Tag: soja

  • Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    A produção brasileira de grãos deve atingir 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 8º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 1,6% em relação ao ciclo anterior, com incremento de 5,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do sorgo.

    A soja lidera o avanço e pode atingir produção recorde de 180,1 milhões de toneladas, superando em 0,5% a estimativa anterior. Com 98,3% da área já colhida, a oleaginosa deve crescer 5% na comparação com a safra passada, o equivalente a 8,6 milhões de toneladas a mais. O resultado marca o sétimo aumento em dez ciclos consecutivos.

    O milho também mantém desempenho relevante. A primeira safra deve alcançar cerca de 28,5 milhões de toneladas, avanço de 3,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela expansão da área plantada. No total das três safras, a produção do cereal deve chegar a 140,2 milhões de toneladas, configurando o segundo maior volume da série histórica.

    A segunda safra de milho, já totalmente semeada, deve produzir 108,5 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,6%. O impacto climático em estados como Goiás e Minas Gerais explica parte da redução, apesar do aumento de 2,1% na área plantada em nível nacional.

    Sorgo como alternativa estratégica

    O sorgo desponta como alternativa estratégica no campo e pode registrar crescimento de até 23,8%, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas. A expansão da área cultivada ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde o avanço chegou a 50,7%. Em Goiás, maior produtor nacional, a produção deve superar 2,2 milhões de toneladas, alta de 40,3%.

    Segundo a Conab, a substituição do milho pelo sorgo em áreas fora da janela ideal de plantio explica o movimento. A cultura apresenta maior tolerância ao déficit hídrico e oferece versatilidade de uso, incluindo alimentação animal e produção de etanol.

    Entre os alimentos básicos, o arroz deve registrar leve queda de 0,3%, com produção estimada em 11,1 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da diminuição de 13,7% na área plantada. Ainda assim, a produtividade aumentou e alcançou 7.281 quilos por hectare, com 94,6% da área já colhida.

    A produção de feijão também deve recuar 5,2%, somando 2,9 milhões de toneladas nas três safras. A primeira safra apresentou ganho de produtividade de 4,3%, com produção próxima de 969 mil toneladas. Mesmo com a retração, a Conab descarta risco de desabastecimento no mercado interno.

    Algodão tem queda na na produção

    No algodão, a expectativa é de produção de aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao ciclo anterior, reflexo da redução de área e produtividade. Já o trigo deve somar 6,4 milhões de toneladas, com retração de 1,5 milhão de toneladas, influenciada pela menor área semeada no Rio Grande do Sul e no Paraná.

    No mercado, a demanda por milho deve crescer impulsionada pela indústria de etanol. O consumo interno tende a avançar 4,6%, alcançando 94,86 milhões de toneladas. As exportações também devem subir e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento da demanda, o estoque final deve ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas.

    Para a soja, as exportações acompanham o desempenho da safra e podem chegar a 116 milhões de toneladas, alta de 7,25% em relação à temporada anterior.

  • Showtec apresenta arsenal tecnológico para soja e milho

    Showtec apresenta arsenal tecnológico para soja e milho

    A Corteva Agriscience leva à Showtec Maracaju 2026 um pacote de tecnologias voltado ao aumento da produtividade das lavouras de soja e milho em Mato Grosso do Sul. Realizado entre os dias 19 e 21 de maio, em Maracaju (MS), a companhia apresenta soluções em sementes, defensivos químicos, biológicos, tratamento industrial de sementes e experiências imersivas voltadas ao produtor rural.

    Entre os destaques está o lançamento do programa Incrementa MS, desenvolvido em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul, Aprosoja MS, Fundação MS e Fundação Chapadão. A iniciativa busca elevar a produtividade agrícola por meio de estratégias agronômicas adaptadas às condições climáticas e produtivas do Estado.

    O programa nasceu com foco na cultura do milho, mas foi ampliado para a soja devido ao calendário produtivo sul-mato-grossense, marcado pela força da safrinha. Os primeiros resultados do projeto piloto apontam ganhos de produtividade associados à adoção de práticas de manejo alinhadas ao ambiente regional.

    A participação na Showtec ocorre em um momento estratégico para o agronegócio sul-mato-grossense. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso do Sul mantém posição de destaque na produção nacional de soja na safra 2025/26. Reforçando o peso econômico do setor para o Estado e para o País.

    Estrutura interativa e experiências imersivas

    A Corteva montou um estande integrado em formato de celeiro, reunindo todas as marcas e soluções do grupo em uma grande área demonstrativa. O espaço aposta em experiências sensoriais, realidade aumentada e conteúdos técnicos voltados ao manejo agrícola.

    Entre as atrações, os visitantes participam de um cinema imersivo que apresenta a jornada da lavoura, desde o planejamento do plantio até os desafios envolvendo pragas, doenças e plantas daninhas. A proposta é mostrar, na prática, como fungicidas, inseticidas, herbicidas, nematicidas, biológicos e tratamentos de sementes atuam no campo.

    Além das demonstrações tecnológicas, a programação inclui palestras técnicas sobre manejo de pragas, doenças, plantas daninhas, biológicos e tratamento industrial de sementes.

    Na área de pesquisa e desenvolvimento, a empresa apresenta novos nematicidas desenvolvidos com a molécula Reklemel, voltados ao controle seletivo de nematoides fitoparasitas sem comprometer organismos benéficos do solo.

    O portfólio de defensivos também inclui soluções como os inseticidas Expedition, Exalt e Intrepid Edge, além dos fungicidas Aproach Premium, Viovan e Vessarya. No segmento de herbicidas, os destaques são Gapper, Paxeo e Elevore.

    Sementes, biotecnologia e manejo integrado

    A companhia também reforça na feira o Sistema Enlist, plataforma que reúne sementes, biotecnologia, herbicidas e boas práticas agrícolas para manejo de plantas daninhas.

    Entre as cultivares adaptadas às condições de Mato Grosso do Sul estão materiais como 97Y70CE, BatalhaCE, 66E, FúriaCE e 64K67CE. A marca Cordius também apresenta variedades desenvolvidas para a região de Maracaju com foco em estabilidade produtiva e tolerância a doenças.

    No segmento de milho, a Brevant Sementes leva híbridos voltados tanto para safra verão quanto para safrinha. Enquanto a Pioneer, que celebra 100 anos de atuação global e mais de 50 anos no Brasil, apresenta novos híbridos com foco em produtividade e tolerância ao estresse hídrico.

    Outro eixo da participação da empresa é o tratamento industrial de sementes por meio da marca LumiGEN, que reúne soluções em fungicidas, inseticidas, bioestimulantes e bionematicidas para milho e sorgo.

    Biológicos ganham espaço no manejo agrícola

    A Corteva também amplia sua presença no segmento de biológicos durante a Showtec. Entre os destaques está o Utrisha N, solução baseada na bactéria Methylobacterium symbioticum, desenvolvida para fixação biológica de nitrogênio em culturas como soja, milho e batata.

    O produto será apresentado em uma experiência de realidade aumentada, na qual o produtor poderá visualizar o funcionamento da tecnologia dentro da planta.

    Outro lançamento da empresa é o Re-Up, potencializador nutricional voltado às culturas de soja, milho e algodão. Segundo a companhia, a solução auxilia no fortalecimento das plantas diante de condições de estresse, contribuindo para ganhos de eficiência e produtividade.

    Além das tecnologias para o campo, a Corteva também apresenta durante a feira o Programa Lidera, plataforma de relacionamento voltada à aquisição de insumos. O sistema permite ao produtor acumular pontos na compra de produtos da companhia, convertendo-os em benefícios, vouchers e premiações.

  • Expectativa de maior demanda global aquece o mercado da soja

    Expectativa de maior demanda global aquece o mercado da soja

    A expectativa de maior demanda global por soja movimentou o mercado brasileiro na última semana. Segundo o Cepea, o dólar valorizado fortaleceu as negociações internas da oleaginosa. Além disso, a previsão de maior participação do Brasil no abastecimento mundial sustentou os preços domésticos da soja.

    Ao mesmo tempo, a demanda aquecida por farelo e óleo de soja manteve firmes as cotações internacionais. Ainda conforme o Cepea, o mercado global segue atento à pressão sobre os embarques dos Estados Unidos Dados divulgados pelo USDA, em 12 de maio, indicam recorde na produção mundial de soja em 2026/27. A estimativa global passou de 427,6 milhões para 441,5 milhões de toneladas.

    O Brasil deve continuar como maior produtor mundial da commodity na próxima safra. Segundo o USDA, o País responderá por 42,1% da produção global de soja. A projeção brasileira indica crescimento da colheita de 180 milhões para 186 milhões de toneladas.

    No mercado interno, a Conab também elevou a previsão para a safra brasileira 2025/26. A companhia estima produção de 180,13 milhões de toneladas nesta temporada. O volume supera em 0,5% a previsão divulgada em abril. Além disso, a estimativa atual fica 5% acima da safra anterior.

    Compradores de milho seguem cautelosos

    O mercado de milho apresentou ritmo mais lento nas negociações nos últimos dias. Segundo o Cepea, compradores aguardam quedas mais intensas nos preços antes de fechar novos negócios.

    A postura cautelosa ocorre após a Conab elevar a estimativa da safra 2025/26. Parte dos consumidores também relata estoques confortáveis para as próximas semanas.

    Dados da Conab apontam produção de 28,46 milhões de toneladas na primeira safra. O volume representa aumento de 14% frente à temporada passada. Além disso, a projeção ficou 2% acima do relatório divulgado em abril. A alta resulta do avanço de área cultivada e produtividade em várias regiões produtoras.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que os estoques iniciais da temporada estão entre os maiores dos últimos anos. Esse cenário trouxe maior tranquilidade aos consumidores do cereal.

    Enquanto isso, vendedores seguem flexíveis nas negociações envolvendo milho. Os agentes ajustam preços e prazos de pagamento para estimular os negócios. Os produtores também enfrentam pressão dos armazéns parcialmente cheios. Além disso, a colheita da safra verão de soja e milho amplia a oferta disponível no mercado.

  • Minas Gerais registra salto de 61% na produção de grãos na última década

    Minas Gerais registra salto de 61% na produção de grãos na última década

    Minas Gerais consolidou um avanço histórico no agronegócio nos últimos dez anos. Um estudo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa) revela que a produção mineira de milho, feijão, sorgo e soja saltou de 11,8 milhões de toneladas, no ciclo 2015/2016, para uma estimativa de 18,9 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Esse crescimento de 61% posiciona o estado como o 6º maior produtor nacional, detendo cerca de 6% do total brasileiro.

    Embora Minas já lidere mercados tradicionais como café, leite, batata e frutas, os grãos ganharam terreno de forma acelerada. Apenas em 2025, o estado exportou 6,8 milhões de toneladas de soja, o que gerou uma receita de US$ 2,7 bilhões.

    Tecnologia e inovação impulsionam o campo

    Para o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, o uso de tecnologias da agricultura de precisão, como drones e sensores, e a expansão da agricultura irrigada explicam o sucesso das colheitas. Ele também destaca o papel da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) no desenvolvimento de sementes mais produtivas e resistentes às mudanças climáticas.

    “A tendência é que o melhoramento genético e a adaptação tecnológica avancem para culturas de grãos mais sustentáveis”, afirmou Fernandes, mencionando lavouras de soja, trigo, milho, feijão e sorgo.

    Estratégia da “safrinha” garante eficiência produtiva

    A otimização do solo também foi determinante para os resultados recordes. Muitos produtores mineiros adotaram o sistema de rotação: plantam soja na primeira safra e milho na segunda, a chamada safrinha. Essa técnica permite colher mais na mesma área, utilizando o terreno de forma eficiente durante quase todo o ano.

    Como resultado dessa estratégia, a produção de soja saltou de 4,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas no período. Atualmente, a oleaginosa ocupa o posto de segundo produto mais importante da pauta exportadora de Minas Gerais, superada apenas pelo café. As regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste lideram esse desempenho no estado.

    Apesar do otimismo, o governo mineiro monitora fatores que podem impactar a safra 2026/2027. O secretário Thales Fernandes aponta preocupações com os juros altos e a chegada do fenômeno El Niño, que pode atrasar o período de chuvas. Além disso, o cenário geopolítico, como o bloqueio no Estreito de Ormuz, gera incertezas sobre o fornecimento global de fertilizantes para o Brasil.

  • Entenda o reflexo do recorde de exportação da soja brasileira

    Entenda o reflexo do recorde de exportação da soja brasileira

    O Brasil mantém a liderança global nas exportações de soja. A forte demanda internacional, principalmente da China, impulsiona os embarques.

    Segundo o Cepea, o desempenho das exportações sustenta a receita do setor. Isso ocorre apesar da ampla oferta interna e da queda dos preços domésticos. Além disso, a desvalorização cambial também pressiona o mercado brasileiro da soja.

    Recorde de exportação

    Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja. O volume representa recorde histórico da série da Secex. O resultado superou em 15,35% o volume embarcado em março. Na comparação anual, o avanço foi de 9,6%.

    As vendas para a China cresceram 17,6% entre março e abril. O país segue como principal comprador da soja brasileira.

    No acumulado de janeiro a abril, o Brasil exportou 40,24 milhões de toneladas. O volume também representa recorde para o período.

    Milho

    Enquanto isso, os preços do milho seguem em queda na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. A maior oferta pressiona o mercado. A colheita da safra de verão e os estoques elevados ampliam a disponibilidade do cereal.

    Diante desse cenário, compradores encontram facilidade para fechar negócios. Além disso, muitos aguardam novas quedas nos preços. Parte dos vendedores também flexibiliza negociações no mercado spot.

    Segundo o Cepea, os armazéns recebem lotes de soja e milho da safra de verão. Ao mesmo tempo, ainda há estoques remanescentes da temporada 2024/25. Por isso, produtores buscam liberar espaço nos armazéns e reforçar o caixa.

    Apesar disso, o clima preocupa agentes do mercado. Algumas regiões produtoras da segunda safra enfrentam falta de chuva e altas temperaturas.

    Além disso, previsões de frentes frias voltaram ao radar do setor. Caso as condições climáticas adversas persistam, o potencial produtivo das lavouras poderá diminuir.

    Até o momento, a Conab estima produção de 109,11 milhões de toneladas na segunda safra de milho.

  • Clima vira ameaça silenciosa a produtores de Mato Grosso

    Clima vira ameaça silenciosa a produtores de Mato Grosso

    O agronegócio de Mato Grosso começou a mudar de comportamento diante das incertezas climáticas que avançam sobre o estado. Nos últimos dias, produtores rurais passaram a reduzir investimentos, rever compras de máquinas e adiar decisões estratégicas para a próxima safra. Isso ocorre, sobretudo, por causa do aumento da preocupação com irregularidade nas chuvas e possíveis impactos sobre a produtividade.

    O movimento acontece justamente no principal polo agrícola do país. 

    Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o plantio da safra 2025/26 perdeu ritmo em algumas regiões e ficou abaixo da média dos últimos cinco anos. 

    Chuva irregular muda humor do agro em Mato Grosso

    Diante desse cenário, a Aprosoja Mato Grosso enviou um ofício ao Ministério da Agricultura pedindo revisão das estimativas oficiais da safra e alertando para os efeitos da crise hídrica sobre as lavouras.

    Segundo a entidade, a falta de chuva já provocou germinação irregular, crescimento lento das plantas, falhas de estande e, em alguns casos, necessidade de replantio. O problema atingiu municípios ligados ao eixo da soja, como Sorriso, Nova Mutum e áreas do leste mato-grossense.

    No campo, entretanto, a preocupação vai além da produtividade. O humor do produtor também começou a mudar. Se antes predominava um ambiente de expansão e confiança, agora cresce a sensação de cautela diante da possibilidade de perdas e aumento dos custos operacionais.

    Além disso, boletins meteorológicos recentes reforçaram a percepção de risco no setor. Afinal, períodos de estiagem seguidos por chuvas intensas dificultam o planejamento agrícola e aumentam a insegurança sobre o comportamento da safra.

    Produtores reduzem compras e seguram investimentos

    Nos bastidores do setor agrícola, o efeito já aparece nas negociações. Revendas relatam queda no ritmo de fechamento de contratos para compra de máquinas e implementos agrícolas. Em vez da corrida por expansão observada nos últimos anos, muitos produtores passaram, agora, a priorizar preservação de caixa.

    Ao mesmo tempo, parte do setor prefere alongar investimentos até que exista maior clareza sobre o comportamento climático nos próximos meses.

    O receio, porém, não está ligado apenas à produtividade das lavouras. Existe também preocupação com a capacidade de absorver novos financiamentos em um cenário ainda marcado por juros elevados e margens mais apertadas.

    Com isso, a desaceleração começou a atingir diferentes segmentos ligados ao campo, incluindo armazenagem, transporte e venda de equipamentos agrícolas.

    Crédito rural mais caro amplia tensão no campo

    Além do clima, produtores enfrentam um ambiente financeiro mais duro. O custo do crédito rural segue pressionando parte do setor, principalmente agricultores que carregam dívidas acumuladas de ciclos anteriores.

    Na prática, o mercado passou a operar em uma espécie de efeito dominó. Quando o risco climático aumenta, os bancos endurecem análises para concessão de crédito. Consequentemente, financiamentos ficam mais caros, investimentos perdem força e produtores passam a operar com ainda mais cautela.

    Em Mato Grosso, onde o agronegócio movimenta grande parte da economia regional, qualquer desaceleração no campo costuma provocar reflexos rápidos em toda a cadeia produtiva.

    Soja de MT volta ao centro da preocupação global

    O cenário também ganhou atenção internacional porque Mato Grosso ocupa posição estratégica no mercado global de alimentos. A China, principal compradora da soja brasileira, acompanha de perto qualquer mudança relacionada à produção do estado.

    Uma combinação entre clima irregular, custos elevados e pressão logística poderia, portanto, reduzir margens e afetar o ritmo das exportações brasileiras nos próximos meses.

    Mesmo assim, entidades do setor evitam falar em crise consolidada. O próprio Imea revisou recentemente para cima a estimativa da safra estadual e projetou produção recorde de soja, apesar dos desafios climáticos registrados ao longo do ciclo.

    Imea e Aprosoja acendem alerta sobre clima no estado

    Boletins recentes continuam apontando irregularidade nas chuvas em partes do Centro-Oeste. Em algumas regiões, períodos de estiagem alternam com precipitações intensas. Como resultado, operações no campo ficam mais difíceis e produtores ampliam o nível de atenção.

    O alerta das entidades do agro mostra, portanto, que o clima voltou ao centro das decisões econômicas do setor.

    Entre tratores desacelerados, negociações mais cautelosas e produtores atentos ao céu, Mato Grosso começa a atravessar um período de observação silenciosa — daqueles em que o mercado prefere esperar antes de apostar no próximo passo

  • Soja mantém preços firmes com demanda aquecida

    Soja mantém preços firmes com demanda aquecida

    Mesmo com safra recorde estimada em 180 milhões de toneladas, a soja mantém preços firmes no Brasil. A demanda interna e externa sustenta o mercado, enquanto derivados avançam e reforçam as cotações. Além disso, o Cepea aponta fatores externos que influenciam os preços.

    No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio pressiona o petróleo e eleva a competitividade do biodiesel. Esse movimento aumenta a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

    Trabalho no campo

    No campo, a colheita alcança 92,1% da área, segundo a Conab. Apesar disso, regiões apresentam ritmos distintos e refletem condições climáticas variadas.

    No Sul, Santa Catarina atinge 71%, enquanto o Rio Grande do Sul chega a 65%. Ambos os estados registram desempenho inferior ao mesmo período do ano passado.

    No Matopiba, o avanço segue irregular entre os estados produtores. Tocantins quase conclui a colheita, com 98% da área finalizada.

    Por outro lado, Maranhão registra 65% e Bahia alcança 90%, ambos com atraso anual. No Piauí, a colheita atinge 96% e mantém ritmo próximo ao observado em 2025.

    Na Argentina, chuvas pontuais interrompem a colheita e mantêm o ritmo irregular. Nos Estados Unidos, chuvas recentes aliviam o clima, mas limitam temporariamente o trabalho no campo. Ainda assim, o plantio atinge 23% da área prevista até 26 de abril. O percentual supera o registrado no ano passado e a média dos últimos cinco anos.

    Milho

    No mercado de milho, a liquidez segue limitada nas principais regiões produtoras do Brasil. Compradores priorizam estoques já adquiridos e acompanham o avanço da safra de verão. Ao mesmo tempo, vendedores restringem a oferta e demonstram cautela diante da irregularidade climática.

    Nesse cenário, os preços registram leves ajustes conforme condições regionais de oferta e demanda. Em São Paulo, cotações sobem levemente, impulsionadas pela menor disponibilidade de vendedores. Por outro lado, Sul e Centro-Oeste apresentam quedas nos preços do cereal.

    A pressão vem do avanço da colheita no Sul e dos elevados estoques disponíveis. Além disso, a safra robusta de soja no Centro-Oeste amplia a necessidade de negociação do milho. Esse contexto leva produtores a comercializar o cereal, mesmo com preços relativamente estáveis

  • Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Enquanto a média nacional da soja no Brasil ronda cerca de 60 sacas por hectare, um grupo de produtores já está chegando a 90, 100 e até mais de 130 sacas por hectare. O que separa essas lavouras não é a semente, mas uma mudança radical na forma de pensar a calagem e a fertilidade do solo. O ponto central é um nutriente ainda pouco valorizado: o magnésio, analisado pela saturação na CTC em diferentes camadas do perfil

    O método que destrava a produtividade da soja (e o que você está ignorando no solo)

    O agrônomo Leandro Barcelos, por trás do recorde de 135,49 sacas por hectare da Agro Mallon no CESB 2025, defende que o limite produtivo da soja está menos na planta e mais na lógica herdada desde a década de 1990. A calagem tradicional foca em elevar o pH e o cálcio na camada de 0 a 20 cm, como se o solo fosse apenas um piso úmido.

    Barcelos propõe outro caminho: desenhar a arquitetura química do perfil do solo, com cálculo por saturação de magnésio na CTC nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm. Segundo ele, o foco quase exclusivo no cálcio mascara o fato de que o magnésio é o fator limitante em boa parte das fazendas. Solos tecnicamente “corrigidos” podem estar travando o sistema radicular por falta de equilíbrio entre cálcio e magnésio.

    Sem esse equilíbrio, a planta trava a clorofila e perde a capacidade de absorver fósforo, mesmo quando o nutriente é aplicado em doses altas. O produtor pode usar o melhor adubo do mercado, mas a porta de entrada da planta continua semi‑fechada.

    Magnésio na CTC: a porta de entrada

    A lógica de saturação de magnésio na CTC coloca o nutriente no centro da decisão de calagem. O carbonato de magnésio, por exemplo, tem maior dificuldade de dissociação que o do cálcio. Se o produtor não domina essa dinâmica, o investimento fica parado na superfície e não vira produtividade.

    Construir um perfil químico em profundidade elimina a “barreira invisível” que condena a soja a explorar só a superfície. Isso reflete diretamente na capacidade da planta de acessar água em camadas mais profundas. O resultado é um sistema radicular mais verticalizado, com raízes que descem até cerca de 1,5 metro, em vez de se espalharem apenas perto do solo.

    A planta sai da estaca zero com mais força, preparada para janelas de estresse hídrico. Barcelos compara com um produtor que investe fortunas em fertilizantes de última geração, mas deixa a porta de entrada da planta bloqueada. O resultado é lavoura morrendo de sede com água logo abaixo, porque o solo foi tratado como um depósito de insumos, não como um sistema biológico vivo.

    Como 18 dias de veranico não abateram 135 sacas/ha

    A prova de fogo do método veio na safra 2024/25, na Fazenda Santa Bárbara (Canoinhas/SC), unidade da Agro Mallon. O produtor Charles Adriano Breda colheu 135,49 sacas por hectare mesmo com 18 dias seguidos sem chuva. Para Barcelos, essa resiliência hídrica não é sorte e sim consequência direta da correção do perfil do solo.

    Com magnésio e cálcio equilibrados, a soja consegue aprofundar o sistema radicular e acessar o CAD em camadas de até 1,5 metro de profundidade. Esse comportamento vertical é o que sustenta a produtividade em períodos de estresse. Um ponto pouco explorado é a relação entre potássio e magnésio na CTC. Muitos produtores aumentam o K para ganhar peso de grão, mas sem magnésio adequado, ocorre inibição competitiva.

    Os nutrientes competem entre si e a planta perde produtividade. Essa combinação, aliada ao ajuste de calagem e adubação, fez a lavoura de Breda superar a média nacional de censo, em torno de 59 sacas por hectare, e a média auditada do CESB, próxima de 96 sacas por hectare. A fazenda se tornou campeã nacional de produtividade de soja sequeira.

    Histórias reais: de 60 para 90, 100 e mais

    A metodologia de “A Raiz da Solução” já é testada em dezenas de fazendas, com ganhos estruturais de produtividade mesmo em safra de clima apertado. No Cerrado Mineiro, o engenheiro agrônomo e produtor Eduardo Primon conta que o manejo focado em raiz e fisiologia elevou a média da fazenda de 70 para 90,5 sacas por hectare. Em áreas monitoradas, a lavoura chegou a 107 sacas por hectare.

    A estratégia passa por preparar a planta para o “embate” contra o clima ainda na fase de planejamento. O ajuste de fertilidade, calagem e profundidade do sistema radicular é feito antes do plantio. No Rio Grande do Sul, Márcio Natalli partiu de uma média de 60 sacas por hectare e chegou a 90 sacas graças ao investimento em construção do perfil do solo. Enquanto vizinhos sentiam o impacto do veranico, sua soja permanecia verde e a procurar água no fundo.

    Isso só é possível porque o sistema radicular atua onde o manejo comum não chega. Em Goiás, Francisco Luçardo também rompeu a barreira de 70 sacas, atingindo 100 sacas por hectare com ajuste nutricional profundo. A mensagem é a mesma: não basta colocar adubo; é preciso garantir que o solo esteja equilibrado em profundidade para que a planta absorva tudo o que é oferecido. O investimento vira saca, e saca vira lucro.

    Sair do “balcão” e virar engenheiro da própria lavoura

    Para Leandro Barcelos, o maior gargalo não é falta de tecnologia, e sim a dependência de pacotes prontos de revendedor. O produtor precisa parar de ficar na mão do balcão de vendas e de aceitar receitas que nem sempre a terra dele precisa. Lucratividade máxima só vem quando ele conquista independência técnica.

    Isso significa saber olhar para a análise de solo e decidir, com critério, o que vai aplicar, quando, qual fonte e em qual momento. É essa autonomia que sustenta a produtividade real, ajustada ao tempo e ao orçamento de cada fazenda. Parte dessa independência passa por capacitação técnica.

    Especialista em fertilidade do solo e fisiologia vegetal com mais de 40 anos de vivência no campo, Leandro Barcelos é o consultor agronômico por trás da conquista do último campeonato nacional de produtividade de soja do CESB 2025.

    Barcelos lança uma série gratuita de três aulas online, “As Verdades Ocultas para Colher Mais Soja”. Ela serve como porta de entrada para o evento presencial “ARDS Experience” e para o programa “A Raiz da Solução 2.0”. O objetivo é ajudar o produtor a construir um perfil de solo resiliente, atingir produtividades de três dígitos e respeitar sempre custo‑benefício e lucratividade.

  • PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    O agronegócio brasileiro fechou 2025 com um resultado que poucos setores da economia conseguiriam exibir. O PIB do setor avançou 12,20% em relação ao ano anterior, o segundo maior resultado da série histórica, movimentando R$ 3,20 trilhões. É um número impressionante. Só que, por baixo da euforia, existe um sinal que merece atenção.

    O crescimento foi sustentado, em grande parte, pela valorização de preços ao longo do período, um movimento que perdeu força no segundo semestre e já impacta o ritmo da atividade. Em outras palavras: o campo produziu bem e os preços ajudaram, mas essa combinação não vai durar para sempre.

    A pecuária que ninguém esperava ver tão forte

    Se há um protagonista claro de 2025, é a pecuária. O ramo pecuário fechou o ano com a maior expansão entre todos os recortes, crescendo 32,55% no acumulado. O número soa quase exagerado, mas os dados sustentam cada ponto percentual.

    A bovinocultura de corte foi o principal vetor, com o valor bruto da produção subindo 23,71% no ano, resultado de alta de 15,84% nos preços reais e expansão de 6,79% no volume. A agroindústria ligada ao setor foi ainda mais longe: a agroindústria pecuária disparou 36,54%, favorecida pela valorização dos produtos e aumento da produção.

    Foram exportações em volume recorde, preços em patamar historicamente alto e uma cadeia que entregou eficiência de ponta a ponta. O setor de carnes virou, na prática, o motor principal do agro em 2025.

    O lado agrícola cresceu, mas em ritmo diferente

    Enquanto a pecuária acelerava, a agricultura andou em passo mais moderado. O ramo agrícola avançou 3,40%, sustentado pela maior produção de milho, soja, algodão e café. Positivo, mas longe do destaque da pecuária.

    No setor primário como um todo, o crescimento foi de 17,06%, com destaque para as culturas de milho e café. Já a agroindústria de base agrícola contou uma história diferente: as atividades de base agrícola recuaram 3,33% devido à baixa nos preços industriais. Queda de produção industrial no campo agrícola, enquanto o lado pecuário disparava. O contraste é revelador de como 2025 distribuiu seus ganhos de forma desigual dentro do próprio setor.

    Um quarto da economia brasileira depende do campo

    O resultado de 2025 também consolidou algo que vai além dos números de curto prazo. A participação do agronegócio no PIB nacional subiu para 25,13%, ante 22,9% registrados em 2024. Um em cada quatro reais produzidos no Brasil em 2025 passou, de alguma forma, pelo campo.

    Sob a ótica dos segmentos, todos avançaram no acumulado: insumos (+5,37%), primário (+17,06%), agroindústria (+5,60%) e agrosserviços (+13,76%). O agronegócio não cresceu por um único ponto de pressão. Cresceu de forma ampla, o que dá consistência ao resultado, mesmo com as ressalvas sobre preços.

    O presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende, resume bem a tensão que fica para 2026: “O PIB cresce, mas isso não significa automaticamente mais rentabilidade no caixa de quem produz. O custo de produção segue pressionado, o crédito ficou mais caro e o risco aumentou.”

    O freio no final do ano e o que vem pela frente

    O quarto trimestre entregou um recado claro. O indicador recuou 1,11% frente ao terceiro trimestre, com recuo generalizado entre os segmentos, com destaque para a queda de 2,32% nos insumos. Não foi colapso, mas foi um aviso.

    Entre julho e dezembro, o PIB do agro entrou em trajetória de desaceleração, confirmando a perda de tração iniciada ainda no terceiro trimestre, à medida que o ciclo de alta de preços iniciado em 2024 se esgotou. O motor que moveu o crescimento ao longo do ano perdeu combustível justamente na reta final.

    Para 2026, a leitura muda de tom. O resultado passa menos pelo volume colhido e mais pela capacidade de sustentação de margens em um ambiente de preços menos pressionados, um ponto sensível em um setor que depende cada vez mais de custo, crédito e eficiência para manter o crescimento. Quem entrar neste ano com gestão apertada e tecnologia na ponta tem vantagem real. Quem depender apenas do ciclo favorável de preços vai sentir o terreno mudar.

  • Milho: clima preocupa e trava negociações no mercado

    Milho: clima preocupa e trava negociações no mercado

    A colheita da safra de verão do milho entra na reta final no Brasil. Os produtores praticamente encerram a semeadura da segunda safra. Assim, agentes do setor voltam a atenção ao clima quente e seco. Eles avaliam possíveis impactos no desenvolvimento das lavouras.

    Os pesquisadores do Cepea informam que a produção segue elevada. No entanto, a estimativa indica leve queda frente à temporada anterior. Além disso, chuvas irregulares aumentam a preocupação nas regiões produtoras.
    As previsões indicam baixos volumes e temperaturas elevadas.

    Esse cenário atinge áreas de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná. Por isso, produtores mantêm estado de alerta.

    Negociações

    No mercado spot, as negociações seguem limitadas. A demanda enfraquecida reduz o ritmo das compras. Os Consumidores priorizam estoques e compram apenas volumes pontuais. Ao mesmo tempo, compradores monitoram estoques de passagem elevados.

    Eles também consideram a maior colheita da safra de verão. Assim, agentes projetam queda nos preços nas próximas semanas.

    Por outro lado, vendedores restringem a oferta no spot. Eles aguardam reação nos preços diante das incertezas climáticas.

    Soja

    A elevada oferta de soja sustenta a liquidez no mercado spot brasileiro. No entanto, a disponibilidade elevada limita altas expressivas nos preços. Os pesquisadores do Cepea apontam equilíbrio no mercado. A expectativa de safra recorde mantém os valores estáveis.

    No campo, a Conab afirma que colheita alcança 88,1% da área nacional. As regiões apresentam ritmos distintos de avanço. Mesmo assim, o andamento segue consistente.

    No Hemisfério Norte, agentes acompanham as condições climáticas. A baixa umidade do solo gera preocupação inicial. Porém, previsões de chuvas podem amenizar o cenário. Isso reduz riscos para a produção global.

    Estados Unidos

    Nos Estados Unidos, o plantio avança acima da média recente. A semeadura atinge 12% da área prevista até 19 de abril. Os dados são do USDA. O ritmo supera o registrado no ano passado e a média de cinco anos.