Tag: sustentabilidade

  • A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    O Ibama registrou, neste mês de abril, o primeiro nascimento de filhotes de arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, quase duzentos anos após a extinção da espécie nesse bioma. O feito aconteceu no sul da Bahia e representa um marco incomum na história da conservação ambiental brasileira: uma ave varrida do litoral pelo desmatamento e pelo tráfico ilegal voltou a se reproduzir livremente na floresta.

    O que levou essa arara ao desaparecimento

    A arara-vermelha-grande possui ampla distribuição histórica, com registros na Mata Atlântica desde o ano de 1500. A Carta de Pero Vaz de Caminha já a descrevia como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”. Ela estava por aqui antes mesmo de o Brasil ter esse nome.

    Apesar dessa presença histórica, o desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha-grande em todo o litoral brasileiro. As populações selvagens da espécie estão hoje concentradas no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte. O litoral ficou sem elas por gerações.

    Como o Ibama tentou reverter o cenário

    O resultado foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022, por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro.

    O processo, no entanto, não é simples. Os indivíduos utilizados no projeto são oriundos de cativeiro, sendo provenientes tanto de doações de particulares quanto de apreensões realizadas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres. Ao chegarem ao Cetas, as aves passam, inicialmente, por identificação com microchips e anilhas metálicas, além de quarentena, avaliação clínica e comportamental e testes sanitários.

    Na sequência, entram em viveiros de voo, onde passam por um período de treinamento antes de, finalmente, encarar a floresta de verdade.

    A área escolhida para a soltura do primeiro grupo de aves foi um fragmento de Mata Atlântica com cerca de 7 mil hectares em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural da Mata Atlântica no Nordeste, localizada em Porto Seguro.

    Nascimento antes do esperado

    O que surpreendeu os pesquisadores foi a velocidade. O primeiro lote de araras foi solto em 2024. Embora estudos indiquem que o período para reprodução possa chegar a cinco anos, algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura.

    Em 2026, casais passaram a defender essas estruturas, indicando comportamento reprodutivo. A equipe optou por monitoramento à distância para não interferir. Posteriormente, foi confirmado o nascimento de dois filhotes, que já foram observados voando, sendo alimentados pelos pais e iniciando a exploração de alimentos de forma independente.

    A coordenadora do projeto, Ligia Ilg, analista ambiental do Ibama, também derrubou um preconceito comum sobre aves criadas em cativeiro. Registros anteriores já haviam demonstrado a reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro. O comportamento natural pode ser recuperado por meio de treinamento e convivência com outros indivíduos da mesma espécie.

    Por que isso importa além do simbolismo

    A arara-vermelha-grande não é apenas um animal bonito. Além disso, ela desempenha uma função concreta dentro da floresta. A espécie alimenta-se de frutos e sementes e, consequentemente, contribui para sua dispersão. Devido ao seu porte, também é capaz de transportar sementes por longas distâncias, o que favorece a regeneração florestal e, assim, a caracteriza como uma verdadeira “engenheira de ecossistemas”, influenciando diretamente a biodiversidade e a dinâmica ambiental.

    Em outras palavras, quando essa arara desaparece, parte do mecanismo que mantém a floresta funcionando também se perde.

    Atualmente, o projeto conta com o apoio da Polícia Militar da Bahia, do Laboratório de Etologia Aplicada da Universidade Estadual de Santa Cruz, da organização internacional World Parrot Trust e da RPPN Estação Veracel, entre outros parceiros. Além disso, quem tiver araras-vermelhas-grandes oriundas de cativeiro legal e quiser contribuir com o projeto pode entrar em contato pelo e-mail [email protected].

     

  • Evento da Embrapa quer aproximar consumidor do campo

    Evento da Embrapa quer aproximar consumidor do campo

    Entre os dias 23 e 25 de abril de 2026, a Embrapa realiza, em Brasília, a Feira Brasil na Mesa, um evento que busca aproximar o campo do consumidor.

    A programação acontece das 9h às 18h, na Embrapa Cerrados, em Planaltina, no Distrito Federal. Além disso, a iniciativa conta com parceria institucional da Apex e do Sebrae, além da participação de ministérios e outros órgãos públicos.

    A proposta é direta. Mostrar, na prática, a diversidade dos alimentos brasileiros e o papel da ciência nesse processo. Durante os três dias, o público poderá conhecer alimentos de diferentes regiões do país, muitos deles desenvolvidos ou aprimorados com apoio da pesquisa agropecuária. A feira também apresentará soluções que já impactam a produção, como novas variedades, sistemas sustentáveis e tecnologias voltadas à qualidade dos alimentos.

    Além disso, a programação inclui degustações, Cozinha Show, feira de produtores, apresentação de pesquisas, políticas públicas, rodada de negócios e praça de alimentação. Os visitantes ainda poderão explorar vitrines de tecnologia e percorrer uma trilha pelo Cerrado.

    Na mesma agenda, será realizado um seminário de socioeconomia, com painéis e palestras voltados a especialistas, pesquisadores, produtores e gestores públicos.

    Atrações, sabores e públicos diversos no centro da experiência

    A feira foi desenhada para dialogar com diferentes públicos. Agricultores terão acesso a tecnologias, alternativas de agregação de valor, iniciativas de empreendedorismo e políticas públicas. Ao mesmo tempo, o público urbano será convidado a descobrir alimentos pouco conhecidos, ampliar o consumo local e entender melhor a ciência por trás da produção.

    Além disso, a programação inclui chefs de cozinha, parlamentares, cientistas e representantes internacionais, o que amplia o alcance das discussões.

    As frutas brasileiras aparecem como protagonistas. Espécies como butiá, açaí, bacuri, mangaba, pequi, babaçu, sapoti, umbu, araçá, pitaya e mirtilo estarão em exposição, e parte delas poderá ser degustada.

    Foto: Reprodução/Embrapa

    A experiência também passa pelo paladar. O visitante poderá fazer uma viagem gastronômica pelas regiões do país. Do Sul, surgem combinações como creme com suco de butiá, pera, amora e torresmo. Do Nordeste, aparecem hambúrguer de fibra de caju, cuscuz de milho crioulo, carnes de cordeiro e fermentado de umbu.

    Além disso, o Norte traz jujubas de cupuaçu, café robusta e energético de guaraná. O Centro-Oeste marca presença com o tomate, enquanto o Sudeste apresenta queijos artesanais.

    Assim, a feira transforma diversidade em experiência prática, conectando produção, cultura e consumo.

    Agricultura familiar, inovação e o futuro do agro

    A agricultura familiar terá espaço relevante na programação. Produtores vão apresentar seus produtos e compartilhar experiências diretamente com o público, o que reforça seu papel na segurança alimentar do país.

    Ao mesmo tempo, o evento abre espaço para novas conexões e oportunidades de mercado. No entanto, desafios como acesso à tecnologia, crédito e comercialização ainda fazem parte da realidade desses produtores.

    A feira também funciona como um ponto de encontro entre pesquisa, produção e mercado. A presença de instituições públicas e parceiros estratégicos indica uma tentativa de fortalecer essa conexão e acelerar a adoção de inovação no campo.

    O evento reforça tendências que já impactam o agro, principalmente ligadas ao comportamento do consumidor.

    Embrapa traz para Brasília a diversidade dos alimentos brasileiros.

    Momento simbólico!

    No dia 25 de abril, a programação comemora um grande marco com a celebração dos 53 anos da Embrapa. A cerimônia marca a trajetória da instituição e reforça seu papel no desenvolvimento da agricultura brasileira.

    Assim, a Feira Brasil na Mesa se posiciona como mais do que um evento. Ela funciona como um retrato do agro atual e um indicativo claro do que vem pela frente.

  • Consumidor brasileiro exige carne sustentável e aceita pagar mais por procedência

    Consumidor brasileiro exige carne sustentável e aceita pagar mais por procedência

    Os hiper e supermercados consolidaram-se como o principal canal de compra de carne bovina no Brasil, concentrando 69% da preferência dos consumidores. Mais do que um ponto logístico, o varejo tornou-se a “vitrine decisiva” onde o cliente busca alinhar o desejo por qualidade com exigências crescentes de sustentabilidade e rastreabilidade.

    O levantamento nacional, encomendado pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizado pelo Instituto Qualibest, ouviu 1.021 pessoas entre o final de 2025 e o início de 2026. Os dados revelam que o balcão e a gôndola são os locais onde o público espera encontrar informações claras sobre a origem do produto e o bem-estar animal.

    Hábito de consumo e critérios de escolha

    A carne bovina permanece como um item essencial na rotina das famílias. Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados consomem a proteína duas ou mais vezes por semana, enquanto 21% a consomem semanalmente. O almoço em casa é a principal ocasião de consumo para 73% dos brasileiros, seguido pelo tradicional churrasco, citado por 62%.

    Na hora da compra, o bolso e o olhar atento ditam a regra:

    • Preço: Prioridade para 66% dos consumidores.
    • Frescor: Fator decisivo para 45%.
    • Validade: Citada por 40%.

    Apesar do foco no custo-benefício, a responsabilidade ambiental ganha força. Para 78% dos participantes, é fundamental que a carne tenha produção sustentável.

    Valor agregado e certificações

    A confiança na pecuária nacional segue alta, com 80% dos brasileiros avaliando a qualidade da carne como boa ou ótima. Além disso, 91% reconhecem os benefícios do alimento para a saúde, destacando-o como fonte de proteína (82%), ferro e vitaminas (57%).

    Essa percepção positiva reflete na disposição financeira do consumidor em pagar por garantias verificáveis:

    Sustentabilidade: 73% aceitariam pagar mais ou um pouco a mais por certificações.

    Bem-estar animal: 73% também investissem mais em produtos com este selo.

    Origem: 63% pagariam um valor adicional para conhecer a procedência exata da carne.

    Tendências e novas proteínas

    No quesito preferência de raças, a Angus lidera com 37% da predileção dos entrevistados. O mercado de proteínas alternativas também desperta curiosidade, embora ainda enfrente resistência. Sobre a carne cultivada (laboratório), 37% já conhecem o conceito, e uma parcela relevante demonstra abertura para experimentar o produto no futuro. Já a carne vegetal divide opiniões: 24% consomem ocasionalmente, enquanto 26% não têm interesse.

    Nicholas Vital, coordenador do movimento A Carne do Futuro é Animal, destaca que o protagonismo dos supermercados aumenta a responsabilidade dos varejistas. “O desafio é combinar operação impecável e comunicação simples, visível e verificável sobre sustentabilidade e bem-estar animal”, afirma. Portanto, para o especialista, o ponto de venda é o local onde a credibilidade da categoria é construída por meio de evidências concretas.

  • O que você joga fora pode salvar sua plantação

    O que você joga fora pode salvar sua plantação

    O que muitas pessoas descartam todos os dias pode se transformar em um aliado poderoso no campo. Cada vez mais produtores utilizam resíduos simples para melhorar o solo, reduzir custos e tornar a produção mais sustentável.

    Além de economizar, essa prática acompanha uma tendência crescente no agronegócio: produzir mais com menos impacto ambiental.

    Resíduos simples que fazem diferença

    Entre os exemplos mais comuns, a casca de ovo ganhou destaque nos últimos anos. Por ser rica em cálcio, ela ajuda a corrigir a acidez do solo e contribui diretamente para o desenvolvimento das plantas.

    Da mesma forma, muitos produtores reaproveitam a água do cozimento de alimentos, como legumes. Em vez de descartar esse líquido, eles devolvem ao solo nutrientes importantes para a produção.

    Assim, o que antes era considerado lixo passa a ter um papel útil dentro da lavoura.

    Economia dentro da propriedade

    O uso desses resíduos também impacta diretamente o bolso do produtor. Ao aproveitar materiais disponíveis na própria rotina, muitos reduzem a dependência de fertilizantes industrializados.

    Com isso, os custos diminuem e a margem de lucro tende a aumentar. Por esse motivo, diversos produtores já adotam essas práticas como complemento ao manejo tradicional.

    Sustentabilidade que gera resultado

    Além de reduzir gastos, o reaproveitamento de resíduos contribui para uma produção mais sustentável. Quando o produtor evita o descarte e reutiliza esses materiais, ele reduz impactos ambientais e melhora gradualmente a qualidade do solo.

    Ao mesmo tempo, essa prática fortalece um modelo de produção mais equilibrado. Dessa forma, sustentabilidade e produtividade passam a caminhar juntas no campo.

    Uma tendência que cresce no agro

    Nos últimos anos, produtores de diferentes regiões começaram a adotar essas soluções no dia a dia. Isso acontece porque são práticas simples, acessíveis e fáceis de aplicar.

    Além disso, cresce o interesse por alternativas naturais, tanto pela economia quanto pela preocupação ambiental. Como resultado, essas técnicas ganham cada vez mais espaço no agronegócio.

    O simples que pode fazer a diferença

    Embora essas soluções não substituam completamente técnicas mais avançadas, elas mostram que pequenas mudanças geram grandes resultados.

    No fim, o produtor transforma o que antes descartava em um recurso valioso. Em um cenário que exige eficiência e redução de custos, aproveitar melhor o que já está disponível pode fazer toda a diferença na produção.

  • Jumentos voltam ao centro do debate no Brasil após novos dados

    Jumentos voltam ao centro do debate no Brasil após novos dados

    Um novo levantamento internacional trouxe uma reviravolta no debate sobre a população de jumentos no Brasil.

    Dados da World Population Review indicam que o país possui mais de 730 mil animais em 2026. O número supera, em larga escala, estimativas divulgadas anteriormente e amplia a discussão sobre o futuro da espécie.

    Número maior muda cenário do debate

    A nova estimativa se baseia em dados da FAO e projeta um rebanho significativamente maior do que o apontado por algumas organizações.
    Esse dado ganha relevância porque o Brasil não atualiza oficialmente o número de asininos desde o Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo IBGE.

    Dessa forma, a ausência de informações recentes abre espaço para divergências e dificulta a formulação de políticas públicas mais precisas.

    Redução histórica ainda preocupa

    Apesar do número atual mais elevado, especialistas apontam uma tendência de queda ao longo das últimas décadas.

    Isso ocorre, principalmente, pela perda da função econômica dos jumentos no campo. Com a mecanização das atividades rurais, muitos animais deixaram de ser utilizados e, em muitos casos, foram abandonados.

    Além disso, essa mudança impacta diretamente o controle populacional, já que parte desses animais deixa de entrar nos registros oficiais.

    Abate divide especialistas

    Enquanto os números reacendem o debate, outra questão segue no centro das discussões: o abate de jumentos.
    Nos últimos meses, especialistas e entidades passaram a questionar decisões judiciais que permitem o abate da espécie, principalmente para exportação de subprodutos.

    Por um lado, defensores argumentam que a atividade pode gerar renda e estruturar uma cadeia produtiva. Por outro, pesquisadores alertam para o risco de redução acelerada da população, especialmente sem controle rigoroso.

    Mobilização tenta evitar perda da espécie

    Diante desse cenário, pesquisadores, produtores e organizações se mobilizam para evitar impactos mais graves.

    Estudos indicam que, sem planejamento e controle, o Brasil pode enfrentar uma queda significativa no número de animais. Por isso, cresce a pressão por regras mais claras e por monitoramento contínuo da população.

    Além disso, especialistas defendem políticas que equilibrem conservação e uso econômico.

    Potencial produtivo ainda pouco explorado

    Ao mesmo tempo, o setor começa a olhar para novas possibilidades.

    Pesquisas apontam que os jumentos podem gerar leite, carne e outros produtos com valor agregado. Esse potencial abre espaço para a construção de uma cadeia produtiva estruturada.

    No Nordeste, por exemplo, as condições climáticas favorecem a criação da espécie. Os animais apresentam alta resistência e conseguem aproveitar melhor recursos naturais de baixa qualidade nutricional.

    Futuro depende de organização

    Diante desse cenário, o futuro da espécie no Brasil depende menos de disputas e mais de planejamento.

    Especialistas destacam a necessidade de integrar pesquisa, setor produtivo e poder público. Além disso, a atualização constante dos dados aparece como fator essencial para orientar decisões.

    Assim, o debate sobre os jumentos no Brasil avança para além dos números e passa a envolver sustentabilidade, economia e preservação da espécie.

  • Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    A Cargill Nutrição e Saúde Animal apresentou, nesta terça-feira (31), em Campinas (SP), cidade a aproximadamente 100 km da capital paulista, o Probeef ILP, nova formulação voltada a sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP). O produto chega ao mercado com a proposta de melhorar o desempenho nutricional de bovinos de corte em pastagens integradas, ampliando a eficiência produtiva por área e atendendo a uma demanda crescente por soluções sustentáveis no campo.

    O lançamento, exclusivo para imprensa especializada, ocorreu no Centro de Inovação da empresa e reuniu executivos e representantes do setor, em um momento que reforça o posicionamento estratégico da companhia no segmento de nutrição animal. Atualmente, essa área responde por cerca de 80% dos negócios da Cargill no Brasil, mercado considerado prioritário pela companhia devido ao potencial da pecuária nacional.

    Segundo o diretor de Negócios Probeef, Tiago Galafassi Zarpelon, o país reúne condições únicas para expansão da bovinocultura. “O Brasil está muito bem posicionado globalmente. A demanda por carne cresce, e temos capacidade de atender com eficiência e escala”, afirmou.

    Integração e tecnologia no centro da estratégia

    Desenvolvido especificamente para sistemas ILP, o Probeef ILP busca otimizar a absorção de nutrientes e o aproveitamento da fibra dos pastos, contribuindo para ganhos de produtividade tanto individuais quanto por área. A tecnologia também se insere em um contexto de expansão desses sistemas no país, que já ocupam milhões de hectares e permitem até três safras anuais na mesma área.

    De acordo com o gerente de Tecnologia para Gado de Corte, Felipe Bortolotto, a inovação parte de uma escuta ativa do campo. “Inovação é como um esporte coletivo, pautado no que o cliente precisa. Não existe uma solução única para a pecuária brasileira, que é diversa e desafiadora”, disse.

    Dados apresentados pela empresa indicam avanços significativos na eficiência da produção nas últimas décadas. Em cerca de 20 anos, o peso médio de abate aumentou em aproximadamente três arrobas, enquanto a idade dos animais caiu de forma relevante, refletindo ganhos em produtividade e manejo.

    Além do novo produto, a linha Probeef Pasto passa por ajustes nas formulações, com níveis otimizados de macro e microminerais, ampliando a cobertura para diferentes perfis de produtores, do pequeno ao altamente intensivo.

    Produtividade exige planejamento e gestão

    Para o pecuarista José Leandro Olivi Peres, da Fazenda Alegria, em Mato Grosso, a tecnologia só gera resultado quando alinhada a objetivos claros. “O produtor precisa saber onde quer chegar. Quando isso está definido, o técnico consegue entregar a solução certa, no momento certo”, afirmou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Ele destacou ainda que a busca por maior produtividade deve estar associada à sustentabilidade econômica da propriedade. “Eu queria aumentar a produção por área e agregar mais arrobas, desde que o negócio fosse sustentável”, disse.

    A empresa também aposta em ferramentas digitais para apoiar o produtor na tomada de decisão, incluindo softwares de gestão, monitoramento por imagens de satélite e tecnologias de ajuste nutricional. A proposta é integrar produtos, pessoas e plataformas, os chamados “três Ps”, como base da estratégia.

    Reorganização do portfólio e foco no mercado

    O lançamento do Probeef ILP faz parte de um movimento mais amplo de reorganização do portfólio da companhia. As marcas passam a ser segmentadas por cadeia produtiva, com foco em soluções completas para cada área.

    No segmento de bovinos de corte, a marca Probeef assume papel central, com a proposta de oferecer desde produtos até suporte técnico especializado. A estratégia também inclui a atualização da identidade visual, baseada no conceito de confiança, elemento considerado essencial na relação com o produtor.

    Segundo o diretor de Marketing e Tecnologia, Marcelo Dalmagro, o objetivo é contribuir para a evolução da pecuária brasileira. “Queremos ajudar o produtor a dar o próximo passo, independentemente do tamanho da operação”, afirmou.

    A expectativa da empresa é ampliar participação em um mercado ainda fragmentado, mas em crescimento contínuo, impulsionado pela demanda global por proteína animal. Nesse cenário, a integração entre lavoura e pecuária surge como caminho para aumentar a eficiência produtiva e atender às exigências ambientais e econômicas do setor.

  • Fusão cria maior plataforma brasileira de fertilizantes minerais naturais

    Fusão cria maior plataforma brasileira de fertilizantes minerais naturais

    A fusão entre a Massari Fértil e a Morro Verde dá origem a uma companhia que aposta na inovação mineral como resposta aos desafios de sustentabilidade e produtividade do agronegócio brasileiro. A estratégia central: ampliar investimentos em fertilizantes minerais mistos naturais, desenvolvidos a partir de ativos geológicos do próprio país e formulados para a realidade dos solos tropicais.

    A empresa opera de forma verticalizada da mineração à formulação final, o que garante maior controle de qualidade, rastreabilidade e eficiência agronômica. Esse modelo também reduz a dependência de insumos importados, um ponto crítico para o setor: segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome.

    Nutrição adaptada ao solo brasileiro

    Os fertilizantes minerais naturais da companhia promovem liberação gradual de nutrientes, favorecendo equilíbrio nutricional ao longo do ciclo das culturas. Em solos tropicais, marcados por elevada acidez, intemperismo intenso e baixa disponibilidade natural de fósforo, essa característica aumenta o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas e reduz perdas por lixiviação.

    A Embrapa reforça a importância dessa abordagem. Estudos da instituição indicam que o manejo nutricional eficiente define a produtividade em ambientes tropicais. E que tecnologias adaptadas às condições químicas e climáticas brasileiras tendem a gerar maior estabilidade produtiva no longo prazo.

    “A inovação no agro precisa considerar a realidade do solo brasileiro. Ao investir em formulações baseadas em ativos minerais nacionais e pesquisa aplicada, desenvolvemos soluções que combinam produtividade, estabilidade nutricional e menor impacto ambiental”, afirma George Fernandes, CEO da Morro Verde.

    Menos carbono na cadeia de fornecimento

    A agenda ambiental vai além da eficiência agronômica. Com a alta dependência de importados, o Brasil acumula emissões associadas ao transporte de longa distância e fica exposto a volatilidades geopolíticas e cambiais. Ao fortalecer a produção nacional com base em fósforo e corretivos minerais brasileiros, a nova companhia encurta cadeias logísticas e reduz a intensidade de carbono no fornecimento de nutrientes.

    A estratégia está alinhada ao Plano Nacional de Fertilizantes, que estabelece como meta ampliar a produção doméstica e diminuir vulnerabilidades externas.

    Plataforma tecnológica e expansão nos próximos três anos

    Com a integração das operações, a empresa consolida uma plataforma tecnológica capaz de transformar ativos geológicos em soluções agrícolas de maior valor agregado. A verticalização acelera ciclos de desenvolvimento, amplia testes regionais e fortalece o uso de inteligência agronômica nas recomendações técnicas.

    A meta é ambiciosa: em três anos, a companhia projeta se tornar a maior plataforma brasileira no segmento de fertilizantes minerais mistos naturais. Combinando liderança de mercado, inovação aplicada e compromisso ambiental.

    “O Brasil tem recursos minerais estratégicos e conhecimento técnico para desenvolver fertilizantes alinhados à sua própria realidade. Inovação mineral significa produzir mais com menos impacto, fortalecer a soberania produtiva e contribuir para uma agricultura mais resiliente”, diz Sérgio Saurin, diretor-presidente e fundador da Massari Fértil.

    Ao colocar sustentabilidade e ciência aplicada como pilares estratégicos, a companhia reforça um modelo que equilibra eficiência, segurança alimentar e responsabilidade ambiental. Um debate cada vez mais central nas agendas de inovação e transição climática do agronegócio brasileiro.

  • Família troca problema ambiental por economia de energia com biodigestor de baixo custo

    Família troca problema ambiental por economia de energia com biodigestor de baixo custo

    Até pouco tempo, os dejetos das vacas leiteiras representavam um grande problema para a família Capitani, em Xaxim, no Oeste de Santa Catarina. Agora, com a instalação de um biodigestor desenvolvido pela Epagri, o esterco se transformou em biogás e biofertilizante, unindo economia e sustentabilidade na pequena propriedade rural.

    A tecnologia, batizada de Biodigestor de Baixo Custo, surgiu na primeira década dos anos 2000 por meio da Epagri, com apoio da Embrapa, e passa por contínuos aprimoramentos. O sistema já funciona na propriedade da família, onde o biogás gerado aquece a água para a limpeza do sistema de ordenha e também serve para o cozimento dos alimentos, reduzindo o consumo de gás de cozinha e de lenha. A próxima etapa prevê a instalação de um sistema para levar água quente aos chuveiros e torneiras da residência. Portanto, gerando ainda mais economia na conta de energia elétrica.

    Para o engenheiro-agrônomo da Epagri, o grande potencial do biodigestor no Oeste catarinense reside na sua acessibilidade. “É uma tecnologia de baixo custo e fácil instalação. A região é uma grande bacia leiteira onde predominam pequenas propriedades, que podem se beneficiar com a geração de biogás e biofertilizante, reduzindo gastos com energia elétrica ou gás”, explica o especialista.

    A produtora rural Aline Capitani recomenda a iniciativa para outros agricultores. “Eu com certeza recomendo para outros produtores, não somente por uma questão econômica, mas também ambiental. Eu acho que a gente fala tanto em preservação do meio ambiente e não tem só que falar, a gente tem que fazer”, destaca Aline. Embora a instalação seja recente e a família ainda não tenha calculado a economia exata, os benefícios práticos já são evidentes no dia a dia.

    Economia e sustentabilidade caminham juntas

    Além do biogás, o processo de biodigestão gera o digestado, um biofertilizante de alta qualidade. “Esse material já pode ser aplicado diretamente na lavoura, não necessitando ser curtido. Ele apresenta grande quantidade de nutrientes e uma rápida resposta das plantas, podendo substituir grande parte dos adubos inorgânicos necessários”, explica o engenheiro-agrônomo.

    A solução também resolveu antigos incômodos na propriedade. “Alguns anos atrás, como em muitas propriedades, a gente não tinha um lugar apropriado para armazenar os dejetos dos animais. E o descarte causava muitos problemas, como moscas e odores. Agora, temos uma esterqueira, mas o biodigestor vem para auxiliar ainda mais,” relata Aline.

    O biodigestor da família Capitani contou com fomento do Sicoob e apoio da Prefeitura de Xaxim, que realizou a abertura do buraco para a construção do tanque. Assim, os investimentos na estrutura totalizaram R$ 15 mil, incluindo geomembrana (lona), caixa de areia, caixa de passagem, calhas para captação de água da chuva, tubulações, cerca para isolamento, fogão campeiro (jipão) e fogareiro.

    Tecnologia consolidada pela Epagri

    A história do Biodigestor de Baixo Custo começou em 2008, com a primeira instalação em Laurentino, no Alto Vale do Itajaí. Dez anos depois, a Embrapa validou a tecnologia. “Hoje, esse sistema está praticamente no Brasil todo, mas não temos controle de quantos foram instalados. O produtor de Laurentino já recebeu mais de 300 visitas de interessados em conhecer o biodigestor”, conta Osnei Córdova Muniz, extensionista da Epagri que acompanhou a instalação pioneira.

    Biogás substituiu a lenha no fogão instalado na propriedade dos Capitani. Foto: Aline Capitani/Epagri

    O nome do sistema revela seus principais atrativos: o baixo custo e a facilidade de instalação. Segundo Muniz, o valor para implantação em uma propriedade com rebanho de 20 a 30 vacas varia entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. “Em dois anos o investimento se paga, considerando a redução no consumo de lenha, gás, energia elétrica, mão de obra e fertilizante”, calcula. “Ver a alegria da família em estar economizando e enxergando maior conforto no seu dia a dia é muito satisfatório”, completa Duchini.

    O coordenador estadual do Programa Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental da Epagri, engenheiro agrônomo Jeferson João Soccol, destaca a relevância da tecnologia para as atuais demandas do setor. “Há necessidade de reduzir impactos ambientais, descarbonizar cadeias produtivas, baixar custos de produção e aumentar a eficiência das propriedades rurais. O biodigestor é uma tecnologia extremamente importante e acessível aos agricultores familiares e atende a todas estas demandas”, afirma Soccol.

    Ele acrescenta que a expectativa é que a tecnologia ganhe ainda mais força com a disponibilização de recursos de fomento pelo estado de Santa Catarina, por meio da Epagri, e com eventos de capacitação, como o realizado recentemente em Xaxim.

  • Chocolate indígena do Pará recebe reconhecimento internacional de sustentabilidade

    Chocolate indígena do Pará recebe reconhecimento internacional de sustentabilidade

    A empreendedora indígena Katyana Xipaya conquistou reconhecimento internacional com sua marca de chocolates artesanais do Pará. O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) selecionou a Sidjä Wahiü, que significa “Mulher Forte” na língua Xipaya, para integrar sua vitrine global de soluções sustentáveis.

    A coalizão mundial reúne empresas e iniciativas que aceleram a transição para um mundo sustentável. O conselho busca soluções para desafios como mudanças climáticas, conservação da natureza e equidade social.

    Cacau nativo vira modelo de negócio sustentável

    Katyana mora na comunidade ribeirinha de Jericoá 2, em Vitória do Xingu (PA). A líder indígena transformou o cacau nativo amazônico em produto de alto valor agregado desde 2023. O projeto conta com apoio da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte.

    “Saber que o Sidjä Wahiü recebeu essa seleção me gratifica muito, porque ele não representa apenas meu trabalho. O chocolate mostra a força do empreendedorismo indígena, nossa cultura e o protagonismo das mulheres. Ocupamos nossos espaços e mostramos que não caminhamos sozinhos. Construímos essa história sementinha por sementinha”, afirma a empreendedora.

    Tradição familiar preserva floresta amazônica

    A produção dos chocolates mantém técnicas tradicionais que o avô de Katyana já utilizava às margens do Rio Xingu. “O Sidjä Wahiü carrega mais que sabor – ele carrega nossa raiz e a perseverança de manter o modo como meu avô trabalhava. Hoje produzimos chocolate fino com 72% de cacau e frutas como abacaxi e pitaia da nossa própria terra. Geramos renda para parentes ribeirinhos e para a agricultura familiar”, explica.

    Três famílias indígenas ribeirinhas da comunidade Jericoá 2 cultivam o cacau e as frutas desidratadas. Após a colheita e processamento inicial, a Cacauway, fábrica localizada em Medicilândia (PA), recebe a matéria-prima. A parceira técnica finaliza e refina os chocolates, garantindo o padrão de qualidade artesanal com acabamento para o mercado de chocolates finos.

    Pará lidera produção nacional de cacau

    A trajetória de Katyana inspira produtores de cacau no Pará, estado que concentra mais de 50% da produção nacional do fruto. A Embrapa aponta que a indústria cacaueira movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões ao ano no Brasil.

    chocolate artesanal e indígena
    Foto: Divulgação

    Em 2024, as comunidades indígenas apoiadas pela Norte Energia colheram 23 toneladas de cacau. A safra representa avanço crucial para a autonomia financeira das famílias envolvidas.

    Programa empresarial impulsiona bioeconomia regional

    O programa Belo Monte Empreende, da Norte Energia, impulsionou o sucesso da Sidjä Wahiü. A iniciativa fomenta atividades produtivas e fortalece aspectos socioambientais nas comunidades do Médio Xingu.

    Outras marcas de empreendedores indígenas também receberam apoio da empresa: Yudjá, Karaum Paru, Iawá e Ita’Aka Akauwa. Os negócios consolidam o Médio Xingu como polo produtor de chocolate sustentável.

    “O reconhecimento da marca Sidjä Wahiü pelo WBCSD prova que o desenvolvimento sustentável na Amazônia, quando respeita saberes tradicionais, alcança escala e relevância global. Para a Norte Energia, apoiar lideranças como Katyana Xipaya integra nossa estratégia de deixar um legado de autonomia e prosperidade para as comunidades do Médio Xingu”, destaca Thomás Sottili, Gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia.

    A companhia investe em capacitação e infraestrutura por meio de projetos socioambientais. As iniciativas ajudam comunidades a alcançarem autonomia financeira enquanto mantêm a floresta preservada. O case demonstra que a união entre conhecimento tradicional e suporte institucional impulsiona o futuro da economia verde no Brasil.

  • Tucumã transforma vidas de mulheres e combate violência doméstica no Pará

    Tucumã transforma vidas de mulheres e combate violência doméstica no Pará

    A coleta e comercialização de tucumã e outras espécies nativas fortalecem a autonomia feminina e combatem a violência doméstica na Ilha de Cotijuba, em Belém. Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ciências Sociais mostra como o extrativismo se transformou em ferramenta de empoderamento e resistência territorial para as mulheres paraenses.

    A Embrapa Amazônia Oriental coordenou o estudo entre 2022 e 2023 e concluiu que as práticas extrativistas ultrapassam a geração de renda. O trabalho redefine o papel social das mulheres na região, oferece proteção contra agressões domésticas e promove protagonismo político em uma área que enfrenta forte pressão imobiliária e crescimento turístico.

    Movimento feminino cria rede de acolhimento e proteção

    O estudo analisou a atuação do Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB) e identificou como o grupo oferece refúgio e condições de liderança para suas integrantes. A pesquisadora Dalva Mota destaca que a autonomia pessoal e política das extrativistas representa o impacto mais significativo do trabalho.

    “Em um contexto que apresenta desigualdades de gênero e violência doméstica, o MMIB atua como rede de acolhimento”, explica Mota. Relatos coletados pela pesquisa mostram que a participação no movimento permitiu que muitas mulheres rompessem ciclos de submissão. Uma das entrevistadas descreve o MMIB como um “refúgio” contra crises conjugais e a imposição exclusiva do trabalho doméstico.

    Mulheres lideram decisões e estrutura organizacional

    A coordenação do movimento conta exclusivamente com mulheres, que garantem autonomia na tomada de decisões. Homens associados têm direito apenas ao voto, sem acesso a cargos de direção. Essa estrutura fortalece a autoestima e promove qualificação profissional de mulheres que, em sua maioria, vivenciaram trabalho doméstico precoce e migraram em busca de melhores oportunidades.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Uma multinacional brasileira de cosméticos estabeleceu parceria comercial com o grupo em 2002 para fornecimento de priprioca (planta aromática amazônica). O acordo se estendeu posteriormente ao tucumã (fruto de palmeira amazônica), inserindo as mulheres em uma “bioeconomia inclusiva” repleta de desafios.

    As extrativistas traduzem seus valores locais para a lógica capitalista de preços e metas, enquanto desafiam a demanda industrial por escala de produção. Segundo as pesquisadoras Ana Felicien e Dalva Maria da Mota, a experiência do MMIB prova que a bioeconomia na Amazônia envolve relações sociais complexas e a manutenção da floresta preservada.

    Tucumã resiste a mudanças climáticas e protege território

    O tucumã (Astrocaryum vulgare Mart.) surge como símbolo de resistência ecológica na região. Enquanto o açaí, principal cultura local,sofreu com secas recentes, o tucumã demonstrou resiliência ao fogo e às alterações climáticas, garantindo alternativa econômica viável para as famílias.

    A atividade ajuda a preservar a paisagem da ilha, hoje fragmentada pelo desmatamento e pela especulação imobiliária que expulsa famílias de seus quintais produtivos. A Ilha de Cotijuba possui praias tranquilas de água doce e atrai interesse turístico crescente.

    “Para as mulheres de Cotijuba, o extrativismo representa uma forma de ‘segurar a terra’. E garantir que, mesmo em meio a pressões urbanas, suas vidas e saberes continuem a florescer”, afirmam as pesquisadoras.

    A pesquisa demonstra que a coleta de frutos nativos na Amazônia combina desenvolvimento econômico, preservação ambiental e transformação social, oferecendo modelo replicável para outras comunidades tradicionais.