Tag: sustentabilidade

  • Tecnologia impulsiona nova fase dos Cafés do Brasil

    Tecnologia impulsiona nova fase dos Cafés do Brasil

    O Brasil apresentou um novo posicionamento para os “Cafés do Brasil”, destacando a tecnologia como força motriz da inovação e do desenvolvimento sustentável. O conceito ESG+T, que adiciona “tecnologia” à tradicional sigla ambiental, social e de governança, foi lançado durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG).

    O projeto, desenvolvido pela agência Design Bridge and Partners em parceria com a cadeia produtiva e o governo federal, reforça que tradição e tecnologia caminham juntas. A iniciativa busca mostrar que a cafeicultura brasileira alia inovação e responsabilidade ambiental, social e de governança, renovando diariamente suas práticas em todas as regiões produtoras.

    Modernização

    Segundo Fabrício Andrade, presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, o novo posicionamento moderniza a comunicação do setor. “Atualizamos o que queremos transmitir sobre os ‘Cafés do Brasil’ diante das novas demandas do mercado. Também renovamos a identidade visual e verbal para comunicar desenvolvimento com responsabilidade ambiental e social, boa governança e soluções tecnológicas que geram progresso para todo o país”, afirmou.

    Além da CNA, o trabalho envolveu a ABIC, ABICS, Cecafé, CNC, BSCA e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Andrade explica que o estudo identificou a necessidade de fortalecer a narrativa sobre os impactos positivos da cafeicultura brasileira. “Decidimos incluir o ‘T’, de tecnologia, no ESG, mostrando que o Brasil produz café com inovação, sustentabilidade e compromisso social”, acrescentou.

    Conceito ESG+T

    O conceito ESG+T reforça que o país é referência mundial em qualidade e sustentabilidade. A atualização aproxima a marca das necessidades dos consumidores e das empresas compradoras, valorizando o produto nacional e sua imagem de consistência, segurança alimentar e inovação.

    A modernização também inclui uma nova logomarca, adaptada para mídias digitais. O símbolo mantém o reconhecimento da marca, mas adota linhas mais simples e contemporâneas, refletindo um café moderno e conectado ao futuro. “A marca passa a expressar confiança, ética, autenticidade e diversidade, celebrando as pessoas e culturas que compõem nossa cafeicultura”, explicou Andrade.

    Reposicionamento

    Para o diretor de Estratégia da Design Bridge and Partners, Renor Sell Junior, o reposicionamento marca uma virada na história dos Cafés do Brasil. “O país mostra que não é apenas o maior produtor, mas um líder que une tradição e futuro. Ao integrar tecnologia e sustentabilidade, criamos um modelo que preserva raízes e abre novos ciclos de desenvolvimento”, disse.

    O diretor de design da agência, Shingo Sato, destacou que a nova identidade visual traduz inovação em arte. “Ressignificamos a marca pela lente do ESG+T, respeitando o legado e projetando-a para o futuro. O sistema gráfico ESGT Fields transforma a paisagem dos cafezais em expressões digitais vivas e diversas”, completou.
    A fotografia institucional também foi renovada. As imagens abandonam o clichê rústico e artesanal e passam a retratar uma produção tecnológica, diversa e humana. O objetivo é revelar a modernidade da cafeicultura brasileira e o papel da inovação no campo.

    Liderança brasileira

    A força do novo posicionamento se apoia em números que comprovam a liderança brasileira. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por 31% da produção global, com 54,2 milhões de sacas colhidas na safra 2024/25. Em 2024, o país exportou 50,4 milhões de sacas para cerca de 120 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Itália e Japão.

    O país também é o segundo maior consumidor mundial de café, com 21,9 milhões de sacas por ano, e possui o maior parque industrial de café solúvel, com capacidade de 132 mil toneladas anuais. O setor conta ainda com um dos maiores bancos de germoplasma do mundo, com cinco mil acessos genéticos e 174 variedades registradas.

    Desde os anos 1980, o Brasil reduziu em 40% a área plantada e aumentou a produção em 87%, impulsionado por tecnologia, melhoramento genético e boas práticas agrícolas. Essa combinação elevou a produtividade em 130%, preservando 43,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas regiões produtoras.

    Sustentabilidade

    A sustentabilidade é outro diferencial. Em Minas Gerais, 99% das 115 mil propriedades de café registradas no CAR não apresentam desmatamento após 2008. Cerca de um terço dessas fazendas mantém mais vegetação nativa do que o exigido por lei, somando 302 mil hectares de áreas excedentes.

    Pesquisas da USP e da Imaflora mostram que a cafeicultura brasileira armazena grandes volumes de carbono em áreas de preservação e reservas legais. As práticas sustentáveis, como uso de fertilizantes organominerais e cobertura vegetal, permitem capturar mais CO₂ do que emitir, reforçando o papel do setor na mitigação climática.

    A Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil garante rastreabilidade e transparência, permitindo comprovar que o café nacional é livre de desmatamento desde 2020. O sistema cruza dados do governo com bases como Prodes e MapBiomas Alerta, atendendo aos requisitos do regulamento europeu EUDR.
    Em Rondônia, o uso de geotecnologia mostrou desmatamento zero em sete dos 15 municípios produtores entre 2020 e 2023. Menos de 1% da área cafeeira na região apresentou vestígios de remoção florestal.
    Com o conceito ESG+T, os Cafés do Brasil reafirmam sua posição de liderança global. O reposicionamento une tradição, sustentabilidade e tecnologia, projetando o café brasileiro como símbolo de inovação e desenvolvimento para o futuro.

  • UNICA e CETESB unem forças por energia limpa

    UNICA e CETESB unem forças por energia limpa

    A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) firmaram, nesta terça-feira (4), um acordo de cooperação técnica que inaugura uma nova etapa de modernização regulatória, qualificação profissional e eficiência ambiental no setor sucroenergético paulista.

    A assinatura ocorreu durante o Summit Agenda SP + Verde, promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). Com isso, o acordo representa um avanço estratégico para fortalecer a segurança jurídica, incentivar a economia circular e acelerar a transição energética no estado.

    Regulação e inovação ambiental

    O documento estabelece uma agenda conjunta voltada à atualização técnica e à revisão de parâmetros ambientais, de modo a modernizar a gestão de resíduos da produção de etanol e açúcar. Além disso, a iniciativa busca ampliar o uso de biomassa como fonte renovável de energia, promovendo práticas de reaproveitamento industrial e fortalecendo a cadeia verde.

    Segundo Evandro Gussi, presidente da UNICA, a modernização regulatória reforça o papel do setor na economia de baixo carbono. “A produção sustentável de energia renovável pela cadeia sucroenergética tem ganhado novos contornos, com a ampliação dos energéticos extraídos da biomassa e a intensificação de práticas de economia circular, com o uso da vinhaça, da torta de filtro e, no futuro, o aproveitamento de resíduos de outros setores.”

    As diretrizes em construção tratam, por exemplo, do uso eficiente da vinhaça e das águas residuárias, bem como da definição de parâmetros técnicos para o emprego de Combustível Derivado de Resíduos (CDR) em caldeiras industriais. Desse modo, o acordo busca fortalecer o reaproveitamento de subprodutos, estimular o uso de biofertilizantes e apoiar iniciativas que convertam resíduos em energia limpa.

    Formação técnica e segurança regulatória

    Além da revisão regulatória, o acordo também avança na formação e capacitação profissional. Em parceria com a UNICA, a Escola Superior da CETESB lançará um curso de licenciamento ambiental voltado a engenheiros, gestores e técnicos do setor.

    A primeira turma deve reunir mais de 80 participantes. Assim, o projeto evidencia a forte demanda por atualização técnica e segurança regulatória. Para Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, o interesse demonstra o engajamento do setor com a agenda sustentável. “A rápida adesão ao programa reflete a confiança do setor no diálogo técnico com a CETESB. A capacitação das equipes é fundamental para fortalecer o modelo de desenvolvimento de baixo carbono e impulsionar a transição energética.”

    Cooperação e acompanhamento técnico

    Para Thomaz Toledo, diretor-presidente da CETESB, a parceria simboliza uma nova etapa de diálogo entre o órgão ambiental e a indústria. “O setor sucroenergético é uma peça-chave na transição energética do estado de São Paulo. Essa parceria é um marco no diálogo entre a CETESB e a indústria. Com isso podemos estabelecer mecanismos mais modernos, seguros e alinhados com as práticas internacionais de economia circular.”

    O acordo terá vigência inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado. Além disso, a execução será acompanhada por um Comitê Técnico de Cooperação, composto por especialistas das duas instituições, responsável por supervisionar as entregas, propor planos de trabalho e monitorar resultados.

    Dessa forma, a iniciativa consolida um modelo de governança ambiental mais eficiente e colaborativo, reforçando o protagonismo do estado de São Paulo na transição energética e no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o futuro do agro.

  • Conheça os melhores cafés especiais do Brasil da safra 2025

    Conheça os melhores cafés especiais do Brasil da safra 2025

    O Brasil premiou os 30 melhores cafés especiais da safra 2025 durante o Cup of Excellence Brazil 2025, em São Paulo. O concurso, considerado o mais importante do mundo, é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a ApexBrasil e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), dentro do projeto “Brazil. The Coffee Nation”.

    A competição contou com três categorias — Experimental, Via Úmida e Via Seca —, com dez vencedores em cada uma. Minas Gerais se destacou com produtores de diversas regiões do estado.

    Categoria Experimental valoriza inovação e fermentação controlada

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Experimental, dedicada a cafés com fermentação induzida, o campeão foi o Geisha da Ipanema Agrícola, produzido na Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde (MG), com 91,68 pontos.
    O segundo lugar ficou com José Carlos dos Reis, da Fazenda Rancho Grande, em Três Pontas (MG), com o café Arara que atingiu 90,29 pontos. O produtor Sebastião Daniel da Silva, do Sítio São Sebastião, em Cristina (MG), também obteve 90,29 pontos.
    Os três cafés foram classificados como “presidenciais”, por alcançarem notas acima de 90 pontos, reconhecimento máximo do concurso.

    Via Úmida premia equilíbrio e excelência na xícara

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Via Úmida, que avalia cafés cerejas descascados, despolpados ou desmucilados, o campeão foi Marcelo Assis Nogueira, da Fazenda Água Limpa, em Campos Altos (MG). Seu café da variedade Arara obteve 91,37 pontos.
    Em segundo lugar ficou Marcelo Carvalho Ferraz, da Fazenda Boa Vista, em Dom Viçoso (MG), com o café Catucaí, que recebeu 90,82 pontos.
    O terceiro lugar foi para Osvaldina Alves Dutra, da Fazenda Água Limpa, em São João do Manhuaçu (MG), com café da variedade Kent, que atingiu 90,50 pontos.
    O quarto colocado, Ercilei José de Oliveira, também das Matas de Minas, recebeu 90,08 pontos com seu café Arara do Sítio Pedro Varinhas. Todos os quatro foram considerados “cafés presidenciais”.

    Via Seca destaca tradição e qualidade natural

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Via Seca, que inclui cafés colhidos e secos com casca, o vencedor foi Paulo Fernando Chaves de Brito, da Fazenda Aracaçu, em Três Pontas (MG), com o café Arara.
    O segundo lugar ficou com Danilo Barbosa, da Fazenda Sucuri, em Coromandel (MG), com café Geisha que recebeu 90,32 pontos. Gustavo Andrade Alvarenga, da Fazenda Chapadão, em Pratinha (MG), completou o pódio com 90,11 pontos e a variedade Paraíso.

    Júri internacional elege 40 amostras de excelência

    Além dos 30 premiados, outros 10 cafés receberam o título de “National Winners”. Todos obtiveram notas acima de 86 pontos de um júri internacional formado por 30 provadores de 12 países.
    O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, destacou que as amostras vencedoras representam 17 variedades, com quatro Geishas e 18 Araras.
    “As variedades brasileiras mostraram desempenho superior, o que reflete a essência da competição. Nosso objetivo é descobrir novos produtores, origens e tecnologias que revelam o melhor dos cafés especiais do Brasil”, afirmou.

    Inovação e diversidade encantam jurados internacionais

    O diretor-geral do Cup of Excellence da ACE, Gary Urrutia, elogiou o trabalho dos cafeicultores brasileiros.
    “É muita inovação e comprometimento com a qualidade. O Brasil dita tendências no mundo dos cafés especiais”, destacou.
    O head judge John Thompson, da Escócia, reforçou que o país é exemplo de diversidade e evolução.
    “O Brasil inovou ao criar três categorias e mostrar que cada café pode ser avaliado conforme seu processo. Os cafés são espetaculares”, afirmou.

    Produtores investem em tecnologia e sustentabilidade

    Segundo Vinicius Estrela, os cafés vencedores começaram a ser desenvolvidos há pelo menos quatro anos, com tecnologia e manejo sustentável.
    “O concurso não é sobre o valor da saca, mas sobre apresentar o café brasileiro sob uma nova perspectiva”, explicou.
    Ele ressaltou que os resultados refletem a maturidade dos produtores e o compromisso com a sustentabilidade.
    “Os cafés vencedores são diversos, cada um com doçura, acidez e aromas únicos. Isso mostra a força da coletividade e da qualidade nacional”, completou.

    Lendas da Excelência reconhecem trajetória inspiradora

    Foto: divulgação – BSCA

    A ACE homenageou os primeiros produtores com o título “Lendas da Excelência”, destinado a nomes que mantêm qualidade excepcional e inspiram suas comunidades.
    O brasileiro Luiz Paulo Dias Pereira Filho foi um dos seis homenageados e tornou-se hors-concours do Cup of Excellence. Ele soma 23 participações entre os vencedores e foi o presidente mais jovem da BSCA, aos 30 anos.
    Segundo a ACE, os homenageados se destacam por ações sociais e projetos de sustentabilidade que fortalecem suas comunidades e a cafeicultura global.

    Projeto “Brazil. The Coffee Nation” promove o café brasileiro

    O Cup of Excellence integra o projeto “Brazil. The Coffee Nation”, parceria entre BSCA e ApexBrasil para promover o café especial brasileiro no exterior.
    A iniciativa reforça os pilares de qualidade, diversidade e sustentabilidade, com foco em certificações, inclusão de mulheres e incentivo à produção de cafés robustas e conilon.
    Os principais mercados-alvo são África do Sul, China, Estados Unidos, Japão e Emirados Árabes Unidos, entre outros países consumidores de cafés crus e industrializados.

  • Biscoito com casca de café valoriza Robustas Amazônicos

    Biscoito com casca de café valoriza Robustas Amazônicos

    A casca do café, antes usada como adubo, ganhou novo valor com uma inovação desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Embrapa Rondônia. As instituições criaram um biscoito elaborado com farinha de cafés Robustas Amazônicos (Coffea canephora), que já teve pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

    O produto substitui cerca de 30% da farinha tradicional, tornando-se uma opção mais saudável. A nova receita tem mais fibras, antioxidantes e cafeína, além de abrir um mercado promissor para o aproveitamento da casca do café no Brasil. O estudo foi conduzido ao longo de dois anos e reforça a sustentabilidade na cadeia do café amazônico.

    Casca de café ganha novo valor nutricional e sensorial

    Segundo o pesquisador da Embrapa Enrique Alves, as cascas dos cafés finos — que atingem mais de 80 pontos na avaliação da Specialty Coffee Association (SCA) — são insumos nobres, ricos em compostos sensoriais e nutricionais. “Entretanto, no Brasil, são usados, principalmente, como adubo”, explica.

    As variedades de Robustas Amazônicos, selecionadas pela Embrapa em parceria com cafeicultores nas Matas de Rondônia, receberam em 2021 a primeira Indicação Geográfica (IG) de Coffea canephora do mundo, concedida pelo INPI.
    O projeto envolve o desenvolvimento de cultivares adaptadas à Amazônia, cultivadas por agricultores familiares, indígenas e comunidades tradicionais. “Hoje em todo o estado de Rondônia, mais de 17 mil famílias cultivam essas variedades”, complementa Alves.
    >“Além da qualidade, as cascas dos cafés Robustas Amazônicos carregam características diferenciadas de sustentabilidade por serem cultivadas na Amazônia por povos indígenas e comunidades tradicionais”, destaca o pesquisador.

    Lançamento acontece durante a Semana Internacional do Café

    Foto: divulgação – UnB

    A inovação será apresentada no dia 6 de novembro, durante a Semana Internacional do Café (SIC), que ocorre de 5 a 7 de novembro, na Expominas, em Belo Horizonte (MG).
    >A feira é uma das maiores do mundo e conecta profissionais de toda a cadeia do café brasileiro, gerando oportunidades de negócios, conhecimento e acesso a mercados.
    >O biscoito também será oferecido para degustação durante a COP30, no Cooking Show da Agrizone – Casa da Agricultura Sustentável da Embrapa, no pavilhão “Comida, Tradição e Cultura”. O espaço será compartilhado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e promoverá trocas entre pesquisas e culinárias tradicionais.

    UnB e Embrapa estudam novos usos da casca do café

    A parceria entre a Embrapa Rondônia e a UnB busca valorizar as cascas dos Robustas Amazônicos em diferentes processamentos pós-colheita. A pesquisa é coordenada pela professora e engenheira de alimentos Lívia de Oliveira, da UnB.
    O estudo começou em 2023 e avaliou cascas da cultivar Apoatã em três tipos de processamento: natural, lavado e fermentação anaeróbica autoinduzida. As amostras foram analisadas quanto à composição química, bioativos e perfil sensorial.
    >Segundo Lívia, os resultados mostraram que:
    • As cascas naturais apresentaram mais compostos fenólicos, flavonoides, antocianinas e fibras, com aroma doce e caramelado.
    • As cascas lavadas exibiram menor complexidade química, com predominância de compostos estruturais e baixos teores de açúcares.
    • As cascas fermentadas variaram conforme o tempo de fermentação, mostrando aromas frutados e florais entre 4 e 20 dias.
    >Essas diferenças, explica a professora, resultam da ação microbiana que modifica açúcares e fenólicos, gerando perfis aromáticos distintos e aplicações variadas para cada tipo de casca.

    Novo biscoito tem mais fibras e menos açúcares

    Com base nos resultados, a UnB desenvolveu um biscoito com 30% de farinha de casca de robusta amazônico — um avanço inédito. Até então, o máximo de substituição de farinha registrado na literatura científica era de 15%.
    >As versões reformuladas, com lecitina e polidextrose, aumentaram em até 15 g de fibras por 100 g de produto. Além disso, reduziram 45% das gorduras saturadas e 25% dos açúcares adicionados, em conformidade com a RDC nº 429/2020 da Anvisa.
    A melhor aceitação sensorial foi observada nas amostras com cascas naturais e fermentadas por 4 ou 20 dias, que apresentaram notas doces, frutadas e amanteigadas.

    “Esses resultados evidenciam que o tipo de processamento da casca é determinante para as notas sensoriais do produto final, sendo um parâmetro-chave de inovação tecnológica e posicionamento sensorial. Todavia, todos os cookies elaborados apresentaram aceitação sensorial satisfatória”, afirma Lívia.

    O pedido de patente, registrado em 4 de setembro, foi feito com base em uma fermentação de 8 dias, que mantém o açúcar da polpa e realça notas frutadas.

    Mais de 250 consumidores participaram da degustação organizada pela UnB, aprovando as amostras desenvolvidas ao longo da pesquisa.

    Sustentabilidade e inovação impulsionam o café amazônico

    O desenvolvimento do biscoito com casca de café reforça a importância da inovação tecnológica e da economia circular na cafeicultura amazônica.

    A iniciativa valoriza o trabalho de produtores locais e incentiva o uso integral do fruto, unindo sustentabilidade, nutrição e sabor em um produto com potencial de mercado nacional e internacional.

     

  • Vinícola brasileira lança vinhos sustentáveis para COP30

    Vinícola brasileira lança vinhos sustentáveis para COP30

    A vinícola brasileira Lidio Carraro se destaca no cenário sustentável ao lançar uma linha de vinhos certificados pela COP30, conferência do clima que ocorre no Brasil. As garrafas com o selo oficial da COP30 estão sendo vendidas em Belém (PA), conectando a filosofia purista da vinícola aos objetivos ambientais globais do evento.

    Foto: Divulgação

    Desde 2008, a Lidio Carraro vem adotando uma abordagem purista na viticultura, priorizando práticas de baixa intervenção tanto nas plantações quanto no processo de vinificação. A estratégia antecede tendências recentes que valorizam métodos orgânicos e biodinâmicos no setor.

    Juliano Carraro, enólogo e diretor comercial da vinícola, destaca o compromisso contínuo da família com a sustentabilidade: “Buscamos o equilíbrio nutricional nas plantas, o que aumenta a imunidade natural e preserva o terroir de forma purista”, afirmou.

    A vinícola também utiliza energia 100% limpa em suas instalações desde 2023, evitando impactos ambientais negativos. Essa prática preservou cerca de 400 árvores e evitou a emissão de 14,3 toneladas de CO² equivalente na atmosfera.

    Para garantir a saúde das videiras, a Lidio Carraro não aplica defensivos agrícolas convencionais. É usado apenas produtos biológicos, como trichodermas e bacilos, microorganismos vivos que combatem fungos e esporos nocivos. Giovanni Carraro, diretor técnico, explica que esse manejo sustentável, apesar do custo elevado, assegura uma produção mais limpa e segura.

  • ‘Ouro branco’ do mar: bexiga da pescada-amarela vale até R$ 4 mil

    ‘Ouro branco’ do mar: bexiga da pescada-amarela vale até R$ 4 mil

    A bexiga natatória da pescada-amarela, chamada de “grude” pelos pescadores do Norte, transformou-se em uma das iguarias mais caras e cobiçadas do mercado internacional. O órgão, que ajuda o peixe a flutuar, alcança até US$ 701,95 (R$ 3,8 mil) por quilo, segundo levantamento do portal InfoAmazonia. No Brasil, compradores pagam R$ 2,8 mil pelo mesmo produto.

    Enquanto a carne da pescada é vendida a R$ 27 o quilo, a bexiga seca chega a valer 140 vezes mais, o que faz dela o verdadeiro tesouro da pesca artesanal. Essa valorização mudou a rotina de vilas costeiras e reacendeu o debate sobre sustentabilidade marinha.

    A bexiga natatória virou sinônimo de prosperidade na Ásia. Na China, no Vietnã e em Hong Kong, o produto é servido em sopas e tonificantes que, segundo a medicina tradicional, fortalecem pele, ossos e articulações.

    Por seu alto teor de colágeno, o “grude” é considerado um elixir da longevidade e ocupa o mesmo patamar de iguarias como barbatanas de tubarão e ninho de andorinha. Em mercados de luxo, o quilo custa mais do que uma bolsa de grife. Assim, o produto passou a simbolizar poder e status social entre famílias abastadas do Oriente.

    Do Pará para o mundo

    A pescada-amarela (Cynoscion acoupa) habita todo o litoral brasileiro, mas se concentra no Norte e Nordeste, principalmente nos estuários e manguezais do Pará. Nas comunidades pesqueiras de Vigia e Bragança, o “grude” virou o principal item de exportação.

    Os pescadores capturam o peixe, retiram a bexiga ainda no barco e a secam ao sol ou em pequenas estufas. Depois, intermediários recolhem o material e o revendem para exportadores. “Com a carne, pago o combustível. Com o grude, sustento a família”, contou um pescador ao Acervo Socioambiental.

    Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) confirmam que a espécie movimenta a economia costeira. No entanto, alertam que o ritmo crescente da extração pode comprometer o equilíbrio ecológico da região.

    Riqueza e risco ambiental

    A bexiga natatória da pescada-amarela representa tanto uma oportunidade quanto um perigo. Por um lado, ela garante renda para centenas de famílias ribeirinhas. Por outro, impulsiona uma corrida extrativista que ameaça a própria sobrevivência da espécie.

    A ausência de rastreabilidade e a falta de dados padronizados sobre o volume de pesca dificultam o controle da atividade, segundo estudo da revista Frontiers in Marine Science (2025). “Assim como qualquer corrida pelo ouro, é provável que se esgote”, alerta a publicação.

    O Ministério da Agricultura (MAPA) editou novas regras para regular o comércio das bexigas, classificando-as por tipo de processamento e destino — alimentício ou industrial. Ainda assim, especialistas afirmam que a fiscalização permanece insuficiente e que parte do produto pode seguir por rotas ilegais até o mercado asiático.

    A valorização do “ouro branco do mar” transformou a pescada-amarela em um ativo estratégico do comércio pesqueiro brasileiro. Entretanto, o país precisa equilibrar ganhos econômicos e preservação ambiental. O futuro dessa cadeia depende de políticas públicas que assegurem pesca sustentável, renda justa e transparência nas exportações.

  • Do rio ao luxo: carne e couro de jacaré do Pantanal conquistam o mundo

    Do rio ao luxo: carne e couro de jacaré do Pantanal conquistam o mundo

    O sol mal desponta em Corumbá, no interior do Pantanal sul-mato-grossense, e o espelho d’água brilha como se o tempo tivesse parado. Ali, na Fazenda Caimasul, a natureza e a indústria parecem conversar na mesma língua. A fazenda, reconhecida como maior produtora de carne e couro de jacaré do Brasil, reúne cerca de 80 mil animais em instalações climatizadas, com capacidade para triplicar esse número.

    Sob o canto das araras e o ronco distante dos motores, há um outro som que domina a paisagem: o respingar compassado da água nas baias de jacarés-do-Pantanal. Tudo é controlado, medido, monitorado. Nada escapa à precisão dos sensores, nem ao olhar atento dos técnicos que acompanham cada etapa, da coleta dos ovos à embalagem final do filé exportado.

    Do ovo ao luxo: o ciclo completo

    A Caimasul conduz todo o processo produtivo, e é justamente isso que a diferencia das demais. Tudo começa às margens do rio Paraguai, onde ribeirinhos coletam cuidadosamente os ovos de jacaré em áreas autorizadas pelo órgão ambiental. Cada unidade pode valer até R$ 5, o que garante uma renda extra para famílias que antes dependiam apenas da pesca e, assim, ajuda a fortalecer a economia local.

    Depois dessa etapa inicial, os ovos seguem viagem até incubadoras modernas, onde a vida se repete dia após dia, sob o zumbido constante dos termostatos e o olhar atento dos técnicos. A partir daí, cada movimento é controlado com precisão: a temperatura, a umidade, o tempo de eclosão. Tudo é calculado para que o processo siga com segurança e eficiência.

    Foto: Fazenda Caimasul

    Ao nascerem, os filhotes são transferidos para baias de água morna (que permanecem entre 27 °C e 30 °C) e recebem uma dieta balanceada, formulada especialmente para o desenvolvimento saudável. Durante cerca de 18 meses, os jacarés crescem em um ambiente controlado, até o momento do abate, quando nada se perde. A carne, o couro, as vísceras e até os ossos são transformados em produtos de alto valor agregado, aproveitando o máximo do potencial de cada animal.

    Depois disso, a carne segue para restaurantes, empórios e mercados internacionais, conquistando espaço no cardápio de chefs e consumidores exigentes. O couro, por sua vez, cruza oceanos e desembarca em ateliês de luxo da Itália, da França e dos Estados Unidos, onde vira bolsas, carteiras e sapatos de grife exibidos em vitrines de Milão, Paris e Nova York.

    É, portanto, o luxo nascido da lama, o ouro verde-oliva do Pantanal, que brilha mundo afora como símbolo de um Brasil capaz de unir natureza, tecnologia e elegância.

    Carne leve, proteína forte

    A carne de jacaré vem ganhando fama de alimento do futuro. É clara, firme e quase sem gordura. Tem sabor suave, lembrando frango ou peixe, e um valor nutricional que impressiona. Estudos do Instituto Federal de Mato Grosso apontam que o teor de colesterol varia entre 42 e 47 mg por 100 g. Ou seja, menos da metade do encontrado na carne bovina.

    Foto: Fazenda Caimasul

    Além disso, é rica em ferro e cálcio, o que a torna aliada de dietas equilibradas. O consumo cresceu 15% em um ano, impulsionado por chefs e influenciadores que descobriram no exótico um novo filão gastronômico.

    No mercado interno, o quilo congelado custa em média R$ 90, enquanto cortes nobres, como o lombo e a cauda, podem chegar a R$ 180. No exterior, a procura cresce nos Estados Unidos e na Europa, onde restaurantes de luxo servem o produto como símbolo de exclusividade tropical.

    Couro que vale ouro

    Se a carne é o corpo, o couro é a alma do negócio. E, no mercado internacional, essa alma brilha. Entre janeiro e agosto de 2025, o preço médio do couro brasileiro valorizou 83% em dólar, alcançando US$ 52 o quilo.

    Apesar da alta nos preços, o volume exportado caiu, reflexo de um mercado mais seletivo. Mesmo assim, França, Itália, Estados Unidos e México seguem entre os principais compradores. As grandes grifes internacionais disputam o couro brasileiro, atraídas pela textura única, pela alta durabilidade e pela origem sustentável do material.

    Foto: Fazenda Caimasul

    O Ministério da Agricultura e os órgãos ambientais estaduais fiscalizam de perto o manejo, garantindo que cada etapa da produção siga as normas de bem-estar animal, rastreabilidade e sustentabilidade ambiental. Aplicativos rastreiam cada ovo, cada lote, cada centímetro de pele curtida.  Afinal, a legalidade é uma condição inegociável.

    Pantanal que gera renda e preserva vida

    O sistema criado no Mato Grosso do Sul une o que parecia incompatível: produção em escala e conservação ambiental. A coleta controlada de ovos garante a reposição natural da espécie, enquanto as fazendas de criação reduzem a caça ilegal.

    Além disso, o modelo gera empregos diretos e indiretos, movimenta o comércio regional e inclui populações ribeirinhas no ciclo produtivo. Cada ovo recolhido com cuidado é também um pequeno ato de preservação.

    Por fim, o que se vê é um retrato do Pantanal que aprende a se reinventar sem trair suas raízes. A água que alimenta o rio é a mesma que sustenta a economia local. A lama que molda os ninhos também molda oportunidades.

    O Brasil que deu certo

    A carne e o couro de jacaré saem do Pantanal com certificados de qualidade e sustentabilidade que abrem portas no mercado global. Entre eles estão o selo do Ministério da Agricultura e o certificado USDA, exigido para entrar nos Estados Unidos.

    Esse modelo de produção, que alia ciência, tradição e cuidado ambiental, colocou o Brasil entre os líderes mundiais do setor. A fazenda Caimasul virou símbolo de um país que produz riqueza sem destruir o que o torna único.

    Enquanto o sol se despede atrás dos buritis, o Pantanal reflete luz dourada sobre as águas paradas. E, no meio desse espelho líquido, o Brasil se olha e se reconhece como potência verde, moderna e viva.

  • Arte popular: lata comemorativa é eleita a mais bela do Brasil

    Arte popular: lata comemorativa é eleita a mais bela do Brasil

    A Cachaça 51 acaba de conquistar o cobiçado prêmio Lata Mais Bonita do Brasil 2025. A Associação Brasileira de Lata de Alumínio (Abralatas) elegeu a edição comemorativa de São João da Cachaça 51 Ouro como a vencedora na categoria “Outros Produtos”. A lata se destaca por trazer na sua superfície as autênticas xilogravuras do mestre pernambucano J. Borges.

    As ilustrações representam cenas típicas das festas juninas, como sanfoneiros, fogueiras e dançarinos de quadrilha. A arte transformou a embalagem, inicialmente criada como um item colecionável, em um verdadeiro sucesso entre o público, que rapidamente a adotou.

    Para Marina Flávia da Silva, head de marketing da Cia. Müller de Bebidas, fabricante da Cachaça 51, o prêmio coroa uma estratégia bem-sucedida. “É um orgulho enorme para a Cachaça 51 receber esse reconhecimento. As latas comemorativas representam a união de dois ícones do Brasil: nossa cachaça e a arte de J. Borges. Vencer o Lata Mais Bonita reforça nosso compromisso em surpreender os consumidores e, ao mesmo tempo, celebrar nossas tradições”, comemora a executiva.

    Além da beleza: praticidade e sustentabilidade

    O design premiado vai além do apelo visual e cultural. A embalagem em lata oferece praticidade ao consumidor e é uma opção sustentável, por ser 100% reciclável. A iniciativa também amplia as ocasiões de consumo da cachaça, modernizando a experiência sem perder a essência.

    Lançadas como edições limitadas para o período de São João de 2025, as latas das versões Cachaça 51 Branca e 51 Ouro se tornaram objetos de desejo para colecionadores e admiradores da marca. Agora, com o título nacional, elas consolidam seu lugar na história não apenas como embalagens, mas como símbolos da criatividade e do respeito às raízes do Brasil.

  • Embrapa cria banco de dados para impulsionar mercado de pescado plant-based

    Embrapa cria banco de dados para impulsionar mercado de pescado plant-based

    Uma pesquisa pioneira da Embrapa Agroindústria de Alimentos em parceria com o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) acaba de revolucionar o mercado de proteínas alternativas no Brasil. O estudo resultou na criação de um banco de dados inédito que mapeia as características físicas, químicas e sensoriais de sete espécies de pescado de alto valor comercial no país.

    O levantamento analisou garoupa, robalo, bijupirá, atum bigeye, atum albacora, camarão cinza e salmão-do-atlântico. A coordenadora da pesquisa, Fabíola Fogaça, explica que essas informações são fundamentais para reproduzir pescados à base de plantas (plant-based) ou carne cultivada (cell-based) com máxima fidelidade ao produto fresco.

    “O mercado busca alimentos o mais próximo possível do produto in natura. Nossa base de dados fornece o mapa completo para isso”, afirma a pesquisadora.

    Da acidez ao aroma: o DNA do pescado revelado

    O estudo padronizou a medição de atributos essenciais como pH muscular, perfil de compostos aromáticos voláteis, coloração da carne, microestrutura das fibras e textura. Cada um desses elementos desempenha papel crucial na experiência sensorial do consumidor.

    Foto: Fabíola Fogaça/Embrapa

    O pH, por exemplo, revela o grau de acidez natural de cada espécie e é fundamental para reproduzir sabor, textura e estabilidade. Já o perfil aromático funciona como uma impressão digital química, formada por moléculas que evaporam facilmente e explicam por que o salmão tem cheiro distinto do robalo ou atum.

    Textura e cor: ciência por trás da percepção

    A análise microscópica das fibras musculares revela informações valiosas sobre espessura e espaçamento, características que determinam a sensação na boca. Essa estrutura explica, por exemplo, por que o salmão “desfia” em lascas largas enquanto o camarão apresenta carne mais firme.

    Foto: Fabíola Fogaça/Embrapa

    A coloração, avaliada tanto no alimento cru quanto cozido, é atributo decisivo na aceitação comercial. Consumidores associam diretamente a cor à qualidade, frescor e até à identificação da espécie.

    Dados brasileiros ganham alcance global

    Os resultados alimentam duas plataformas internacionais criadas pelo The Good Food Institute (GFI): o PISCES (Phylogenetic Index of Seafood CharactEriStics) e o ATLAS (ArcheType Library for Alternative Seafood). Ambas funcionam como repositórios abertos que aceleram o desenvolvimento e comercialização de alternativas de pescado.

    Com a integração dos dados brasileiros, pesquisadores e startups de proteína alternativa em todo o mundo passam a ter acesso facilitado a informações científicas sobre essas espécies, impulsionando a inovação baseada em evidências.

    Antes desta pesquisa, não existia um repositório abrangente com dados padronizados sobre diferentes pescados. As informações estavam fragmentadas na literatura científica, obtidas por métodos não comparáveis.

    “Aplicamos protocolos uniformes de análise em todas as espécies, gerando resultados de alta qualidade que beneficiam tanto a ciência quanto a indústria”, destaca Fabíola Fogaça.

    Impacto no desenvolvimento de produtos

    Um levantamento do Good Food Institute de 2020 identificou que aparência, cor e textura são os atributos sensoriais mais importantes a serem reproduzidos. Porém, fatores como pH, microestrutura muscular e compostos voláteis também afetam diretamente a experiência do consumidor.

    Com o novo banco de dados, empresas podem desenvolver fórmulas e processos que resultem em alternativas mais realistas, seja usando proteínas vegetais texturizadas ou cultivando células em biorreatores.

    Os resultados foram compilados no Catálogo de Caracterização do Pescado Marinho para a Indústria de Proteínas Alternativas, publicado em 2025. O material serve como guia para empresas e startups de biotecnologia interessadas em criar sushis veganos, fishburgers vegetais, salmão cultivado e outras inovações.

    “A expectativa é que esses dados impulsionem novas pesquisas e contribuam para levar ao mercado produtos de origem vegetal ou cultivada com qualidade cada vez mais próxima ao pescado tradicional”, conclui a pesquisadora.

  • Hortas circulares revolucionam renda de agricultores familiares em Minas

    Hortas circulares revolucionam renda de agricultores familiares em Minas

    Uma técnica inovadora de cultivo está mudando a realidade de agricultores familiares em Minas Gerais. As hortas circulares, modelo desenvolvido e difundido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), apresentam-se como alternativa sustentável para geração de renda e segurança alimentar no estado.

    O sistema funciona com curvas de nível que retêm toda a água da chuva dentro da área de plantio. Essa característica permite reduzir significativamente a erosão em terrenos inclinados e otimizar o aproveitamento da irrigação em áreas planas, tornando o cultivo mais eficiente e econômico.

    A iniciativa integra o projeto “Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

    Segundo a pesquisadora Janine Guedes, coordenadora do projeto pela Epamig, a ação fortalece a agricultura familiar de forma abrangente. “Dentro desse projeto do arroz, temos uma linha de ação voltada ao fortalecimento da agricultura familiar. A pesquisadora Polyanna Oliveira já trabalhava com essas hortas, e conseguimos integrar como uma das ações”, explica.

    O trabalho é realizado em parceria com a Emater e prefeituras municipais, facilitando o acesso dos produtores ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Durante o período chuvoso, as equipes retornam às propriedades para introduzir unidades de arroz de sequeiro, ampliando as possibilidades de cultivo.

    Sistema sustentável e replicável

    As hortas agroecológicas circulares destacam-se pela versatilidade e facilidade de implementação. O modelo adapta-se a diferentes espaços e condições de solo, podendo receber diversos tipos de hortaliças, leguminosas e frutíferas.

    “A escolha do que plantar depende da disponibilidade de área, água e do interesse do produtor”, destaca a pesquisadora Polyanna Oliveira, responsável pela metodologia das hortas circulares.

    No município de Perdões, região Sul de Minas, o projeto prevê a instalação de sete unidades demonstrativas de arroz e seis hortas circulares. A secretária de Agricultura local, Luciana Arriel, celebra os resultados: “Temos acompanhado de perto e visto que os produtores estão gostando do modelo. O formato circular ajuda na manutenção da umidade e na prevenção de pragas”.

    Uma das hortas já implantadas beneficia o Projeto Vida Nova, instituição que atende 85 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. “Fornecemos dois lanches diários e almoço semanal para os matriculados. Essa horta nos ajuda muito. Já utilizamos beterraba, alface e outros alimentos que enriqueceram nossa alimentação”, relata Cleuza Maria Augusto Oliveira, diretora da instituição.

    Agricultores aprovam a técnica

    Dulcineia Carvalho Ribeiro da Silva e Wilson Antônio Ferreira da Silva, produtores de hortaliças há sete anos, adotaram o cultivo circular há dois meses. Os resultados já são visíveis: “As plantas ficaram mais bonitas e a irrigação é mais fácil. Nossa ideia é ampliar o plantio circular”, afirmam os agricultores, que comercializam a produção no PNAE, na feira municipal e através de vendas diretas.

    O plantio das Unidades Demonstrativas de Arroz em Perdões está previsto para novembro. Segundo Janine Guedes, haverá cultivo exclusivo de arroz e sistemas consorciados com café. A pesquisadora destaca ainda um benefício adicional: “A palha do arroz pode auxiliar na adubação do solo. Recomendamos que os produtores utilizem esse material nas hortas, pois é rico em nutrientes, especialmente nitrogênio”.

    O modelo de hortas circulares representa um avanço significativo para a agricultura familiar em Minas Gerais, combinando sustentabilidade ambiental, eficiência produtiva e inclusão social – pilares fundamentais para o desenvolvimento rural do estado.