O preço do trigo no mercado interno subiu na última semana. Segundo o Cepea, a valorização reflete o aumento das cotações na Bolsa de Chicago. Além disso, existe a expectativa de que o governo federal publique um edital para compra do cereal. Mesmo com a colheita em andamento e importações elevadas, os preços no Brasil registraram alta.
Em outubro, os portos brasileiros receberam 552,4 mil toneladas de trigo, o maior volume para o mês nos últimos cinco anos. No acumulado de 2024, o Brasil já importou 5,7 milhões de toneladas, a maior quantidade desde 2013.
O governo federal destinou R$ 261 milhões para comprar trigo de produtores do Rio Grande do Sul. A operação será conduzida pela Companhia Nacional de Abastecimento. Ou seja, a Conab usará os recursos para formar estoques públicos por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF). A medida visa reduzir os impactos da crise climática no Estado.
A Conab planeja adquirir até 200 mil toneladas de trigo tipo 1, voltado ao consumo humano, como na produção de pães. Atualmente, o preço do cereal no Rio Grande do Sul está em R$ 67 por saca de 60 quilos, abaixo do mínimo garantido pelo governo, que é de R$ 78,51. “O Rio Grande do Sul é prioridade, mas estamos monitorando outros Estados”, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto, em coletiva de imprensa.
O governo federal vai investir até R$ 261 milhões na compra de trigo de produtores do Rio Grande do Sul. Ou seja, a medida, executada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), busca formar estoques públicos por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF). Os recursos já foram liberados para mitigar os impactos da crise climática no Estado.
A Conab pretende adquirir até 200 mil toneladas de trigo tipo 1, destinado ao consumo humano, como a produção de pães. O preço de mercado no Estado, atualmente em R$ 67 por saca de 60 quilos, está abaixo do mínimo estabelecido pelo governo, de R$ 78,51. “O Rio Grande do Sul é prioridade, mas estamos monitorando outros Estados”, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto, durante coletiva de imprensa.
Limite de vendas e início das operações
As operações devem começar na próxima semana. Cada produtor poderá vender entre 2 mil e 3 mil sacas para a estatal. Após o anúncio das condições, os agricultores poderão entregar o trigo em armazéns credenciados. A Conab avaliará a qualidade do cereal e pagará o preço mínimo da safra. No entanto, deságios poderão ser aplicados caso o produto apresente perda de qualidade.
Objetivo estratégico e impacto no mercado
O diretor de Política Agrícola da Conab, Sílvio Porto, destacou que a operação busca estabilizar o mercado interno. O governo vai usar os estoques durante a entressafra de 2025 para reduzir a necessidade de importações. “Embora o volume seja pequeno, é fundamental para retomarmos a formação de estoques públicos”, explicou Porto.
A expectativa é que o anúncio provoque uma reação nos preços. “Se os valores subirem, os produtores podem até reduzir as ofertas de venda. No entanto, o governo está pronto para atuar caso seja necessário”, completou Porto.
As chuvas prejudicaram a safra do Rio Grande do Sul, que responde por 51% da produção nacional. Apesar disso, a estimativa é colher 4,1 milhões de toneladas, com 60% do cereal classificado como trigo tipo pão. Em contraste, no Paraná, segundo maior produtor, a colheita ocorre em melhores condições, mantendo o preço acima do mínimo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, ressaltou a importância da medida para a economia local. “Ela beneficia não apenas os diretamente afetados pelas chuvas, mas também toda a cadeia produtiva do Estado”, afirmou.
Histórico de ações da Conab
A AGF fez a última operação para trigo em 2014. No ano passado, a Conab utilizou mecanismos como Pep e Pepro para escoar 479 mil toneladas de trigo, com custo de R$ 255,7 milhões.
A nova operação reforça o compromisso do governo em garantir o abastecimento interno e apoiar os produtores diante de adversidades climáticas.
A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos mexeu com os mercados, mas os preços da soja contrariaram expectativas. Nesta quarta-feira (6/11), os contratos de soja para janeiro subiram 0,20%, encerrando a sessão a US$ 10,0375 por bushel na Bolsa de Chicago.
Dólar
O dólar disparou no exterior após a vitória do candidato republicano, movimento que geralmente pressiona as commodities agrícolas. Durante o pregão, a soja chegou a cair para US$ 9,82, mas reverteu as perdas no fechamento.
Segundo especialistas, o aumento recente nas exportações de soja dos EUA foi um fator-chave. Apesar da possibilidade de novas sanções e tarifas sobre exportações à China, os compradores asiáticos aceleraram as aquisições. Nas últimas semanas, os embarques semanais saltaram de 800 mil para mais de 2 milhões de toneladas.
Uma nova guerra comercial entre EUA e China, caso se confirme, pode favorecer o Brasil. Assim como em 2018, os chineses podem recorrer à soja brasileira. No entanto, a China já possui estoques suficientes para até dois meses, o que pode moderar o impacto no curto prazo.
Milho e trigo também registram alta
No mercado de milho, os contratos para dezembro subiram 1,85%, fechando a US$ 4,2625 por bushel. O trigo também encerrou em alta, com lotes para dezembro avançando 0,13%, para US$ 5,7325 por bushel.
A reação positiva dos grãos, mesmo com a valorização do dólar, reforça a complexidade do mercado agrícola global e os efeitos de uma possível reconfiguração comercial entre as maiores economias do mundo.
O avanço do desmatamento na Amazônia para a expansão da agropecuária tem gerado preocupações entre especialistas, que alertam que essa prática pode prejudicar o próprio setor agrícola. Uma nova pesquisa revela os impactos diretos dessa destruição nas safras de soja e milho, essenciais para a economia brasileira.
As áreas mais afetadas pelo desmatamento, incluindo o norte do Mato Grosso, Rondônia e sul do Amazonas, já enfrentam atrasos no início da estação chuvosa, crucial para o plantio da soja. Esse atraso também compromete o cultivo subsequente de milho, que depende da colheita da soja.
Pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisaram dados de 20 anos, entre 1999 e 2019, e descobriram que as regiões com maior perda de floresta apresentaram um atraso acumulado de cerca de 76 dias no início da estação chuvosa agrícola. Essas áreas também registraram uma redução de 360 mm nas chuvas e um aumento de 2,5 ºC na temperatura máxima.
O estudo, publicado no International Journal of Climatology, foi pioneiro ao isolar os efeitos do desmatamento em relação a outros fatores climáticos, como o aquecimento global e fenômenos naturais como El Niño e La Niña. O climatologista Argemiro Teixeira, responsável pela pesquisa, explica que as mudanças climáticas têm um efeito cumulativo ao longo das décadas, enquanto os impactos do desmatamento são quase imediatos. “A remoção da vegetação reduz automaticamente a umidade. As secas e os problemas enfrentados pela agricultura não são causados apenas pelas mudanças climáticas e El Niño, mas também pelo desmatamento”, afirma.
Impacto do desmatamento nas safras de soja e milho
O estudo quantificou o impacto do desmatamento nas safras de soja e milho, que dependem fortemente do início da estação chuvosa. “Quando começa a chover, os produtores plantam a soja. Se plantarem antes da chuva, podem perder tudo”, explica Teixeira. A janela para o plantio é curta, variando entre seis a sete meses; portanto, um atraso nas chuvas pode inviabilizar a segunda safra.
Teixeira também destaca que o impacto do desmatamento é regional. “Proprietários em áreas mais preservadas têm menor risco de atraso no plantio. Já aqueles em áreas degradadas enfrentam riscos maiores”, diz ele.
Além disso, mesmo propriedades que cumprem as normas do Código Florestal podem sofrer com a falta de chuvas se seus vizinhos não preservarem adequadamente a vegetação nativa. O estudo da UFMG revela que nas regiões onde 80% da floresta foi perdida, existe um risco de 58% de ocorrer uma queda no volume de chuva superior a 100 mm durante a primeira safra de soja. Para a segunda safra de milho, esse risco é de 44%, enquanto nas áreas com mais de 80% de cobertura florestal, o risco se reduz pela metade.
Teixeira alerta que essa situação pode impactar o seguro agrícola no futuro. “Os prêmios terão que ser ajustados para considerar o nível de conservação das propriedades ao conceder seguros e créditos”, opina.
Mudanças climáticas
As mudanças climáticas já têm afetado negativamente o agronegócio em todo o Brasil. De acordo com dados da Serasa Experian, houve um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial por produtores rurais. Grande parte devido às perdas nas lavouras causadas por condições climáticas adversas. Entre janeiro e setembro de 2023, foram registrados 80 pedidos, um aumento de 300% em comparação com o ano anterior.
Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou suas expectativas para a safra de soja deste ano. E reduziu a previsão inicial de 160,3 milhões de toneladas para 156,1 milhões.
Os alertas sobre a importância da floresta para as práticas agrícolas são recorrentes na comunidade científica. No entanto, decisões políticas recentes, como as alterações no Código Florestal que flexibilizaram a proteção da vegetação nativa no Brasil, não levaram em conta esses avisos cruciais.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma produção recorde de 322,47 milhões de toneladas na safra de grãos 2024/25. Ou seja, o volume representa um aumento de 8,3% em relação ao ciclo anterior, com 24,62 milhões de toneladas a mais. Além disso, se confirmado, esse será o maior resultado da história. A área plantada também deve crescer 1,9%, totalizando 81,34 milhões de hectares.
Arroz
O levantamento, divulgado nesta terça-feira (15), indica uma expansão significativa para o arroz, com alta de 9,9% na área semeada. O crescimento é notável no Centro-Oeste e Sudeste, onde o aumento chega a 33,5% e 16,9%, respectivamente. Em Mato Grosso, os produtores devem destinar 133 mil hectares para o cultivo, um salto de 39,3% em comparação ao ciclo anterior. A produção nacional de arroz pode alcançar 12 milhões de toneladas, recuperando o volume da safra 2017/18.
Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, o país poderá atingir uma das maiores safras de arroz de sua história. “Esse resultado reflete o esforço dos produtores em conjunto com as novas políticas públicas para o setor”, afirmou.
Feijão
A estimativa para o feijão também é de crescimento, com a área semeada subindo 2,3% na primeira safra, totalizando 947,3 mil toneladas. A produção total do grão deve atingir 3,26 milhões de toneladas, 0,5% acima da safra anterior.
Soja e milho
A área destinada à soja deve crescer 2,8%, mas o aumento é o terceiro menor desde 2009/10. As chuvas atrasadas no Centro-Oeste dificultaram o plantio, mas a produção está estimada em 166,05 milhões de toneladas. Para o milho, a previsão é de uma recuperação de 3,5%, com uma produção total de 119,74 milhões de toneladas.
Algodão
No caso do algodão, a área semeada deve crescer 2,9%, alcançando 2 milhões de hectares. A produção de pluma deve chegar a 3,67 milhões de toneladas.
Impactos no mercado e clima desafiam culturas de inverno
A expectativa para as culturas de inverno, como o trigo, sofreu uma redução. A produção prevista foi ajustada para 8,26 milhões de toneladas, afetada pelas condições climáticas adversas no Paraná, que enfrentou estiagem e geadas. Mesmo assim, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm cenários mais positivos.
Com o aumento da produção de arroz, os preços no mercado interno devem cair, mas os produtores ainda devem manter rentabilidade. O volume exportado pode atingir 2 milhões de toneladas, enquanto os estoques de passagem podem chegar a 840 mil toneladas.
A soja também projeta forte desempenho no mercado externo, com exportações estimadas em 105,54 milhões de toneladas, impulsionadas pela demanda da China. No mercado de milho, as exportações podem alcançar 34 milhões de toneladas, com a demanda interna aquecida pela produção de proteína animal e etanol.
A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no Brasil em 2024 está estimada em 295,1 milhões de toneladas. Isso de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor representa uma queda de 6,4% em relação à safra de 2023, que foi de 315,4 milhões de toneladas, totalizando uma redução de 20,2 milhões de toneladas. Em comparação à projeção de agosto, o número também foi revisado para baixo, com uma diminuição de 1,2 milhão de toneladas (-0,4%).
Apesar da redução na produção, a área destinada à colheita deverá crescer 1,1%. Alcançando assim 78,7 milhões de hectares, com destaque para o aumento de 3,3% na área plantada com soja e de 15,6% no algodão herbáceo. Entretanto, houve retrações significativas nas áreas de milho (-3,3%) e trigo (-11,9%).
Os principais produtos agrícolas continuam sendo arroz, milho e soja, que juntos representam 92,1% da produção total do país. Em relação a 2023, espera-se uma queda de 4,9% na produção de soja e uma redução expressiva de 11% no milho. Em contrapartida, o algodão deve registrar crescimento de 14,2% e o trigo, de 9%.
A análise regional mostra que a produção no Norte deve crescer 12,5%, enquanto todas as outras regiões apresentam quedas: Sul (-0,7%), Centro-Oeste (-9,9%), Sudeste (-15,8%) e Nordeste (-3,8%).
Mato Grosso se consolida como o maior produtor nacional de grãos, responsável por 31,1% da safra, seguido pelo Paraná (12,8%) e Rio Grande do Sul (12%).
Essas previsões fazem parte das estimativas divulgadas pelo IBGE em setembro, sendo um indicativo dos desafios que o setor agrícola brasileiro enfrentará no próximo ano, principalmente diante da retração nas culturas de milho e soja, essenciais para o agronegócio nacional.
Produção de batata e café registra variações positivas e negativas, aponta IBGE
De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de batata-inglesa no Brasil deve atingir 4,4 milhões de toneladas em 2024, um aumento de 4,3% em relação à estimativa de agosto. Minas Gerais se destaca com um crescimento de 12,9% na produção, devendo alcançar 1,6 milhão de toneladas, o que representa 35,7% da produção nacional. A primeira safra de batata deve contribuir com 39,4% do total anual, sendo estimada em 1,7 milhão de toneladas, volume estável em comparação ao mês anterior, mas 3,8% menor que em 2023.
A segunda safra, que representa 33,8% do total, foi revisada para cima, com um aumento de 11,3%, totalizando 1,5 milhão de toneladas. Já a terceira safra, responsável por 26,7% da produção nacional, deve crescer 2,6% em relação a agosto e 8,3% em comparação com 2023, com destaque para São Paulo (+24,7%) e Minas Gerais (+7,4%).
No caso do café, a produção total do país, somando-se as espécies arábica e canephora, foi estimada em 3,5 milhões de toneladas, ou 58,8 milhões de sacas de 60 kg, o que representa uma queda de 1,5% em relação ao mês anterior. A produção de café arábica deve alcançar 2,5 milhões de toneladas, com um leve declínio de 0,2% em relação a agosto, mas um crescimento de 6,2% em relação a 2023. Minas Gerais, maior produtor de café arábica no país, mantém sua participação com 70,7% do total nacional, enquanto São Paulo e Espírito Santo registraram variações positivas e negativas, respectivamente.
A produção de café arábica deve alcançar 2,5 milhões de toneladas
Para o café canephora, ou conilon, a estimativa é de 1,0 milhão de toneladas. Uma redução de 4,7% em relação a agosto, com o Espírito Santo, maior produtor dessa espécie, apresentando uma queda de 4,0% na produção.
Esses dados refletem os desafios e as variações regionais que impactam a agricultura brasileira, seja pela produtividade das lavouras de batata ou pela influência das condições climáticas sobre a colheita do café.
IBGE também revisa safra de aveia e cevada com crescimento anual, mas redução mensal
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atualizou as estimativas de produção agrícola para 2024, destacando crescimento em comparação ao ano passado, apesar de algumas retrações em relação ao mês anterior.
A produção de aveia (em grão) foi estimada em 1,2 milhão de toneladas, registrando um declínio de 1,7% em relação à estimativa de agosto. No entanto, comparada ao ano de 2023, a produção apresentou um crescimento significativo de 33,7%. Esse aumento anual é impulsionado por melhores condições climáticas em 2024. Uma vez que, no ano anterior, o clima adverso afetou as lavouras de inverno na Região Sul do Brasil. Entre os principais estados produtores temos o Rio Grande do Sul, com 947,3 mil toneladas. Isso representa uma queda de 0,9% em relação a agosto, mas alta de 62,2% em comparação a 2023. E também o Paraná, com 167,9 mil toneladas, que apresentou declínios de 10,9% em relação ao mês anterior e de 32,1% em relação ao ano anterior.
A produção de cevada em grão foi estimada em 430,1 mil toneladas. Um declínio de 8,1% em relação a agosto, mas um crescimento de 13,4% em comparação com 2023. A área plantada de cevada encolheu 11,5% no último mês, porém o rendimento médio aumentou expressivos 27,8%. As dificuldades climáticas em 2023 também influenciam os números positivos observados em 2024.
Feijão, milho e laranja: oscilações regionais afetam projeções para 2024
A produção de feijão no Brasil, considerando as três safras do grão, deve atingir 3,1 milhões de toneladas em 2024. Um leve aumento de 0,3% em relação a agosto e crescimento de 5,5% em comparação com 2023. O Paraná continua a liderar a produção, com 830,7 mil toneladas, ou 26,7% da safra nacional.
A produção de milho total foi estimada em 116,7 milhões de toneladas. Isso representa uma queda anual de 11,0%. Porém, houve um pequeno aumento de 11,8 mil toneladas em relação a agosto. A primeira safra de milho mostrou uma leve retração, enquanto a segunda safra apresentou estabilidade com 93,7 milhões de toneladas.
Por outro lado, a produção de laranja sofreu uma queda de 13,0% em relação a agosto, totalizando 13,1 milhões de toneladas. A estiagem e as altas temperaturas prejudicaram a produtividade, especialmente em São Paulo. O estado revisou para baixo suas estimativas, com uma queda de 17,2% na produção.
Esses números demonstram a complexidade e as variações regionais que afetam as principais safras do Brasil, com fatores climáticos desempenhando um papel crucial na definição dos volumes finais.
Os preços do etanol no mercado spot de São Paulo recuaram novamente na última semana. Pesquisadores do Cepea apontam que os compradores seguiram pressionando por valores menores, conseguindo sucesso em diversas negociações. Além dessa pressão, algumas usinas paulistas tiveram que escoar volumes estocados.
Preços do etanol
Entre 30 de setembro e 4 de outubro, o indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado caiu para R$ 2,4590/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), representando uma queda de 0,65% em relação à semana anterior.
O indicador do etanol anidro registrou recuo de 1,22%, fechando a R$ 2,7425/litro, também líquido de impostos. Enquanto isso, a moagem da safra 2024/25 segue para a reta final na região Centro-Sul.
Os preços do trigo no Rio Grande do Sul registraram queda significativa no início de outubro. Segundo o Cepea, além do avanço da colheita, a baixa demanda está pressionando os valores, já que muitos moinhos estão com estoques suficientes e afastados das compras no mercado spot. Ou seja, os vendedores, por sua vez, têm ajustado os preços apenas em negociações pontuais.
O abastecimento de moinhos no estado tem sido garantido, em grande parte, por importações, principalmente da Argentina e do Uruguai. Em setembro, 48,82 mil toneladas de trigo foram importadas pelo Rio Grande do Sul, conforme dados da Secex.
No total, o Brasil importou 592,13 mil toneladas do cereal no mesmo mês, o maior volume registrado para setembro desde 2016. Ou seja, de janeiro a setembro de 2024, as importações de trigo já somam 5,148 milhões de toneladas, superando em 23% o total importado em 2023.
O sistema TEMPOCAMPO da Esalq divulgou o boletim climático de setembro, revelando que a maior parte do Brasil registrou chuvas abaixo de 30 mm. Em resumo, as regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, assim como Tocantins, Pará e Amapá, foram as mais afetadas. Já no Sul, os volumes de chuva variaram entre 60 e 150 mm, sendo o Paraná o estado com os menores registros, entre 60 e 120 mm. Roraima e Rondônia acumularam entre 60 e 90 mm, enquanto no Amazonas as chuvas atingiram até 120 mm.
Armazenamento de água
Além disso, o armazenamento de água ficou abaixo de 15% em grande parte do país. As regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste foram as mais impactadas, com exceção da Região Sul, onde o Paraná e Santa Catarina registraram entre 30 e 45% de água armazenada. O Rio Grande do Sul se destacou, com armazenamento entre 45 e 60%.
Temperaturas
As temperaturas máximas em setembro também variaram bastante. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as máximas ficaram abaixo de 25°C, enquanto no Paraná atingiram até 31°C. No Sudeste, São Paulo registrou picos de até 35°C, com demais estados entre 29 e 33°C. Já no Nordeste, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco marcaram entre 27 e 31°C. No Norte, Pará e Amazonas chegaram a registrar mais de 35°C.
As mínimas seguiram o padrão típico do Sul, ficando abaixo de 15°C em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e entre 15 e 19°C no Paraná. No Sudeste, as mínimas variaram de 17 a 19°C, e no Centro-Oeste e Norte, as temperaturas mínimas oscilaram entre 21 e 25°C.
A segunda safra de milho 2023/24 foi encerrada, com resultados distintos devido às variações climáticas. A Conab reportou produtividade média de 91,52 sacas/ha e uma produção de 90,25 milhões de toneladas. Ou seja, estados como Goiás e Mato Grosso registraram boas produtividades, com chuvas bem distribuídas. No entanto, Paraná, São Paulo e Minas Gerais enfrentaram condições climáticas adversas, como falta de chuva e temperaturas elevadas, impactando a produção.
A safra de milho em Mato Grosso teve uma produtividade de 115,14 sacas/ha, levemente inferior à anterior. Já no Mato Grosso do Sul, a falta de chuvas comprometeu seriamente a produção, resultando em um dos piores desempenhos da última década, com 67,05 sacas/ha.
Para a safra 2024/25, o Sistema CNA/Senar/Cepea alerta para o planejamento cuidadoso, já que a descapitalização dos produtores pode comprometer a produtividade. No entanto, a Conab projeta uma safra promissora, com uma produtividade estimada em 95,1 sacas/ha.
Avanço do plantio de milho 2024/25
O plantio da primeira safra de milho 2024/25 já avança pelo país, com 16,2% da área semeada. No Paraná, por exemplo, 60% da área já foi plantada, com boas condições climáticas favorecendo o desenvolvimento inicial. Santa Catarina também apresentou avanço no plantio, com 22% da área semeada, beneficiada por chuvas adequadas.
Algodão e soja: fechamento de safra e início de plantio
A Conab apontou que a safra de algodão 2023/24 teve produtividade nacional de 1.879 kg/ha. No Mato Grosso, o tempo seco favoreceu a colheita, com produção recorde de 6,39 milhões de toneladas de algodão em caroço. Na Bahia, os resultados foram positivos, mesmo com a irregularidade das chuvas, registrando uma produtividade de 325,45 @/ha.
O plantio da safra de soja 2024/25 começou em Mato Grosso e Paraná. No Mato Grosso, a área plantada deve aumentar 1,47%, com previsão de alta na produtividade. Contudo, a seca e os focos de incêndio preocupam os produtores locais. No Paraná, 10% da área já foi plantada, com boas condições de umidade no solo favorecendo o desenvolvimento das lavouras.
Avanço da colheita de trigo
A colheita do trigo 2023/24 já avançou em 25,1% do território. No Paraná, 48% da área foi colhida, mas a estiagem e as geadas tardias prejudicaram parte das lavouras. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda não começou, mas as lavouras estão em fase de floração e enchimento de grãos.
Semeadura de arroz e feijão
A safra de arroz 2024/25 teve início com 3,5% da área plantada até o final de setembro, com maiores avanços em Santa Catarina. Em resumo, no Rio Grande do Sul, a expectativa é de um aumento de 11,69% na produtividade. Já o plantio do feijão está em andamento, com 8,5% da área semeada. No Paraná, os produtores já plantaram 32% da área de feijão, beneficiados pelas chuvas da segunda quinzena de setembro.
A tecnologia dos bioinsumos pode reduzir a dependência de fertilizantes importados e promover uma produção mais sustentável no Brasil. Um estudo estratégico, lançado em Brasília pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), mostrou que essa inovação pode gerar uma economia de até US$ 5,1 bilhões anuais para o agronegócio nas culturas de arroz, milho, trigo, cana-de-açúcar e pastagens.
Bioinsumos
A pesquisa, desenvolvida em parceria com a Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) e o Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos e Fibras, foi o ponto de partida do Projeto Nitro+. Em resumo, o objetivo é expandir o uso de inoculantes em gramíneas, similar ao que já ocorre com as leguminosas, como a soja. Além disso, o estudo também aponta a possibilidade de reduzir até 18,5 milhões de toneladas de emissões de CO₂ equivalente, tornando o setor agropecuário mais sustentável.
Pedro Neto, secretário de Inovação do Mapa, destacou a importância de tornar a inovação acessível a todos os agricultores. “Precisamos consolidar processos que agreguem valor ao que é produzido, independente do porte do produtor”, afirmou. Segundo ele, a parceria entre o Mapa, a ABBI, o Instituto Senai e o IICA é fundamental para aumentar a resiliência e competitividade internacional do agronegócio brasileiro.
Gabriel Delgado, representante do IICA no Brasil, reforçou a relevância da cooperação entre governo, setor privado e instituições de pesquisa. “Essa união é essencial para fortalecer a agricultura brasileira em nível nacional e internacional. O tema dos bioinsumos é uma prioridade tanto para o governo quanto para o IICA”, declarou.
O fortalecimento do ecossistema de inovação em bioinsumos, que envolve institutos de pesquisa, startups, universidades e governos estaduais, pode reduzir a dependência de fertilizantes importados. Portanto, isso contribui para uma agricultura mais resiliente e menos vulnerável a oscilações no mercado global.
Durante o evento de lançamento, três painéis discutiram o panorama dos bioinsumos no Brasil. Alessandro Cruvinel, diretor de Apoio à Inovação para a Agropecuária do Mapa, e Marcos Pupin, diretor de Assuntos Regulatórios da ABBI, apresentaram dados e perspectivas do setor. Em seguida, Luana Nascimento, pesquisadora do Instituto Senai, detalhou o estudo. O evento foi encerrado com a fala de Jorge Luiz Jardim Teixeira, da Finep, sobre apoio institucional a projetos de inovação em bioinsumos e bioeconomia.
Ou seja, a ampliação do uso de bioinsumos em gramíneas representa um passo importante para o futuro da agropecuária brasileira, reduzindo custos e impactos ambientais.
A BASF divulgou os primeiros resultados de seus ensaios no Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, mostrando que é possível reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agricultura em até 30% em comparação com práticas agrícolas convencionais. Essa meta foi estabelecida pela empresa em 2020, com o objetivo de auxiliar os agricultores na diminuição das emissões de GEE por tonelada de cultivo produzido. A redução das emissões depende de iniciativas inteligentes e adaptadas ao clima, variando conforme o tipo de cultivo e a região.
Os testes foram realizados em diversas regiões agrícolas ao redor do mundo, abrangendo cultivos estratégicos como soja, milho, arroz, trigo e canola. Os resultados obtidos entre 2021 e 2023 indicam que a diminuição das emissões de GEE requer uma combinação de práticas, produtos e tecnologias. O relatório destaca o sucesso das iniciativas implementadas, como o uso otimizado de fertilizantes por meio de sistemas digitais que auxiliam na tomada de decisões, além da aplicação de estabilizadores de nitrogênio e sementes de alto desempenho.
“A emergência climática já é uma realidade. Os métodos de cultivo precisam ser adaptados para reduzir significativamente as emissões sem comprometer a produtividade. Esse é um desafio, mas temos as soluções certas para apoiar os agricultores e tenho certeza de que, se você ama a agricultura, deve se comprometer com a sustentabilidade como nós estamos fazendo”, afirmou Marko Grozdanovic, vice-presidente sênior de Marketing Global da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF. “Os dados que obtemos de nossos ensaios de campo apoiam nosso Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, com recomendações para capacitar os agricultores a se tornarem pioneiros em mudanças positivas no clima e na natureza.”
Os ensaios também evidenciam os desafios enfrentados pelos agricultores na redução das emissões, especialmente devido a condições climáticas adversas ou impactos na produtividade. Por isso, a BASF, em parceria com outras entidades, informa que vai continuar testando estratégias agrícolas através do Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, buscando soluções práticas e inteligentes para o clima, fundamentadas em ciência e dados para agricultores em todo o mundo.
Para acessar o relatório completo e obter mais detalhes, visite o site da BASF.