos. Para ele, é essencial evidenciar cada vez mais a atual a situação.

    “O Cecafé vem fazendo exatamente esse trabalho, de mostrar que nós já estamos colapsados. Nós precisamos de outras alternativas, de apoio público, de promover o diálogo com o comércio exterior”. 

    De acordo com Heron, a situação atual prejudica as empresas exportadoras, compromete a competitividade e deixa de gerar renda ao produtor.

    Para Tércio, é preciso buscar soluções alternativas enquanto a estrutura ideal não é entregue. 

    “Toda carga tem a melhor logística. Hoje, essa melhor logística está comprometida. Então, buscar a segunda e terceira opção em grupo, até para justificar um desvio de rota de um navio no terminal […] seria uma solução temporária”.

  • Com 35 países, Coffee Dinner & Summit reúne mil participantes para debater sustentabilidade e regulamentações

    Com 35 países, Coffee Dinner & Summit reúne mil participantes para debater sustentabilidade e regulamentações

    O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, celebrou os números expressivos da 10ª edição do Coffee Dinner & Summit, realizada em Campinas (SP). Com mil participantes, 82 painelistas e representantes de 35 países, o evento se consolidou como uma das maiores vitrines globais para a cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, o diretor-geral do Cecafé celebrou os resultados, mas avaliou um dos principais temas do 10º Coffee Dinner & Summit, inclusive buscados pelos participantes: os desafios e perspectivas das regulamentações internacionais. 

    “Nós temos a felicidade de ter convidado nossos amigos das organizações internacionais do café, e todos aceitaram. Estamos discutindo o que está acontecendo nesse mundo geopolítico”, afirmou Matos, citando as tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as exigências regulatórias da União Europeia.

    Marcos Matos explicou que sente uma rediscussão nas questões regulatórias, uma vez que passam por entraves que envolvem barreiras comerciais, desentendimentos, informações errôneas e outros aspectos. Mas que independente disso, o compromisso deve se manter. 

    “É uma tendência das empresas e do consumidor estarem comprometidos com os critérios sociais e ambientais. […] Nosso compromisso segue com o consumidor. Agora, as regulações, tendem a sofrer ajustes diante de tudo que a gente está vendo de tensões geopolíticas”.

    Acontecimentos pelo mundo

    Sobre a tarifa de 10% imposta ao café brasileiro nos Estados Unidos, o diretor afirmou que há um esforço concentrado para retirar o produto da lista. “Existe todo um trabalho sendo feito para que o café saia do escopo das tarifas. Hoje o Brasil está com 10% e outros países até mais que o Brasil.”

    No caso da lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR), Matos explicou que “a lei não vai ser postergada e nem tão pouco excluída do corpo jurídico, mas a gente entende que a sua implementação vai ser mais branda, mais leve, com requisitos mais corretos, com mais argumentos para se defender a sustentabilidade”. 

    Caminho da sustentabilidade

    Marcos Matos também ressaltou ainda que as regulamentações acontecem com uma via de mão dupla, com um esforço conjunto que envolve todos os elos da cadeia. “O Brasil é o maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor da bebida. A gente gera evidências concretas, verificáveis, validáveis e conclusivas para os nossos importadores”, finalizou.

  • Café solúvel passa a ter selo oficial de qualidade da ABICS

    Café solúvel passa a ter selo oficial de qualidade da ABICS

    A indústria de café solúvel no Brasil ganhou um importante aliado na valorização da qualidade do produto com o lançamento dos Selos de Qualidade da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel). 

    A novidade foi tema da entrevista da consultora Eliana Relvas ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), nesta quinta-feira (03). 

    Segundo Eliana, a iniciativa surgiu da percepção de que o café solúvel já faz parte do cotidiano da maioria dos lares brasileiros, especialmente quando consumido com leite. 

    Nos últimos anos, no entanto, o setor vivenciou avanços significativos em tecnologia, aromas, sabores e diversificação de marcas. 

    Isso levou a ABICS a buscar um modelo de classificação sensorial também para o solúvel, como já ocorre com o café verde e o moído.

    “Avaliando todas as tendências de mercado, a ABICS acabou criando um protocolo e uma metodologia em que os provadores avaliam 15 atributos e a sua intensidade percebida na bebida. Dessa forma, quando combinamos esses atributos com as intensidades, existe uma classificação dos produtos”, explicou Eliana.

    Divisão dos selos de qualidade

    Os selos de qualidade da Abics foram divididos em três categorias:

    • Excelência: para cafés com atributos intensos de acidez, doçura, frutado e aromas florais e de mel;
    • Premium: destinado a bebidas com notas marcantes de chocolate, amêndoas e amadeirado, com potência média;
    • Clássico: voltado a cafés com notas amadeiradas mais intensas, baixa acidez e maior força no paladar.

    Além de orientar o consumidor final, a proposta também visa mostrar as diferentes possibilidades de uso do café solúvel. 

    “Hoje o café solúvel não é só uma xícara de café que as pessoas tomam. Ele pode ser usado como ingrediente. Devido à sua versatilidade, acaba sendo importante conhecer quais são os principais atributos e aplicar nas receitas”, esclareceu Eliana. 

    Como exemplo, ela explicou que em preparações como de cappuccinos, o selo Clássico pode ser o mais indicado, por combinar melhor com leite e especiarias.

    De acordo com a consultora, a divisão também permite entender se o café solúvel terá melhor desempenho quando diluído em água, leite ou incorporado em sobremesas, como sorvetes. 

    “É uma forma diferente de provar e usar o café solúvel”.

    Conforme divulgado pela ABICS, 21 marcas de café solúvel já foram certificadas com base no protocolo criado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). A metodologia é conduzida por profissionais capacitados e utiliza critérios internacionalmente reconhecidos.

    Café solúvel é natural

    Outro ponto reforçado por Eliana é o caráter natural do café solúvel, muitas vezes alvo de dúvidas entre consumidores. 

    “É importante ressaltar que o café solúvel não tem nenhum aditivo e nenhum conservante. O que faz ele se tornar um café solúvel e durar bastante tempo são todos os processos. De secagem, principalmente, e por isso ele dura mais tempo”, concluiu.

  • Sustentabilidade do café brasileiro é exemplo para o mundo, diz diretora da OIC

    Sustentabilidade do café brasileiro é exemplo para o mundo, diz diretora da OIC

    O painel “Futuro da Cafeicultura Sustentável” foi um dos destaques no segundo dia do 10º Coffee Dinner & Summit, evento promovido pelo Cecafé, em Campinas (SP). A atividade contou com a presença da diretora executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Vanúsia Nogueira, que enalteceu o protagonismo do Brasil nas práticas sustentáveis da cadeia cafeeira em entrevista ao Portal Agro em Campo. 

    “O Brasil, de uma forma geral, está muito avançado. O setor de café está avançado em todas essas questões. Se a gente lembrar que começamos a fazer certificações voluntárias de sustentabilidade no café ainda nos anos 90, isso significa que a gente já tem essa preocupação. É muito intrínseco no produtor de café, já há muitos anos, essa preocupação com o meio ambiente e social”, afirmou.

    Para Vanúsia, o diferencial atual não está necessariamente nas exigências sustentáveis em si, mas na forma como os países precisam comprovar essas práticas. “O que veio como novidade das regulações foi muito sobre como demonstrar, o que se fazer”, avaliou ela. 

    Ela lembrou que o Brasil é um exemplo para o mundo, resultado de décadas de investimento em pesquisa e conscientização. 

    “O Brasil é indiscutivelmente uma referência para o mundo em termos de sustentabilidade no agro, seja ela ambiental e social. Nós tivemos um agro que foi desenvolvido muito fortemente, principalmente com as questões da Embrapa. Nós criamos toda essa conscientização e a gente continua seguindo com ela. Nesse sentido, indiscutivelmente o Brasil é uma referência mundial”.

    Regulação única no setor?

    Ao ser questionada sobre a possibilidade da criação de uma regulação única para o setor cafeeiro, Vanúsia relembrou o histórico de mercado e foi direta e objetiva na resposta. 

    “Nós vivemos nesse mundo que foi o mercado regulado de café de 1963 até 1989. Em 1989, na OIC, os membros decidiram: nós vamos para o livre mercado. Fizemos uma transição até o início dos 90 e depois se foi para o livre mercado. Em diversos momentos, inclusive de crise de preços, voltou-se a refletir: será que é o momento de voltar de novo e se ter uma regulação de mercado? E a resposta foi não. Precisamos deixar que o mercado se auto regule. E acho que isso também vai ocorrer com todas essas questões de sustentabilidade.”

    Por fim, Vanúsia também ressaltou o papel do consumidor na transformação da cadeia de café, mais exigente e consciente. 

    “São gerações cada vez mais conscientes. E com o advento da internet, eles têm acesso a tudo. Todos nós temos e eles com muita facilidade, porque já nascem com o computador na mão. […] Nós temos que estar dentro de um mundo cada vez mais transparente e tratando isso com naturalidade. Estamos fazendo tudo bonitinho”, concluiu.

  • IAC e Coffee Dinner & Summit reforçam protagonismo de Campinas na cafeicultura

    IAC e Coffee Dinner & Summit reforçam protagonismo de Campinas na cafeicultura

    O pesquisador Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), destacou a importância histórica e atual da cidade de Campinas no desenvolvimento da cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, o especialista reforçou o vínculo da cidade com o café.

    “Campinas sempre teve no DNA a cultura cafeeira. As estradas de ferro do estado de São Paulo saíram daqui para as regiões produtoras e traziam o café para depois descer para Santos”, contextualizou o professor. 

    Na conversa, o pesquisador destacou a contribuição do Instituto Agronômico para o avanço técnico e científico do setor cafeeiro no Brasil e, ao mesmo tempo, salientou a importância de ter os representantes da cadeia produtiva juntos no 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP). 

    “É um instituto que foi formado pelo imperador D. Pedro II, para trabalhar com a cultura do café. Grande parte do café do Brasil, ainda hoje plantado, teve a sua origem aqui no nosso Instituto. Então é um prazer muito grande ver o mundo do café inteiro reunido aqui em Campinas. É um trabalho muito interessante que o Cecafé vem fazendo na promoção dos nossos Cafés do Brasil.”

    Relevância internacional do evento

    Para Sérgio, sediar o 10º Coffee Dinner & Summit em Campinas tem um valor simbólico e técnico. Além da ligação histórica, o evento permite que o mundo conheça de perto a qualidade da produção brasileira.

    “O Brasil é o maior produtor e maior exportador de café do mundo. É muito importante trazer todos os players do mercado internacional para poderem vir aqui discutir em nossa casa. Aqui eles podem ver a excelência com que nós produzimos os nossos cafés aqui no Brasil”, afirmou.

    IAC como base científica da cafeicultura nacional

    O Instituto Agronômico de Campinas é referência em pesquisas voltadas à cafeicultura. 

    “Nós trabalhamos sempre com café. Temos os principais cultivares de café que estão no mercado. Temos linha de pesquisa com sustentabilidade, com manejo, com cafés exóticos. Então nós somos, com certeza, um dos grandes parceiros do Cafés do Brasil também.”

    Ao longo de mais de um século de atuação, o IAC tem contribuído de forma decisiva para a evolução do setor, tanto em produtividade quanto em práticas sustentáveis. E a presença no 10º Coffee Dinner & Summit reforça justamente o papel da ciência e da inovação no mercado cafeeiro do Brasil frente ao cenário global.

  • Café no DNA de Campinas: prefeito valoriza cidade como sede do Coffee Dinner & Summit

    Café no DNA de Campinas: prefeito valoriza cidade como sede do Coffee Dinner & Summit

    Durante a abertura do 10º Coffee Dinner & Summit, realizada nesta quarta-feira (2) em Campinas (SP), o prefeito Dário Saadi (Republicanos) concedeu entrevista exclusiva ao Portal Agro em Campo, e destacou a forte ligação do município com a história do café no Brasil. Para ele, sediar um evento internacional dessa magnitude é um reconhecimento do papel estratégico da cidade na evolução da cafeicultura nacional.

    “Campinas tem uma história fantástica com o café. A cidade começou a se desenvolver com o Instituto Agronômico, a produção de café. O Instituto Agronômico foi o grande responsável pelas melhorias nas variedades dentro do café arábica”, afirmou Dário.

    Segundo o prefeito, além de ter sido um importante polo produtor no passado, Campinas consolidou-se como centro de pesquisa, ciência e inovação voltado ao agronegócio.

    “A cidade de Campinas foi um grande polo de produção, mas um polo de pesquisa, de ciência, ligado ao Instituto Agronômico. Então, o café está no DNA da cidade de Campinas”.

    Dário Saadi também pontuou que o município se transformou em referência para eventos científicos e internacionais. 

    “Hoje a cidade continua focada na pesquisa, mas muito diversificada. Nós temos aqui o Projeto Sirius, que é o acelerador de partículas, um dos melhores do mundo, do Governo Federal. E a cidade também se tornou um local de grandes eventos. E esse evento do Cecafé aqui em Campinas é muito bom. Primeiro, movimenta pelo grande evento que é e, segundo, tem a ver com a história”.

    O papel da ciência no agronegócio

    Ao longo da entrevista, o prefeito de Campinas também aproveitou para reforçar a importância da ciência no crescimento do agronegócio, citando o papel central do Instituto Agronômico nas melhorias do café arábica e o avanço recente na qualidade do café conilon. 

    “O próprio desenvolvimento do café, que começou, no caso da arábica, no Instituto Agronômico, mostra que se não fosse a pesquisa daquela época talvez nós não fossemos essa potência que somos no café. É o que está acontecendo agora com o café conilon. O café conilon está tendo muita pesquisa e ele está melhorando muito a qualidade”.

    E destacou o papel de outros centros de pesquisa sediados em Campinas, como a Embrapa, que fortalecem a cidade como polo de inovação tecnológica. 

    “A cidade tem essa importância na pesquisa, que vai também do agro até em todas as áreas. É um grande polo de inovação e tecnologia, mas é importante reverenciar a sua história e também ter eventos que fazem a cidade se movimentar”.

    Escolha de Campinas como sede do 10º Coffee Dinner & Summit

    Para Dário Saadi, a escolha de Campinas como sede do evento é também um gesto de reconhecimento tendo em vista a importância para o mercado de café, inclusive por meio do Instituto Agronômico. 

    A decisão de ter Campinas como palco do 10º Coffee Dinner & Summit também foi destacada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, em entrevista ao Agro em Campo. 

    “Campinas foi uma escolha que nasceu em nosso coração porque a gente viaja mundo afora, participa de eventos, e não encontramos uma estrutura como tem aqui em Campinas. A gente recebe de braços abertos os importadores, autoridades internacionais e nacionais, mas, mais do que isso: a gente traz a mensagem do Cafés do Brasil”, concluiu o prefeito.