Tag: safra

  • Por que o El Niño preocupa a agricultura no Sul do Brasil?

    Por que o El Niño preocupa a agricultura no Sul do Brasil?

    Você que planta no Sul do Brasil sabe bem: quando o El Niño aparece, o céu desaba e o campo vira um mar de lama. Agora, em maio de 2026, previsões do INMET e CPTEC apontam probabilidade acima de 60% de formação do fenômeno entre maio e julho, saltando para mais de 90% no segundo semestre. Chuvas excessivas no inverno e primavera ameaçam soja, trigo, milho e pastagens, com encharcamento do solo, doenças fúngicas e atrasos operacionais que podem custar bilhões aos produtores.

    O que é o El Niño e por que ele mira o Sul?

    O El Niño surge quando águas quentes do Pacífico equatorial se espalham, alterando ventos e chuvas globais. No Brasil, ele seca o Norte e Nordeste, mas no Sul provoca o oposto: precipitação acima da média, especialmente de junho a dezembro. Histórico mostra perdas pesadas, como no Paraná em ciclos passados, onde trigo perdeu 980 mil toneladas e prejuízos bateram R$ 1 bilhão só nessa cultura, além de R$ 2,5 bilhões totais em safras afetadas. Anomalias de chuva superaram 300 mm em Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul em eventos recentes, e 2026 pode repetir o filme.

    Chuvas torrenciais enchem o campo e travam máquinas

    Produtores enfrentam solos encharcados que impedem o plantio e a colheita, com máquinas atoladas e erosão acelerada. O excesso hídrico atinge fases críticas das culturas, como floração, enchimento de grãos e maturação, reduzindo drasticamente a produtividade.

    Doenças fúngicas explodem na umidade alta, atacando folhas e raízes sem misericórdia, enquanto pragas se multiplicam com temperaturas elevadas associadas. No Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, rios como Uruguai e Ibirapuitã já viram alertas de cheia, complicando ainda mais o acesso às lavouras.

    A soja, carro-chefe do Sul, também sofreu com chuvas em setembro-outubro, período de enchimento de grãos, o que compromete rendimento e qualidade. Estimativas passadas indicam perdas de até 1,5 milhão de toneladas em estados sulinos, com grãos rebaixados para ração animal.

    Preços sobem e mercado sente o tranco

    Com produção menor, preços de grãos disparam, mas o produtor sulista arca com custos extras de manejo e replantio. O fenômeno pressiona a inflação de alimentos, como já alertam analistas para a safra de grãos 2026. Café e cana no Sudeste ganham com seco, mas o Sul paga a conta, com qualidade de grãos chuvados e ATR em queda na cana afetada indiretamente. Mercados globais observam, e o Brasil pode exportar menos, apertando o câmbio.

    Estratégias urgentes pro produtor esperto

    Monitore boletins do INMET, CPTEC e Embrapa diariamente pra ajustar plantios e usar sementes resistentes a fungos. Opte por variedades de ciclo curto na soja, espaçamentos maiores no trigo pra ventilação, e fungicidas preventivos no milho. Diversifique culturas, invista em drenagem de solos e planeje safrinha com margem de segurança. Bancos como BB oferecem crédito consciente pro agro climático; use pra mitigar riscos agora. Assim, você transforma ameaça em oportunidade, sem deixar o El Niño mandar no seu campo.

  • Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    A safra de laranja 2026/27 deve recuar no cinturão citrícola paulista e mineiro. O avanço do greening preocupa os produtores. O Fundo de Defesa da Citricultura, Fundecitrus, estima produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos.

    A projeção integra a primeira Pesquisa de Estimativa de Safra divulgada nesta sexta-feira (8). O volume representa queda de 12,9% frente à safra anterior. Em 2025/26, produtores colheram 292,94 milhões de caixas.

    Queda de frutos no pomar

    Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o número de frutos diminuiu nos pomares. De acordo com Ayres, as árvores apresentam 17% menos frutos. Esse fator explica a maior parte da redução produtiva.

    Além disso, o greening segue como principal ameaça da citricultura brasileira. O levantamento aponta que 52% dos pomares adultos apresentam contaminação pela doença. Com isso, o greening reduz o peso das frutas e compromete a produtividade anual.

    Entre as 12 regiões citrícolas analisadas, apenas quatro mantêm o número de frutos. Nessas áreas, os frutos tendem a ser maiores.

    Por outro lado, Porto Ferreira, no interior paulista, deve registrar queda de 26% no total de frutos. Segundo Ayres, os efeitos do greening explicam o forte recuo na região. Além das doenças, o clima também pode alterar a produção final da safra.

    Na temporada passada, a colheita ficou 7% abaixo da estimativa inicial. Ayres afirmou que o clima seco e as altas temperaturas prejudicaram o pós-florecimento dos pomares.

    Árvores produtivas e não produtivas

    O levantamento também identificou crescimento no número de árvores produtivas. Em 2026, o cinturão citrícola soma 184,3 milhões de árvores produtivas. O total cresceu 0,91% frente a 2025.

    Já o número de árvores não produtivas aumentou 6,17%. O volume passou de 26,3 milhões para 28 milhões.

    Segundo Ayres, áreas fora do cinturão citrícola possuem 13 milhões de árvores com menos de três anos. Essas plantas devem entrar no censo do Fundecitrus a partir de 2028. Ele afirmou ainda que a citricultura brasileira expandiu produção além das regiões tradicionais.

  • Preço do café recua em abril com expectativa de safra

    Preço do café recua em abril com expectativa de safra

    Os preços do café caíram em abril, pressionados pela expectativa de boa safra no ciclo 2026/27. O mercado reagiu ao otimismo com a oferta global, impulsionado pelas projeções positivas para a produção brasileira.

    Os valores do arábica e do robusta recuaram nos mercados interno e externo ao longo do mês. Apesar disso, fatores externos limitaram as quedas, conforme apontam pesquisadores do Cepea.

    Os baixos estoques certificados na Bolsa de Nova York e tensões no Oriente Médio sustentaram parte dos preços. Esses fatores ainda geram incertezas sobre o fluxo de café entre países produtores e consumidores.

    Arábica

    O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 registrou média de R$ 1.811,87 por saca em abril. O valor caiu R$ 102,02 por saca frente a março, o que representa recuo de 5,3%.

    Na comparação anual, a queda é mais intensa e chega a 26,8% em termos reais. Em abril de 2025, o indicador apresentou média de R$ 2.476,40 por saca. Os valores consideram correção pelo IGP-DI de março de 2026.

    Robusta

    Para o robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou média de R$ 917,15 por saca em abril. O valor recuou R$ 104,87 frente a março, o que equivale a queda de 10,3%.

    Na comparação com abril de 2025, a baixa atinge 40,1% em termos reais. Naquele período, o robusta apresentou média de R$ 1.549,59 por saca.

    Na Bolsa de Nova York, o contrato julho/26 do arábica encerrou abril em 285,55 centavos de dólar por libra-peso. O contrato acumulou queda de 525 pontos em relação ao fechamento de março.

    As expectativas de maior oferta e o avanço da colheita no Brasil pressionaram os preços ao longo do mês. Segundo o Cepea, esses fatores devem seguir influenciando o mercado no curto prazo.

  • Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Enquanto a média nacional da soja no Brasil ronda cerca de 60 sacas por hectare, um grupo de produtores já está chegando a 90, 100 e até mais de 130 sacas por hectare. O que separa essas lavouras não é a semente, mas uma mudança radical na forma de pensar a calagem e a fertilidade do solo. O ponto central é um nutriente ainda pouco valorizado: o magnésio, analisado pela saturação na CTC em diferentes camadas do perfil

    O método que destrava a produtividade da soja (e o que você está ignorando no solo)

    O agrônomo Leandro Barcelos, por trás do recorde de 135,49 sacas por hectare da Agro Mallon no CESB 2025, defende que o limite produtivo da soja está menos na planta e mais na lógica herdada desde a década de 1990. A calagem tradicional foca em elevar o pH e o cálcio na camada de 0 a 20 cm, como se o solo fosse apenas um piso úmido.

    Barcelos propõe outro caminho: desenhar a arquitetura química do perfil do solo, com cálculo por saturação de magnésio na CTC nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm. Segundo ele, o foco quase exclusivo no cálcio mascara o fato de que o magnésio é o fator limitante em boa parte das fazendas. Solos tecnicamente “corrigidos” podem estar travando o sistema radicular por falta de equilíbrio entre cálcio e magnésio.

    Sem esse equilíbrio, a planta trava a clorofila e perde a capacidade de absorver fósforo, mesmo quando o nutriente é aplicado em doses altas. O produtor pode usar o melhor adubo do mercado, mas a porta de entrada da planta continua semi‑fechada.

    Magnésio na CTC: a porta de entrada

    A lógica de saturação de magnésio na CTC coloca o nutriente no centro da decisão de calagem. O carbonato de magnésio, por exemplo, tem maior dificuldade de dissociação que o do cálcio. Se o produtor não domina essa dinâmica, o investimento fica parado na superfície e não vira produtividade.

    Construir um perfil químico em profundidade elimina a “barreira invisível” que condena a soja a explorar só a superfície. Isso reflete diretamente na capacidade da planta de acessar água em camadas mais profundas. O resultado é um sistema radicular mais verticalizado, com raízes que descem até cerca de 1,5 metro, em vez de se espalharem apenas perto do solo.

    A planta sai da estaca zero com mais força, preparada para janelas de estresse hídrico. Barcelos compara com um produtor que investe fortunas em fertilizantes de última geração, mas deixa a porta de entrada da planta bloqueada. O resultado é lavoura morrendo de sede com água logo abaixo, porque o solo foi tratado como um depósito de insumos, não como um sistema biológico vivo.

    Como 18 dias de veranico não abateram 135 sacas/ha

    A prova de fogo do método veio na safra 2024/25, na Fazenda Santa Bárbara (Canoinhas/SC), unidade da Agro Mallon. O produtor Charles Adriano Breda colheu 135,49 sacas por hectare mesmo com 18 dias seguidos sem chuva. Para Barcelos, essa resiliência hídrica não é sorte e sim consequência direta da correção do perfil do solo.

    Com magnésio e cálcio equilibrados, a soja consegue aprofundar o sistema radicular e acessar o CAD em camadas de até 1,5 metro de profundidade. Esse comportamento vertical é o que sustenta a produtividade em períodos de estresse. Um ponto pouco explorado é a relação entre potássio e magnésio na CTC. Muitos produtores aumentam o K para ganhar peso de grão, mas sem magnésio adequado, ocorre inibição competitiva.

    Os nutrientes competem entre si e a planta perde produtividade. Essa combinação, aliada ao ajuste de calagem e adubação, fez a lavoura de Breda superar a média nacional de censo, em torno de 59 sacas por hectare, e a média auditada do CESB, próxima de 96 sacas por hectare. A fazenda se tornou campeã nacional de produtividade de soja sequeira.

    Histórias reais: de 60 para 90, 100 e mais

    A metodologia de “A Raiz da Solução” já é testada em dezenas de fazendas, com ganhos estruturais de produtividade mesmo em safra de clima apertado. No Cerrado Mineiro, o engenheiro agrônomo e produtor Eduardo Primon conta que o manejo focado em raiz e fisiologia elevou a média da fazenda de 70 para 90,5 sacas por hectare. Em áreas monitoradas, a lavoura chegou a 107 sacas por hectare.

    A estratégia passa por preparar a planta para o “embate” contra o clima ainda na fase de planejamento. O ajuste de fertilidade, calagem e profundidade do sistema radicular é feito antes do plantio. No Rio Grande do Sul, Márcio Natalli partiu de uma média de 60 sacas por hectare e chegou a 90 sacas graças ao investimento em construção do perfil do solo. Enquanto vizinhos sentiam o impacto do veranico, sua soja permanecia verde e a procurar água no fundo.

    Isso só é possível porque o sistema radicular atua onde o manejo comum não chega. Em Goiás, Francisco Luçardo também rompeu a barreira de 70 sacas, atingindo 100 sacas por hectare com ajuste nutricional profundo. A mensagem é a mesma: não basta colocar adubo; é preciso garantir que o solo esteja equilibrado em profundidade para que a planta absorva tudo o que é oferecido. O investimento vira saca, e saca vira lucro.

    Sair do “balcão” e virar engenheiro da própria lavoura

    Para Leandro Barcelos, o maior gargalo não é falta de tecnologia, e sim a dependência de pacotes prontos de revendedor. O produtor precisa parar de ficar na mão do balcão de vendas e de aceitar receitas que nem sempre a terra dele precisa. Lucratividade máxima só vem quando ele conquista independência técnica.

    Isso significa saber olhar para a análise de solo e decidir, com critério, o que vai aplicar, quando, qual fonte e em qual momento. É essa autonomia que sustenta a produtividade real, ajustada ao tempo e ao orçamento de cada fazenda. Parte dessa independência passa por capacitação técnica.

    Especialista em fertilidade do solo e fisiologia vegetal com mais de 40 anos de vivência no campo, Leandro Barcelos é o consultor agronômico por trás da conquista do último campeonato nacional de produtividade de soja do CESB 2025.

    Barcelos lança uma série gratuita de três aulas online, “As Verdades Ocultas para Colher Mais Soja”. Ela serve como porta de entrada para o evento presencial “ARDS Experience” e para o programa “A Raiz da Solução 2.0”. O objetivo é ajudar o produtor a construir um perfil de solo resiliente, atingir produtividades de três dígitos e respeitar sempre custo‑benefício e lucratividade.

  • Entenda o movimento de queda do preço do etanol

    Entenda o movimento de queda do preço do etanol

    Os preços do etanol seguem em queda no Brasil, pressionados pelo aumento da oferta. Os pesquisadores do Cepea apontam avanço da safra 2026/27 de cana-de-açúcar.

    A maior disponibilidade de etanol de milho também amplia a oferta no mercado. Esse cenário mantém em baixa os valores do etanol hidratado e anidro. Além disso, a demanda enfraquecida reforça o movimento de queda nos preços. O recuo ocorre no mercado spot de São Paulo e em outros estados do Centro-Sul.

    Segundo o Cepea, mais usinas entram no mercado spot com o avanço da produção. Outras unidades priorizam a entrega de volumes negociados anteriormente. Esses vendedores anteciparam contratos, pois temiam novas quedas nos preços.

    O clima firme e ensolarado favorece a colheita da cana-de-açúcar. Com isso, a produção de etanol avança de forma consistente nas últimas semanas.

    Do lado da demanda, compradores adquiriram poucos volumes na semana passada. O feriado de Tiradentes reduziu o ritmo das negociações no período.

    Algumas distribuidoras compraram pequenas quantidades para reposição pontual. Outras operaram em regime de plantão e priorizaram questões operacionais.

    Açúcar

    No mercado de açúcar, a liquidez segue baixa em São Paulo. Agentes mantêm postura cautelosa diante do avanço da safra.

    O feriado também contribuiu para reduzir a movimentação semanal. Compradores evitam negócios e aguardam novas quedas nos preços.

    A expectativa considera o aumento da oferta com a safra 2026/27. Pelo lado da produção, a moagem maior eleva a disponibilidade no curto prazo.

    No cenário externo, os preços do açúcar demerara registraram leve alta. As negociações ocorrem na ICE Futures de Nova York. O aumento das importações chinesas sustentou os preços internacionais no período.

  • Milho: clima preocupa e trava negociações no mercado

    Milho: clima preocupa e trava negociações no mercado

    A colheita da safra de verão do milho entra na reta final no Brasil. Os produtores praticamente encerram a semeadura da segunda safra. Assim, agentes do setor voltam a atenção ao clima quente e seco. Eles avaliam possíveis impactos no desenvolvimento das lavouras.

    Os pesquisadores do Cepea informam que a produção segue elevada. No entanto, a estimativa indica leve queda frente à temporada anterior. Além disso, chuvas irregulares aumentam a preocupação nas regiões produtoras.
    As previsões indicam baixos volumes e temperaturas elevadas.

    Esse cenário atinge áreas de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná. Por isso, produtores mantêm estado de alerta.

    Negociações

    No mercado spot, as negociações seguem limitadas. A demanda enfraquecida reduz o ritmo das compras. Os Consumidores priorizam estoques e compram apenas volumes pontuais. Ao mesmo tempo, compradores monitoram estoques de passagem elevados.

    Eles também consideram a maior colheita da safra de verão. Assim, agentes projetam queda nos preços nas próximas semanas.

    Por outro lado, vendedores restringem a oferta no spot. Eles aguardam reação nos preços diante das incertezas climáticas.

    Soja

    A elevada oferta de soja sustenta a liquidez no mercado spot brasileiro. No entanto, a disponibilidade elevada limita altas expressivas nos preços. Os pesquisadores do Cepea apontam equilíbrio no mercado. A expectativa de safra recorde mantém os valores estáveis.

    No campo, a Conab afirma que colheita alcança 88,1% da área nacional. As regiões apresentam ritmos distintos de avanço. Mesmo assim, o andamento segue consistente.

    No Hemisfério Norte, agentes acompanham as condições climáticas. A baixa umidade do solo gera preocupação inicial. Porém, previsões de chuvas podem amenizar o cenário. Isso reduz riscos para a produção global.

    Estados Unidos

    Nos Estados Unidos, o plantio avança acima da média recente. A semeadura atinge 12% da área prevista até 19 de abril. Os dados são do USDA. O ritmo supera o registrado no ano passado e a média de cinco anos.

  • Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    O clima irregular já começa a redesenhar o cenário do milho safrinha no Brasil em 2026, e os efeitos podem chegar diretamente ao bolso do consumidor no segundo semestre.

    Após um início de ano marcado por chuvas mal distribuídas em importantes regiões produtoras, especialistas acendem o alerta para impactos na produtividade e possível pressão sobre os preços nos próximos meses.

    Clima irregular desafia o milho safrinha

    O desenvolvimento do milho safrinha depende de uma janela climática bastante específica. Plantado após a colheita da soja, o grão precisa de chuvas regulares nas fases iniciais e clima mais seco na colheita.

    Neste ano, porém, o comportamento do clima foge do padrão. Regiões como Paraná, Mato Grosso do Sul e partes do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem intercalados com chuvas irregulares, o que compromete o desenvolvimento das lavouras.

    Além disso, o atraso no plantio da soja em algumas áreas reduziu a janela ideal para o milho, aumentando o risco de exposição a condições adversas, como frio precoce e déficit hídrico.

    Produtividade sob pressão

    Com menos água disponível em fases críticas, como germinação e enchimento de grãos, a tendência é de queda na produtividade em diversas regiões.

    Analistas do setor já revisam projeções, indicando que, mesmo com uma área plantada significativa, o rendimento médio pode ficar abaixo do esperado. Esse cenário reduz a oferta efetiva do grão no mercado.

    A situação preocupa especialmente porque o milho safrinha representa cerca de 70% a 75% da produção total de milho no Brasil. Ou seja, qualquer quebra impacta diretamente o abastecimento nacional.

    Impacto nos preços no segundo semestre

    Com a possibilidade de menor oferta, o mercado já começa a reagir. A lógica é simples: menos milho disponível tende a elevar os preços, principalmente no segundo semestre, quando a demanda segue firme.

    O grão tem papel estratégico na cadeia produtiva, sendo base para ração animal. Por isso, qualquer alta no milho afeta também os custos da produção de proteínas como frango, suínos e até carne bovina.

    Além disso, o Brasil mantém forte presença nas exportações. Caso a produção fique abaixo do esperado, o país pode reduzir volumes exportados ou priorizar o mercado interno, o que também influencia a formação de preços.

    Mercado atento ao clima e à demanda

    O comportamento do clima nos próximos meses será decisivo. Caso as chuvas se normalizem em algumas regiões, parte das perdas pode ser mitigada. No entanto, se a irregularidade persistir, o cenário de pressão sobre os preços tende a se consolidar.

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional, especialmente da China, segue como fator-chave. Uma combinação de oferta menor e demanda aquecida pode intensificar ainda mais a valorização do milho.

    Tecnologia e gestão como resposta

    Diante desse cenário, produtores investem cada vez mais em tecnologia para reduzir riscos. Monitoramento climático, uso de sementes mais resistentes e manejo eficiente do solo tornam-se essenciais.

    Ainda assim, o clima continua sendo uma variável fora do controle — e, em 2026, ele volta ao centro das decisões no campo e no mercado.

    O desempenho do milho safrinha nos próximos meses não deve afetar apenas o agronegócio, mas toda a cadeia de alimentos, reforçando como eventos climáticos se conectam diretamente à economia.

  • Volta da crise hídrica? Reservatórios da grande SP despencam para 55,3%

    Volta da crise hídrica? Reservatórios da grande SP despencam para 55,3%

    Os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo registram queda alarmante nos níveis. O volume útil dos sistemas chegou a 55,3% do ideal nesta semana de abril de 2026. Assim, a seca persistente, agravada pelo calor intenso e aumento no consumo de água, gera pressão extra sobre produtores rurais, indústrias e a população da região metropolitana.

    Níveis críticos nos mananciais

    O Sistema Cantareira, essencial para cerca de 9 milhões de habitantes, continua como o mais preocupante, com apenas 43,1% de sua capacidade. Portanto, chuvas irregulares de março não conseguiram reverter a tendência de queda, mesmo com alguma melhora em fevereiro. Além disso, a Sabesp mantém restrições noturnas na pressão da água desde agosto do ano passado, o que já economizou 103 bilhões de litros até o momento.

    Represa Jaguari-Jacareí, que compõe o sistema Cantareira, com apenas 45,8% de sua capacidade máxima.
    (Foto: Reprodução/Danilo Verpa)

    Por outro lado, o Sistema Integrado Metropolitano como um todo soma esses 55,3%, operando na faixa 2 de contingência. Assim, níveis abaixo de 57,23% ativam protocolos de alerta automático. No Alto Tietê, por exemplo, os reservatórios giram em torno de 53%, enquanto Guarapiranga e Rio Grande apresentam melhora relativa, embora ainda insuficiente.
    A situação exige monitoramento diário para evitar agravamento, especialmente com o consumo disparando até 60% em picos de calor.

    Impacto direto no agronegócio paulista

    Produtores de hortaliças, frutas e cultivos irrigados na Grande SP já sentem os efeitos da estiagem prolongada. Afinal, essa seca figura entre as piores dos últimos dez anos e compromete plantações periurbanas com frequência crescente. Indústrias agroindustriais, por sua vez, enfrentam racionamento indireto que eleva custos operacionais de forma significativa.

    O governo estadual alerta para o consumo consciente da população a fim de evitar perdas maiores na rede e no abastecimento geral. Sem adesão ampla, perdas por vazamentos e mau uso podem acelerar o colapso dos mananciais, como ocorreu em crises passadas. Para o setor agropecuário, portanto, os riscos se multiplicam: safras reduzidas demandam mais bombeamento de água, encarecendo a produção em um momento delicado para o mercado paulista.

    Plano de contingência ganha reforço

    Medidas como a diminuição de pressão por 8 horas noturnas seguem ativas em diversos municípios da região. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional monitora transposições entre bacias para decisões técnicas rápidas e eficazes. Historicamente, os reservatórios já caíram abaixo de 20% no início do ano, com recuperação parcial graças a chuvas esporádicas em março.

    No entanto, as chuvas de outono agora se tornam cruciais para qualquer alívio real e sustentável. A Arsesp, por exemplo, só avalia afrouxar restrições após 14 dias de estabilidade nos níveis. Assim, a Sabesp intensifica campanhas de uso racional, recomendando banhos rápidos e evitando desperdícios em piscinas ou lavagens. Para o público do agroemcampo, fica o questionamento: esses volumes baixos, pressionados por calor e estiagem, prenunciam o retorno da crise hídrica de 2014-15?

  • Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Os números que saíram da alfândega chinesa nesta semana deixaram pouca margem para dúvida: a China está comprando commodities agrícolas em ritmo acelerado, e o açúcar lidera essa corrida com folga. No primeiro trimestre de 2026, as importações do adoçante saltaram 320% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Em volume, o país absorveu 620 mil toneladas entre janeiro e março. Só em março, entraram 100 mil toneladas, 41,9% a mais do que em março de 2025.

    Para quem acompanha o setor sucroenergético, esse sinal importa. A China é o maior país do mundo em população e uma das economias que mais cresce em consumo de alimentos processados. Quando ela acelera as compras de açúcar nessa magnitude, o impacto chega rápido ao mercado internacional e, inevitavelmente, ao Brasil, maior exportador global do produto.

    O que está por trás de uma alta de 320%

    Não existe uma causa única para um salto desse tamanho. O cenário combina produção interna chinesa abaixo do esperado, aumento no consumo doméstico e uma estratégia de recomposição de estoques que o governo chinês vem adotando com mais frequência desde 2024. A pressão sobre os preços internacionais do açúcar bruto já reflete parte desse movimento.

    Para o setor canavieiro brasileiro, que abre agora a safra 2026/27, a notícia chega em boa hora. A demanda aquecida da China tende a sustentar as cotações e pode favorecer a decisão das usinas pelo mix mais voltado ao açúcar em detrimento do etanol, pelo menos nos primeiros meses da safra.

    Milho e fertilizantes também disparam nas compras chinesas

    O açúcar não está sozinho nessa tendência. As importações chinesas de milho em março chegaram a 220 mil toneladas, uma alta de 177,4% frente ao mesmo mês de 2025. Em valor, o crescimento foi de 150%, totalizando US$ 56,6 milhões só no mês. No acumulado do trimestre, o volume atingiu 770 mil toneladas, com avanço de 198% na comparação anual e valor total de US$ 197,6 milhões.

    Os fertilizantes também entraram forte no radar das importações. Em março, a China comprou 1,68 milhão de toneladas, alta de 26,5% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre, o total chegou a 5 milhões de toneladas, crescimento de 30,5%. Esse dado tem relevância direta para o produtor brasileiro: a demanda chinesa por fertilizantes pressiona preços globais e pode encarecer os custos de produção das próximas safras.

    Soja avança no mês, mas recua no trimestre

    A soja apresentou um comportamento mais dividido. Em março, as importações chinesas alcançaram 4,02 milhões de toneladas, crescimento de 14,7% frente ao mesmo mês de 2025, com valor de US$ 1,93 bilhão, alta de 19,9%. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, o volume recuou 3,1%, para 16,58 milhões de toneladas. Em valores, o crescimento foi modesto, de 1,7%, somando US$ 8,03 bilhões.

    Isso significa que março foi forte, mas janeiro e fevereiro ficaram aquém do ritmo do ano passado, puxando o resultado trimestral para baixo. O cenário reforça a importância de não interpretar um único mês de alta como uma tendência consolidada.

    Óleo de soja: alta no mês, queda no trimestre

    O comportamento do óleo de soja seguiu lógica parecida. Em março, as importações chinesas somaram 10 mil toneladas, avanço de 45,1% na comparação anual, com valor de US$ 7,6 milhões, alta de 59%. Porém, no acumulado do primeiro trimestre, as compras caíram 35,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando 180 mil toneladas.

    A oscilação indica que a China ajusta suas compras de derivados de soja de forma estratégica, aproveitando janelas de preço, o que torna esse mercado mais volátil e imprevisível para os exportadores brasileiros.

    O que o produtor brasileiro precisa observar daqui para frente

    Os dados do primeiro trimestre entregam uma mensagem clara: a China ainda é o termômetro mais importante do agronegócio global. Quando compra mais, move mercados. Quando recua, derruba cotações. O movimento atual, especialmente no açúcar e no milho, favorece o produtor brasileiro no curto prazo. Mas a assimetria entre o desempenho mensal e o trimestral da soja e do óleo de soja serve de alerta: a demanda chinesa pode ser intensa em um mês e fraca no seguinte.

    Para o setor sucroenergético, o cenário de abertura de safra é animador. A demanda está aquecida, e a China sinaliza que quer comprar mais. A pergunta que fica é quanto tempo esse ritmo se sustenta, e se a oferta global vai conseguir acompanhar.

  • Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Uma greve de proprietários de caminhões paralisou, na prática, o porto de Quequén, na província de Buenos Aires, e deixou 18 navios aguardando carregamento. O motivo do impasse é direto: os transportadores querem um reajuste de 25% nas tarifas de frete, pressionados pela alta nos preços dos combustíveis após o acirramento do conflito no Irã. As entidades rurais, por outro lado, oferecem 14%. A diferença, aparentemente pequena em pontos percentuais, virou um travamento de proporções milionárias.

    Segundo dados do porto, os navios parados deveriam carregar, juntos, 159 mil toneladas de sementes de girassol, 109 mil toneladas de milho, 99 mil toneladas de cevada e 92 mil toneladas de trigo. Com os caminhões bloqueando o acesso ao terminal, os grãos simplesmente não chegam aos navios.

    US$ 300 milhões em perdas e o peso do porto no mercado global

    Gustavo Idígoras, presidente da câmara CIARA-CEC, que representa exportadores e processadores de grãos argentinos, não deixou dúvidas sobre a gravidade da situação. “Essa situação em Quequén está se tornando insustentável. Estamos impedidos de operar em todos os terminais do porto”, afirmou.

    Idígoras estimou as perdas em cerca de US$ 300 milhões. O número tem peso concreto quando se leva em conta o papel estratégico de Quequén: por ali passa cerca de 20% de todas as exportações de soja da Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos. Portanto, o que acontece nesse porto importa muito além das fronteiras argentinas.

    Os navios em espera têm como destinos Vietnã, China, Brasil, Malásia e Espanha, entre outros países. Qualquer atraso no carregamento repercute direto nas cadeias de suprimentos de grãos nesses mercados.

    A negociação que não avança

    O governo da província de Buenos Aires prometeu convocar uma nova rodada de diálogo entre transportadores e entidades rurais, mas ainda não há data confirmada. Pablo Ginestet, secretário da Carbap, associação de produtores rurais de Buenos Aires e La Pampa, disse nesta quinta-feira que nenhuma comunicação chegou até eles.

    “Não temos notícias de uma nova reunião”, declarou Ginestet. Ele também lembrou que um foco semelhante de protesto em Bahia Blanca já havia sido resolvido. O isolamento do impasse em Quequén, para ele, levanta questionamentos sobre a postura dos transportadores locais. “Só resta um local de conflito, que é Necochea. Depois disso, o resto da província e o país estão funcionando normalmente. Parece ser um capricho dos transportadores de Necochea não quererem chegar a um acordo”, afirmou.

    A Reuters tentou ouvir o Ministério dos Transportes de Buenos Aires e a câmara de transportes Atcade, diretamente envolvida no protesto, mas nenhum dos dois respondeu até o fechamento da reportagem.

    O combustível por trás do impasse

    A raiz do conflito vai além de Quequén. A alta nos preços dos combustíveis, intensificada após a eclosão da guerra no Irã, comprimiu as margens dos transportadores de todo o país. Esse cenário empurrou as demandas por reajuste de frete para cima e criou um ambiente de tensão em vários pontos do setor logístico argentino.

    O que diferencia Quequén dos outros casos é a recusa em negociar. Enquanto outros focos foram resolvidos com acordos entre as partes, os caminhoneiros de Necochea mantêm o bloqueio, e os navios continuam parados.

    O que esse travamento significa para o agronegócio

    Para quem acompanha o mercado de grãos, a situação na Argentina é um alerta. O país vive um período crítico de exportação de sua safra, e qualquer interrupção logística de grande escala afeta preços e prazos de entrega no mercado internacional. O Brasil, como destino direto de parte dos embarques em atraso e como concorrente nas exportações de grãos, observa o cenário de perto.

    O desfecho ainda é incerto. Enquanto o governo provincial tenta articular uma nova rodada de negociações, os navios seguem ancorados, os grãos seguem parados e o relógio do prejuízo continua correndo.