Tag: trigo

  • Encontro reunirá representantes cadeia produtiva do trigo paulista

    Encontro reunirá representantes cadeia produtiva do trigo paulista

    No dia 13 de março, a Câmara Setorial do Trigo de São Paulo realizará sua primeira reunião do ano, com o objetivo de discutir as previsões para a safra paulista de trigo safra. O evento, que ocorrerá de forma híbrida, será sediado nas dependências da Cooperativa Capão Bonito, localizada em Capão Bonito (SP), e também será transmitido ao vivo pelo canal no YouTube do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo).

    O encontro reunirá representantes de diversos elos da cadeia produtiva do trigo para compartilhar as projeções sobre o plantio no estado. Durante a reunião, as cooperativas paulistas apresentarão as estimativas dos produtores para a produção do grão.

    O analista da Safras & Mercado, Élcio Bento, também marcará presença no evento. Ele fará uma palestra sobre a conjuntura mercadológica do trigo nos cenários nacional e internacional, trazendo insights relevantes sobre as tendências para o setor.

    Expectativa

    Em declaração, o presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, Nelson Montagna, destacou a expectativa positiva para a safra 2025/2026. “Nossa expectativa para a primeira reunião do ano é de boas notícias sobre o aumento de área e produção. Essa realidade, no entanto, depende de fatores como o clima e outras culturas de inverno, mas os preços do trigo ainda são atrativos, e esperamos a manutenção ou até um pequeno aumento nos preços em relação à safra passada”, afirmou.

    A reunião também contará com a presença de especialistas como Gustavo Chimarelli, da OR Sementes, e Pedro Palessio, da GDM Seeds. Eles farão uma avaliação das variedades de trigo disponíveis e apresentarão inovações para a próxima safra. Além disso, um representante do Instituto Agronômico (IAC) contribuirá com informações técnicas sobre as variedades de trigo para a safra.

    Montagna enfatizou que, apesar de a qualidade média do trigo paulista ser superior, ainda existem possibilidades de melhorias. “As variedades disponíveis são boas, mas é no campo, com a interação de fatores como clima e manejo, que vemos o verdadeiro resultado. Mesmo assim, se conseguirmos manter a qualidade atual, já atenderemos muito bem à nossa indústria”, concluiu o presidente da Câmara Setorial.

    Com foco nas perspectivas para o futuro do trigo no estado, o evento promete ser um importante ponto de encontro para aqueles que integram a cadeia produtiva do grão. E reforçar a relevância do setor para a economia paulista e nacional.

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  • Preço da soja atinge menor nível em quase dois meses na Bolsa de Chicago

    Preço da soja atinge menor nível em quase dois meses na Bolsa de Chicago

    Os contratos da soja para maio encerraram o pregão na Bolsa de Chicago a US$ 9,98 por bushel. Ou seja, esse foi o menor valor desde 9 de janeiro. Em geral, a pressão veio das preocupações com o impacto das mudanças tarifárias dos Estados Unidos no comércio agrícola. Nesta segunda-feira (3), o presidente Donald Trump confirmou a aplicação de sanções a produtos importados do México e do Canadá. Ele também anunciou tarifas sobre importações da China.

    Colheita da soja

    A colheita de soja no Brasil avançou e atingiu 50% da área até 27 de fevereiro, segundo a AgRural. O percentual supera os 39% registrados na semana anterior e os 48% do mesmo período em 2019.

    Milho

    Ao mesmo tempo, os contratos futuros do milho caíram 2,82% e fecharam a US$ 4,56 por bushel em Chicago. O aumento da oferta global pressionou os preços. Nos Estados Unidos, os agricultores devem expandir a área plantada em 4,2% nesta primavera. A estimativa é que o plantio chegue a 94,6 milhões de acres. O clima favorável, os baixos preços do feno e a realocação de soja, trigo e sorgo incentivam esse crescimento, segundo consultorias norte-americanas.

    Trigo

    Os contratos de trigo para maio recuaram 1,44% e encerraram a sessão a US$ 5,47 por bushel. A recente desvalorização do dólar e as preocupações com as condições das lavouras nos Estados Unidos e na região do Mar Negro deram suporte aos preços nos últimos dias. No entanto, os papéis sofreram ajustes. As incertezas sobre possíveis retaliações às exportações agrícolas dos EUA continuam, conforme apontou a Trading Economics.

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  • Soja recua em Chicago com foco na safra da América do Sul

    Soja recua em Chicago com foco na safra da América do Sul

    As cotações da soja voltaram a cair na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (12), pressionadas pelas expectativas para a safra na América do Sul. Em resumo, o contrato para março encerrou o pregão em baixa de 1,51%, negociado a US$ 10,2775 por bushel.

    Mercado da soja

    O mercado acompanha de perto as condições climáticas no Brasil, principal produtor e exportador global. Apesar de quebras pontuais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, especialistas ainda projetam uma colheita recorde para a safra 2024/25. Além disso, algumas consultorias revisaram suas estimativas para 165 milhões de toneladas, abaixo do potencial inicial de 170 milhões.

    Milho avança com exportações dos EUA e atraso no Brasil

    O milho teve valorização na Bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em março subiram 1,29%, fechando a US$ 4,9025 por bushel. Segundo a consultoria Granar, o avanço das exportações americanas e o atraso na semeadura da segunda safra no Brasil impulsionaram os preços.

    Trigo mantém tendência de queda

    O trigo registrou a quarta sessão consecutiva de baixa. O contrato para março caiu 0,48%, encerrando o dia a US$ 5,7425 por bushel. Ou seja, a pressão sobre os preços reflete a oferta global elevada e a fraca demanda nos mercados internacionais.

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  • Produção de grãos no Brasil deve crescer 8,2%

    Produção de grãos no Brasil deve crescer 8,2%

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sua segunda estimativa para a safra de grãos 2024/25, prevendo uma produção de 322,53 milhões de toneladas. Esse volume representa um crescimento de 8,2% em relação ao ciclo anterior, com um aumento aproximado de 24,6 milhões de toneladas na colheita.

    Esse crescimento é resultado da expectativa de aumento na área plantada e da recuperação na produtividade média das lavouras no Brasil. Segundo o 2º Levantamento de Grãos da Safra 2024/25, os agricultores deverão semear cerca de 81,4 milhões de hectares durante este ciclo.

    Thays Moura, fundadora da fintech Agree, observa que esses dados indicam um cenário promissor para o setor agrícola. “O planejamento financeiro é crucial para aproveitar as oportunidades que surgem com esse crescimento. Soluções de crédito personalizadas serão essenciais para atender às necessidades dos produtores”, destaca.

    Destaques por cultura

    Entre os principais produtos, a Conab projeta um aumento na área semeada de arroz, que deve passar de 1,6 milhão de hectares em 2023/24 para 1,77 milhão de hectares no ciclo atual. A semeadura já começou nas principais regiões produtoras e cobre 65% da área total, conforme o relatório Progresso de Safra. A produção deve ultrapassar 12 milhões de toneladas, com uma produtividade projetada em 6.814 quilos por hectare.

    Para a primeira safra de feijão, a estimativa é uma recuperação de 3,6% na área cultivada, totalizando 892,3 mil hectares e uma produção esperada de 991,6 mil toneladas. No caso da soja, projeta-se um aumento de 2,6% na área plantada, atingindo 47,36 milhões de hectares, com uma produtividade média 9,6% maior, resultando em 166,14 milhões de toneladas.

    O milho deve manter uma área estável em 21 milhões de hectares, com uma safra total estimada em 119,8 milhões de toneladas, sendo 22,8 milhões provenientes do primeiro ciclo já semeado em 48,7% da área. Para o trigo, espera-se uma produção de 8,11 milhões de toneladas, com 79,4% da área já colhida.

    Necessidade de crédito e inovação

    Moura ressalta que os agricultores continuarão a precisar de crédito para adquirir insumos e realizar investimentos em infraestrutura que suportem o aumento da produção. “A expectativa é que a melhoria na produtividade média das lavouras seja resultado dos investimentos em tecnologia e boas práticas agrícolas”, afirma.

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    Ela também destaca que é fundamental aumentar o suporte em termos de crédito para inovação tecnológica, como agricultura de precisão e aquisição de equipamentos modernos. “O crédito rural deve ser complementado com estratégias como seguros agrícolas e contratos futuros para garantir a sustentabilidade financeira dos negócios”, explica.

    Expectativas para o agronegócio

    De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do agronegócio pode crescer 5% em 2025. Esse avanço deve-se ao aumento da produção primária agrícola e ao crescimento da indústria de insumos e da agroindústria exportadora. Apesar do cenário otimista, desafios como a alta do dólar e dos juros ainda persistem. A Agree se propõe a oferecer suporte aos produtores rurais na captação do crédito rural com condições favoráveis e atendimento personalizado.

    Com as previsões otimistas para a safra 2024/25 e a crescente demanda por crédito e tecnologia no setor agrícola, o Brasil se prepara para enfrentar os desafios do mercado enquanto busca consolidar sua posição como um dos principais produtores agrícolas do mundo. A colaboração entre instituições financeiras e agricultores será crucial para garantir o sucesso dessa empreitada.

  • Técnica pode reduzir fertilizantes com ajuda de fungos benéficos

    Técnica pode reduzir fertilizantes com ajuda de fungos benéficos

    Pesquisadores descobriram que uma mutação genética pode ajudar o trigo a formar parcerias mais eficientes com fungos benéficos. Ou seja, essa interação permite às plantas extrair nutrientes do solo com maior eficácia, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos. A revista Nature já publicou a pesquisa.

    Além disso, o estudo mostrou que a mutação, localizada no gene CNGC15, influencia as oscilações de cálcio nas raízes, que atraem micróbios úteis. Portanto, isso facilita a liberação de nutrientes presos no solo, potencializando a nutrição do trigo e outras culturas que venham a ser modificadas de forma semelhante.

    Redução de fertilizantes beneficia o meio ambiente

    Fertilizantes industriais, ricos em nitrogênio e fosfato, aumentam a produtividade agrícola, mas também geram poluição ambiental. O excesso de nutrientes pode contaminar águas subterrâneas e emitir gases de efeito estufa. A descoberta oferece uma alternativa sustentável ao estimular as plantas a utilizarem nutrientes de maneira mais natural, expandindo sua interação com micróbios do solo.

    “O avanço é inovador e pode revolucionar a agricultura”, avalia Heike Sederoff, bióloga molecular da North Carolina State University. Cheng-Wu Liu, especialista da University of Science and Technology of China, destaca o potencial da mutação para uma produção agrícola mais sustentável.

    Parcerias microbianas ampliadas

    Plantas como ervilhas e feijões já mantêm relações benéficas com bactérias que fixam nitrogênio em suas raízes. Além disso, culturas como o trigo interagem com fungos que fornecem fosfato e outros nutrientes. No entanto, essas parcerias naturais são subutilizadas quando o solo é enriquecido com fertilizantes sintéticos.

    A mutação identificada pelos cientistas aumenta a produção de flavonoides, compostos químicos que atraem micróbios. Em experimentos com trevo-barril (Medicago truncatula), plantas com a mutação apresentaram 10% mais conexões fúngicas e absorveram 20% mais nitrogênio nas folhas.

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    Testes promissores com trigo

    A equipe aplicou a mutação em dois tipos de trigo. Em testes de campo, as plantas mutantes formaram 20% mais conexões com fungos benéficos, mesmo em solos enriquecidos com fertilizantes. As folhas apresentaram 10% mais nitrogênio em relação ao carbono, indicando maior eficiência nutricional.

    Os resultados são promissores para aumentar a produtividade de grãos enquanto reduzem o impacto ambiental. Segundo Giles Oldroyd, geneticista de plantas da Universidade de Cambridge, a mutação pode beneficiar diversas culturas agrícolas. “Essa abordagem tem o potencial de transformar a agricultura global.”

    Sustentabilidade como futuro da produção agrícola

    Com novos testes de campo, a expectativa é que a mutação genética permita colheitas mais nutritivas e economicamente viáveis. Além de oferecer vantagens aos agricultores, a técnica pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos, beneficiando o meio ambiente e a saúde humana.

     

  • Safra de grãos em 2024/25 deve atingir recorde histórico

    Safra de grãos em 2024/25 deve atingir recorde histórico

    A safra 2024/25 de grãos no Brasil deve chegar a 322,3 milhões de toneladas. Em geral, o volume representa um aumento de 8,2% em relação à safra anterior, com 24,5 milhões de toneladas a mais. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou os dados nesta terça-feira (14), durante o 4º Levantamento da Safra de Grãos.

    Em resumo, a previsão reflete o clima favorável ao desenvolvimento das culturas de primeira safra. A área total plantada também deve crescer 1,8%, alcançando 81,4 milhões de hectares. Portanto, se confirmado, o volume será o maior da série histórica.

    Produção de soja em alta

    A soja, principal cultura do país, deve atingir 166,33 milhões de toneladas, um crescimento de 18,61 milhões em relação à safra anterior. A produtividade média esperada é de 3.509 quilos por hectare, contra 3.201 kg/ha do ciclo passado. O plantio ocorreu de forma concentrada, principalmente após outubro, e a colheita deve começar no fim de janeiro.

    As condições climáticas até o momento são favoráveis, mas a Conab monitora os possíveis impactos climáticos até o fim da colheita.

    Milho também registra avanços

    O milho deve alcançar 119,6 milhões de toneladas, um aumento de 3,3% em comparação à safra anterior. A primeira safra do cereal deve apresentar uma produtividade média de 6.062 quilos por hectare, um crescimento de 4,8%. As condições climáticas, com chuvas frequentes intercaladas por sol, favoreceram as lavouras. A colheita da primeira safra está estimada em 22,53 milhões de toneladas.

    Recuperação no arroz e feijão

    O arroz deve registrar uma produção de 11,99 milhões de toneladas, um aumento de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A área plantada cresceu 8,5%, totalizando 1,75 milhão de hectares. Além disso, a produtividade também subiu, chegando a 6.869 quilos por hectare.

    A produção de feijão deve atingir 3,4 milhões de toneladas, a segunda maior dos últimos 15 anos. A primeira safra da leguminosa apresenta alta de 15,5%, com colheita estimada em pouco mais de 1 milhão de toneladas. Cerca de 19,4% dessa colheita foi concluída na primeira semana de janeiro.

    Avanço no algodão e resultados do trigo

    A área plantada com algodão deve crescer 3,2%, alcançando 2 milhões de hectares. A produção de pluma está projetada em 3,7 milhões de toneladas, um dos maiores volumes já registrados.

    No caso do trigo, a produção caiu 2,6%, totalizando 7,89 milhões de toneladas. Ou seja, a redução da área plantada no Sul e o clima desfavorável impactaram negativamente o resultado.

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    Exportações e estoques

    A Conab projeta um aumento nas exportações de soja, com embarques estimados em 105,47 milhões de toneladas em 2024/25. As exportações de farelo devem permanecer em 22 milhões de toneladas, enquanto as de óleo estão projetadas em 1,4 milhão de toneladas.

    No milho, as vendas externas devem atingir 34 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno está previsto em 86,4 milhões de toneladas. Em resumo, os estoques finais do cereal podem chegar a 3,5 milhões de toneladas, garantindo o abastecimento interno.

    Para o arroz, é esperado um aumento das exportações, com 2 milhões de toneladas em 2024/25. Mesmo com a alta nos embarques, os estoques finais devem se recuperar, atingindo 1,28 milhão de toneladas até fevereiro de 2026.

     

  • IBGE prevê safra menor em 2024 e recuperação para 2025

    IBGE prevê safra menor em 2024 e recuperação para 2025

    A safra brasileira de grãos, leguminosas e oleaginosas para 2024 foi estimada em 294,3 milhões de toneladas, um declínio de 6,7% em relação a 2023, com redução de 21,1 milhões de toneladas, conforme dados de novembro do IBGE. No entanto, o instituto projeta recuperação para 2025, com um aumento de 7,0%, totalizando 314,8 milhões de toneladas.

    Estimativas para 2024

    A área a ser colhida em 2024 é de 79,1 milhões de hectares, um crescimento de 1,6% comparado a 2023. Apesar da expansão da área, a produção de milho (-11,9%) e soja (-4,7%) deve impactar negativamente os resultados. Já o algodão herbáceo (14,8%), arroz (3,1%), feijão (5,7%) e trigo (5,0%) apresentaram aumentos.

    Os três principais produtos — soja, milho e arroz — representam 92,1% da produção total e 87,2% da área colhida. A redução da safra de milho, com queda de 17,8% na primeira safra e de 10,3% na segunda, foi um dos principais fatores para o declínio geral.

    Projeções para 2025

    A estimativa para 2025 aponta crescimento, com destaque para a soja, cuja produção deve alcançar 144,9 milhões de toneladas, um aumento de 12,9%. O milho também apresenta recuperação, somando 115,5 milhões de toneladas, sendo 22,8 milhões da primeira safra e 92,7 milhões da segunda. Outras culturas com crescimento significativo incluem o arroz (6,5%) e o feijão (29,0% na primeira safra).

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    Desempenho regional

    A Região Norte deve registrar o maior aumento anual (10,1%) em 2024, enquanto as demais regiões enfrentam declínios: Centro-Oeste (-10,0%), Sudeste (-15,7%), Sul (-1,0%) e Nordeste (-4,0%). Mato Grosso permanece como o maior produtor nacional, com 31,2% da safra total, seguido por Paraná (12,7%) e Rio Grande do Sul (12,0%).

    Destaques de outras culturas

    • Cacau: Produção estimada em 284,1 mil toneladas, redução de 2,2% em relação a 2023, mas com aumento de 2,8% no Pará, principal produtor.
    • Cereais de inverno: O trigo deve alcançar 8,1 milhões de toneladas, crescimento de 5,0% sobre 2023, enquanto a aveia cresce 31,3% e a cevada 12,6%.
    • Feijão: A produção total das três safras deve somar 3,1 milhões de toneladas em 2024, com o Paraná liderando (26,6% do total).

    Impactos no mercado

    A previsão de recuperação para 2025 reforça a expectativa de retomada do crescimento no agronegócio brasileiro, especialmente com o aumento expressivo nas culturas de soja e milho, essenciais para a exportação e consumo interno.

     

  • Cepea destaca tendências de mercado em novembro de 2024

    Cepea destaca tendências de mercado em novembro de 2024

    O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, divulgou as análises das agromensais de novembro de 2024. Ou seja, os estudos detalham os movimentos de mercado de produtos agrícolas e pecuários, destacando tendências de preços e demandas. Confira os principais destaques:

    Açúcar

    Os preços do açúcar cristal branco em São Paulo mantiveram alta na primeira quinzena de novembro. A demanda pelo açúcar Icumsa 150 aumentou, enquanto a oferta seguiu restrita devido às exportações. Portanto, esse cenário impulsionou os preços domésticos, que atingiram máximas nominais históricas.

    Algodão

    O algodão em pluma registrou alta nos preços em novembro, especialmente no final do mês. Em resumo, a valorização do dólar e a elevação da paridade de exportação reforçaram o interesse no mercado externo, reduzindo a disponibilidade no mercado doméstico.

    Arroz

    Ao mesmo tempo, os preços do arroz em casca caíram significativamente, voltando aos níveis nominais de maio. A baixa liquidez no mercado spot do Rio Grande do Sul refletiu a pressão compradora, apesar da resistência inicial dos vendedores.

    Café

    O café robusta alcançou valores recordes no Brasil em novembro. O Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6, peneira 13 acima, registrou aumento de 11,05% em relação a outubro. Em resumo, o acumulado do mês mostrou alta expressiva de 23%, alcançando R$ 1.573,28 por saca.

    Etanol

    Após sete semanas de alta, o etanol hidratado teve queda na última semana de novembro, influenciado pelo aumento da oferta de algumas usinas em São Paulo. No entanto, o preço médio do hidratado em novembro subiu 3,91%, enquanto o anidro registrou alta de 2,41%.

    Frango

    Os preços da carne de frango atingiram os maiores patamares reais desde 2022. Ou seja, a competitividade frente às carnes bovina e suína impulsionou a valorização. Em São Paulo, o frango inteiro congelado teve aumento de 9,2%, alcançando R$ 7,99/kg no atacado.

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    Milho

    Os preços do milho subiram no início de novembro, sustentados pela retração vendedora. No entanto, a menor demanda na segunda quinzena interrompeu a alta em algumas regiões, com compradores já abastecidos reduzindo as aquisições.

    Ovinos

    Os preços do cordeiro vivo aumentaram em quase todos os estados, exceto São Paulo. A baixa oferta de animais e a valorização da carne de boi impulsionaram os valores. A carne ovina também registrou alta, refletindo a demanda de fim de ano.

    Soja

    Os preços da soja oscilaram em novembro. Na primeira quinzena, a demanda firme sustentou as altas. Já na segunda metade, indústrias retraíram novas compras, enfraquecendo as cotações.

    Trigo

    Com a colheita de trigo no Brasil quase encerrada, a menor oferta e qualidade aumentaram a necessidade de importações. Apesar da pressão nas cotações internas, o dólar valorizado deve elevar os custos de importação e dar suporte aos preços internos.

    As análises completas estão disponíveis no site do Cepea.

     

  • Trigo tropical avança no Cerrado

    Trigo tropical avança no Cerrado

    O cultivo de trigo tropical tem transformado o Cerrado brasileiro em um dos novos polos estratégicos para a triticultura nacional. Em 2024, a área plantada atingiu aproximadamente 450 mil hectares, um crescimento que reflete a adaptação do cereal às condições desafiadoras da região.

    Com forte presença nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal, o trigo tropical desponta como solução sustentável para rotação de culturas. E como alternativa econômica para os agricultores.

    Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre 2018 e 2024, a área plantada com trigo tropical cresceu 119%, enquanto a produção aumentou 95%. Esse desempenho impressionante resulta do desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima quente e seco do Cerrado, aliado à introdução de técnicas modernas de manejo.

    Empresas de pesquisa e assistência técnica foram fundamentais para disponibilizar essas tecnologias e orientar os produtores na adoção de práticas mais eficientes.

    Rotação de culturas

    O trigo tornou-se uma cultura estratégica na região, especialmente por seu papel na rotação com grãos e hortaliças. Desta forma, ajudando a interromper ciclos de pragas e doenças no solo e contribuindo para a recuperação da fertilidade.

    Em Goiás, por exemplo, a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) promoveu o slogan “Plante trigo para colher feijão”, incentivando o uso do cereal de inverno em sistemas integrados.

    O engenheiro agrônomo Cláudio Malinski, da Coopa-DF, destaca que a introdução do trigo na região não apenas viabilizou o cultivo do feijão, mas também trouxe benefícios significativos para outras culturas, como a soja. “Os resultados mostram um aumento de até seis sacas de soja por hectare após o cultivo de trigo, além do controle de plantas daninhas como buva e capim-amargoso”, explica.

    Adaptação às necessidades dos produtores

    Produtores como Paulo Bonato, de Cristalina (GO), demonstram na prática os ganhos com o trigo tropical. Com 30 anos de experiência no cultivo do cereal, Bonato relata que o trigo começou como uma alternativa para rotação de culturas e hoje ocupa um papel central na estratégia agrícola da família. “Nos anos 1990, tínhamos apenas 50 hectares com trigo irrigado. Agora, são 200 hectares, ajustados anualmente conforme a rotação dos pivôs”, afirma o produtor.

    Apesar dos desafios, como o aumento da incidência de doenças, especialmente a brusone, ajustes no calendário de semeadura e investimentos em tecnologias de irrigação têm ajudado a mitigar os impactos. Na safra de 2023, a produtividade alcançou 138 sacas por hectare no trigo irrigado, enquanto o trigo de sequeiro, embora menos produtivo (27 sacas por hectare), mostrou-se vantajoso por seus custos mais baixos e pela formação de palhada, que contribui para o controle de plantas daninhas e a preservação do solo.

    Luis Felipe Bonato, filho de Paulo, destaca que a família investiu em sensores para monitorar a umidade do solo, otimizando o uso de água nos pivôs de irrigação. “Com um consumo de cerca de 500 mm de água por hectare no trigo irrigado, sistemas mais eficientes são fundamentais para reduzir custos e preservar recursos”, explica.

    Integração com culturas

    No Cerrado mineiro, o trigo tropical encontrou um nicho promissor ao integrar sistemas de rotação com hortaliças de alto valor agregado, como cenoura, alho, batata e cebola. Em São Gotardo (MG), cidade conhecida como a “capital nacional da cenoura”, cooperados da Coopadap utilizam o trigo irrigado para melhorar a saúde do solo e reduzir custos.

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    “O trigo aproveita o residual de adubo deixado pelas hortaliças. Enquanto suas raízes profundas, que chegam a quase um metro, ajudam na descompactação do solo, favorecendo o próximo ciclo produtivo”, explica Luciel Dezordi, gerente de pesquisa da Coopadap. Em 2023, os cooperados cultivaram 3.800 hectares de trigo irrigado, além de 2.900 hectares destinados a hortaliças. Portanto, consolidando um modelo que combina eficiência agronômica e sustentabilidade econômica.

    Os desafios do clima

    Apesar do avanço técnico, o clima continua sendo o principal adversário da triticultura tropical. A seca severa em 2024 impactou fortemente os rendimentos. Em Ponta Porã (MS), a média de produtividade no trigo de sequeiro caiu de 50 para 15 sacas por hectare. Isso devido à baixa precipitação e às altas temperaturas.

    “Tivemos apenas 70 mm de chuva durante o ciclo. Algumas áreas precisaram ser replantadas, mas o trigo segue essencial no sistema de rotação. Especialmente para manter a produtividade da soja no verão”, comenta Rodrigo do Amaral, técnico agrícola da Fazenda Jaguarandi.

    No trigo irrigado, os custos também aumentaram com o calor, devido à maior evaporação da água. Marcelo Guerra, da Coopadap, ressalta ainda os desafios no armazenamento. “As temperaturas mais altas favoreceram a infestação por carunchos, exigindo investimentos inéditos em controle de pragas nos grãos”.

    Indústria e mercado aquecidos

    O trigo tropical tem atraído a atenção da indústria moageira. Em Dourados (MS), a Talita Alimentos instalou uma planta em 2021 para processar 90 toneladas de trigo por dia. Já no Triângulo Mineiro, o Moinho Sete Irmãos utiliza 95% de trigo local, impulsionando a economia regional. “Há dez anos, a produção do Cerrado era de 80 mil toneladas. Hoje, supera 450 mil toneladas, garantindo a logística eficiente e gerando renda para os produtores locais”, afirma Max Mahlow, gerente comercial do moinho.

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    Além disso, cooperativas como a Cooperalfa, com sede em Santa Catarina, veem no trigo do Cerrado uma oportunidade para diversificar a produção de grãos. E também atender demandas em anos de quebra de safra no Sul do país.

    Melhoramento genético

    O desenvolvimento de cultivares mais adaptadas ao calor e à seca é uma prioridade nos programas de melhoramento genético. A cultivar BRS 404, lançada em 2015, já apresenta rendimentos 12% superiores em condições de déficit hídrico. Por outro lado, o trigo irrigado continua sendo uma aposta com o uso de variedades como a BRS 264, que economiza água e antecipa a colheita.

    Pesquisadores como Joaquim Soares Sobrinho, da Embrapa Trigo, acreditam que o futuro da triticultura tropical está na combinação de genética avançada e novas tecnologias. “Estamos desenvolvendo marcadores moleculares e cultivares transgênicas que devem revolucionar a produção no Cerrado”, afirma.

    Com o uso de apenas 1% da área destinada ao milho safrinha, Mato Grosso do Sul poderia adicionar 210 mil hectares de trigo por ano, segundo estimativas do pesquisador Claudio Lazzarotto. “O objetivo não é substituir o milho, mas diversificar as gramíneas no inverno para garantir a sustentabilidade do sistema produtivo”, conclui.

    O avanço do trigo tropical no Cerrado é mais do que uma alternativa econômica. Ele representa uma transformação estratégica, com impacto positivo na sustentabilidade dos sistemas agrícolas, no desenvolvimento regional e na consolidação de uma nova fronteira para a triticultura brasileira.

  • Doença pode reduzir 13% produção de trigo no mundo

    Doença pode reduzir 13% produção de trigo no mundo

    As mudanças climáticas estão ampliando o alcance e a gravidade da brusone, uma doença fúngica que compromete seriamente a produção de trigo. Causada pelo fungo Pyricularia oryzae Triticum, a brusone é favorecida por altas temperaturas e umidade.

    Segundo estudo publicado na Nature Climate Change, a doença pode se expandir globalmente, afetando 13,5 milhões de hectares e reduzindo a produção mundial de trigo em até 13% até 2050.

    Antes limitada a climas tropicais e subtropicais, a brusone está surgindo em áreas de clima mais frio e seco, como Bangladesh e o sul do Brasil. No estado do Rio Grande do Sul, surtos recentes foram associados ao aumento das temperaturas mínimas durante o inverno, criando condições ideais para o desenvolvimento do fungo. Esse cenário é preocupante, pois indica que a doença pode avançar para novas regiões, impactando drasticamente áreas agrícolas.

    História

    Historicamente, a brusone surgiu no trigo no Brasil em 1985, no Paraná. Rapidamente se espalhou pela América do Sul, com grandes surtos no Paraguai, Bolívia e Argentina, causando perdas de até 80%. Fora do continente, a doença foi registrada pela primeira vez em Bangladesh em 2016, com prejuízos acima de 30%. Desde então já chegou à África e ao Uruguai. A dispersão ocorre principalmente pelo vento e pelo comércio de grãos e sementes contaminadas, o que aumenta o risco de surtos em novos territórios.

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    Projeções baseadas em modelos climáticos sugerem que, até 2050, a brusone pode atingir continentes inteiros, com exceção da Antártida. Países como Estados Unidos, França, Itália, China e Austrália estão entre os possíveis novos alvos da doença, o que pode comprometer a segurança alimentar global.

    Iniciativas de melhoramento genético, controle químico e manejo agrícola vêm sendo desenvolvidas. Mas os especialistas afirmam que, diante do aquecimento global, soluções mais robustas e estratégias preventivas são necessárias.

    Enfrentar a brusone será essencial para proteger o trigo, que é um dos alimentos mais consumidos no mundo, e para garantir a resiliência da produção agrícola em um cenário de mudanças climáticas.