Categoria: Pecuária

  • Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Elas têm pelos longos, chifres e aparência de bicho de pelúcia. As chamadas mini vacas ganharam espaço como pets nos Estados Unidos e agora começam a mudar até a rotina de clínicas veterinárias.

    O movimento aparece principalmente em pequenas propriedades. Nesses locais, alguns bovinos deixaram de ter finalidade exclusivamente produtiva e passaram a receber cuidados semelhantes aos destinados aos animais de companhia.

    Com isso, clínicas acostumadas a cães e gatos começam a enxergar uma nova demanda. A tendência foi relatada pela Today’s Veterinary Business, publicação especializada em gestão e medicina veterinária.

    Além do potencial comercial, porém, o fenômeno exige cuidados. Especialistas alertam que tamanho reduzido não elimina as necessidades de um bovino. A seleção genética também merece atenção.

    Mini vacas começam a chegar aos consultórios

    Um dos casos relatados ocorreu no estado do Missouri. Uma bezerra Highland em miniatura apresentava uma lesão na coluna e precisava de atendimento.

    Os proprietários procuraram a Orchard Hills Veterinary Clinic em busca de uma segunda opinião. No entanto, havia uma diferença importante em relação ao manejo tradicional de bovinos destinados à produção.

    Para aquela família, a bezerra era um animal de companhia. “Este é o nosso animal de estimação. Não vamos abater o nosso pet”, disseram os proprietários durante o atendimento.

    Mini vaca em atendimento veterinário
    Foto: Todays Veterinary Business

     

    Diante da decisão, a médica-veterinária Hannah Gawf, proprietária da clínica, avaliou alternativas para tratar o animal.

    Uma das possibilidades envolvia um medicamento manipulado. Além disso, o produto poderia receber um sabor mais atrativo para facilitar sua administração.

    “Com certeza. Podemos mandar manipular um medicamento e dar a ele sabor de melaço”, afirmou Gawf à Today’s Veterinary Business.

    O caso ajuda a explicar por que algumas clínicas começam a olhar para esses bovinos de outra maneira.

    De animal de produção a pet

    Segundo Gawf, a procura por um atendimento individualizado para animais de grande porte vem crescendo. Dessa forma, os veterinários encontram proprietários dispostos a buscar alternativas que antes poderiam não fazer sentido econômico em sistemas produtivos.

    “Muitos tutores modernos estão buscando um atendimento mais compassivo e personalizado para seus animais de grande porte, em vez de uma abordagem tradicional voltada à produção”, explicou a veterinária.

    Essa mudança não envolve apenas as mini vacas. Cabras, ovelhas, aves e outros animais mantidos em pequenas propriedades também aparecem entre os novos pacientes.

    Ao mesmo tempo, nem todas as regiões possuem profissionais preparados para atender diferentes espécies. Portanto, a distância até um veterinário pode se tornar um problema para os proprietários.

    Médica veterinária com cavalos
    Foto: Todays Veterinary Business

    Nesse cenário, clínicas que ampliam os serviços conseguem atender uma demanda ainda pouco explorada.

    Highland chama atenção pela aparência

    Entre os bovinos que ganharam popularidade estão os Highlands e animais selecionados para apresentar menor porte.

    A raça Highland tem origem na Escócia. Segundo a Highland Cattle Society, entidade responsável pelo registro genealógico da raça no Reino Unido, esses bovinos se desenvolveram em condições ambientais difíceis e ficaram conhecidos pela rusticidade.

    A pelagem longa é uma de suas características mais marcantes. Além disso, os chifres ajudam a criar a aparência facilmente reconhecida nas redes sociais.

    Nos animais menores, essas características ganharam ainda mais apelo.

    Vídeos mostram bezerros sendo escovados, recebendo carinho e acompanhando seus proprietários. Consequentemente, o interesse ultrapassou o universo tradicional da pecuária.

    O crescimento já havia chamado atenção fora dos Estados Unidos. Em 2024, a emissora pública australiana ABC mostrou um criatório que registrou aumento de 30% nas vendas de Highlands em miniatura em um ano.

    Apesar da aparência, entretanto, especialistas alertam que esses animais continuam sendo bovinos.

    Mini vaca exige estrutura adequada

    O tamanho reduzido não significa que uma mini vaca possa ser criada nas mesmas condições de um cachorro.

    O animal precisa de espaço, água limpa, alimentação adequada e cercas capazes de garantir segurança. Além disso, a propriedade deve oferecer estrutura para o manejo veterinário.

    Outro ponto importante é o tamanho adulto.

    Um bezerro pequeno não necessariamente permanecerá com aquelas dimensões. Por isso, avaliar somente a aparência nos primeiros meses pode levar compradores a conclusões erradas.

    Nesse sentido, conhecer os pais e o histórico do animal ajuda a estimar seu desenvolvimento.

    Da mesma forma, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário continuam necessários. O manejo também deve considerar idade, condição corporal, alimentação e ambiente.

    Genética das mini vacas preocupa especialistas

    Além dos cuidados de rotina, a popularidade dos bovinos menores trouxe uma discussão sobre genética.

    A professora Imke Tammen, da Sydney School of Veterinary Science, da Universidade de Sydney, alertou para variantes genéticas associadas à condrodisplasia em alguns bovinos comercializados como miniatura.

    A condrodisplasia afeta o desenvolvimento de cartilagens e ossos. Portanto, dependendo da variante genética e do cruzamento realizado, podem surgir problemas importantes para a saúde dos animais.

    “Se um animal herdar duas cópias do gene, isso resulta em uma manifestação muito mais grave, e eles frequentemente nascem mortos”, explicou Tammen à ABC.

    Por isso, a procedência ganha importância no momento da compra.

    Criadores responsáveis precisam acompanhar características genéticas e evitar cruzamentos que aumentem o risco de problemas hereditários. Além disso, selecionar animais apenas pelo menor tamanho pode comprometer o bem-estar.

  • Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    O Ministério Público Federal (MPF) adiou para janeiro de 2027 o início de uma nova etapa de controle da origem do gado comercializado por frigoríficos na Amazônia.

    A medida amplia o alcance do TAC da Carne Legal para os chamados fornecedores indiretos, propriedades que vendem bovinos a fazendas que, posteriormente, fornecem os animais aos frigoríficos.

    A mudança busca aumentar a rastreabilidade da cadeia bovina e identificar gado proveniente de propriedades com irregularidades socioambientais, como desmatamento ilegal, embargos ambientais ou sobreposição com áreas protegidas.

    O cronograma inicialmente divulgado pelo MPF previa o início da contabilização dessas operações em julho de 2026. A implementação, porém, foi prorrogada em seis meses para ampliar o período de adaptação dos produtores e frigoríficos.

    O que são fornecedores indiretos de gado?

    O foco inicial será nos chamados fornecedores indiretos de primeiro nível.

    São propriedades rurais que movimentaram bovinos ou bubalinos para um fornecedor direto nos 24 meses anteriores à aquisição do lote pelo frigorífico.

    Na prática, o fornecedor direto é a fazenda que vende os animais ao frigorífico. Já o indireto aparece em uma etapa anterior da cadeia, fornecendo animais para essa propriedade.

    Esse elo é considerado um dos principais desafios para a rastreabilidade da pecuária porque um bovino pode passar por diferentes propriedades entre as fases de cria, recria e engorda antes de chegar ao abate.

    Como será feito o controle?

    O sistema deverá cruzar informações relacionadas à movimentação e à situação socioambiental das propriedades rurais.

    Entre as bases utilizadas no controle estão informações das Guias de Trânsito Animal (GTAs), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de outras bases públicas.

    O desenvolvimento técnico da solução conta com participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras instituições que apoiam o TAC da Carne Legal.

    Pela metodologia apresentada pelo MPF, um fornecedor direto poderá receber um alerta quando tiver adquirido volume considerado significativo de animais provenientes de fornecedores indiretos em desacordo com os critérios socioambientais.

    Inicialmente, esse limite foi estabelecido em:

    • mais de 30% do total adquirido pelo fornecedor direto na janela analisada;
    • 50 cabeças de gado, quando esse número representar um limite menor.

    O protocolo prevê a redução gradual dessa tolerância ao longo da implementação do sistema.

    Controle começa de forma gradual

    A implementação não significa que os frigoríficos passarão imediatamente a bloquear produtores em janeiro de 2027.

    A primeira etapa será destinada à contabilização das movimentações entre fornecedores indiretos e diretos, criando uma base para as análises posteriores.

    Segundo o cronograma divulgado após o adiamento:

    • janeiro de 2027: início da contabilização das transações dos fornecedores indiretos;
    • janeiro de 2028: início das análises e emissão de relatórios preliminares, inicialmente informativos;
    • julho de 2028: previsão de início dos Relatórios de Alerta sobre Fornecedores Indiretos, que poderão gerar consequências comerciais para fornecedores em situação irregular.

    O calendário deve ser acompanhado porque o protocolo está sendo implantado de maneira gradual e pode receber novos ajustes.

    Frigorífico poderá bloquear fornecedor direto

    Quando as regras de bloqueio estiverem em vigor, o impacto comercial recairá inicialmente sobre o fornecedor direto.

    Caso o sistema identifique volume relevante de gado proveniente de propriedades indiretas fora dos critérios estabelecidos pelo TAC, o frigorífico poderá deixar de comprar animais daquele fornecedor até que a situação seja justificada ou regularizada.

    Entre os mecanismos previstos pelo MPF para permitir a retomada das negociações estão a comprovação de que o fornecedor indireto voltou a atender aos critérios socioambientais ou a apresentação de documentos e certidões que demonstrem sua regularidade na data da operação.

    TAC da Carne já controla compras diretas

    O TAC da Carne Legal estabelece compromissos socioambientais para frigoríficos que atuam na Amazônia e já é utilizado para avaliar as compras diretas de bovinos.

    As empresas participantes devem adotar mecanismos para evitar a aquisição de animais provenientes de propriedades relacionadas a desmatamento ilegal, embargos ambientais, invasão de áreas protegidas ou outras irregularidades previstas no protocolo.

    O desafio dos fornecedores indiretos é maior porque frigoríficos normalmente têm acesso direto aos dados da propriedade responsável pela venda final do animal, mas não necessariamente a todas as fazendas pelas quais o bovino passou anteriormente.

    Dados divulgados pelo próprio MPF em 2025 indicaram que frigoríficos participantes do TAC e submetidos a auditorias independentes registraram nível significativamente menor de irregularidades em comparação com empresas avaliadas por verificações automáticas.

  • Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    A aquisição de leite cru por estabelecimentos que operam sob algum tipo de inspeção sanitária chegou a 6,61 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026.

    O volume representa uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Produção Animal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A pesquisa considera estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária federal, estadual ou municipal.

    Apesar do crescimento na comparação anual, o resultado foi menor do que o observado nos três primeiros meses deste ano.

    Aquisição de leite recua frente ao primeiro trimestre

    Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a aquisição de leite apresentou queda de 2,5%.

    Nos primeiros três meses do ano, o IBGE havia registrado aquisição de aproximadamente 6,78 bilhões de litros de leite cru por estabelecimentos inspecionados.

    A diferença entre as duas comparações é importante: enquanto o setor apresentou crescimento em relação ao segundo trimestre do ano passado, houve redução na passagem de um trimestre para o outro.

    Os números fazem parte das pesquisas do IBGE sobre abate de animais, leite, couro e produção de ovos de galinha, que acompanham trimestralmente alguns dos principais segmentos da produção pecuária brasileira.

    Produção de ovos chega a 1,25 bilhão de dúzias

    A produção de ovos de galinha também apresentou crescimento no segundo trimestre de 2026.

    Segundo o IBGE, foram produzidas 1,25 bilhão de dúzias de ovos no período. O resultado corresponde a uma alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2025.

    Na comparação com os três primeiros meses de 2026, o crescimento foi mais expressivo, de 2,6%.

    No primeiro trimestre, a produção havia alcançado cerca de 1,21 bilhão de dúzias, segundo os dados divulgados anteriormente pelo instituto.

    Os resultados são preliminares e integram o acompanhamento trimestral realizado pelo IBGE sobre a atividade pecuária brasileira.

  • Boi gordo perde força, mas carne bovina mantém preços altos

    Boi gordo perde força, mas carne bovina mantém preços altos

    Os preços do boi gordo e da carne bovina apresentam comportamentos diferentes em agosto. Segundo o Cepea, a arroba perdeu força em São Paulo. Por outro lado, os preços da carne bovina no atacado da Grande São Paulo continuam firmes.

    De acordo com o Centro de Pesquisas, o mercado do boi gordo começou agosto ainda fortalecido. Porém, perdeu intensidade nos dias seguintes. O movimento ocorreu principalmente porque os frigoríficos reduziram a necessidade de novas compras de animais no mercado spot. Apesar desse enfraquecimento, a arroba permanece em patamares elevados.

    Suínos enfrentam período desfavorável em 2026

    O mercado independente de suínos atravessa um período de preços baixos em 2026. Até julho, o cenário provocou prejuízos aos produtores. Além disso, alguns suinocultores consultados pelo Cepea encerraram suas atividades diante das dificuldades do mercado.

    A baixa demanda agrava o cenário enfrentado pelo setor. Ao mesmo tempo, a oferta elevada de animais aumenta a disponibilidade de carne. Como consequência, as cotações do suíno vivo recuam expressivamente.

    O Cepea destacou esse cenário há duas semanas. Em julho, o suíno vivo alcançou R$ 5,18 por quilo na praça SP-5. O valor representa o terceiro menor nível de toda a série histórica da região. A praça SP-5 reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba.

    Mercado de suínos repete cenário de 2022

    Os pesquisadores avaliam que o atual cenário apresenta semelhanças com o mercado observado em 2022. Naquele ano, a praça SP-5 registrou seu pior momento em fevereiro. Na ocasião, o preço médio alcançou R$ 5,97 por quilo. O valor considera preços reais, corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026. Assim, o mercado independente de suínos enfrenta um período de forte pressão sobre preços e rentabilidade.

  • Exportações de carne bovina caem, mas preço maior sustenta receita

    Exportações de carne bovina caem, mas preço maior sustenta receita

    As exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em julho, após alcançarem recorde histórico no primeiro semestre de 2026. Segundo o Cepea, a queda ocorreu principalmente pela redução das compras chinesas. A China antecipou parte das aquisições nos primeiros meses do ano. Além disso, o país já preencheu 90% da cota estabelecida.

    De acordo com dados da Secex, o Brasil exportou 257,983 mil toneladas de carne bovina em julho. O volume representa uma queda de 16,83% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar disso, a receita recuou menos no período. O faturamento passou de US$ 1,66 bilhão para US$ 1,56 bilhão.

    Assim, a receita com as exportações caiu 6,02% na comparação anual. Para pesquisadores do Cepea, a diferença entre volume e receita revela um cenário importante. A carne bovina brasileira está sendo comercializada no mercado internacional por valores mais elevados.

    Exportações de carne suína recuam em julho

    As exportações brasileiras de carne suína também recuaram entre junho e julho. Segundo pesquisadores do Cepea, a queda ocorreu principalmente pela redução das compras asiáticas.

    As Filipinas lideraram esse movimento. O país representa atualmente o principal destino da carne suína brasileira no exterior.

    Conforme dados da Secex, as compras aceleraram durante todo o primeiro semestre de 2026. Por isso, as Filipinas formaram estoques maiores e reduziram a demanda em julho. Além disso, o Cepea destaca que quedas nos embarques são comuns no início do segundo semestre.

    Nos últimos dez anos, julho registrou retração nas exportações em cinco ocasiões.O movimento também ocorreu em 2025, quando diversos países asiáticos reduziram as compras. Entre eles estavam importantes parceiros comerciais, como China, Filipinas e Japão.

    Mercado externo reduz ritmo de compras

    O desempenho de julho mostra uma desaceleração nas exportações brasileiras de proteínas animais. No caso da carne bovina, a redução das vendas à China teve maior impacto.

    Entretanto, os preços internacionais mais elevados limitaram a queda da receita brasileira. Já no mercado de carne suína, o ajuste concentrou-se principalmente entre compradores asiáticos. Assim, o ritmo dos embarques no início do segundo semestre ficou mais moderado.

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  • Aprenda como calcular a área necessária para o manejo do gado confinado

    Aprenda como calcular a área necessária para o manejo do gado confinado

    Saber calcular a área necessária para o cuidado do gado é uma das necessidades básicas de um proprietário rural. O espaço disponível precisa ser suficiente para permitir a movimentação dos animais e, ao mesmo tempo, facilitar o acesso à alimentação, à água e às áreas de descanso.

    Como referência, um confinamento com 100 bovinos pode precisar de cerca de 2 mil metros quadrados, considerando uma área de aproximadamente 20 m² por animal. A conta, porém, não deve ser aplicada de maneira isolada, já que o tamanho adequado depende também das características da instalação e do sistema de manejo adotado.

    Como fazer o cálculo?

    A conta básica é simples. Basta multiplicar a quantidade de animais pela área estimada para cada bovino.

    Por exemplo, para um lote de 100 animais, o cálculo seria de 100 × 20 m², resultando em 2 mil m². Para 200 bovinos, seriam cerca de 4 mil m². Já um confinamento com 500 animais precisaria de aproximadamente 10 mil m² dentro desse mesmo parâmetro.

    Essa metragem, entretanto, corresponde à referência de espaço para os animais. O planejamento completo ainda precisa considerar as estruturas utilizadas no manejo.

    Espaço interfere no bem-estar do gado

    No confinamento, os bovinos permanecem em uma área delimitada e dependem da estrutura disponível para realizar atividades essenciais, como comer, beber água, descansar e se movimentar.

    Por isso, uma área mal dimensionada pode dificultar o manejo e aumentar problemas como a concentração de lama e dejetos, especialmente durante períodos de chuva.

    Além disso, o excesso de animais em um espaço pequeno  também pode aumentar a competição por recursos e prejudicar as condições de conforto do rebanho.

    A drenagem do terreno é outro ponto importante. Quando a água não consegue escoar adequadamente, o acúmulo de lama pode comprometer a locomoção e o descanso dos bovinos.

    Área do confinamento não é o único cálculo

    Apesar de a metragem por animal ser um dos principais parâmetros, o produtor também precisa dimensionar corretamente o acesso aos cochos e bebedouros. A disposição dessas estruturas deve permitir que os bovinos consigam se alimentar e beber água sem dificuldades.

    O sistema utilizado também influencia o espaço necessário. Instalações a céu aberto e estruturas fechadas possuem características diferentes e podem trabalhar com referências distintas de área por animal.

    Por isso, os 20 m² por bovino devem ser entendidos como uma referência de cálculo, e não como uma regra universal para todos os sistemas de confinamento.

    Como definir a área ideal?

    O primeiro passo é estabelecer quantos animais serão confinados. A partir daí, o produtor pode utilizar uma referência de área por cabeça para chegar à metragem inicial do curral.

    Depois, é necessário avaliar o terreno, a drenagem, a localização dos cochos e bebedouros e os espaços necessários para circulação e manejo. Também é importante considerar as condições climáticas da região e a possibilidade de formação de lama.

    Assim, calcular a área para o gado confinado vai além de descobrir quantos animais cabem em determinado espaço. O objetivo é criar uma estrutura que permita manejo eficiente e condições adequadas de bem-estar para o rebanho.

    Para uma referência de 20 m² por animal, a conta é direta: 100 bovinos exigem cerca de 2 mil m²; 200 animais, 4 mil m²; e 500 bovinos, aproximadamente 10 mil m². A definição final, porém, deve considerar as características específicas de cada confinamento.

  • China acelera compra de carne bovina da Argentina e já consome 50% da cota anual

    China acelera compra de carne bovina da Argentina e já consome 50% da cota anual

    A China atingiu um novo marco nas importações de carne bovina da Argentina. Segundo o Ministério do Comércio chinês, o país asiático já utilizou 50% da cota de 511 mil toneladas destinada às compras sob o regime de salvaguarda. O volume divulgado nesta quarta-feira (5) não considera as cargas que ainda estão em trânsito, cuja viagem entre os dois países leva cerca de 45 dias.

    O avanço das aquisições evidencia que a demanda chinesa continua aquecida, mesmo diante das medidas adotadas por Pequim para controlar o ritmo das importações e fortalecer a produção doméstica.

    Cota anual é menor que a registrada em 2025

    O governo chinês estabeleceu para 2026 um limite de 2,69 milhões de toneladas de carne bovina importada. O volume é inferior às 2,80 milhões de toneladas adquiridas ao longo de 2025, indicando uma estratégia para reduzir a oferta externa e ampliar o espaço para os produtores locais.

    Apesar da limitação, os números mostram que as compras seguem em ritmo acelerado. Entre janeiro e junho de 2026, a China importou 1,53 milhão de toneladas de carne bovina, resultado 17,5% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

    Demanda chinesa impulsiona preços internacionais

    O forte interesse dos importadores chineses, aliado às restrições regulatórias impostas pelo governo, já começa a provocar reflexos no mercado internacional da carne bovina.

    De acordo com relatório do Rosgan, ligado à Bolsa de Comércio de Rosário, os preços da carne bovina nos portos argentinos apresentaram valorização entre US$ 200 e US$ 300 por tonelada nas últimas semanas.

    A alta demonstra que, mesmo com o controle sobre as importações, a necessidade de abastecimento do mercado chinês continua sustentando a valorização da proteína bovina exportada pela Argentina.

    Mercado segue atento aos próximos movimentos

    A evolução das compras chinesas deverá continuar sendo acompanhada de perto pelo mercado internacional, já que o país permanece como o principal destino das exportações globais de carne bovina.

    Caso a demanda permaneça elevada ao longo dos próximos meses, analistas avaliam que os preços internacionais poderão seguir pressionados, especialmente para fornecedores estratégicos como a Argentina, um dos principais parceiros comerciais da China no segmento.

  • Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar que o Brasil seja retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida preocupa o agronegócio brasileiro, principalmente a cadeia da carne bovina, já que as novas exigências entram em vigor a partir de setembro.

    Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo atua em diferentes frentes para reverter a decisão.

    “Estamos trabalhando do ponto de vista técnico, diplomático e político para encontrar uma solução. Representantes brasileiros já participaram de reuniões com a Comissão Europeia para discutir alternativas.”

    Por que a União Europeia impôs novas exigências?

    A União Europeia informou que o Brasil não comprovou integralmente o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.

    O bloco europeu proíbe a utilização desses produtos como promotores de crescimento e exige um sistema capaz de comprovar que os animais não receberam substâncias vetadas desde o nascimento até o abate.

    Caso não haja acordo, o Brasil poderá deixar de exportar determinados produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

    Governo negocia período de transição

    O Ministério da Agricultura tenta negociar um período de adaptação para que os produtores possam atender às novas exigências sem interromper o fluxo comercial.

    Além disso, o governo avalia ampliar as restrições ao uso desses insumos em todo o território nacional, medida que hoje é aplicada principalmente às propriedades habilitadas para exportação ao mercado europeu.

    Para André de Paula, manter o Brasil entre os fornecedores da União Europeia é fundamental.

    “É inaceitável para o Brasil estar fora da lista.”

    O ministro ressaltou que o país exporta alimentos ao bloco europeu há décadas e também atende mercados considerados igualmente ou até mais rigorosos em relação às normas sanitárias.

    Setor teme impactos nas exportações

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que existe preocupação com o prazo necessário para adequação das propriedades.

    Segundo ele, comprovar todo o histórico sanitário de um bovino exige acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, processo que pode levar entre dois e três anos.

    “Hoje há risco, mas temos esperança de que o governo brasileiro consiga negociar uma transição maior para manter o fluxo comercial com a Europa.”

    Diversificação dos mercados segue como estratégia

    Enquanto negocia com a União Europeia, o governo também busca ampliar a presença da proteína animal brasileira em novos mercados.

    Entre as iniciativas está uma missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto, que poderá abrir novas oportunidades para o setor.

    Segundo André de Paula, essa estratégia reduz a dependência de compradores específicos e fortalece o agronegócio brasileiro diante de mudanças nas regras internacionais.

    Brasil mantém presença global

    O ministro destacou que o Brasil exporta produtos agropecuários para cerca de 180 países e territórios e já conquistou 664 aberturas de mercado.

    De acordo com ele, esse desempenho demonstra a competitividade da produção nacional, a qualidade da carne brasileira e a credibilidade do sistema de defesa sanitária do país.

  • Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Um novo caso de raiva bovina foi confirmado em Santa Catarina. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), o animal que morreu e teve diagnóstico positivo para a doença estava na mesma propriedade rural de Itapiranga, na região Oeste do Estado, onde um foco já havia sido registrado em julho.

    Com a nova ocorrência, o número de mortes de animais provocadas pela enfermidade em Santa Catarina em 2026 subiu para 27. O caso reforçou o alerta das autoridades sanitárias para que os pecuaristas vacinem os rebanhos e monitorem a presença de morcegos hematófagos, principais transmissores do vírus.

    Onde os casos foram registrados

    Os municípios catarinenses com ocorrências confirmadas de raiva bovina em 2026 são Pescaria Brava, com seis casos, e Chapecó, com quatro. Orleans registrou três ocorrências, enquanto Angelina, Gravatal e Itapiranga somam dois casos cada.

    Já Apiúna, Bocaína do Sul, Caçador, Criciúma, Indaial, Major Gercino, São Francisco do Sul e São José do Cedro tiveram um caso confirmado cada um.

    Doença sem cura também atinge humanos

    A raiva bovina, também chamada de raiva dos herbívoros, é uma doença viral que afeta o sistema nervoso central e não tem cura.

    Os bovinos não são os únicos animais de produção envolvidos no ciclo da doença: equinos, ovinos, caprinos e suínos, além de animais silvestres e seres humanos, também podem ser acometidos pela enfermidade.

    Como o vírus é transmitido?

    O transmissor da raiva bovina é o Desmodus rotundus, conhecido como morcego-vampiro. O animal transmite o vírus por meio da saliva durante a mordida, quando tenta se alimentar do sangue do hospedeiro. Depois da infecção, o período de incubação costuma variar entre 30 e 90 dias.

    Portanto, a principal medida de prevenção continua sendo a vacinação dos rebanhos. A Cidasc também orienta os produtores a observarem possíveis abrigos de morcegos hematófagos, como troncos ocos de árvores, cavernas, telhados e casas abandonada.

    Sintomas que merecem atenção

    Entre os principais sinais da raiva bovina em animais infectados estão a mudança de comportamento e a perda de apetite, seguidas de salivação excessiva e falta de coordenação motora. Em estágios mais avançados, o animal costuma apresentar fraqueza generalizada e dificuldade para se levantar.

    Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é isolar o animal suspeito e acionar imediatamente a Cidasc ou o serviço veterinário local.

  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.