Autor: André Queiroz

  • De São Pedro à granja aquícola: panorama da piscicultura no Dia do Pescador

    De São Pedro à granja aquícola: panorama da piscicultura no Dia do Pescador

    Todo ano, o mês de junho reserva dois marcos que, à primeira vista, parecem distantes: os festejos juninos e o Dia do Pescador, celebrado em 29 de junho. A data homenageia São Pedro, o apóstolo pescador, e lembra que a pesca figura entre as atividades mais antigas da humanidade e permanece estratégica para a segurança alimentar do país.

    Em 2026, o setor chega à data com números que animam e com questões que preocupam.

    Consumo crescente, mercado externo em dúvida

    A Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) divulgou recentemente um panorama deste primeiro semestre. O Anuário da entidade registra expansão do consumo interno de proteína de peixe – movimento que a Quaresma, entre março e abril, tradicionalmente impulsiona. No cenário externo, porém, persistem incertezas ligadas ao ambiente internacional e às disputas tarifárias, especialmente com os Estados Unidos.

    Dois outros pontos concentram a atenção do setor. O primeiro envolve o tambaqui: a Portaria GM/MMA nº 1.667, publicada em abril, incluiu a espécie na categoria de risco, o que levanta dúvidas sobre os impactos produtivos e para a cadeia de comercialização. O segundo diz respeito à tilápia, alvo de discussões na Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) sobre sua eventual inclusão na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras – debate que ainda corre em Brasília sem desfecho definido.

    A tilápia e sua trajetória de expansão

    Nenhuma espécie domina a piscicultura brasileira como a tilápia. Segundo o Anuário da Peixe BR, ela responde por 70% de toda a produção nacional. Uma liderança construída ao longo de anos e sustentada por uma combinação singular: sabor, valor nutritivo, versatilidade na cozinha e facilidade de preparo.

    Os números confirmam a preferência do consumidor brasileiro. Em 2015, o país consumiu 285 mil toneladas de tilápia. Em 2024, esse volume chegou a 662.230 toneladas – um crescimento de 132% em menos de uma década.

    É justamente essa trajetória que torna o debate regulatório tão sensível. Qualquer restrição à criação ou à comercialização da espécie afetaria diretamente a maior fatia da produção aquícola do país.

    Mais do que estatística

    Os números e os desafios não apagam o que está nas celebrações do 29 de junho: a relação (sagrada) entre o trabalho, a água e o alimento que ela produz. No Dia do Pescador, vale lembrar que por trás de cada tonelada produzida existem comunidades e uma cultura econômica e alimentar que o Brasil construiu às margens dos seus rios, lagos e reservatórios.

    Feliz Dia do Pescador!

  • Mato Grosso coloca carne na mesa de 1 em cada 8 brasileiros

    Mato Grosso coloca carne na mesa de 1 em cada 8 brasileiros

    Quando o apito inicial soa nos estádios da Copa do Mundo de 2026, milhões de brasileiros já estão em frente às grelhas. E boa parte da carne que vai chegar às mesas nesses dias de jogo atravessou as fazendas, frigoríficos e rodovias de Mato Grosso antes de chegar ao prato.

    O estado responde por 13% de toda a carne bovina disponível para consumo no Brasil. A conta é simples e expressiva: a cada oito quilos ingeridos pelo brasileiro, um quilo teve origem mato-grossense.

    Os dados são do Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e cobrem o ano de 2025. Mato Grosso produziu 2,006 milhões de toneladas de equivalente carcaça bovina no período. Desse total, 978 mil toneladas seguiram para 92 países: uma presença no mercado externo que coloca o estado entre os principais exportadores de proteína animal do mundo. Mas o dado que chama atenção desta vez é o que ficou dentro do país: 1,027 milhão de toneladas, suficiente para garantir uma oferta média de 4,82 quilos de carne bovina por habitante ao longo do ano.

    A discussão sobre exportação costuma dominar o noticiário do agronegócio mato-grossense, e não sem razão. Os números de 2025 deixam evidente que o mercado interno também depende da produção do estado de forma estrutural.

    “Esses dados mostram algo igualmente importante: a contribuição da nossa cadeia
    produtiva para a alimentação dos brasileiros”, diz Bruno de Jesus Andrade, diretor
    de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

    Para ele, a Copa amplifica esse papel.

    “Em um período de grande mobilização, quando aumenta o consumo de carne em confraternizações e eventos, Mato Grosso segue desempenhando um papel estratégico para garantir o abastecimento do mercado interno”, afirma.

    O fluxo que transforma o campo em proteína envolve fazendas de criação, plantas frigoríficas e uma extensa rede logística — tudo concentrado em um estado que ocupa posição de liderança no rebanho nacional há anos. A Copa passa. A demanda por carne, não.

  • O mês junino vem aí: um breve guia para as festas em 2026

    O mês junino vem aí: um breve guia para as festas em 2026

    Bandeirinhas, comidas irresistíveis, bebidas típicas, quadrilhas e fogueiras. Não podem faltar, ainda, as barracas de prendas e os brinquedos. As festas juninas não ocupam apenas o imaginário afetivo do povo brasileiro: elas são também patrimônio cultural reconhecido por lei.

    Foto: Flickr

    A Lei nº 14.900, sancionada em junho de 2024, reconheceu essas comemorações como manifestações da cultura nacional.

    O festejo dos santos e a festa do campo

    As festas juninas têm suas raízes no Brasil colonial do século XVI, trazidas pelos jesuítas portugueses e incorporadas pelas comunidades locais.

    Os festejos homenageiam três santos populares celebrados em junho: Santo Antônio de Pádua (ou de Lisboa), São João e São Pedro. Ao longo do tempo, séculos, elas passaram a reunir elementos agrícolas brasileiros, o milho e os derivados da mandioca das tradições indígenas, os doces portugueses e receitas africanas à base de amendoim.

    Poucos se lembram, porém, de uma origem ainda mais antiga.

    Na Europa, celebrações ligadas ao solstício de verão, atualmente conhecidas como Noite de São João, marcavam o acendimento de grandes fogueiras em agradecimento pela fertilidade e abundância. No Brasil, a tradição foi ressignificada pelos arraiais, pela cultura rural e pela forte presença da religiosidade popular.

    Ligada aos ciclos da natureza, à produção agrícola, às tradições comunitárias e devoção religiosa, a festa junina consolidou-se como uma das mais importantes expressões culturais do país.

    Um guia das principais festas juninas brasileiras

    Elaborar um guia completo das festas juninas no Brasil seria tarefa impossível. Milhares de comunidades, escolas, igrejas, clubes e municípios de todas as regiões do país realizam celebrações. A seguir, destacamos algumas das festas mais conhecidas do calendário junino de 2026.

    • Nordeste

    Em Campina Grande (PB), ocorre o tradicional “Maior São João do Mundo”, de 3 de junho a 5 de julho.

    Já em Caruaru (PE), um dos principais berços do forró brasileiro, a programação do São João segue até 27 de junho. Em 2026, a festa tem como tema “Tecendo tradições, costurando gerações”.

    • Sudeste

    Na capital paulista, o CTN (Centro de Tradições Nordestinas) promove uma das maiores festas juninas da região. Com o tema “São João de Nóis Tudim”, o evento acontece de 29 de maio a 26 de julho.

    • Centro-Oeste

    Em Corumbá (MS), o tradicional Arraial do Banho de São João será realizado de 19 a 23 de junho. De caráter popular e religioso, a celebração é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

    • Norte

    Em Belém (PA), o Parraiá apresenta a influência amazônica sobre as festas juninas. “O maior São João da Amazônia”, ocorre nos dias 5, 6, 12 e 13 de junho.

    • Sul

    Em Curitiba (PR), o São João realizado no Parque Barigui, entre os dias 4 e 7 de junho, mostra como a tradição junina incorpora elementos regionais, incluindo pratos típicos da culinária sulista.

    Em 2026, as comemorações juninas coincidem com outro evento capaz de mobilizar as paixões e o imaginário do Brasil: a Copa do Mundo. Como ocorre a cada quatro anos, a festa dos arraiais e os jogos dividirão espaço no calendário, adicionando mais um ingrediente ao clima de celebração.

    Viva, Junho! Viva São João!

  • Dia do Sertanejo é comemorado hoje

    Dia do Sertanejo é comemorado hoje

    Neste 3 de maio é celebrado o Dia do Sertanejo. A data teve origem em Aparecida (SP), onde, a partir da década de 1970, a rádio local passou a reunir duplas sertanejas em celebração à cultura do homem do interior. Com o apoio de religiosos do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, nomes como Tonico e Tinoco e Irmãs Galvão ajudaram a consolidar a iniciativa.

    Mas, afinal, quem é o sertanejo? Para estudiosos, definir o sertanejo brasileiro não é tarefa simples. A extensão territorial do país, somada à diversidade geográfica, cultural, social e histórica, deu origem a múltiplas formas do viver sertanejo. Mas, em sentido literal, o sertanejo é o habitante do “sertão”, palavra que remete a regiões afastadas e, originalmente, pouco povoadas.

    O fato é que, seja nas caatingas do Nordeste, nas coxilhas do Sul, no interior de São Paulo e Goiás ou nas montanhas de Minas Gerais, a vida sertaneja mantém uma ligação com a natureza. É dessa relação que surgem a cultura, os modos de vida, o conhecimento prático e a expressão artística das pessoas do campo. E, sobretudo, surge a vida de trabalho. “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, escreveu Euclides da Cunha. Podemos acrescentar: ele é também, antes de tudo, um trabalhador — alguém que constrói sua vida a partir da relação profunda com a terra.

    Tradição e inovação no campo

    Nas últimas décadas, a evolução tecnológica tem transformado significativamente o trabalho rural. Plataformas digitais, maquinário moderno e veículos de alta performance substituíram, em grande parte, o esforço manual simbolizado pela enxada. Ao mesmo tempo, o chamado “sertanejo raiz” passou a ocupar um espaço de valorização cultural, sendo reverenciado como patrimônio clássico diante das novas tendências musicais.

    Ainda assim, mesmo com as mudanças trazidas pela modernização e pela força do agronegócio, elementos essenciais permanecem na diversidade dos Brasis do campo: o apego à terra, à família, às tradições religiosas e culturais e à dedicação ao trabalho — hoje cada vez mais produtivo e estratégico.

    Não há, de fato, como ignorar o sertanejo na economia nacional. Em 2025, o agronegócio representou cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, um avanço em relação aos 22,9% registrados no ano anterior.

  • No dia de São Jorge, conheça o poder da planta estudada pela NASA

    No dia de São Jorge, conheça o poder da planta estudada pela NASA

    A aparência é inconfundível: folhas firmes, pontiagudas e de tonalidades marcantes. Originária da África, de biomas secos e pedregosos, a espada-de-São-Jorge é altamente adaptável aos mais diversos ambientes e apresenta numerosas variedades, desde as que podem atingir cerca de 1 metro de altura (como a ‘Laurentii’) até versões compactas (como a ‘Hahnii’), miniaturas graciosas e de baixa manutenção.

    Essas características conferem à planta, de nome científico Dracaena trifasciata, um protagonismo renovado no paisagismo. Além da presença tradicional nos jardins, a espécie se destaca pela estética diferenciada em composição com outras plantas, criando contrastes interessantes.

    A associação mais imediata, no entanto, é cultural e religiosa. Há muito tempo, acredita-se que a espada-de-São-Jorge protege os lares, afastando o mau-olhado. No sincretismo religioso brasileiro, além de estar ligada ao mártir cristão do século III, a planta é associada, nas tradições da umbanda e do candomblé, a Ogum, o orixá da coragem.

    Proteção e purificação do ar

    Em 1989, o estudo NASA Clean Air Study, chefiado por Bill Wolverton, investigou, em ambiente controlado, diversas plantas com destacado potencial purificador do ar. A maioria das espécies analisadas era de origem tropical e apresentava elevada resistência.

    Entre elas, destacou-se a popular espada-de-São-Jorge. Segundo o estudo, suas principais vantagens são justamente a adaptabilidade e a robustez. A planta demonstrou ainda extraordinária capacidade em absorver substâncias como benzeno, xileno e tricloroetileno, compostos presentes em emissões de veículos, cigarros, solventes e tintas.

    Pode haver aqui um caso em que a crença popular, nos poderes de São Jorge, encontra, de alguma forma, o respaldo na ciência?

  • Vai uma mandioca aí? Alimento tradicional une história, sabor e nutrição

    Vai uma mandioca aí? Alimento tradicional une história, sabor e nutrição

    Presente na mesa de milhões de brasileiros e com papel cada vez mais relevante no campo, a mandioca celebra seu dia em 22 de abril, não casualmente o Dia do Descobrimento do Brasil. Conhecida como aipim, macaxeira ou até “pão do pobre”, a raiz é uma das mais populares no país. E vai muito além da tradição culinária: ela é oportunidade e renda.

    A Conab estimou uma produção em torno de 20,29 milhões de toneladas no Brasil em 2025, um crescimento de cerca de 6,48% em relação ao ano anterior. No cenário global, o país ocupa a quinta posição entre os maiores produtores, atrás de Nigéria, Congo, Tailândia e Gana.

    Segundo a Embrapa, a mandioca está entre os seis produtos agrícolas mais relevantes em valor de produção no Brasil. Aproximadamente 40% das suas raízes são destinadas à fabricação de farinha, 20% à produção de amido e 40% à mesa. De boa adaptação a diferentes condições de solo e clima, essa cultura se destaca pela eficiência produtiva, inclusive em pequenas propriedades.

    História e nutrição

    De origem sul-americana, e talvez brasileira segundo alguns estudos, o cultivo da mandioca está ligado aos povos originários e se expandiu pelo mundo durante as grandes navegações portuguesas.

    Do ponto de vista nutricional, trata-se de um alimento altamente energético, rico em carboidratos, além de fornecer fibras, vitamina C, magnésio e potássio. Essa composição contribui para o funcionamento intestinal e auxilia no combate aos radicais livres, reforçando seu valor na alimentação diária.

    As variedades do sabor

    Alimento versátil, a mandioca admite diferentes formas de preparo, sendo o cozimento sob pressão uma das maneiras mais seguras e comuns. Cozida, ela é base para ensopados reconfortantes ou acompanhamento de diversos pratos, porções e churrascos. Frita e crocante, ela já disputa espaço com a batata na preferência do consumidor.

    Uma alternativa menos convencional é o uso em saladas de maionese, substituindo a batata tradicional. O resultado surpreende pelo sabor e textura, mantendo a simplicidade no preparo.

    Da lavoura à mesa, a mandioca sintetiza a conexão entre tradição, diversidade regional e produção agrícola. Mais do que um alimento, é símbolo de resistência, adaptação e da força do campo brasileiro.

  • Conheça a língua do bacalhau, prato típico da Europa nessa época

    Conheça a língua do bacalhau, prato típico da Europa nessa época

    Preparado com batatas, azeitonas, azeite e outros ingredientes, o bacalhau faz parte de muitas refeições familiares nessa época do ano. A espécie mais conhecida do peixe, cientificamente chamada de gadus morhua, presente ao longo do oceano atlântico, pode atingir mais de 1 metro de comprimento e pesar até 90 quilos.

    Considerado um peixe nobre, o modo de preparo clássico é a salga, tradição que remonta aos tempos medievais. O método permitia conservar a carne por mais tempo, sobretudo durante longas viagens.

    No Brasil, o consumo do bacalhau pode ser atribuído à herança portuguesa. No país europeu, o Conselho de Produtos do Mar, em 2025, estimou o consumo anual em torno de 16 quilos per capita. Já a Noruega, grande exportadora do peixe, calcula um comércio de 35 mil toneladas com os portugueses. O rei das mesas pascais é quase um imperador anual na terra de Cabral.

    A cabeça ninguém vê. Mas e a língua?

    A ausência da cabeça do bacalhau, por vezes, vira motivo de piada. Contudo, razões práticas explicam essa falta. O peixe encontrado nos mercados brasileiros já passou pelo processo de salga, retirada das vísceras e de outras partes menos consumidas no país.

    Isso não significa, porém, que essa parte seja desprezada. Na Europa, a cabeça é utilizada no preparo de caldos ou na fabricação de ração e óleos.

    A língua é outro caso. Embora a cabeça não tenha carne que justifique o amplo aproveitamento, a língua do peixe, desde aqueles tempos medievais, é consumida como petisco, geralmente empanada, com acompanhamento de molho tártaro, ou mesmo cozida.

    Feijoada de sames e línguas de bacalhau. Foto: Um Prato Português / A Portuguese Dish/Flickr

    Em restaurantes portugueses especializados, não é raro encontrar pratos como “Língua de bacalhau à mediterrânea”, “Al pil-pil” ou “com arroz das mesmas”. Constituída sobretudo de pele e músculo, ricas em colágeno, essas línguas pesam até 30 gramas e medem cerca de 8 centímetros. Há algumas semanas, no Mercado Municipal de São Paulo, um antigo comerciante chegou a lembrar que o produto já foi bastante procurado.

    Famosa pelo sabor e maciez, a língua do bacalhau é um ítem requisitado pelos chefs europeus e ilustra a variedade de preparos de um peixe com longa tradição culinária e presença  garantida nas celebrações pascais no Brasil.

    Boa Páscoa!

  • A árvore da Semana Santa: conheça a oliveira mais antiga do mundo

    A árvore da Semana Santa: conheça a oliveira mais antiga do mundo

    Seu nome científico Olea europaea já sugere a utilidade e a origem. Ao longo dos séculos, essa árvore ocupou lugar especial em diferentes culturas ao fornecer madeira forte, azeitonas e óleo para o alimento, bem como o azeite que iluminava as noites do Oriente Médio até Roma. Além disso, seus frutos também eram úteis para remédio (unguentos) e símbolo de poder, como na unção dos reis.

    Apesar da importância simbólica, o cultivo da oliveira é relativamente simples. Ela exige pouca umidade (rega de duas a três vezes por semana) e bastante luz. Enraizada, a árvore ganha autonomia e longevidade, adquirindo formas particulares no entroncamento, o que faz de cada exemplar uma personalidade única.

    No Brasil, embora o cultivo seja ainda recente, segundo a EMBRAPA, vale lembrar a qualidade dos azeites já reconhecidos em competições internacionais.

    Na Grécia, a Oliveira eterna.

    Com esse perfil resistente, valioso e utilitário, ainda é possível encontrar Oliveiras centenárias em países do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Em Abrantes, Portugal, a Oliveira de Mouchão é histórica; na região de Gallura, na Sardenha (Itália), é possível encontrar outra, apelidada de “Matriarca da Natureza”, com quase 14 metros de altura.  Protegidas por leis nacionais, esses monumentos naturais têm mais de 2 mil anos e são  importantes pontos turísticos.

    O recorde de longevidade, contudo, pertence à Oliveira de Vouves, na ilha de Creta, na Grécia. Enquanto alguns estimam sua idade entre 3 e 4 mil anos, outros  chegam a acreditar que ela já tenha 5 mil anos. O fato é que essa árvore impressionante tem cerca de 12 metros de altura, e, mesmo com o tronco já oco, ainda produz azeitonas valorizadas por especialistas. Tão simbólica, a árvore éprotegida por leis gregas e chegou a fornecer ramos para a confecção das coroas dos atletas dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas.

    Resistente, adaptável e com mil utilidades, a oliveira e seu fruto são, e sempre foram, símbolos grandiosos da humanidade e da cultura. O leitor, caso concorde com essa ideia, não está sozinho nas companhias longevas e respeitáveis.

    “Doce, prateada ama de leite, nascida sozinha e imortal, cuja força desafia jovens e idosos”, escreveu o poeta grego Sófocles. “E Jesus saiu, então, e foi, como decostume, para o monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele…” é a narrativa que muitos ouvirão nesta Semana Santa.

  • Outono marcado pela irregularidade: prognósticos para a estação em 2026

    Outono marcado pela irregularidade: prognósticos para a estação em 2026

    A estação do outono no Hemisfério Sul chegou nesta sexta-feira, dia 20 de março. Considerada uma transição entre o calor do verão e o frio do inverno, o período é
    tradicionalmente marcado pelas temperaturas amenas, diminuição das chuvas que encerram o verão (aquelas “águas de março”), noites mais longas e a queda das folhas das
    árvores.

    O outono apresenta fortes precipitações no Norte, escassez no semiárido e redução das chuvas e do calor, especialmente no Centro-Sul brasileiro. Nessas regiões, a estação é
    favorável às espécies de clima ameno, como as hortaliças folhosas e raízes; milho, aveia e trigo; a cultura do caqui, figo e a colheita do maracujá.

    São culturas beneficiadas pelos dias mais curtos (fotoperíodo) e menor umidade, características desse clima menos extremo do que o calor do verão e as frentes frias
    invernais. Por outro lado, sendo época de transição não é incomum que as primeiras massas de ar frio cheguem do sul do continente provocando nevoeiros, principalmente nas
    regiões serranas e de planalto.

    Prognósticos regionais para a agricultura

    Uma Nota Técnica Conjunta INMET / INPE apresentou os prognósticos para o outono brasileiro em 2026, indicando a influência do El Niño e sugerindo atenção para a
    possibilidade de uma estação mais quente e chuvosa.

    Para a região Norte, a previsão climática para o período de abril a junho indica chuvas acima da média. No nordeste, ela sugere condições desfavoráveis às chuvas na Bahia,
    Paraíba e no Rio Grande do Norte. Nas duas regiões, por outro lado, há expectativa de temperaturas acima da média.

    Para a região Centro-Oeste, a Nota Técnica conjunta do INMET / INPE indica redução de chuvas, especialmente no Mato Grosso, enquanto as temperaturas devem permanecer
    acima da média em toda a região.

    Na região Sudeste, embora possam ocorrer chuvas abaixo da média, há possibilidade de precipitações volumosas, sobretudo no leste. Já as temperaturas devem ficar também
    acima da média, ainda que as primeiras frente frias tragam prejuízos, especialmente nas regiões elevadas.

    Um prognóstico parecido é previsto, pela Nota Técnica Conjunta, para o Sul brasileiro. Exige-se atenção, em particular, ao aquecimento sobre as regiões do Rio Grande do Sul e
    Santa Catarina.

    Estes cenários exigem cuidados extras com a safra, diante da instabilidade com os padrões tradicionais do outono. Assim, a Nota Técnica Conjunta adverte que a produção agrícola,
    nos próximos meses, deve ser acompanhada com atenção.

  • Conheça a Quaresmeira: árvore simbólica e paisagística

    Conheça a Quaresmeira: árvore simbólica e paisagística

    O nome científico dessa árvore que apresenta altura entre 8 e 12 metros, troncos robustos
    e ramos quadrangulares é “Tibouchina granulosa”. Espécie que pode viver até cerca de 70
    anos, cujas floradas entre janeiro e abril, agosto a outubro, são inconfundíveis pela cor roxa
    atraente ao paisagismo.

    Foto: Eduardo Kataoka/Flickr

    Originária da mata atlântica, a Quaresmeira também nasce no Cerrado e em regiões do sul
    brasileiro, sobretudo se estas apresentarem temperaturas moderadas. Seus frutos são
    secos e pequenos, facilmente dispersos pelo vento. As folhas, de cor viva e nervuras
    definidas, contrastam com o roxo marcante das flores. É uma árvore prática e ornamental
    que pode ser cultivada com simplicidade, desde que encontre solo fértil ou seja enriquecida
    com nutrientes orgânicos.

    A beleza tem delicadezas. Os galhos da Quaresmeira podem ser facilmente quebrados,
    sobretudo em períodos de vento. Sua madeira é leve, portanto, adequada às pequenas
    confecções.

    O simbolismo da Quaresmeira

    O próprio nome e o tempo da floração indicam o simbolismo. A Quaresmeira é a árvore cuja
    florada coincide com o período da Quaresma, simbolizado pela cor roxa.

    A Quaresma é um período de quarenta dias da tradição cristã católica, cuja origem remonta
    ao século IV. É o tempo de recolhimento e meditação que conduz às celebrações da Paixão
    e Morte de Jesus, antes de proclamar a maior solenidade da Igreja: a Páscoa. Mas tal como
    o tempo da natureza, esse tempo ritual também encontra suas as floradas. Após o roxo
    quaresmal reflexivo, a cor predominante, entre abril e junho, será o dourado e o branco
    associados à alegria pascal.

    Vale lembrar que essa associação simbólica entre a Quaresmeira e o tempo ritual é cultural,
    ou seja, cultivada pela sociedade. O brasileiro com a sua herança religiosa, em algum
    momento, aproximou uma realidade à outra.

    Foto: Livia/Flickr

    Esta é uma das características da relação entre a natureza e o homem, que a ela atribui
    sentidos, narrativas e significados. As cores transformam-se em símbolos; eventos naturais
    viram lendas; e a riqueza da terra é convertida em memória e tradição. “A natureza, mãe
    bem atentada, um porto tão quieto, e tão seguro…” recordava um verso barroco.