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  • Brusone – fungo que ameaça produção de trigo avança no mundo

    Brusone – fungo que ameaça produção de trigo avança no mundo

    A brusone, uma doença fúngica que já afeta diversas culturas, está se tornando uma ameaça crescente para a produção de trigo no mundo, impulsionada pelas mudanças climáticas. Segundo o estudo “Production vulnerability to wheat blast disease under climate change”, publicado na Nature Climate Change, o fungo Pyricularia oryzae Triticum, causador da doença, pode afetar até 13,5 milhões de hectares de trigo globalmente, com o potencial de reduzir a produção em 13%.

    A brusone é considerada uma das doenças mais recentes e economicamente importantes para o trigo. O fungo ataca folhas e espigas, e em casos graves pode comprometer 100% da colheita. Historicamente, a doença era mais comum em regiões tropicais e subtropicais, favorecida por altas temperaturas e umidade. Contudo,Recentemente, ocorreram surtos em áreas com clima frio ou seco, como no norte de Bangladesh, onde as temperaturas mínimas aumentaram nos últimos anos.Recentemente, ocorreram surtos em áreas com clima frio ou seco, como no norte de Bangladesh, onde as temperaturas mínimas aumentaram nos últimos anos.

    No Brasil, a brusone já causou prejuízos significativos. Em 2023, por exemplo, surtos localizados ocorreram no Rio Grande do Sul devido a invernos com temperaturas mínimas acima de 15 ºC. “Com o aquecimento global e variações no regime de chuvas, o fungo encontra novos ambientes para se instalar”, alerta José Maurício Fernandes, pesquisador da Embrapa Trigo.

    Histórico de dispersão da doença

    A brusone foi registrada pela primeira vez em plantações de arroz na China, no século XVII. No trigo, surgiu em lavouras do Paraná em 1985 e rapidamente se espalhou para outras regiões do Brasil e da América do Sul. Nos anos 1990, a doença causou perdas em milhões de hectares no continente. Na Bolívia, um surto em 1996 resultou em perdas de 80%, e no Paraguai, em 2002, a produção caiu mais de 70%. No Brasil, os piores anos foram 2009 e 2012, com perdas superiores a 40% em lavouras do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

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    A Argentina, o décimo maior produtor de trigo do mundo, registrou a brusone pela primeira vez em 2007. Em 2012, a doença chegou à província de Buenos Aires, um dos principais polos de produção de trigo do país, elevando o alerta sobre a gravidade da situação. Em 2023, o Uruguai também teve seu primeiro caso.

    Fora da América do Sul, a brusone foi identificada pela primeira vez em Bangladesh, em 2016, causando perdas superiores a 30% na produção. Dois anos depois, a doença apareceu na Zâmbia, na África.

    Projeções preocupantes

    Com base em cenários de mudança climática projetados pelo IPCC, pesquisadores utilizaram modelos de simulação para prever o impacto futuro da brusone. A equipe de pesquisa usou o modelo DSSAT Nwheat, da Universidade da Flórida, para analisar variáveis como temperatura, umidade e concentração de CO2, utilizando dados históricos de 1980 a 2010 e projeções para 2040 a 2070.

    Portanto os resultados indicam que, além dos países da América do Sul, outras regiões também podem ser afetadas.  Isso inclui Estados Unidos, México, Itália, Espanha, França, Japão, China, Etiópia, Quênia, Congo, Nova Zelândia e Austrália. Em um cenário de aumento das temperaturas, a brusone pode se expandir para 30% das áreas de trigo na América do Sul. E também chegar a novas fronteiras agrícolas, como o sul da China e a região mediterrânea da Europa.

    “Embora as condições atuais do Hemisfério Norte ainda não favoreçam a doença, o aumento das temperaturas e da umidade pode mudar esse cenário em um futuro próximo”, alerta Willingthon Pavan, professor da Universidade da Flórida.

    Impacto na produção global de trigo

    Atualmente, a brusone ameaça 6,4 milhões de hectares de trigo no mundo. Assim sendo, até 2050, esse número pode mais que dobrar, afetando 13,5 milhões de hectares e causando uma perda de 69 milhões de toneladas de trigo por ano. Isso representa, portanto, uma redução de 13% na produção mundial.

    Brusone – Foto – Flávio Martins Santana

    Fernandes ressalta que, apesar das iniciativas globais para combater a brusone, como o melhoramento de plantas e estratégias de manejo, a erradicação completa da doença ainda não foi alcançada. “A resiliência às mudanças climáticas exige um planejamento baseado em projeções para minimizar as perdas e garantir a segurança alimentar mundial”, conclui o pesquisador.

    Além disso, diversas iniciativas estão sendo adotadas para combater a brusone, como o uso de biotecnologia, controle químico e manejo agrícola. Entretanto, o sucesso pleno ainda está distante, o que coloca a doença como um dos grandes desafios para a agricultura mundial no contexto das mudanças climáticas.

  • Rússia supera expectativas com safra de grãos e exportações

    Rússia supera expectativas com safra de grãos e exportações

    A consultoria agrícola russa IKAR revisou para cima sua previsão de exportação de grãos para 2024. A nova estimativa aponta para um aumento de 2,2%, totalizando 56,2 milhões de toneladas métricas. A projeção anterior era menor.

    Além disso, a IKAR também ajustou para cima a estimativa de safra de grãos, que passou de 128 milhões para 129,5 milhões de toneladas métricas. Enquanto isso, a previsão oficial do governo russo para a safra de 2024 permanece em torno de 132 milhões de toneladas.

    Eventos climáticos

    Condições climáticas extremas, como geadas na primavera, enchentes e calor intenso no verão, impactaram as perspectivas de colheita em algumas das principais regiões produtoras. Mesmo assim, a colheita foi acelerada em muitas áreas, com 40% dos campos já colhidos. Até a semana passada, cerca de 64 milhões de toneladas já haviam sido coletadas.

    A Rússia, maior exportador de trigo do mundo, continua a superar expectativas, apesar dos desafios climáticos.

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    Rússia e Brasil

    O Brasil aumentou suas importações de diesel e fertilizantes da Rússia, alcançando a quinta posição entre os maiores mercados externos russos. Em 2022, o Brasil ocupava a 20ª posição, já uma melhora significativa em relação ao 28º lugar de 2019. Com esse avanço, o Brasil superou Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, que estavam entre os principais destinos das exportações russas em 2021, antes do início da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, em fevereiro de 2022.

    Em 2023, os Estados Unidos caíram para a nona posição, com as exportações russas para o país reduzidas em 67,5% em relação ao ano anterior e em 84% em comparação a 2021. Além disso, a Alemanha, que agora ocupa a 17ª posição, registrou uma queda de 86,3% nas importações da Rússia desde 2021. O Reino Unido sofreu a maior queda, despencando para o 31º lugar, com uma redução de 98,6% nas compras de produtos russos entre 2021 e 2023.

    Contrariamente, as exportações da Rússia para o Brasil aumentaram 27,4% em 2023 em relação ao ano anterior e 75,6% em comparação a 2021. Desde 2019, ano pré-pandemia, o crescimento foi de 171,8%.

    Os dados são do Centro de Comércio Internacional (ITC), agência conjunta da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Nas estatísticas brasileiras de balança comercial, a Rússia subiu de 11º maior fornecedor externo em 2019 para 6º em 2022, mantendo a 5ª posição no primeiro semestre de 2024, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic).

  • Trigo criado por cientistas brasileiros é apresentado hoje ao público

    Trigo criado por cientistas brasileiros é apresentado hoje ao público

    O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em Londrina, sedia, hoje (09/08), o dia de campo voltado para cultivos de inverno, destacando a apresentação de duas novas cultivares: o triticale IPR Goitacá e o trigo BRS Coleiro. O evento, que tem como público-alvo técnicos, produtores e estudantes de ciências agrárias, oferecerá inscrições diretamente no local.

    Durante o encontro, os participantes poderão discutir oportunidades e desafios da safra de inverno. O foco é a qualidade do produto e sua valorização no mercado. Além disso, haverá debates técnicos sobre o controle de plantas daninhas e o uso de redutores de crescimento nas culturas.

    A cultivar de triticale IPR Goitacá, com potencial produtivo elevado, alcançou cerca de 6,5 toneladas por hectare em ensaios experimentais. “Com ciclo médio, essa variedade chega à colheita em aproximadamente 120 dias, oferecendo porte médio e excelente tolerância ao acamamento”, afirma um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar.

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    Além disso, a IPR Goitacá apresenta boa sanidade, resistência ao oídio e à bacteriose. Também apresenta resistência moderada à ferrugem da folha e às manchas foliares, embora seja suscetível ao vírus do nanismo amarelo da cevada (VNAC).

    Substituição de produtos químicos

    O triticale, resultado do cruzamento entre trigo e centeio, tem aplicações na indústria de alimentos integrais, conferindo crocância a pães e biscoitos. Ou seja, o triticale pode substituir aditivos químicos. Além disso, é uma alternativa ao milho em silagem e rações para alimentação animal, além de ser indicado para cobertura do solo e diversificação de culturas.

    Por sua vez, a cultivar de trigo BRS Coleiro, desenvolvida pela Embrapa, se destaca, por exemplo, pelo ciclo médio de 64 dias para espigamento e precoce para maturação fisiológica, completando o processo em 111 dias. “Essa característica atrai os produtores, pois permite melhor planejamento da safra de soja”, comenta um especialista da Embrapa. Sendo assim, A BRS Coleiro também oferece resistência ao acamamento, crestamento e oídio, com moderada resistência à giberela e manchas foliares. Seus grãos extraduro possuem alta força de glúten e são indicados para a produção de massas, pão industrial e pão francês.

    Portanto, ambas as cultivares, IPR Goitacá e BRS Coleiro, são recomendadas para cultivo nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, com sementes disponíveis para a safra de 2025. O dia de campo é uma iniciativa conjunta do IDR-Paraná, Embrapa e Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, entidade formada por produtores de sementes que promove a experimentação agrícola.

    Serviço:

    • Dia de campo de cereais de inverno
    • Data: 9 de agosto, sexta-feira
    • Horário: 8 horas
    • Local: Sede do IDR-Paraná em Londrina (Rodovia Celso Garcia Cid, km 375 – saída para Curitiba)
    • Inscrições: No local
  • Cientistas brasileiros desenvolvem nova espécie de trigo

    Cientistas brasileiros desenvolvem nova espécie de trigo

    A nova espécie de trigo, batizada como cultivar de trigo BRS Coleiro, desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a Fundação Meridional, foi lançada no início deste mês e se destacou nos testes de campo realizados nas últimas três safras. A cultivar apresenta boa adaptação a diversas condições de cultivo, com produtividade que chegou a quase 7 toneladas por hectare em Santa Catarina.

    No Paraná, as produtividades médias da BRS Coleiro nos experimentos foram de 4.922 kg/ha, 5.624 kg/ha e 4.083 kg/ha, nas três regiões de indicação. Em contraste, a média de produtividade dos agricultores paranaenses na safra de 2023 foi de 2.560 kg/ha, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O nome da cultivar é uma homenagem ao coleiro (Sporophila caerulescens), uma ave brasileira apreciada por seu canto.

    Lançamento e expectativas

    O lançamento da nova espécie de trigo ocorrerá durante o Dia de Campo de Inverno, programado para 9 de agosto na sede do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná). “Esperamos fomentar o cultivo e a comercialização dessa cultivar para os diferentes sistemas de produção de inverno nas regiões recomendadas”, afirmou Manoel Carlos Bassoi, pesquisador da Embrapa Soja (PR).

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    Em Santa Catarina, a média de produtividade da BRS Coleiro foi de 6.959 kg/ha e 4.468 kg/ha nas duas regiões de indicação, enquanto a média de produtividade a campo na safra de 2023 foi de 2.150 kg, conforme a Conab. No estado de São Paulo, a cultivar apresentou um desempenho de 5.555 kg/ha, superando a média produtiva do estado, que foi de 3.050 kg.

    Características da BRS Coleiro

    A BRS Coleiro possui porte médio, ampla adaptabilidade e estabilidade de rendimento de grãos nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. O ciclo médio para espigamento é de 64 dias, enquanto o ciclo precoce para maturação fisiológica é de 111 dias, características que atraem os produtores, pois proporcionam melhor janela de semeadura e planejamento para a safra de soja.

    Bassoi destacou que a nova cultivar apresenta grão extra duro e qualidade tecnológica da classe melhorador, com alta força de glúten, o que a torna adequada para a produção de massas e pães, incluindo o tradicional “pão francês”. Além disso, a BRS Coleiro demonstra boa tolerância ao acamamento e resistência ao oídio, com resistência moderada à giberela e às manchas foliares.

    Em 2024, a Fundação Meridional completará 25 anos de parceria com a Embrapa Soja. Henrique Menarim, diretor-presidente da Fundação Meridional, destacou: “Não poderíamos comemorar de forma melhor do que lançar uma cultivar de trigo simplesmente excelente. O seu elevado potencial produtivo, associado à ótima qualidade industrial, revela o BRS Coleiro como um novo patamar no melhoramento genético.”

    Ralf Udo Dengler, gerente-executivo da Fundação Meridional, ressaltou que a BRS Coleiro traz características de adaptação e sanidade que otimizam o uso de fertilizantes e fungicidas, além de sua qualidade industrial superior, que deve ser um diferencial na comercialização dos grãos.

    Importância do trigo

    O trigo é um componente básico da alimentação humana, com sua farinha amplamente utilizada na produção de pães, massas e biscoitos. A qualidade do grão determina sua utilização pela indústria, sendo classificada com base no teor de glúten, que influencia a elasticidade da farinha.

    Nos últimos 20 anos, os avanços genéticos nas cultivares de trigo resultaram em melhorias na qualidade do grão e na facilidade de manejo. O Brasil semeou 3,4 milhões de hectares de trigo na safra 2023/2024, com uma produção de 8 milhões de toneladas, conforme dados da Conab. O Paraná e o Rio Grande do Sul respondem por 75% da produção nacional.

    Com um consumo doméstico de 12 milhões de toneladas na safra 2023/2024, o Brasil ainda precisa importar o cereal para atender à demanda interna. Isso segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A nova cultivar BRS Coleiro promete contribuir significativamente para o fortalecimento da produção de trigo no Brasil.  E ofereceraos produtores uma opção de alta produtividade e qualidade.

  • Preço do trigo atinge maior valor real no RS desde dez/22

    Preço do trigo atinge maior valor real no RS desde dez/22

    O preço do trigo registrou um aumento expressivo em julho, com destaque para o Rio Grande do Sul. O estado alcançou a maior média mensal desde dezembro de 2022, em termos reais (ajustado pelo IGP-DI de junho de 2024).

    Análise do preço do trigo

    Pesquisadores do Cepea atribuem esse cenário ao baixo excedente de trigo de boa qualidade e à menor umidade do solo ao longo do mês. No entanto, as chuvas nas áreas produtoras do RS interromperam o movimento de alta na última semana. Em julho, o preço médio do trigo no RS foi de R$ 1.468,41 por tonelada, superando em 3,3% o valor de junho e em 8,3% o de julho de 2023, também em termos reais.

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  • Safra global de trigo 2024/25 pode ser recorde

    Safra global de trigo 2024/25 pode ser recorde

    Os preços internacionais do trigo caíram nos últimos dias pela expectativa da safra global. A queda foi influenciada pela possível oferta mundial recorde na safra 2024/25.

    Influência da Rússia

    Pesquisadores do Cepea explicam que os preços vinham subindo devido à estimativa de menor produção na Rússia. Isso porque o país é o principal exportador mundial de trigo. A queda na área de cultivo e as condições climáticas desfavoráveis afetaram as lavouras russas.

    No entanto, novas projeções da consultoria SovEcon mudaram esse cenário. A safra russa deve aumentar de 84,2 para 84,7 milhões de toneladas. Portanto, esse aumento eleva o otimismo para uma oferta global histórica em 2024/25.

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    Argentina

    Números da Argentina também reforçam essa expectativa. Segundo a Bolsa de Cereales, a produção argentina deve alcançar 18,1 milhões de toneladas. Ou seja, esse valor é 19,8% superior ao da safra 2023/24.

    Brasil

    A produção brasileira de grãos deve atingir 299,27 milhões de toneladas na safra 2023/2024, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume representa uma queda de 6,4%, ou 20,54 milhões de toneladas a menos em relação ao ciclo anterior. Mesmo assim, a safra ainda será a segunda maior já colhida no país.

    Safra global de trigo

    Esses dados, analisados pelo Cepea, indicam que a oferta mundial de trigo será elevada na próxima temporada.

     

  • Embrapa: pesquisa define irrigação ideal para trigo no cerrado

    Embrapa: pesquisa define irrigação ideal para trigo no cerrado

    A irrigação eficiente é essencial para o uso otimizado dos recursos hídricos. Pesquisadores da Embrapa determinaram o momento e a quantidade ideais de água para irrigar o trigo no Cerrado, visando a máxima produtividade com o menor consumo de água.

    Método e resultados

    O estudo focou na água disponível no solo até 40 cm de profundidade, onde se concentram 80% das raízes do trigo. A irrigação deve começar quando as plantas usam 40% da capacidade de água disponível (CAD). “Buscamos o máximo potencial produtivo do trigo e a maior eficiência no uso da água. Esse ponto ocorre com o esgotamento de 40% da CAD”, explica Jorge Antonini, pesquisador da Embrapa Cerrados.

    Utilizando a cultivar BRS 394, conhecida pelo alto potencial produtivo, ciclo curto e qualidade para panificação, a pesquisa mostrou que os novos parâmetros permitem economizar água sem reduzir a produtividade. “Os produtores podem produzir a mesma quantidade de grãos gastando menos água, tornando o cultivo mais sustentável e rentável”, afirma Alexsandra de Oliveira, pesquisadora da Embrapa.

    Comparação com cultivares antigas

    A pesquisa também atualizou referências de irrigação para cultivares antigas, que produziam em média 4,5 t/ha, enquanto a BRS 394 alcança 7 t/ha. Além disso, variedades de alto desempenho exigem mais frequências de irrigação. “A BRS 394 mostrou que, ao esgotar 40% da CAD, a planta evita estresse e mantém o rendimento”, detalha Antonini.

    Apesar do aumento no número de irrigações, a quantidade total de água usada durante o ciclo de produção não difere significativamente em relação às variedades antigas, mesmo com maior produtividade. “O manejo correto é crucial para evitar perdas no rendimento”, ressalta Oliveira.

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    Importância dos dados atualizados

    A atualização dos dados de irrigação é vital para a otimização dos recursos. “O trigo de inverno no Cerrado depende totalmente da irrigação. Ou seja, com os novos parâmetros, o produtor saberá o quanto pode esgotar a água do solo sem prejudicar a produção”, explica Oliveira.

    Entendendo a CAD

    Segundo Artur Muller, da Embrapa, o solo possui três camadas: a capacidade de campo, a CAD e o ponto de murcha permanente. A CAD é a camada onde a planta consegue absorver a água retida. Por exempo, “Para manejar a irrigação, o produtor deve fazer uma análise físico-hídrica para calcular a CAD de sua área”, esclarece.

    Detalhes do experimento

    Realizado na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), o estudo testou quatro níveis de esgotamento da CAD (20%, 40%, 60% e 80%). “Com até 40% de esgotamento da CAD, a produtividade máxima foi mantida. A partir desse ponto, a produtividade começou a cair”, informa Antonini.

    O experimento utilizou, portanto, um sistema de irrigação convencional com quatro aspersores de impacto por parcela (6m x 6m). A eficiência da irrigação variou conforme o esgotamento da CAD. “Embora o esgotamento de 80% apresentasse melhor índice de eficiência, a produtividade foi 18% menor”, explica Antonini.

    Necessidade de água por fase da lavoura

    O estudo também detalhou a necessidade de água em cada fase da lavoura. “Nos estádios iniciais, o consumo é menor. A necessidade aumenta com o ciclo da cultura, atingindo o ápice na floração. Depois, a quantidade de água pode ser reduzida”, observa Muller.

    Coeficiente da cultura (Kc)

    O Kc permite estimar a evapotranspiração da lavoura. “O coeficiente da cultura ajuda a evitar a adição de mais água do que o necessário”, esclarece Oliveira.

    Expansão do trigo no Cerrado

    No Cerrado, o trigo só pode ser cultivado no inverno com irrigação. “Com os cálculos atualizados, é possível expandir o trigo para áreas não tradicionais com uso racional da água, importante no contexto das mudanças climáticas e aumento da demanda por alimentos”, conclui Oliveira.

     

     

  • Preços do agro: fique por dentro das negociações

    Preços do agro: fique por dentro das negociações

    O Agro em Campo traz agora a análise do Cepea sobre os preços dos principais produtos do agronegócio brasileiro. A produção de açúcar cristal branco em São Paulo cresceu, impulsionada pelos avanços na colheita e moagem da cana-de-açúcar da safra 2024/25, em junho. Esse aumento de oferta foi especialmente notável no mercado spot do Icumsa 180. Apesar disso, os preços permaneceram firmes nas duas primeiras semanas do mês, sustentados pela desvalorização do real frente ao dólar, o que tornou as exportações mais atraentes. No final de junho, a menor demanda pressionou as cotações. Indústrias alimentícias relataram vendas fracas para o varejo, indicando que o açúcar recebido por contratos foi suficiente para manter a produção, eliminando a necessidade de compras adicionais no mercado spot.

    Alta nos preços do algodão

    Os preços do algodão em pluma subiram no mercado interno ao longo de junho. Esse movimento foi sustentado pela firme posição dos vendedores e pelo aumento na demanda dos compradores, mesmo que de forma pontual. Após três meses de queda, o preço da pluma registrou alta no último mês.

    Mercado de arroz mantém preços firmes no Rio Grande do Sul

    O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul terminou junho com preços firmes, apesar do ritmo lento de negócios devido às incertezas no cenário econômico. A demanda internacional aquecida, que manteve as exportações mais atraentes do que as vendas internas, deu suporte aos preços. No entanto, a menor saída de arroz beneficiado para grandes centros consumidores nacionais limitou a liquidez e os aumentos nos valores da matéria-prima. Vendedores mantiveram suas propostas firmes devido aos altos custos estimados, enquanto as perdas agrícolas causadas pelo El Niño levaram produtores a buscar maior valorização do arroz em casca.

    Disparidade de preços no mercado de boi

    O mercado de boi vivo registrou uma maior dispersão nos preços coletados pelo Cepea no final do semestre, refletindo diferentes percepções sobre as condições do mercado. Após quedas sucessivas no primeiro semestre, agentes buscam preços que se ajustem melhor às condições atuais.

    Café fecha junho com alta de preços

    Os preços dos cafés robusta e arábica subiram no mercado spot nacional em junho, mas a comercialização de novos lotes permaneceu lenta. A liquidez aumentou apenas em momentos de forte elevação nos valores.

    Demanda por etanol

    A safra sucroenergética 2024/25 avança rapidamente no Centro-Sul, favorecida pelas boas condições climáticas para a colheita e moagem da cana-de-açúcar. A demanda por etanol no varejo, especialmente em São Paulo, se mantém firme, sustentada pela vantagem do biocombustível frente à gasolina.

    Valores do frango variam

    Os preços médios dos produtos avícolas acompanhados pelo Cepea apresentaram variações distintas em junho. Em alguns casos, a demanda aquecida elevou as cotações, sustentando a média mensal, enquanto em outros, a baixa liquidez resultou em queda nos valores.

    Preços do milho caem com avanço da colheita

    Os preços do milho caíram em junho na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea, influenciados pelo avanço da colheita da segunda safra. Parte dos produtores aumentou o volume de milho disponível no mercado spot, enquanto outros, receosos quanto aos impactos do clima adverso, limitaram a oferta. Consumidores priorizaram o uso de estoques e adquiriram poucos lotes no spot, aguardando novas desvalorizações com o avanço da colheita.

    Cotações de ovinos

    Em junho, os preços do cordeiro vivo apresentaram variações nas regiões acompanhadas pelo Cepea. No Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, os valores subiram, enquanto em outras regiões os preços recuaram.

    Soja registra alta nas negociações

    As negociações de soja estiveram aquecidas no mercado brasileiro em junho, impulsionadas pela demanda firme, tanto doméstica quanto externa. A valorização cambial, com o dólar subindo 5% de maio para junho, deixou as commodities nacionais mais atraentes para importadores.

    Preços do trigo permanecem firmes

    Os preços do trigo mantiveram-se firmes no mercado brasileiro em junho, operando acima dos níveis do mesmo período do ano passado. Esse cenário foi sustentado pelos baixos estoques domésticos e pela elevação da paridade de importação, o que limitou a liquidez e resultou em negociações pontuais.

  • Trigo segue com preço firme e baixo estoque

    Trigo segue com preço firme e baixo estoque

    As cotações do trigo no mercado brasileiro continuam firmes, operando em níveis superiores aos do mesmo período do ano passado. Pesquisadores do Cepea destacam que os baixos estoques domésticos, especialmente de trigo de qualidade superior, sustentam essa alta. Um outro fator é o aumento da paridade de importação.

    Trigo deve ter área menor de plantio

    Adicionalmente, a área plantada para a nova safra, que está em fase de semeadura, é projetada para ser menor do que a da temporada anterior. Isso faz com que a oferta dependa fortemente das condições climáticas e de seu impacto na produtividade.

    No campo, os produtores estão concentrados nos tratos culturais das lavouras já estabelecidas e na semeadura. Agricultores no Rio Grande do Sul iniciaram suas atividades relativamente mais tarde neste ano, conforme revelam pesquisas do Cepea.

    Com isso, a expectativa é que a continuidade das condições climáticas favoráveis seja crucial para a manutenção da produtividade e, consequentemente, dos níveis de oferta no mercado nacional. O Agro em Campo segue atento tanto ao mercado quanto ao desenvolvimento da cultura.

    Os preços internos do trigo têm registrado uma alta acentuada no início de junho. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que os baixos estoques domésticos no período de entressafra impulsionam essa elevação.

    Mesmo as recentes desvalorizações no mercado externo não interromperam essa tendência de alta. Pesquisadores do Cepea destacam que as indústrias estão cautelosas na compra de novos lotes. Isso ocorre devido às mudanças no uso de créditos tributários do PIS/Cofins, introduzidas pela Medida Provisória 1.227 em 4 de junho.

    Entretanto, em relação ao comércio externo, dados da Secex mostram que, em maio, o Brasil importou 657,13 mil toneladas de trigo, um aumento de 44,6% em comparação a abril e de 131,8% em relação a maio de 2023.

    Por outro lado, as exportações foram de 55,2 mil toneladas em maio. Bem abaixo das 362,85 mil toneladas exportadas em abril de 2023 e das 71,04 mil toneladas em maio de 2023.

     

  • Safra de inverno promete recorde de produtividade

    Safra de inverno promete recorde de produtividade

    A safra de inverno 2024/2025 em Santa Catarina deve ter resultados superiores à safra anterior, de acordo com as estimativas iniciais divulgadas pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). Embora a área plantada de alho, cebola, trigo, e cevada tenha diminuído em relação à safra passada, a perspectiva é de um aumento significativo na produtividade de todos os produtos.

    O crescimento da produtividade é esperado devido à perspectiva de uma safra com menos intercorrência, de acordo com, João Alves, analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa. O excesso de chuva, que afetou negativamente a safra anterior não deve se repetir esse ano. Além disso, Alves destaca que essas estimativas são baseadas no histórico das safras catarinenses e no levantamento das intenções dos produtores.

    O presidente da Epagri, Dirceu Leite, enaltece o trabalho da Epagri/Cepa no monitoramento das safras. “Temos o compromisso de divulgar dados corretos e confiáveis. São informações importantes para que o agricultor possa tomar decisões com maior assertividade”, diz ele.

    Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Valdir Colatto, esses números são fundamentais para fornecer subsídios ao Governo de Santa Catarina na formulação de políticas públicas. “Nós contamos, atualmente, com vários programas para melhorar a produção no campo, como é o caso do incentivo ao cultivo de cereais de inverno. Basta que as pessoas busquem na Epagri informações para receber esses benefícios”, esclarece Collato.

    Trigo

    O trigo deve manter sua posição como o principal cereal de inverno cultivado em Santa Catarina. Entretanto, a área plantada é prevista para chegar a 125,3 mil hectares, uma redução de 9% em relação à safra anterior.

    Foto: Divulgação/Epagri – Nilson Teixeira

    No entanto, a produtividade total deve aumentar, com uma estimativa de 3,45 mil quilos por hectare, 54% maior do que a produtividade registrada na safra anterior. Isso resultaria em uma produção total de 432,6 mil toneladas, um crescimento de 41% na comparação com a safra anterior.

    Aveia

    A áera plantada de aveia deve crescer 3% e deve chegar a 30,5 mil hectares. As estimativas iniciais apontam para um crescimento significativo tanto da produtividade como da produção total. Devem ser colhidas, no Estado, 45,46 mil toneladas de aveia, uma produtividade de quase 1,5 mil quilos por hectare, o que representa, respectivamente, um aumento de 33% e 29% na comparação com a safra anterior.

    Cevada

    A cevada deve ter uma redução de 37% na área plantada. A expectativa é que sejam plantados 964 hectares de cevada em Santa Catarina, quantidade 37% menor do que na safra anterior.

    A produtividade deve ter um crescimento de 34% e chegar a 3,5 mil quilos por hectare. A produção total será de 3,4 mil toneladas, 15% menor do que na safra de inverno anterior, caso a estimativa se confirme.

    Alho e Cebola

    A safra de alho e cebola teve uma quebra significativa na safra anterior devido a problemas climáticos. Agora, a perspectiva é de um resultado melhor. Embora a área plantada com alho tenha uma redução significativa, a produtividade deve chegar a 10,5 mil quilos por hectare, crescimento de 44%.

    Foto: Divulgação/Epagri

    No entanto, a produção total deve ter redução de 15% na comparação com a safra anterior. A produção de cebola, por sua vez, deve aumentar e chegar a 521 mil toneladas na safra atual, o que é 29% a mais do que o registrado na safra 2023/2024.

    O principal motivo é a estimativa de um aumento da produtividade na ordem de 37%, ou seja, quase 30 mil quilos por hectare. A perspectiva é que a área plantada fique um pouco abaixo dos 17,4 mil hectares, redução de 6% na comparação com a safra anterior.

    A safra de inverno 2024/2025 em Santa Catarina apresenta uma perspectiva positiva, com um crescimento significativo na produtividade de todos os produtos, apesar da redução na área plantada.