Tag: safra

  • Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    A produção brasileira de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26. A projeção representa um novo recorde histórico. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento no 9º Levantamento da Safra de Grãos. O volume previsto supera em 1,8% o resultado da temporada anterior.

    Segundo a Companhia, o aumento corresponde a 6,4 milhões de toneladas. Além disso, a área cultivada deve atingir 83,5 milhões de hectares. A Conab atribui o desempenho ao avanço da área plantada e às condições climáticas favoráveis. Com isso, a produtividade média nacional deve alcançar 4.295 quilos por hectare.

    Soja lidera crescimento da produção

    A soja apresenta o maior avanço entre as culturas analisadas. A produção está estimada em 180,3 milhões de toneladas. O volume supera em 8,8 milhões de toneladas o resultado da safra passada. Além disso, a colheita está praticamente concluída.

    A Conab destaca o crescimento da área destinada à oleaginosa. O uso de tecnologia e o clima favorável também impulsionaram a produtividade.

    Milho registra alta e pode alcançar 140,5 milhões de toneladas

    O milho deve somar 140,5 milhões de toneladas nas três safras do ciclo 2025/26. A colheita da primeira safra alcança 87,7% da área cultivada. A produção dessa etapa deve atingir 29,3 milhões de toneladas.

    O resultado representa alta de 17,7% frente à temporada anterior. Além disso, a produtividade média cresceu 7,6%. A expectativa é de rendimento médio de 7.110 quilos por hectare. O índice estabelece novo recorde histórico para a primeira safra.

    Já a segunda safra está em fase inicial de colheita. A produção prevista chega a 107,9 milhões de toneladas. Na terceira safra, o plantio se aproxima do encerramento. A expectativa é colher 3,3 milhões de toneladas.

    Algodão e sorgo apresentam cenários distintos

    A produção de algodão deve atingir cerca de 4 milhões de toneladas. O volume representa queda de 2,5% sobre a safra anterior. Segundo a Conab, a redução ocorre devido à menor área semeada.

    Por outro lado, o sorgo deve registrar forte crescimento. A colheita está estimada em 7,62 milhões de toneladas. O resultado supera em 24,9% o volume obtido na temporada passada. O aumento corresponde a 1,5 milhão de toneladas.

    Arroz e feijão devem garantir abastecimento interno

    A colheita de arroz está praticamente finalizada. A produção prevista alcança 11,1 milhões de toneladas. O volume fica 13,2% abaixo do registrado na safra passada. A redução reflete a menor área destinada ao cereal.

    No caso do feijão, a produção total das três safras deve ficar próxima de 3 milhões de toneladas. O resultado representa leve recuo de 0,5% frente ao ciclo anterior. Ainda assim, a estimativa garante o abastecimento do mercado interno.

    Trigo terá menor área plantada

    Entre as culturas de inverno, o trigo segue com o plantio em andamento. A semeadura já alcança 45,3% da área prevista. A Companhia projeta redução da área destinada ao cereal. Por isso, a produção deve ficar em torno de 6,3 milhões de toneladas.

    Exportações e estoques ganham reforço

    A safra recorde de soja deve ampliar as exportações brasileiras. A expectativa é embarcar 116,1 milhões de toneladas. Além disso, o processamento da oleaginosa pode alcançar 61,58 milhões de toneladas.

    Com esse cenário, o estoque de passagem da soja deve atingir 9,2 milhões de toneladas. A Conab também revisou as projeções para o milho. Os estoques finais do grão podem chegar a 13,25 milhões de toneladas em janeiro de 2027. Já o estoque final de feijão foi atualizado para 288,5 mil toneladas até dezembro deste ano.

  • Geada, seca ou chuva: o que ameaça a próxima safra brasileira?

    Geada, seca ou chuva: o que ameaça a próxima safra brasileira?

    A próxima safra brasileira começa a ser desenhada muito antes do plantio. Enquanto produtores acompanham preços, crédito e mercado internacional, são as condições climáticas que podem determinar o sucesso ou  fracasso da produção.

    Neste momento, especialistas apontam os três fatores de atenção para o campo. Eles alertam para geadas durante o inverno, períodos de estiagem e o excesso de chuvas em algumas regiões do país.

    Geadas

    As geadas costumam ser a principal preocupação entre maio e setembro nas regiões Sul, Sudeste e em áreas de maior altitude do Centro-Oeste. Segundo estudos agrometeorológicos, culturas como café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas podem sofrer danos quando as temperaturas atingem níveis críticos, especialmente em estágios mais sensíveis do desenvolvimento das plantas.

    De acordo com pesquisadores e serviços de monitoramento climático, o risco não está apenas na ocorrência do fenômeno, mas também na sua intensidade. Geadas moderadas e fortes podem provocar perdas significativas de produtividade, além de comprometer a qualidade dos produtos destinados à exportação. Ferramentas de monitoramento e alerta vêm sendo utilizadas para permitir que agricultores adotem medidas preventivas com antecedência.

    Chuvas

    Outro fator que preocupa o setor é a irregularidade das chuvas. Nos últimos anos, a agricultura brasileira tem enfrentado alternância entre períodos prolongados de estiagem e episódios de precipitação excessiva.

    Seca

    A falta de água reduz o potencial produtivo de culturas como soja, milho e feijão, enquanto o excesso de chuva dificulta operações de plantio e colheita, favorece doenças e pode comprometer a qualidade dos grãos.

    O monitoramento realizado por instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e centros estaduais de meteorologia tem mostrado que a variabilidade climática continua sendo um dos principais desafios para o agronegócio brasileiro. A disponibilidade de dados em tempo real e modelos de previsão tem se tornado cada vez mais importante para a tomada de decisão nas propriedades rurais.

    Café

    No caso do café, uma das culturas mais sensíveis ao frio, a atenção aumenta nesta época do ano. Históricos de grandes geadas mostram que eventos extremos podem provocar impactos duradouros na produção e nos preços do mercado. Técnicos recomendam o acompanhamento constante dos alertas meteorológicos e a adoção de práticas de manejo que reduzam os riscos climáticos.

    Embora ainda seja cedo para prever o comportamento completo da próxima safra, a combinação entre frio intenso, chuvas irregulares e possíveis períodos de seca já coloca o clima no centro das preocupações do campo.

    Em um país que responde por parcela significativa da produção mundial de alimentos, cada frente fria, cada semana sem chuva e cada evento extremo pode influenciar não apenas a renda do produtor, mas também o abastecimento e os preços dos alimentos.

     

  • El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    Após iniciar o ano em alta, a agropecuária brasileira tende a perder força nos próximos meses e pode entrar em trajetória de desaceleração até 2027. O cenário é pressionado principalmente pelo risco de perdas nas colheitas associadas ao fenômeno El Nino, além do aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes.

    Segundo o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, o comportamento climático deve impactar diretamente o desempenho das safras. “Não se faz safra recorde em ano de El Nino”, afirma.

    Além disso, Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, lembra que eventos anteriores servem de alerta ao setor produtivo.

    “O último El Nino de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história”, destaca.

    O fenômeno climático, por sua vez, provoca efeitos diferentes no território nacional, já que causa secas intensas no Centro-Norte e, em contrapartida, chuvas mais fortes no Sul. Dessa forma, há alta probabilidade de formação entre junho e julho. Se confirmado, o evento pode atrasar o plantio e reduzir as colheitas previstas para 2027.

    El Niño pode se consolidar já nas próximas semanas, alertam especialistas — Foto: Curiosity/CuriosityonX/X

    Para Cogo, o impacto tende a ser amplo sobre diferentes culturas.

    “Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Nino. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas”, ressalta.

    PIB do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026

    Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os três últimos meses de 2025. Além disso, em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,3 trilhões no período.

    O resultado indica aceleração em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a alta foi de 0,3%. Dessa forma, trata-se do maior avanço trimestral desde o primeiro trimestre do ano anterior, quando a economia havia crescido 1,3%.

    Agro lidera avanço econômico

    De acordo com o IBGE, os setores que mais contribuíram para o crescimento foram a agropecuária, a indústria extrativa mineral e outras atividades de serviços. Assim, o campo volta a se destacar como um dos principais motores da economia brasileira.

  • Dia Nacional do Café: entenda por que o Brasil celebra data diferente do resto do mundo

    Dia Nacional do Café: entenda por que o Brasil celebra data diferente do resto do mundo

    No dia 24 de maio, o Brasil comemora o Dia Nacional do Café, em uma data diferente tanto do Dia Mundial do Café (14 de abril) quanto do Dia Internacional do Café (1º de outubro), este último reconhecido oficialmente pela Organização Internacional do Café.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café instituiu a data em 2005, escolhendo o dia 24 de maio por marcar o início da colheita nas principais regiões produtoras do país. Além disso, a data coincide com o Dia do Barista, celebrando as diferentes formas de preparo da bebida e o trabalho dos profissionais do setor.

    Há também um objetivo estratégico por trás da celebração: estimular o consumo interno. Apesar de o Brasil liderar a produção mundial, respondendo por cerca de um terço do café produzido no planeta, o país não figura entre os maiores consumidores per capita. Finlândia, Suécia e Bélgica ocupam as primeiras posições nesse ranking.

    A trajetória do café no Brasil

    O café não é nativo do Brasil. O grão surgiu na Etiópia e se expandiu pela Arábia Saudita, daí o nome “arábica”, dado à espécie mais consumida.

    Apesar de o imaginário popular associar o café aos italianos, foram os holandeses e os franceses que introduziram a planta em solo brasileiro. Os holandeses realizaram o primeiro contrabando, levando o fruto para colônias como o Suriname. Por sua vez, a França enviou mudas para a Guiana Francesa, país vizinho do Brasil pelo norte. Uma dessas mudas acabou cruzando a fronteira.

    Em 1727, o Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta recebeu a missão de restabelecer os limites fronteiriços com a Guiana Francesa. Aproveitando a viagem, ele conquistou a confiança da esposa do governador local e retornou ao Brasil com uma muda escondida na bagagem. Assim, de forma clandestina, o café finalmente fincou raízes em território brasileiro.

    Hoje, segundo a Embrapa, a cafeicultura está presente em 1.448 municípios distribuídos por 16 estados das cinco regiões do país, o que representa mais de um quarto das cidades brasileiras com economia diretamente ligada ao setor.

    O peso econômico do café para o agronegócio brasileiro

    Por muito tempo, o café sustentou a principal atividade econômica do Brasil e liderou as exportações nacionais. A expansão da cafeicultura impulsionou o desenvolvimento de cidades, a implantação de ferrovias e a chegada de mão de obra imigrante europeia. Sua influência foi tão profunda que moldou a própria política nacional durante a República Oligárquica (1898–1930), período em que São Paulo e Minas Gerais alternavam o poder, a famosa política do café com leite.

    Atualmente, o Brasil mantém a liderança global na produção e exportação do grão, consolidando o café como um dos pilares do agronegócio nacional.

  • Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    A safra brasileira de café em 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 kg, alta de 18% em relação ao ciclo anterior, segundo o 2º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana. Se confirmado, o volume estabelecerá um novo recorde na série histórica da estatal, superando o desempenho de 2020, quando o país colheu 63,08 milhões de sacas.

    O avanço da produção reflete o ciclo de bienalidade positiva, a expansão das áreas em produção e as condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A área total destinada à cafeicultura deve crescer 3,9%, somando 2,34 milhões de hectares, dos quais 1,94 milhão já em produção e 401,7 mil em formação.

    A produtividade média nacional também apresenta recuperação relevante e deve atingir 34,4 sacas por hectare, avanço de 13% na comparação anual.

    Arábica lidera crescimento da safra

    A produção de café arábica deve somar 45,8 milhões de sacas, um salto de 28% em relação ao ano passado. O volume configura a terceira maior safra da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018.

    O desempenho reflete diretamente o efeito da bienalidade positiva, que favorece maior carga produtiva, além do clima mais regular ao longo do ciclo, especialmente em fases críticas como florada e enchimento de grãos.

    Conilon cresce com apoio da área cultivada

    Para o café conilon, a Conab projeta uma produção de 20,9 milhões de sacas, leve alta de 0,8% frente à safra anterior. O crescimento ocorre mesmo com a queda de 3,5% na produtividade média, estimada em 53,9 sacas por hectare.

    A expansão da área em produção, que deve atingir 388,22 mil hectares, sustenta o resultado positivo e compensa o recuo no rendimento das lavouras.

    Minas Gerais impulsiona produção nacional

    Minas Gerais, principal produtor de café do país, deve colher 33,4 milhões de sacas, considerando arábica e conilon. O volume representa um aumento de 29,8% em relação à safra passada.

    O estado se beneficia da bienalidade positiva e de uma melhor distribuição das chuvas, principalmente no período pré-florada, além de condições climáticas favoráveis até março, fatores que garantiram boa granação e elevaram a produtividade.

    Espírito Santo mantém estabilidade com destaque para arábica

    No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a produção total deve atingir 18 milhões de sacas, alta de 3%. O arábica lidera o crescimento, com avanço de 27,9% na produtividade e produção estimada em 4,4 milhões de sacas.

    Já o conilon deve registrar queda de 4,2%, com colheita prevista em 13,6 milhões de sacas. O recuo reflete o alto desempenho registrado em 2025 e as temperaturas abaixo da média durante o ciclo, que afetaram o desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, a produtividade segue como a segunda maior da série histórica no estado.

    Bahia, São Paulo e Rondônia ampliam produção

    Na Bahia, a safra deve crescer 5,9%, alcançando 4,7 milhões de sacas. O resultado combina clima regular, maior investimento em manejo e entrada de novas áreas em produção.

    Em São Paulo, onde predomina o cultivo de arábica, a produção pode atingir 5,9 milhões de sacas, alta de 24,6%.

    Rondônia, com produção exclusiva de conilon, deve colher 2,8 milhões de sacas, crescimento de 19,4%. O avanço resulta da renovação de lavouras com materiais clonais mais produtivos e das condições climáticas favoráveis desde o início do ciclo.

    Exportações caem no início do ano, mas devem reagir

    O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de café entre janeiro e abril de 2026, queda de 22,5% na comparação anual, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A redução reflete os baixos estoques internos, pressionados pela menor produção nos ciclos anteriores e pela demanda externa aquecida. Com a recuperação da safra, a expectativa é de retomada das exportações no segundo semestre.

    Produção global cresce, mas preços seguem sustentados

    No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de 178,8 milhões de sacas no ciclo 2025/26, alta de 2%.

    Mesmo com o avanço, os preços devem permanecer firmes, sustentados pelos baixos estoques globais e pela expectativa de crescimento de 1,3% na demanda, estimada em 173,9 milhões de sacas.

  • Funcafé libera R$ 7,3 bilhões para fortalecer cafeicultura na safra 2026/2027

    Funcafé libera R$ 7,3 bilhões para fortalecer cafeicultura na safra 2026/2027

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21) a portaria que define o direcionamento dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o financiamento da cafeicultura no Ano Safra 2026/2027. Ao todo, o governo destinou R$ 7,368 bilhões ao setor.

    Os valores já tinham recebido aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) por meio da Resolução nº 5.289, divulgada em 26 de março de 2026. Dessa forma, o governo fortalece o suporte à cadeia produtiva do café, uma das mais relevantes do agronegócio brasileiro.

    Comercialização concentra maior volume de recursos

    A linha de Comercialização ficou com a maior parcela dos recursos aprovados. O governo direcionará R$ 2,713 bilhões, valor que corresponde a 37% do total disponibilizado. Com isso, o setor busca ampliar a estabilidade do mercado e fortalecer as vendas da produção cafeeira.

    Além disso, a linha de Aquisição de Café receberá R$ 1,708 bilhão, o equivalente a 23% do orçamento. Essa modalidade atende diferentes segmentos da cadeia produtiva e contribui para sustentar o mercado.

    Já os financiamentos de Custeio contarão com R$ 1,616 bilhão, representando 22% dos recursos totais. Enquanto isso, o segmento de Capital de Giro terá acesso a R$ 1,150 bilhão, quantia que equivale a 16% do montante aprovado.

    Por sua vez, a linha de Recuperação de Cafezais contará com R$ 180 milhões, o que representa 2% do orçamento da safra.

    Distribuição dos recursos seguirá critérios do governo

    Segundo a portaria, o governo distribuirá os recursos entre as instituições financeiras com base em critérios que a autoridade competente ainda definirá em ato normativo específico.

    A Secretaria de Política Agrícola do Mapa, responsável pela gestão do Funcafé, reforçou a importância dos incentivos à produção nacional. Além disso, o órgão destacou o reconhecimento internacional do café brasileiro, conhecido pela qualidade e pela força econômica da cafeicultura.

    Funcafé também investe em pesquisa e sustentabilidade

    Além de financiar produtores e empresas do setor, o Funcafé garante liquidez ao mercado, amplia a previsibilidade financeira e permite respostas mais rápidas diante de crises climáticas ou oscilações econômicas. Ao mesmo tempo, o fundo incentiva práticas mais sustentáveis na produção cafeeira.

    Os investimentos também abrangem pesquisa, capacitação de produtores e técnicos e ações de promoção do café brasileiro no mercado internacional. Parte desse trabalho ocorre por meio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

    Com essa parceria, o setor amplia a competitividade do produto brasileiro e fortalece a sustentabilidade e a qualidade do café nacional no exterior.

    Edital para instituições financeiras

    O governo também publicou o edital de chamamento para contratar instituições financeiras integrantes do Sistema Nacional de Crédito Rural, que atuarão como agentes financeiros do Funcafé.

    De acordo com o edital, as propostas deverão ser enviadas ao e-mail oficial do programa entre 1º de junho de 2026, às 8h, e 15 de junho de 2026, às 18h.

    A análise dos documentos acontecerá entre os dias 16 e 22 de junho. Já a divulgação da lista de instituições habilitadas está prevista para ocorrer entre 23 e 26 de junho de 2026. A relação será disponibilizada no Portal de Compras do Governo Federal.

  • Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    A produção brasileira de grãos deve atingir 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 8º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 1,6% em relação ao ciclo anterior, com incremento de 5,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do sorgo.

    A soja lidera o avanço e pode atingir produção recorde de 180,1 milhões de toneladas, superando em 0,5% a estimativa anterior. Com 98,3% da área já colhida, a oleaginosa deve crescer 5% na comparação com a safra passada, o equivalente a 8,6 milhões de toneladas a mais. O resultado marca o sétimo aumento em dez ciclos consecutivos.

    O milho também mantém desempenho relevante. A primeira safra deve alcançar cerca de 28,5 milhões de toneladas, avanço de 3,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela expansão da área plantada. No total das três safras, a produção do cereal deve chegar a 140,2 milhões de toneladas, configurando o segundo maior volume da série histórica.

    A segunda safra de milho, já totalmente semeada, deve produzir 108,5 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,6%. O impacto climático em estados como Goiás e Minas Gerais explica parte da redução, apesar do aumento de 2,1% na área plantada em nível nacional.

    Sorgo como alternativa estratégica

    O sorgo desponta como alternativa estratégica no campo e pode registrar crescimento de até 23,8%, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas. A expansão da área cultivada ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde o avanço chegou a 50,7%. Em Goiás, maior produtor nacional, a produção deve superar 2,2 milhões de toneladas, alta de 40,3%.

    Segundo a Conab, a substituição do milho pelo sorgo em áreas fora da janela ideal de plantio explica o movimento. A cultura apresenta maior tolerância ao déficit hídrico e oferece versatilidade de uso, incluindo alimentação animal e produção de etanol.

    Entre os alimentos básicos, o arroz deve registrar leve queda de 0,3%, com produção estimada em 11,1 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da diminuição de 13,7% na área plantada. Ainda assim, a produtividade aumentou e alcançou 7.281 quilos por hectare, com 94,6% da área já colhida.

    A produção de feijão também deve recuar 5,2%, somando 2,9 milhões de toneladas nas três safras. A primeira safra apresentou ganho de produtividade de 4,3%, com produção próxima de 969 mil toneladas. Mesmo com a retração, a Conab descarta risco de desabastecimento no mercado interno.

    Algodão tem queda na na produção

    No algodão, a expectativa é de produção de aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao ciclo anterior, reflexo da redução de área e produtividade. Já o trigo deve somar 6,4 milhões de toneladas, com retração de 1,5 milhão de toneladas, influenciada pela menor área semeada no Rio Grande do Sul e no Paraná.

    No mercado, a demanda por milho deve crescer impulsionada pela indústria de etanol. O consumo interno tende a avançar 4,6%, alcançando 94,86 milhões de toneladas. As exportações também devem subir e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento da demanda, o estoque final deve ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas.

    Para a soja, as exportações acompanham o desempenho da safra e podem chegar a 116 milhões de toneladas, alta de 7,25% em relação à temporada anterior.

  • Centro-Sul amplia produtividade da cana na safra 2026/27

    Centro-Sul amplia produtividade da cana na safra 2026/27

    A produtividade da cana-de-açúcar cresceu 13% no Centro-Sul no início da safra 2026/27. Dados do CTC, o Centro de Tecnologia Canavieira, mostram média de 83,4 toneladas por hectare em abril. No mesmo período da safra passada, a produtividade alcançou 73,8 toneladas por hectare.

    O resultado confirma avanço importante no desempenho dos canaviais da principal região produtora do país. Além da maior produtividade, a qualidade da matéria-prima também apresentou leve crescimento em abril.

    O ATR, índice que mede o Açúcar Total Recuperável, subiu 0,5% na comparação anual. A média passou de 112,1 quilos por tonelada na safra 2025/26 para 112,6 quilos na atual temporada.

    Início da safra

    Abril marcou oficialmente o início da safra 2026/27 no Centro-Sul brasileiro. Nesse cenário, a moagem de cana-de-açúcar avançou de forma expressiva na primeira quinzena do mês.

    Segundo dados da Unica, a União das Indústrias de Cana-de-açúcar e Bioenergia, o processamento cresceu 19,67%. O aumento da moagem reforça o ritmo mais intenso das usinas neste começo de safra.

    Além disso, a produção manteve forte direcionamento para o mercado de biocombustíveis. De acordo com a entidade, cerca de dois terços da cana processada foram destinados à fabricação de etanol.

  • Safra menor pode reduzir estoques de suco de laranja

    Safra menor pode reduzir estoques de suco de laranja

    A safra 2026/27 de laranja deve somar 255,2 milhões de caixas no cinturão citrícola paulista e mineiro. O volume representa queda de 13% frente à temporada anterior, segundo estimativa divulgada pelo Fundecitrus neste mês. A projeção considera a produção de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, principais regiões citrícolas do Brasil.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a menor oferta brasileira pode reduzir a pressão sobre os estoques globais de suco. Além disso, o cenário pode limitar os excedentes acumulados durante a safra 2025/26. Os analistas destacam, porém, que a recuperação dos preços internacionais dependerá da retomada da demanda global.

    De acordo com o Cepea, o ajuste produtivo sozinho não garante alta das cotações no mercado internacional. Os pesquisadores afirmam que os principais mercados consumidores seguem mais cautelosos nesta temporada.

    O setor também enfrenta um cenário diferente daquele registrado durante a escassez de 2024. Naquele período, a forte restrição de oferta elevou rapidamente os preços internacionais do suco de laranja. Além disso, os estoques globais estavam em níveis extremamente baixos naquele momento.

    Agora, o mercado opera com maior disponibilidade relativa de produto e recomposição parcial dos estoques mundiais. Esse contexto reduz a sensibilidade dos preços internacionais às oscilações da oferta brasileira. Com isso, o mercado tende a reagir de forma mais moderada às perdas produtivas da safra 2026/27.

  • Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Quem olha rápido para uma espiga de milho pode até achar que aqueles fios dourados são apenas uma camada incômoda antes do preparo. Mas é justamente ali que acontece uma das etapas mais importantes da produção.

    https://youtube.com/shorts/fAmsEiJp3Vw?si=zTKUYadcn5J2OpSM

    O chamado “cabelo” do milho, conhecido tecnicamente como estigma ou seda, funciona como a parte feminina da planta. Na prática, isso significa que uma espiga só consegue formar um grão quando aquele fio específico recebe o pólen vindo do pendão, a estrutura masculina localizada no topo da planta.

    Um fio pode definir produtividade

    O processo parece simples, mas é extremamente sensível. O pólen cai sobre o cabelo do milho e percorre o interior do fio até alcançar o óvulo na espiga. A partir daí, ocorre a fecundação que origina o grão.

    É por isso que falhas na polinização costumam aparecer diretamente na espiga, deixando espaços vazios entre os grãos. Em muitos casos, calor excessivo, estiagem ou baixa emissão de pólen comprometem essa etapa silenciosa da lavoura.

    Além disso, a quantidade de cabelos visíveis também serve como um indicativo do potencial produtivo da espiga. Quanto mais fios férteis e bem polinizados, maior a chance de uma formação completa de grãos.

    Também está nos chás e receitas

    Apesar de quase sempre ir para o lixo, o cabelo do milho também tem modos de uso variados. Em várias regiões, ele é utilizado em chás e preparos caseiros por conta das propriedades associadas à ação diurética, antioxidante e anti-inflamatória.

    Além dos usos medicinais populares, algumas receitas incorporam a seda em saladas, caldos e sopas. Ainda assim, a maior importância continua ligada ao desenvolvimento da planta.