Autor: Henrique Rodarte

  • Por que agricultores estão espalhando vidro triturado nas lavouras?

    Por que agricultores estão espalhando vidro triturado nas lavouras?

    Espalhar vidro sobre uma lavoura parece, à primeira vista, uma ideia difícil de associar à agricultura. Na Austrália, porém, garrafas descartadas estão sendo transformadas em um produto agrícola rico em silício que já chegou a propriedades produtoras de grãos, frutas, uvas, cana-de-açúcar, leite e carne.

    Não se trata de colocar cacos de vidro no campo. O material reciclado passa por um processo industrial de moagem até se transformar em partículas muito pequenas, semelhantes a um pó ou a grânulos.

    Foto: Reprodução

    A experiência foi mostrada em reportagem do programa Landline, da ABC News da Austrália. Segundo a publicação, um número crescente de produtores australianos começou a pulverizar ou distribuir o produto sobre lavouras e pastagens.

    O interesse está principalmente no silício presente no vidro. Agrônomos envolvidos no projeto afirmam que o elemento pode contribuir para o aproveitamento de nutrientes existentes no solo e para o desenvolvimento das plantas.

    Vidro reciclado vira produto para agricultura

    O material usado no processo vem de garrafas recolhidas pelo sistema de reciclagem de Queensland. Depois, elas seguem para uma fábrica de cerca de 4 milhões de dólares australianos instalada em Brisbane.

    Na unidade, um equipamento cilíndrico de 60 toneladas utiliza cerca de 35 toneladas de esferas cerâmicas para triturar o vidro. O resultado pode ser transformado em pó fino ou em pequenos grânulos destinados ao uso agrícola.

    Alguns produtores misturam o pó com água para pulverizá-lo sobre as plantas. Outros espalham o produto seco diretamente nas áreas cultivadas e nas pastagens.

    O agrônomo David Archer, um dos responsáveis pelo projeto, contou à ABC que a descoberta ocorreu durante testes realizados com plantas.

    “Como a maioria das grandes ideias, foi por acidente”, afirmou Archer. Ele comparou o resultado observado na época à história de João e o Pé de Feijão.

    Atualmente, a fábrica despacha aproximadamente 20 toneladas por semana de produtos feitos a partir do vidro moído. O material chega a propriedades que trabalham com maçã, uva para vinho, grãos, cana, pecuária leiteira e bovinocultura de corte.

    Produtores relatam aumento na produtividade

    O agrônomo Peter Norwood recomenda o uso do produto fabricado em Queensland a produtores australianos há alguns anos.

    Segundo ele, os resultados observados em algumas propriedades chamaram atenção. “Pode haver melhorias de até 25% ou 30% no crescimento e na produtividade das plantas”, disse Norwood à reportagem da ABC.

    David Archer, agrônomo e fundador da iniciativa. Foto: Reprodução

    O agrônomo também aponta potencial de reflexos na pecuária, já que uma pastagem mais produtiva pode interferir na alimentação dos animais. “Isso é uma espécie de divisor de águas”, afirmou.

    Os números apresentados pelos entrevistados, entretanto, são relatos de profissionais e produtores envolvidos no uso do produto na Austrália e não significam que os mesmos resultados ocorrerão em qualquer solo, cultura ou condição climática.

    O que o silício faz no solo?

    A explicação apresentada pelos agrônomos está relacionada à disponibilidade de nutrientes.

    Segundo Archer, o silício pode contribuir para liberar elementos que já estão presentes no solo, mas que não se encontram facilmente disponíveis para absorção pelas raízes.

    Além disso, ele afirma que o elemento pode estimular mecanismos naturais de defesa das plantas diante de condições como pragas, doenças e seca.

    Norwood também destacou à ABC a possibilidade de melhorar o aproveitamento de nutrientes já adquiridos pelo produtor.

    “Temos também uma oportunidade de criar algum nitrogênio gratuito para as plantas, então há algumas vantagens reunidas em uma única solução”, afirmou.

    O uso de silício na agricultura não é uma novidade. O que chama atenção no projeto australiano é a origem da matéria-prima: milhões de garrafas que poderiam se transformar em resíduos passam a integrar novamente uma cadeia produtiva.

    Resultado no gado surpreendeu produtor.

    A experiência também chegou à pecuária.

    Tony Donovan, responsável por operações de leite e carne da Midfield Meats, aplicou o produto à base de silício em aproximadamente um terço dos 14 mil hectares sob sua gestão.

    Tony Donovan, responsável por operações de leite e carne da Midfield Meats. Foto: Reprodução.

    Segundo Donovan, os resultados registrados durante o inverno chamaram a atenção da equipe.

    “Levamos os ganhos de peso no inverno de 0,7 ou 0,8 por dia para 1,4 e até 2 quilos por dia”, relatou.

    Ele também afirmou que houve aumento no crescimento da pastagem. Novamente, os dados representam a experiência relatada naquela propriedade e não devem ser interpretados como garantia de desempenho em outras fazendas.

    A iniciativa, contudo, chama atenção por unir dois problemas diferentes. De um lado, agricultores buscam melhorar a eficiência do solo e reduzir a dependência de alguns fertilizantes. Do outro, cidades precisam encontrar destinos economicamente viáveis para toneladas de vidro descartado.

    Na Austrália, uma possível conexão entre esses dois mundos já está literalmente sendo espalhada pelo campo.

  • Abelhas conseguem se automedicar quando ficam doentes, aponta estudo

    Abelhas conseguem se automedicar quando ficam doentes, aponta estudo

    Um antigo ditado diz que a natureza é o melhor remédio, e as abelhas parecem concordar. Um novo estudo publicado na revista científica Royal Society Open Science sugere que abelhas-da-terra (Bombus terrestris) mudam seus hábitos alimentares quando contraem uma doença fúngica que ataca suas larvas, num possível caso de automedicação.

    Cientistas já registraram comportamentos semelhantes em outras espécies. Chimpanzés selvagens buscam plantas com propriedades analgésicas e antibacterianas quando adoecem, enquanto algumas aves forram os ninhos com pontas de cigarro para afastar ácaros, aproveitando os químicos presentes no material. Pesquisas anteriores também mostraram que abelhas melíferas com certos tipos de infecção passam a coletar mais resina vegetal, que tem função protetora.

    Diante desses precedentes, uma equipe da KU Leuven, na Bélgica, e da Universidade de Valladolid, na Espanha, decidiu investigar se as abelhas-da-terra também alteram o comportamento de forrageamento quando enfrentam diferentes patógenos.

    Flores robóticas simulam o comportamento das colônias

    Para testar a hipótese, os cientistas montaram um experimento com 18 colônias comerciais de abelhas-da-terra dentro de tendas de voo. Cada tenda continha oito flores robóticas. Quatro azuis e quatro amarelas, que ofereciam microdoses de néctar artificial. Metade das flores continha apenas água com açúcar. A outra metade, água com açúcar e quercetina, um composto natural presente no néctar e no pólen de diversas plantas e conhecido por suas propriedades antimicrobianas.

    Antes do início do experimento, os pesquisadores dividiram as colônias em três grupos e as mantiveram assim por duas semanas. Um grupo foi exposto a Ascosphaera apis, fungo que infecta e mata principalmente larvas de abelhas. Outro grupo recebeu exposição a Serratia marcescens, bactéria intestinal oportunista que afeta abelhas adultas. Já o grupo de controle recebeu apenas pólen com solução de açúcar estéril, sem qualquer patógeno.

    Um sensor instalado no orifício central de alimentação de cada flor robótica registrava cada visita das abelhas, e o sistema reabastecia automaticamente o néctar após cada consumo.

    Preferência por quercetina aumenta apenas contra o fungo

    Ao longo de cinco dias de forrageamento livre, os pesquisadores identificaram um padrão claro nas colônias expostas ao fungo Ascosphaera apis: elas visitaram cada vez mais as flores com quercetina e passaram mais tempo se alimentando delas.

    O mesmo não aconteceu com as colônias expostas à bactéria Serratia marcescens, que não apresentaram mudança significativa na preferência pelo néctar com quercetina ao longo do experimento. As colônias do grupo de controle, saudáveis, também mantiveram o padrão de consumo estável, sem migrar para o néctar com o composto antimicrobiano.

    Para os autores, esse resultado indica que a resposta das abelhas varia conforme o tipo de ameaça enfrentada pela colônia. “No geral, esses resultados indicam que a identidade do patógeno molda a plasticidade comportamental no forrageamento de néctar”, escreveram os pesquisadores no artigo.

    Cautela: automedicação ainda não está comprovada

    Apesar do padrão de comportamento identificado, os cientistas alertam que o estudo não mediu se o consumo de quercetina reduziu de fato os níveis de infecção nas colônias ou aumentou a sobrevivência das larvas. Por isso, as conclusões precisam ser interpretadas com cautela.

    “Nossos resultados não fornecem uma demonstração definitiva de automedicação formal individual ou social”, ressaltam os autores do estudo.

    Ainda assim, a descoberta abre caminho para novas pesquisas sobre como insetos sociais respondem a diferentes ameaças à saúde da colônia. E pode ajudar a entender melhor estratégias naturais de proteção contra doenças que afetam populações de abelhas em todo o mundo.

  • Campeão mundial brilha na abertura da 71ª Festa do Peão de Barretos

    Campeão mundial brilha na abertura da 71ª Festa do Peão de Barretos

    O 33º Barretos International Rodeo abriu suas disputas na noite desta quinta-feira (27), no estádio de rodeios da 71ª Festa do Peão de Barretos. A competição reuniu 36 peões representantes de quatro países: Brasil, Estados Unidos, México e Austrália.

    Abertura do 33º Barretos International Rodeo
    Abertura do 33º Barretos International Rodeo. Foto: RT Imagens

    O grupo de catira Espora de Prata e pacientes assistidos pela Casa Acolhedora Vovô Antônio participaram da cerimônia de abertura. A cantora Aline Marques interpretou o Hino Nacional, enquanto Paula Fernandes cantou “Ave Maria” para o público presente no estádio.

    Cássio Dias lidera com nota máxima da noite

    Assim que as porteiras se abriram, o campeão mundial de 2024 nos Estados Unidos, Cássio Dias, e o tricampeão do The American, João Ricardo Vieira, garantiram lugar entre os três primeiros colocados da etapa.

    Cássio Dias, natural de São Francisco de Sales/MG, obteve a maior pontuação da noite: 91,50 pontos no touro Sertão, do tropeiro André de Mogi. Lucas Vinicius Vieira, de Santa Tereza do Oeste/PR, ficou em segundo lugar com 89,50 pontos no touro Emocionante, da Companhia Califórnia. João Ricardo Vieira completou o pódio ao somar 89,25 pontos no touro Carga Explosiva, da companhia ATF.

    Tanto Cássio Dias quanto João Ricardo Vieira chegam a Barretos com o objetivo declarado de conquistar o título da competição.

    Touros de alto nível derrubam maioria dos competidores

    O nível técnico dos touros marcou a primeira noite de disputas. Das 36 montarias realizadas, apenas 14 peões conseguiram somar pontuação, resultado que evidencia a dificuldade imposta pelos animais escalados para a etapa.

    O 33º Barretos International Rodeo continua nesta sexta-feira (28), quando a segunda noite de disputas movimenta novamente o estádio da Festa do Peão de Barretos.

  • Projeto quer permitir plantio de soja, milho e feijão às margens de rodovias

    Projeto quer permitir plantio de soja, milho e feijão às margens de rodovias

    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode mudar o uso das margens de rodovias no Brasil. O PL 2292/26 autoriza o cultivo de lavouras temporárias nas faixas de domínio de rodovias e estradas, pavimentadas ou não, em trechos fora do perímetro urbano.

    A proposta altera a Lei 8.171/91, que define as regras da política agrícola nacional. Hoje, a legislação permite apenas o reflorestamento nessas áreas das rodovias federais.

    O autor do projeto, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), defende que a mudança beneficia a produção agrícola. Segundo ele, manter reflorestamento nas margens é “um contrassenso, considerando o risco associado à ocorrência de acidentes”.

    O texto prevê que o aproveitamento agrícola dessas áreas cumpra normas ambientais, sanitárias e de segurança viária. O objetivo é evitar interferências no trânsito e garantir a segurança de motoristas.

    O que é faixa de domínio

    A faixa de domínio de uma rodovia inclui pistas de rolamento, canteiros, obras de arte (como viadutos e pontes), acostamentos, sinalização e faixa lateral de segurança.

    As comissões de Viação e Transportes; de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Constituição e Justiça e de Cidadania analisarão o PL 2292/26 em caráter conclusivo.

    Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

  • Conheça a pera brasileira criada pela Embrapa para o Sul do país

    Conheça a pera brasileira criada pela Embrapa para o Sul do país

    O setor produtivo brasileiro ganha uma nova opção genética para o cultivo de peras. A Embrapa Uva e Vinho, unidade sediada no Rio Grande do Sul, desenvolveu a cultivar BRS Áurea, que reúne adaptação ao clima do Sul do país, alta produtividade e boa qualidade de frutos. Trata-se da primeira pera criada pelo programa de melhoramento genético da instituição gaúcha.

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    A combinação entre época de colheita, potencial produtivo e qualidade dos frutos amplia as possibilidades de uso da cultivar em sistemas comerciais. Foto: Fábio Ribeiro/Embrapa

    Pesquisadores obtiveram a BRS Áurea a partir do cruzamento entre a pera asiática Hosui e a europeia Abate Fetel, realizado em 2006, em Vacaria (RS). Ao longo de cerca de 20 anos, a equipe conduziu etapas de seleção, avaliação agronômica e validação em diferentes condições de cultivo. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou oficialmente a cultivar no Registro Nacional de Cultivares (RNC) em maio de 2025.

    A Embrapa apresentará a nova cultivar durante a 49ª Expointer, que ocorre entre 29 de agosto e 6 de setembro, no Parque Assis Brasil, em Esteio (RS).

    Alta produtividade e resistência a doenças

    Nos testes conduzidos no Sul do Brasil, a BRS Áurea atingiu produtividade entre 25 e 30 toneladas por hectare, com colheita precoce concentrada em janeiro. A cultivar também demonstrou resistência à entomosporiose, uma das doenças mais destrutivas da cultura, e menor suscetibilidade à mosca-das-frutas quando comparada à pera Rocha, variedade portuguesa amplamente comercializada no país.

    Para o consumidor, a cultivar oferece frutos médios a grandes e uniformes, com massa entre 145 e 190 gramas. Durante a maturação, a casca ganha tons de amarelo-alaranjado a dourado, característica que deu origem ao nome Áurea. Por dentro, a polpa se destaca pela cor branca, textura crocante e suculenta, além do sabor equilibrado.

    Foto: Fábio Ribeiro/Embrapa

    O pesquisador João Caetano Fioravanço, da Embrapa Uva e Vinho, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, resume o trabalho de longo prazo por trás do lançamento. “A BRS Áurea reúne boa adaptação às condições do Sul do Brasil, potencial produtivo e frutos de excelente qualidade. Esses atributos são importantes para estimular a produção brasileira de peras”, avalia.

    Equipes testaram e validaram a cultivar nos municípios gaúchos de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. A Embrapa recomenda a BRS Áurea para regiões que registram entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2°C durante o inverno.

    Pera nacional aposta na colheita antecipada

    A precocidade de maturação marca uma das principais vantagens da cultivar. Nas condições avaliadas, a colheita concentra-se entre 5 e 20 de janeiro, com ciclo de aproximadamente 106 dias entre a plena floração e a maturação. Essa antecipação amplia a janela de comercialização das peras produzidas no Brasil.

    Em sistemas de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas, a cultivar chega a produzir entre 25 e 30 toneladas por hectare.

    Essa combinação de época de colheita, produtividade e qualidade amplia as possibilidades de uso comercial da BRS Áurea. Para uma cadeia produtiva que ainda depende de importações para suprir parcela significativa do consumo nacional, a disponibilidade de materiais genéticos adaptados ao Brasil representa um fator estratégico.

    Boa conservação após a colheita

    Além do desempenho no pomar, a BRS Áurea também apresentou resultados favoráveis nos testes de pós-colheita. Em condições experimentais, os frutos mantiveram boa qualidade para consumo após 90 dias de armazenamento refrigerado a 0,5°C, seguidos de 7 dias a 20°C, período em que a polpa perdeu firmeza e a casca ganhou tom mais alaranjado, sem comprometer a qualidade.

    A polpa da BRS Áurea é branca, crocante, suculenta e de sabor equilibrado. Foto: João Fioravanço /Embrapa

    A pesquisadora Lucimara Antoniolli, da área de pós-colheita da Embrapa Uva e Vinho, destaca o papel dessa característica para o mercado. “A BRS Áurea apresenta propriedades muito interessantes para o mercado de frutas frescas pelo bom potencial de conservação pós-colheita, aspecto importante para ampliar o período de comercialização e facilitar a distribuição da fruta”, enfatiza.

    Testes em atmosfera controlada indicaram potencial para armazenamento ainda mais longo: frutos guardados por até 165 dias a 0,5°C mantiveram maior firmeza após a retirada da câmara fria. Por outro lado, a fragilidade dos frutos exige cuidados redobrados durante colheita e transporte, já que impactos podem causar danos. Por esse motivo, a Embrapa recomenda atenção especial ao manuseio, à classificação, à embalagem e ao transporte.

    Cultivar reduz infestação de mosca-das-frutas

    A BRS Áurea também se destacou em testes fitossanitários. Nas condições avaliadas, a cultivar mostrou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, doença fúngica que ataca folhas e frutos. Além de menor suscetibilidade à mosca-das-frutas na comparação com a cultivar Rocha.

    Em experimentos com infestação natural, a pera Rocha registrou 70% de frutos infestados, contra apenas 10% na BRS Áurea. Em outro teste, no qual pesquisadores expuseram os frutos diretamente aos insetos, sem alternativa de escolha, a BRS Áurea também levou vantagem: 40% de infestação, ante 100% na Rocha.

    O pesquisador Marcos Botton, também da Embrapa Uva e Vinho, avalia que essa característica interessa diretamente ao sistema produtivo. “A menor infestação observada na BRS Áurea é uma característica bastante interessante, principalmente considerando a importância da mosca-das-frutas para a fruticultura do Sul do Brasil. Isso não significa que o produtor possa deixar de monitorar e manejar a praga, mas indica uma característica favorável da cultivar que pode contribuir para o sistema de produção”, pontua.

    Nova cultivar mira ampliação da produção nacional

    A produção brasileira de peras ainda não atende à demanda interna, e a falta de cultivares adaptadas às diferentes regiões produtoras segue como um dos principais desafios do setor. A irregularidade da produção e a variação na qualidade dos frutos também limitam a competitividade da fruticultura nacional.

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    Além do desempenho no pomar, a BRS Áurea mostrou resultados promissores nas avaliações de pós-colheita. Foto: Fábio Ribeiro/Embrapa

    Nesse cenário, a BRS Áurea surge como alternativa genética validada nas condições brasileiras. A expectativa da Embrapa é que a cultivar ajude a diversificar os pomares e expanda as possibilidades de produção de pera no Sul do país.

    O produtor Fernando Soldatelli, que participou da validação da cultivar, resume sua experiência com entusiasmo. “De todas as diferentes cultivares de pera que já plantei, acredito que a BRS Áurea é a que apresenta maior potencial para a produção competitiva”, avalia. Para ele, a nova pera reúne os atributos que o mercado exige: “Além de produzir bem, é bonita, suculenta e gostosa. Tudo o que precisamos”, salienta.

    Como reservar mudas da BRS Áurea

    Produtores interessados podem reservar mudas da BRS Áurea no Viveiro São Francisco, único licenciado pela Embrapa até o momento. Viveiristas que desejam obter licenciamento para comercializar a cultivar devem solicitar material propagativo à Embrapa Uva e Vinho pelo e-mail [email protected].

    As reservas ficam abertas ao longo do ano. Mas a entrega das mudas ocorre apenas na segunda quinzena de julho do ano seguinte, conforme a disponibilidade de material.

    Quase 20 anos até o registro oficial

    O projeto da BRS Áurea começou em 2006, com o cruzamento entre as peras Hosui e Abate Fetel, em Vacaria (RS). A partir de 2015, o material selecionado passou por novas etapas de avaliação. E no ano seguinte, a equipe implantou o material em áreas experimentais da Embrapa em Bento Gonçalves e Vacaria para analisar fenologia, produção, qualidade dos frutos e conservação pós-colheita.

    Em 2021, pesquisadores estabeleceram duas unidades de validação em parceria com produtores, em Vacaria e Caxias do Sul, conduzindo as plantas sobre o marmeleiro Adams, com espaçamento de 4 metros entre filas e 1 metro entre plantas.

    O Registro Nacional de Cultivares (RNC) formalizou o cadastro da BRS Áurea em 26 de maio de 2025, sob o número 59.655. Em seguida, a Embrapa solicitou a proteção da cultivar junto ao Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC).

    A equipe responsável pelo desenvolvimento da cultivar reúne os pesquisadores e analistas João Caetano Fioravanço, Lucimara Rogéria Antoniolli, Silvio André Meirelles Alves, Marcos Botton, Luis Fernando Revers e Daniel Santos Grohs, além do pesquisador aposentado Paulo Ricardo Dias de Oliveira, todos da Embrapa Uva e Vinho.

  • Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encaminhou uma denúncia aos órgãos de fiscalização da Receita Federal para apurar possível fraude tributária em azeites importados da Europa e vendidos no Brasil como extravirgens.

    A entidade baseia a suspeita na diferença de tributação entre as categorias: produtos extravirgens entram no país com alíquota de importação zero, enquanto os virgens pagam 9% de imposto.

    Análises judiciais motivaram a denúncia

    O Ministério da Agricultura realizou análises em azeites vendidos em supermercados brasileiros por determinação judicial, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os exames classificaram como virgens amostras de marcas comercializadas como extravirgens, entre elas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Cocinero, Fillipo Berio e Carrefour.

    O Ibraoliva, que representa produtores brasileiros, já apontava havia anos divergências entre a qualidade informada nos rótulos e as características reais dos azeites importados. A entidade também questionava a compatibilidade entre os preços praticados e a classificação como extravirgem.

    Entidade defende separação entre categorias

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defende a permanência do azeite virgem nas prateleiras, desde que corretamente identificado. “Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis”, afirma.

    Olivas. Foto: Divulgação

    Segundo o Ibraoliva, alguns fatores explicam a perda de qualidade dos produtos. Entre eles, importadoras compram lotes antigos e mais baratos na Europa, sem informação clara sobre a data de produção. E o transporte transatlântico ocorre em contêineres sem refrigeração. Essas condições podem degradar o azeite e tirá-lo da categoria extravirgem antes de chegar ao consumidor.

    Diferença tributária ganha peso na discussão

    Assim, sendo, a questão fiscal passou a integrar o debate após mudanças recentes nas alíquotas de importação. O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor de forma provisória desde 1º de maio de 2026, prevê a eliminação gradual da tarifa sobre o azeite europeu ao longo de 15 anos.

    A Resolução GECEX 391, de agosto de 2022, havia fixado em 9% a alíquota para extravirgem, virgem e refinado. Já a Resolução GECEX 709, de março de 2025, zerou a tarifa apenas para os extravirgens importados da Europa e manteve os 9% para os virgens. Portanto, abrindo, segundo o Ibraoliva, uma brecha para a fraude.

    Obino Filho resume o raciocínio da entidad. “Sempre denunciamos que, mesmo que na origem o azeite tenha um laudo físico-químico que o classifique como extravirgem, caso chegue ao Brasil com defeitos sensoriais, precisa ser reclassificado para virgem. Se vendido como extravirgem, estamos diante de uma fraude de rotulagem, mas agora o cenário também inclui a questão tributária.”

    Ibraoliva pede apuração à Receita Federal

    Na denúncia, o Ibraoliva solicita que a Receita Federal investigue os casos em que o produto entrou no país como extravirgem, com alíquota zero. Mas apresentou características de virgem segundo os laudos do Ministério da Agricultura, categoria sujeita a 9% de imposto. Para a entidade, essa discrepância configura indício que merece apuração formal.

    Obino Filho relaciona ainda a escassez de azeites rotulados como virgens nas gôndolas brasileiras a esse desequilíbrio tributário. A situação, segundo ele, “talvez explique por que não são encontrados nas prateleiras dos supermercados azeites rotulados como virgens”.

    O presidente também compara a carga tributária entre o produto importado e o nacional. “Um rótulo que não corresponde ao produto, além de enganar o consumidor, pode levar a uma redução de 9% para 0% de impostos no azeite importado da Europa. Enquanto isso, a alíquota padrão de ICMS nas vendas internas do azeite brasileiro é de 12%. Precisamos defender os produtores e a indústria nacional do azeite e não podemos compactuar com possíveis fraudes.”

    Entidade propõe mudanças na tributação

    Além da denúncia, o Ibraoliva vai levar ao Governo Federal uma proposta para reverter a alíquota do azeite extravirgem importado a 9%. E seguindo depois a redução gradual prevista no acordo Mercosul-União Europeia.

    Além disso, a entidade também sugere zerar a tarifa do azeite virgem importado da Europa e manter a isenção de ICMS nas vendas interestaduais de azeites brasileiros.

  • Dívida de R$ 1,12 bilhão: gigante do agro pede recuperação judicial

    Dívida de R$ 1,12 bilhão: gigante do agro pede recuperação judicial

    A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Lermen, conglomerado familiar do agronegócio sediado em Sorriso/MT. A decisão abrange cinco sociedades empresárias, entre transportadoras e agropecuárias,  e três produtores rurais do mesmo núcleo familiar. O passivo concursal indicado no processo soma R$ 1.125.328.266,68.

    Segundo a decisão judicial, existe um efetivo grupo econômico entre as empresas e os empresários rurais envolvidos, com unidade de direção e interdependência operacional e patrimonial. Por esse motivo, o juízo determinou a consolidação processual e substancial entre os recuperandos, o que exige a apresentação de um plano único de soerguimento e garante tratamento unificado a todos os credores.

    Da chegada a Nova Ubiratã à consolidação do agronegócio em Sorriso

    A história do Grupo Lermen remonta a 1977, quando o casal fundador da família chegou ao município de Nova Ubiratã, em Mato Grosso, então marcado por infraestrutura precária e intensa atividade madeireira. Originários do Rio Grande do Sul, os fundadores apostaram no potencial produtivo do Centro-Oeste e adquiriram as primeiras áreas rurais, que passaram a cultivar a partir da segunda metade dos anos 1980.

    Em 2004, o filho do casal, já formado em agronomia, assumiu a gestão técnica das terras da família e profissionalizou a estrutura produtiva, o que elevou a produtividade nos anos seguintes.

    Para sustentar a logística da produção agrícola, a família criou sua primeira transportadora em 2011, hoje Dalila Lermen Ltda, seguida pela Buritis Transportes Ltda, em 2015, e pela Transportes São Pedro Ltda, em 2020. Entre 2015 e 2017, porém, a inadimplência de um grande cliente somada a uma seca severa, que reduziu a produtividade da soja, obrigou o grupo a reorganizar suas operações.

    Entre 2018 e 2019, a família diversificou a produção com o cultivo de algodão em pluma e ampliou a área plantada até cerca de 18 mil hectares, distribuídos entre soja, milho safrinha e algodão. Para sustentar essa expansão, o grupo constituiu, em 2021, a Agropecuária Dona Hilda Ltda e a Agropecuária Campo Santo Ltda, responsáveis pela titularidade das principais áreas rurais e pela condução conjunta das atividades agrícolas.

    Quais empresas e produtores tiveram a recuperação judicial deferida

    A Justiça deferiu a recuperação judicial, sob regime de consolidação processual e substancial, para as sociedades Buritis Transportes Ltda, Transportes São Pedro Ltda, Agropecuária Dona Hilda Ltda, Agropecuária Campo Santo Ltda e Dalila Lermen Ltda, além dos produtores rurais Adriana Lermen Bedin, Alexandro Lermen e Oli Baltazar Lermen.

    A decisão, no entanto, indeferiu o pedido em relação às pessoas físicas de Dalila Lermen e Patrícia Aparecida Gotardi Lermen. O juízo entendeu que ambas não comprovaram, de forma individual e robusta, o exercício pessoal da atividade rural pelo prazo mínimo de dois anos exigido pela Lei 11.101/2005. As duas seguem, contudo, vinculadas ao grupo familiar por meio das demais empresas e produtores contemplados pela medida.

    O que levou o Grupo Lermen à recuperação judicial

    Uma combinação de fatores provocou a crise econômico-financeira do Grupo Lermen. O primeiro deles foi a retração do crédito bancário a partir do final de 2022, quando instituições financeiras passaram a dificultar a renovação de operações já existentes e estrangularam o capital de giro necessário à atividade agrícola. O quadro se agravou quando uma instituição financeira bloqueou um financiamento já negociado para a construção de um armazém. Obra em que o grupo já havia investido cerca de R$ 40 milhões de recursos próprios, sem a correspondente recomposição de caixa.

    A partir de 2023, mudanças nos procedimentos de terceiros ligados à cadeia de beneficiamento do algodão geraram problemas recorrentes na classificação e comercialização do produto. As irregularidades, que incluíram manipulação de registros, divergências de volumes e falsificação de documentos, deram origem à Operação Safra Desviada, deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de Mato Grosso. A investigação apura um esquema de desvio de grãos que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 140 milhões ao Grupo Lermen.

    A safra de soja 2023/2024 somou-se aos problemas: uma estiagem severa, uma das piores da década em Mato Grosso, reduziu a produtividade e provocou perda superior a 400 mil sacas de soja para os produtores do grupo.

    Qual o valor da dívida e quem são os maiores credores

    O passivo concursal sujeito à recuperação judicial totaliza R$ 1.125.328.266,68, conforme apurado na decisão que deferiu o processamento do pedido. Os autos apontam como principais credores, por volume de crédito:

    • Riza Securitizadora S.A. (atual denominação de Virgo Companhia de Securitização) — aproximadamente R$ 80 milhões
    • São Pedro Agropecuária e Participações Ltda — aproximadamente R$ 79,1 milhões
    • Banco Santander (Brasil) S.A. — aproximadamente R$ 77,1 milhões
    • Banco John Deere S.A. — aproximadamente R$ 76,4 milhões
    • Origeo Comércio de Produtos Agropecuários S.A. — aproximadamente R$ 34 milhões
    • Syngenta Proteção de Cultivos Ltda — aproximadamente R$ 33,9 milhões
    • Sagel Comércio de Cereais Ltda — aproximadamente R$ 29,3 milhões

    A dívida extraconcursal ainda não está definida

    Além do passivo concursal, os autos registram créditos de natureza extraconcursal, titularizados principalmente por instituições financeiras e fornecedoras de máquinas e equipamentos agrícolas com garantia de alienação fiduciária, caso de bancos ligados ao financiamento de tratores, colheitadeiras e implementos.

    A própria decisão que deferiu o processamento apontou, porém, inconsistências entre os valores informados pelos recuperandos e os registros contábeis do grupo, e determinou a reapresentação das listas de credores com a correta classificação de cada crédito. Por isso, o valor total consolidado da dívida extraconcursal segue indefinido nos autos e permanece sujeito à verificação da Administração Judicial.

    A recuperação judicial do Grupo Lermen tramita sob o número 1013072-04.2026.8.11.0015, na 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop/MT. A empresa SCZ – Scalzilli Administração Judicial foi nomeada administradora judicial do processo.

    Os desafios do setor e do Grupo Lermen na recuperação judicial

    O agronegócio do médio-norte de Mato Grosso, região que concentra grande parte da produção nacional de soja, milho e algodão, atravessa um momento de particular sensibilidade financeira. Juros elevados, restrição de crédito bancário para o setor rural e uma volatilidade climática cada vez mais frequente, com safras marcadas por estiagens atípicas, têm elevado o endividamento de produtores e empresas do agronegócio em todo o estado. Esse cenário torna a recuperação judicial um instrumento cada vez mais recorrente entre grupos familiares tradicionais do setor.

    A esse quadro soma-se um desafio mais recente e específico da cadeia do algodão. Episódios de fraude e desvio de produção por agentes intermediários, como os investigados na Operação Safra Desviada, expõem a fragilidade dos mecanismos de controle e certificação de qualidade em elos que os produtores rurais, muitas vezes, não conseguem fiscalizar diretamente. A tendência é que esse risco exija maior rigor contratual e rastreabilidade em todo o setor nos próximos anos.

    Para o Grupo Lermen, o principal desafio será equacionar, em um único plano de recuperação judicial, os interesses de credores financeiros, fornecedores de insumos e instituições garantidas por alienação fiduciária sobre máquinas, veículos e imóveis rurais. Ao mesmo tempo em que preserva a atividade produtiva em mais de 18 mil hectares. O grupo também precisará esclarecer, no curso do processo, as inconsistências contábeis apontadas pela perícia judicial. E regularizar a documentação de Dalila Lermen e Patrícia Aparecida Gotardi Lermen, caso pretenda incluir ambas nos efeitos da recuperação. A efetividade da reorganização dependerá, sobretudo, da apresentação de um plano de recuperação judicial consistente no prazo de 60 dias fixado pela Justiça, sob pena de convolação em falência.

    Com informações do Empresa em Crise.com
  • Fruta gigante com gosto de batata-doce e mel está conquistando o Brasil

    Fruta gigante com gosto de batata-doce e mel está conquistando o Brasil

    Uma fruta tropical de casca áspera e polpa cor de laranja avermelhada vem chamando a atenção de curiosos e nutricionistas pelo Brasil: o mamey sapote. O fruto, ainda raro nas prateleiras brasileiras, carrega um sabor descrito por quem já provou como uma mistura entre mel, batata-doce, abóbora e damasco.

    Foto: Eric Bronson/Flickr

    O mamey sapote é o fruto da árvore Pouteria sapota, nativa da América Central e do Caribe. Povos maias e astecas cultivam a fruta há séculos, e a árvore pode atingir 40 metros de altura e viver por mais de 100 anos. O fruto tem formato oval ou elíptico e carrega uma casca marrom-acinzentada e áspera, que esconde uma polpa macia, cremosa e adocicada. Uma grande semente central, não comestível, ocupa o centro da fruta.

    O tamanho impressiona: cada unidade pode pesar até 2 kg, o que torna o mamey sapote uma das frutas mais volumosas entre as espécies tropicais consumidas no continente americano.

    Vale destacar que o mamey sapote não é a mesma fruta que o sapoti (Manilkara zapota), apesar da confusão comum entre os dois nomes. Embora as duas espécies pertençam à família Sapotaceae, elas diferem em sabor, textura, tamanho e origem: o sapoti tem sabor mais suave e textura terrosa, enquanto o mamey sapote se destaca pela polpa vibrante e cremosa.

    Um sabor que lembra mel, batata-doce e abóbora

    A polpa alaranjada do mamey sapote entrega um sabor doce e encorpado, com notas que remetem a batata-doce, abóbora e damasco maduro, daí a comparação recorrente com o mel. Produtores locais na América Central costumam consumir a fruta in natura, cortada ao meio, com a semente removida. A polpa também rende receitas de geleias, pastas, conservas, vitaminas e sorvetes.

    Foto: Hans Proppe/Flickr

    Curiosamente, a semente torrada do mamey sapote entra na composição de bebidas típicas mexicanas, como o “pozol”, reforçando o aproveitamento quase integral da fruta nas culturas onde ela nasceu.

    Valor nutricional: o que 100 gramas de mamey sapote oferecem

    Cada 100 gramas de polpa fresca de mamey sapote fornecem, segundo dados da Universidade da Flórida, aproximadamente 107 calorias, 1,0 g de proteínas, 0,5 g de gorduras, 28 g de carboidratos, 1,4 g de fibras, 22 mg de cálcio, 14 mg de fósforo, 0,9 mg de ferro e 226 mg de potássio. A fruta também apresenta 60 UI de vitamina A, além de tiamina, riboflavina, niacina e 23 mg de vitamina C a cada 100 gramas.

    Estudos científicos apontam ainda a presença de compostos antioxidantes relevantes na polpa. Pesquisadores identificaram ácido gálico, catequina, polifenóis e flavonoides na fruta, além de quantidades significativas de fibra dietética e pectina. Teores que superam os encontrados em frutas como cereja e framboesa.

    Benefícios que despertam interesse de nutricionistas

    A combinação nutricional do mamey sapote atrai a atenção de profissionais de saúde por diferentes frentes:

    • Fortalecimento do sistema imunológico: a vitamina C e os antioxidantes presentes na fruta contribuem para as defesas naturais do organismo.
    • Saúde digestiva: o alto teor de fibras ajuda a regular o funcionamento intestinal e favorece o controle de peso.
    • Proteção celular: a vitamina E, presente na polpa, atua como antioxidante e protege as células contra os radicais livres.
    • Metabolismo e formação de glóbulos vermelhos: a vitamina B6 desempenha papel importante nesses processos.
    • Controle da pressão arterial: o potássio contido na fruta ajuda a regular esse indicador de saúde cardiovascular.

    Pesquisadores também associam os compostos anti-inflamatórios da fruta a possíveis benefícios no alívio de quadros inflamatórios, embora esse tipo de uso ainda demande mais evidências científicas.

    Curiosidades sobre o mamey sapote

    A colheita comercial do mamey sapote concentra-se entre abril e maio, embora produtores encontrem a fruta durante praticamente todo o ano.

    Cada árvore de mamey sapote produz, em média, até 7 kg de fruta por safra.

    O México lidera a produção mundial da fruta, cultivando-a em pelo menos 15 estados do país.

    Foto: Eric Bronson/Flickr

    Além do consumo culinário, comunidades tradicionais utilizam a polpa e as sementes do mamey sapote em preparos caseiros voltados à pele e aos cabelos.

    A fruta desperta interesse crescente em países como Austrália, Israel, Filipinas, Vietnã, Espanha e Venezuela, que já testam seu cultivo fora da América Central.

    O baixo teor de acidez da polpa, com pH entre 4,5 e 6,0, explica em parte o sabor suave e adocicado da fruta.

    Onde encontrar o mamey sapote no Brasil

    A fruta ainda tem circulação restrita no país, concentrada principalmente em feiras especializadas em produtos exóticos, lojas de produtos latino-americanos e alguns viveiros que vendem mudas para cultivo doméstico em regiões de clima tropical.

    A expectativa entre produtores é de que a demanda cresça à medida que mais consumidores brasileiros conhecerem o sabor e os benefícios da fruta.

  • Mapeamento inédito revela geografia do cacau na Amazônia

    Mapeamento inédito revela geografia do cacau na Amazônia

    Um novo estudo técnico mapeou 121 mil hectares de cacau plantados nos estados do Pará e Rondônia. E traçou pela primeira vez um retrato detalhado da produção cacaueira na Amazônia brasileira. O levantamento multitemporal combina sensoriamento remoto, imagens de radar, inteligência computacional e auditoria em campo para qualificar a expansão da cultura sob a ótica da sustentabilidade, da restauração ambiental e da rastreabilidade exigida pelos mercados internacionais.

    Cacau em área de sistemas agroflorestais (SAF). Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    A equipe responsável atualizou os dados do Pará para 2024, já que o último levantamento datava de 2022. Em Rondônia, o estudo estabeleceu a primeira linha de base territorial da cacauicultura estadual. Pesquisadores cruzaram as informações geográficas do cacau com as bases do TerraClass e do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). E concluíram que o avanço do cacaueiro não derruba floresta nativa: ele ocupa principalmente pastagens e vegetação secundária já alteradas no passado.

    Pesquisadores apresentam resultados na ExpoCacau 2026

    A equipe apresentará os resultados completos em 26 de agosto, durante a ExpoCacau 2026, em Ilhéus (BA). O evento reúne mais de 6 mil participantes e cerca de 60 expositores entre produtores, técnicos, especialistas, empresas e organizações da cadeia do cacau.

    Adriano Venturieri, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e autor principal do trabalho, defende que a cacauicultura ocupa papel estratégico na Amazônia contemporânea. Segundo ele, a cultura gera renda para milhares de famílias rurais e recupera solos alterados, devolvendo produtividade a paisagens antes ocupadas por pastagens degradadas.

    Norte concentra metade da produção nacional de cacau

    Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a região Norte responde por 50% de toda a safra nacional de cacau, com produção regional de aproximadamente 148 mil toneladas em um total de 297 mil toneladas colhidas no país. O Pará lidera a produção nacional com cerca de 137,5 mil toneladas de amêndoas secas, volume que representa 46% do cacau brasileiro e 92% do total produzido na região Norte.

    Rondônia ocupa a segunda posição na região Norte e a quarta no país, com colheita estimada em 8,6 mil toneladas de amêndoas. Embora cultive uma área menor que o Pará, o estado se destaca pela eficiência técnica. Sua produtividade média supera 1.250 kg por hectare, uma das maiores do Brasil.

    Metodologia combina satélites, radar e validação em campo

    Mapear cacaueiros em meio à densa vegetação amazônica representa um desafio para a ciência geoespacial, já que as copas das plantas, especialmente em sistemas sombreados, apresentam semelhança espectral com florestas nativas ou vegetações secundárias.

    infográfico

    Para superar essa barreira, a equipe técnica estruturou uma metodologia híbrida de alta precisão, combinando imagens e dados de múltiplos satélites. Imagens com resolução de 50 centímetros permitiram identificar detalhes de meio metro no terreno, diferenciando o cacau cultivado a pleno sol daquele integrado em Sistemas Agroflorestais (SAFs).

    Para confirmar as informações extraídas das imagens, os pesquisadores realizaram expedições de campo em dez municípios das regiões da Transamazônica e Nordeste Paraense, além de municípios de Rondônia. Venturieri explica que a integração entre imagens de radar, satélites de alta resolução e validação em solo gerou informações georreferenciadas de elevada acurácia.

    Pará registra salto de 33% na área plantada

    O mapeamento de 2024 identificou 116.436 hectares cultivados com cacau no Pará, distribuídos em 61 municípios. Em comparação com a linha de base de 2022, que somava 87.309 hectares, a área cultivada cresceu 33,26%, um incremento líquido de 29.128 hectares em apenas dois anos.

    O estudo, no entanto, alerta para a composição tecnológica desse crescimento. Do total expandido entre 2022 e 2024, os produtores implantaram 63% (18.350 hectares) em sistemas de monocultivo a pleno sol. E apenas 37% (10.777 hectares) em Sistemas Agroflorestais, que consorciam o cacaueiro com espécies florestais e frutíferas.

    Venturieri pondera que ambos os sistemas fortalecem a economia rural, mas a maior expansão do cultivo a pleno sol indica que os produtores têm respondido a estímulos econômicos de curto prazo. Para o pesquisador, esse cenário reforça a necessidade de ampliar incentivos públicos para os Sistemas Agroflorestais, que garantem maior diversificação e serviços ecossistêmicos.

    A agricultura familiar sustenta a cacauicultura paraense. O mapeamento identificou 31.843 áreas produtivas, das quais 84,65% têm até 5 hectares e 74,55% não ultrapassam 50 hectares. Medicilândia lidera a produção municipal com 35.203 hectares, seguida por Uruará (17.024 hectares), Brasil Novo (10.162 hectares) e Altamira (7.301 hectares), todos no eixo da Transamazônica e Oeste do Pará. Tomé-Açu, com 6.981 hectares, se consolida como polo de referência em Sistemas Agroflorestais no nordeste paraense.

    Rondônia surge com vocação natural para agrofloresta

    Rondônia passa a contar, pela primeira vez, com um mapeamento territorial completo de sua cacauicultura. O estudo estabeleceu a linha de base estadual em 5.340 hectares cultivados em 51 municípios.

    Diferentemente do Pará, Rondônia concentra sua produção em Sistemas Agroflorestais. Nas áreas antropizadas mapeadas com cacau no estado,  que somam 5.339,83 hectares, os produtores cultivam 62% (3.310 hectares) em SAFs e 38% (2.029 hectares) a pleno sol.

    Foto: Adriano Venturieri/Embrapa

    A cacauicultura rondoniense também se apoia fortemente na agricultura familiar: o levantamento identificou 38.108 áreas produtivas, e 75% delas ocupam até 5 hectares. Jaru lidera a produção estadual com 832,13 hectares, seguido por Porto Velho (352,87 hectares), Theobroma (305,43 hectares), Ouro Preto do Oeste (297,41 hectares) e Mirante da Serra (260,28 hectares). Juntos, 11 municípios respondem por 62,6% da área cultivada no estado.

    Para Venturieri, Rondônia trilha uma trajetória singular e promissora. O mapeamento mostra que sistemas agroflorestais sob gestão da agricultura familiar sustentam mais de 60% da cacauicultura estadual. O pesquisador considera esse cenário um ativo estratégico para estruturar uma cadeia produtiva orientada por padrões socioambientais desde sua origem.

    Dados reforçam conformidade com regras ambientais internacionais

    Bases de monitoramento ambiental mostram que 96% das áreas cultivadas no Pará e 98% em Rondônia ocupam locais desflorestados antes de 2020. Venturieri destaca que essa informação ganha relevância diante da legislação da União Europeia, já que o cacau é uma commodity sujeita a controles rígidos de origem.

    O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) proíbe a importação de commodities provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. O mapeamento identificou que produtores implantaram apenas 3,9% do cacau antropizado no Pará e 2% em Rondônia em áreas desmatadas após 2021, dados que permitem aos exportadores gerenciar riscos e comprovar conformidade socioambiental.

    O levantamento ainda identificou 11.444 hectares no Pará e 148,78 hectares em Rondônia de cacau cultivado sob cobertura de florestas nativas, aproveitadas como sombreamento natural.

    Foto: Adriano Venturieri/Embrapa

    Venturieri conclui que a expansão do cacau na Amazônia não impulsiona novo desmatamento. Ela representa, segundo ele, uma solução concreta para reabilitar terras alteradas e gerar renda. O pesquisador define o mapeamento como instrumento indispensável de rastreabilidade para atender tanto à legislação brasileira quanto às exigências do mercado internacional. Para a Amazônia, ele defende que o desafio estratégico não está apenas em ampliar a área cultivada. Mas em garantir que essa expansão ocorra com qualidade territorial, sustentabilidade e competitividade.

    Vitor Stella, do CocoaAction Brasil, reforça que entender a dinâmica de expansão da cacauicultura na Amazônia ajuda a antecipar o futuro da cadeia produtiva. Segundo ele, conhecer para onde a cultura avança, em quais sistemas produtivos e sob quais condições permite identificar gargalos, orientar políticas públicas e direcionar investimentos e assistência técnica para onde são mais necessários. Stella destaca que o objetivo final é fazer a expansão do cacau acontecer de forma sustentável, com mais produtividade, conservação e geração de renda para o produtor rural.

  • Barretos: Velasco se aproxima do bicampeonato nacional da PBR

    Barretos: Velasco se aproxima do bicampeonato nacional da PBR

    João Paulo Velasco, de Paranaíta (MT), deu mais um passo rumo ao título de campeão nacional da PBR (Professional Bull Riders) 2026. Na noite deste sábado (22), o competidor venceu o 3º round da etapa Barretos ao cravar a nota 89,95 no touro Frio da Madrugada, da companhia Washington Scatolin, durante a Festa do Peão de Barretos.

    A vitória levou Velasco a 1.456 pontos na temporada. Warley Oliveira Silva ocupa a segunda posição, com 1.011 pontos, enquanto Gabriel Henrique da Silva aparece na terceira colocação, com 864 pontos.

    “Deus sempre presente na minha vida e eu não tenho palavras para agradecê-lo o tanto que eu sou abençoado, e o tanto que Ele me testa e depois me honra. Só de estar aqui é uma felicidade e vamos pegar firme nas próximas noites para conquistar o título”, declarou Velasco após a montaria.

    Outros competidores também pontuam na montaria em touros

    Sete competidores além do vencedor pontuaram na noite. Dimas Neto, de Crixás (GO), ficou em segundo lugar com 89,1 pontos no touro Consagrado, do tropeiro Wilsinho Salaroli. Gabriel Henrique da Silva, de Lagoa Formosa (MG), completou o pódio com 87,8 pontos no touro Cara Metade, da Companhia GM/5 Estrelas.

    No ranking específico da etapa Barretos, Gabriel Henrique da Silva lidera com 263 pontos. Velasco aparece em segundo, com 176,2 pontos, seguido por Dimas Neto, em terceiro, com 174,7 pontos.

    Paulistas avançam à final do Team Roping na categoria Aberta

    As classificatórias do Team Roping definiram, também neste sábado, os últimos finalistas da categoria Aberta, disputada por 11 duplas. Leonardo Boareto (Morro Agudo/SP) e Diego Raymundo Barone (São José do Rio Preto/SP) registraram o melhor tempo, 5.13, e garantiram vaga na decisão.

    Na categoria Amador, a dupla formada por Felipe Souza (Araguari/MG) e Nycollas Cestari (Itumbiara/GO) se destacou com o tempo de 7.33.

    Amazona de Barretos crava o melhor tempo dos Três Tambores Mirim

    Helena Junqueira Franco, bicampeã de Barretos, fez o melhor tempo da categoria Mirim nos Três Tambores: 17.486, com o cavalo Três Boss Im. Os irmãos Lorenzo Salvador e Tiago Salvador, de Piratininga (SP), completaram as duas primeiras colocações seguintes, com os tempos de 18.301 e 18.412.

    Na categoria Feminino, Loriane Souto Dias, de São José do Rio Preto (SP), obteve o melhor resultado, com 17.258, no cavalo Jamile Fame Hnsa. Tarcila Ferguson Mendes cravou a segunda melhor marca, 17.446.

    Americano conquista a maior nota da noite no Bareback

    O norte-americano Kelly Timberman, de Casper (WY), liderou a segunda turma do Bareback ao somar 87 pontos no cavalo Bad Bay, da companhia Pro Horse. O resultado garantiu a vaga de Timberman na grande final deste domingo (23).

    Timberman participa pela primeira vez da Festa do Peão de Barretos e escolheu o evento como uma das últimas competições antes de se aposentar das arenas, após uma trajetória marcada por títulos no rodeio dos Estados Unidos. Carlos Augusto Rosa, de Pompeia (SP), obteve a segunda melhor nota da noite, 84,50 pontos.

    Baldissera crava a melhor nota da Sela Americana

    Leandro Baldissera, de Capão Bonito (SP), liderou as montarias de Sela Americana com 85 pontos no cavalo Crazy Boy, da Pro Horse. Lucas Lopes, de Espírito Santo do Pinhal (SP), ficou com a segunda melhor nota, 73 pontos, no cavalo Texas Indian, também da Pro Horse.

    No Ranch Sorting, os competidores Evandro Luís Soldi (Taquaritinga/SP) e Cayo da Silva Alves (São Sebastião do Alto/RJ) obtiveram o melhor tempo da categoria Aberta, 36.067. Na categoria Amador, Marcelo Barbosa Vitória (Ji-Paraná/RO) e Gabriela Gil (Monte Alto/SP) lideraram com o tempo de 32.667.

    No Team Penning, a última semifinal definiu os trios que completam a lista de finalistas deste domingo (23). Na Soma 6, o trio formado por João Pedro Pereira, Lucas Hippolito Carvalho Maia e Rodrigo Rodrigues Maia — de Guaraci (SP) e Passos (MG) — cravou o tempo de 19.661. Na Soma 11, o trio mineiro de Patrocínio (MG), formado por Gustavo Borin Bartholo, Artur Abadio da Silva e Rodrigo César Samuel, registrou 21.034 e também avançou à decisão.