Tag: sustentabilidade

  • Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode transformar a gestão das terras no Brasil. O PL 4516/25 cria diretrizes para um programa nacional de monitoramento da saúde do solo, usando tecnologias modernas como sensoriamento remoto e análise digital.

    O autor do projeto, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), quer integrar a proposta à Lei da Política Agrícola. O objetivo central é padronizar a coleta e o armazenamento de dados sobre o solo em todo o país. O sistema integraria essas informações ao zoneamento agroecológico e a plataformas de gestão territorial.

    Dados públicos para todos os produtores

    Um dos pontos-chave do texto é a previsão de disponibilização pública das bases de dados. A medida facilitará o acesso de produtores rurais, de pequenos a grandes, a informações técnicas detalhadas sobre a qualidade de suas terras.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO), defendeu a aprovação. Ele argumenta que a falta de dados padronizados hoje prejudica o setor produtivo. “A ausência limita diagnósticos confiáveis, prejudica o manejo racional de insumos e reduz a eficiência produtiva”, afirmou Guimarães.

    Combate à degradação e ganho em sustentabilidade

    Segundo o relator, o novo sistema ajudará o país a combater problemas graves como erosão, perda de fertilidade e desertificação. Essas ameaças impactam diretamente a segurança alimentar e a biodiversidade.

    O projeto também prevê a criação de indicadores de qualidade do solo e sistemas de alerta precoce para degradação. A medida estimula a cooperação entre governo e instituições de pesquisa. Para Guimarães, a proposta “fortalece o manejo conservacionista, a agricultura de precisão e políticas públicas baseadas em evidências”.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O projeto tramita em caráter conclusivo. Agora, as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça analisam a proposta. Após esse trâmite, se aprovado, seguirá para o Senado Federal. Somente após passar pelas duas Casas o projeto pode se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    O sonho de uma vida tranquila em meio à natureza levou uma família de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a criar uma bebida inédita no país: o Gin Puhuk, primeiro destilado brasileiro elaborado com mel de abelhas nativas sem ferrão.

    Tudo começou quando Maria de Fátima Godinho e Ivan Correia de Souza compraram uma propriedade nas montanhas de Nova Lima para desfrutar a aposentadoria. A rotina pacata ganhou novo rumo após o filho, Lucas, convidá-los para um curso de produção de cerveja. O que era um passatempo acabou virando negócio: a família abriu uma microcervejaria e, depois, uma destilaria artesanal.

    Durante a pandemia de Covid-19, o projeto ganhou uma nova líder: Fernanda Godinho de Souza, filha do casal, que se formou como Master Distiller e decidiu criar um gin com identidade brasileira. “O gin me encanta pela relação com os botânicos e com a natureza. O mel trouxe uma doçura natural e uma assinatura única para a bebida”, conta Fernanda.

    Identidade e sabor brasileiro

    O gin é uma bebida destilada de base neutra aromatizada com botânicos como ervas, frutas e raízes. No Gin Puhuk, o zimbro mantém o toque tradicional, mas o diferencial está no mel produzido no próprio meliponário da família.

    Na linha Old Tom, Fernanda utiliza mel da abelha Jataí, apreciada pelas propriedades medicinais, e da Uruçu-Amarela, uma das maiores produtoras entre as espécies nativas. “Hoje temos 11 espécies em nosso meliponário. Elas garantem sabor, autenticidade e sustentabilidade ao produto”, explica.

    O nome “Puhuk” também reforça essa conexão com a natureza: significa “abelha” na língua indígena Machacali, de Minas Gerais.

    Produção local e apoio técnico

    O Gin Puhuk faz parte de um arranjo produtivo local com apoio da Emater-MG. A destilaria compra a maior parte dos botânicos de agricultores familiares da região, fortalecendo a economia local. Apenas o zimbro é importado.

    A extensionista da Emater-MG Adriene Patrícia Lemos destaca o papel da instituição no apoio às agroindústrias artesanais. “Acompanha-se desde a capacitação até a regularização dos empreendimentos. Nosso foco é garantir boas práticas e qualidade no processo produtivo”, afirma.

    Atualmente, o Gin Puhuk é vendido em feiras organizadas pela Emater-MG, em bares de Nova Lima e Belo Horizonte, e também pela internet. A cada garrafa, a família mineira reforça o compromisso com a inovação, o território e a biodiversidade.

  • Artigo: O papel do consultor na rastreabilidade da cadeia de carne

    Artigo: O papel do consultor na rastreabilidade da cadeia de carne

    A rastreabilidade na cadeia frigorífica se tornou um pilar essencial não apenas para a segurança alimentar e a credibilidade do setor, mas também para a sustentabilidade e a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança). Em um mercado cada vez mais regulado, globalizado e atento à origem dos alimentos, garantir o controle do campo ao consumidor final é um desafio estratégico para a competitividade do setor de carnes no Brasil. Nesse cenário, o papel do consultor especializado se torna fundamental.

    A cadeia da carne envolve múltiplos elos, desde a produção animal, passando pelo transporte, abate, processamento, armazenamento e distribuição. Cada etapa exige controle rigoroso de dados, cumprimento de normas sanitárias, ambientais e trabalhistas, além de padrões de qualidade cada vez mais exigentes pelos mercados interno e internacional. A rastreabilidade, portanto, vai muito além da adoção de sistemas tecnológicos. Ela depende de processos bem estruturados, pessoas capacitadas e de uma visão sistêmica orientada à sustentabilidade.

    Sob a ótica ambiental, a rastreabilidade é uma ferramenta estratégica no combate ao desmatamento ilegal, um dos principais desafios do setor pecuário. Por meio do monitoramento da origem dos animais e da qualificação dos fornecedores, é possível cruzar dados produtivos, geográficos e ambientais, garantindo que a produção não esteja associada a áreas irregulares.

    O consultor atua de forma decisiva ao mapear riscos, orientar adequações e assegurar conformidade com a legislação ambiental e com compromissos de desmatamento zero, reduzindo riscos reputacionais e comerciais.

    Monitoramento de emissões

    Outro aspecto cada vez mais relevante é o monitoramento das emissões de carbono ao longo da cadeia produtiva. Com dados confiáveis e bem estruturados, frigoríficos e indústrias conseguem identificar etapas mais intensivas em emissões, apoiar inventários de gases de efeito estufa e desenvolver estratégias de mitigação. Nesse contexto, o consultor contribui para transformar informações operacionais em inteligência estratégica, apoiando decisões alinhadas às metas climáticas e às exigências de investidores e mercados internacionais.

    A rastreabilidade também favorece o uso racional de recursos naturais, como água, energia e insumos produtivos. Ao acompanhar cada etapa do processo, torna-se possível identificar desperdícios, padronizar operações e adotar práticas mais eficientes. A atuação consultiva auxilia na implementação de controles e tecnologias que promovem ganhos ambientais e econômicos, fortalecendo a eficiência operacional da cadeia.

    No eixo social, o tema do bem-estar animal ganha cada vez mais relevância no debate público e no consumo consciente. A rastreabilidade assegura registros sobre manejo, transporte e abate, garantindo conformidade com protocolos técnicos e normas nacionais e internacionais. O consultor especializado orienta a adoção de boas práticas, o treinamento das equipes e a preparação para auditorias. Assim, contribuindo para elevar os padrões do setor e agregar valor ao produto final.

    Agente integrador

    Nesse cenário complexo, o consultor atua como um agente integrador. Ele é responsável por mapear processos, identificar riscos, corrigir falhas e orientar a implementação de práticas que garantam uma rastreabilidade efetiva. Seu trabalho começa no diagnóstico da operação, avaliando desde a origem da matéria-prima até os registros finais de expedição. Assegurando que as informações sejam confiáveis, auditáveis e alinhadas às exigências legais, ambientais e de mercado.

    Além disso, a crescente demanda por tecnologias aplicadas à cadeia da carne, como sistemas de gestão integrados, automação de registros, códigos de identificação e soluções digitais de monitoramento em tempo real, reforçam o papel estratégico do consultor. Mais do que indicar ferramentas, ele garante que essas soluções sejam corretamente implementadas, integradas aos processos existentes e compreendidas pelas equipes envolvidas.

    Por fim, a rastreabilidade se consolida como um pilar de transparência para investidores, clientes e consumidores. Dados claros e auditáveis fortalecem a governança corporativa, ampliam o acesso a mercados e permitem uma comunicação mais consistente sobre compromissos ESG. O consultor especializado atua como elo entre a indústria, os órgãos reguladores e o mercado. Ajudando empresas a se posicionarem de forma responsável, competitiva e preparada para o futuro.

    Quando bem estruturada, a rastreabilidade fortalece a reputação da marca, amplia oportunidades comerciais e contribui para uma cadeia da carne mais segura, sustentável, transparente e eficiente para todos os envolvidos.

    Paulo Duque, é consultor na área frigorífica e CEO do Rei da Linguiça

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

  • Demanda por crédito rural atinge R$ 1 trilhão e abre mercado para startups

    Demanda por crédito rural atinge R$ 1 trilhão e abre mercado para startups

    O agronegócio brasileiro ultrapassou R$ 1 trilhão em demanda por crédito em 2024, revela o Boletim de Finanças Privadas do Agro que o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou recentemente. Os dados confirmam a força do setor na economia nacional e expõem um desequilíbrio histórico: grandes produtores e mecanismos tradicionais ainda concentram a maior parte do acesso ao capital.

    Um novo ecossistema, no entanto, ganha protagonismo para transformar esse cenário. As agfintechs, startups que combinam tecnologia e soluções financeiras, desenvolvem alternativas específicas para o campo. Essas empresas trabalham junto a plataformas de investimento coletivo e abrem rotas de crédito mais descentralizadas, flexíveis e inclusivas.

    Agfintechs crescem 14,1% e consolidam Brasil como polo de inovação agrícola

    O Brasil já conta com 97 agfintechs em 2024, crescimento de 14,1% em relação a 2023. O Radar Agtech Brasil 2024, estudo que a Embrapa elaborou em parceria com SP Ventures e Homo Ludens Research, monitora o ecossistema desde 2019 e confirma: o país se consolida como um dos polos mais promissores de inovação agrícola no mundo.

    As empresas oferecem soluções diversificadas. Antecipação de recebíveis via CPR digital, crédito peer-to-peer, seguro paramétrico com base em dados climáticos e plataformas integradas de gestão financeira e risco atendem desde pequenos produtores familiares até grandes cooperativas agroindustriais.

    Mercado de capitais democratiza financiamento do agronegócio

    O mercado de capitais agora representa uma alternativa concreta para financiar o agro. A Resolução CVM 88, em vigor desde 2022, permite ofertas públicas de até R$ 15 milhões por meio de plataformas de investimento coletivo reguladas. A Arara Seed, primeira plataforma do Brasil dedicada exclusivamente a agro, food e climate tech, lidera esse movimento.

    A regulamentação criou espaço para novas estruturas de financiamento. Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) pulverizados, Notas Comerciais lastreadas em recebíveis rurais e CPRs democratizam o acesso a capital. Startups, pequenas empresas e produtores que grandes bancos ignoravam agora encontram investidores.

    Sustentabilidade atrai nova geração de investidores para o campo

    O perfil dos investidores mudou significativamente. A rentabilidade deixou de ser o único critério. Investidores buscam cada vez mais projetos com impacto e propósito definidos. Iniciativas focadas em clima, rastreabilidade de alimentos, agricultura regenerativa e descarbonização atraem desde fundos institucionais até pessoas físicas que desejam gerar impacto positivo.

    “O desafio do agro hoje não é apenas produzir em escala, mas inovar com responsabilidade, rastreabilidade e menor impacto ambiental. Essa nova lógica abre espaço para investimentos mais descentralizados e alinhados aos valores do investidor moderno”, destaca Henrique Galvani, CEO da Arara Seed.

    Aportes acessíveis e potencial de alto retorno transformam o agro em campo fértil para quem busca diversificar a carteira com ativos reais e sustentáveis.

    Brasil lidera transição global para agronegócio tecnológico e regenerativo

    A tendência se fortalece: nos próximos anos, investidores devem aportar bilhões em soluções que envolvem inteligência artificial aplicada ao campo, biológicos, monitoramento climático, agroflorestas e plataformas digitais de crédito e seguro rural.

    O Brasil ocupa posição privilegiada nessa transição global. A vocação agrícola do país e a diversidade de biomas criam condições ideais para liderar um modelo de produção mais eficiente, tecnológico e regenerativo.

    “Com um ecossistema em expansão, demanda reprimida por crédito e startups cada vez mais preparadas para escalar, o agronegócio brasileiro se posiciona como um dos setores mais promissores para quem deseja unir impacto e retorno financeiro”, conclui Galvani.

  • Bayer apresenta resultados da plataforma PRO Carbono

    Bayer apresenta resultados da plataforma PRO Carbono

    A Bayer apresentou, nesta terça-feira, 9, os resultados da plataforma PRO Carbono durante a quarta edição do Carbon Science Talks, realizado na Amcham Brasil, em São Paulo. O evento reuniu empresas, pesquisadores e agricultores para discutir descarbonização das cadeias agrícolas e práticas regenerativas no campo.

    Com apoio de 47 especialistas e 19 instituições, incluindo Embrapa, INTA e INTI, a Bayer desenvolveu metodologias científicas, ferramentas digitais e modelos escaláveis para quantificar emissões e remoções de carbono, orientar práticas de agricultura regenerativa e comprovar impactos ao longo da cadeia.

    PRO Carbono: de programa a plataforma regional

    O PRO Carbono integra atualmente mais de 3 mil agricultores no Brasil, Argentina e Paraguai, cobrindo mais de 3 milhões de hectares de soja, milho e algodão. Nas áreas participantes, práticas como plantio direto, rotação de culturas e cobertura do solo resultaram em:

    • Ganho médio de 11% na produtividade anual
    • Aumento de 9% na estabilidade produtiva
    • Redução de até 50% na pegada de carbono, podendo superar 70% com manejo aprimorado
    • Aumento de 50% no sequestro de carbono, mesmo em condições climáticas adversas

    Até 2025, os projetos já removeram 1,39 milhão de toneladas de CO₂eq, equivalente a 231 mil hectares em reflorestamento. Produtores com maior adoção registraram remoções médias de 2,1 tCO₂eq/ha/ano, acima da média científica de 1,4 tCO₂eq/ha/ano, segundo Marina Menin, diretora do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina.

    Plataforma conecta agricultura, indústria e mercado

    O evento também marcou a evolução do PRO Carbono para uma plataforma regional, reunindo mais de 20 projetos para mensuração de carbono, adoção de práticas regenerativas e comprovação de impactos em escala.

    Um exemplo é a parceria com a Viterra na Argentina, envolvendo 1.200 produtores e 2 milhões de hectares de soja com pegada de carbono calculada. No primeiro ano, as áreas participantes reduziram a pegada em 35%, podendo chegar a 60% com intensificação das práticas. A expansão para o Paraguai está prevista.

    Marcos Quaine, líder de Sustentabilidade da Viterra Conosur, afirma: “A gestão de emissões de carbono deixou de ser tema ambiental para se tornar um atributo estratégico de negócio. O objetivo é escalar soluções com valor para produtores, indústria e consumidores.”

    Ciência, dados e soluções digitais

    A plataforma é habilitada por ferramentas científicas e digitais que reduzem incertezas e garantem rastreabilidade. Entre elas:

    • Footprint PRO Carbono (Embrapa): calcula pegada de carbono e gera relatórios auditáveis
    • PROCarbon-Soil (PROCS): estima potencial de sequestro de carbono no solo
    • Conecta PRO Carbono: sistema MMRV para medir, monitorar, reportar e verificar impactos

    Segundo Marina Menin, “as soluções conectam a cadeia agrícola, apoiam metas de descarbonização do Escopo 3 e garantem rastreabilidade, transparência e credibilidade na ação climática.”

    Finanças sustentáveis para produtores

    Em parceria com o Rabobank, o PRO Carbono oferece incentivos financeiros atrelados a resultados ambientais. Produtores devem cumprir KPIs de ESG, com foco em emissões de gases de efeito estufa e plano de redução. Cada indicador gera desconto adicional na taxa, podendo ultrapassar 0,6%, segundo Taciano Custodio, head de Sustentabilidade da América do Sul no Rabobank.

    “Unimos forças para acelerar a descarbonização da agricultura, oferecendo recursos, conhecimento e ferramentas que geram impacto real e vantagem competitiva para produtores”, afirma Custodio.

    Reconhecimento do mercado

    A Bayer foi uma das vencedoras do Prêmio Eco 2025 da Amcham Brasil, reconhecendo empresas que usam a sustentabilidade como vetor estratégico de competitividade. Em 2025, a plataforma participou de nove premiações do setor, com sete projetos publicados e três premiados, consolidando seu papel na minimização da pegada de carbono e competitividade do agronegócio brasileiro.

  • Estudantes baianos transformam caranguejo em fertilizante sustentável

    Estudantes baianos transformam caranguejo em fertilizante sustentável

    Nicolas Yudi tem 17 anos e um problema pra resolver. Em Ilhéus, litoral sul da Bahia, ele via diariamente o descarte incorreto de resíduos de caranguejo. Cascas, patas, carapaças, tudo jogado fora sem destino certo. Foi quando uma ideia surgiu: e se esse “lixo” virasse solução? Junto com a colega Ana Cecília Assis, Nicolas criou o BioH+, um fertilizante natural feito inteiramente com os restos do crustáceo.

    Ana Cecília Assis, professor Glauber Guimarães e Nicolas Yudi. Foto: Arquivo Pessoal

    O produto não só resolve o problema do descarte inadequado, como também corrige solos agrícolas de forma sustentável. A iniciativa já garantiu ao jovem o primeiro lugar na Batalha da Semana da Inovação, em Ilhéus, e uma vaga na final da Feira Internacional de Iniciação Científica (FENIC), realizada pelo SESI Bahia em dezembro de 2024.

    “A escola nunca tratou ciência como algo distante da gente”, conta Nicolas, estudante da Escola SESI Adonias Filho. “Desde cedo, os professores nos incentivaram a olhar pros problemas da nossa comunidade e enxergar oportunidades de pesquisa ali mesmo.”

    O projeto também participou da Imersão do Bahia Tech Experience e chegou à final do Desafio Liga Jovem, do Sebrae. Para um adolescente que ainda cursa o ensino médio, os resultados mostram que ciência não é coisa só de laboratório. É ferramenta pra mudar realidades.

    Quando a escola vira laboratório de inovação

    O sucesso de Nicolas não veio do acaso. A Escola SESI Bahia adota um programa de iniciação científica que coloca os alunos em contato direto com pesquisa desde cedo. A ideia é simples: estimular estudantes a identificarem problemas cotidianos e buscarem soluções práticas.

    Glauber Guimarães, professor e orientador de iniciação científica na unidade de Ilhéus, acompanhou de perto o desenvolvimento do BioH+. “Sempre procuro estimular essa visão investigativa, instigando perguntas e mostrando caminhos possíveis”, explica. Segundo ele, o projeto não nasceu pronto – começou como uma inquietação científica que, com acompanhamento técnico, ganhou forma e profundidade.

    As feiras nacionais funcionam como vitrine e validação. “Esses eventos mostraram pra mim que ciência e inovação podem ser um caminho real de carreira”, diz Nicolas. “Conhecer outros jovens pesquisadores e receber feedback de profissionais me deu mais confiança.”

    Da escola pro mercado: trajetórias que inspiram

    A metodologia do SESI também já rendeu frutos em outras áreas. Luiza Gabriella dos Santos, 22 anos, ex-aluna do SESI Candeias, começou sua jornada científica ainda mais cedo, no 9º ano do ensino fundamental, durante uma atividade piloto de iniciação científica.

    Hoje, Luiza cursa Engenharia de Software e coleciona vitórias em hackathons. Já participou de seis maratonas de tecnologia e ficou no pódio em quatro delas. Em outubro, conquistou o primeiro lugar no Hackathon de Inovação em Saúde do SESI Bahia, desenvolvendo um aplicativo para agendamento de consultas.

    “A iniciação científica me provocou uma inquietude voltada pra projetos com impacto social”, revela. “A Engenharia de Software surgiu como fruto disso, com a ideia de utilizar tecnologia pra resolver problemas reais.”

    Para Luiza, os resultados refletem a base técnica e interpessoal que a escola proporcionou. “Ver de perto como pequenas ideias se transformam em grandes projetos reforçou meu desejo de seguir carreira em gestão de projetos, análise de dados e pesquisa.”

    O que vem pela frente

    Os casos de Nicolas e Luiza mostram que investir em ciência na escola vai além de preparar alunos pra vestibular. A iniciação científica forma pesquisadores, empreendedores e cidadãos capazes de enxergar e resolver problemas ao seu redor.

    “Quando um aluno bem orientado encontra um espaço de validação como a FENIC ou o Bahia Tech Experience, ele entende que ciência é um caminho possível e que suas ideias podem alcançar impacto real”, resume o professor Glauber.

    Nicolas, por enquanto, segue focado em aprimorar o BioH+ e expandir suas aplicações. O sonho? Transformar o projeto em negócio e levar a solução pra produtores rurais da região. Quem diria que casca de caranguejo poderia abrir tantas portas.

  • Brasil e Coreia do Sul fortalecem aliança por agricultura sustentável

    Brasil e Coreia do Sul fortalecem aliança por agricultura sustentável

    Em um movimento estratégico para posicionar o agronegócio brasileiro na vanguarda da inovação, uma delegação de alto nível do Brasil realizou uma visita técnica a polos de tecnologia na Coreia do Sul nesta segunda-feira (24). O objetivo central da missão foi ampliar a cooperação bilateral no desenvolvimento de tecnologias voltadas para uma agricultura sustentável.

    Liderada pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, a comitiva visitou as instalações das multinacionais LG e CJ Bio, duas referências globais em química, biotecnologia e soluções para o agro.

    A agenda focou em estreitar laços para o desenvolvimento de agrotóxicos mais modernos e seguros, bioinsumos e tecnologias de baixo impacto ambiental. A iniciativa reforça a busca do Brasil por parcerias que garantam a competitividade do setor, aliando produtividade à sustentabilidade.

    “A agricultura brasileira é baseada em inovação. Somos a potência que somos por conta da inovação. Por isso, estreitar relações entre os países é essencial para manter a competitividade do agro”, afirmou o secretário Carlos Goulart.

    Na vanguarda da inovação: visita à LG

    Na LG, os representantes brasileiros conheceram a estrutura global do conglomerado, que vai desde a eletrônica até a química avançada. A empresa apresentou seu modelo de gestão, que prioriza sustentabilidade e governança, e destacou o trabalho de sua divisão agrícola, a FarmHannong, líder na Coreia em proteção de cultivos.

    A multinacional demonstrou forte interesse em expandir suas operações no mercado brasileiro e em dar continuidade às parcerias já estabelecidas com o Mapa e com a Anvisa – que também integrou a delegação.

    Biotecnologia a serviço do campo: reunião na CJ Bio

    Já na CJ Bio, especialista mundial em biotecnologia aplicada, a delegação acompanhou de perto os avanços em plataformas de desenvolvimento de microrganismos e processos de fermentação para produção de bioinsumos.

    Foram apresentadas soluções inovadoras para a produção de inoculantes, bioestimulantes e pesticidas biológicos, todas com foco na redução de emissões e na recuperação de solos. A empresa confirmou interesse em criar produtos biológicos específicos para as culturas de soja e milho, fundamentais para a economia do Brasil.

  • COP30 distribui cestas da agricultura familiar aos voluntários

    COP30 distribui cestas da agricultura familiar aos voluntários

    Voluntários da COP30 recebem kits com alimentos da agricultura familiar brasileira desde o último sábado. A iniciativa beneficia 1,3 mil pessoas que atuam na conferência climática em Belém.

    A distribuição começou no dia 15 e continua até esta sexta-feira, dia 21. Nesta segunda-feira, mais um grupo recebeu as cestas. Ao todo, serão entregues duas mil unidades durante o evento.

    Alimentos regionais compõem os kits

    As cestas reúnem produtos de diferentes biomas brasileiros. Entre os itens estão doce de umbu, castanha-do-pará e farinha de baru. Além disso, os kits incluem flocão de milho, castanha de baru e amêndoa de licuri. O óleo de coco babaçu orgânico também faz parte da seleção.

    Universitária valoriza troca cultural

    Foto: divulgação – Agência Brasil/Tânia Rêgo

    Gabriella de Araújo, estudante universitária, trabalha como voluntária na COP30. Ela atua nos serviços de tradução do evento. A jovem destaca que a experiência permite praticar idiomas e conhecer pessoas.
    “Eu adoro essa possibilidade de estar sempre conhecendo pessoas novas”, afirma Gabriella. Ela explica que a troca de experiências enriquece o trabalho voluntário. Os participantes compartilham suas histórias e culturas durante a conferência.
    A universitária vê as cestas como oportunidade única de experimentar sabores regionais. “Nunca havia provado certos tipos de castanha que vieram”, conta ela. Para Gabriella, a iniciativa ajuda a entender melhor a segurança alimentar brasileira.

    Parceria reúne três órgãos federais

    O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social coordena a ação. O Programa de Aquisição de Alimentos financia a compra dos produtos. A Companhia Nacional de Abastecimento e a Secretaria Extraordinária da COP30 também participam da iniciativa.
    Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, ressalta a importância da ação. Segundo ela, a entrega valoriza os agricultores familiares do país. Além disso, demonstra como essa produção contribui para reduzir o aquecimento global.
    “A agricultura familiar alimenta o nosso país com comida de verdade”, destaca Rahal. A secretária enfatiza a relevância de mostrar essa produção na COP30. Os alimentos representam diferentes biomas e comunidades tradicionais brasileiras.

    Produção sustentável de comunidades tradicionais

    Os produtos vêm de agricultores familiares, indígenas, quilombolas e ribeirinhos. As comunidades extrativistas também contribuem com itens para as cestas. Dessa forma, a iniciativa promove a diversidade alimentar e cultural do Brasil.
    Outros trabalhadores da conferência climática também receberão os kits alimentares. A distribuição reforça o compromisso brasileiro com sistemas alimentares sustentáveis. Consequentemente, a ação une segurança alimentar e proteção ambiental no maior evento climático do ano.

     

  • Paraná consolida liderança na produção de mel

    Paraná consolida liderança na produção de mel

    O 19º Seminário Paranaense de Meliponicultura, realizado no último fim de semana em Prudentópolis, tornou-se um termômetro do crescimento explosivo do setor no estado. Com mais de 500 participantes, o evento superou expectativas. E evidenciou a meliponicultora, criação de abelhas nativas sem ferrão, como uma lucrativa frente de negócios no agronegócio paranaense.

    O seminário, o primeiro na cidade desde 2018, contou com palestras e oficinas que focaram na geração de renda, sustentabilidade e equilíbrio ambiental. A organização foi da Câmara Técnica do setor, que reúne associações de produtores, universidades e entidades públicas como o IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná).

    Ouro líquido: o valor estratégico do mel sem ferrão

    Diferente da apicultura tradicional (com abelhas com ferrão do gênero Apis), a meliponicultura produz um mel mais raro e valorizado. Embora a produção por enxame seja menor (de 0,5 kg a 3 kg, contra uma média de 25 kg da Apis), o preço no mercado é significativamente maior.

    De acordo com extensionistas do IDR-Paraná, o mel das abelhas sem ferrão pode ser comercializado pelo produtor a preços entre R$ 70 e R$ 150 o quilo. Em comparação, o mel da abelha comum (Apis) chega à indústria em torno de R$ 10 o quilo. Esse valor agregado, somado aos menores custos de manejo, transforma a atividade em uma poderosa fonte de renda complementar para a agricultura familiar.

    “Os temas abordados foram ótimos, cumprindo os objetivos de transmitir conhecimentos sobre a promoção e geração de renda. O feedback foi muito positivo”, afirmou Marlon Tiago Hladczuk, extensionista do IDR-Paraná.

    Paraná: líder nacional na produção de mel

    O fortalecimento da meliponicultura ocorre em um momento em que o Paraná se consolida como potência no mercado do mel. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, compilados pelo Deral/Seab, mostram que o estado assumiu a liderança na produção nacional em 2024, com 9,82 mil toneladas. O equivalente a 14,6% da produção brasileira.

    Na esteira do sucesso, o estado também é o terceiro maior exportador do produto em 2025, com 5,57 mil toneladas vendidas ao exterior, gerando uma receita de US$ 18,64 milhões. Os Estados Unidos são o principal destino, absorvendo 82,5% do mel exportado pelo Paraná.

  • Agro brasileiro mostra sustentabilidade na COP30

    Agro brasileiro mostra sustentabilidade na COP30

    O Sistema CNA/Senar vai destacar, na COP30, o papel da agropecuária brasileira na segurança alimentar e nas soluções climáticas. O evento será realizado de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).

    Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o Sistema apresentará iniciativas sustentáveis e tecnologias aplicadas no campo. A programação inclui dias temáticos, debates, vídeos, conteúdos técnicos e documentos de referência. As ações vão ocorrer em dois espaços principais: AgriZone e Blue Zone.

    AgriZone terá pavilhão dedicado ao agro sustentável

    A AgriZone funcionará na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém. O Sistema CNA/Senar vai instalar o Pavilhão AgroBrasil, que receberá o público da COP 30 entre os dias 10 e 21 de novembro.
    O espaço abrigará debates sobre cadeias produtivas como grãos, café, frutas, cacau, pecuária, aves, suínos e pescados. Também haverá painéis sobre práticas sustentáveis, segurança alimentar, agroenergia e comunicação no agro.
    O pavilhão contará com praça central, auditório e praça de alimentação, todos equipados com infraestrutura digital. O público terá acesso a informações sobre projetos sustentáveis e ações do Sistema CNA/Senar voltadas aos produtores rurais.

    Carreta Agro pelo Brasil leva inovação e conhecimento

    A Carreta Agro pelo Brasil também participará da AgriZone. O veículo percorre o país levando informação e capacitação a produtores rurais.
    Com 98 metros quadrados de área útil, a carreta oferece espaços multiusos para palestras, treinamentos e cursos técnicos. O público poderá conhecer uma cozinha experimental, um espaço imersivo com vídeos sobre o agro sustentável e um estúdio de podcast totalmente equipado.

    Blue Zone discutirá mercado de carbono e transição climática

    Na Blue Zone, o Sistema CNA/Senar terá um estande institucional. O espaço reúne países, governos, empresas e organismos internacionais que participam das negociações climáticas globais.
    De 10 a 20 de novembro, o local sediará dias temáticos sobre adaptação, mitigação, transição justa e energias renováveis. Também serão debatidos mercado de carbono, transparência e o balanço global das ações climáticas (Global Stock Take).
    No Dia do Agro, marcado para 19 de novembro, o Sistema CNA/Senar promoverá painéis sobre o papel da agricultura nas soluções para o clima. Entre os temas estão “Produtores rurais como agentes da ação climática” e “O futuro do Agro no Acordo de Paris”.

    Documento orienta posicionamento do agro brasileiro

    A CNA levará à COP 30 o documento “Agropecuária Brasileira na COP 30”, com o posicionamento oficial do setor. O material reúne propostas e contribuições dos produtores rurais brasileiros.
    Essas informações vão subsidiar negociadores e autoridades brasileiras, além de embasar os debates durante a Conferência. O objetivo é mostrar que o agro brasileiro é parte da solução climática global, com práticas produtivas sustentáveis e tecnológicas.