Tag: soja

  • Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Você, produtor, já sentiu essa freada no mercado de soja? O USDA jogou um balde de água fria nos números americanos. As vendas externas despencaram 18% no acumulado, e isso mexe direto no tabuleiro global do grão.

    Como a queda na soja americana impacta a sua safra?
    (Foto: Embrapa)

    Números que preocupam o produtor

    Na semana encerrada em 16 de abril, os EUA venderam 364,6 mil toneladas de soja. O volume cresceu 47% ante a semana anterior, mas ficou 7% abaixo da média das últimas quatro semanas. O Japão liderou as compras, embora o mercado contasse com algo entre 200 mil e 600 mil toneladas.

    O acumulado da temporada pinta o quadro real. Os americanos bateram 38,517 milhões de toneladas até agora, 18% menos que no mesmo período do ano passado.

    Soja patina, milho dispara

    Enquanto a soja americana engasga, o milho decola. Os EUA exportaram 1,316 milhão de toneladas na mesma semana, puxados pela Coreia do Sul, e o total da temporada já supera o ano anterior em 28%.

    Esse descompasso cria instabilidade. O Brasil ganha espaço, especialmente na China, mas a concorrência acirrada pressiona preços e estoques em todo lado.

    Motivos da freada nos EUA

    Tarifas entre EUA e China travam as compras chinesas de soja americana. Produtores do outro lado do oceano lidam com estoques parados e vendas mornas para a nova safra.

    O USDA estima exportações totais em 41,9 milhões de toneladas pros EUA. Aqui no Brasil, isso impulsiona nossos embarques, mas aperta a oferta interna para esmagamento.

    Oportunidade e risco para o Brasil

    Nossos exportadores avançam na Ásia com força. No entanto, esse ritmo acelerado pode encarecer o grão para a indústria local e corroer margens no esmagamento. Fique ligado nos próximos dados do USDA. Uma virada americana ameaça nossa fatia, mas por ora, o jogo favorece quem embarca mais rápido

  • Preço da soja recua com dólar e safra recorde

    Preço da soja recua com dólar e safra recorde

    Os preços da soja caíram no Brasil na última semana, pressionados pelo câmbio e pela oferta elevada. A desvalorização do dólar frente ao Real reduziu a competitividade das exportações e impactou as cotações internas.

    Além disso, a expectativa de safra recorde ampliou a disponibilidade e limitou a liquidez no mercado. Segundo o Cepea, agentes atuam com cautela e aguardam melhores oportunidades de negociação.

    As projeções indicam aumento da oferta doméstica, o que reforça a pressão sobre os preços. De acordo com a Conab, a safra 2025/26 deve ocupar 48,47 milhões de hectares. A área representa alta de 2,4% em relação ao ciclo anterior.

    A produtividade média pode atingir 3.696 kg por hectare, avanço de 2%. Com isso, a produção nacional pode chegar a 179,15 milhões de toneladas. O volume indica crescimento de 4,5% e estabelece novo recorde no País.

    No campo, a colheita já alcança 85,7% da área total. Estados como Mato Grosso e Paraná já concluíram os trabalhos.

    Por outro lado, produtores enfrentam problemas no Rio Grande do Sul devido às chuvas irregulares. A instabilidade climática comprometeu a produtividade em parte das lavouras.

    Milho recua com oferta maior e pressão compradora

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    Os preços do milho também caíram no Brasil na última semana, influenciados pelo aumento da oferta. Compradores pressionaram as cotações e intensificaram o movimento de baixa no mercado interno. Segundo o Cepea, o dólar mais fraco reforçou a queda no mercado spot.

    Na parcial de abril, até o dia 16, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa recuou 4,8%. Com isso, o indicador voltou aos níveis registrados em janeiro deste ano.

    Os consumidores acompanham o avanço da colheita da safra de verão. Eles também observam a melhora do clima para o desenvolvimento da segunda safra. Além disso, a queda do dólar reduz a paridade de exportação e limita os preços internos.

    Diante desse cenário, compradores negociam de forma pontual. Eles atuam apenas para recompor estoques ou quando encontram preços mais baixos.

    Do lado vendedor, alguns agentes mostram maior flexibilidade nas negociações. Mesmo assim, muitos ainda enfrentam dificuldades para comercializar grandes volumes.

  • Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    A produção de grãos no Brasil pode alcançar 356,3 milhões de toneladas na safra 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou os dados no 7º Levantamento de Grãos.

    O volume estimado indica aumento de 4,1 milhões de toneladas frente à safra 2024/25. Além disso, o resultado supera em 2,9 milhões de toneladas o levantamento anterior. Caso se confirme, a produção marcará um novo recorde histórico no país.

    Área e produtividade

    A área plantada deve crescer 2% e atingir 83,3 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade média deve cair 0,8%, chegando a 4.276 quilos por hectare. Mesmo com a leve queda, o índice representa o segundo melhor desempenho da série histórica.

    O presidente interino da Conab, Sílvio Porto, destaca investimentos federais no setor. Segundo ele, os planos safras fortalecem a agricultura empresarial e familiar.

    Além disso, Porto ressalta o bom desempenho da primeira safra de milho. A colheita supera 3 milhões de toneladas e avança para a fase final. Ele também projeta expectativa positiva para a segunda safra do cereal.

    Soja

    A produção de soja pode atingir recorde de 179,2 milhões de toneladas. A redução das chuvas em março favoreceu o avanço da colheita.

    Atualmente, os produtores já colheram 85,7% da área plantada. A produtividade média nacional da oleaginosa alcança 3.696 quilos por hectare. Mesmo com desempenho menor em alguns estados, o índice é o maior já registrado.

    Milho

    Para o milho, a Conab projeta produção total de 139,6 milhões de toneladas. O volume representa queda de 1,1% em relação ao ciclo anterior.

    A primeira safra cresce em área e pode alcançar 28 milhões de toneladas. Já a segunda safra deve somar 109,1 milhões de toneladas, com recuo de 3,6%.

    A semeadura do segundo ciclo está quase concluída em todo o país. As lavouras apresentam estágios que variam da germinação à floração. Porto afirma que a estimativa atual adota postura conservadora. Segundo ele, condições climáticas favoráveis podem elevar a produção final.

    Arroz

    A produção de arroz deve cair para 11,1 milhões de toneladas na safra atual. O volume representa redução de 12,9% frente ao ciclo passado. A queda ocorre devido à redução de 13,1% na área plantada. Além disso, condições climáticas desfavoráveis afetaram algumas lavouras.

    A colheita avança nos principais estados produtores. No Rio Grande do Sul, o índice chega a 72%. Em Santa Catarina, a colheita atinge 93%. No Tocantins, o avanço alcança 52%.

    Feijão

    A produção de feijão deve totalizar 2,9 milhões de toneladas. O volume indica queda de 5,2% em comparação à safra anterior. Mesmo assim, a produção prevista garante o abastecimento interno.

    Algodão

    Para o algodão, a estimativa aponta 3,8 milhões de toneladas de pluma. O volume representa recuo de 5,8% frente ao ciclo anterior.

    A área plantada deve cair 2,1% e atingir 2 milhões de hectares. Apesar disso, as condições climáticas favorecem o desenvolvimento das lavouras.

    Mercado

    No mercado, a Conab ajusta os estoques de passagem de milho. A previsão indica volume de 12,8 milhões de toneladas até janeiro de 2027.

    As exportações seguem estimadas em 46,5 milhões de toneladas. Já o consumo interno deve alcançar 96,5 milhões de toneladas.

  • Mercado da soja: grão segue valorizado e óleo recua

    Mercado da soja: grão segue valorizado e óleo recua

    A demanda internacional aquecida sustentou os preços do farelo e da soja em grão na última semana. Enquanto isso, o óleo de soja registrou queda no mercado externo, influenciado pela desvalorização do petróleo.

    No Brasil, os preços do complexo soja recuaram levemente, conforme dados do Cepea. Esse movimento ocorreu devido ao aumento da oferta e à queda do dólar frente ao real. Além disso, esse cenário reduziu a competitividade das exportações brasileiras.

    Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 14,51 milhões de toneladas de soja em março. O volume mais que dobrou em relação a fevereiro, com alta de 105,29%. Por outro lado, o resultado apresentou leve queda de 0,96% frente a março de 2025. As exportações de farelo de soja seguiram aquecidas ao longo do período. Segundo a Secex, o país embarcou 1,92 milhão de toneladas em março, recorde para o mês.

    Já os embarques de óleo de soja somaram 176,91 mil toneladas em março.O volume caiu 13,02% em relação ao mês anterior.

    Os pesquisadores do Cepea apontam que a menor demanda internacional pressionou os embarques. Entre os fatores, destacam-se a redução das compras de Índia e Uruguai. Além disso, a ausência da China também contribuiu para a queda nas exportações.

  • Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Em um cenário de margens mais apertadas no campo, cada detalhe da operação passou a impactar diretamente o bolso do produtor. Na 23ª Tecnoshow Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), realizada em Rio Verde (GO), a pesagem de cargas ganhou protagonismo como ferramenta estratégica para garantir controle, evitar perdas e reduzir riscos. Segundo Paulo Faber, especialista em soluções de pesagem da Toledo do Brasil, a balança rodoviária deixou de ser apenas um equipamento e se tornou parte essencial da gestão dentro da propriedade rural.

    “A balança traz controle de tudo o que entra e tudo o que sai da fazenda”, afirmou. De acordo com ele, o monitoramento começa ainda na chegada de insumos, como fertilizantes e matéria-prima, e segue até a saída da produção, como soja e milho destinados à comercialização.

    Esse acompanhamento, explicou, permite ao produtor maior precisão nas negociações e reduz a dependência de pesagens externas, que podem abrir margem para divergências. Nesse contexto, a tecnologia atua diretamente na proteção da rentabilidade. “Quando a pesagem é feita dentro da propriedade, o produtor reduz riscos de desvios ou fraudes”, destacou.

    Controle interno e mais eficiência na operação

    A profissionalização das fazendas no Centro-Oeste tem impulsionado a adoção de sistemas mais robustos de gestão. Além disso, a digitalização da pesagem permite integrar os dados a plataformas de controle, eliminando anotações manuais e tornando o processo auditável em tempo real.

    Esse avanço acompanha o crescimento da produção agrícola em Goiás, onde soja e milho dominam a maior parte da safra. Por isso, qualquer erro no carregamento ou transporte deixa de ser apenas um detalhe operacional e passa a representar prejuízo financeiro direto.

    Paulo Faber – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, a balança rodoviária funciona como um ponto de controle estratégico dentro da propriedade. Ao registrar com precisão o peso das cargas, o produtor consegue gerenciar melhor estoques, acompanhar fluxos logísticos e tomar decisões mais assertivas ao longo da safra.

    Segurança jurídica e preservação das rodovias

    Outro ponto de atenção envolve o transporte de cargas. O excesso de peso em caminhões pode gerar multas e responsabilizar diretamente o produtor rural. Atualmente, a fiscalização não recai mais apenas sobre o motorista, mas sobre a origem da carga.

    “O controle de peso por eixo é exigido, e quem responde por isso é o embarcador”, explicou Faber. Ou seja, sem a pesagem correta na fazenda, o produtor corre o risco de arcar com penalidades por sobrecarga.

    Além disso, o excesso de peso compromete a conservação das rodovias, aumentando custos públicos e logísticos. Dessa forma, o uso de balanças contribui não apenas para a segurança da operação, mas também para a durabilidade da infraestrutura de transporte.

    Automação e novos recursos ampliam o controle

    Durante a Tecnoshow Comigo, a Toledo do Brasil apresentou soluções que vão além da pesagem tradicional. Entre os destaques está a automação do processo, que reduz a interferência humana e aumenta a confiabilidade dos dados.

    Com o uso de tags eletrônicas, por exemplo, o caminhoneiro realiza todo o processo de pesagem de forma automática, desde a entrada até a saída da propriedade. Assim, o sistema registra todas as informações com precisão e agilidade.

    Outro lançamento apresentado foi um medidor de umidade de grãos, tecnologia que complementa o controle da produção. A umidade interfere diretamente no peso final e, consequentemente, no valor comercial do produto.

    “Antes da venda, é fundamental entender a umidade do grão, porque isso impacta diretamente na rentabilidade”, ressaltou.

    Gestão mais precisa em um agro mais exigente

    A adoção de tecnologias de pesagem reflete uma mudança no perfil do produtor rural, cada vez mais orientado por dados e eficiência. Em um ambiente de custos elevados e maior pressão por resultados, controlar processos se tornou indispensável.

    Dessa forma, a balança rodoviária deixa de ser apenas um equipamento operacional e passa a ocupar papel estratégico dentro da propriedade. Ao garantir precisão, transparência e segurança, a tecnologia contribui para um agro mais profissional e preparado para os desafios do mercado.

    “Hoje, mais do que nunca, o produtor precisa ter controle total da operação. É isso que garante competitividade”, concluiu Faber.

  • Eficiência vira prioridade em meio à alta dos custos no agro

    Eficiência vira prioridade em meio à alta dos custos no agro

    A 23ª edição da Tecnoshow Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), realizada em Rio Verde (GO), começou sob o desafio de superar os resultados do ano anterior em um cenário econômico mais restritivo. Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (8), o diretor de insumos da Comigo e coordenador geral do evento, Cláudio Teoro, e o presidente executivo da cooperativa, Dourivan Cruvinel, destacaram que a feira mantém o compromisso com inovação, conforto e geração de conhecimento, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.

    Segundo os dirigentes, a evolução da Tecnoshow ao longo dos anos superou as expectativas iniciais. “Nunca passava pela cabeça que a feira tomaria essa proporção”, afirmaram. Além disso, reforçaram que a organização busca aprimorar cada edição, com foco em estrutura, segurança, alimentação e higiene, mantendo o padrão de excelência que marca o evento.

    Cenário econômico impõe cautela

    Apesar do otimismo com a realização da feira, o momento exige prudência. O setor agropecuário, assim como a indústria, enfrenta desafios relacionados ao endividamento dos produtores, à queda nos preços da soja e às altas taxas de juros.

    Presidente executivo da cooperativa, Dourivan Cruvinel e o diretor de insumos da Comigo e coordenador geral do evento, Cláudio Teoro durante coletiva de imprensa – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Nesse contexto, a expectativa é de redução no volume de negócios em relação a anos anteriores. Ainda assim, os produtores seguem presentes e demonstram interesse, principalmente na aquisição de insumos, considerados essenciais para a produção.

    “Estamos em um ano de comprar somente o necessário”, destacaram. Por outro lado, empresas expositoras têm buscado oferecer condições comerciais mais atrativas, na tentativa de estimular as negociações.

    O aumento recente no preço de fertilizantes, especialmente os fosfatados, também pressiona os custos de produção. Ainda assim, a feira mantém seu papel não apenas comercial, mas também técnico, ao apresentar inovações, tecnologias e promover a troca de conhecimento por meio de palestras e espaços como o pavilhão de startups.

    Cooperativismo e investimento sustentam crescimento

    A Comigo segue ampliando sua atuação no estado de Goiás, com investimentos contínuos em infraestrutura. Atualmente, a cooperativa já responde por cerca de 20% da soja produzida no estado e se consolidou como a maior armazenadora de grãos da região.

    Entre os projetos em andamento estão a abertura de novas lojas, ampliação da capacidade de armazenagem e a implantação de uma esmagadora de grãos, que deve dobrar o faturamento da cooperativa. Para os próximos anos, a meta inclui a construção de novas unidades e armazéns.

    Além disso, a cooperativa conta com cerca de 13 mil cooperados e atua fortemente na geração e difusão de conhecimento. Em parceria com universidades e pesquisadores, desenvolve estudos que posteriormente são levados ao campo, contribuindo para ganhos de produtividade.

    “Essa é uma vitrine tecnológica. O conhecimento gerado aqui chega ao produtor e se transforma em resultado”, destacaram.

    Tecnologia e gestão ganham protagonismo

    Diante de um cenário de margens mais apertadas, a busca por eficiência se torna essencial. Os dirigentes reforçaram que produtividade e gestão caminham juntas e que, em muitos casos, melhorias no manejo não implicam aumento de custos, podendo, inclusive, gerar economia.

    Ao mesmo tempo, fatores de mercado continuam determinando os preços, seguindo a lógica de oferta e demanda. A atual crise de liquidez global, segundo eles, pode impactar o setor no curto prazo, mas a tendência de aumento na demanda por alimentos permanece.

    “Não vemos redução na produção de grãos ou carne. O que ocorre é um aumento de produção em áreas menores, com mais tecnologia”, afirmaram.

    Estande da Comigo na Tecnoshow 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    A segunda safra também foi tema da coletiva. O atraso no plantio da soja comprometeu a janela ideal do milho, mas as chuvas recentes melhoraram as perspectivas. “A agricultura é uma empresa a céu aberto. Houve atraso, mas choveu, e isso pode garantir uma boa safra”, avaliaram.

    Sustentabilidade e diversificação ganham espaço

    A Comigo também investe em sustentabilidade energética desde a década de 1980, com o plantio de eucalipto para abastecimento de biomassa. A iniciativa garante autonomia e reforça o compromisso ambiental da cooperativa.

    Além disso, a diversificação de renda tem ganhado espaço entre os produtores, impulsionada pela chegada de novas indústrias na região, como usinas e plantas de processamento. Para os dirigentes, essa estratégia fortalece o produtor frente às oscilações do mercado.

    “O produtor não precisa mudar de cultura, mas pode diversificar sua renda”, destacaram.

    Público e negócios

    Nos primeiros dias de evento, a Tecnoshow registrou público expressivo, com cerca de 16 mil visitantes no primeiro dia e quase 24 mil no segundo. No entanto, a organização optou por não divulgar projeções de volume de negócios neste ano, adotando uma postura mais conservadora diante do cenário atual.

    Ainda assim, o volume de operações no segmento de insumos da cooperativa já se aproxima do registrado em 2025, o que demonstra a confiança dos produtores na instituição, que acumula mais de 50 anos de atuação.

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    A Corteva Agriscience apresentou, nesta terça-feira (7), durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), o Reklemel, nova tecnologia voltada ao manejo de nematoides no solo. O produto surge como resposta a um problema bilionário no campo. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas podem chegar a R$ 35 bilhões por ano no Brasil. Os nematoides atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

    Além disso, a proposta da empresa é oferecer controle seletivo dos fitonematoides. Dessa forma, a tecnologia preserva a biota do solo e contribui para o aumento da produtividade. O lançamento foi apresentado como uma nova ferramenta dentro do manejo integrado.

    Durante coletiva, o Líder de Portfólio de Inseticidas e Nematicidas da Corteva para Brasil e Paraguai, Thomas Scott, destacou que o Reklemel representa um avanço importante. Isso ocorre porque o produto atua com um novo modo de ação e um grupo químico inédito no mercado. “Hoje, muitos produtores ainda não diferenciam nematoides benéficos dos prejudiciais. O diferencial da tecnologia é eliminar o fitonematoide e manter os organismos que contribuem para a saúde do solo”, afirmou.

    Os nematoides são vermes microscópicos, de corpo cilíndrico, presentes no solo. No entanto, nem todos causam danos. Cerca de 70% são de vida livre e exercem papel importante na decomposição da matéria orgânica. Além disso, ajudam na ciclagem de nutrientes. Por outro lado, os fitonematoides parasitam plantas. Eles formam galhas nas raízes e reduzem a absorção de água e nutrientes.

    Manejo integrado ganha reforço com nova tecnologia

    A cientista de campo da Corteva, Marina Gomes, que participou do desenvolvimento da solução, explicou que o Reklemel atua como uma ferramenta complementar. Segundo ela, o produto protege o sistema radicular da planta. Ao mesmo tempo, mantém a microbiota do solo ativa. “Isso permite que fungos e outros agentes biológicos continuem contribuindo para o controle natural das pragas”, disse.

    Além disso, o uso combinado com soluções biológicas já adotadas pelo produtor potencializa os resultados. A aplicação do produto é feita diretamente no sulco de plantio. Dessa forma, a tecnologia permanece próxima à raiz. Isso aumenta a eficiência e reduz a quantidade utilizada por hectare.

    “Como a aplicação é concentrada no local de desenvolvimento da planta, o manejo se torna mais eficiente. Além disso, há redução de custos e maior sustentabilidade no sistema produtivo”, acrescentou Scott.

    O lançamento contempla diferentes culturas agrícolas. A molécula chega ao mercado sob três marcas. Lormelo é voltado para soja, milho, algodão e sorgo. Já o Salibro atende hortifrúti e café. Por fim, o Yeldana foi desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

    Problema generalizado exige estratégia contínua

    Atualmente, todas as culturas agrícolas são suscetíveis aos nematoides. No entanto, o nível de impacto varia conforme a espécie e a região. Por isso, o manejo adequado depende da identificação correta do tipo de nematoide presente na área.

    Além disso, o avanço da praga tem exigido maior adoção de tecnologias no campo. Regiões do Cerrado, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso, já apresentam uso mais intensivo das soluções. Dessa forma, o controle se torna mais eficiente ao longo do tempo.

    Marina e Thomas durante apresentação do Reklemel na 26ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A recomendação técnica é manter o manejo de forma contínua. Ou seja, ao longo dos ciclos produtivos e nos diferentes talhões da propriedade. “Quanto mais longo o manejo, melhores são os resultados. Não é uma solução pontual, mas um trabalho contínuo de construção da saúde do solo”, explicou Marina.

    Por fim, o uso de práticas integradas segue como estratégia essencial. Entre elas, estão a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos e o monitoramento constante. Assim, o produtor consegue reduzir os impactos dos nematoides e manter a produtividade.

    Com o Reklemel, a Corteva aposta em uma abordagem mais equilibrada. A tecnologia alia eficiência no controle dos fitonematoides à preservação dos organismos benéficos. A expectativa é ampliar as possibilidades de manejo e fortalecer sistemas produtivos mais sustentáveis no longo prazo.

  • Soja perde força com pressão do mercado global

    Soja perde força com pressão do mercado global

    A alta dos preços da soja foi interrompida no Brasil na última semana. O movimento refletiu a queda das cotações no mercado internacional. A maior oferta na América do Sul pressionou os preços externos. Além disso, o mercado reagiu às expectativas de expansão da área nos Estados Unidos.

    Segundo os pesquisadores do Cepea, o Brasil acompanhou a tendência externa. A desvalorização do dólar frente ao Real intensificou a queda interna.  Até então, os preços da soja estavam firmes no país. O conflito no Oriente Médio e a valorização do óleo sustentavam os valores.

    Óleo e farelo de soja

    No mercado doméstico, o óleo de soja segue em alta.  Os preços operam nos mesmos patamares registrados em novembro do ano passado. A demanda aquecida para biodiesel impulsiona o derivado no Brasil. Com isso, o óleo mantém valorização mesmo com a queda do grão.

    Por outro lado, o farelo de soja continua em trajetória de baixa. Consumidores relatam estoques suficientes até meados de abril. Assim, esses agentes evitam novas compras no curto prazo. Eles também aguardam preços mais baixos nas próximas semanas.

    A maior demanda por óleo pode elevar a oferta de farelo. Esse cenário tende a pressionar ainda mais as cotações do derivado. Para cada tonelada de soja processada, a indústria gera subprodutos relevantes. O volume inclui cerca de 190 quilos de óleo e 780 quilos de farelo.

    Milho

    No mercado de milho, o cenário foi de sustentação nos preços. O ambiente externo incerto influenciou o comportamento dos agentes. A volatilidade do petróleo e o frete mais caro afetaram as negociações. Diante disso, vendedores se afastaram do mercado spot.

    Com menor oferta, os negócios ocorreram de forma limitada. Os preços registraram apenas pequenas variações ao longo da semana. Em Campinas, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa voltou a se sustentar. Na semana anterior, o indicador havia registrado queda.

    No campo, o clima favoreceu o avanço da colheita da primeira safra. Além disso, produtores intensificaram a semeadura da segunda safra. No cenário internacional, os preços do milho recuaram. O movimento refletiu especulações sobre o conflito no Irã. A possível redução das tensões pressionou o petróleo. Consequentemente, os valores do milho também caíram, especialmente no dia 1º.

  • El Niño 2026 pressiona agro e acende alerta para inflação no Brasil

    El Niño 2026 pressiona agro e acende alerta para inflação no Brasil

    O avanço das projeções para um novo episódio de El Niño em 2026 começa a ganhar espaço nas análises do mercado brasileiro e já influencia decisões em dois setores estratégicos: agronegócio e energia.

    Com probabilidade superior a 60% de formação no inverno e possibilidade de atingir cerca de 80% no segundo semestre, o fenômeno deixa de ser um cenário alternativo e passa a ser considerado um fator relevante de risco econômico.

    Impactos no campo devem variar por região

    No agronegócio, o El Niño altera o regime de chuvas de forma desigual entre as regiões do país.

    No Sul, o aumento das precipitações tende a favorecer culturas como soja e milho, elevando o potencial produtivo. Ainda assim, o excesso de chuva pode comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a colheita.

    No Centro-Oeste, principal região produtora do Brasil, o risco está no atraso das chuvas. Esse cenário pode prejudicar o plantio da soja e reduzir a janela da segunda safra de milho, responsável por cerca de 75% da produção nacional.

    Já nas regiões Norte e Nordeste, a redução das chuvas aumenta o risco de perdas em culturas básicas e pressiona a pecuária.

    Volatilidade climática aumenta custos e riscos

    Além da distribuição irregular de chuvas, o El Niño costuma intensificar a variabilidade ao longo da safra.

    Períodos de excesso podem ser seguidos por estiagens curtas, o que eleva o risco de perdas mesmo em regiões inicialmente favorecidas. Esse comportamento afeta diretamente a produtividade, a qualidade das lavouras e os custos operacionais.

    Com isso, produtores podem enfrentar maior necessidade de replantio, uso intensivo de insumos e manejo mais técnico. Também cresce a demanda por seguro rural e ferramentas de proteção financeira, o que aumenta o custo de produção e adiciona volatilidade aos preços.

    Pressão sobre alimentos pode impactar inflação

    O redesenho climático tem efeito direto sobre os preços dos alimentos. A combinação entre perdas regionais, maior volatilidade internacional e custos logísticos mais elevados tende a pressionar um dos principais componentes da inflação brasileira.

    Em cenários mais intensos, o impacto pode deixar de ser localizado e se espalhar por diferentes cadeias produtivas, ampliando o efeito sobre o custo de vida.

    Agro e energia ampliam efeito econômico

    A combinação entre pressão nos alimentos e aumento do custo da energia amplia o impacto sobre a economia. De um lado, a produção agrícola pode enfrentar perdas ou queda de produtividade. De outro, o setor elétrico pode operar com custos mais elevados.

    Esse cenário reforça o risco inflacionário e pode influenciar decisões de política monetária nos próximos meses.

    Intensidade do fenômeno será decisiva

    O impacto final dependerá da intensidade do El Niño. Um evento moderado tende a gerar efeitos regionais e parcialmente compensatórios. Já um fenômeno mais forte pode sincronizar perdas agrícolas e deterioração energética, ampliando o impacto sobre preços e expectativas.

    Mercado já começa a ajustar projeções

    Entre maio e junho, com maior precisão dos modelos climáticos, o mercado deve recalibrar as expectativas para a safra 2026/27 e para o equilíbrio do sistema elétrico.

    Até lá, o El Niño já se consolida como uma variável relevante na formação de preços, influenciando alimentos, energia e inflação no Brasil.