Tag: milho

  • Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Em um cenário de margens mais apertadas no campo, cada detalhe da operação passou a impactar diretamente o bolso do produtor. Na 23ª Tecnoshow Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), realizada em Rio Verde (GO), a pesagem de cargas ganhou protagonismo como ferramenta estratégica para garantir controle, evitar perdas e reduzir riscos. Segundo Paulo Faber, especialista em soluções de pesagem da Toledo do Brasil, a balança rodoviária deixou de ser apenas um equipamento e se tornou parte essencial da gestão dentro da propriedade rural.

    “A balança traz controle de tudo o que entra e tudo o que sai da fazenda”, afirmou. De acordo com ele, o monitoramento começa ainda na chegada de insumos, como fertilizantes e matéria-prima, e segue até a saída da produção, como soja e milho destinados à comercialização.

    Esse acompanhamento, explicou, permite ao produtor maior precisão nas negociações e reduz a dependência de pesagens externas, que podem abrir margem para divergências. Nesse contexto, a tecnologia atua diretamente na proteção da rentabilidade. “Quando a pesagem é feita dentro da propriedade, o produtor reduz riscos de desvios ou fraudes”, destacou.

    Controle interno e mais eficiência na operação

    A profissionalização das fazendas no Centro-Oeste tem impulsionado a adoção de sistemas mais robustos de gestão. Além disso, a digitalização da pesagem permite integrar os dados a plataformas de controle, eliminando anotações manuais e tornando o processo auditável em tempo real.

    Esse avanço acompanha o crescimento da produção agrícola em Goiás, onde soja e milho dominam a maior parte da safra. Por isso, qualquer erro no carregamento ou transporte deixa de ser apenas um detalhe operacional e passa a representar prejuízo financeiro direto.

    Paulo Faber – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, a balança rodoviária funciona como um ponto de controle estratégico dentro da propriedade. Ao registrar com precisão o peso das cargas, o produtor consegue gerenciar melhor estoques, acompanhar fluxos logísticos e tomar decisões mais assertivas ao longo da safra.

    Segurança jurídica e preservação das rodovias

    Outro ponto de atenção envolve o transporte de cargas. O excesso de peso em caminhões pode gerar multas e responsabilizar diretamente o produtor rural. Atualmente, a fiscalização não recai mais apenas sobre o motorista, mas sobre a origem da carga.

    “O controle de peso por eixo é exigido, e quem responde por isso é o embarcador”, explicou Faber. Ou seja, sem a pesagem correta na fazenda, o produtor corre o risco de arcar com penalidades por sobrecarga.

    Além disso, o excesso de peso compromete a conservação das rodovias, aumentando custos públicos e logísticos. Dessa forma, o uso de balanças contribui não apenas para a segurança da operação, mas também para a durabilidade da infraestrutura de transporte.

    Automação e novos recursos ampliam o controle

    Durante a Tecnoshow Comigo, a Toledo do Brasil apresentou soluções que vão além da pesagem tradicional. Entre os destaques está a automação do processo, que reduz a interferência humana e aumenta a confiabilidade dos dados.

    Com o uso de tags eletrônicas, por exemplo, o caminhoneiro realiza todo o processo de pesagem de forma automática, desde a entrada até a saída da propriedade. Assim, o sistema registra todas as informações com precisão e agilidade.

    Outro lançamento apresentado foi um medidor de umidade de grãos, tecnologia que complementa o controle da produção. A umidade interfere diretamente no peso final e, consequentemente, no valor comercial do produto.

    “Antes da venda, é fundamental entender a umidade do grão, porque isso impacta diretamente na rentabilidade”, ressaltou.

    Gestão mais precisa em um agro mais exigente

    A adoção de tecnologias de pesagem reflete uma mudança no perfil do produtor rural, cada vez mais orientado por dados e eficiência. Em um ambiente de custos elevados e maior pressão por resultados, controlar processos se tornou indispensável.

    Dessa forma, a balança rodoviária deixa de ser apenas um equipamento operacional e passa a ocupar papel estratégico dentro da propriedade. Ao garantir precisão, transparência e segurança, a tecnologia contribui para um agro mais profissional e preparado para os desafios do mercado.

    “Hoje, mais do que nunca, o produtor precisa ter controle total da operação. É isso que garante competitividade”, concluiu Faber.

  • Eficiência vira prioridade em meio à alta dos custos no agro

    Eficiência vira prioridade em meio à alta dos custos no agro

    A 23ª edição da Tecnoshow Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), realizada em Rio Verde (GO), começou sob o desafio de superar os resultados do ano anterior em um cenário econômico mais restritivo. Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (8), o diretor de insumos da Comigo e coordenador geral do evento, Cláudio Teoro, e o presidente executivo da cooperativa, Dourivan Cruvinel, destacaram que a feira mantém o compromisso com inovação, conforto e geração de conhecimento, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.

    Segundo os dirigentes, a evolução da Tecnoshow ao longo dos anos superou as expectativas iniciais. “Nunca passava pela cabeça que a feira tomaria essa proporção”, afirmaram. Além disso, reforçaram que a organização busca aprimorar cada edição, com foco em estrutura, segurança, alimentação e higiene, mantendo o padrão de excelência que marca o evento.

    Cenário econômico impõe cautela

    Apesar do otimismo com a realização da feira, o momento exige prudência. O setor agropecuário, assim como a indústria, enfrenta desafios relacionados ao endividamento dos produtores, à queda nos preços da soja e às altas taxas de juros.

    Presidente executivo da cooperativa, Dourivan Cruvinel e o diretor de insumos da Comigo e coordenador geral do evento, Cláudio Teoro durante coletiva de imprensa – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Nesse contexto, a expectativa é de redução no volume de negócios em relação a anos anteriores. Ainda assim, os produtores seguem presentes e demonstram interesse, principalmente na aquisição de insumos, considerados essenciais para a produção.

    “Estamos em um ano de comprar somente o necessário”, destacaram. Por outro lado, empresas expositoras têm buscado oferecer condições comerciais mais atrativas, na tentativa de estimular as negociações.

    O aumento recente no preço de fertilizantes, especialmente os fosfatados, também pressiona os custos de produção. Ainda assim, a feira mantém seu papel não apenas comercial, mas também técnico, ao apresentar inovações, tecnologias e promover a troca de conhecimento por meio de palestras e espaços como o pavilhão de startups.

    Cooperativismo e investimento sustentam crescimento

    A Comigo segue ampliando sua atuação no estado de Goiás, com investimentos contínuos em infraestrutura. Atualmente, a cooperativa já responde por cerca de 20% da soja produzida no estado e se consolidou como a maior armazenadora de grãos da região.

    Entre os projetos em andamento estão a abertura de novas lojas, ampliação da capacidade de armazenagem e a implantação de uma esmagadora de grãos, que deve dobrar o faturamento da cooperativa. Para os próximos anos, a meta inclui a construção de novas unidades e armazéns.

    Além disso, a cooperativa conta com cerca de 13 mil cooperados e atua fortemente na geração e difusão de conhecimento. Em parceria com universidades e pesquisadores, desenvolve estudos que posteriormente são levados ao campo, contribuindo para ganhos de produtividade.

    “Essa é uma vitrine tecnológica. O conhecimento gerado aqui chega ao produtor e se transforma em resultado”, destacaram.

    Tecnologia e gestão ganham protagonismo

    Diante de um cenário de margens mais apertadas, a busca por eficiência se torna essencial. Os dirigentes reforçaram que produtividade e gestão caminham juntas e que, em muitos casos, melhorias no manejo não implicam aumento de custos, podendo, inclusive, gerar economia.

    Ao mesmo tempo, fatores de mercado continuam determinando os preços, seguindo a lógica de oferta e demanda. A atual crise de liquidez global, segundo eles, pode impactar o setor no curto prazo, mas a tendência de aumento na demanda por alimentos permanece.

    “Não vemos redução na produção de grãos ou carne. O que ocorre é um aumento de produção em áreas menores, com mais tecnologia”, afirmaram.

    Estande da Comigo na Tecnoshow 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    A segunda safra também foi tema da coletiva. O atraso no plantio da soja comprometeu a janela ideal do milho, mas as chuvas recentes melhoraram as perspectivas. “A agricultura é uma empresa a céu aberto. Houve atraso, mas choveu, e isso pode garantir uma boa safra”, avaliaram.

    Sustentabilidade e diversificação ganham espaço

    A Comigo também investe em sustentabilidade energética desde a década de 1980, com o plantio de eucalipto para abastecimento de biomassa. A iniciativa garante autonomia e reforça o compromisso ambiental da cooperativa.

    Além disso, a diversificação de renda tem ganhado espaço entre os produtores, impulsionada pela chegada de novas indústrias na região, como usinas e plantas de processamento. Para os dirigentes, essa estratégia fortalece o produtor frente às oscilações do mercado.

    “O produtor não precisa mudar de cultura, mas pode diversificar sua renda”, destacaram.

    Público e negócios

    Nos primeiros dias de evento, a Tecnoshow registrou público expressivo, com cerca de 16 mil visitantes no primeiro dia e quase 24 mil no segundo. No entanto, a organização optou por não divulgar projeções de volume de negócios neste ano, adotando uma postura mais conservadora diante do cenário atual.

    Ainda assim, o volume de operações no segmento de insumos da cooperativa já se aproxima do registrado em 2025, o que demonstra a confiança dos produtores na instituição, que acumula mais de 50 anos de atuação.

  • Brasil perde quase 23% da safra de milho por ano por causa de uma única praga

    Brasil perde quase 23% da safra de milho por ano por causa de uma única praga

    Um inseto de menos de cinco milímetros custou ao Brasil US$ 25,8 bilhões em quatro anos. A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), vetor das doenças conhecidas como enfezamentos, retirou uma média de 22,7% da safra nacional de milho a cada ano entre 2020 e 2024, gerando um prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões. Os números são de um estudo inédito publicado na revista científica internacional Crop Protection, conduzido pela Embrapa Cerrados, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    A cigarrinha-do-milho . Foto: Charles Oliveira/Embrapa

    Ao longo das quatro safras avaliadas, cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de chegar ao mercado. “Os resultados indicam que os enfezamentos do milho levaram a uma perda média de 31,8 milhões de toneladas por ano”, afirma Charles Oliveira, pesquisador da Embrapa Cerrados e autor principal do estudo.

    Radiografia dos prejuízos

    Os pesquisadores combinaram dados históricos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com séries de produtividade, produção e área plantada desde 1976, com informações de campo do projeto Campo Futuro, iniciativa da CNA e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Técnicos e produtores rurais de 34 municípios representativos das principais regiões produtoras do País participaram dos levantamentos e, por consenso técnico, estimaram as perdas associadas à praga em cada município e safra.

    A safra 2020/2021 registrou o impacto mais severo: queda de 28,9% na produção. Na safra 2023/2024, o índice recuou para 16,7%, mas outro indicador preocupa. O gasto com inseticidas para controle da cigarrinha subiu 19% no período, superando US$ 9 por hectare e elevando significativamente o custo de produção.

    Em cerca de 80% das localidades avaliadas, produtores e especialistas apontaram a cigarrinha ou os enfezamentos como fator central para a queda de produtividade. “Esse histórico permitiu gerar uma estimativa econômica consistente e com abrangência nacional”, destaca Larissa Mouro, coordenadora do Campo Futuro.

    A ameaça que cresceu nas últimas décadas

    O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais de milho e figura entre os principais exportadores globais. A estimativa da Conab para a safra 2025/2026 é de 138,4 milhões de toneladas, com valor de produção em torno de US$ 30 bilhões, tudo isso sob ameaça constante de uma praga sem tratamento preventivo disponível.

    Os dois tipos de enfezamentos transmitidos pela cigarrinha, o pálido (Spiroplasma kunkelii) e o vermelho (“Candidatus” Phytoplasma asteris), representam hoje o maior risco fitossanitário à produção brasileira do grão. O inseto ainda transmite os vírus do mosaico-estriado e da risca do milho. Em lavouras cultivadas com híbridos suscetíveis, a doença pode provocar perda total da produção.

    Embora os pesquisadores conheçam os patógenos desde os anos 1970, os surtos epidêmicos se tornaram frequentes apenas a partir de 2015. “Mudanças no sistema de produção ocorridas nas últimas décadas, como a expansão da safrinha e o cultivo de milho durante quase todo o ano, criaram um cenário favorável para a sobrevivência da cigarrinha e dos microrganismos”, explica Oliveira.

    Para Tiago Pereira, assessor técnico da CNA, a dimensão do problema mudou de patamar. “Estamos falando de perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do País. O diferencial desse estudo é transformar essa percepção recorrente em números, com base científica.”

    Como a produção cresceu e o problema também

    A série histórica do milho brasileiro mostra uma trajetória de expansão expressiva. Entre 1976/1977 e 2011/2012, a área plantada oscilou entre 10 e 14 milhões de hectares, com produtividade frequentemente abaixo de três toneladas por hectare. A partir de 1999/2000, a adoção da segunda safra e de culturas geneticamente modificadas impulsionou uma virada: a produtividade ultrapassou cinco toneladas por hectare e a produção chegou a 84 milhões de toneladas até 2014/2015.

    O pico da área plantada, 22,3 milhões de hectares, aconteceu na safra 2022/2023. Mas esse mesmo modelo de produção contínua criou as condições ideais para a proliferação da cigarrinha. “Se, por um lado, a tecnologia impulsionou a produção, por outro, o surgimento dos surtos de enfezamentos a partir de 2014/2015 causou declínios severos na produtividade nacional”, resume Oliveira.

    O que os produtores podem fazer

    Diante da inexistência de tratamento preventivo, os pesquisadores recomendam um conjunto de práticas integradas de manejo:

    • Eliminar o milho tiguera (plantas voluntárias que brotam na entressafra): a medida quebra o ciclo de vida do vetor e do patógeno.
    • Sincronizar o plantio entre propriedades vizinhas reduz as janelas que favorecem a dispersão da cigarrinha.
    • Adotar cultivares resistentes ou tolerantes mantém a produtividade mesmo sob pressão das doenças.
    • Aplicar controle químico e biológico nos estádios iniciais da planta (até V8) previne infecções mais graves.
    • E monitorar de forma coordenada entre produtores vizinhos é indispensável para detectar surtos precocemente.

    O controle biológico com fungos entomopatogênicos ganha relevância crescente. Algumas populações de cigarrinha já apresentam resistência a certos grupos de inseticidas, tornando o manejo exclusivamente químico insuficiente.

    Impacto que vai além da porteira

    Os efeitos dos enfezamentos chegam à mesa do consumidor. Como o milho é matéria-prima essencial para a produção de proteína animal, aves, suínos e leite, e para biocombustíveis, quebras de safra pressionam preços e afetam a balança comercial brasileira.

    Para a pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, quantificar essas perdas é o primeiro passo para políticas mais efetivas. “Com informações sobre perdas agrícolas do milho causadas por doenças, é possível orientar a destinação de recursos financeiros, o setor de seguro agrícola, as janelas de plantio e as estratégias para mitigar danos, e ainda avaliar a eficácia das práticas adotadas pelo setor produtivo.”

  • Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    As exportações brasileiras de frango para o Oriente Médio caíram em março, enquanto os embarques de milho cresceram. O conflito na região impactou diretamente o fluxo comercial entre o Brasil e países do Oriente Médio.

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados da balança comercial nesta terça-feira, 7 de abril. A reportagem compilou informações de embarques para 15 países do Oriente Médio. Entre eles, estão Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito.

    O volume de carnes de aves e miudezas exportado caiu 21% na comparação anual. Os embarques recuaram de 138 mil para 108 mil toneladas em março. O Brasil não exportou cortes de frango para o Irã em março deste ano. O mesmo cenário já havia ocorrido em março do ano passado.

    Milho

    Por outro lado, as exportações de milho para a região cresceram 24%. O volume embarcado atingiu 907 mil toneladas no mês. Os envios de milho para o Irã praticamente cessaram no período. O volume caiu de 304 mil para pouco mais de 1 mil toneladas. Em contrapartida, o Egito ampliou significativamente as compras do cereal brasileiro. Os embarques para o país cresceram 1.171,5% em relação ao ano anterior.

    Além disso, o Brasil exportou 26 mil toneladas de milho para o Iraque. No mesmo período do ano passado, não houve embarques para esse destino.

    Cenário Global

    No cenário global, as exportações brasileiras de carne de aves cresceram 6,9%. O volume total embarcado chegou a 468,7 mil toneladas. Já as exportações totais de milho avançaram 12,8% no período. O Brasil embarcou 983 mil toneladas do grão para o mercado internacional.

  • Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    A Corteva Agriscience apresentou, nesta terça-feira (7), durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), o Reklemel, nova tecnologia voltada ao manejo de nematoides no solo. O produto surge como resposta a um problema bilionário no campo. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas podem chegar a R$ 35 bilhões por ano no Brasil. Os nematoides atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

    Além disso, a proposta da empresa é oferecer controle seletivo dos fitonematoides. Dessa forma, a tecnologia preserva a biota do solo e contribui para o aumento da produtividade. O lançamento foi apresentado como uma nova ferramenta dentro do manejo integrado.

    Durante coletiva, o Líder de Portfólio de Inseticidas e Nematicidas da Corteva para Brasil e Paraguai, Thomas Scott, destacou que o Reklemel representa um avanço importante. Isso ocorre porque o produto atua com um novo modo de ação e um grupo químico inédito no mercado. “Hoje, muitos produtores ainda não diferenciam nematoides benéficos dos prejudiciais. O diferencial da tecnologia é eliminar o fitonematoide e manter os organismos que contribuem para a saúde do solo”, afirmou.

    Os nematoides são vermes microscópicos, de corpo cilíndrico, presentes no solo. No entanto, nem todos causam danos. Cerca de 70% são de vida livre e exercem papel importante na decomposição da matéria orgânica. Além disso, ajudam na ciclagem de nutrientes. Por outro lado, os fitonematoides parasitam plantas. Eles formam galhas nas raízes e reduzem a absorção de água e nutrientes.

    Manejo integrado ganha reforço com nova tecnologia

    A cientista de campo da Corteva, Marina Gomes, que participou do desenvolvimento da solução, explicou que o Reklemel atua como uma ferramenta complementar. Segundo ela, o produto protege o sistema radicular da planta. Ao mesmo tempo, mantém a microbiota do solo ativa. “Isso permite que fungos e outros agentes biológicos continuem contribuindo para o controle natural das pragas”, disse.

    Além disso, o uso combinado com soluções biológicas já adotadas pelo produtor potencializa os resultados. A aplicação do produto é feita diretamente no sulco de plantio. Dessa forma, a tecnologia permanece próxima à raiz. Isso aumenta a eficiência e reduz a quantidade utilizada por hectare.

    “Como a aplicação é concentrada no local de desenvolvimento da planta, o manejo se torna mais eficiente. Além disso, há redução de custos e maior sustentabilidade no sistema produtivo”, acrescentou Scott.

    O lançamento contempla diferentes culturas agrícolas. A molécula chega ao mercado sob três marcas. Lormelo é voltado para soja, milho, algodão e sorgo. Já o Salibro atende hortifrúti e café. Por fim, o Yeldana foi desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

    Problema generalizado exige estratégia contínua

    Atualmente, todas as culturas agrícolas são suscetíveis aos nematoides. No entanto, o nível de impacto varia conforme a espécie e a região. Por isso, o manejo adequado depende da identificação correta do tipo de nematoide presente na área.

    Além disso, o avanço da praga tem exigido maior adoção de tecnologias no campo. Regiões do Cerrado, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso, já apresentam uso mais intensivo das soluções. Dessa forma, o controle se torna mais eficiente ao longo do tempo.

    Marina e Thomas durante apresentação do Reklemel na 26ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A recomendação técnica é manter o manejo de forma contínua. Ou seja, ao longo dos ciclos produtivos e nos diferentes talhões da propriedade. “Quanto mais longo o manejo, melhores são os resultados. Não é uma solução pontual, mas um trabalho contínuo de construção da saúde do solo”, explicou Marina.

    Por fim, o uso de práticas integradas segue como estratégia essencial. Entre elas, estão a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos e o monitoramento constante. Assim, o produtor consegue reduzir os impactos dos nematoides e manter a produtividade.

    Com o Reklemel, a Corteva aposta em uma abordagem mais equilibrada. A tecnologia alia eficiência no controle dos fitonematoides à preservação dos organismos benéficos. A expectativa é ampliar as possibilidades de manejo e fortalecer sistemas produtivos mais sustentáveis no longo prazo.

  • Soja perde força com pressão do mercado global

    Soja perde força com pressão do mercado global

    A alta dos preços da soja foi interrompida no Brasil na última semana. O movimento refletiu a queda das cotações no mercado internacional. A maior oferta na América do Sul pressionou os preços externos. Além disso, o mercado reagiu às expectativas de expansão da área nos Estados Unidos.

    Segundo os pesquisadores do Cepea, o Brasil acompanhou a tendência externa. A desvalorização do dólar frente ao Real intensificou a queda interna.  Até então, os preços da soja estavam firmes no país. O conflito no Oriente Médio e a valorização do óleo sustentavam os valores.

    Óleo e farelo de soja

    No mercado doméstico, o óleo de soja segue em alta.  Os preços operam nos mesmos patamares registrados em novembro do ano passado. A demanda aquecida para biodiesel impulsiona o derivado no Brasil. Com isso, o óleo mantém valorização mesmo com a queda do grão.

    Por outro lado, o farelo de soja continua em trajetória de baixa. Consumidores relatam estoques suficientes até meados de abril. Assim, esses agentes evitam novas compras no curto prazo. Eles também aguardam preços mais baixos nas próximas semanas.

    A maior demanda por óleo pode elevar a oferta de farelo. Esse cenário tende a pressionar ainda mais as cotações do derivado. Para cada tonelada de soja processada, a indústria gera subprodutos relevantes. O volume inclui cerca de 190 quilos de óleo e 780 quilos de farelo.

    Milho

    No mercado de milho, o cenário foi de sustentação nos preços. O ambiente externo incerto influenciou o comportamento dos agentes. A volatilidade do petróleo e o frete mais caro afetaram as negociações. Diante disso, vendedores se afastaram do mercado spot.

    Com menor oferta, os negócios ocorreram de forma limitada. Os preços registraram apenas pequenas variações ao longo da semana. Em Campinas, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa voltou a se sustentar. Na semana anterior, o indicador havia registrado queda.

    No campo, o clima favoreceu o avanço da colheita da primeira safra. Além disso, produtores intensificaram a semeadura da segunda safra. No cenário internacional, os preços do milho recuaram. O movimento refletiu especulações sobre o conflito no Irã. A possível redução das tensões pressionou o petróleo. Consequentemente, os valores do milho também caíram, especialmente no dia 1º.

  • Silagem de sorgo cresce no Brasil e reduz custos da pecuária

    Silagem de sorgo cresce no Brasil e reduz custos da pecuária

    O sorgo começa a ocupar terreno no Brasil como alternativa viável para a silagem em áreas onde o milho não se desenvolve bem. A cultura, mais resistente à seca e de menor custo de produção, vem despertando o interesse de pecuaristas em regiões áridas, principalmente no Centro-Oeste e no leste do país.

    Arthur Behling Neto, professor da Universidade Federal de Mato Grosso, explica que o sorgo entrega segurança produtiva e bom desempenho nutricional para o gado, mesmo em condições climáticas adversas.

    “No Brasil e nos Estados Unidos o milho ainda domina na ensilagem por sua excelente qualidade, mas o sorgo tem se mostrado eficiente em áreas de pouca chuva e menor fertilidade”, aponta Neto.

    Além da tolerância ao clima, o sorgo garante vantagens econômicas. As sementes custam menos, exigem menos pesticidas e menor quantidade de fertilizantes. Portanto, fatores que pesam no bolso do produtor. Conforme os insumos sobem de preço, o sorgo se consolida como alternativa estratégica para reduzir os custos da alimentação animal.

    Tipos e usos mais comuns

    O Brasil cultiva diferentes tipos de sorgo, com destaque para as variedades graníferas, forrageiras e de biomassa. Segundo Neto, o sorgo forrageiro e o de biomassa se destacam na produção de silagem pela alta produtividade.

    “Estamos estudando híbridos que mantenham boa qualidade nutricional e ao mesmo tempo gerem rendimentos superiores”, explica o pesquisador.

    Na pecuária de corte, o sorgo forrageiro e o de biomassa suprem as dietas com volume e fibra a baixo custo. Já os produtores de leite costumam utilizar o sorgo granífero, por possuir maior teor energético e menos fibra. O que o torna comparável ao milho.

    Desafio de equilibrar produtividade e qualidade

    A principal dificuldade da silagem de sorgo é conciliar volume e valor nutricional. Plantas graníferas são mais curtas e oferecem até 35 toneladas por hectare, mas apresentam maior concentração energética. Já o sorgo forrageiro pode alcançar até 80 toneladas por hectare, e o tipo biomassa supera 120 toneladas, embora com maior teor de fibra e menor proteína.

    Para melhorar esse equilíbrio, a equipe da UFMT busca híbridos que mantenham alto rendimento sem comprometer a nutrição do rebanho.

    Manejo e fermentação

    O sorgo biomassa pode atingir até seis metros de altura e normalmente é colhido em dois cortes, realizados entre dezembro e abril, após o plantio de outubro. O ponto ideal para ensilagem ocorre com 28% a 30% de matéria seca, evitando grãos excessivamente duros.

    O teor de açúcares naturais favorece a fermentação. As variedades forrageiras apresentam até 18% de carboidratos solúveis em água, enquanto o sorgo sacarino pode chegar a 35%. Esses açúcares geram fermentação eficiente, mas podem provocar formação de etanol, problema que pode ser controlado com aditivos adequados.

    Mesmo com o avanço do sorgo, Neto defende que ele não substitui o milho, apenas complementa a silagem tradicional. “Ele é uma alternativa quando o milho não produz bem”, resume.

    Em tempos de clima irregular e insumos caros, o sorgo surge como aliado da pecuária brasileira, garantindo flexibilidade e segurança alimentar para o rebanho.

  • Milho depende da chuva e risco cresce na segunda safra

    Milho depende da chuva e risco cresce na segunda safra

    O atraso no plantio da segunda safra de milho aumentou o risco climático e, ao mesmo tempo, elevou a dependência das chuvas no Brasil.

    Agora, abril e maio ganham ainda mais importância. Isso porque a cultura entra na fase de enchimento de grãos justamente quando as precipitações começam a perder força. Por isso, produtores acompanham o clima com mais atenção.

    Safrinha entra em fase decisiva

    Com o plantio fora da janela ideal, muitas áreas passaram a depender diretamente das condições climáticas.

    Em regiões como Goiás, Matopiba e parte do Mato Grosso do Sul, o risco aumentou. Isso ocorre porque o ciclo da cultura avança em um período mais seco. Além disso, a irregularidade das chuvas pode limitar o potencial produtivo. Por outro lado, no Mato Grosso, o plantio aconteceu mais cedo. Ainda assim, a produtividade também depende da distribuição das chuvas.

    Atraso no plantio pressiona produção

    O atraso na semeadura ocorreu, principalmente, por causa da colheita mais lenta da soja.

    Como resultado, muitos produtores plantaram fora do período recomendado. Em Goiás, cerca de 70% da área ficou fora da janela ideal. Já no Mato Grosso, esse índice é menor, mas ainda exige atenção.

    Dessa forma, a exposição ao risco climático aumentou em boa parte das lavouras.

    Safra de verão equilibra oferta

    Enquanto a safrinha enfrenta incertezas, a safra de verão avança e sustenta a oferta no curto prazo.
    Por isso, o aumento da disponibilidade pressiona os preços em algumas regiões. Ao mesmo tempo, o mercado segue atento ao desempenho da segunda safra.

    Assim, o equilíbrio entre oferta atual e expectativa futura passa a guiar as negociações.

    Mercado oscila com cenário externo

    No cenário internacional, os preços do milho oscilaram nas últimas semanas.

    Primeiro, as cotações recuaram, pressionadas pelo dólar e pelo andamento da safra global. Depois, o mercado reagiu com a alta do petróleo e da soja, que influenciam custos e demanda.

    Além disso, fatores externos continuam trazendo volatilidade para os preços.

    Preços reagem no mercado interno

    No Brasil, o milho perdeu força em fevereiro, principalmente devido à maior oferta da safra de verão.
    No entanto, ao longo de março, o movimento mudou. Em regiões como Campinas (SP), os preços voltaram a subir.

    Esse avanço reflete tanto o cenário internacional quanto as incertezas sobre a safrinha. Por isso, o mercado já começa a precificar possíveis impactos na produção.

    Clima segue como principal fator

    Diante desse cenário, o clima se mantém como o principal ponto de atenção.

    Se as chuvas continuarem irregulares, a produtividade pode cair. Por outro lado, caso o clima ajude, parte das perdas pode ser reduzida.
    Assim, produtores e mercado seguem atentos às próximas semanas, que devem definir o rumo da safra.

  • El Niño 2026 pressiona agro e acende alerta para inflação no Brasil

    El Niño 2026 pressiona agro e acende alerta para inflação no Brasil

    O avanço das projeções para um novo episódio de El Niño em 2026 começa a ganhar espaço nas análises do mercado brasileiro e já influencia decisões em dois setores estratégicos: agronegócio e energia.

    Com probabilidade superior a 60% de formação no inverno e possibilidade de atingir cerca de 80% no segundo semestre, o fenômeno deixa de ser um cenário alternativo e passa a ser considerado um fator relevante de risco econômico.

    Impactos no campo devem variar por região

    No agronegócio, o El Niño altera o regime de chuvas de forma desigual entre as regiões do país.

    No Sul, o aumento das precipitações tende a favorecer culturas como soja e milho, elevando o potencial produtivo. Ainda assim, o excesso de chuva pode comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a colheita.

    No Centro-Oeste, principal região produtora do Brasil, o risco está no atraso das chuvas. Esse cenário pode prejudicar o plantio da soja e reduzir a janela da segunda safra de milho, responsável por cerca de 75% da produção nacional.

    Já nas regiões Norte e Nordeste, a redução das chuvas aumenta o risco de perdas em culturas básicas e pressiona a pecuária.

    Volatilidade climática aumenta custos e riscos

    Além da distribuição irregular de chuvas, o El Niño costuma intensificar a variabilidade ao longo da safra.

    Períodos de excesso podem ser seguidos por estiagens curtas, o que eleva o risco de perdas mesmo em regiões inicialmente favorecidas. Esse comportamento afeta diretamente a produtividade, a qualidade das lavouras e os custos operacionais.

    Com isso, produtores podem enfrentar maior necessidade de replantio, uso intensivo de insumos e manejo mais técnico. Também cresce a demanda por seguro rural e ferramentas de proteção financeira, o que aumenta o custo de produção e adiciona volatilidade aos preços.

    Pressão sobre alimentos pode impactar inflação

    O redesenho climático tem efeito direto sobre os preços dos alimentos. A combinação entre perdas regionais, maior volatilidade internacional e custos logísticos mais elevados tende a pressionar um dos principais componentes da inflação brasileira.

    Em cenários mais intensos, o impacto pode deixar de ser localizado e se espalhar por diferentes cadeias produtivas, ampliando o efeito sobre o custo de vida.

    Agro e energia ampliam efeito econômico

    A combinação entre pressão nos alimentos e aumento do custo da energia amplia o impacto sobre a economia. De um lado, a produção agrícola pode enfrentar perdas ou queda de produtividade. De outro, o setor elétrico pode operar com custos mais elevados.

    Esse cenário reforça o risco inflacionário e pode influenciar decisões de política monetária nos próximos meses.

    Intensidade do fenômeno será decisiva

    O impacto final dependerá da intensidade do El Niño. Um evento moderado tende a gerar efeitos regionais e parcialmente compensatórios. Já um fenômeno mais forte pode sincronizar perdas agrícolas e deterioração energética, ampliando o impacto sobre preços e expectativas.

    Mercado já começa a ajustar projeções

    Entre maio e junho, com maior precisão dos modelos climáticos, o mercado deve recalibrar as expectativas para a safra 2026/27 e para o equilíbrio do sistema elétrico.

    Até lá, o El Niño já se consolida como uma variável relevante na formação de preços, influenciando alimentos, energia e inflação no Brasil.

  • Preço do milho fecha semana em queda em SP e MS, mas sobe até 4,3% em MT

    Preço do milho fecha semana em queda em SP e MS, mas sobe até 4,3% em MT

    Preço do milho fecha semana em queda em SP e MS, mas sobe até 4,3% em MT

    Os preços do milho encerraram a semana passada com comportamento desigual entre as regiões produtoras do Brasil. Por um lado, o avanço da colheita da safra de verão pesou sobre as cotações em praças de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Por outro lado, a posição firme de produtores diante das incertezas quanto ao frete sustentou altas expressivas no Mato Grosso. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da consultoria AgRural.

    Queda nas praças de SP, MS e MG

    Em Campinas (SP), o indicador do Cepea registrou a cotação de R$ 70,34 por saca de 60 quilos na sexta-feira (27/3). Isso representa um recuo semanal de 1,44%. Apesar da baixa, o indicador acumula alta de 1,16% em março. O patamar de preços, portanto, segue elevado em relação ao início do período.Da mesma forma, outras praças também registraram quedas. Em Dourados (MS), a saca foi negociada a R$ 57,60, com recuo de 0,7% na semana. Já em Unaí (MG), a queda foi de 0,8%, para R$ 61,50 a saca. Em todas essas regiões, o avanço da colheita aumentou a oferta do cereal no mercado físico. Com isso, os compradores recuaram ou ofertaram valores abaixo das pedidas dos vendedores.

    Mato Grosso na contramão: alta de até 4,3%

    No Mato Grosso, no entanto, o cenário foi completamente inverso. De acordo com a AgRural, Lucas do Rio Verde registrou o maior avanço semanal entre as praças monitoradas: alta de 4,3%, com a saca atingindo R$ 48. Além disso, em Querência, a valorização foi de 3,4%, para R$ 46 a saca.

    Dessa forma, a sustentação dos preços na região está ligada à resistência dos produtores em negociar diante das incertezas relacionadas ao custo do frete. Esse fator eleva o risco logístico e, consequentemente, reduz o interesse em fechar contratos a preços considerados abaixo do satisfatório.

    Exportações aceleram em março

    No mercado externo, os embarques de milho seguem em ritmo acelerado. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos primeiros 15 dias úteis de março, foram exportadas 784,2 mil toneladas do cereal, volume equivalente a 90% do total embarcado no mês. Além disso, o ritmo diário de exportação foi 14% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, sinalizando, assim, forte demanda internacional pelo grão brasileiro.