Tag: milho

  • Soja mantém preços firmes com demanda aquecida

    Soja mantém preços firmes com demanda aquecida

    Mesmo com safra recorde estimada em 180 milhões de toneladas, a soja mantém preços firmes no Brasil. A demanda interna e externa sustenta o mercado, enquanto derivados avançam e reforçam as cotações. Além disso, o Cepea aponta fatores externos que influenciam os preços.

    No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio pressiona o petróleo e eleva a competitividade do biodiesel. Esse movimento aumenta a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

    Trabalho no campo

    No campo, a colheita alcança 92,1% da área, segundo a Conab. Apesar disso, regiões apresentam ritmos distintos e refletem condições climáticas variadas.

    No Sul, Santa Catarina atinge 71%, enquanto o Rio Grande do Sul chega a 65%. Ambos os estados registram desempenho inferior ao mesmo período do ano passado.

    No Matopiba, o avanço segue irregular entre os estados produtores. Tocantins quase conclui a colheita, com 98% da área finalizada.

    Por outro lado, Maranhão registra 65% e Bahia alcança 90%, ambos com atraso anual. No Piauí, a colheita atinge 96% e mantém ritmo próximo ao observado em 2025.

    Na Argentina, chuvas pontuais interrompem a colheita e mantêm o ritmo irregular. Nos Estados Unidos, chuvas recentes aliviam o clima, mas limitam temporariamente o trabalho no campo. Ainda assim, o plantio atinge 23% da área prevista até 26 de abril. O percentual supera o registrado no ano passado e a média dos últimos cinco anos.

    Milho

    No mercado de milho, a liquidez segue limitada nas principais regiões produtoras do Brasil. Compradores priorizam estoques já adquiridos e acompanham o avanço da safra de verão. Ao mesmo tempo, vendedores restringem a oferta e demonstram cautela diante da irregularidade climática.

    Nesse cenário, os preços registram leves ajustes conforme condições regionais de oferta e demanda. Em São Paulo, cotações sobem levemente, impulsionadas pela menor disponibilidade de vendedores. Por outro lado, Sul e Centro-Oeste apresentam quedas nos preços do cereal.

    A pressão vem do avanço da colheita no Sul e dos elevados estoques disponíveis. Além disso, a safra robusta de soja no Centro-Oeste amplia a necessidade de negociação do milho. Esse contexto leva produtores a comercializar o cereal, mesmo com preços relativamente estáveis

  • Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Você pega o pacote de arroz para cozinhar e encontra aquela farinha fina acumulada no fundo. Ou, pior ainda, avista pequenos insetos se movimentando entre os grãos. É uma cena familiar para boa parte das famílias brasileiras, e a reação imediata costuma ser jogar tudo fora com repulsa. Mas a situação é mais complexa do que parece, e a resposta para a pergunta que todo mundo já fez, “caruncho faz mal?”, depende de alguns fatores que vale conhecer antes de tomar qualquer decisão.

    De onde vem o caruncho e por que ele aparece nos grãos

    Antes de qualquer coisa, é preciso derrubar um equívoco comum: o caruncho não nasce necessariamente por descuido do consumidor. Segundo a agrônoma e professora Cristina Schetino Bastos, da Universidade de Brasília, o ciclo da infestação pode começar ainda na lavoura, durante a colheita, e seguir por todas as etapas, incluindo transporte, beneficiamento e armazenamento. Ou seja, o inseto pode chegar à despensa de casa dentro do próprio pacote lacrado.

    O nome “caruncho” é, na verdade, um termo genérico. A professora explica que ele designa popularmente mais de uma espécie de besouro que infesta produtos armazenados, com destaque para o Sitophilus zeamais, um besouro pequeno também conhecido como bicudo. Essa espécie é especialmente problemática porque tem alta capacidade de sobrevivência e consegue perfurar grãos intactos, o que dificulta o controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

    Os insetos se associam principalmente a arroz, milho e trigo e, por consequência, a derivados como macarrão e farinhas. E as condições do ambiente doméstico podem acelerar a proliferação: umidade moderada e temperaturas favoráveis criam o cenário ideal para o desenvolvimento dos insetos, enquanto ambientes muito secos ou com temperaturas extremas dificultam sua sobrevivência.

    Freezer, recipientes de vidro e atenção à mistura de alimentos novos com antigos estão entre as medidas mais eficazes para manter caruncho longe — (Foto: Tomasz Klejdysz/Getty Imagens)

    Comer alimento com caruncho faz mal?

    Aqui está a resposta que a maioria das pessoas busca, e ela é menos alarmante do que o estômago sugere no momento do susto. De acordo com a nutricionista Fabiana Ximenes, o consumo acidental desses insetos geralmente não representa um risco grave à saúde. No entanto, podem ocorrer sintomas gastrointestinais leves como náuseas, desconforto abdominal e diarreia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com imunidade baixa.

    Um fator importante nessa equação é o preparo do alimento. O risco é maior quando o alimento contaminado é consumido cru, já que o cozimento tende a eliminar os insetos. Ainda assim, especialistas alertam que confiar apenas no cozimento não é a melhor estratégia. Sinais mais graves de deterioração do produto precisam ser observados antes de qualquer decisão de aproveitamento.

    Grãos empelotados, cheiro alterado e presença de teias indicam que o alimento deve ser descartado, independentemente de qualquer outra consideração. Nesses casos, o risco não está apenas nos insetos, mas no estado geral do produto, que pode ter sofrido contaminação por fungos ou bactérias associadas à infestação prolongada.

    Como evitar o caruncho em casa de forma simples e eficaz

    A boa notícia é que prevenir a infestação doméstica não exige grandes investimentos. Medidas simples de armazenamento reduzem drasticamente o risco de proliferação e protegem toda a despensa. Especialistas recomendam armazenar grãos em recipientes bem fechados, de preferência de vidro, evitar ambientes quentes e úmidos, não misturar alimentos novos com antigos e, quando possível, manter grãos no congelador por um período após a compra.

    Esse último ponto merece atenção especial. Colocar o pacote recém-comprado no freezer por alguns dias elimina eventuais ovos ou larvas que possam ter chegado junto com o produto, interrompendo o ciclo de reprodução antes mesmo que ele comece na despensa de casa.

    Além disso, vale inspecionar embalagens antes de comprar, evitar produtos com sinais de dano na embalagem e preferir compras em locais com bom giro de estoque. No campo e nas propriedades rurais, o controle é ainda mais relevante: a indústria utiliza técnicas como expurgo com gás para eliminar insetos, controle de temperatura e uso de atmosferas modificadas, mas isso não garante ausência total do caruncho no produto final.

  • PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    O agronegócio brasileiro fechou 2025 com um resultado que poucos setores da economia conseguiriam exibir. O PIB do setor avançou 12,20% em relação ao ano anterior, o segundo maior resultado da série histórica, movimentando R$ 3,20 trilhões. É um número impressionante. Só que, por baixo da euforia, existe um sinal que merece atenção.

    O crescimento foi sustentado, em grande parte, pela valorização de preços ao longo do período, um movimento que perdeu força no segundo semestre e já impacta o ritmo da atividade. Em outras palavras: o campo produziu bem e os preços ajudaram, mas essa combinação não vai durar para sempre.

    A pecuária que ninguém esperava ver tão forte

    Se há um protagonista claro de 2025, é a pecuária. O ramo pecuário fechou o ano com a maior expansão entre todos os recortes, crescendo 32,55% no acumulado. O número soa quase exagerado, mas os dados sustentam cada ponto percentual.

    A bovinocultura de corte foi o principal vetor, com o valor bruto da produção subindo 23,71% no ano, resultado de alta de 15,84% nos preços reais e expansão de 6,79% no volume. A agroindústria ligada ao setor foi ainda mais longe: a agroindústria pecuária disparou 36,54%, favorecida pela valorização dos produtos e aumento da produção.

    Foram exportações em volume recorde, preços em patamar historicamente alto e uma cadeia que entregou eficiência de ponta a ponta. O setor de carnes virou, na prática, o motor principal do agro em 2025.

    O lado agrícola cresceu, mas em ritmo diferente

    Enquanto a pecuária acelerava, a agricultura andou em passo mais moderado. O ramo agrícola avançou 3,40%, sustentado pela maior produção de milho, soja, algodão e café. Positivo, mas longe do destaque da pecuária.

    No setor primário como um todo, o crescimento foi de 17,06%, com destaque para as culturas de milho e café. Já a agroindústria de base agrícola contou uma história diferente: as atividades de base agrícola recuaram 3,33% devido à baixa nos preços industriais. Queda de produção industrial no campo agrícola, enquanto o lado pecuário disparava. O contraste é revelador de como 2025 distribuiu seus ganhos de forma desigual dentro do próprio setor.

    Um quarto da economia brasileira depende do campo

    O resultado de 2025 também consolidou algo que vai além dos números de curto prazo. A participação do agronegócio no PIB nacional subiu para 25,13%, ante 22,9% registrados em 2024. Um em cada quatro reais produzidos no Brasil em 2025 passou, de alguma forma, pelo campo.

    Sob a ótica dos segmentos, todos avançaram no acumulado: insumos (+5,37%), primário (+17,06%), agroindústria (+5,60%) e agrosserviços (+13,76%). O agronegócio não cresceu por um único ponto de pressão. Cresceu de forma ampla, o que dá consistência ao resultado, mesmo com as ressalvas sobre preços.

    O presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende, resume bem a tensão que fica para 2026: “O PIB cresce, mas isso não significa automaticamente mais rentabilidade no caixa de quem produz. O custo de produção segue pressionado, o crédito ficou mais caro e o risco aumentou.”

    O freio no final do ano e o que vem pela frente

    O quarto trimestre entregou um recado claro. O indicador recuou 1,11% frente ao terceiro trimestre, com recuo generalizado entre os segmentos, com destaque para a queda de 2,32% nos insumos. Não foi colapso, mas foi um aviso.

    Entre julho e dezembro, o PIB do agro entrou em trajetória de desaceleração, confirmando a perda de tração iniciada ainda no terceiro trimestre, à medida que o ciclo de alta de preços iniciado em 2024 se esgotou. O motor que moveu o crescimento ao longo do ano perdeu combustível justamente na reta final.

    Para 2026, a leitura muda de tom. O resultado passa menos pelo volume colhido e mais pela capacidade de sustentação de margens em um ambiente de preços menos pressionados, um ponto sensível em um setor que depende cada vez mais de custo, crédito e eficiência para manter o crescimento. Quem entrar neste ano com gestão apertada e tecnologia na ponta tem vantagem real. Quem depender apenas do ciclo favorável de preços vai sentir o terreno mudar.

  • Milho: clima preocupa e trava negociações no mercado

    Milho: clima preocupa e trava negociações no mercado

    A colheita da safra de verão do milho entra na reta final no Brasil. Os produtores praticamente encerram a semeadura da segunda safra. Assim, agentes do setor voltam a atenção ao clima quente e seco. Eles avaliam possíveis impactos no desenvolvimento das lavouras.

    Os pesquisadores do Cepea informam que a produção segue elevada. No entanto, a estimativa indica leve queda frente à temporada anterior. Além disso, chuvas irregulares aumentam a preocupação nas regiões produtoras.
    As previsões indicam baixos volumes e temperaturas elevadas.

    Esse cenário atinge áreas de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná. Por isso, produtores mantêm estado de alerta.

    Negociações

    No mercado spot, as negociações seguem limitadas. A demanda enfraquecida reduz o ritmo das compras. Os Consumidores priorizam estoques e compram apenas volumes pontuais. Ao mesmo tempo, compradores monitoram estoques de passagem elevados.

    Eles também consideram a maior colheita da safra de verão. Assim, agentes projetam queda nos preços nas próximas semanas.

    Por outro lado, vendedores restringem a oferta no spot. Eles aguardam reação nos preços diante das incertezas climáticas.

    Soja

    A elevada oferta de soja sustenta a liquidez no mercado spot brasileiro. No entanto, a disponibilidade elevada limita altas expressivas nos preços. Os pesquisadores do Cepea apontam equilíbrio no mercado. A expectativa de safra recorde mantém os valores estáveis.

    No campo, a Conab afirma que colheita alcança 88,1% da área nacional. As regiões apresentam ritmos distintos de avanço. Mesmo assim, o andamento segue consistente.

    No Hemisfério Norte, agentes acompanham as condições climáticas. A baixa umidade do solo gera preocupação inicial. Porém, previsões de chuvas podem amenizar o cenário. Isso reduz riscos para a produção global.

    Estados Unidos

    Nos Estados Unidos, o plantio avança acima da média recente. A semeadura atinge 12% da área prevista até 19 de abril. Os dados são do USDA. O ritmo supera o registrado no ano passado e a média de cinco anos.

  • Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    O clima irregular já começa a redesenhar o cenário do milho safrinha no Brasil em 2026, e os efeitos podem chegar diretamente ao bolso do consumidor no segundo semestre.

    Após um início de ano marcado por chuvas mal distribuídas em importantes regiões produtoras, especialistas acendem o alerta para impactos na produtividade e possível pressão sobre os preços nos próximos meses.

    Clima irregular desafia o milho safrinha

    O desenvolvimento do milho safrinha depende de uma janela climática bastante específica. Plantado após a colheita da soja, o grão precisa de chuvas regulares nas fases iniciais e clima mais seco na colheita.

    Neste ano, porém, o comportamento do clima foge do padrão. Regiões como Paraná, Mato Grosso do Sul e partes do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem intercalados com chuvas irregulares, o que compromete o desenvolvimento das lavouras.

    Além disso, o atraso no plantio da soja em algumas áreas reduziu a janela ideal para o milho, aumentando o risco de exposição a condições adversas, como frio precoce e déficit hídrico.

    Produtividade sob pressão

    Com menos água disponível em fases críticas, como germinação e enchimento de grãos, a tendência é de queda na produtividade em diversas regiões.

    Analistas do setor já revisam projeções, indicando que, mesmo com uma área plantada significativa, o rendimento médio pode ficar abaixo do esperado. Esse cenário reduz a oferta efetiva do grão no mercado.

    A situação preocupa especialmente porque o milho safrinha representa cerca de 70% a 75% da produção total de milho no Brasil. Ou seja, qualquer quebra impacta diretamente o abastecimento nacional.

    Impacto nos preços no segundo semestre

    Com a possibilidade de menor oferta, o mercado já começa a reagir. A lógica é simples: menos milho disponível tende a elevar os preços, principalmente no segundo semestre, quando a demanda segue firme.

    O grão tem papel estratégico na cadeia produtiva, sendo base para ração animal. Por isso, qualquer alta no milho afeta também os custos da produção de proteínas como frango, suínos e até carne bovina.

    Além disso, o Brasil mantém forte presença nas exportações. Caso a produção fique abaixo do esperado, o país pode reduzir volumes exportados ou priorizar o mercado interno, o que também influencia a formação de preços.

    Mercado atento ao clima e à demanda

    O comportamento do clima nos próximos meses será decisivo. Caso as chuvas se normalizem em algumas regiões, parte das perdas pode ser mitigada. No entanto, se a irregularidade persistir, o cenário de pressão sobre os preços tende a se consolidar.

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional, especialmente da China, segue como fator-chave. Uma combinação de oferta menor e demanda aquecida pode intensificar ainda mais a valorização do milho.

    Tecnologia e gestão como resposta

    Diante desse cenário, produtores investem cada vez mais em tecnologia para reduzir riscos. Monitoramento climático, uso de sementes mais resistentes e manejo eficiente do solo tornam-se essenciais.

    Ainda assim, o clima continua sendo uma variável fora do controle — e, em 2026, ele volta ao centro das decisões no campo e no mercado.

    O desempenho do milho safrinha nos próximos meses não deve afetar apenas o agronegócio, mas toda a cadeia de alimentos, reforçando como eventos climáticos se conectam diretamente à economia.

  • Preço da soja recua com dólar e safra recorde

    Preço da soja recua com dólar e safra recorde

    Os preços da soja caíram no Brasil na última semana, pressionados pelo câmbio e pela oferta elevada. A desvalorização do dólar frente ao Real reduziu a competitividade das exportações e impactou as cotações internas.

    Além disso, a expectativa de safra recorde ampliou a disponibilidade e limitou a liquidez no mercado. Segundo o Cepea, agentes atuam com cautela e aguardam melhores oportunidades de negociação.

    As projeções indicam aumento da oferta doméstica, o que reforça a pressão sobre os preços. De acordo com a Conab, a safra 2025/26 deve ocupar 48,47 milhões de hectares. A área representa alta de 2,4% em relação ao ciclo anterior.

    A produtividade média pode atingir 3.696 kg por hectare, avanço de 2%. Com isso, a produção nacional pode chegar a 179,15 milhões de toneladas. O volume indica crescimento de 4,5% e estabelece novo recorde no País.

    No campo, a colheita já alcança 85,7% da área total. Estados como Mato Grosso e Paraná já concluíram os trabalhos.

    Por outro lado, produtores enfrentam problemas no Rio Grande do Sul devido às chuvas irregulares. A instabilidade climática comprometeu a produtividade em parte das lavouras.

    Milho recua com oferta maior e pressão compradora

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    Os preços do milho também caíram no Brasil na última semana, influenciados pelo aumento da oferta. Compradores pressionaram as cotações e intensificaram o movimento de baixa no mercado interno. Segundo o Cepea, o dólar mais fraco reforçou a queda no mercado spot.

    Na parcial de abril, até o dia 16, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa recuou 4,8%. Com isso, o indicador voltou aos níveis registrados em janeiro deste ano.

    Os consumidores acompanham o avanço da colheita da safra de verão. Eles também observam a melhora do clima para o desenvolvimento da segunda safra. Além disso, a queda do dólar reduz a paridade de exportação e limita os preços internos.

    Diante desse cenário, compradores negociam de forma pontual. Eles atuam apenas para recompor estoques ou quando encontram preços mais baixos.

    Do lado vendedor, alguns agentes mostram maior flexibilidade nas negociações. Mesmo assim, muitos ainda enfrentam dificuldades para comercializar grandes volumes.

  • Coamo capta R$ 500 milhões para usina de etanol

    Coamo capta R$ 500 milhões para usina de etanol

    A Coamo Agroindustrial Cooperativa iniciou captação de R$ 500 milhões para construir usina de etanol de milho. A cooperativa enviou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários e confirmou a oferta de notas comerciais escriturais.

    A operação marca a segunda oferta pública da Coamo nesse formato e ocorre em série única. A cooperativa direciona a emissão exclusivamente a investidores profissionais, conforme o comunicado oficial. O Banco Santander atua como coordenador líder da operação financeira.

    A emissão integra o programa Programa Eco Invest Brasil, que incentiva projetos sustentáveis e infraestrutura climática.

    Capacidade de produção

    A Coamo planeja instalar a usina em Campo Mourão, no Paraná. A unidade terá capacidade diária de 763,3 mil litros de etanol hidratado e 723 mil litros de etanol anidro. O etanol hidratado abastece diretamente veículos, enquanto o anidro compõe a mistura com gasolina.

    A cooperativa prevê concluir a planta industrial até fevereiro de 2027, segundo o comunicado. O projeto prevê processar 1,7 mil toneladas diárias de milho, volume equivalente a cerca de 20% do recebido.

    A usina ficará anexa ao parque industrial da Coamo, que reúne nove unidades produtivas atualmente. O complexo industrial inclui atividades como moagem de trigo, produção de óleos e fabricação de rações.

    A cooperativa destacou que a industrialização do milho agrega valor à produção dos cooperados. Além disso, a demanda crescente por biocombustíveis impulsionou a decisão de investir na nova planta.

    A Coamo também citou disponibilidade de matéria-prima e experiência industrial como fatores estratégicos. A cooperativa ressaltou sinergias logísticas e conhecimento em trading de commodities no projeto.

    A unidade será a primeira do Sul do Brasil a produzir etanol exclusivamente a partir de milho. O projeto também incorporará tecnologia estrangeira ainda pouco difundida no país, segundo a Coamo.

    Milho e indústria

    A usina ampliará o volume de milho destinado à industrialização de 3% para 20% do total recebido. A participação do milho na produção de ração deve atingir cerca de 15% com o novo projeto.

    A cooperativa também prevê reduzir custos industriais com a cogeração de energia elétrica. A usina contará com termoelétrica capaz de gerar até 30 megawatts de energia.

    A Coamo reúne quase 73 mil cooperados nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Mais de 70% dos cooperados são pequenos produtores, segundo dados da própria cooperativa.

    A organização registra receita superior a R$ 28 bilhões e movimenta mais de 9 milhões de toneladas anuais.

  • Recorde: agro brasileiro registra melhor primeiro trimestre da história

    Recorde: agro brasileiro registra melhor primeiro trimestre da história

    O agronegócio brasileiro encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um desempenho inédito na série histórica. Entre janeiro e março as exportações do setor somaram 38,1 bilhões de dólares o que representa uma alta de 0,9 por cento em comparação ao mesmo período do ano passado. O resultado gerou um superávit comercial de 33 bilhões de dólares consolidando a força do setor na economia nacional.

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    Apenas no mês de março o agronegócio exportou 15,41 bilhões de dólares. Esse montante correspondeu a 48,8 por cento de tudo o que o Brasil vendeu para o exterior no mês.

    Estratégia de expansão e novos mercados

    O crescimento reflete diretamente a estratégia de abertura de novos destinos comerciais. Somente nos três primeiros meses de 2026 o governo brasileiro abriu 30 novos mercados para os produtos agropecuários. No total o país já soma mais de 500 novas frentes comerciais abertas nos últimos três anos.

    Embora o volume exportado tenha subido 3,8 por cento o preço médio dos produtos caiu 2,8 por cento. Essa queda ocorreu devido à redução nas cotações internacionais de commodities importantes como milho, algodão, açúcar de cana e farelo de soja.

    Soja e proteínas animais lideram as vendas

    O complexo soja continua como o principal motor das exportações faturando 12,13 bilhões de dólares no trimestre ou 31,8 por cento do total. O setor de proteínas animais aparece logo em seguida com 8,12 bilhões de dólares e um crescimento expressivo de 21,8 por cento em relação a 2025.

    A carne bovina e a carne suína bateram recordes históricos de valor e quantidade no período. As vendas de carne bovina in natura renderam 3,98 bilhões de dólares um salto de 37,3 por cento. Já a carne suína atingiu 846 milhões de dólares em exportações crescendo 16,4 por cento. Outros produtos como feno erva-mate arroz e até bovinos vivos também registraram aumentos significativos reforçando a diversificação da pauta brasileira.

    Principais destinos internacionais

    A China permanece como o maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro absorvendo 29,8 por cento das exportações com 11,33 bilhões de dólares. A União Europeia ocupa a segunda posição com 5,67 bilhões de dólares seguida pelos Estados Unidos com 2,24 bilhões de dólares. Outros países como Índia Filipinas e México também apresentaram forte crescimento nas compras de produtos brasileiros.

    O ministro da Agricultura e Pecuária André de Paula atribuiu o sucesso à ciência e à sanidade da produção nacional. Segundo ele o agro brasileiro ocupa posição de destaque por sua capacidade de responder rapidamente às demandas globais. O secretário de Comércio e Relações Internacionais Luís Rua reforçou que o trabalho de abertura de mercados traz previsibilidade e consolida o Brasil como um fornecedor competitivo mundialmente.

  • Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    A produção de grãos no Brasil pode alcançar 356,3 milhões de toneladas na safra 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou os dados no 7º Levantamento de Grãos.

    O volume estimado indica aumento de 4,1 milhões de toneladas frente à safra 2024/25. Além disso, o resultado supera em 2,9 milhões de toneladas o levantamento anterior. Caso se confirme, a produção marcará um novo recorde histórico no país.

    Área e produtividade

    A área plantada deve crescer 2% e atingir 83,3 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade média deve cair 0,8%, chegando a 4.276 quilos por hectare. Mesmo com a leve queda, o índice representa o segundo melhor desempenho da série histórica.

    O presidente interino da Conab, Sílvio Porto, destaca investimentos federais no setor. Segundo ele, os planos safras fortalecem a agricultura empresarial e familiar.

    Além disso, Porto ressalta o bom desempenho da primeira safra de milho. A colheita supera 3 milhões de toneladas e avança para a fase final. Ele também projeta expectativa positiva para a segunda safra do cereal.

    Soja

    A produção de soja pode atingir recorde de 179,2 milhões de toneladas. A redução das chuvas em março favoreceu o avanço da colheita.

    Atualmente, os produtores já colheram 85,7% da área plantada. A produtividade média nacional da oleaginosa alcança 3.696 quilos por hectare. Mesmo com desempenho menor em alguns estados, o índice é o maior já registrado.

    Milho

    Para o milho, a Conab projeta produção total de 139,6 milhões de toneladas. O volume representa queda de 1,1% em relação ao ciclo anterior.

    A primeira safra cresce em área e pode alcançar 28 milhões de toneladas. Já a segunda safra deve somar 109,1 milhões de toneladas, com recuo de 3,6%.

    A semeadura do segundo ciclo está quase concluída em todo o país. As lavouras apresentam estágios que variam da germinação à floração. Porto afirma que a estimativa atual adota postura conservadora. Segundo ele, condições climáticas favoráveis podem elevar a produção final.

    Arroz

    A produção de arroz deve cair para 11,1 milhões de toneladas na safra atual. O volume representa redução de 12,9% frente ao ciclo passado. A queda ocorre devido à redução de 13,1% na área plantada. Além disso, condições climáticas desfavoráveis afetaram algumas lavouras.

    A colheita avança nos principais estados produtores. No Rio Grande do Sul, o índice chega a 72%. Em Santa Catarina, a colheita atinge 93%. No Tocantins, o avanço alcança 52%.

    Feijão

    A produção de feijão deve totalizar 2,9 milhões de toneladas. O volume indica queda de 5,2% em comparação à safra anterior. Mesmo assim, a produção prevista garante o abastecimento interno.

    Algodão

    Para o algodão, a estimativa aponta 3,8 milhões de toneladas de pluma. O volume representa recuo de 5,8% frente ao ciclo anterior.

    A área plantada deve cair 2,1% e atingir 2 milhões de hectares. Apesar disso, as condições climáticas favorecem o desenvolvimento das lavouras.

    Mercado

    No mercado, a Conab ajusta os estoques de passagem de milho. A previsão indica volume de 12,8 milhões de toneladas até janeiro de 2027.

    As exportações seguem estimadas em 46,5 milhões de toneladas. Já o consumo interno deve alcançar 96,5 milhões de toneladas.

  • Feijão recua em abril e mercado busca equilíbrio

    Feijão recua em abril e mercado busca equilíbrio

    Os preços do feijão preto e carioca iniciaram abril em queda, conforme dados do Cepea/CNA. No primeiro trimestre, as cotações avançaram e atingiram patamares recordes. A oferta limitada sustentou os preços nos três primeiros meses do ano. Porém, a retração da demanda passou a pressionar o mercado nas últimas semanas.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que o setor agora busca um novo equilíbrio. Além disso, a lenta transmissão de preços entre indústria e varejo influencia esse movimento. O mercado também reage à transição para a segunda safra. Nesse cenário, incertezas climáticas no Sul do País aumentam a atenção dos agentes.

    No mercado externo, o Brasil exportou 27,28 mil toneladas de feijão em março. O volume supera fevereiro em 2,4% e cresce 51,3% frente a março de 2025.

    As importações somaram 3,13 mil toneladas no período analisado. Esse volume recuou 17% em relação a fevereiro, segundo a Secex. Apesar da queda mensal, as compras externas ainda superam em quatro vezes março do ano passado.

    Milho

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    Os preços do milho seguem estáveis e próximos de R$ 69 por saca de 60 kg. Mesmo assim, o mercado interno registrou pequenas quedas nos últimos dias. Segundo o Cepea, compradores demonstram baixo interesse nas negociações. Muitos agentes relatam estoques e aguardam recuos mais intensos nos preços.

    Por outro lado, vendedores aumentaram a participação nas negociações. Em alguns momentos, eles reduziram os valores ofertados para fechar negócios.

    O Cepea aponta que a queda do câmbio reduz a paridade de exportação. Além disso, o avanço da colheita da safra de verão pressiona os preços.

    As chuvas também retornaram em regiões produtoras da segunda safra. Esse fator deve favorecer o desenvolvimento das lavouras de milho no Brasil.