Autor: Luna Amaro

  • CMN amplia uso de recursos para renegociar dívidas rurais

    CMN amplia uso de recursos para renegociar dívidas rurais

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma regra que facilita a renegociação de dívidas rurais. A decisão ocorreu nesta segunda-feira (24). A medida permite que bancos e cooperativas usem recursos obrigatórios para quitar ou reduzir débitos rurais.

    Antes, as instituições só podiam utilizar esses recursos em operações contratadas originalmente com a mesma fonte. Com a mudança, os agentes financeiros ganham mais liberdade para renegociar dívidas. A exceção envolve operações vinculadas aos fundos constitucionais. A medida está relacionada à renegociação especial autorizada pela Medida Provisória 1.376/2026.

    Como funciona a mudança

    Atualmente, 31,5% dos depósitos à vista devem ser destinados ao crédito rural. Antes da nova regra, os recursos obrigatórios precisavam manter a mesma fonte da operação original. Essa exigência limitava a quantidade de dívidas que cada instituição conseguia renegociar.

    Agora, os recursos poderão liquidar ou amortizar operações originalmente contratadas com outras fontes. Segundo o Ministério da Fazenda, a regra anterior dificultava a operacionalização e o controle das renegociações. A nova regra, portanto, amplia as possibilidades de atuação das instituições financeiras.

    Renegociações terão limite de 40%

    Apesar da flexibilização, os agentes financeiros terão um limite para usar os recursos obrigatórios. As instituições poderão destinar até 40% da exigibilidade do ano-safra para renegociações. A exigibilidade corresponde à parcela dos recursos que os bancos devem direcionar para determinadas modalidades de crédito.

    O teto busca evitar que grande parte dos recursos destinados ao crédito rural seja usada no refinanciamento. Assim, o governo pretende preservar recursos para novos empréstimos aos produtores rurais.

    Juros variam conforme as perdas

    As renegociações poderão utilizar recursos direcionados não controlados ou recursos livres não controlados. As operações deverão respeitar as taxas previstas para as renegociações. Os juros ficarão entre 5% e 12% ao ano, conforme o nível de perdas comprovado pelo produtor rural.

    Portanto, a taxa poderá variar entre os produtores. A situação de cada produtor e a comprovação das perdas influenciarão as condições da renegociação.

    Mais instituições podem participar

    A medida também pode ampliar o número de instituições financeiras habilitadas a renegociar dívidas rurais. Em 14 de agosto, o Ministério da Fazenda distribuiu R$ 25,8 bilhões em limites de equalização. O valor foi distribuído entre dez instituições financeiras.

    A equalização compensa instituições pela diferença entre custos de captação e juros cobrados em determinadas operações. Com a nova regra, bancos sem limites de equalização também poderão participar. Essas instituições poderão utilizar recursos obrigatórios para realizar as renegociações.

    Bancos com limites menores também ganham espaço

    A mudança também beneficia instituições que receberam limites de equalização inferiores à demanda de seus clientes. Esses bancos poderão utilizar até 40% das exigibilidades dos recursos obrigatórios. O objetivo é complementar os valores disponíveis para renegociação das dívidas rurais.

    Dessa forma, a medida aumenta a capacidade de atendimento aos produtores endividados. Ao mesmo tempo, o limite busca preservar recursos para novos financiamentos rurais.

    Objetivo é destravar renegociações

    O CMN busca facilitar a repactuação das dívidas rurais com a nova regra. A medida amplia as fontes de recursos disponíveis para essas operações. Além disso, aumenta a quantidade de instituições que podem participar das renegociações. O governo espera, assim, facilitar a reorganização dos débitos dos produtores rurais.

  • Soja sobe com demanda firme e atinge maior valor desde 2023

    Soja sobe com demanda firme e atinge maior valor desde 2023

    A soja registrou forte valorização no mercado brasileiro nos últimos dias. O movimento ocorreu diante da demanda firme e da menor oferta. Segundo o Cepea, compradores domésticos e estrangeiros aumentaram as aquisições. Além disso, vendedores reduziram a disponibilidade de lotes no mercado spot.

    Como resultado, os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e Paraná atingiram os maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

    Demanda chinesa sustenta preços da soja

    A demanda externa continua aquecida, principalmente por parte da China. No mercado brasileiro, as indústrias também intensificaram as compras. O objetivo é recompor e garantir os estoques. Enquanto isso, vendedores adotaram uma postura mais cautelosa. Assim, a menor disponibilidade de lotes sustentou as cotações no mercado spot.

    Os pesquisadores do Cepea relacionam essa cautela às incertezas sobre a oferta global da safra 2026/27. Nesse cenário, possíveis impactos do El Niño aumentam as preocupações com a produção mundial de soja. Além disso, o cenário externo também impulsionou os preços. Dessa forma, as altas internacionais reforçaram a valorização da soja no mercado brasileiro.

    Milho avança mesmo com colheita da segunda safra

    O milho também registra valorização no mercado brasileiro. O movimento ocorre apesar do avanço da colheita da segunda safra. As altas internacionais sustentam os preços. Além disso, preocupações climáticas para os próximos meses aumentam a pressão.

    No mercado brasileiro, produtores reduziram o interesse pelas negociações. A retração ocorre tanto no mercado spot quanto para entregas futuras e exportações. Nos Estados Unidos, expectativas de menor produtividade das lavouras elevaram expressivamente as cotações internacionais.

    Essa possível queda na produtividade pode reduzir a oferta global de milho. Consequentemente, o cenário dá suporte aos preços do cereal. Além disso, perspectivas desfavoráveis para a produção na União Europeia sustentam as cotações futuras.

    As incertezas relacionadas ao conflito no Mar Negro também influenciam o mercado internacional de milho.

    Vendedores seguram oferta e compradores elevam propostas

    Segundo pesquisadores do Cepea, as preocupações com a oferta aumentam a cautela dos vendedores. Ao mesmo tempo, muitos aguardam valorizações mais expressivas antes de negociar maiores volumes. Por isso, vendedores limitam a quantidade de milho disponível para comercialização.

    Enquanto isso, compradores demonstram necessidade de elevar os valores oferecidos. O objetivo é recompor os estoques nas próximas semanas. Assim, a combinação entre menor oferta, demanda por reposição e cenário externo mantém os preços do milho sustentados no Brasil.

  • Agro emprega 27,79 milhões no primeiro trimestre

    Agro emprega 27,79 milhões no primeiro trimestre

    O agronegócio brasileiro empregou 27,79 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2026.
    O número representa uma queda de 1% na comparação anual. A redução corresponde a 267.298 trabalhadores a menos no período. Os dados são do Cepea, em parceria com a CNA.

    A retração ocorre após uma sequência de recordes na ocupação do agronegócio brasileiro. Além disso, o movimento acompanhou a redução registrada no mercado de trabalho nacional.

    Agronegócio representa 25,73% da população ocupada

    No primeiro trimestre, os trabalhadores do agronegócio representaram 25,73% da população ocupada brasileira. O percentual ficou abaixo dos 26,33% registrados um ano antes. Também houve queda em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a participação alcançou 26,03%.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado de trabalho brasileiro registrou taxa de desocupação de 6,1% no período.

    Agrosserviços lideram queda na ocupação

    Os agrosserviços concentraram a maior redução entre os segmentos do agronegócio. O setor perdeu 307.994 trabalhadores, uma queda de 2,9%. Na sequência, as agroindústrias registraram redução de 3,1%. O segmento perdeu 148.527 trabalhadores no período.

    Já o setor de insumos apresentou queda de 1,2%, com redução de 3.756 trabalhadores. Por outro lado, o segmento primário apresentou crescimento de 2,5%. O avanço acrescentou 189.979 trabalhadores ao mercado de trabalho. Assim, o crescimento do segmento primário amenizou parcialmente a queda total da ocupação no agronegócio.

    Trabalho por conta própria cresce

    Entre as categorias profissionais, o número de empregados sem carteira caiu 3,6%. A redução correspondeu a 147,4 mil pessoas. Os empregados com carteira assinada também recuaram 1,2%. Nesse caso, a queda alcançou 115,8 mil trabalhadores. O número de empregadores diminuiu 5,2%, com redução de 55,8 mil pessoas. Além disso, os trabalhadores familiares auxiliares recuaram 5%, ou 68,5 mil pessoas.

    Em contrapartida, os trabalhadores por conta própria cresceram 1,8%. O aumento acrescentou aproximadamente 120,2 mil pessoas ao grupo. Segundo o Cepea, esse avanço amenizou parcialmente a retração das demais categorias. Porém, o crescimento não impediu a queda da ocupação total.

    Agronegócio aumenta participação de trabalhadores com ensino superior

    O nível de escolaridade também apresentou mudanças no primeiro trimestre de 2026. O número de trabalhadores sem instrução caiu 1,4%. Isso representa uma redução de aproximadamente 16 mil pessoas.

    Entre trabalhadores com ensino fundamental, a queda chegou a 1,9%. O grupo perdeu cerca de 191,4 mil pessoas. Já o número de trabalhadores com ensino médio recuou 1,1%. A redução correspondeu a aproximadamente 91,8 mil pessoas.

    Em sentido contrário, os trabalhadores com ensino superior cresceram 1,6%. O aumento representa aproximadamente 72,9 mil pessoas. Dessa forma, o agronegócio manteve o avanço relativo dos trabalhadores mais escolarizados. O movimento dá continuidade à elevação da escolaridade média do setor nos últimos anos.

    Participação das mulheres avança no agronegócio

    O número de homens ocupados no agronegócio caiu 1,2%. A retração correspondeu a aproximadamente 203,4 mil trabalhadores. Entre as mulheres, a queda foi menor e alcançou 0,5%. O resultado representa uma redução de cerca de 63,9 mil trabalhadoras.

    Embora ambos os grupos tenham registrado queda na ocupação, as mulheres tiveram uma retração menos intensa. Com isso, a participação feminina na força de trabalho do agronegócio avançou novamente. Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento mantém a tendência observada nos últimos anos.

     

     

     

     

     

     

     

     

  • Soja e carne bovina impulsionam exportações de Goiás

    Soja e carne bovina impulsionam exportações de Goiás

    O agronegócio manteve papel central no comércio exterior de Goiás no primeiro semestre de 2026. Impulsionado pela soja e pela carne bovina, o estado registrou superávit comercial de US$ 4,21 bilhões. Entre janeiro e junho, Goiás exportou US$ 7,06 bilhões, alta de 4,47% sobre o mesmo período de 2025.

    As importações somaram US$ 2,85 bilhões, crescimento de 5,72%. Assim, a corrente comercial superou US$ 9,9 bilhões. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) produziu os dados, analisados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fieg. O levantamento aponta alta de 4,83% na movimentação total do comércio exterior goiano.

    Goiás ocupa oitava posição nas exportações

    Goiás ocupou a oitava posição entre os estados brasileiros em volume de exportações. As vendas externas goianas representaram 3,82% do total exportado pelo Brasil no período. Nas importações, Goiás ficou na 11ª posição, com participação de 2% no total nacional.

    Soja lidera pauta exportadora de Goiás

    A soja em grão continuou como principal produto da pauta exportadora de Goiás. O produto respondeu por 43,07% de todas as vendas externas realizadas pelo estado no semestre. A participação, porém, ficou abaixo dos 49,35% registrados no mesmo período de 2025. Ainda assim, a soja manteve posição central no resultado da balança comercial goiana.

    A força do agronegócio também aparece nas exportações de carne bovina. As vendas de carne bovina desossada congelada cresceram 29,50% e alcançaram US$ 943,9 milhões. O resultado reforça a importância da cadeia pecuária entre os principais segmentos exportadores de Goiás.

    Além disso, outros produtos ampliaram sua participação na pauta estadual. Os concentrados de cobre registraram crescimento de 113,85% e movimentaram US$ 376,4 milhões no semestre. Mesmo assim, o complexo agropecuário continua como principal sustentação das exportações goianas.

    Municípios do agro lideram exportações

    A concentração das vendas externas em municípios ligados à agropecuária também evidencia a força do setor. Rio Verde liderou o ranking estadual de exportações, com US$ 1,886 bilhão. O município respondeu por 26,72% de todas as vendas de Goiás ao mercado internacional no primeiro semestre.

    Jataí ocupou a segunda posição, com US$ 596,3 milhões em exportações. Na sequência, Mozarlândia registrou US$ 393,1 milhões em vendas externas. O município apresentou crescimento de 34,13% em relação ao primeiro semestre de 2025.

    Os três municípios possuem forte relação com cadeias do agronegócio e sustentam parte das exportações goianas. A produção agropecuária movimenta diferentes regiões de Goiás por meio das commodities agrícolas e proteínas animais. Além disso, a liderança de Rio Verde, Jataí e Mozarlândia reforça essa distribuição territorial.

    China amplia compras de produtos goianos

    A China permaneceu como principal parceiro comercial de Goiás no primeiro semestre. As exportações destinadas ao país asiático somaram US$ 770,8 milhões, alta de 40,64% sobre 2025. O mercado chinês respondeu por 10,92% de todas as vendas externas realizadas pelo estado.

    A relação ganha importância diante da concentração da pauta goiana em produtos agropecuários e commodities. O crescimento das compras chinesas contribuiu para o resultado positivo das exportações no semestre. Ao mesmo tempo, o relatório do CIN aponta elevada dependência desse mercado.

    A China também liderou as importações realizadas por Goiás no período. O país respondeu por 27,08% de tudo que o estado comprou no exterior. As importações chinesas também registraram crescimento superior a 40%.

    Junho registra maior crescimento no semestre

    Junho apresentou o maior crescimento do comércio exterior goiano durante o primeiro semestre. As exportações avançaram 15,87%, enquanto as importações cresceram 29,29%. Segundo o CIN, as compras envolveram máquinas, equipamentos, insumos industriais e produtos químicos.

    Março apresentou o movimento oposto e concentrou as maiores retrações do período. As importações caíram 10,50%, enquanto as exportações recuaram 15,15%. A queda nas vendas externas refletiu, entre outros fatores, a sazonalidade das exportações do complexo da soja. As oscilações nos embarques de commodities minerais também influenciaram o resultado.

    Assim, o calendário de produção e comercialização do agronegócio influencia o desempenho mensal da balança comercial. Mesmo com oscilações, Goiás encerrou o semestre com crescimento das exportações e superávit superior a US$ 4 bilhões. A soja e a carne bovina tiveram papel determinante nesse resultado.

    Goiás mantém superávit em julho

    Em julho, Goiás manteve saldo positivo no comércio exterior, com superávit de US$ 769,2 milhões. As exportações somaram US$ 1,4 bilhão, alta de 4,6% sobre julho de 2025. As importações alcançaram US$ 596,7 milhões, enquanto a corrente comercial chegou a US$ 2 bilhões.

    Com esse resultado, Goiás manteve a oitava posição nacional em exportações no mês. As vendas externas do estado representaram 4,3% do total brasileiro. Apesar do avanço das exportações, o superávit ficou abaixo dos resultados registrados em julho de 2023, 2024 e 2025.

    A China também permaneceu como principal parceiro comercial de Goiás em julho. O resultado prolonga uma relação relevante para o agronegócio e para a economia estadual. A pauta exportadora goiana continua sustentada pela produção agropecuária. Enquanto isso, novos produtos buscam ampliar sua participação no comércio exterior do estado.

  • El Niño pode elevar preços dos alimentos em até 20%

    El Niño pode elevar preços dos alimentos em até 20%

    O El Niño pode encarecer os alimentos no Brasil e pressionar a inflação nos próximos meses. Segundo estudo do Rabobank, os preços podem atingir o pico até seis meses após choques climáticos. O banco desenvolveu um modelo matemático com base no histórico do fenômeno climático no Brasil.

    Hortaliças e carnes devem sofrer maior impacto

    Os alimentos in natura, como carnes e hortaliças, tendem a registrar as maiores altas. Em um El Niño forte, essa categoria pode acumular aumento de 19,9%. No mesmo cenário, os preços da alimentação no domicílio avançariam 6,32%. Já em um El Niño moderado, as altas chegariam a 13,4% e 2%, respectivamente.

    As hortaliças respondem mais rapidamente aos impactos climáticos devido aos ciclos curtos de produção. Assim, problemas climáticos podem reduzir a oferta e pressionar os preços em pouco tempo.

    Os alimentos semi-elaborados sentem os efeitos de maneira mais gradual, principalmente pelo aumento dos custos dos insumos. Essa categoria inclui produtos como arroz e feijão, que passam por algum processamento antes do consumo.

    Por outro lado, os industrializados tendem a registrar aumentos mais moderados. Nesse caso, o preço final também depende de processamento, embalagem, transporte e comercialização.

    El Niño pode pressionar a inflação

    A intensidade e a duração dos impactos dependem da força do fenômeno climático. Além disso, as condições da safra e o cenário econômico também influenciam os resultados. Em um El Niño moderado, os preços dos alimentos in natura poderiam subir 13,4% em 12 meses. Essa alta acrescentaria cerca de 0,36 ponto percentual ao IPCA.

    Os semi-elaborados e industrializados também subiriam, mas em menor intensidade. Os aumentos seriam de 0,27% e 0,5%, respectivamente. Somados, esses efeitos acrescentariam cerca de 0,41 ponto percentual ao IPCA.

    El Niño forte teria impacto maior

    Em um El Niño forte, os preços dos alimentos in natura poderiam subir quase 20%. Sozinha, essa alta acrescentaria cerca de 0,53 ponto percentual ao IPCA. Os alimentos semi-elaborados subiriam 3,6%, com impacto de 0,20 ponto percentual.

    Já os industrializados avançariam 1,4%, acrescentando outros 0,11 ponto percentual. No total, os alimentos acrescentariam cerca de 0,83 ponto percentual ao IPCA. O impacto mais forte apareceria aproximadamente seis meses após o choque climático.

    El Niño pode atingir regiões metropolitanas

    O estudo também avaliou os possíveis efeitos do fenômeno nas principais regiões metropolitanas. Localidades com maior consumo ou produção de alimentos in natura devem sentir os impactos mais rapidamente. Nessas regiões, os preços também podem subir com maior intensidade. Em outras localidades, o repasse pode ocorrer de forma mais gradual e durar mais tempo.

    No curto prazo, os maiores aumentos podem ocorrer em Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Também estão entre as regiões mais afetadas Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém. Salvador e Recife, por outro lado, teriam impactos menores inicialmente. Segundo o relatório, essas regiões podem registrar um repasse mais gradual dos choques climáticos aos preços.

    Previsão aponta El Niño forte no fim do ano

    O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico registram aquecimento acima do normal. O fenômeno altera os padrões climáticos em diferentes regiões do mundo. Como resultado, pode provocar secas em áreas produtoras e chuvas mais intensas em outras localidades.

    O estudo comparou o Índice Oceânico Niño (ONI) com a inflação dos alimentos consumidos em casa. O ONI acompanha a intensidade do fenômeno climático a partir da temperatura do Oceano Pacífico. Valores acima de 0,5°C na média de três meses indicam El Niño moderado.

    Já temperaturas superiores a 1°C caracterizam episódios fortes. Segundo a última divulgação da NOAA, em agosto, havia 26% de probabilidade de El Niño moderado. A entidade também apontava 57% de chance de um evento forte. Além disso, havia 16% de probabilidade de um episódio muito forte. Para o fim do ano, as projeções indicavam cerca de **80% de probabilidade de El Niño forte.

  • Lula diz a Trump que tarifas contra o Brasil são infundadas

    Lula diz a Trump que tarifas contra o Brasil são infundadas

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Donald Trump nesta sexta-feira (21). O diálogo entre os presidentes durou 1 hora e 20 minutos. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa teve tom amistoso e cordial. Durante o telefonema, Lula afirmou que as alegações dos Estados Unidos para impor tarifas ao Brasil são “infundadas”.

    As novas barreiras comerciais foram definidas após investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo norte-americano citou diferentes questões para justificar as medidas comerciais contra produtos brasileiros. Entre elas, estão o desmatamento, o combate à corrupção e o funcionamento do PIX.

    Os Estados Unidos também mencionaram o mercado de etanol e supostas importações ligadas ao trabalho forçado. Segundo o Planalto, Lula rebateu integralmente esses argumentos durante a conversa com Trump. O presidente brasileiro afirmou ainda que as tarifas prejudicam as economias dos dois países.

    Por isso, Lula defendeu a continuidade das negociações como melhor caminho para as relações bilaterais. Segundo o Planalto, Trump concordou sobre a necessidade de preservar as relações comerciais entre os países. O presidente norte-americano também sugeriu uma nova reunião entre as equipes técnicas dos dois governos.Trump pediu que os representantes retomem as tratativas o mais rapidamente possível.

    Brasil oferece cooperação contra o crime organizado

    Durante a ligação, Lula também reiterou o interesse brasileiro em cooperar com Washington contra o crime organizado. O presidente explicou a visão do governo brasileiro sobre a atuação das facções criminosas. Segundo Lula, esses grupos aterrorizam diariamente as populações mais vulneráveis, mas não são organizações terroristas. O presidente afirmou que o Brasil possui instrumentos legais para combater as facções sem classificações especiais.

    O Planalto informou que Lula apresentou a estratégia de estrangulamento financeiro das organizações criminosas. Essa estratégia já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões, segundo o governo. Lula também citou o plano para transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima. Além disso, mencionou a aprovação da Lei Antifacção e uma proposta de emenda à Constituição. A PEC, atualmente em análise no Congresso, amplia a atuação da União na segurança pública. A proposta prevê atuação conjunta entre o governo federal e os estados.

    Lula também citou o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. A estrutura reúne autoridades policiais de todos os países que integram a bacia amazônica. Trump, por sua vez, demonstrou disposição para ampliar a cooperação entre os dois governos. O presidente norte-americano também indicou que funcionários de alto escalão participarão das próximas tratativas.

    Lula e Trump discutem conflitos internacionais

    Os presidentes também abordaram conflitos internacionais durante a conversa desta sexta-feira. Segundo o Planalto, Lula e Trump concordaram sobre a urgência de negociar uma saída para a guerra. O conflito entre Rússia e Ucrânia já se aproxima de cinco anos de duração.

    Trump também apresentou considerações sobre as perspectivas de solução para as tensões envolvendo o Irã. Lula, por outro lado, criticou a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O presidente brasileiro propôs uma reunião extraordinária do órgão para buscar soluções diplomáticas. A proposta já havia sido apresentada por Lula aos presidentes Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia. Segundo o Palácio do Planalto, Lula defendeu a atuação dos grandes líderes pela paz. Para o presidente brasileiro, grandes líderes devem buscar o fim dos conflitos, e não iniciar guerras.

  • Frango perde força e reduz poder de compra do avicultor

    Frango perde força e reduz poder de compra do avicultor

    O poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja recua em agosto. Este é o segundo mês consecutivo de queda. Segundo o Cepea, o movimento ocorre devido à desvalorização do frango vivo e à alta dos principais insumos.

    No início de agosto, a oferta interna elevada de frango vivo pressionou as cotações. Entretanto, os preços começaram a se estabilizar com a redução do excedente. Enquanto isso, os preços do milho e do farelo de soja avançaram no mercado.

    Segundo a Equipe de Grãos do Cepea, o farelo apresentou a alta mais expressiva. O movimento reflete a maior disputa entre consumidores internos e externos. Além disso, a valorização do dólar frente ao real influenciou os preços.

    Ovos recuam na segunda quinzena de agosto

    Após permanecerem estáveis na primeira quinzena, os preços dos ovos recuaram na segunda metade de agosto. A desaceleração das vendas, típica deste período, pressionou as cotações. Com a demanda mais fraca, atacadistas e varejistas aumentaram a pressão por descontos.

    Diante desse cenário, produtores reduziram os preços nas negociações para garantir o giro dos estoques nas granjas. No entanto, a oferta controlada em diversas praças limitou as quedas em algumas regiões. O Cepea também registrou recuos nas regiões produtoras e nos atacados dos principais centros consumidores.

  • Brasil bate recorde e exporta 3,37 milhões de toneladas de algodão

    Brasil bate recorde e exporta 3,37 milhões de toneladas de algodão

    O Brasil encerrou o ano comercial 2025/26 com recorde histórico nas exportações de algodão. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país exportou 3,37 milhões de toneladas da fibra. O volume cresceu 19% em relação ao ano comercial anterior, quando o Brasil embarcou 2,84 milhões de toneladas.

    As exportações geraram US$ 5,3 bilhões em receita no período. Os dados integram o Relatório de Safra da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O documento reúne indicadores sobre produção, exportações, mercado doméstico, oferta, demanda e cenário internacional.

     

    Pela primeira vez, o Brasil superou 3 milhões de toneladas exportadas em um único ano comercial. O resultado reforça a relevância brasileira no comércio internacional de algodão. Além disso, o desempenho consolida o país como maior exportador mundial da fibra.

    Exportações de algodão mais que dobram em quatro anos

    O crescimento ganha força quando considerado o desempenho dos últimos anos. No ano comercial 2022/23, o Brasil exportou 1,45 milhão de toneladas de algodão. Em 2023/24, os embarques avançaram para 2,68 milhões de toneladas. Já em 2024/25, o volume alcançou 2,84 milhões de toneladas. Por fim, as exportações chegaram a 3,37 milhões de toneladas em 2025/26.

    Assim, o Brasil mais que dobrou o volume exportado em quatro anos comerciais. O avanço também fortaleceu a balança comercial do setor. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o superávit do algodão alcançou US$ 5,29 bilhões. O resultado ficou 9% acima do registrado no ano comercial anterior.

    China lidera compras do algodão brasileiro

    A China terminou o ano comercial 2025/26 como principal destino do algodão brasileiro. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, os chineses compraram 770,5 mil toneladas. O volume representou aproximadamente 23% das exportações brasileiras no período. Na comparação anual, os embarques para a China cresceram 309,2 mil toneladas.

    Bangladesh também ampliou as compras da fibra brasileira. O país aumentou suas importações em 173,2 mil toneladas durante o período. Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia também permaneceram entre os principais destinos.

    A diversificação amplia a presença internacional do algodão brasileiro. Além disso, fortalece a posição do país entre os principais fornecedores mundiais.

    USDA prevê liderança brasileira nas exportações em 2026/27

    O Brasil também deve manter a liderança mundial no próximo ano comercial. Segundo o USDA, o país deve exportar aproximadamente 3,33 milhões de toneladas em 2026/27.

    Enquanto isso, os Estados Unidos devem embarcar 2,68 milhões de toneladas. O Brasil também deve ocupar a terceira posição entre os maiores produtores mundiais.

    A produção brasileira deve alcançar 3,97 milhões de toneladas na safra 2026/27.  China e Índia devem permanecer à frente do Brasil na produção mundial.

    Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, o recorde representa um marco para toda a cadeia. “Esse resultado mostra que o Brasil conquistou escala, competitividade e confiança do mercado internacional.”

    Segundo Piccoli, o país também se consolidou como fornecedor estratégico da indústria têxtil mundial. O presidente ressalta, porém, que o recorde aumenta a responsabilidade do setor.

    Por isso, a cadeia precisa continuar investindo em qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade e inovação. Além disso, Piccoli destaca a importância do relacionamento com compradores internacionais. A estratégia busca fortalecer a liderança brasileira e garantir sua sustentabilidade no longo prazo.

  • Boi gordo perde força, mas carne bovina mantém preços altos

    Boi gordo perde força, mas carne bovina mantém preços altos

    Os preços do boi gordo e da carne bovina apresentam comportamentos diferentes em agosto. Segundo o Cepea, a arroba perdeu força em São Paulo. Por outro lado, os preços da carne bovina no atacado da Grande São Paulo continuam firmes.

    De acordo com o Centro de Pesquisas, o mercado do boi gordo começou agosto ainda fortalecido. Porém, perdeu intensidade nos dias seguintes. O movimento ocorreu principalmente porque os frigoríficos reduziram a necessidade de novas compras de animais no mercado spot. Apesar desse enfraquecimento, a arroba permanece em patamares elevados.

    Suínos enfrentam período desfavorável em 2026

    O mercado independente de suínos atravessa um período de preços baixos em 2026. Até julho, o cenário provocou prejuízos aos produtores. Além disso, alguns suinocultores consultados pelo Cepea encerraram suas atividades diante das dificuldades do mercado.

    A baixa demanda agrava o cenário enfrentado pelo setor. Ao mesmo tempo, a oferta elevada de animais aumenta a disponibilidade de carne. Como consequência, as cotações do suíno vivo recuam expressivamente.

    O Cepea destacou esse cenário há duas semanas. Em julho, o suíno vivo alcançou R$ 5,18 por quilo na praça SP-5. O valor representa o terceiro menor nível de toda a série histórica da região. A praça SP-5 reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba.

    Mercado de suínos repete cenário de 2022

    Os pesquisadores avaliam que o atual cenário apresenta semelhanças com o mercado observado em 2022. Naquele ano, a praça SP-5 registrou seu pior momento em fevereiro. Na ocasião, o preço médio alcançou R$ 5,97 por quilo. O valor considera preços reais, corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026. Assim, o mercado independente de suínos enfrenta um período de forte pressão sobre preços e rentabilidade.

  • Etanol e açúcar sobem em São Paulo com oferta mais restrita

    Etanol e açúcar sobem em São Paulo com oferta mais restrita

    O mercado paulista de etanol registrou alta nos preços e maior ritmo de negociações nos últimos dias. Além disso, distribuidoras intensificaram as compras para recompor volumes e antecipar estoques. Segundo o Cepea, as usinas adotaram uma postura mais firme após sucessivas quedas nas cotações.

    A menor disponibilidade imediata em algumas unidades também contribuiu para fortalecer os preços do etanol. Ao mesmo tempo, o maior interesse comprador criou um ambiente mais favorável às negociações. O cenário externo também ajudou a sustentar a valorização do combustível no mercado paulista.

    Etanol de outros estados ganha espaço

    O mercado paulista também recebeu etanol produzido em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo pesquisadores do Cepea, esse fluxo pode ganhar força com a alta dos preços em São Paulo. Nesse cenário, a valorização amplia a janela para operações interestaduais com o combustível.

    Açúcar cristal também registra alta em São Paulo

    Os preços do açúcar cristal branco também avançaram no mercado à vista paulista. De acordo com o Cepea, as usinas mantiveram uma postura mais firme nos pedidos nos últimos dias. A oferta mais restrita no Centro-Sul sustenta esse movimento de valorização do açúcar.

    Por outro lado, os compradores demonstraram maior cautela diante da rápida alta da commodity. No mercado doméstico, o cenário de menor disponibilidade de açúcar continua se confirmando. Além disso, o mercado externo mantém os preços do açúcar demerara sustentados.

    Na Bolsa de Nova York, o açúcar segue influenciado pelas condições climáticas adversas. Essas condições atingem importantes regiões produtoras e reduzem as projeções para a produção global.