Tag: sustentabilidade

  • Congresso do Agro terá Alckmin, Michel Temer e propostas para o próximo governo

    Congresso do Agro terá Alckmin, Michel Temer e propostas para o próximo governo

    O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participará da abertura da 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), marcada para esta segunda-feira (10), no Sheraton WTC São Paulo Hotel. Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, o evento reunirá autoridades, executivos, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também participará do congresso. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está entre as autoridades aguardadas.

    Com o tema “Agro & Indústria – Integrando e Transformando o Brasil”, o congresso terá abertura conduzida por Ingo Plöger, presidente da ABAG, e Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3.

    Também participarão da cerimônia Tereza Cristina, senadora da República e presidente do Cosag; Arnaldo Jardim, deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária; Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Tirso de Salles Meirelles, presidente da FAESP/SENAR; Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; e Tania Zanella, presidente da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA).

    Geopolítica e impactos no agronegócio

    A programação seguirá com a mesa-redonda “O Agro na Geopolítica”, que reunirá Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Reino do Marrocos, e Braz Baracuhy, diplomata e especialista em geopolítica.

    Os participantes analisarão os efeitos das mudanças no cenário internacional, dos conflitos geopolíticos, do avanço do protecionismo e da reorganização das cadeias globais sobre o agronegócio brasileiro.

    Na sequência, o congresso apresentará a primeira edição do Future Flash, com o tema “A Nova Infraestrutura Invisível do Agro”. Mariana Vasconcelos, cofundadora e CEO da Agrosmart e Young Global Leader pelo World Economic Forum, conduzirá a apresentação.

    Indústria, inovação e competitividade

    O painel “A Indústria que Revoluciona o Agro” discutirá o impacto da inovação, da automação, da biotecnologia, da conectividade e da bioenergia na produção agropecuária.

    Participarão do debate Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil; Eder Lopes, CEO da Inpasa Brasil; e Gastón Diaz Perez, presidente e CEO da Bosch América Latina.

    O painel também abordará as novas matrizes energéticas e o papel da indústria na produtividade, na sustentabilidade e na competitividade do agronegócio. A discussão destacará os fatores que contribuem para posicionar o Brasil como referência em biocompetitividade.

    Financiamento e sustentabilidade

    A programação da tarde começará com a apresentação “A Verticalização Sustentável como Valor para o Agro Brasileiro”, no Future Flash. Flávia Garcia Cid, produtora rural, empresária e gestora da Fazenda Jaracatiá, conduzirá o encontro.

    Em seguida, o painel “Investimento e Financiamento em Tempos Voláteis” discutirá as condições necessárias para ampliar a capacidade de investimento do agronegócio diante da volatilidade econômica, das mudanças regulatórias e dos desafios relacionados ao crédito e à gestão de riscos.

    Participarão Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3; Flavia Palacios, diretora da ANBIMA; Julyana Yokota, Managing Director e especialista setorial da S&P Global Ratings; e Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg.

    ABAG entrega prêmios a pesquisadores e lideranças

    Durante o congresso, a ABAG entregará o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade à pesquisadora da Embrapa Iêda Mendes. Silvia Massruhá, presidente da instituição, fará a apresentação da homenagem.

    O Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio homenageará Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio-diretor da Canaplan e presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da ABAG. Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV, fará a apresentação.

    Propostas para o próximo ciclo de governo

    O Future Flash “Como Transformar Desafios Ambientais em Oportunidades no Agro” terá a participação de Victor Brian Magalhães, CEO da TerraMares Ambiental.

    Depois, a mesa-redonda “Novo Governo: Prioridades e Compromissos” reunirá Alberto Pfeifer, Senior Policy Fellow do Insper Agro Global; Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da ABAG; e Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

    O debate tratará das prioridades estratégicas do agronegócio para o próximo ciclo de governo e da construção de uma agenda de Estado para o setor. A ABAG também apresentará aos candidatos à Presidência da República um conjunto de propostas e demandas consideradas essenciais para ampliar a competitividade e promover o desenvolvimento sustentável do país.

    O ex-presidente da República Michel Temer encerrará o congresso com a palestra “Caminhos para o Futuro”.

    Inscrições e transmissão online

    As inscrições para participação presencial estão abertas no site oficial do Congresso Brasileiro do Agronegócio. A organização também oferecerá transmissão online gratuita, mediante credenciamento prévio.

    Como novidade, o evento terá tradução simultânea para o inglês.

    Serviço
    • Evento: 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio — presencial e online.
    • Tema: Agro & Indústria – Integrando e Transformando o Brasil.
    • Data: 10 de agosto de 2026.
    • Horário: das 9h às 18h.
    • Local: Sheraton WTC São Paulo Hotel, na Avenida das Nações Unidas, nº 12.559, São Paulo.
    • Informações e inscrições: congressoabag.com.br

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp clicando nesse link e saiba tudo primeiro.

  • Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Pesquisa da Embrapa indica 27 novos registros de abelhas nativas associadas à cultura da soja no Brasil. O estudo, conduzido no sudoeste de Goiás, também aponta que a presença desses insetos silvestres nas lavouras pode aumentar o peso dos grãos em média 7%.

    O levantamento, liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), foi realizado nas plantações das regiões de Rio Verde e Montividiu. Entre as 40 espécies encontradas diretamente nas áreas cultivadas, 27 nunca haviam sido citadas pela literatura científica como visitantes da soja. Considerando também as matas nativas do entorno, o número total de espécies identificadas chega a 53, distribuídas em cinco famílias (Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae).

    Treinamento no uso da rede entomológica em áreas de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Os resultados foram publicados no Journal of Applied Entomology, no artigo intitulado Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops. A pesquisa reforça que a conservação dos fragmentos de Cerrado próximos às lavouras não é apenas uma estratégia para a biodiversidade, mas também um fator de ganho econômico e alinhamento com critérios ESG, cada vez mais exigidos pelos mercados internacionais.

    O “filtro invisível” dos defensivos e o impacto na biodiversidade

    Historicamente, o modelo de produção em larga escala da soja tem se apoiado no uso intensivo de inseticidas e fungicidas sintéticos de amplo espectro. No entanto, a pesquisadora da Embrapa, Carmen Pires, explica que essa abordagem atua como um severo “filtro ambiental” sobre a fauna benéfica.

    “Em propriedades com manejo químico altamente intensivo, houve uma queda drástica na equitabilidade das comunidades de abelhas”, afirma Pires. O termo ecológico se refere à distribuição uniforme dos indivíduos entre as diferentes espécies. “O manejo intensivo favorece um pequeno número de espécies resistentes, eliminando as mais especializadas e eficientes na polinização.”

    Coleta de abelhas com rede entomológica. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    A cientista alerta ainda para um erro metodológico comum: avaliar a saúde da lavoura apenas pela abundância bruta de insetos. “Uma área altamente pulverizada pode apresentar um número elevado de insetos, mas quase todos pertencem a uma única espécie. Funcionalmente, a lavoura torna-se um ‘deserto de biodiversidade’.”

    O avanço dos bioinsumos como rota de fuga

    A boa notícia, segundo o estudo, é que existe uma rota de fuga economicamente vantajosa. Propriedades que integraram bioinsumos (bactérias e fungos para controle biológico e fertilização) e reduziram a dependência de químicos de alta toxicidade conseguiram manter comunidades de abelhas mais equilibradas e funcionalmente diversas.

    A transição para biológicos (Classe IV de risco ambiental – pouco perigosos) preserva o ciclo natural e é crucial para as abelhas que constroem ninhos no solo — cerca de 60% das espécies identificadas na região. A agricultura regenerativa, que minimiza o revolvimento da terra e mantém a palhada, protege esses ninhos. “Sem tratores desfazendo abrigos e sem venenos penetrando a terra, essas abelhas podem persistir de uma safra para a outra”, destaca Pires.

    Além disso, a maioria das espécies (44,7%) possui hábitos solitários, dependendo exclusivamente das boas condições ecológicas da fazenda para sobreviver. “O produtor precisa adotar práticas amigáveis para mantê-las vivas. Caso contrário, perderá o bônus de produtividade que elas oferecem gratuitamente”, complementa a pesquisadora.

    O Cerrado como “pulmão” polinizador da fazenda

    A pesquisa também detalha a relação de dependência entre a floresta e a lavoura. Os fragmentos de vegetação nativa do Cerrado atuam como refúgios e “fábricas” de polinizadores.

    Os dados revelaram que a proximidade física com a mata é um fator relevante: quanto maior o afastamento da lavoura em relação às bordas de Cerrado, menores são a riqueza e a abundância de abelhas nativas nas flores de soja. A mata preservada fornece abrigo, locais de nidificação (principalmente para os 18% de espécies que fazem ninhos em troncos) e alimento alternativo quando a soja não está florindo. Sem a floresta vizinha, as abelhas não conseguem colonizar as plantações.

    Números consolidados e nova metodologia

    Os números consolidados do estudo impressionam: do total de 764 abelhas coletadas, 89% eram nativas do Brasil, contra apenas 11% da espécie exótica Apis mellifera (abelha africanizada). Antes desta publicação, revisões científicas registravam apenas 12 espécies nativas associadas à soja. O novo trabalho ampliou esse conhecimento para 40 espécies nas áreas cultivadas, com 27 registros inéditos.

    Armadilhas do tipo “pan trap azul” instaladas em uma área de vegetação natural adjacente ao campo de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Para chegar a essa precisão, os pesquisadores testaram diferentes metodologias e descobriram que os tradicionais pratos-armadilha (pan traps) são muito mais eficientes que as redes entomológicas. As pan traps foram responsáveis por 95% de todas as capturas (728 indivíduos), identificando 33 espécies, enquanto a rede registrou apenas 7. Segundo o estudo, o uso exclusivo de redes subestima a riqueza biológica real das fazendas de soja.

    “A pesquisa da Embrapa consolida, com dados de campo, que o futuro da agricultura nacional depende do equilíbrio ecológico. Os insetos polinizadores são os amigos invisíveis das lavouras, mas o manejo inadequado pode colocá-los em risco. Proteger as abelhas nativas e o Cerrado que as abriga é, acima de tudo, preservar a economia e a segurança alimentar do Brasil”, conclui Carmen Pires.

  • Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035

    Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035

    O agronegócio brasileiro pode gerar até R$ 314,3 milhões em créditos de carbono até 2035, segundo um estudo apresentado nesta quinta-feira (6), durante o Fórum de Agro & Sistemas Alimentares, realizado na São Paulo Climate Week. Apesar do potencial, o setor ainda enfrenta um obstáculo para transformar essa oportunidade em negócios: a falta de regras operacionais para autorizar e comercializar esses ativos no mercado internacional.

    O levantamento foi elaborado pela Carbonn Nature, com apoio do Instituto Equilíbrio e do IEAg (Instituto de Estudos do Agronegócio), da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). A análise aponta que o Brasil tem condições de ampliar a participação do agro no mercado de carbono sem comprometer suas metas climáticas estabelecidas no âmbito do Acordo de Paris.

    Agro brasileiro pode movimentar bilhões com mercado de carbono

    De acordo com o estudo, uma estratégia considerada moderada permitiria ao Brasil autorizar transferências equivalentes a até 4% da segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país.

    Nesse cenário, seria possível negociar cerca de 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) no mercado internacional. A operação poderia gerar até R$ 2,4 bilhões por meio dos chamados Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, conhecidos como ITMOs.

    Os valores podem ser ainda maiores caso os créditos sejam direcionados ao Corsia, programa internacional criado para compensar as emissões da aviação civil. Nesse mercado, a estimativa apresentada pelo estudo chega a R$ 3,5 bilhões.

    Os números, entretanto, representam diferentes cenários e potenciais de mercado. Não se trata de uma receita garantida para produtores rurais ou para o setor como um todo.

    Três áreas concentram potencial

    O estudo identifica três principais frentes para ampliar a geração de créditos de carbono no agronegócio brasileiro.

    A primeira é o manejo aprimorado de terras agrícolas, que reúne práticas capazes de contribuir para a redução ou remoção de emissões. A segunda envolve a recuperação de áreas degradadas, uma estratégia que também pode ampliar o armazenamento de carbono no solo e na vegetação.

    A terceira frente está relacionada à redução das emissões de metano provenientes do manejo de dejetos animais. Segundo os pesquisadores, essas atividades já contam com metodologias reconhecidas internacionalmente e possuem projetos em desenvolvimento no Brasil.

    Para a pesquisadora responsável pelo levantamento, Natascha Trennepohl, o estudo mostra uma transformação na maneira como o agronegócio é inserido na agenda climática.

    “O agronegócio brasileiro deixou de ser discutido apenas como fonte de emissões e passa a ocupar o centro da conversa sobre soluções. Não existe uma escolha binária entre gerar receita com carbono e proteger a meta climática do País. Com critérios de autorização bem definidos e volumes graduais, as duas coisas caminham juntas.”

    Falta de regulamentação ainda trava mercado

    Apesar do potencial financeiro, os pesquisadores destacam que a geração de créditos de carbono pelo agro depende de uma série de fatores. Entre eles estão a autorização do governo brasileiro para que os créditos sejam reconhecidos como ITMOs, a existência de compradores internacionais e as próprias condições do mercado.

    Por isso, o principal desafio identificado pelo estudo não estaria na capacidade do agronegócio de gerar créditos ou na demanda internacional, mas na regulamentação necessária para colocar essas operações em prática.

    Entre as medidas apontadas como prioritárias estão a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, a definição de critérios para autorização dos ITMOs e o reconhecimento das metodologias utilizadas pelo agronegócio no Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).

    O estudo também defende a criação de limites de créditos compatíveis com as metas climáticas brasileiras, além da emissão das cartas de autorização pelo governo federal e do fortalecimento dos sistemas de monitoramento, reporte e verificação dos projetos.

    Demanda por créditos pode crescer com aviação internacional

    Outro ponto destacado no levantamento é a preparação dos projetos brasileiros para o aumento da demanda do Corsia a partir de 2027. O programa prevê compensações obrigatórias para grande parte dos voos internacionais, o que pode ampliar a procura por ativos ambientais.

    Para Trennepohl, o Brasil já possui condições técnicas para disputar esse mercado, mas precisa avançar na regulamentação.

    “O Brasil já fez a parte mais difícil, que é comprovar que tem escala, metodologia e integridade ambiental para competir nesse mercado. O que falta agora é essencialmente operacional: destravar a regulamentação para que esse potencial vire projeto, investimento e renda para o produtor rural.”

  • Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Um estudo do WRI Brasil propõe a criação de um protocolo unificado para as cadeias brasileiras de soja e carne bovina. A iniciativa pretende integrar ferramentas já existentes de monitoramento e rastreabilidade para facilitar o comércio internacional, especialmente com a China, sem estabelecer novas exigências para os produtores.

    Segundo o instituto, o Brasil já dispõe de instrumentos capazes de monitorar o desmatamento e acompanhar a origem da produção agropecuária. No entanto, esses sistemas funcionam de forma isolada e adotam critérios diferentes, o que dificulta sua compreensão por compradores e investidores internacionais.

    Estudo aponta diferenças entre protocolos existentes

    A pesquisa analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade utilizados nas cadeias de soja e carne bovina.

    O levantamento identificou divergências em aspectos como:

    • datas de corte para desmatamento;
    • critérios de avaliação;
    • monitoramento de fornecedores indiretos;
    • auditorias e processos de verificação.

    De acordo com o WRI Brasil, essas diferenças reduzem a credibilidade dos sistemas brasileiros e tornam mais difícil para importadores identificar quais padrões devem ser seguidos.

    Objetivo é integrar regras já existentes

    O estudo reforça que a proposta não cria novas normas para o setor.

    A recomendação é harmonizar os critérios técnicos atualmente utilizados, integrar bases de dados e simplificar os processos de auditoria, criando um referencial único para as cadeias produtivas.

    Na avaliação do instituto, essa integração pode fortalecer a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e aproximar os sistemas brasileiros das exigências internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).

    China é apontada como parceira estratégica

    O relatório destaca que a China permanece como o principal destino das commodities agropecuárias brasileiras.

    Para os pesquisadores, Brasil e China têm condições de liderar a construção de um padrão internacional voltado para cadeias produtivas livres de desmatamento.

    O documento, intitulado Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains, foi desenvolvido pelo WRI Brasil com apoio da BV Rio, Amigos da Terra, Principles for Responsible Investment (PRI), WRI China e Proforest.

    Recomendações

    No setor pecuário, o estudo recomenda acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, sem aguardar a implementação completa da identificação individual obrigatória dos animais.

    Além disso, a proposta prevê a migração gradual para sistemas individuais de rastreabilidade, ampliando a transparência da cadeia produtiva.

    Para a cadeia da soja, o estudo recomenda fortalecer a rastreabilidade desde a fazenda de origem. Entre as medidas sugeridas estão a integração de tradings, cooperativas e plataformas estaduais, além da conexão de informações fiscais para tornar os registros mais confiáveis.

  • Startup transforma resíduo do vinho em ingrediente para chocolate amargo

    Startup transforma resíduo do vinho em ingrediente para chocolate amargo

    O reaproveitamento de resíduos da produção de vinho ganha destaque na Califórnia com a criação de um ingrediente funcional que melhora o sabor do chocolate amargo. Desenvolvido a partir do Chardonnay, o produto também apresenta potencial nutricional e reforça práticas sustentáveis na indústria alimentícia.

    Resíduos de uva Chardonnay utilizados na produção de ingrediente funcional para chocolate
    Reprodução: Redes Sociais

    A Vine to Bar, fundada por Peggy Furth e Barbara Banke, utiliza subprodutos do processamento da uva Chardonnay, como cascas, polpa, caules e sementes, para criar o Wellvine, um pó rico em compostos bioativos. A proposta une sustentabilidade, inovação alimentar e saúde.

    O Chardonnay lidera o cultivo de uvas na Califórnia desde o século XIX, o que garante ampla disponibilidade de matéria-prima. Apesar disso, a indústria historicamente descartou esses resíduos.

    Segundo Barbara Banke, o potencial desses materiais sempre existiu. “Tudo era tratado como sobra, mas ainda era um produto fresco que poderia ter melhor aproveitamento”, afirma.

    Pesquisa revela benefícios nutricionais do Wellvine

    A empresa contou com o apoio científico do Dr. Harold Schmitz, da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis). A equipe identificou alta concentração de fibras e oligossacarídeos no material, compostos presentes no leite materno humano e importantes para a saúde intestinal.

    O diferencial surgiu durante os testes com chocolate amargo. Em vez de alterar negativamente o sabor, o Wellvine intensificou as características sensoriais do produto.

    Ingrediente melhora sabor do chocolate amargo

    “Observamos que o ingrediente não apenas agregou valor nutricional, mas também melhorou o sabor do chocolate”, explica Schmitz. “Isso abre um novo caminho para a indústria.”

    Além do apelo sensorial, o projeto responde a uma demanda crescente por alimentos mais saudáveis. Furth destaca a relação com o aumento de doenças metabólicas.

    “O mercado precisa oferecer alternativas que contribuam para a saúde. Esse é um caminho essencial para o futuro da alimentação”, afirma.

    A proposta também resgata o conceito de alimento natural. Para Scott Forsberg, gerente de vendas da empresa, a iniciativa vai na contramão da industrialização excessiva da dieta.

    “Estamos falando de comida de verdade. Nos últimos 60 anos, a alimentação se distanciou disso”, diz.

    Resíduo do vinho vira ingrediente funcional e melhora sabor do chocolate amargo
    Reprodução: Redes Sociais

    Produto já chega à alta gastronomia

    O Wellvine já começa a ganhar espaço na alta gastronomia. O chef Dustin Valette incorporou o ingrediente ao cardápio do restaurante The Matheson, em Sonoma.

    “Os antioxidantes chamam atenção, mas o sabor é o que realmente se destaca”, afirma.

    Barbara Banke ressalta que a inovação representa uma ruptura com tradições consolidadas da chocolateria europeia. “A Europa domina o chocolate de alta qualidade, mas nunca explorou esse tipo de abordagem”, conclui.

    Chocolate amargo com ingrediente derivado de subproduto do vinho
    Reprodução: Redes Sociais
  • Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    A bio e a nanotecnologia estão ampliando as alternativas para recuperar áreas degradadas na Amazônia. Nesse contexto, o projeto NanoRad’s reúne empresas e instituições de pesquisa para acelerar o desenvolvimento de plantios florestais. A iniciativa é liderada pela Krilltech em parceria com a Shell Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a Bioflore e outros parceiros estratégicos. Além disso, o projeto conquistou a medalha de prata no Energy Summit Awards, durante evento realizado em junho, no Rio de Janeiro.

    O reconhecimento reforça o potencial da tecnologia brasileira para apoiar a restauração ambiental. Ao mesmo tempo, evidencia a importância da cooperação entre ciência e iniciativa privada. Com isso, o projeto ganha visibilidade como uma solução voltada à recuperação de ecossistemas amazônicos.

    Tecnologia busca acelerar a recuperação florestal

    O NanoRad’s utiliza soluções de biotecnologia e nanotecnologia para estimular o crescimento das plantas. Dessa forma, o projeto pretende tornar mais eficiente o processo de restauração florestal. Além disso, a tecnologia contribui para a regeneração de áreas degradadas na Amazônia.

    Segundo os responsáveis pela iniciativa, a proposta amplia o desempenho dos plantios florestais. Ao mesmo tempo, fortalece ações voltadas à conservação ambiental. Por isso, o projeto integra um conjunto de soluções baseadas na natureza para recuperar ecossistemas.

    O NanoRad’s também faz parte do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad). O centro foi lançado em abril de 2026 com investimento da Shell Brasil. Os recursos são provenientes da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Centro reúne pesquisadores e empresas

    O Cibrad reúne pesquisadores, empresas, startups e instituições científicas. Assim, cria uma rede colaborativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias para a recuperação ambiental. O trabalho contempla os nove estados da Amazônia Legal.

    Além disso, o centro conecta pesquisa científica, inovação tecnológica e soluções baseadas na natureza. Com isso, busca ampliar iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, fortalece projetos com potencial de gerar impactos ambientais positivos.

    A conquista no Energy Summit Awards reforça esse trabalho conjunto. Segundo a Krilltech, o reconhecimento demonstra o potencial da inovação brasileira para enfrentar desafios ambientais. Além disso, destaca a importância da colaboração entre empresas e instituições de pesquisa.

    Para Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech, a premiação reconhece o esforço coletivo para desenvolver novas tecnologias voltadas à restauração ambiental.

    “O reconhecimento do NanoRad’s evidencia a força da colaboração entre diferentes atores do ecossistema de inovação. Acreditamos que tecnologias sustentáveis, aliadas ao conhecimento científico, são fundamentais para acelerar a restauração da Amazônia e construir novos caminhos para uma economia de baixo carbono”, destaca.

    Por fim, a premiação amplia a visibilidade de iniciativas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Dessa maneira, projetos como o NanoRad’s reforçam o papel da inovação na recuperação de áreas degradadas e na conservação da Amazônia.

  • Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    A cidade de Piracicaba (SP) recebeu na última terça-feira (23) o Fórum de Agricultura Regenerativa 2026, que colocou em debate a relação entre produção agrícola, preservação ambiental e financiamento de práticas sustentáveis. O encontro, realizado pela primeira vez no Brasil, reuniu 350 participantes presenciais e mais de 3 mil conectados online, com representantes de mais de 20 países entre produtores rurais, cientistas, investidores e formuladores de políticas públicas.

    O evento discutiu caminhos para ampliar a adoção de modelos produtivos baseados na regeneração do solo, conservação da biodiversidade e fortalecimento da segurança alimentar. O tom das falas foi de alerta sobre a necessidade de acelerar a transição no campo, diante de desafios climáticos, econômicos e regulatórios.

    Ensino, políticas públicas e lacunas estruturais

    Um dos pontos centrais do debate foi a crítica à formação acadêmica e à ausência de políticas públicas mais robustas para incentivar a agricultura regenerativa.

    A diretora estratégica para a América Latina na Naia Trust, Analí Bustos, afirmou que há um descompasso entre ensino e prática no setor. “Quando descobri que no meu país e na maior parte do mundo os estudantes de agronomia ou agricultura não estudam ecologia, fiquei espantada. Para mim, não existe agro sem ecologia e não pode existir ensino de agronomia sem ecologia”, disse.

    A especialista também defendeu maior participação do poder público na transição. “Faltam políticas públicas e incentivos para uma maior adoção da agricultura regenerativa. É essencial que seja promovido um cenário mais favorável, com benefícios e crédito, para que haja interesse por parte dos produtores”, completou.

    Brasil no centro do debate global sobre alimentos

    Outro ponto de destaque foi o papel estratégico do Brasil no cenário agrícola internacional. O cientista e ex-CEO do Crop Trust, Geoffrey Hawtin, afirmou que o país tende a ganhar ainda mais relevância na produção de alimentos.

    “O Brasil é um dos países agrícolas mais importantes do mundo, e provavelmente se tornará ainda mais importante”, declarou. Segundo ele, mudanças climáticas podem alterar a dinâmica global de produção e consumo. “Podemos ver ao longo do tempo uma necessidade de transformação em parte dos mercados de exportação, destinando menos à pecuária intensiva e mais à alimentação humana direta”, afirmou.

    O especialista também reforçou a necessidade de cooperação em diferentes níveis para avançar na agenda sustentável.

    Aumento de insumos e desafio da transição

    Dados apresentados durante o fórum indicaram preocupações com o uso crescente de defensivos agrícolas no mundo. O cientista-chefe da CABI, Ulrich Kuhlmann, citou aumento de 70% no uso de agrotóxicos entre 2000 e 2023, segundo dados da FAO.

    “O aumento do uso de agrotóxicos no mundo de 2000 a 2023 foi de 70%, segundo dados da FAO, e isto é muito preocupante”, afirmou. Para ele, a agricultura regenerativa pode ser uma alternativa viável, mas ainda enfrenta barreiras econômicas e estruturais.

    Kuhlmann destacou a falta de retorno financeiro claro ao produtor como um dos entraves à adoção de novas práticas. Ele também citou limitações da extensão rural e sugeriu o uso de ferramentas digitais de assistência técnica como alternativa para ampliar o acesso ao conhecimento.

    Mudança de paradigma no campo

    A diretora de Sustentabilidade da Daterra, Isabela Pascoal Becker, defendeu uma revisão na forma como a sociedade enxerga o setor agrícola.

    “É essencial que enxerguemos a agricultura como parte da natureza, não como um vilão ou algo separado”, afirmou. Para ela, a mudança precisa ser estrutural e envolver toda a cadeia produtiva.

    O fórum foi promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal. O encontro teve transmissão em quatro idiomas e contou com apoio institucional e do setor privado.

  • Grupo Daabon assume operação da Agropalma no Pará

    Grupo Daabon assume operação da Agropalma no Pará

    O Grupo Daabon concluiu a aquisição de 100% das operações da Agropalma no Pará e iniciou oficialmente sua atuação no mercado brasileiro de óleo de palma. A empresa colombiana passa a controlar ativos estratégicos, incluindo áreas de plantio, reservas florestais, seis indústrias de extração em Tailândia (PA) e uma refinaria em Belém.

    A operação marca a entrada direta da Daabon no Brasil e inaugura uma nova fase para a Agropalma, referência nacional em produção sustentável de óleo de palma. As unidades no Pará mantêm a marca Agropalma, enquanto a refinaria de Limeira (SP), que não integrou o acordo, passa a operar sob o nome Indústrias Xhara, sob gestão da APAR Holdings.

    Com presença em quatro continentes, a Daabon amplia sua atuação na América Latina e reforça sua estratégia de expansão em cadeias agrícolas sustentáveis. Fundada em 1914, a companhia acumula mais de um século de experiência e atua de forma integrada da produção ao mercado.

    Segundo Giancarlo Dávila, CEO da Agropalma, a integração fortalece o desenvolvimento do setor no país. “Vamos contribuir com nossa expertise em agricultura, industrialização e sustentabilidade para apoiar o crescimento do óleo de palma no Brasil, ao lado dos profissionais do Pará”, afirma.

    Sustentabilidade

    A Daabon opera com certificações como Regenerative Organic Certified (ROC), Fair Trade e RSPO, além de adotar políticas de desmatamento zero e rastreabilidade total da produção. A empresa também mantém programas voltados ao desenvolvimento comunitário, alinhados às práticas já consolidadas pela Agropalma.

    Para André Gasparini, diretor Comercial, de Marketing e P&D da Agropalma, a transação garante a continuidade de um modelo consolidado. “Construímos uma operação integrada, com foco em qualidade e responsabilidade socioambiental. A chegada da Daabon assegura a manutenção desse legado”, diz.

    A empresa colombiana planeja ampliar investimentos no Pará, com foco em aumento de produtividade, fortalecimento da cadeia do óleo de palma e expansão de programas com agricultores familiares. A iniciativa também deve impulsionar a geração de empregos e parcerias locais.

    Agropalma mantém liderança em óleo de palma sustentável

    Fundada em 1982, em Tailândia (PA), a Agropalma consolidou-se como referência global na produção sustentável de óleo de palma. A empresa atua em toda a cadeia produtiva, da produção de mudas ao refino e desenvolvimento de produtos de alto valor agregado.

    Atualmente, a companhia opera seis indústrias de extração, uma refinaria em Belém e um terminal de exportação, além de empregar cerca de 5 mil colaboradores. O programa de agricultura familiar, implementado há mais de duas décadas, beneficia mais de 300 produtores parceiros.

    Daabon reforça estratégia global com foco em sustentabilidade

    Com sede em Santa Marta, na Colômbia, o Grupo Daabon atua nos segmentos de agricultura, indústria, logística e energia. Seu portfólio inclui óleo de palma, banana, café e bioenergia.

    A empresa emprega mais de 5 mil pessoas e sustenta sua estratégia em três pilares: sustentabilidade, rastreabilidade e inovação. A aquisição da Agropalma fortalece sua presença global e amplia a participação no mercado de óleo de palma sustentável.

  • Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    O cultivo de cacau em sistema de produção integrada já se consolida como alternativa viável para diversificação de renda no interior paulista. Durante Dia de Campo promovido pela CATI Regional São José do Rio Preto, em parceria com a Rede ILPF e a Embrapa, produtores conheceram, na prática, modelos produtivos que combinam cacau com outras culturas e ampliam a rentabilidade das propriedades.

    Foto: Divulgação

    O evento reuniu mais de 50 participantes de diferentes regiões do estado, como Jaboticabal, Jales, Votuporanga, Mogi Mirim e São José do Rio Preto. A programação incluiu visitas técnicas nos municípios de Mendonça e Adolfo, onde produtores acompanham resultados concretos do Projeto Cacau SP em áreas consideradas não tradicionais para a cultura.

    Em Mendonça, o destaque foi o Rancho do Cacau, propriedade da família Persegil. O produtor Diego Persegil adotou o cultivo de cacau integrado com banana e avançou para a produção de chocolate artesanal com matéria-prima própria. O modelo combina inovação, agregação de valor e geração de renda no campo.

    Transformação

    Segundo Diego, o projeto transformou a realidade da propriedade. A atividade, que começou como teste, hoje sustenta a família e abre novos nichos de mercado, incluindo o turismo rural e a venda de produtos com identidade local.

    Para o engenheiro agrônomo Eusébio Persegil, da CATI, o caso demonstra o potencial da cacauicultura no estado. Ele destaca que o sucesso envolve manejo técnico, capacitação contínua e participação da família em todas as etapas, desde o cultivo até o processamento do chocolate.

    Na sequência, em Adolfo, os participantes visitaram a Fazenda Fartura, onde o cacau é cultivado em integração com a seringueira. A área funciona como vitrine tecnológica e apresenta todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à pós-colheita.

    O roteiro incluiu ainda a Casa da Agricultura do município, que abriga uma minifábrica de chocolate utilizada em capacitações. A estrutura permite que produtores aprendam técnicas de processamento e agregação de valor, com apoio do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).

    De acordo com o engenheiro agrônomo Fioravante Stucchi Neto, o modelo integrado facilita a adoção da cultura ao mostrar resultados práticos. Ele ressalta que o suporte técnico contínuo tem sido essencial para a expansão do cacau na região.

    Sistemas integrados aumentam rentabilidade

    Durante o Dia de Campo, técnicos apresentaram dados de áreas conduzidas em Integração Lavoura-Floresta (ILF), com cacau consorciado com banana e espécies florestais, como Corymbia.

    A técnica da Rede ILPF, Estella Mantovani, explicou que os primeiros resultados já indicam viabilidade econômica. Em uma área implantada em 2023, a receita gerada pela banana no ciclo 2024/25 cobriu os custos de implantação do cacau e remunerou a mão de obra familiar.

    Além do retorno financeiro, o sistema contribui para sustentabilidade ambiental e diversificação produtiva, fatores que reduzem riscos e fortalecem a resiliência das propriedades.

    Produtores demonstram interesse crescente

    O chefe da CATI Regional Jaboticabal, Oracy Schuindt Júnior, afirma que a experiência ampliou a visão dos produtores. Segundo ele, conhecer a cadeia completa — do plantio ao chocolate — aumenta a segurança para investir na cultura.

    O Projeto Cacau SP também tem ampliado sua atuação no estado. De acordo com o engenheiro agrônomo Fernando Miqueletti, o trabalho envolve todas as etapas da cadeia produtiva, o que permite aos produtores acessar mercados mais rentáveis.

    produtores de cacau de pe na plantação
    Foto: Divulgação

    Ele destaca que o interesse crescente indica que o cacau deixou de ser apenas uma alternativa experimental e passou a ocupar espaço estratégico na diversificação agrícola paulista.

    Entre os participantes, o produtor Márcio Tonelli, de Campinas, afirmou que pretende investir na cultura. Após visitar as áreas e conhecer experiências práticas, ele considera o cacau uma opção promissora para propriedades familiares, especialmente em regiões tradicionalmente voltadas ao café e aos citros.

    Nova fronteira agrícola em SP

    Os técnicos do Grupo Cacau SP avaliam que a expansão da cultura em regiões não tradicionais confirma o potencial do cacau como nova fronteira agrícola no estado.

    A combinação entre assistência técnica, pesquisa e sistemas integrados tem permitido avanços consistentes. Para produtores, o modelo representa oportunidade concreta de diversificação, aumento de renda e produção sustentável.

  • Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    A xícara de café que chega às mesas dos europeus está no centro de uma nova discussão global. A União Europeia quer que as maiores empresas do setor adotem medidas concretas para garantir que os cafeicultores recebam uma remuneração considerada digna até 2029.

    Um relatório divulgado nesta semana mostra, porém, que nenhuma das principais companhias mundiais de café está preparada para atender plenamente às novas exigências.

    A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do bloco europeu para tornar as cadeias de abastecimento mais sustentáveis e socialmente responsáveis. O objetivo é reduzir desigualdades históricas e assegurar que produtores rurais tenham condições de vida adequadas, especialmente em países em desenvolvimento.

    Produção de café convive com desafios econômicos

    Embora o café seja uma das commodities agrícolas mais valiosas do planeta, milhões de pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades para manter a atividade economicamente viável.

    A produção está concentrada em países tropicais, como Brasil, Vietnã, Colômbia e Etiópia, onde fatores como oscilações de preços, eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e baixa capacidade de negociação frequentemente comprimem a renda das famílias produtoras.

    A situação cria um paradoxo. O consumo mundial de café segue em expansão, cafeterias se multiplicam e a bebida movimenta bilhões de dólares todos os anos. Na outra ponta da cadeia, muitos cafeicultores continuam operando com margens apertadas.

    Mudança pode alterar a relação entre indústrias e produtores

    As novas regras europeias podem acelerar transformações na maneira como empresas compram café e se relacionam com seus fornecedores.

    Especialistas avaliam que as companhias poderão ser pressionadas a ampliar programas de rastreabilidade, investir em assistência técnica, revisar contratos de fornecimento e desenvolver mecanismos que assegurem maior previsibilidade de renda aos produtores.

    Na prática, o mercado global do café passa a incorporar critérios sociais cada vez mais rigorosos e deixa de tratar a bebida apenas como uma commodity agrícola.

    A tendência também reforça um movimento já observado em outros mercados. Consumidores, principalmente nos países desenvolvidos, estão mais atentos à origem dos alimentos e às condições em que eles são produzidos.

    O que a nova regra pode significar para o Brasil

    Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil acompanha as discussões com atenção.

    Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar

    O mercado europeu é um dos principais destinos do café brasileiro e qualquer mudança regulatória tende a repercutir diretamente na cadeia nacional. Embora o País tenha avançado em práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e certificações, especialistas apontam que novas exigências poderão demandar adaptações adicionais de produtores, cooperativas e exportadores.

    Ao mesmo tempo, o cenário também abre oportunidades.

    A crescente valorização de critérios socioambientais pode favorecer regiões e produtores que já investem em boas práticas, agregam valor ao produto e conseguem demonstrar compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social.

    No fim das contas, a discussão que começou na Europa ultrapassa as fronteiras do continente. Ela levanta uma pergunta que deve ganhar cada vez mais espaço no agronegócio global: quem produz o café que o mundo consome está recebendo uma remuneração suficiente para continuar produzindo no futuro?