Tag: safra

  • Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio nacional, enxergou nos primeiros 15 dias de abril alguma melhora na adimplência das operações de custeio. O banco, porém, mantém a cautela. O setor acumula uma escalada de recuperações judiciais e agora ainda precisa lidar com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os custos da próxima safra.

    Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (23) por executivos do BB durante o BB Day. O fluxo de vencimentos do agro soma R$ 155,6 bilhões em 2026, com 59,4% concentrados no período de abril a setembro. Do total, R$ 87,8 bilhões correspondem a crédito de custeio.

    A carteira muda, mas o passado ainda pesa

    O vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar, Gilson Bittencourt, explicou que mais de 80% do que o banco recebe em custeio neste mês ainda vem de operações contratadas entre abril e junho do ano passado. Ou seja, boa parte do que vence agora carrega a marca das condições antigas de concessão de crédito.

    No entanto, a fatia da carteira originada com alienação fiduciária e reforço de garantias já mostra um desempenho visivelmente melhor em adimplência. Essa parcela ainda representa cerca de 20% do recebimento de custeio, mas o banco vê nela um sinal encorajador.

    Recuperação em U ou em W? O BB não sabe ainda

    A maior incógnita no horizonte está na trajetória de recuperação das renegociações de crédito. O vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias, admitiu que o banco ainda não tem resposta sobre como essa curva vai se desenhar.

    “Ainda estamos observando o comportamento de como as renegociações dentro do agro vão performar, a nova safra que vai ser colhida, se essa recuperação tende a ser uma recuperação em U ou em W. Ainda não sabemos, eu suspeito que talvez seja mais uma recuperação em W”, afirmou.

    Uma recuperação em W significa que o setor pode sofrer uma nova piora depois de uma melhora inicial. Para o produtor rural, isso se traduz em mais incerteza no acesso a crédito futuro e condições possivelmente mais rigorosas na hora de contratar financiamento.

    No âmbito da MP 1314, que autoriza renegociações de dívidas, o fluxo de vencimentos soma R$ 36,5 bilhões. Desse total, 91,8% têm garantia de imóvel e mais de 72% estão vinculados a alienação fiduciária. Já na carteira prorrogada, os vencimentos chegam a R$ 64,5 bilhões.

    Recuperações judiciais caem, mas produtores buscam saída

    O volume de novos processos de recuperação judicial recuou de forma consistente nos últimos trimestres. No primeiro trimestre de 2026, os pedidos somaram R$ 1,34 bilhão. No terceiro trimestre do ano passado, esse número chegou a R$ 1,84 bilhão, ou seja, uma redução considerável. O número de novos registros também caiu: foram 162 no primeiro trimestre de 2026, ante 209 no terceiro trimestre de 2025.

    O vice-presidente de gestão de risco, Felipe Prince, chamou a atenção para um dado que revela a pressão que os produtores endividados estão sentindo. Alguns deles chegam ao banco querendo encerrar o processo de recuperação judicial porque estão sem acesso a crédito para a nova safra.

    “Eles estão no momento de fazer os investimentos para a nova safra e não encontram crédito. E aí têm nos procurado para que possamos apoiar nesse processo de saída das recuperações judiciais”, relatou Prince.

    Prince também ressaltou que a carteira da safra 2025/26 apresenta um perfil de vencimentos mais equilibrado e com saldo menor, resultado de uma política mais criteriosa na concessão de crédito. “E aí passamos a entregar safras (de crédito) melhores”, reforçou.

    Guerra no Irã e o risco para a safra 26/27

    Um fator externo ganhou espaço na discussão: a guerra no Oriente Médio. Por ora, o impacto sobre os custos dos produtores da safra atual é limitado. Prince explicou que os insumos já estavam nas fazendas quando o conflito eclodiu e a produção da safra 2025/26 está em fase de encerramento. No entanto, a próxima safra é outra história.

    “Agora, sim, pode trazer um efeito para a próxima safra”, afirmou Prince. O BB acompanha os desenvolvimentos do conflito para ajustar os modelos de concessão de crédito da safra 2026/27, prevendo uma possível elevação de custos conforme o conflito se prolongue ou não.

    Bittencourt, por sua vez, fez questão de colocar ponderação na análise. Segundo ele, qualquer afirmação sobre margens apertadas ou dificuldades dos produtores neste momento é, nas palavras dele, “estudo de futurologia”. A maior parte dos insumos para a próxima safra será comprada a partir de junho e julho. “Pode ser sim, se chegarmos em junho e a guerra ainda estiver em andamento, o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda estiver com limitações de transporte, pode sim (ter um impacto) e estamos nos preparando para isso”, concluiu.

  • Preço do café robusta tem menor média desde março de 2024

    Preço do café robusta tem menor média desde março de 2024

    Os preços do café seguem voláteis em abril, mas registram tendência predominante de queda no mercado brasileiro. Além disso, o recuo atinge principalmente o café robusta, pressionado pelo avanço gradual da colheita.

    Na parcial de 1º a 20 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta registra média de R$ 903,90 por saca. Esse valor representa o menor patamar desde março de 2024, em termos reais corrigidos pelo IGP-DI. Naquele período, a média havia sido de R$ 892,73 por saca de 60 kg.

    Além disso, o indicador atual está 11,55% abaixo da média registrada em março de 2026. Segundo o Cepea, a pressão sobre os preços está ligada ao avanço da colheita do robusta.

    As atividades no campo ganham ritmo mais rapidamente no robusta do que no café arábica. Por outro lado, fatores geopolíticos e cambiais também intensificam a volatilidade dos preços.

    Café arábica

    No caso do café arábica, os preços também recuam na parcial de abril. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica registra média de R$ 1.824,91 por saca de 60 kg.

    Esse valor representa queda de 4,6% em relação à média de março de 2026. A redução equivale a R$ 88,98 por saca no período analisado.

    Além disso, o preço do arábica atinge o menor nível desde julho de 2025. Naquele momento, o mercado atravessava o período de plena safra nacional.

  • Sem crédito, sem escala: a solução que muda a produção de borracha na Amazônia

    Sem crédito, sem escala: a solução que muda a produção de borracha na Amazônia

    A cadeia da borracha na Amazônia sempre esbarrou nos mesmos obstáculos. Falta crédito, sobra incerteza, e a produção acaba ficando aquém do potencial. Agora, um arranjo que avança no interior do Amazonas começa a mexer nessa lógica e chama atenção pelos resultados recentes.

    Presente em cinco municípios, Manicoré, Eirunepé, Pauini, Barcelos e Canutama, o chamado Arranjo da Borracha ganhou tração nos últimos ciclos e vem se consolidando como uma alternativa prática para estruturar a sociobioeconomia na região.

    Crescimento que chama atenção

    Entre as safras 2022/2023 e 2024/2025, o número de negócios comunitários envolvidos subiu de sete para onze. Esse avanço não ficou só no papel. Na safra mais recente, o arranjo movimentou cerca de R$ 3,1 milhões e beneficiou diretamente 636 famílias extrativistas.

    Na prática, isso significa mais previsibilidade de renda em um setor historicamente marcado por instabilidade. Além disso, indica que a organização coletiva começa a reduzir um problema crônico da região: a dificuldade de acessar mercados de forma consistente.

    O crédito que muda o jogo

    O ponto central do modelo está no chamado crédito educativo. Diferente de linhas tradicionais, ele está vinculado a contratos de venda. Assim, as associações conseguem capital de giro antes da entrega da produção.

    Isso resolve gargalos antigos. Entre eles, a falta de escala, os custos logísticos elevados e, principalmente, a ausência de previsibilidade. Com o financiamento alinhado à comercialização, o risco diminui e o planejamento melhora.

    A Conexsus lidera essa estrutura, oferecendo o crédito a custo zero e articulando parceiros que entram com capital para reduzir riscos e sustentar a operação.

    Um dos mecanismos mais relevantes do arranjo é o uso da conta escrow. Nela, o comprador deposita o pagamento da produção, mas o dinheiro só é liberado conforme as condições acordadas previamente.

    Esse detalhe técnico faz diferença. Ele aumenta a transparência, reduz conflitos e cria um ambiente mais seguro para ambos os lados. Para o produtor, significa menos risco de inadimplência. Para o comprador, maior controle sobre a entrega.

    Mais do que financiamento

    O modelo não se limita ao crédito. Ele inclui capacitação em gestão, protocolos comerciais e adequação a padrões de mercado, como rastreabilidade e indicadores socioambientais.

    Na safra 2025/2026, o arranjo avançou mais um passo com a implementação de um protocolo de gestão que permite liberar recursos conforme a demanda de cada negócio comunitário. Os repasses ocorrem entre agosto e dezembro, acompanhando o ritmo produtivo local.

    Esse processo é monitorado pelo programa Veredas, que acompanha o uso dos recursos e reforça a sustentabilidade das operações.

    Um sinal para a sociobioeconomia

    Ao conectar conhecimento tradicional com exigências de mercado, o Arranjo da Borracha reposiciona uma cadeia histórica da Amazônia. Mais do que aumentar a produção, ele reorganiza a forma como o valor circula.

    Pedro Frizo, diretor da Conexsus, resume o impacto: “Entendemos o Arranjo da Borracha como caso exemplar de conexão entre negócios comunitários e empresas compradoras, onde o crédito educativo, acompanhado de assistência técnica e financeira, têm o potencial de fortalecer as organizações e expandir significativamente a sua capacidade de geração de renda.”

    O que está em jogo vai além da borracha. O modelo começa a mostrar que, quando crédito, mercado e organização caminham juntos, até cadeias consideradas estagnadas podem ganhar novo fôlego.

  • Safra de laranja 2026/27 avança com incertezas

    Safra de laranja 2026/27 avança com incertezas

    A safra brasileira de laranja 2026/27 se aproxima com dúvidas sobre contratos e preços. A produção ocorre no cinturão de São Paulo e no Triângulo Mineiro.

    Segundo o Cepea, o mercado ainda não sinaliza contratos exclusivos para a nova temporada. Além disso, o setor mantém cautela diante das indefinições sobre volumes e valores negociados.

    A exemplo do ciclo anterior, a safra deve apresentar perfil mais tardio. Nesse cenário, a produção pode se concentrar na segunda florada. Os pesquisadores indicam que o mercado deve definir preços e volumes apenas em 8 de maio. A data coincide com a divulgação do levantamento do Fundecitrus.

    Em termos gerais, o Cepea projeta uma safra ligeiramente menor que a anterior. Ainda assim, o volume total deve permanecer elevado. Por outro lado, o cenário preocupa agentes do setor. O mercado enfrenta dificuldades no escoamento de suco e nos embarques brasileiros.

    Além disso, a safra 2025/26 pode terminar com estoques elevados e suco de boa qualidade. Com isso, a indústria pode limitar a absorção da nova produção. O setor inicia o novo ciclo sem clareza sobre preços e demanda externa. A Europa ainda não comprou os volumes tradicionais até o momento.

  • Justiça condena vizinhos por abalo psicológico de agricultor após perder safra de eucalipto em MG

    Justiça condena vizinhos por abalo psicológico de agricultor após perder safra de eucalipto em MG

    A Justiça de Uberlândia (MG) condenou dois vizinhos de um agricultor por causar abalo psicológico ao produtor após ele perder parte da safra de eucalipto. A decisão destaca os riscos do uso irregular de agrotóxicos e reforça a responsabilidade dos agricultores quanto ao manejo seguro de defensivos.

    Prejuízo na lavoura e responsabilidade dos vizinhos

    O agricultor percebeu danos significativos em sua plantação de eucalipto. As inspeções revelaram que a causa foi a deriva de agrotóxicos aplicados irregularmente pelos vizinhos. Como resultado, a produtividade caiu e o produtor sofreu prejuízos econômicos relevantes.

    Além disso, o caso demonstra que aplicar defensivos fora das normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) não prejudica apenas a lavoura vizinha. Por isso, é essencial que todos os agricultores sigam as regras técnicas, garantindo proteção ambiental e legal.

    Reconhecimento do abalo psicológico

    O juiz destacou que a perda da safra causou impactos emocionais graves. O laudo pericial indicou que o estresse afetou a rotina do agricultor e seu bem-estar. Por isso, a Justiça determinou a indenização, reforçando que os danos morais também são passíveis de reparação quando a conduta do vizinho prejudica a vida emocional do trabalhador rural.

    Deriva de agrotóxicos e cuidados no campo

    Especialistas em agronomia explicam que a deriva ocorre quando partículas do defensivo se deslocam pelo vento e atingem áreas vizinhas. Assim, aplicar produtos sem orientação técnica ou em condições climáticas inadequadas aumenta significativamente os riscos.

    Além disso, a deriva não afeta apenas a produtividade. Ela também pode prejudicar a saúde de pessoas, animais e o equilíbrio ambiental. Por isso, manter registros detalhados de aplicação e cultivo ajuda a proteger os direitos do agricultor caso surjam problemas.

    Precedentes e proteção do produtor

    Decisões como essa reforçam que a legislação brasileira protege os agricultores tanto contra prejuízos materiais quanto emocionais. Além disso, os casos alertam vizinhos sobre a responsabilidade compartilhada no uso de agrotóxicos.

    Para o agricultor, a condenação representa uma compensação financeira e o reconhecimento da gravidade da situação. Assim, o caso de Uberlândia serve como alerta para que todos os produtores rurais adotem boas práticas, garantindo segurança e respeito mútuo no campo.

  • Milho depende da chuva e risco cresce na segunda safra

    Milho depende da chuva e risco cresce na segunda safra

    O atraso no plantio da segunda safra de milho aumentou o risco climático e, ao mesmo tempo, elevou a dependência das chuvas no Brasil.

    Agora, abril e maio ganham ainda mais importância. Isso porque a cultura entra na fase de enchimento de grãos justamente quando as precipitações começam a perder força. Por isso, produtores acompanham o clima com mais atenção.

    Safrinha entra em fase decisiva

    Com o plantio fora da janela ideal, muitas áreas passaram a depender diretamente das condições climáticas.

    Em regiões como Goiás, Matopiba e parte do Mato Grosso do Sul, o risco aumentou. Isso ocorre porque o ciclo da cultura avança em um período mais seco. Além disso, a irregularidade das chuvas pode limitar o potencial produtivo. Por outro lado, no Mato Grosso, o plantio aconteceu mais cedo. Ainda assim, a produtividade também depende da distribuição das chuvas.

    Atraso no plantio pressiona produção

    O atraso na semeadura ocorreu, principalmente, por causa da colheita mais lenta da soja.

    Como resultado, muitos produtores plantaram fora do período recomendado. Em Goiás, cerca de 70% da área ficou fora da janela ideal. Já no Mato Grosso, esse índice é menor, mas ainda exige atenção.

    Dessa forma, a exposição ao risco climático aumentou em boa parte das lavouras.

    Safra de verão equilibra oferta

    Enquanto a safrinha enfrenta incertezas, a safra de verão avança e sustenta a oferta no curto prazo.
    Por isso, o aumento da disponibilidade pressiona os preços em algumas regiões. Ao mesmo tempo, o mercado segue atento ao desempenho da segunda safra.

    Assim, o equilíbrio entre oferta atual e expectativa futura passa a guiar as negociações.

    Mercado oscila com cenário externo

    No cenário internacional, os preços do milho oscilaram nas últimas semanas.

    Primeiro, as cotações recuaram, pressionadas pelo dólar e pelo andamento da safra global. Depois, o mercado reagiu com a alta do petróleo e da soja, que influenciam custos e demanda.

    Além disso, fatores externos continuam trazendo volatilidade para os preços.

    Preços reagem no mercado interno

    No Brasil, o milho perdeu força em fevereiro, principalmente devido à maior oferta da safra de verão.
    No entanto, ao longo de março, o movimento mudou. Em regiões como Campinas (SP), os preços voltaram a subir.

    Esse avanço reflete tanto o cenário internacional quanto as incertezas sobre a safrinha. Por isso, o mercado já começa a precificar possíveis impactos na produção.

    Clima segue como principal fator

    Diante desse cenário, o clima se mantém como o principal ponto de atenção.

    Se as chuvas continuarem irregulares, a produtividade pode cair. Por outro lado, caso o clima ajude, parte das perdas pode ser reduzida.
    Assim, produtores e mercado seguem atentos às próximas semanas, que devem definir o rumo da safra.

  • Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    O otimismo marca a abertura da safra 2025/26 no Estado de São Paulo. Segundo o novo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), divulgado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, as principais culturas de grãos e o café devem puxar o crescimento da produção paulista, enquanto a laranja e a cana-de-açúcar ainda enfrentam retração de área e produtividade limitada.

    O milho de primeira safra desponta como o principal destaque. A produção esperada é de 2,01 milhões de toneladas, alta de 38% em relação ao ciclo anterior. O avanço reflete tanto a expansão de 23,1% da área plantada quanto o aumento de 12,2% na produtividade, que deve alcançar 7.469 kg/ha. Cinco regiões estratégicas concentram 58,6% do total produzido no estado.

    A soja segue o mesmo ritmo positivo. A estimativa aponta para 4,57 milhões de toneladas, crescimento de 11% frente à safra passada. A produtividade média deve atingir 3.663 kg/ha, considerada recorde. A região de Itapeva lidera a produção, com quase 19% do total estadual, seguida por Assis e Ourinhos. Juntas, essas três regiões respondem por 39,7% do volume produzido em São Paulo.

    Café mantém protagonismo e aumenta produtividade

    O levantamento também projeta avanço no setor cafeeiro, com colheita estimada em 4,7 milhões de sacas de 60 kg. Apesar da redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve subir 5,7%. A regional de Franca mantém a liderança e deve responder por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas.

    Em seguida aparecem São João da Boa Vista, com 1,1 milhão de sacas (23,6%), e Ourinhos, que supera Marília pela primeira vez e assume a terceira posição no ranking paulista.

    Laranja e cana recuam na safra 2024/25

    Os números consolidados da safra 2024/25 mostram dificuldades para a citricultura e a cana-de-açúcar. A produção de laranja fechou em 268,7 milhões de caixas, alta de 2,8% na produtividade (30.965 kg/ha), mas com redução de 9,5% da área cultivada. O recuo está ligado ao avanço do greening, doença que ameaça pomares em todo o mundo, e às variações climáticas registradas durante o ciclo.

    Já a cana-de-açúcar destinada à indústria fechou o período com 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% ante a safra anterior. A área total recuou 4,8%, para 5,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade, de 78.057 kg/ha, cresceu levemente 0,5%. As regionais de São José do Rio Preto (8,2%), Barretos (7,2%) e Ribeirão Preto (6,8%) concentram 22,2% da produção estadual.

    Como o levantamento foi realizado

    O levantamento do IEA-APTA contou com a participação das Casas de Agricultura dos 645 municípios paulistas, entre novembro e dezembro de 2025. O estudo reúne as culturas de maior relevância econômica e avalia o comportamento da área plantada, produtividade e volume produzido. O instituto divulga cinco relatórios anuais com previsões e estimativas sobre a agricultura paulista.

  • Chuvas elevam expectativa de safra recorde de café

    Chuvas elevam expectativa de safra recorde de café

    O clima favorece a safra brasileira de café 2026/27 na maioria das regiões produtoras. Após um dezembro desafiador, 2026 trouxe condições climáticas mais favoráveis ao campo. Em dezembro, altas temperaturas e poucas chuvas prejudicaram o desenvolvimento das lavouras. Desde o início de 2026, no entanto, o cenário climático confirma perspectivas positivas aos produtores.

    Segundo pesquisadores do Cepea, chuvas marcaram a primeira quinzena de março nas regiões produtoras.
    Essas precipitações ajudaram o enchimento dos grãos de café arábica. Além disso, as chuvas contribuíram para o desenvolvimento final do café robusta.

    Com isso, o clima favorável reforça a expectativa de safra recorde de café em 2026/27. A produção de arábica deve impulsionar principalmente esse resultado positivo.

    No caso do robusta, pesquisadores indicavam uma expectativa inicial menos promissora para a temporada.
    Apesar disso, as condições climáticas também favoreceram o desenvolvimento dessa variedade.
    Embora março registre chuvas menos volumosas, o cenário ainda sustenta projeções otimistas. Assim, agentes do setor passaram a apostar em uma colheita próxima à safra passada.

  • Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    As chuvas concentradas no Centro-Norte do Brasil entre 1º e 24 de fevereiro garantiram boas condições para o desenvolvimento das principais lavouras, segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento mostra volumes expressivos na região Norte e na faixa que vai do Amazonas ao Centro-Oeste e Sudeste, beneficiando o armazenamento de água no solo e impulsionando os cultivos da primeira e segunda safra.

    No Matopiba e em partes do Semiárido nordestino, embora os volumes tenham sido menores, a umidade favoreceu a semeadura e o crescimento das lavouras. Já o Sul do país registrou precipitações bem abaixo da média, limitando o desenvolvimento da soja no Rio Grande do Sul, estado em que grande parte das áreas está em floração e enchimento de grãos.

    Os indicadores espectrais analisados pela Conab confirmam boas condições de vegetação em quase todas as regiões monitoradas. Com índices superiores à média histórica nas fases críticas da soja. Em áreas do sudoeste de Mato Grosso do Sul, oeste de Santa Catarina e noroeste gaúcho, ainda há reflexos das restrições hídricas das últimas safras. No entanto, o índice atual do Rio Grande do Sul se aproxima das temporadas anteriores, que tiveram menor potencial produtivo.

    Distribuição

    A distribuição das chuvas também influenciou o ritmo do plantio do milho segunda safra.

    • Em Mato Grosso, o plantio avançou rapidamente com o andamento da colheita de soja.
    • No Paraná, a baixa umidade atrasou o início da semeadura em várias regiões.
    • No Mato Grosso do Sul, o retorno das chuvas beneficiou o avanço dos trabalhos e garantiu bom desenvolvimento das áreas já plantadas.
    • Em Goiás e Minas Gerais, o excesso de chuva reduziu a janela ideal de cultivo.
    • No Tocantins, o plantio acelerou e as lavouras emergidas apresentam boas condições agronômicas.

    A colheita da soja segue em ritmo consistente em estados como Mato Grosso, apesar das chuvas intensas em parte do Centro-Oeste e Sudeste, que atrasaram a operação em algumas regiões. No Rio Grande do Sul, a irregularidade e o baixo volume das precipitações já reduziram as estimativas de produtividade. E consolidaram estado como o principal ponto de atenção nas análises do boletim.

  • Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    O Brasil inicia a colheita das culturas de primeira safra projetando uma produção de 353,4 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/26. O volume representa um crescimento de 0,3% sobre o ciclo 2024/25 e mantém o país na rota de um novo recorde histórico, segundo o 5º Levantamento da Safra divulgado nesta quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Os agricultores brasileiros expandiram a área plantada para 83,3 milhões de hectares, um avanço de 1,9% que corresponde a 1,5 milhão de hectares adicionais. A produtividade média nacional, no entanto, registra queda de 1,5%, passando de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.244 quilos por hectare no ciclo atual.

    Soja lidera crescimento e estabelece novo marco produtivo

    A cultura da soja consolida sua posição como protagonista da safra brasileira. A Conab projeta uma colheita de 178 milhões de toneladas da oleaginosa, um incremento de 6,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo passado e um novo recorde para a cultura.

    As condições climáticas favoráveis impulsionam o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras. A colheita da soja já avança em 17,4% da área plantada, superando o mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso, maior estado produtor do grão, os agricultores já colheram 46,8% da área, e as produtividades alcançam os níveis estimados inicialmente.

    Milho prevê recuo na produção total, mas primeira safra cresce

    A produção total de milho deve atingir 138,4 milhões de toneladas, representando uma redução de 1,9% em relação ao ciclo anterior. Apesar da queda geral, a primeira safra do cereal apresenta desempenho positivo, com crescimento de 7,2% na área plantada, que chega a 4 milhões de hectares, e produção estimada em 26,7 milhões de toneladas — aumento de 7,1% sobre a safra anterior.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Para a segunda safra, os produtores destinam 17,9 milhões de hectares. O plantio já atinge 21,6% da área estimada na primeira semana de fevereiro, com projeção de colheita de 109,3 milhões de toneladas.

    Arroz reduz área plantada, mas garante abastecimento interno

    Com a semeadura praticamente concluída, a área destinada ao arroz atinge 1,6 milhão de hectares, 11,6% inferior ao ciclo anterior. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, as lavouras atravessam pleno desenvolvimento vegetativo. As chuvas recentes recuperaram os níveis dos mananciais, que enfrentavam redução hídrica nas regiões produtoras do estado.

    arroz
    Foto: Giovani Wrasse/Irga

    A Conab estima uma produção de 10,9 milhões de toneladas. Mesmo com a expectativa de queda, o volume garante o abastecimento do mercado interno.

    Feijão mantém estabilidade e Minas Gerais lidera primeira safra

    A produção de feijão deve se manter próxima a 3 milhões de toneladas, somando os três ciclos da leguminosa. A primeira safra registra redução de 11,4% na área plantada, totalizando 804,7 mil hectares, com expectativa de produção de 967,2 mil toneladas, 9% inferior à safra passada.

    Foto: Divulgacão/GovBA

    A região Sul, especialmente o Paraná, influencia a queda nos números. Em contrapartida, Minas Gerais prevê aumento de 9,5% na produção, chegando a 224,6 mil toneladas e assumindo a liderança como principal produtor de feijão no primeiro ciclo.

    Algodão reduz área plantada em 3,2%

    Os produtores de algodão destinam cerca de 2 milhões de hectares para o cultivo da fibra, redução de 3,2% em relação à safra anterior. A área cultivada deve resultar em uma produção de 3,8 milhões de toneladas de pluma. A Conab informa que os agricultores já semearam 88,1% da área total.

    Foto: divulgação – Embrapa/Fabiano José Perina

    Mercado de milho bate recordes em exportação e consumo interno

    A Conab consolida os dados da comercialização do milho da safra 2024/25. A produção recorde do ciclo passado impulsionou as exportações para 41,5 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A ampla oferta interna e a maior demanda internacional pelo grão elevaram as vendas ao mercado externo. O consumo interno também atingiu novo recorde histórico, saltando de 84 milhões de toneladas na temporada 2023/24 para 90,5 milhões de toneladas na safra passada. O aumento da utilização do milho na produção de etanol explica o crescimento, consolidando a relevância do cereal no setor energético.

    Para a temporada 2025/26, a expectativa aponta novo incremento tanto nas exportações quanto no consumo interno, com estimativas de 46,5 milhões de toneladas e 94,5 milhões de toneladas, respectivamente. Mesmo com a elevação, os estoques de passagem do grão devem se manter em torno de 12 milhões de toneladas em janeiro de 2027.