Tag: soja

  • Soja sobe com demanda firme e atinge maior valor desde 2023

    Soja sobe com demanda firme e atinge maior valor desde 2023

    A soja registrou forte valorização no mercado brasileiro nos últimos dias. O movimento ocorreu diante da demanda firme e da menor oferta. Segundo o Cepea, compradores domésticos e estrangeiros aumentaram as aquisições. Além disso, vendedores reduziram a disponibilidade de lotes no mercado spot.

    Como resultado, os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e Paraná atingiram os maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

    Demanda chinesa sustenta preços da soja

    A demanda externa continua aquecida, principalmente por parte da China. No mercado brasileiro, as indústrias também intensificaram as compras. O objetivo é recompor e garantir os estoques. Enquanto isso, vendedores adotaram uma postura mais cautelosa. Assim, a menor disponibilidade de lotes sustentou as cotações no mercado spot.

    Os pesquisadores do Cepea relacionam essa cautela às incertezas sobre a oferta global da safra 2026/27. Nesse cenário, possíveis impactos do El Niño aumentam as preocupações com a produção mundial de soja. Além disso, o cenário externo também impulsionou os preços. Dessa forma, as altas internacionais reforçaram a valorização da soja no mercado brasileiro.

    Milho avança mesmo com colheita da segunda safra

    O milho também registra valorização no mercado brasileiro. O movimento ocorre apesar do avanço da colheita da segunda safra. As altas internacionais sustentam os preços. Além disso, preocupações climáticas para os próximos meses aumentam a pressão.

    No mercado brasileiro, produtores reduziram o interesse pelas negociações. A retração ocorre tanto no mercado spot quanto para entregas futuras e exportações. Nos Estados Unidos, expectativas de menor produtividade das lavouras elevaram expressivamente as cotações internacionais.

    Essa possível queda na produtividade pode reduzir a oferta global de milho. Consequentemente, o cenário dá suporte aos preços do cereal. Além disso, perspectivas desfavoráveis para a produção na União Europeia sustentam as cotações futuras.

    As incertezas relacionadas ao conflito no Mar Negro também influenciam o mercado internacional de milho.

    Vendedores seguram oferta e compradores elevam propostas

    Segundo pesquisadores do Cepea, as preocupações com a oferta aumentam a cautela dos vendedores. Ao mesmo tempo, muitos aguardam valorizações mais expressivas antes de negociar maiores volumes. Por isso, vendedores limitam a quantidade de milho disponível para comercialização.

    Enquanto isso, compradores demonstram necessidade de elevar os valores oferecidos. O objetivo é recompor os estoques nas próximas semanas. Assim, a combinação entre menor oferta, demanda por reposição e cenário externo mantém os preços do milho sustentados no Brasil.

  • Soja e carne bovina impulsionam exportações de Goiás

    Soja e carne bovina impulsionam exportações de Goiás

    O agronegócio manteve papel central no comércio exterior de Goiás no primeiro semestre de 2026. Impulsionado pela soja e pela carne bovina, o estado registrou superávit comercial de US$ 4,21 bilhões. Entre janeiro e junho, Goiás exportou US$ 7,06 bilhões, alta de 4,47% sobre o mesmo período de 2025.

    As importações somaram US$ 2,85 bilhões, crescimento de 5,72%. Assim, a corrente comercial superou US$ 9,9 bilhões. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) produziu os dados, analisados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fieg. O levantamento aponta alta de 4,83% na movimentação total do comércio exterior goiano.

    Goiás ocupa oitava posição nas exportações

    Goiás ocupou a oitava posição entre os estados brasileiros em volume de exportações. As vendas externas goianas representaram 3,82% do total exportado pelo Brasil no período. Nas importações, Goiás ficou na 11ª posição, com participação de 2% no total nacional.

    Soja lidera pauta exportadora de Goiás

    A soja em grão continuou como principal produto da pauta exportadora de Goiás. O produto respondeu por 43,07% de todas as vendas externas realizadas pelo estado no semestre. A participação, porém, ficou abaixo dos 49,35% registrados no mesmo período de 2025. Ainda assim, a soja manteve posição central no resultado da balança comercial goiana.

    A força do agronegócio também aparece nas exportações de carne bovina. As vendas de carne bovina desossada congelada cresceram 29,50% e alcançaram US$ 943,9 milhões. O resultado reforça a importância da cadeia pecuária entre os principais segmentos exportadores de Goiás.

    Além disso, outros produtos ampliaram sua participação na pauta estadual. Os concentrados de cobre registraram crescimento de 113,85% e movimentaram US$ 376,4 milhões no semestre. Mesmo assim, o complexo agropecuário continua como principal sustentação das exportações goianas.

    Municípios do agro lideram exportações

    A concentração das vendas externas em municípios ligados à agropecuária também evidencia a força do setor. Rio Verde liderou o ranking estadual de exportações, com US$ 1,886 bilhão. O município respondeu por 26,72% de todas as vendas de Goiás ao mercado internacional no primeiro semestre.

    Jataí ocupou a segunda posição, com US$ 596,3 milhões em exportações. Na sequência, Mozarlândia registrou US$ 393,1 milhões em vendas externas. O município apresentou crescimento de 34,13% em relação ao primeiro semestre de 2025.

    Os três municípios possuem forte relação com cadeias do agronegócio e sustentam parte das exportações goianas. A produção agropecuária movimenta diferentes regiões de Goiás por meio das commodities agrícolas e proteínas animais. Além disso, a liderança de Rio Verde, Jataí e Mozarlândia reforça essa distribuição territorial.

    China amplia compras de produtos goianos

    A China permaneceu como principal parceiro comercial de Goiás no primeiro semestre. As exportações destinadas ao país asiático somaram US$ 770,8 milhões, alta de 40,64% sobre 2025. O mercado chinês respondeu por 10,92% de todas as vendas externas realizadas pelo estado.

    A relação ganha importância diante da concentração da pauta goiana em produtos agropecuários e commodities. O crescimento das compras chinesas contribuiu para o resultado positivo das exportações no semestre. Ao mesmo tempo, o relatório do CIN aponta elevada dependência desse mercado.

    A China também liderou as importações realizadas por Goiás no período. O país respondeu por 27,08% de tudo que o estado comprou no exterior. As importações chinesas também registraram crescimento superior a 40%.

    Junho registra maior crescimento no semestre

    Junho apresentou o maior crescimento do comércio exterior goiano durante o primeiro semestre. As exportações avançaram 15,87%, enquanto as importações cresceram 29,29%. Segundo o CIN, as compras envolveram máquinas, equipamentos, insumos industriais e produtos químicos.

    Março apresentou o movimento oposto e concentrou as maiores retrações do período. As importações caíram 10,50%, enquanto as exportações recuaram 15,15%. A queda nas vendas externas refletiu, entre outros fatores, a sazonalidade das exportações do complexo da soja. As oscilações nos embarques de commodities minerais também influenciaram o resultado.

    Assim, o calendário de produção e comercialização do agronegócio influencia o desempenho mensal da balança comercial. Mesmo com oscilações, Goiás encerrou o semestre com crescimento das exportações e superávit superior a US$ 4 bilhões. A soja e a carne bovina tiveram papel determinante nesse resultado.

    Goiás mantém superávit em julho

    Em julho, Goiás manteve saldo positivo no comércio exterior, com superávit de US$ 769,2 milhões. As exportações somaram US$ 1,4 bilhão, alta de 4,6% sobre julho de 2025. As importações alcançaram US$ 596,7 milhões, enquanto a corrente comercial chegou a US$ 2 bilhões.

    Com esse resultado, Goiás manteve a oitava posição nacional em exportações no mês. As vendas externas do estado representaram 4,3% do total brasileiro. Apesar do avanço das exportações, o superávit ficou abaixo dos resultados registrados em julho de 2023, 2024 e 2025.

    A China também permaneceu como principal parceiro comercial de Goiás em julho. O resultado prolonga uma relação relevante para o agronegócio e para a economia estadual. A pauta exportadora goiana continua sustentada pela produção agropecuária. Enquanto isso, novos produtos buscam ampliar sua participação no comércio exterior do estado.

  • Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    O governo federal avalia a criação de uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP) baseada em critérios internacionais relacionados à toxicidade para seres humanos e aos riscos para o meio ambiente.

    A proposta, porém, ainda está em análise e não significaria automaticamente a proibição dos produtos enquadrados na lista. Mesmo assim, representantes de produtores e fabricantes de defensivos temem que a classificação provoque restrições indiretas e impactos econômicos sobre a agricultura brasileira.

    Uma minuta de portaria conjunta dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, do Ibama e da Anvisa reúne 42 ingredientes ativos já proibidos no Brasil e outros 39 registrados e atualmente utilizados no país, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.

    Lista atingiria centenas de defensivos agrícolas

    De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), os 39 ingredientes ativos registrados aparecem em 864 produtos comerciais de 89 fabricantes.

    Segundo nota técnica da entidade citada pelo Valor, eles representam 26,3% das formulações comerciais de herbicidas, inseticidas e fungicidas disponíveis no país.

    Esses defensivos são utilizados no manejo de diferentes problemas fitossanitários, entre eles:

    • ferrugem asiática da soja;
    • bicudo-do-algodoeiro;
    • antracnose;
    • mofo-branco no feijão;
    • percevejos;
    • cigarrinha-do-milho.

    Governo diz que classificação não significa proibição

    Segundo o material-base, a minuta foi assinada em abril pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Desde então, entidades ligadas ao agronegócio vêm se mobilizando contra a publicação.

    A Casa Civil informou que avaliações técnicas e jurídicas continuam sendo realizadas e que, diante da complexidade do assunto, a proposta permanece sob análise do governo federal.

    O Ministério do Meio Ambiente também afirmou que a inclusão de um ingrediente ativo na lista não implicaria vedação automática de seu uso.

    “A categorização de ingredientes ativos de agrotóxicos constitui importante subsídio para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à redução da exposição a agrotóxicos altamente perigosos ao meio ambiente e à saúde no Brasil”, afirmou a Pasta.

    O Ministério da Saúde informou que ainda não havia recebido o documento.

    Proposta está ligada ao Pronara

    A iniciativa está relacionada ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), política federal voltada à redução progressiva do uso desses produtos e ao estímulo a alternativas de menor impacto.

    O programa foi instituído pelo Decreto 12.538/2025 e prevê ações como monitoramento de resíduos em alimentos, incentivo à produção de base ecológica, pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.

    A discussão sobre os chamados Highly Hazardous Pesticides (HHPs) utiliza como referência critérios adotados internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme o material analisado.

    Uma ata do comitê gestor do Pronara também aponta que a classificação poderia auxiliar na priorização de alternativas e no incentivo à inovação tecnológica.

    Produtores temem restrições indiretas

    A Aprosoja Brasil classificou a proposta como um “banimento indireto disfarçado”.

    Segundo a entidade, mesmo sem uma proibição formal, a utilização da lista em políticas públicas poderia provocar consequências em áreas como:

    • crédito rural;
    • seguros agrícolas;
    • programas de certificação;
    • compras públicas;
    • comércio exterior;
    • cadeias de exportação.

    A associação também considera possível o surgimento de novas restrições estaduais ou municipais.

    A posição recebeu apoio de aproximadamente 50 entidades ligadas ao Instituto Pensar Agropecuária (IPA).

    Parte do setor também questiona a participação do Ministério da Agricultura na elaboração da medida e a compatibilidade da proposta com a Lei 14.785/2023, que estabeleceu novas regras para registro, controle e fiscalização de agrotóxicos no país.

    A legislação de 2023 efetivamente disciplina pesquisa, produção, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização dos agrotóxicos no Brasil.

    Setor estima impacto bilionário sobre soja e milho

    Um dos principais argumentos contrários à medida envolve eventuais efeitos sobre a produtividade agrícola.

    Em estudo apresentado ao Ministério da Agricultura, a CropLife Brasil estimou que um cenário de restrição significativa na eficácia do controle fitossanitário poderia provocar perda de 12,8 milhões de toneladas de soja, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 23,5 bilhões.

    Para o milho, a entidade projetou redução potencial de 92,9 milhões de toneladas, equivalente a cerca de R$ 102 bilhões.

    Somadas, as projeções chegam a R$ 125,5 bilhões.

    Os números, no entanto, são estimativas produzidas pelo setor de defensivos para um cenário hipotético de restrição relevante e não representam uma previsão oficial do governo ou uma consequência já estabelecida da criação da lista.

    Exportações também preocupam o setor

    A CropLife argumenta ainda que a classificação poderia produzir efeitos comerciais e reputacionais sobre produtos agrícolas brasileiros em mercados com regras ambientais mais rígidas, como a União Europeia.

    Segundo a entidade, a existência da lista poderia alimentar novos questionamentos sobre sustentabilidade e padrões produtivos brasileiros durante negociações comerciais e relações com compradores internacionais.

    Em manifestação técnica encaminhada à Casa Civil, o Ministério da Agricultura apresentou críticas à minuta.

    Segundo o documento, a Pasta avaliou que a proposta “apresenta graves inconsistências técnicas, jurídicas e institucionais, configurando risco a um sistema regulatório consolidado, ameaçando a segurança jurídica e a competitividade do agronegócio brasileiro”.

    Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário se posicionou favoravelmente à publicação da portaria em manifestação técnica mencionada no processo.

  • Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    A morte de Glória Menezes, aos 91 anos, nesta terça-feira (18), encerrou a trajetória de uma das grandes atrizes da televisão brasileira e também trouxe novamente à memória a história construída ao lado de Tarcísio Meira, seu marido por quase seis décadas.

    Fora das telas, Tarcísio construiu uma trajetória que pouca gente conhece: o ator também investiu no agronegócio e tornou-se proprietário de propiedades rurais pelo país.

    Após a morte do ator, em agosto de 2021, parte da administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    Isolamento da COVID-19 foi no campo

    Antes da morte de Tarcísio, em 2021, ele e Glória Menezes viveram os últimos anos juntos em uma fazenda de gado, localizada no munícipio de Porto Feliz, no interior de São Paulo. A mudança aconteceu no início da pandemia de Covid, em março de 2020.

    O local funcionava como uma unidade produtiva moderna com foco em bem-estar animal, além de contar com biodigestores para tratar dejetos de gado — gerando biofertilizante e biogás para alimentar uma miniusina de energia limpa própria.

    Além disso, a propriedade também erviu de palco para momentos marcantes da família. Em 2021, a atriz levou a filha, Maria Amélia Brito, até o altar na cerimônia de casamento realizada nos jardins da fazenda.

    Glória Menezes acompanha filha até o altar em casamento na fazenda da família em Porto Feliz (Foto: Divulgação/Filó Cerimonial)

    A celebração cumpriu um desejo deixado por Tarcísio Meira antes de falecer e foi oficializada por uma das netas de Glória.

    Fazenda de Tarcísio Meira tem mais de 10 mil hectares

    Nio entanto, o principal empreendimento da família é a Fazenda São Marcos, com mais de 10 mil hectares em Aurora do Paraná, cuja gestão hoje é realizada por Tarcísio Filho.

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou ainda na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator tomou conhecimento de uma grande área disponível para compra e decidiu investir.

    Com o passar dos anos, a ligação com o Pará se fortaleceu, e o famoso chegou a dizer que havia se tornado “quase um paraense”.

    Tarcísio também investiu na comunidade

    A atuação do ator na propriedade não ficou restrita à produção agropecuária.

    Na Fazenda São Marcos, foram construídas moradias para funcionários e mantida uma escola gratuita que atendia filhos de trabalhadores, além de crianças de pequenos agricultores e colonos da região.

    Cerca de metade da extensão da propriedade também é mantida como área de preservação ambiental.

    Vizinho, o produtor Jeferson Castilhou afirmou que Meira também cultivava a harmonia e era simpático com todos ao redor.

    “A propriedade é vizinha nossa. Ele vinha comprar uva e era um senhor tranquilo, simples. Várias vezes encontrei com ele em supermercado, farmácia, padaria. Muito tranquilo, simpático.”

    Tarcísio Meira e Glória Menezes eram apreciadores da vida no campo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    “Não era só patrão, era amigo de todos do sítio, fazia de tudo por seus funcionários. Ele era acostumado a dar presente às crianças do sítio no Natal e sempre tirava fotos com todos. Por causa da pandemia, no final do ano passado ele fez depósito bancário para não ter contato com ninguém”, relembra também Regiane Domicianoma, ex-funcionária do local.

    Glória Menezes e Tarcísio ficaram juntos por quase 60 anos

    Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram no início da década de 1960, quando ambos davam os primeiros passos de suas carreiras.

    Os dois se casaram em 1962 e construíram uma das uniões mais conhecidas da televisão brasileira. O casamento durou 59 anos, até a morte do ator.

    Além da vida pessoal, Glória e Tarcísio dividiram as telas inúmeras vezes e se tornaram um dos casais mais reconhecidos da dramaturgia nacional.

    Amor até o fim

    Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.

    Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Gigantes do campo: soja e milho lideram safra recorde no Brasil

    Gigantes do campo: soja e milho lideram safra recorde no Brasil

    O agronegócio brasileiro se prepara para consolidar mais um recorde no campo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção nacional de 360,8 milhões de toneladas de grãos para a safra 2025/26. O volume representa um crescimento de 2,4% em relação ao ciclo anterior, injetando 8,5 milhões de toneladas a mais no mercado global.

    Os dados do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgados nesta quinta-feira (13), confirmam que o aumento de 2,1% na área cultivada, agora estimada em 83,5 milhões de hectares, sustenta o excelente resultado. As culturas de soja, milho e sorgo lideram essa expansão. Já a produtividade média do país deve se manter estável em 4.322 quilos por hectare.

    Soja e milho: os gigantes do campo lideram a safra 2025/26

    A soja e o milho continuam como os principais motores da agricultura brasileira. Juntas, as culturas somam volumes impressionantes:

    Soja: a Conab estima uma colheita de 180,5 milhões de toneladas. O Mato Grosso segue como o maior produtor nacional, com 51,6 milhões de toneladas. No entanto, a Bahia brilha com a maior produtividade média do país, alcançando 4.260 kg/ha.

    milho
    Foto: Nilson Konrad/AGCO

    Milho: o cereal deve registrar uma produção total de 143 milhões de toneladas. A primeira safra responde por 29,5 milhões de toneladas, enquanto o segundo ciclo deve entregar cerca de 111 milhões de toneladas. A terceira safra soma mais 2,4 milhões de toneladas, embora o clima desfavorável desde junho tenha prejudicado lavouras no nordeste da Bahia, Sergipe e Alagoas.

    No mercado interno, a Conab elevou a projeção de consumo de milho para 95 milhões de toneladas. Mesmo com a maior demanda interna, o estoque de passagem deve fechar o ciclo com confortáveis 15,58 milhões de toneladas.

    Abastecimento garantido de arroz e feijão

    Mesmo com oscilações na área plantada, os alimentos básicos do prato do brasileiro seguem com abastecimento garantido:

    O arroz deve registrar uma produção de 11,1 milhões de toneladas. O volume atende plenamente à demanda do mercado doméstico, apesar de os produtores terem semeado uma área 14% menor neste ciclo.

    O feijão projeta uma colheita de 3 milhões de toneladas somando suas três safras. A estimativa atual indica uma redução de 3,2% em relação ao ciclo 2024/25, mas garante a segurança alimentar do mercado interno. A colheita da segunda safra está na reta final, com previsão de 1.3 milhão de toneladas.

    Algodão avança e culturas de inverno registram queda

    A colheita do algodão avança em ritmo acelerado e já atinge 43,7% da área. O índice supera os 39% registrados no mesmo período do ano anterior. A Conab estima uma produção de 5,8 milhões de toneladas de algodão em caroço, gerando 4,1 milhões de toneladas de pluma, favorecida pelo clima excelente na maioria das regiões.

    Por outro lado, o trigo apresenta um cenário de retração após o fim da semeadura de inverno. O cereal deve registrar 5,8 milhões de toneladas, o que representa uma queda acentuada de 26,2% em relação a 2025. O recuo acompanha diretamente a redução de 20,4% na área destinada ao cultivo do grão nesta temporada.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão 

  • STF valida Moratória da Soja e mantém acordo contra desmatamento

    STF valida Moratória da Soja e mantém acordo contra desmatamento

    A maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (12) validar a Moratória da Soja. O acordo reúne empresas do setor há 20 anos para impedir compras de soja produzida em áreas desmatadas. Por maioria, o plenário considerou o pacto privado compatível com a Constituição e favorável à preservação ambiental.

    Além disso, o STF determinou o arquivamento de processos administrativos em tramitação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).As ações questionavam a validade da Moratória da Soja e também pediam indenizações.

    O caso chegou ao Supremo após ação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade questionou uma lei de Mato Grosso que restringiu benefícios fiscais para empresas participantes desses acordos.

    A legislação estadual limita incentivos para companhias que adotam compromissos capazes de restringir a expansão agropecuária. O PCdoB também contestou uma lei de Rondônia com regras semelhantes.

    Voto de Flávio Dino

    O ministro Flávio Dino apresentou o voto condutor do julgamento. Segundo Dino, leis estaduais podem restringir benefícios fiscais e a Moratória da Soja é constitucional. Para o ministro, empresas privadas podem estabelecer regras comerciais próprias para suas relações de compra e venda. “A Moratória da Soja existe e amanhã pode continuar a existir”, afirmou Dino durante o julgamento.

    Como ficou a votação

    Os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes acompanharam o voto vencedor. Já Dias Toffoli, Luiz Fux e André Mendonça ficaram parcialmente vencidos. Os três ministros entenderam que o STF não deveria analisar a validade da Moratória da Soja. Na avaliação deles, caberia ao Cade analisar a questão.

    Aprosoja critica efeitos da decisão

    A Aprosoja Mato Grosso afirmou que respeita integralmente a decisão do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, a entidade informou que avaliará medidas jurídicas para tentar revisar esse ponto específico. A associação também pretende buscar mecanismos para garantir reparação aos produtores eventualmente prejudicados.

    Segundo a Aprosoja Mato Grosso, o julgamento não muda a realidade jurídica e econômica relacionada à interrupção da Moratória. A entidade destacou que as leis estaduais consideradas constitucionais continuam em vigor. Por isso, os efeitos dessas normas podem atingir pessoas e empresas que pratiquem as condutas previstas.

    A Aprosoja Brasil também informou que continuará acompanhando o tema. A entidade pretende combater novas restrições semelhantes por meio de acordos, compromissos ou políticas empresariais. Segundo a associação, essas medidas serão questionadas caso reproduzam critérios uniformes e restrições consideradas extralegais.

    A entidade afirmou ainda que usará instrumentos políticos, administrativos e judiciais disponíveis. Para a Aprosoja Brasil, a defesa dos direitos dos produtores associados permanece como prioridade.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Na safra 2026/27, agricultores brasileiros devem enfrentar um El Niño de intensidade muito elevada — um dos mais fortes já vistos, na verdade. A previsão considera os fenômenos registrados desde 1950 e aumenta a preocupação com o clima durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras.

    O último episódio classificado como “muito forte” ocorreu na safra 2015/16. Na ocasião, 16 culturas diferentes registraram perdas de produtividade.

    O fenômeno começou em junho de 2026 e está evoluindo rapidamente. A expectativa é que o pico ocorra entre novembro e janeiro de 2027, embora ainda não exista uma previsão exata para o fim do evento.

    El Niño pode atrasar o plantio da soja

    Um dos principais pontos de atenção está no calendário da soja, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e no Matopiba.

    Especialistas avaliam que a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode atrasar o início da semeadura. Caso isso aconteça, o calendário do milho, normalmente plantado entre fevereiro e março, também poderá ser afetado.

    Além disso, o risco existe também para outras culturas. Café e citros podem enfrentar dificuldades durante a floração, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por um aumento das precipitações no Sudeste.

    Segundo Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o aquecimento global tem contribuído para uma maior frequência e intensidade dos episódios de El Niño.

    O especialista destaca que, nas últimas décadas, houve mais ocorrências do fenômeno e episódios de maior intensidade.

    O que é o Niño 3.4?

    O Niño 3.4 é uma região do Oceano Pacífico utilizada pelos meteorologistas como uma das principais referências para medir a intensidade do El Niño e da La Niña.

    Ela fica entre 5 graus ao norte e 5 graus ao sul da linha do Equador, entre os meridianos 170° e 120° a oeste.

    Na última atualização mencionada no material-base, a temperatura na região chegou a 1,3 °C, nível associado a um El Niño moderado naquele momento.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    Para a agrometeorologista Ana Maria Heuminski de Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a velocidade de aquecimento do Pacífico aumentou a expectativa de um fenômeno mais intenso.

    Ela ressalta, porém, que um El Niño mais forte aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas não significa que todas as regiões brasileiras serão afetadas da mesma maneira.

    Soja concentra uma das maiores preocupações

    A soja está entre as culturas que mais preocupam os especialistas por causa da possibilidade de alterações no calendário agrícola.

    Eduardo Martins, diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), considera que os danos podem ser maiores caso a falta de chuva se intensifique em áreas mais vulneráveis.

    “Se a falta de chuva for ampliada, pegar o Matopiba [confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que é mais exposto ao clima, tem solos mais arenosos, e o Centro-Oeste, há possibilidade de 20% de perda a nível nacional, pegando a safra 2015/16 como base”, estima Martins, que foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no governo Fernando Henrique Cardoso.

    Chuvas podem beneficiar o Sul

    Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o território brasileiro.

    No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva acima da média. Por isso, a preocupação durante a implantação das lavouras de verão é justamente o excesso de precipitação.

    Para Ana Maria Heuminski de Ávila, do Cepagri, a chuva pode até favorecer a produtividade de soja e milho no Rio Grande do Sul, desde que não seja excessiva.

    O excesso de precipitação, como observado em 2024, pode provocar problemas para as lavouras.

    Manejo do solo é uma das estratégias

    Diante de um cenário de maior variabilidade climática, o planejamento passa a ter papel importante na preparação das propriedades.

    O seguro rural é, sem dúvidas, uma ferramenta que pode ajudar os produtores a enfrentar possíveis perdas. No entanto, outra estratégia está relacionada ao manejo do solo.

    Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, destaca a importância de manter uma boa cobertura vegetal e uma estrutura adequada do solo.

     “Ele (produtor) tem que primeiro fazer o que a gente chama de lição de casa: manter uma boa palhada, o solo com uma boa cobertura vegetal, com boa estrutura química e física, para que, quando chover, a água consiga penetrar em todo o solo e formar uma camada maior de água.”

    Assim, diante da possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27, produtores precisam considerar não apenas o calendário de plantio, mas também o manejo do solo, o planejamento da propriedade e mecanismos de proteção contra perdas.

    O impacto, porém, dependerá da intensidade do fenômeno e, principalmente, de como chuva e temperatura vão se comportar em cada região produtora do país.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp clicando nesse link e saiba tudo primeiro.

  • Unicamp desenvolve tecnologia que extermina percevejo da soja

    Unicamp desenvolve tecnologia que extermina percevejo da soja

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia capaz de combater o percevejo, uma das pragas que mais causam prejuízo à soja brasileira. O método usa RNA de interferência (RNAi) para silenciar genes essenciais do inseto, sem recorrer a modificação genética da planta ou a inseticidas convencionais.

    A equipe do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, coordenada pelo professor associado Henrique Marques de Souza, conduziu a pesquisa que resultou na tecnologia. O Brasil lidera a produção e a exportação mundial de soja em grão, mas o percevejo compromete essa vantagem: a praga causa prejuízos anuais de bilhões de reais aos produtores.

    “Levando em consideração que o Brasil é um país tropical e muito quente, existem muitas pragas que podem afetar o cultivo de soja, mas o percevejo é o mais danoso a essa cultura”, afirma Souza.

    Um acordo de pesquisa e desenvolvimento entre a Unicamp e a empresa TMG Tropical Melhoramento e Genética S.A. viabilizou a tecnologia. A TMG detém a cotitularidade da patente e recebeu a licença para uso comercial. A Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp) conduziu a estratégia de proteção e licenciamento, com a interveniência da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).

    Como a tecnologia elimina o percevejo sem venenos

    A invenção mira especificamente o percevejo Euschistus heros, espécie mais comum nas lavouras de soja. A tecnologia ativa o mecanismo de RNAi apenas nos organismos-alvo, sem exigir modificação genética. Uma abordagem que os pesquisadores classificam como mais sustentável e mais segura tanto para o agricultor quanto para o meio ambiente.

    O método explora um princípio básico da biologia celular: toda célula viva segue o chamado dogma central, no qual o DNA gera RNA e o RNA gera proteína. Vírus se aproveitam dessa lógica para inserir material genético nas células e induzi-las a produzir proteínas virais. Em resposta, as células desenvolveram uma defesa natural que reconhece o RNA de fita dupla, molécula típica de vírus, e destrói qualquer sequência genética semelhante a ela.

    Os pesquisadores exploram exatamente essa defesa natural. Eles identificam um gene essencial do inseto que pretendem controlar e desenham, em laboratório, uma versão de fita dupla desse gene. Ao entrar em contato com essa molécula, o organismo do percevejo a interpreta como uma ameaça viral e elimina o gene correspondente, impedindo a produção da proteína associada. Sem esse gene, o inseto perde a capacidade de se desenvolver, se alimentar ou se reproduzir.

    “Estudamos a biologia de uma praga, no caso o percevejo, e identificamos qual gene, se removido, o levará à morte, a parar de se alimentar, ou de procriar. Podemos desenhar a fita dupla de acordo com o que é identificado como vital para o inseto”, explica Souza.

    Por que a precisão genética supera os inseticidas tradicionais

    A especificidade define a principal vantagem da tecnologia. Inseticidas convencionais costumam atingir diferentes espécies presentes na lavoura, incluindo insetos benéficos como polinizadores e inimigos naturais das próprias pragas. A molécula de RNA, em contraste, atinge apenas o alvo escolhido. E por se tratar de um produto biológico e biodegradável, reduz o impacto ambiental do controle de pragas.

    Essa mesma precisão também estabelece os limites do método. A tecnologia não substitui outras ferramentas de controle nem funciona como solução única e imediata, já que depende de um processo biológico para agir. Por isso, os pesquisadores recomendam sua incorporação ao manejo integrado de pragas, combinada a outras práticas agronômicas.

    “Não é uma técnica de choque. Ela depende que a molécula de RNA entre, silencie o gene e pare de produzir proteína para que a praga morra”, enfatiza Souza.

    Da pesquisa básica na Alemanha à patente no Brasil

    A trajetória da descoberta começou longe dos campos brasileiros. Durante o doutorado na Universidade de Colônia, na Alemanha, Souza estudava a tecnologia de RNAi com foco no desenvolvimento embriológico de insetos. Um tema de pesquisa básica, sem aplicação prática prevista na época. Já na Unicamp, o pesquisador decidiu direcionar o estudo da tecnologia para o combate a pragas agrícolas, como o percevejo, o que transformou o desafio: descobrir o mecanismo deixou de ser suficiente, e a equipe passou a buscar transformá-lo em produto.

    Equipe de pesquisa. Foto: Igor Alisson/Inova Unicamp

    Essa fase da pesquisa levou quatro anos e resultou na invenção, desenvolvida por meio do acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmado entre o Instituto de Biologia da Unicamp e a TMG. Uma equipe de quinze pessoas, entre estudantes de pós-graduação, iniciação científica e pós-doutorado, participou do desenvolvimento total da tecnologia. A Inova Unicamp conduziu toda a etapa de proteção intelectual, da avaliação de patenteabilidade até a redação e a submissão do pedido.

  • Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    As cooperativas brasileiras do agronegócio exportaram US$ 17,4 bilhões (cerca de R$ 96 bilhões) em 2025, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

    O resultado representa 10,3% de todas as exportações do agronegócio brasileiro, reforçando a importância do cooperativismo para o comércio exterior do país.

    Apesar do desempenho expressivo, as vendas internacionais seguem concentradas. Das 140 cooperativas exportadoras em atividade, apenas dez responderam por 67% de todo o volume embarcado ao exterior.

    Cooperativas do agro movimentaram R$ 487 bilhões

    Além do avanço nas exportações, as cooperativas agropecuárias registraram faturamento de R$ 487,3 bilhões em 2025.

    O valor representa crescimento de 11,2% em comparação com o ano anterior.

    Considerando todos os segmentos do cooperativismo brasileiro, a movimentação econômica alcançou R$ 848 bilhões, equivalente a 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

    Café e carne de aves lideram as exportações

    Entre os principais itens exportados pelas cooperativas brasileiras estão o café, carne de aves, farelo de soja, carne suína e óleo de soja.

    Esses produtos mantêm forte presença nos mercados internacionais e ajudam a consolidar a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Cooperativismo volta a crescer em número de organizações

    Além disso, o levantamento da OCB também mostra a retomada da expansão do cooperativismo no país.

    Em 2025, o Brasil passou a contar com 4.400 cooperativas distribuídas em 3.425 municípios.

    Os indicadores econômicos revelam um setor em crescimento:

    • R$ 848 bilhões em ingressos totais;
    • Crescimento de 12% em relação a 2024;
    • R$ 1,6 trilhão em ativos;
    • Alta de 14,9% no patrimônio;
    • R$ 61,3 bilhões distribuídos em sobras aos cooperados;
    • Crescimento de 14,2% sobre o ano anterior;
    • 613.375 empregos diretos gerados;
    • Expansão de 6,1% no número de trabalhadores.

    Segundo a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, os resultados refletem a força do modelo cooperativista.

    “Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades”, afirmou.

    Patrimônio supera R$ 1,6 trilhão

    Outro destaque do levantamento é o fortalecimento da participação econômica das cooperativas brasileiras.

    O patrimônio do setor atingiu R$ 1,6 trilhão em ativos, impulsionado principalmente pelo Ramo Crédito, responsável por mais de 72% desse total.

    Já o Ramo Agropecuário segue como o principal motor econômico do cooperativismo nacional. O segmento concentra 57,4% dos ingressos do setor e permanece como o maior empregador do movimento, com aproximadamente 277 mil postos de trabalho.

    O desempenho reforça a relevância das cooperativas para a geração de renda, empregos e desenvolvimento das comunidades rurais em todo o Brasil.