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  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • IA prevê produção de soja no Brasil com 72% de precisão antes da colheita

    IA prevê produção de soja no Brasil com 72% de precisão antes da colheita

    Um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu um modelo de inteligência artificial capaz de estimar a produtividade das lavouras de soja no Centro-Oeste do país antes mesmo da colheita. O sistema, que combina imagens do satélite Sentinel-2, variáveis climáticas e dados históricos do IBGE, atingiu 72% de acurácia e margem de erro inferior a 302 quilos por hectare. Resultados que podem transformar o monitoramento agrícola em um país onde a soja movimentou US$ 52 bilhões em exportações entre 2024 e 2025.

    O estudo, intitulado Soybean yield estimation in the Brazilian Midwest using Sentinel-2 imagery, foi publicado na revista científica Big Earth Data e analisou municípios de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul durante três safras consecutivas, de 2019/2020 a 2021/2022. A pesquisa é fruto do projeto PreCISIA (Predição de Colheita por Imagem de Satélite e Inteligência Artificial), financiado pelo CNPq e desenvolvido em parceria com a empresa Espectro Ltda., pesquisadores da Unesp, da Universidade Estadual de Londrina e da Universidade de Pequim.

    Por que prever a safra de soja se tornou urgente

    O Brasil é o maior produtor mundial de soja há pelo menos uma década, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na safra 2023/2024, no entanto, o setor enfrentou uma lição dura: estimativas iniciais da Conab projetavam 162 milhões de toneladas, mas o resultado final ficou em 147,7 milhões. Uma queda de quase 10%, atribuída a períodos de calor extremo e chuvas irregulares. O prejuízo estimado para o setor produtivo superou R$ 28 bilhões, de acordo com relatório da FAO.

    É justamente nesse contexto de crescente instabilidade climática que ferramentas preditivas como a desenvolvida pela equipe ganham relevância. “O momento na agricultura é uma era de ouro em comparação com o passado, quando faltavam dados para fazer análises”, afirma Michel Eustáquio Dantas Chaves, professor da Unesp e colaborador do estudo. “Dados de satélite permitem monitorar safras e ciclos de produção, algo que até pouco tempo era inviável, especialmente em nível de cultura.”

    Como o modelo funciona

    A pesquisa, desenvolvida como dissertação de mestrado de Ester de Carvalho Pereira, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), sob orientação da professora Ana Cláudia dos Santos Luciano, utilizou algoritmos de aprendizado de máquina para identificar quais variáveis tinham maior peso na estimativa de produtividade.

    Os resultados mostraram que precipitação acumulada, radiação solar e déficit hídrico foram os fatores climáticos mais determinantes. Entre os dados de satélite, destacaram-se bandas espectrais relacionadas ao infravermelho e ao chamado red edge, uma faixa altamente sensível à atividade fotossintética das plantas.

    A partir daí, os pesquisadores construíram seis modelos distintos, cada um correspondendo a uma janela temporal diferente do desenvolvimento da cultura, de 30 a 180 dias após o plantio. O melhor desempenho ocorreu no modelo de 150 dias, período coincidente com o enchimento de grãos — fase decisiva para a produtividade final da soja.

    “Considerando um modelo que utilizava todas as informações dos seis meses estudados, tínhamos aproximadamente 400 variáveis. Mas quando criamos um modelo de 30 dias, que já gerou um resultado bem interessante, trabalhamos com cerca de 80 variáveis”, explica Ester.

    Limitações e potencial de aplicação

    Os pesquisadores reconhecem que o modelo não substitui levantamentos de campo realizados por órgãos oficiais, mas pode complementá-los com monitoramento contínuo em larga escala. Uma das principais dificuldades encontradas foi a ausência de dados detalhados em nível de propriedade rural, o que levou o grupo a recorrer a mapeamentos do IBGE e do projeto MapBiomas.

    “Se você quiser um nível de detalhe para que o produtor veja de fato a área dele, o modelo não vai atender. Mas em nível de governo, município e política pública, o trabalho se aplica muito bem”, avalia Luciano.

    O estudo também evidencia um problema estrutural recorrente na ciência brasileira: a desvalorização de dados produzidos nacionalmente. “Temos tantos monitoramentos feitos por nós, com tecnologia brasileira, que muitas vezes são subutilizados aqui, mas utilizados por outros países”, diz Luciano. China, Estados Unidos e União Europeia mantêm sistemas próprios de monitoramento das lavouras brasileiras a partir de bases de dados do Brasil.

    Chaves reforça a crítica à falta de financiamento. “O dado é útil, acessível, cada vez mais preciso e existem cada vez mais pessoas que entendem de geoprocessamento, mas falta investimento condizente para ampliar o retorno à sociedade.” A limitação de recursos já levou ao encerramento de programas como o Cafésat e o Canasat, mantidos pelo INPE, e ameaça a continuidade de outros, como o TerraClass e o Prodes.

    Próximos passos

    Apesar dos desafios, o grupo segue aprimorando as ferramentas. Atualmente, os pesquisadores publicam boletins periódicos de monitoramento da soja em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, usando índices de vegetação obtidos por satélite. Em paralelo, Ester desenvolve seu doutorado com foco na cana-de-açúcar, próximo desafio da equipe.

    Para Chaves, o caminho passa necessariamente pela integração de diferentes bases de dados públicas. “Se não soubermos cruzar os dados do IBGE com os da Conab, do INPE ou da Embrapa, estaremos perdendo como cadeia produtiva e como Estado-nação.”

  • Soja ganha força com exportações aquecidas

    Soja ganha força com exportações aquecidas

    A soja registra maior liquidez no mercado brasileiro neste início de junho. O ritmo forte das exportações e a demanda da indústria sustentam as negociações. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário limita quedas mais acentuadas nos preços da oleaginosa. Além disso, o mercado absorve a oferta da safra recorde colhida no Brasil.

    As perspectivas para a produção global também seguem favoráveis. A Argentina avança na colheita, enquanto os Estados Unidos aceleram a semeadura da nova safra. Os embarques brasileiros reforçam a força da demanda internacional. Dados da Secex mostram exportações de 14,82 milhões de toneladas de soja em maio.

    O volume ficou 11,5% abaixo de abril. No entanto, superou em 5,1% o registrado em maio de 2025. De janeiro a maio, o Brasil alcançou um recorde de exportações para o período. O resultado confirma a competitividade da soja brasileira no mercado global.

    Produtores se preparam para vazio sanitário

    No campo, os produtores iniciam os preparativos para o vazio sanitário da soja. A medida busca controlar a ferrugem asiática nas principais regiões produtoras.

    Nos Estados Unidos, o USDA informou que a semeadura da safra 2026/27 atingiu 87% da área prevista. O índice supera a média de 80% dos últimos cinco anos.

    Na Argentina, a colheita alcançou 91,7% da área cultivada. A Bolsa de Cereales manteve a estimativa da safra em 50,1 milhões de toneladas.

    Milho mantém trajetória de queda

    Foto: Seapa/MG

    O mercado de milho iniciou junho com preços em queda na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo pesquisadores, muitos compradores permanecem afastados do mercado spot. Além disso, parte da demanda já possui estoques suficientes para o curto prazo.

    Os consumidores também acompanham o avanço da colheita da segunda safra brasileira. Ao mesmo tempo, observam a queda dos preços internacionais. Esse movimento reduz a paridade de exportação e aumenta a pressão sobre as cotações domésticas.

    Do lado da oferta, produtores sem necessidade imediata de venda limitam os negócios. Com isso, aguardam melhores oportunidades de comercialização. Os vendedores apostam em possíveis sustentação dos preços. Entre os fatores observados estão a menor produção prevista para 2025/26 e os impactos climáticos.

    A seca preocupa principalmente produtores de Goiás e de partes de Mato Grosso do Sul. No Paraná, as geadas também geram atenção sobre a produtividade.

    Mercado externo pressiona cotações

    No cenário internacional, os preços do milho registraram forte queda no começo de junho. A melhora das condições climáticas nos Estados Unidos contribuiu para o movimento. Além disso, a maior oferta na América do Sul ampliou a pressão sobre o mercado.

    A colheita da segunda safra brasileira e a boa produção argentina também pesam sobre as cotações. Por fim, a desvalorização do trigo reforçou a tendência de baixa no mercado global de milho.

  • Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    A produção agrícola brasileira cresce em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, aumentam os desafios relacionados à sanidade vegetal e às exigências dos mercados internacionais. Com esse objetivo, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Corteva Agriscience lançaram uma cartilha sobre pragas quarentenárias. O material orienta produtores rurais sobre prevenção, identificação e manejo desses organismos, que podem comprometer exportações e causar prejuízos ao agronegócio.

    A publicação foi apresentada nesta terça-feira (2), em Brasília, durante a programação que antecede a segunda edição do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja. A iniciativa contou com apoio técnico do engenheiro agrônomo e professor da Universidade de Passo Fundo, Mauro Rizzardi. Além disso, foram realizados treinamentos práticos sobre boas práticas agrícolas por meio do Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A cartilha reúne orientações para produtores, consultores e técnicos do setor. O objetivo é facilitar a identificação das pragas e reforçar medidas preventivas. Além disso, o material busca ampliar a conscientização sobre os impactos econômicos causados por esses organismos. A preocupação se intensificou à medida que a produção brasileira aumentou e a dependência do mercado externo se tornou ainda maior.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pragas quarentenárias são organismos capazes de causar impactos econômicos significativos à agricultura. Entre eles estão insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas. Esses organismos podem ameaçar a sanidade vegetal e gerar restrições comerciais impostas pelos países importadores.

    “As pragas quarentenárias são um tema crítico para a balança comercial brasileira, e a conscientização é o melhor caminho para proteger nossa produtividade”, afirma Jair Maggioni, coordenador de Boas Práticas Agrícolas da Corteva no Brasil.

    Devolução de navios acende alerta no setor

    A preocupação com o tema aumentou após episódios recentes envolvendo cargas brasileiras destinadas à China. Nos últimos meses, 20 navios carregados com grãos foram devolvidos ou tiveram suas operações interrompidas. O motivo foi a identificação de sementes de plantas daninhas e vestígios de organismos considerados indesejáveis pelo país asiático.

    Além dos prejuízos com fretes, multas e reprocessamento das cargas, esses episódios afetam a imagem do Brasil no mercado internacional. Como consequência, compradores podem ampliar exigências sanitárias e reforçar inspeções.

    O impacto é ainda mais relevante porque aproximadamente 80% da soja exportada pelo Brasil tem como destino o mercado chinês. Dessa forma, qualquer restrição pode gerar reflexos em toda a cadeia produtiva.

    A devolução de uma única embarcação pode representar perdas de milhões de dólares. Além disso, há risco de aumento das exigências de fiscalização. Como resultado, o escoamento da safra pode sofrer atrasos e a competitividade brasileira diminuir diante de outros exportadores.

    Para Mauro Rizzardi, a questão ultrapassa os limites da propriedade rural e se transforma em um tema estratégico para o país.

    “Qualquer parte de planta, pólen, semente ou propágulo que possa sobreviver e se reproduzir no ambiente é um potencial dano tanto ao sistema produtivo local ou mesmo ao processo de exportação da produção agrícola”, explica.

    O especialista ressalta que o problema ocorre em duas direções. Enquanto a entrada de novas pragas ameaça a produção nacional, a presença de espécies proibidas em cargas exportadas também pode comprometer mercados já consolidados.

    “Tanto a entrada de pragas quanto a saída delas via exportação de espécies vegetais proibidas no país importador afeta o potencial exportador de grãos do Brasil”, destaca.

    Manejo outonal ganha papel estratégico

    Entre as principais recomendações da cartilha está a adoção do manejo outonal. A prática é realizada durante a entressafra, logo após a colheita das culturas de verão e antes da implantação da nova safra.

    A estratégia envolve o controle de plantas daninhas e das chamadas tigueras. Essas plantas permanecem no campo após a colheita. Por isso, acabam servindo de abrigo para pragas e doenças.

    Assim, a eliminação dessas chamadas “pontes verdes” interrompe ciclos biológicos e reduz a formação de bancos de sementes de espécies invasoras. Consequentemente, diminui o risco de contaminação das futuras lavouras.

    O Brasil projeta colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Diante desse cenário, as medidas preventivas ganham importância estratégica. Afinal, pequenos problemas fitossanitários podem gerar grandes impactos econômicos.

    Perdas estimadas entre 10% e 15% da produção representam prejuízos significativos para produtores e para a economia nacional. Por isso, o manejo realizado na entressafra é apontado como uma ferramenta essencial para proteger a produtividade.

    “É uma janela de segurança vital, cujo objetivo é eliminar as chamadas pontes verdes. Ao realizar o controle químico e o manejo de solo nesse estágio, o produtor interrompe o ciclo de reprodução de plantas daninhas e reduz drasticamente o banco de sementes de invasoras que poderiam comprometer a qualidade do grão futuro”, explica Maggioni.

    Jair Maggioni, coordenador de Boas práticas da Corteva Agriscience; prof Mauro Rizzardi, da Universidade de Passo Fundo; e o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, mostram a cartilha lançada em Brasília – Foto: Divulgação

    De acordo com a Corteva, o manejo realizado logo após a colheita constitui a primeira barreira fitossanitária para evitar que organismos indesejáveis cheguem aos portos de exportação.

    Muitas das sementes de plantas daninhas proibidas em mercados exigentes proliferam justamente nesse período de transição. Portanto, manter a área limpa durante o outono reduz os riscos de contaminação e aumenta a segurança das cargas destinadas ao exterior.

    Capacitação leva conhecimento ao campo

    Além da cartilha, a iniciativa aposta na capacitação prática para ampliar a adoção de boas práticas agrícolas. Durante o evento em Brasília, produtores e técnicos participaram de treinamentos promovidos no Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A unidade móvel utiliza tecnologias interativas para demonstrar técnicas de manejo integrado. Além disso, aborda temas como aplicação correta de defensivos, uso adequado de equipamentos de proteção individual e preservação de áreas de refúgio.

    Para Fabrício Morais Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, o trabalho de conscientização é fundamental para preservar a reputação da soja brasileira nos mercados internacionais.

    “Com esta cartilha, a Aprosoja Brasil continuará com o compromisso assumido de alertar os produtores sobre a identificação equivocada de pragas quarentenárias a fim de manter em alta a reputação da soja brasileira frente aos compradores externos”, afirma.

    O dirigente também destaca a importância da qualificação contínua dos profissionais do setor.

    “Treinamentos como os de boas práticas realizados pela Corteva são essenciais para que possamos capacitar cada vez mais produtores e profissionais do campo para que possam realizar o manejo de pragas e doenças da maneira correta, com o uso racional de insumos e utilizando todas as ferramentas e soluções necessárias”, completa.

    Nesse contexto, a expectativa das entidades é ampliar o alcance das informações e fortalecer a prevenção nas propriedades rurais. Dessa forma, o setor busca reduzir riscos fitossanitários, preservar mercados estratégicos e manter a competitividade da produção brasileira no cenário internacional.

  • Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa a patente nº BR 102024018669-9, oficializando uma tecnologia que pode mudar o manejo de pragas em lavouras de soja e milho. A invenção protege formulações pesticidas de liberação controlada desenvolvidas a partir da lignina, um polímero natural abundante na biodiversidade brasileira.

    Os pesquisadores Silvio Vaz Júnior, da Embrapa Agroenergia, Ângelo Aparecido Barbosa Sussel, da Embrapa Cerrados, e a bolsista de pós-doutorado Flávia Augusta Dias Galarza assinam a inovação. A patente, expedida em 12 de maio de 2026, garante à Embrapa a propriedade da tecnologia por 20 anos, contados a partir de setembro de 2024.

    Da fábrica de celulose para o campo

    A matéria-prima da tecnologia é a lignina Kraft, coproduto da indústria de papel e celulose que normalmente vai para a queima em caldeiras. Ao transformar esse resíduo em suporte para defensivos, os pesquisadores inserem o material na lógica da economia circular e ampliam seu valor tecnológico.

    “O principal objetivo é reduzir os impactos ambientais causados pelos pesticidas sintéticos convencionais”, afirma Silvio Vaz Júnior. Nos métodos tradicionais de pulverização, perdas chegam a 30% por degradação imediata dos princípios ativos. O que leva agricultores a aumentar as doses e contaminar solos e recursos hídricos.

    A lignina atua como matriz protetora: encapsula o pesticida e o libera de forma lenta e gradual nas lavouras. Ela também oferece proteção contra a radiação ultravioleta, que frequentemente degrada pesticidas quimicamente instáveis antes de cumprirem sua função.

    Como a tecnologia funciona

    Para viabilizar o encapsulamento, os pesquisadores submeteram a lignina a modificações químicas, gerando duas variantes: lignina Kraft acetilada (LKA) e lignina Kraft aminada (LKAM). Nos testes laboratoriais, essas versões atingiram índices de encapsulamento entre 80% e 100%.

    As nanopartículas resultantes medem entre 150 e 300 nanômetros, tamanho que favorece a adesão e a absorção pelas plantas. Essa precisão em escala nanométrica garante que o princípio ativo chegue exatamente onde e quando o produtor precisa, com menos desperdício.

    Resultados nos campos de soja e milho

    Em lavouras de soja, o alvo dos testes foi a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), principal doença da cultura no Brasil. A formulação TBZ-LKA reduziu em até 84,85% o número de lesões causadas pelo fungo. Um desempenho comparável ao dos produtos líderes de mercado Tebufort® e Fox Xpro®.

    No milho, os pesquisadores testaram o controle da helmintosporiose (Exserohilum turcicum). O destaque foi a formulação PTZ-LKA, que reduziu a incidência da doença em 97% na primeira avaliação. Mesmo 45 dias após a aplicação, sob condições climáticas favoráveis ao fungo, a tecnologia continuou protegendo as folhas, superando fungicidas comerciais em longevidade e redução de pústulas.

    Além da eficácia prolongada, a análise comparativa mostrou que as formulações de lignina demandam menor massa de fungicida por hectare. “Reduzimos significativamente a carga tóxica lançada no ecossistema”, destaca Silvio.

    Alinhamento com as metas globais de sustentabilidade

    A patente se encaixa nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — especificamente o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). A tecnologia responde à demanda por “intensificação sustentável”: produzir mais alimentos sem ampliar o impacto ambiental.

    O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de celulose, o que garante oferta abundante e barata de lignina Kraft. Esse cenário torna a fabricação das nanoformulações economicamente viável e estrategicamente relevante para a indústria nacional de defensivos.

  • Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Na última quinta-feira (28), a novela “Quem Ama Cuida” ganhou forte repercussão na programação da Globo. A obra atingiu momentos de alta tensão entre os personagens Otoniel e Arthur Brandão, interpretados por Tony Ramos e Antonio Fagundes.

    A  produção alcançou 22,9 pontos de audiência na Grande São Paulo, registrando seu melhor desempenho semanal até o momento.

    No entanto, o que pouca gente sabe, é que o protagonista da trama também tem um “pézinho” no agro. Antonio Fagundes é proprietário de uma fazenda no interior paulista, onde atua no cultivo de soja e milho, dois pilares fundamentais do agronegócio nacional.

    Fazenda Fama I

    A participação do ator no setor rural ocorre através da Fazenda Fama I, localizada entre os municípios de Ourinhos e Salto Grande.

    Antonio afirma exercer posse mansa, pacífica e contínua da propriedade desde 1998. Coincidentemente, esse mesmo período marcou sua atuação na icônica novela “O Rei do Gado”, o que reforça ainda mais sua associação simbólica com o universo rural.

    Imagens aéreas da ‘Fazenda Fama I’ — Foto: Reprodução/Youtube

    Diante do uso produtivo constante da terra e da ausência de contestação, Fagundes ingressou com uma ação de usucapião extraordinária para regularizar o registro oficial do imóvel. O processo ganhou repercussão quando veio a público em 2023.

    Eterno ‘Rei do Gado’ 

    A relação do ator com o universo rural já é antiga. Antonio Fagundes foi protagonista da novela “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa, uma das obras mais marcantes da teledramaturgia brasileira.

    Na trama, ele interpretou duas fases do personagem Antonio Mezenga e, posteriormente, seu neto Bruno Mezenga, figura central do enredo.

    Antonio Fagundes como Bruno Mezenga em ‘O Rei do Gado’ (1996) — Foto: Globo

    Além disso, o próprio ator reconhece o impacto duradouro da produção em sua carreira.

    “Eu sou ‘o rei do gado’ para muita gente, ainda hoje. A novela me marcou pelo resto da vida”, afirmou o veterano.

  • PIB da agropecuária cresce 2% no primeiro trimestre de 2026

    PIB da agropecuária cresce 2% no primeiro trimestre de 2026

    O PIB da agropecuária brasileira começou 2026 em alta e registrou crescimento de 2% no primeiro trimestre na comparação com os últimos três meses de 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Segundo o levantamento, o setor movimentou cerca de R$ 230,4 bilhões entre janeiro e março deste ano. Já na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço do PIB agropecuário foi de 0,7%.

    O desempenho positivo ajudou diretamente o resultado da economia brasileira. Ao todo, o PIB do Brasil alcançou R$ 3,3 trilhões no primeiro trimestre, com crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior.

    Ainda de acordo com o IBGE, o PIB da agropecuária respondeu por aproximadamente 7% de toda a economia brasileira no início de 2026. Além disso, quando entram na conta setores ligados ao agronegócio, como transporte, comércio, agroindústria e produção de insumos, a participação do agro no PIB nacional se torna ainda maior.

    Produção de soja fortaleceu o PIB agropecuário

    O IBGE atribuiu o crescimento do PIB da agropecuária principalmente ao avanço da produção agrícola e ao aumento da produtividade em diversas regiões do país.

    Além disso, as condições climáticas favoráveis impulsionaram o desempenho das lavouras. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) mostraram que a ampliação da área plantada favoreceu especialmente a produção de soja.

    A cultura apresentou aumento de 4,8% na estimativa anual e atingiu um novo recorde na série histórica do levantamento. Com isso, a soja se consolidou como um dos principais motores do crescimento do PIB agropecuário no período.

    Milho e arroz tiveram retração

    Apesar do avanço da soja, algumas culturas importantes registraram queda no começo de 2026. Segundo o IBGE, o milho apresentou recuo de 2,5% na estimativa anual de produção. Já o arroz teve queda de 10,6%.

    Mesmo assim, o resultado geral do PIB da agropecuária permaneceu positivo graças ao desempenho robusto de outras culturas agrícolas.

    Trajetória de crescimento

    Além da agropecuária, outros setores também contribuíram para o avanço da economia nacional no primeiro trimestre.

    A Indústria cresceu 1,0%, enquanto o setor de Serviços avançou 0,5% no período.

    No acumulado dos quatro trimestres encerrados em março de 2026, o PIB brasileiro registrou alta de 2,0% em relação aos quatro trimestres anteriores.

    Já o Valor Adicionado da Agropecuária acumulou crescimento expressivo de 7,5%, reforçando o peso do agronegócio no desempenho econômico do país.

  • Nutrição vegetal avança com foco em eficiência e produtividade

    Nutrição vegetal avança com foco em eficiência e produtividade

    A participação da Yara Brasil na 29ª edição da Showtec Maracaju 2026 reforçou a aposta da companhia em soluções voltadas à produtividade e à sustentabilidade no campo. Durante o evento, realizado entre os dias 19 e 21 de maio, em Maracaju, a empresa apresentou ao mercado o YaraBasa FULL. O fertilizante de alta performance foi desenvolvido para ampliar a eficiência nutricional das lavouras e melhorar a resposta das plantas em situações de estresse.

    A tecnologia foi o principal destaque da companhia na feira. Além disso, chamou atenção pelos resultados obtidos em campo. Segundo a Yara, o produto entrega ganhos médios de até 4,5 sacas por hectare na soja. A solução também promove maior equilíbrio nutricional e eficiência operacional no manejo agrícola.

    Considerado uma evolução do tradicional YaraBasa, o novo fertilizante reúne em um único grânulo a expertise da empresa em NPK, micronutrientes e bioinsumos. Dessa forma, a proposta é oferecer ao produtor uma solução mais completa e eficiente para diferentes cenários produtivos.

    “Estamos diante de uma verdadeira revolução no manejo nutricional das lavouras brasileiras. O YaraBasa FULL nasce da combinação do que temos de mais avançado em pesquisa, tecnologia e ciência aplicada ao campo. Ele entrega fluidez superior, mais eficiência operacional, maior uniformidade e um ganho real na capacidade das plantas responderem ao estresse e se desenvolverem com mais vigor. É um passo decisivo para elevarmos o patamar da produtividade agrícola no país”, afirmou Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia reúne NPK, bioinsumos e micronutrientes

    O YaraBasa FULL utiliza tecnologia patenteada e conta com pH neutro e matérias-primas de alta qualidade. Além disso, o fertilizante recebe revestimento com YaraAmplix OPTIMIZE. Esse processo amplia a eficiência da absorção nutricional e contribui para maior resistência das plantas aos estresses abióticos.

    Toda a produção da solução acontece no Brasil. A granulação é realizada nas unidades de Rio Grande (RS) e Ponta Grossa (PR). Já o recobrimento ocorre nas dez plantas misturadoras da companhia. Para adaptar a estrutura fabril ao novo produto, a empresa investiu R$ 20 milhões.

    A companhia também destacou o alinhamento da nova tecnologia às metas de sustentabilidade. Segundo a Yara, o produto integra o movimento da empresa para ampliar a oferta de fertilizantes com redução mínima de 60% nas emissões de gases de efeito estufa. Em parte do portfólio Climate Choice, essa redução pode chegar a 90%.

    Produtividade e sustentabilidade no centro do debate

    De acordo com a empresa, a eficiência do YaraBasa FULL foi validada em 35 pesquisas de campo e mais de 135 áreas demonstrativas espalhadas pelo Brasil. Durante a Showtec, produtores e profissionais do setor puderam conhecer detalhes sobre formulação, aplicação e desempenho da tecnologia nas lavouras.

    Além disso, a presença da Yara na feira reforçou a estratégia da companhia de ampliar a conexão com produtores rurais. A empresa também apresentou soluções alinhadas às demandas atuais da agricultura moderna. Entre elas, estão produtividade, sustentabilidade e eficiência operacional no campo.

  • Genética adaptada ao campo acelera produtividade no MS

    Genética adaptada ao campo acelera produtividade no MS

    O Mato Grosso do Sul consolidou nos últimos anos uma posição estratégica no agronegócio brasileiro. Um dos maiores produtores de milho safrinha do País, com mais de 3 milhões de hectares cultivados, o Estado também ampliou sua relevância na soja ao combinar expansão de área com ganhos sucessivos de produtividade. Nesse cenário, empresas do setor intensificam investimentos em pesquisa regionalizada e tecnologias adaptadas às condições locais.

    Durante a Showtec Maracaju, realizada entre os dias 19 e 21 de maio, a Corteva Agriscience apresentou novos híbridos, ferramentas de manejo e soluções desenvolvidas especificamente para o ambiente produtivo sul-mato-grossense. O foco da companhia esteve na adaptação genética e na proximidade com o agricultor.

    Segundo Anilcindo Souza Jr., diretor comercial da empresa, o avanço tecnológico observado nas lavouras do Estado acompanha o interesse crescente do produtor rural por ferramentas capazes de elevar produtividade e rentabilidade.

    Tecnologia impulsiona novas estratégias no campo

    “As feiras são oportunidades de estarmos próximos do agricultor e trazer para eles essas novidades. Aqui na Showtec temos todos os nossos agrônomos e representantes comerciais em contato direto com o produtor, mostrando tudo o que temos em milho, soja, biotecnologias e proteção de cultivos”, afirmou.

    O executivo destacou que Mato Grosso do Sul reúne características que exigem materiais específicos para solo e clima da região. De acordo com ele, a presença de uma estação de pesquisa da companhia no Estado fortalece esse processo de desenvolvimento.

     

    Estande da Corteva na Showtec 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “Somos a única empresa que tem efetivamente uma estação de pesquisa no Mato Grosso do Sul. Isso contribui para trazer produtos cada vez mais adaptados para essa região”, ressaltou.

    Entre os destaques apresentados na feira está o lançamento do híbrido P35200, da marca Pioneer, desenvolvido para as condições de cultivo do Centro-Oeste. Conforme Souza Jr., o material foi criado para ampliar o potencial produtivo do agricultor local, com adaptação às características climáticas da região.

    Outro lançamento enfatizado pela companhia foi o B2602, da Brevant, voltado ao milho safrinha. O híbrido chega ao mercado com foco em segurança produtiva e maior teto de rendimento, além de tolerância às principais doenças favorecidas pelo clima sul-mato-grossense.

    Pesquisa começa antes do plantio

    O desenvolvimento de novos híbridos envolve um longo processo técnico. Segundo Anilcindo Souza Jr., a criação de um material adaptado ao campo pode levar entre cinco e sete anos, desde os primeiros cruzamentos genéticos até o lançamento comercial.

    O diretor comercial explicou que os agricultores participam das etapas de validação desde os primeiros anos de testes em propriedades parceiras. Nessas áreas, os materiais são avaliados em condições reais de cultivo até chegarem ao mercado.

    “A partir do terceiro ano iniciamos os testes nas fazendas parceiras, onde o agricultor começa a ter contato com esses produtos. Eles participam efetivamente desde o desenvolvimento até o lançamento”, explicou.

    Além do P35200, a Pioneer também levou para a Showtec o híbrido P30053, igualmente desenvolvido dentro da rede de pesquisa regional da companhia. Os materiais passaram por avaliações em propriedades rurais do Estado antes de serem disponibilizados comercialmente.

    A Brevant também apresentou híbridos voltados ao sistema produtivo sul-mato-grossense, incluindo materiais destinados tanto à safrinha quanto ao milho verão. A estratégia da empresa está baseada na regionalização das soluções, considerando desafios específicos de cada ambiente produtivo.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologias avançam no campo

    Além das sementes, a Corteva apresentou soluções em biológicos, tratamento de sementes, defensivos químicos e manejo integrado. A empresa também destacou o crescimento da demanda dos produtores por inovação, fenômeno observado no aumento do número de feiras e eventos do agro no País.

    Para Souza Jr., a busca do agricultor por novas ferramentas está diretamente ligada à necessidade de manter competitividade e estabilidade produtiva diante dos desafios climáticos e fitossanitários.

    Na área de proteção de cultivos, a companhia apresentou novas tecnologias para controle de doenças, plantas daninhas, insetos e nematoides. O portfólio inclui soluções para soja, milho e sorgo, culturas que sustentam boa parte da produção agrícola sul-mato-grossense.

    Outro destaque da participação da empresa na feira foi a ampliação do programa Incrementa MS, iniciativa realizada em parceria com entidades do setor e o Governo do Estado. O projeto busca elevar os índices de produtividade agrícola por meio de práticas agronômicas adaptadas à realidade regional.

    Inicialmente voltado ao milho, o programa passou a incluir também a soja dentro do sistema produtivo estadual. Segundo a companhia, os primeiros resultados já apontam ganhos relacionados ao manejo técnico alinhado às condições climáticas locais.

    Com protagonismo crescente na produção nacional de grãos, Mato Grosso do Sul segue ampliando investimentos em tecnologia, pesquisa e inovação. A presença de empresas focadas em desenvolvimento regional reforça o papel estratégico do Estado na produção agrícola brasileira.

  • Showtec 2026 consolida avanço do Incrementa MS no agro

    Showtec 2026 consolida avanço do Incrementa MS no agro

    A 29ª edição da Showtec, realizada entre os dias 19 e 21 de maio, em Maracaju (MS), consolidou mais uma vez o protagonismo do agronegócio sul-mato-grossense. O evento reuniu produtores rurais, pesquisadores, técnicos, lideranças políticas e representantes do setor produtivo. Em meio às discussões sobre inovação e desenvolvimento agrícola, o programa Incrementa MS surgiu como um dos principais destaques da feira organizada pela Fundação MS.

    Reconhecida como o maior evento agropecuário de Mato Grosso do Sul, a Showtec se firmou ao longo dos anos como um ambiente estratégico para apresentação de soluções voltadas à realidade do campo. Em 2025, o evento recebeu cerca de 25 mil visitantes. Assim, reforçou sua relevância como vitrine de tecnologia, relacionamento e negócios para o Estado e regiões vizinhas.

    A abertura oficial contou com a presença do presidente da Fundação MS, Daniel Franco Pereira; do presidente do Sistema OCB/MS, Celso Ramos Régis; do primeiro-secretário da Famasul, Fábio Olegário Caminha, representando Marcelo Bertoni; do diretor da Aprosoja/MS, Sérgio Marcon; do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, acompanhado do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha; além do prefeito de Maracaju, Marcos Calderan, parlamentares, secretários, representantes da Embrapa e prefeitos de cidades vizinhas.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Patrocinadora diamante da feira, a Corteva Agriscience aproveitou o evento para apresentar a evolução do Incrementa MS. O programa foi criado em parceria com o Governo do Estado, Aprosoja/MS, Fundação MS e Fundação Chapadão. O foco é ampliar a produtividade agrícola por meio de um modelo técnico e agronômico escalável.

    Segundo Daniel Franco Pereira, o projeto já começa a demonstrar resultados importantes em sua segunda safra. “O Incrementa MS está indo para sua segunda safra e com certeza vai trazer muitos frutos. O Mato Grosso do Sul é indutor do crescimento. Os investimentos vêm da iniciativa privada, do produtor, com o apoio do Estado. A iniciativa privada se sente confortável em fazer os investimentos”, afirmou.

    Pesquisa e tecnologia impulsionam o agro

    O presidente da Fundação MS também destacou a importância da pesquisa e da difusão tecnológica para acompanhar a expansão agrícola do Estado. De acordo com ele, Mato Grosso do Sul saltou de 3 milhões de hectares agricultáveis há cerca de dez anos para 4,8 milhões atualmente, conforme dados da Aprosoja/MS.

    Além disso, a Fundação MS ampliou sua estrutura técnica para atender às demandas do setor. Em 2020, a instituição contava com quatro pesquisadores. Hoje, são sete profissionais dedicados ao desenvolvimento de soluções voltadas ao produtor rural.

    Daniel ainda ressaltou o trabalho desenvolvido em parceria com a Corteva. “O Incrementa MS está indo para sua segunda safra e com certeza vai trazer muitos frutos. Em nome do Augusto Moraes, diretor de relações públicas, agradeço à Corteva para que possamos trilhar um caminho de prosperidade, sustentabilidade, equilíbrio e previsibilidade”, declarou.

    A Fundação MS também destacou as ações sociais e educacionais realizadas durante a feira. Entre elas, estão as visitas de crianças por meio do projeto Agrinho. A iniciativa promove conscientização sobre agronegócio, meio ambiente e produção sustentável.

    Para Sérgio Marcon, diretor da Aprosoja/MS, a ciência segue como ferramenta essencial para enfrentar os desafios do setor. “A Showtec representa muito mais que um encontro técnico. Ela representa a força da ciência no campo. Vivemos tempos desafiadores, com clima instável, mercados exigentes e necessidade constante de produzir mais com responsabilidade. Diante disso tudo, a ciência continua sendo nosso principal caminho”, afirmou.

    Segundo ele, o evento reforça a união entre produtores, pesquisa e inovação. Além disso, evidencia a importância de Maracaju como referência nacional em produção agrícola.

    Incrementa MS aposta em produtividade e manejo

    Originalmente desenvolvido para ampliar o potencial produtivo do milho, o Incrementa MS passou a incorporar também a cultura da soja dentro do sistema produtivo regional. Em função do calendário agrícola de Mato Grosso do Sul, a etapa inicial do projeto piloto contemplou exclusivamente a soja.

    Augusto Morais, diretor de Relações Institucionais da Corteva – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Na primeira fase, cerca de 30 agricultores participaram das validações a campo. De acordo com Augusto Morais, diretor de Relações Institucionais da Corteva, os primeiros resultados já demonstram avanço relevante.

    “Comparando o nosso modelo com o modelo do produtor, vimos um aumento de três sacas por hectare na soja. Quando comparado à média do Estado, esse ganho sobe para cinco sacas”, explicou.

    O executivo ressaltou que o programa nasceu a partir de uma articulação entre setor produtivo, governo e instituições de pesquisa. Segundo ele, a iniciativa ganhou força após incentivo da senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

    “Fomos provocados pela senadora Tereza Cristina ao pedir apoio e uma solução para aumentar o teto produtivo do Estado. Esse programa é trabalhado por muitas mãos e diversas parcerias”, afirmou.

    Além disso, Augusto Morais destacou uma experiência desenvolvida anteriormente na Fazenda Boa Vista, da família Pignatari, em Ponta Porã. A propriedade serviu como referência para o modelo adotado no Incrementa MS. Na área, o sistema intensivo baseado em tecnologia alcançou produtividade cerca de 50 sacas acima da média nacional na safrinha passada.

    “A gente acredita na capacidade de transformação desse programa. Quando o ganho de produtividade dá certo, ele deixa de ser exceção e passa a ser padrão”, disse.

    Programa reúne pesquisa aplicada e validação no campo

    O Incrementa MS atua em três frentes principais: implementação de sistemas tecnológicos em propriedades rurais, condução de protocolos de pesquisa e padronização na coleta e consolidação de dados agronômicos.

    Ao todo, a Corteva desenvolveu 38 protocolos em oito disciplinas técnicas. Os trabalhos são conduzidos por equipes da Fundação MS e da Fundação Chapadão. Os estudos avaliam variáveis como sanidade das plantas, qualidade de estande, estabilidade produtiva e desempenho em diferentes ambientes agrícolas.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Na soja, os protocolos avaliam cultivares adaptadas à região, seguindo recomendações técnicas de população, janela e operacional. Já no milho, as ações previstas para a safrinha envolvem híbridos com foco em performance e estabilidade. Além disso, consideram riscos climáticos e pressão biótica.

    Durante a cerimônia, o governador Eduardo Riedel também destacou o papel das instituições que sustentam a Fundação MS. “Nesses quase 30 anos de Showtec, a gente vê uma transformação enorme feita no campo sul-mato-grossense, baseada em conhecimento, ciência, produtividade e sustentabilidade. Levantar a cabeça e olhar para os próximos 30 anos, não tenho medo de errar ao dizer que o Brasil é o Brasil do agro”, declarou.

    Com a expansão do Incrementa MS e os primeiros resultados positivos no campo, o programa passa a ocupar posição estratégica dentro das discussões sobre produtividade agrícola em Mato Grosso do Sul. Dessa forma, reúne produtores, empresas, governo e instituições de pesquisa em torno de um objetivo comum: produzir mais, com eficiência e sustentabilidade.