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  • Frete agrícola: Por que os preços de transporte não param de subir?

    Frete agrícola: Por que os preços de transporte não param de subir?

    Os altos custos operacionais continuam a pressionar o mercado de transporte de produtos agropecuários no Brasil. Segundo o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) publicado nesta semana, o preço do diesel e de outros insumos logísticos impedem uma queda significativa nos valores dos fretes, mantendo as cotações em níveis elevados nas principais rotas do país.

    Mesmo com as variações naturais causadas pelo andamento da colheita da primeira safra, os valores atuais superam os registros do mesmo período do ano passado. De acordo com Thomé Guth, superintendente de Logística Operacional da Conab, o custo do combustível permanece como o fator central de sustentação desses preços altos.

    Guth ressalta que as isenções de impostos federais sobre o diesel e outras medidas do governo ajudaram a conter impactos ainda maiores, especialmente diante da instabilidade gerada por conflitos no Oriente Médio e da alta internacional do petróleo.

    Cenário nos principais estados produtores

    O comportamento do mercado de fretes varia conforme a região, mas a pressão logística é constante.

    Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o mercado operou próximo da estabilidade, mas com preços altos. O grande volume de grãos e o fluxo contínuo para exportação sustentam a demanda por caminhões nesses estados.

    Infográfico sobre fretes feito por IA

    Em Goiás, embora o preço mensal tenha caído, o custo do combustível para o transportador ainda é 15% maior do que em abril de 2025. No DF, todas as rotas pesquisadas registraram alta devido à extensão da colheita de soja.

    No Paraná, a instabilidade geopolítica global influenciou altas em rotas específicas. Já em São Paulo, o mercado registrou uma leve queda em abril, beneficiado pelas políticas de isenção fiscal do diesel, apesar da forte demanda interna.

    Norte e Nordeste apresentam variações mistas

    Na Bahia, o cenário divide-se entre altas nas praças de cultivo de verão e baixas nas de inverno. No Maranhão, o avanço da colheita de soja intensifica o transporte, mas a Conab verificou queda de preços na maioria das rotas após o governo zerar as alíquotas de PIS/Cofins e a Petrobras reforçar a oferta de diesel no estado.

    No Piauí, o aumento das exportações de soja aqueceu a demanda. Contudo, a queda no preço local do combustível compensou essa pressão, mantendo as cotações de frete estáveis no período.

    As medidas de subvenção e o alívio tributário federal seguem como peças-chave para limitar novos aumentos e garantir o abastecimento de combustível, minimizando os riscos para o escoamento da safra brasileira.

  • Governo mobiliza Conab para enfrentar gargalo histórico de silos

    Governo mobiliza Conab para enfrentar gargalo histórico de silos

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se nesta quinta-feira (28) com a diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para alinhar ações estratégicas nas áreas de armazenagem, estoques públicos e abastecimento alimentar.

    Foto: Percio Campos / Mapa
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    Foto: Percio Campos / Mapa

    A agenda envolveu modernização da infraestrutura de silos, formação de estoques reguladores, acompanhamento da safra de grãos, preços mínimos, seguro rural e cooperação humanitária internacional. Tudo isso num cenário em que o Brasil enfrenta um déficit estrutural de capacidade de armazenagem estimado em 139 milhões de toneladas.

    Um país que colhe mais do que consegue guardar

    O Brasil projeta colheita superior a 356 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo a própria Conab, o maior volume já registrado. O problema: a capacidade estática nacional atingiu 213 milhões de toneladas, crescimento de apenas 0,5% em relação a 2024, ritmo insuficiente frente ao avanço da produção de soja e milho, que cresce cerca de 6% ao ano desde 2010.

    O resultado é uma equação desfavorável: o Brasil só tem capacidade de armazenar 70% da colheita. Nos Estados Unidos, esse percentual varia entre 130% e 140%. Os americanos possuem capacidade de 615 milhões de toneladas, quase três vezes maior, com 65% dos silos dentro das fazendas. No Brasil, apenas 17% das estruturas ficam em propriedades rurais, o que aumenta a dependência de armazéns externos e pressiona a logística.

    Geografia

    O déficit não é apenas de volume, mas também geográfico. O Mato Grosso concentra a maior capacidade individual do país, com 52 milhões de toneladas, mas ainda sofre com um déficit de 51% em relação à produção de soja e milho. Em estados como Rondônia, a carência chega a 75%. No MATOPIBA, uma das principais fronteiras agrícolas, o déficit alcança até 60%, obrigando produtores a escoarem rapidamente a safra por falta de estruturas próximas.

    As consequências vão além da logística. Cerca de 10% da produção nacional de grãos é perdida durante o armazenamento, segundo a Embrapa. Ao preço médio da soja em março de 2026, esse volume representa algo próximo de R$ 14 bilhões que deixam de circular na economia.E só em ICMS, cerca de R$ 1,6 bilhão deixam de entrar nos cofres públicos.

    Fechar esse buraco tem preço. Para eliminar o déficit de 92 milhões de toneladas identificado pelo Itaú BBA, seriam necessários R$ 102 bilhões em investimentos. O custo de construção de silos também encareceu: subiu de R$ 700 por tonelada em 2019 para cerca de R$ 1.100 por tonelada em 2025.

    O que o governo faz para enfrentar o problema

    Na reunião desta quinta, André de Paula destacou o papel central da Conab na formulação de políticas públicas. “A Conab continua sendo a principal responsável pelos levantamentos de safra, custos de produção, estoques públicos e perspectivas para a agropecuária, informações que servem de base para a construção das políticas do Ministério”, afirmou.

    O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, reforçou o papel operacional da companhia em subvenções econômicas, aquisições públicas e equalização de preços. “Quando o mercado apresenta distorções que prejudicam tanto o produtor quanto o consumidor, é a Conab que atua para garantir maior equilíbrio na cadeia produtiva”, disse.

    Atualmente, os armazéns da Conab têm capacidade estática próxima de 1,7 milhão de toneladas, com cerca de 1,2 milhão de toneladas armazenadas. A companhia trabalha na modernização dessa infraestrutura e na ampliação da capacidade operacional da rede armazenadora federal.

    Medidas

    Entre as medidas concretas discutidas no encontro, está a liberação de R$ 54,3 milhões em crédito suplementar pela Casa Civil. O recurso viabiliza a antecipação da compra de milho e a formação de estoques reguladores preventivos diante dos possíveis impactos do El Niño em 2026. No Plano Safra 2025/26, o governo também destinou R$ 4,5 bilhões para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), com juros entre 8,5% e 10% ao ano. Embora especialistas do setor avaliem que taxas ideais estariam entre 6% e 6,5% ao ano, próximas às praticadas nos Estados Unidos.

    O diretor-presidente da Conab, Sílvio Isoppo Porto, ressaltou a importância do diálogo entre os dois ministérios. “A construção da política agrícola brasileira se dá de forma conjunta entre o Mapa e o MDA, especialmente na definição dos Planos Safra e nas ações de suporte ao produtor rural”, disse.

    A pauta incluiu ainda a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) para a safra de verão, o Seguro Rural e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). A Conab também apresentou sua atuação em operações de ajuda humanitária internacional, com o envio de arroz e leite em pó para a Bolívia e ações de assistência alimentar a Cuba.

  • Conab movimenta R$ 21 milhões em leilão de arroz e setor comemora

    Conab movimenta R$ 21 milhões em leilão de arroz e setor comemora

    A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) realizou nesta terça-feira (26) um leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) que negociou cerca de 119,7 mil toneladas de arroz em casca. A operação movimentou pouco mais de R$ 21 milhões em dois lotes comercializados. O volume representa parte das mais de 144 mil toneladas ofertadas.

    A Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) avaliou o resultado como positivo. O presidente da entidade, Denis Dias Nunes, afirmou que o índice de comercialização ficou entre os melhores já registrados nesse tipo de leilão. Diferentes regiões produtoras do Estado participaram da operação.

    Ágio nas negociações

    Nunes destacou que a Zona Sul do Rio Grande do Sul apresentou ágio nas negociações. O cenário reflete a expectativa do setor em relação ao mecanismo como alternativa para garantir o escoamento da produção e o acesso ao prêmio. A Federarroz avalia que a ferramenta ajuda a reduzir estoques e melhora as condições de comercialização ao produtor.

    O dirigente também ressaltou a importância do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), mecanismo utilizado principalmente nas regiões da Campanha e da Depressão Central. “O prêmio permite que a indústria pague o preço mínimo ao produtor e depois seja remunerada pelo PEP. Isso ajuda a melhorar a remuneração em um momento em que o mercado interno ainda apresenta preços abaixo do ideal”, afirmou Nunes.

    Segundo o presidente da Federarroz, os mecanismos buscam reduzir os estoques elevados de arroz, principalmente no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, apesar das críticas sobre possível interferência na dinâmica do mercado interno. “O cenário atual exige medidas de apoio ao setor para garantir liquidez e evitar maiores perdas financeiras aos arrozeiros, diante da pressão dos preços no mercado interno”, concluiu.

  • Chuvas regulares impulsionam lavouras no Brasil em maio, aponta Conab

    Chuvas regulares impulsionam lavouras no Brasil em maio, aponta Conab

    A maior regularidade das chuvas em diferentes regiões do Brasil entre os dias 1º e 21 de maio favoreceu o desenvolvimento das lavouras da safra 2025/26. O cenário contribuiu para a recuperação da umidade do solo e beneficiou culturas de verão e inverno. Isso segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    As precipitações se concentraram principalmente no norte da Região Norte, no leste do Nordeste e em áreas da Região Sul. Esse volume mais expressivo de chuvas estimulou o avanço do milho segunda safra no Pará e no Paraná. Além de viabilizar o início da semeadura do feijão e do milho terceira safra em áreas do Sealba (região que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia).

    Em Mato Grosso do Sul, parte de Mato Grosso e São Paulo, a combinação entre chuvas e temperaturas mais amenas ajudou a manter a umidade do solo e sustentou o bom desenvolvimento das lavouras.

    Por outro lado, o tempo seco predominou na região central do país, incluindo áreas do Matopiba, o que manteve a restrição hídrica, especialmente para o milho segunda safra plantado fora da janela ideal.

    Indicadores vegetativos mostram recuperação

    De acordo com a Conab, os dados espectrais indicam condições satisfatórias na maior parte das regiões produtoras. O índice de vegetação evoluiu em linha com a safra anterior em diversas áreas e, em alguns casos, já supera os níveis registrados no ciclo passado.

    Estados como Mato Grosso do Sul e Paraná apresentaram recuperação significativa desses índices, impulsionados pela melhor distribuição das chuvas ao longo de maio.

    Trigo avança com clima favorável

    Para o trigo, as condições seguem positivas no Paraná, com destaque para a redução das temperaturas, que favorece o desenvolvimento da cultura. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, o clima também mantém um ambiente adequado para o avanço das lavouras.

    Já em Goiás e Minas Gerais, o cenário exige atenção. A combinação de temperaturas elevadas e baixa umidade do solo ainda limita o desenvolvimento das plantas.

  • Mecanização impulsiona produtividade cafeeira e fortalece liderança brasileira no setor

    Mecanização impulsiona produtividade cafeeira e fortalece liderança brasileira no setor

    Hoje, 24 de maio, o Brasil celebra o Dia Nacional do Café, uma das culturas mais representativas da agricultura nacional e um dos pilares do agronegócio brasileiro. O país mantém a liderança como maior produtor e exportador mundial do grão, e os números de 2026 reforçam essa posição. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de cerca de 66 milhões de sacas na safra atual, volume 17,1% superior ao registrado em 2025.

    Essa trajetória de crescimento tem na mecanização um de seus principais motores. A combinação entre tradição no campo, diversidade de sistemas produtivos e adoção crescente de tecnologia consolidou a liderança brasileira no setor. Assim, a eficiência das máquinas se tornou decisiva para elevar a produtividade, reduzir custos operacionais e garantir mais precisão nas atividades diárias das lavouras.

    Para atender às particularidades da cafeicultura, especialmente em áreas de relevo desafiador e entrelinhas estreitas, a Massey Ferguson desenvolveu soluções compactas, robustas e eficientes. Entre os destaques estão as séries MF 3400 e MF 3300 Xtra.

    “A cafeicultura brasileira evoluiu significativamente nos últimos anos e a mecanização tem papel fundamental nesse avanço. O produtor busca máquinas que entreguem eficiência, economia e facilidade de operação, principalmente em áreas compactas. As linhas MF 3400 e MF 3300 Xtra foram desenvolvidas justamente para atender essas demandas”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.

    MF 3400: agilidade e capacidade para o cafezal

    A série MF 3400 atende operações que exigem alta capacidade de manobra em espaços reduzidos. Os modelos são cerca de 5% menores que a média do segmento e contam com raio de giro de apenas 3,1 metros, o que permite mais rapidez e menos manobras entre as ruas do cafezal. Além disso, os tratores oferecem até 25% mais capacidade de levante em relação à categoria, chegando a 3.135 kg, ampliando a versatilidade para diferentes implementos.

    Equipados com motor AGCO Power, os modelos proporcionam economia de até 12% no consumo de combustível, garantindo maior autonomia operacional. Outro diferencial é a maior cabine da categoria de tratores fruteiros, que combina conforto, ergonomia e ampla visibilidade ao longo das jornadas no campo.

    MF 3300 Xtra: compacto para o dia a dia exigente

    A série MF 3300 Xtra une dimensões compactas e robustez para enfrentar as demandas cotidianas da lavoura. O modelo possui largura ideal para transitar entre as plantas sem causar danos à cultura, sendo indicado para atividades como pulverização, roçada e preparo de solo.

    O trator conta com motor mecânico AGCO Power de três cilindros, que entrega redução de até 10% no consumo de combustível, aliando desempenho e eficiência energética. A capacidade máxima de levante chega a 2.100 kg e a manutenção preventiva simplificada contribui para ampliar em até 20% a vida útil dos componentes e do motor.

  • Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    A safra brasileira de café em 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 kg, alta de 18% em relação ao ciclo anterior, segundo o 2º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana. Se confirmado, o volume estabelecerá um novo recorde na série histórica da estatal, superando o desempenho de 2020, quando o país colheu 63,08 milhões de sacas.

    O avanço da produção reflete o ciclo de bienalidade positiva, a expansão das áreas em produção e as condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A área total destinada à cafeicultura deve crescer 3,9%, somando 2,34 milhões de hectares, dos quais 1,94 milhão já em produção e 401,7 mil em formação.

    A produtividade média nacional também apresenta recuperação relevante e deve atingir 34,4 sacas por hectare, avanço de 13% na comparação anual.

    Arábica lidera crescimento da safra

    A produção de café arábica deve somar 45,8 milhões de sacas, um salto de 28% em relação ao ano passado. O volume configura a terceira maior safra da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018.

    O desempenho reflete diretamente o efeito da bienalidade positiva, que favorece maior carga produtiva, além do clima mais regular ao longo do ciclo, especialmente em fases críticas como florada e enchimento de grãos.

    Conilon cresce com apoio da área cultivada

    Para o café conilon, a Conab projeta uma produção de 20,9 milhões de sacas, leve alta de 0,8% frente à safra anterior. O crescimento ocorre mesmo com a queda de 3,5% na produtividade média, estimada em 53,9 sacas por hectare.

    A expansão da área em produção, que deve atingir 388,22 mil hectares, sustenta o resultado positivo e compensa o recuo no rendimento das lavouras.

    Minas Gerais impulsiona produção nacional

    Minas Gerais, principal produtor de café do país, deve colher 33,4 milhões de sacas, considerando arábica e conilon. O volume representa um aumento de 29,8% em relação à safra passada.

    O estado se beneficia da bienalidade positiva e de uma melhor distribuição das chuvas, principalmente no período pré-florada, além de condições climáticas favoráveis até março, fatores que garantiram boa granação e elevaram a produtividade.

    Espírito Santo mantém estabilidade com destaque para arábica

    No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a produção total deve atingir 18 milhões de sacas, alta de 3%. O arábica lidera o crescimento, com avanço de 27,9% na produtividade e produção estimada em 4,4 milhões de sacas.

    Já o conilon deve registrar queda de 4,2%, com colheita prevista em 13,6 milhões de sacas. O recuo reflete o alto desempenho registrado em 2025 e as temperaturas abaixo da média durante o ciclo, que afetaram o desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, a produtividade segue como a segunda maior da série histórica no estado.

    Bahia, São Paulo e Rondônia ampliam produção

    Na Bahia, a safra deve crescer 5,9%, alcançando 4,7 milhões de sacas. O resultado combina clima regular, maior investimento em manejo e entrada de novas áreas em produção.

    Em São Paulo, onde predomina o cultivo de arábica, a produção pode atingir 5,9 milhões de sacas, alta de 24,6%.

    Rondônia, com produção exclusiva de conilon, deve colher 2,8 milhões de sacas, crescimento de 19,4%. O avanço resulta da renovação de lavouras com materiais clonais mais produtivos e das condições climáticas favoráveis desde o início do ciclo.

    Exportações caem no início do ano, mas devem reagir

    O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de café entre janeiro e abril de 2026, queda de 22,5% na comparação anual, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A redução reflete os baixos estoques internos, pressionados pela menor produção nos ciclos anteriores e pela demanda externa aquecida. Com a recuperação da safra, a expectativa é de retomada das exportações no segundo semestre.

    Produção global cresce, mas preços seguem sustentados

    No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de 178,8 milhões de sacas no ciclo 2025/26, alta de 2%.

    Mesmo com o avanço, os preços devem permanecer firmes, sustentados pelos baixos estoques globais e pela expectativa de crescimento de 1,3% na demanda, estimada em 173,9 milhões de sacas.

  • Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 908 no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21), estabelecendo os Preços de Liberação dos Estoques Públicos (PLE) para arroz, milho, trigo e derivados da mandioca. A medida orienta as operações de venda da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em leilões públicos até 2027.

    Os preços funcionam como referência para a intervenção do governo no mercado. Quando as cotações superarem o PLE, o governo poderá autorizar a venda de produtos dos estoques públicos para conter altas.

    A Conab executará as operações por meio de leilões no Sistema de Comercialização Eletrônica (Siscoe).

    Preços por produto e região

    O arroz em casca terá preço de liberação de R$ 78,80 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, válido até 31 de janeiro de 2027. Nas demais regiões, o valor chega a R$ 98,81 por saca de 60 kg.

    A farinha de mandioca fina beneficiada, tipos 1 e 2, terá PLE de R$ 3,01 por quilo nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com vigência até 31 de dezembro de 2026.

    Para a fécula de mandioca, o preço será de R$ 3,53 por quilo nas mesmas regiões, também válido até o fim de 2026.

    No caso do milho, o Mapa definiu valores regionalizados. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o preço será de R$ 69,39 por saca de 60 kg. No Sudeste e no Paraná, ficará em R$ 63,82. Já no Centro-Oeste e no Norte, exceto Tocantins e Pará, o valor será de R$ 48,43.

    No oeste da Bahia e nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, o milho terá PLE de R$ 58,04 por saca. Nessas regiões, os preços valem até 31 de dezembro de 2026.

    Para o restante do Nordeste, o valor será de R$ 78,37 por saca de 60 kg, com vigência entre 1º de junho de 2026 e 31 de maio de 2027.

    O trigo em grãos, tipo 1 pão, terá preço de liberação de R$ 97,01 por saca de 60 kg na Região Sul, válido entre 1º de julho de 2026 e 30 de junho de 2027.

    Regras para uso dos estoques

    A portaria estabelece que os preços do milho não se aplicam às vendas destinadas ao Programa de Venda em Balcão (ProVB), operado pela Conab.

    Além disso, quando os preços de mercado superarem o PLE, a liberação dos estoques dependerá de autorização prévia do Mapa e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A decisão também considerará a disponibilidade orçamentária e seguirá as regras da Portaria nº 523/2022.

  • Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    O mercado internacional de café ainda deve atravessar semanas de instabilidade até que a nova safra brasileira chegue de forma mais consistente aos principais destinos consumidores. A avaliação é de Alex Perk, chefe da área de café na Europa da Comexim Trade Group, durante conversa com jornalistas à margem do Seminário Nacional do Café.

    Segundo o executivo, a expectativa da empresa é de que o Brasil colha cerca de 71 milhões de sacas de 60 quilos em 2026. Desse total, aproximadamente 48 milhões de sacas devem ser de café arábica, enquanto outras 23 milhões correspondem ao conilon e robusta.

    A projeção supera os números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que revisou nesta quinta-feira (21) sua estimativa para 66,7 milhões de sacas. Conforme a estatal, a produção brasileira deve incluir 45,8 milhões de sacas de arábica e 20,9 milhões de robusta/conilon.

    Clima, eleições e logística elevam preocupação

    Apesar da perspectiva positiva para a safra brasileira, Perk alertou que o mercado segue cercado de fatores de risco. Entre eles, estão as questões climáticas, o cenário político brasileiro e os impactos no câmbio.

    “Acreditamos que a safra brasileira é muito boa, mas temos riscos climáticos pela frente, eleições no Brasil, que pode influenciar o mercado de câmbio. Enquanto vejo a produtividade brasileira muito boa, vejo riscos que não deveriam ser ignorados”, afirmou.

    Além disso, o especialista destacou que os baixos estoques globais ajudam a sustentar os preços internacionais. Nesta quinta-feira, o contrato do café arábica para julho na bolsa de Nova York avançou 1,9%, encerrando o dia cotado a US$ 2,7340 por libra-peso. Já o contrato para setembro registrou alta de 1,92%, negociado a US$ 2,6550.

    Segundo Perk, o atraso natural entre a colheita e a chegada efetiva do café brasileiro aos mercados consumidores mantém a pressão sobre as cotações.

    “Uma das razões para esse patamar elevado de preços é o baixo nível de estoque mundial. A safra brasileira ainda vai demorar alguns meses até chegar aos mercados de destino. Isso, e os riscos climáticos por vir, estão ajudando a suportar o preço no momento”, avaliou.

    Risco de geadas e impacto do El Niño

    O executivo também ressaltou que ainda é cedo para prever uma tendência definitiva para os preços internacionais. Embora o Brasil caminhe para uma safra robusta, ele acredita que o volume pode não ser suficiente para equilibrar totalmente a oferta e a demanda global.

    Além disso, Perk lembrou que o país está próximo do inverno, período que aumenta o risco de geadas em regiões produtoras. Em algumas áreas onde a colheita já começou, as chuvas também vêm desacelerando os trabalhos no campo.

    Outro ponto de atenção envolve o avanço do fenômeno climático El Niño, que pode afetar principalmente a produção de café robusta no Sudeste Asiático: “Se tivermos uma queda de produção de robusta no sudeste asiático, vai forçar a demanda para o arábica e alterar o equilíbrio. Mas precisamos esperar”, explicou.

    Guerra no Oriente Médio pressiona fretes

    O cenário logístico global também preocupa o mercado cafeeiro. Conforme Perk, a guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz elevaram em cerca de 30% os custos do frete marítimo.

    Segundo ele, o comportamento dos preços dependerá diretamente dos impactos da guerra sobre os custos globais de energia. Dessa forma, o mercado pode tanto continuar sustentando os atuais níveis de preços quanto limitar eventuais quedas provocadas pelo aumento da oferta.

    Consumo segue resiliente

    Durante o painel do seminário, Perk descartou uma possível retração relevante na demanda mundial por café. Na avaliação dele, o consumo segue resiliente, mesmo diante dos preços elevados, e mantém tendência de crescimento.

    A visão é compartilhada por Danilo Pucci, CEO da Volcafé Brasil. Participando do mesmo debate, o executivo afirmou que o consumo só se tornaria motivo de preocupação diante de uma disparada extrema nos preços, semelhante ao ocorrido recentemente no mercado de cacau.

    “A minha maior preocupação é o clima, com El Niño. E o impacto pode ser maior no robusta do que no arábica”, concluiu.

  • Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    A produção brasileira de grãos deve atingir 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 8º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 1,6% em relação ao ciclo anterior, com incremento de 5,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do sorgo.

    A soja lidera o avanço e pode atingir produção recorde de 180,1 milhões de toneladas, superando em 0,5% a estimativa anterior. Com 98,3% da área já colhida, a oleaginosa deve crescer 5% na comparação com a safra passada, o equivalente a 8,6 milhões de toneladas a mais. O resultado marca o sétimo aumento em dez ciclos consecutivos.

    O milho também mantém desempenho relevante. A primeira safra deve alcançar cerca de 28,5 milhões de toneladas, avanço de 3,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela expansão da área plantada. No total das três safras, a produção do cereal deve chegar a 140,2 milhões de toneladas, configurando o segundo maior volume da série histórica.

    A segunda safra de milho, já totalmente semeada, deve produzir 108,5 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,6%. O impacto climático em estados como Goiás e Minas Gerais explica parte da redução, apesar do aumento de 2,1% na área plantada em nível nacional.

    Sorgo como alternativa estratégica

    O sorgo desponta como alternativa estratégica no campo e pode registrar crescimento de até 23,8%, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas. A expansão da área cultivada ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde o avanço chegou a 50,7%. Em Goiás, maior produtor nacional, a produção deve superar 2,2 milhões de toneladas, alta de 40,3%.

    Segundo a Conab, a substituição do milho pelo sorgo em áreas fora da janela ideal de plantio explica o movimento. A cultura apresenta maior tolerância ao déficit hídrico e oferece versatilidade de uso, incluindo alimentação animal e produção de etanol.

    Entre os alimentos básicos, o arroz deve registrar leve queda de 0,3%, com produção estimada em 11,1 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da diminuição de 13,7% na área plantada. Ainda assim, a produtividade aumentou e alcançou 7.281 quilos por hectare, com 94,6% da área já colhida.

    A produção de feijão também deve recuar 5,2%, somando 2,9 milhões de toneladas nas três safras. A primeira safra apresentou ganho de produtividade de 4,3%, com produção próxima de 969 mil toneladas. Mesmo com a retração, a Conab descarta risco de desabastecimento no mercado interno.

    Algodão tem queda na na produção

    No algodão, a expectativa é de produção de aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao ciclo anterior, reflexo da redução de área e produtividade. Já o trigo deve somar 6,4 milhões de toneladas, com retração de 1,5 milhão de toneladas, influenciada pela menor área semeada no Rio Grande do Sul e no Paraná.

    No mercado, a demanda por milho deve crescer impulsionada pela indústria de etanol. O consumo interno tende a avançar 4,6%, alcançando 94,86 milhões de toneladas. As exportações também devem subir e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento da demanda, o estoque final deve ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas.

    Para a soja, as exportações acompanham o desempenho da safra e podem chegar a 116 milhões de toneladas, alta de 7,25% em relação à temporada anterior.

  • BNDES e Conab firmam cooperação para reduzir preço de alimentos

    BNDES e Conab firmam cooperação para reduzir preço de alimentos

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assinaram nesta segunda-feira (18) um acordo de cooperação técnica para fortalecer o setor de abastecimento alimentar no país. A parceria prevê a realização de estudos, avaliação de dados e proposição de ações para modernizar as políticas públicas existentes, com foco direto na redução do preço dos alimentos e na melhoria da logística nacional.

    A cerimônia de assinatura ocorreu na sede do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com a presença da ministra Fernanda Machiaveli. O BNDES teve representação do diretor de Planejamento e Relações Institucionais, Nelson Barbosa, e do superintendente da Área de Soluções de Infraestrutura, Ian Ramalho Guerriero. A Conab contou com a participação do diretor-presidente Sílvio Isoppo Porto e do diretor de Operações e Abastecimento, Arnoldo Anacleto de Campos.

    O que o acordo prevê

    O BNDES conduzirá os estudos com recursos próprios, no âmbito do Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). O trabalho inclui análise do sistema de abastecimento brasileiro e comparação com experiências internacionais.

    “Vamos avaliar como melhorá-lo, usando não só as referências que a gente tem aqui no Brasil, mas também experiências internacionais. Vamos analisar o que os outros países fazem e se isso pode ou não ser feito no Brasil”, explicou Nelson Barbosa.

    O banco também vai apoiar a Conab na organização de sua base de dados sobre abastecimento e armazenagem, além de mapear oportunidades de investimento público e privado. Para Barbosa, a iniciativa beneficia tanto o planejamento do próprio BNDES quanto a resiliência da política alimentar brasileira. “Isso ajuda o Brasil a ter uma política de abastecimento resiliente a choques, garantindo alimento no preço justo para toda a população”, disse.

    A ministra Fernanda Machiaveli destacou que a cooperação vai gerar ganhos concretos para a população, com atenção especial às periferias urbanas. “Teremos um olhar para os pequenos mercados nas periferias, para a nossa política de abastecimento, com o objetivo de modernizar a Conab pra que a gente tenha acesso a alimentos saudáveis em todo o país”, afirmou.

    Conab: papel estratégico no sistema alimentar brasileiro

    Criada em 1990, a Conab tem a missão de contribuir para o abastecimento, a segurança alimentar e nutricional e a geração de renda em todas as regiões do Brasil. A estatal fornece ao governo federal dados técnicos sobre produção agropecuária, previsão de safras, custos de armazenagem e indicadores de mercado. Informações que embasam a elaboração de políticas agrícolas.

    Para o diretor-presidente Sílvio Isoppo Porto, os estudos que o BNDES vai gerar serão decisivos para a construção de uma política alimentar mais robusta. “Vamos conseguir planejar uma intervenção muito concreta no sentido de reduzir o preço dos alimentos, criar uma logística mais eficiente e fazer uma mudança fundamental nos sistemas alimentares do Brasil, garantindo comida de verdade para o povo brasileiro”, declarou.

    Patrimônio imobiliário e Fundo Amazônia: outras frentes da parceria

    BNDES e Conab também mantêm um contrato separado para a requalificação de nove ativos imobiliários da estatal, localizados no Centro-Oeste. A maioria dos imóveis são armazéns em áreas que se tornaram urbanas, o que dificulta seu uso para armazenagem. O banco avaliará a vocação de cada um deles.

    Outra frente de atuação conjunta envolve o projeto Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, da Conab, custeado integralmente pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. O projeto conta com R$ 96,6 milhões, dos quais R$ 80 milhões destinam-se a apoiar a produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na Amazônia Legal. Na semana passada, a Conab divulgou a lista de inscritos habilitados para participar do programa.