Tag: milho

  • Soja sobe com demanda firme e atinge maior valor desde 2023

    Soja sobe com demanda firme e atinge maior valor desde 2023

    A soja registrou forte valorização no mercado brasileiro nos últimos dias. O movimento ocorreu diante da demanda firme e da menor oferta. Segundo o Cepea, compradores domésticos e estrangeiros aumentaram as aquisições. Além disso, vendedores reduziram a disponibilidade de lotes no mercado spot.

    Como resultado, os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e Paraná atingiram os maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

    Demanda chinesa sustenta preços da soja

    A demanda externa continua aquecida, principalmente por parte da China. No mercado brasileiro, as indústrias também intensificaram as compras. O objetivo é recompor e garantir os estoques. Enquanto isso, vendedores adotaram uma postura mais cautelosa. Assim, a menor disponibilidade de lotes sustentou as cotações no mercado spot.

    Os pesquisadores do Cepea relacionam essa cautela às incertezas sobre a oferta global da safra 2026/27. Nesse cenário, possíveis impactos do El Niño aumentam as preocupações com a produção mundial de soja. Além disso, o cenário externo também impulsionou os preços. Dessa forma, as altas internacionais reforçaram a valorização da soja no mercado brasileiro.

    Milho avança mesmo com colheita da segunda safra

    O milho também registra valorização no mercado brasileiro. O movimento ocorre apesar do avanço da colheita da segunda safra. As altas internacionais sustentam os preços. Além disso, preocupações climáticas para os próximos meses aumentam a pressão.

    No mercado brasileiro, produtores reduziram o interesse pelas negociações. A retração ocorre tanto no mercado spot quanto para entregas futuras e exportações. Nos Estados Unidos, expectativas de menor produtividade das lavouras elevaram expressivamente as cotações internacionais.

    Essa possível queda na produtividade pode reduzir a oferta global de milho. Consequentemente, o cenário dá suporte aos preços do cereal. Além disso, perspectivas desfavoráveis para a produção na União Europeia sustentam as cotações futuras.

    As incertezas relacionadas ao conflito no Mar Negro também influenciam o mercado internacional de milho.

    Vendedores seguram oferta e compradores elevam propostas

    Segundo pesquisadores do Cepea, as preocupações com a oferta aumentam a cautela dos vendedores. Ao mesmo tempo, muitos aguardam valorizações mais expressivas antes de negociar maiores volumes. Por isso, vendedores limitam a quantidade de milho disponível para comercialização.

    Enquanto isso, compradores demonstram necessidade de elevar os valores oferecidos. O objetivo é recompor os estoques nas próximas semanas. Assim, a combinação entre menor oferta, demanda por reposição e cenário externo mantém os preços do milho sustentados no Brasil.

  • Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Empresas e produtores enfrentam um gargalo estrutural que vem redesenhando a comercialização de grãos no Brasil: a falta de silos. O descompasso entre a capacidade estática de armazenagem e o volume total colhido a cada safra consolidou-se como um dos principais fatores de instabilidade do setor.

    O problema ganha contornos mais críticos no segundo semestre, quando milho e algodão escoam simultaneamente e disputam espaço nos armazéns disponíveis.

    Enquanto os Estados Unidos guardam 65% de sua produção dentro das propriedades rurais, o Brasil armazena apenas 15% na origem, afirma a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa escassez empurra o produtor para uma venda compulsória logo após a colheita, o que pressiona as cotações internas e reduz o poder de negociação do produtor.

    Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil, fornecedora de soluções em armazenamento e movimentação de grãos, defende que o cenário exige uma análise que vai além do espaço físico disponível.

    “O déficit mensurado é mais agudo em regiões de expansão agrícola no segundo semestre, como o Matopiba e o norte de Mato Grosso. O armazenamento planejado protege o produtor contra a oscilação de preços. Mas demanda superar barreiras regulatórias locais, garantir eficiência energética e manter a estrita conformidade com as exigências técnicas de certificação”, explica o executivo.

    Gargalos regulatórios travam novos investimentos

    Atualmente, os produtores que querem investir em armazenagem própria esbarram em uma série de exigências. Precisam obter licenças ambientais estaduais, atender à Lei nº 9.973 que regulamenta o Sistema de Certificação de Armazéns do país e adequar as plantas às normas de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), caso da NR-33, voltada ao trabalho em espaços confinados.

    Nesse ambiente restritivo, o acesso a materiais de alta especificação passou a fazer diferença direta na viabilidade dos projetos. Silos construídos com aços de alta resistência estrutural e revestimentos galvanizados superiores suportam melhor a carga dinâmica de carregamentos contínuos, segundo Oliveira.

    “No entanto, para combater o estresse térmico severo no interior do silo, a engenharia de proteção do grão precisa ir além da barreira física do aço”, alerta o diretor.

    Projetos de alta performance, segundo ele, já integram sistemas de termometria digital e ventilação automatizada, capazes de controlar a temperatura e a umidade da massa de grãos.

    Essa combinação preserva as características físicas, sanitárias e comerciais do produto e atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo mercado exportador.

    Diante de safras que testam anualmente a eficiência logística nacional, a expansão tecnológica da armazenagem surge como o elo regulador capaz de proteger as margens do agronegócio.

    “A sustentabilidade financeira da porteira para dentro depende da autonomia de comercialização. E ela só se alcança quando o produtor dispõe de uma estrutura robusta e capaz de preservar a integridade biológica do seu patrimônio por longos períodos”, conclui o diretor comercial.

  • Milho consorciado com braquiária afeta produtividade

    Milho consorciado com braquiária afeta produtividade

    A escolha da braquiária no consórcio com milho não é um detalhe: ela pode preservar ou comprometer a produção de grãos. Um estudo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal, identificou diferenças significativas no desempenho do milho quando consorciado com a braquiária híbrida Mavuno e com a braquiária ruziziensis.

    Os resultados fazem parte do estudo “A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho?”. Ele foi conduzido pela engenheira agrônoma Tainá Garcia Paiares, sob orientação do professor Anderson Prates Coelho e coorientação do pesquisador Victor Augusto da Costa Escarela. O trabalho avaliou o desempenho agronômico e produtivo do milho consorciado com diferentes braquiárias e doses de nitrogênio em cobertura.

    O interesse pelo tema acompanha a expansão do uso de forrageiras em sistemas consorciados impulsionada pelos benefícios que essas espécies trazem à conservação do solo, à ciclagem de nutrientes, à formação de palhada e à sustentabilidade do sistema produtivo. Entender como cada material se comporta durante o desenvolvimento do milho tornou-se, assim, fundamental para reduzir riscos e aumentar a eficiência do sistema.

    Os pesquisadores conduziram o experimento entre outubro de 2025 e abril de 2026. E compararam três sistemas de cultivo: milho solteiro, milho consorciado com braquiária híbrida Mavuno e milho consorciado com braquiária ruziziensis, além de diferentes doses de nitrogênio em cobertura.

    Mavuno iguala produtividade do milho solteiro; ruziziensis reduz colheita em 13%

    O milho cultivado em consórcio com a braquiária híbrida Mavuno apresentou produtividade de grãos equivalente à do milho solteiro. Já o consórcio com ruziziensis reduziu a produção em aproximadamente 13%. Na comparação direta entre os dois consórcios, o milho consorciado com Mavuno rendeu 1.332 kg de grãos a mais por hectare do que o consorciado com ruziziensis. Ou seja, uma diferença equivalente a cerca de 22 sacas por hectare.

    Em termos econômicos, essa diferença mostra que a escolha da braquiária pode pesar muito mais no bolso do produtor do que apenas o preço da semente. Tomando como referência o preço médio de R$ 65,55 por saca apurado pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Cepea) em julho de 2026, as 22 sacas extras por hectare do sistema com Mavuno podem representar cerca de R$ 1.450 a mais por hectare em receita bruta. Em uma área de 100 hectares, essa vantagem pode chegar a R$ 143 mil adicionais apenas na produção de grãos, na comparação com o sistema com ruziziensis.

    Por que o desempenho muda entre as forrageiras

    O estudo atribui o melhor resultado do Mavuno ao seu desenvolvimento inicial mais equilibrado. O que reduz a competição com o milho por luz, água e nutrientes justamente na fase em que a cultura define seu potencial produtivo. A Urochloa ruziziensis, por outro lado, cresce de forma inicial mais agressiva. E compromete características agronômicas importantes, como altura de plantas, diâmetro de colmo e componentes de produção — o que reduz a produtividade final.

    Sistema radicular da braquiária híbrida Mavuno alcança mais de 4 metros de profundidade. Foto: Divulgação / Unesp

    O trabalho também revelou o potencial forrageiro da braquiária híbrida Mavuno em cultivo exclusivo. Ela acumulou 14.280 kg de matéria seca por hectare, contra 9.603 kg/ha da ruziziensis. Ou seja, um indicativo de alto potencial para formação de biomassa em sistemas de integração lavoura-pecuária.

    Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds empresa responsável pelo desenvolvimento da braquiária híbrida Mavuno, os resultados reforçam a importância de tratar a escolha da forrageira como parte da estratégia produtiva da propriedade.

    “O consórcio deixou de ser apenas uma ferramenta para formação de palhada. Hoje, o produtor precisa pensar em um sistema que preserve a produção de grãos do milho. E ao mesmo tempo, entregue benefícios para o solo e para a produção de forragem”, explica.

    Segundo Pontes, a pesquisa amplia a discussão sobre o papel das forrageiras nos sistemas de produção. “O consórcio não é uma receita única. Cada material tem um comportamento agronômico diferente e isso precisa ser considerado na tomada de decisão”,  conclui.

  • Nova lei permite pagar até 25% a mais por milho e soja para pequenos criadores

    Nova lei permite pagar até 25% a mais por milho e soja para pequenos criadores

    Pequenos criadores rurais ganham mais opções para alimentar seus rebanhos. A Lei 15.490/26, sancionada pela Presidência da República, amplia a lista de produtos disponíveis no Programa de Venda em Balcão (ProVB).

    Até então, o programa oferecia apenas milho aos pequenos criadores. Com a mudança, a lista passa a incluir também sorgo, caroço de algodão, farelo de soja, farelo de milho e outros insumos usados na alimentação animal.

    Como funciona a compra pela Conab

    A nova lei amplia o rol de produtos que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) pode comprar para revender pelo ProVB. Com isso, a estatal facilita o acesso dos pequenos criadores aos estoques públicos que administra.

    Podem participar do programa:
    • pequenos criadores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo;
    • pequenos criadores sem o cadastro que atendam aos limites de renda do Programa Nacional de
    • Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e explorem imóvel rural de até 10 módulos fiscais; e
    • cooperativas agropecuárias e associações de agricultores familiares com CAF ativo.
    • Conab pode pagar até 25% acima do preço mínimo

    A lei também altera a Lei 8.171/91 e cria leilões públicos para formar estoques de produtos agrícolas. Por meio desses leilões, a Conab poderá comprar de produtores rurais e cooperativas produtos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) pagando até 25% acima do preço mínimo estabelecido.

    A estatal também ganha autorização para vender estoques públicos diretamente a ações de abastecimento e segurança alimentar, incluindo pequenas empresas, associações e cooperativas.

    Limites de compra e novas regras de gestão

    O limite mensal de compra continua em 27 toneladas para pequenos criadores e sobe para até 80 toneladas no caso de cooperativas e associações.

    Por outro lado, a lei extingue o teto anual de 200 mil toneladas para as compras do ProVB. A partir de agora, o Poder Executivo definirá o volume a cada ano, conforme a disponibilidade orçamentária e financeira.

    A gestão do programa também muda: os ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, da Agricultura e Pecuária e da Fazenda passam a exercer juntos as competências relacionadas ao ProVB.

    Origem da lei

    A nova legislação tem origem no Projeto de Lei 1384/11, apresentado pelo ex-deputado e atual senador Beto Faro (PT-PA). A Câmara dos Deputados aprovou o texto em maio e o Senado, em agosto.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    O governo federal avalia a criação de uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP) baseada em critérios internacionais relacionados à toxicidade para seres humanos e aos riscos para o meio ambiente.

    A proposta, porém, ainda está em análise e não significaria automaticamente a proibição dos produtos enquadrados na lista. Mesmo assim, representantes de produtores e fabricantes de defensivos temem que a classificação provoque restrições indiretas e impactos econômicos sobre a agricultura brasileira.

    Uma minuta de portaria conjunta dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, do Ibama e da Anvisa reúne 42 ingredientes ativos já proibidos no Brasil e outros 39 registrados e atualmente utilizados no país, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.

    Lista atingiria centenas de defensivos agrícolas

    De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), os 39 ingredientes ativos registrados aparecem em 864 produtos comerciais de 89 fabricantes.

    Segundo nota técnica da entidade citada pelo Valor, eles representam 26,3% das formulações comerciais de herbicidas, inseticidas e fungicidas disponíveis no país.

    Esses defensivos são utilizados no manejo de diferentes problemas fitossanitários, entre eles:

    • ferrugem asiática da soja;
    • bicudo-do-algodoeiro;
    • antracnose;
    • mofo-branco no feijão;
    • percevejos;
    • cigarrinha-do-milho.

    Governo diz que classificação não significa proibição

    Segundo o material-base, a minuta foi assinada em abril pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Desde então, entidades ligadas ao agronegócio vêm se mobilizando contra a publicação.

    A Casa Civil informou que avaliações técnicas e jurídicas continuam sendo realizadas e que, diante da complexidade do assunto, a proposta permanece sob análise do governo federal.

    O Ministério do Meio Ambiente também afirmou que a inclusão de um ingrediente ativo na lista não implicaria vedação automática de seu uso.

    “A categorização de ingredientes ativos de agrotóxicos constitui importante subsídio para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à redução da exposição a agrotóxicos altamente perigosos ao meio ambiente e à saúde no Brasil”, afirmou a Pasta.

    O Ministério da Saúde informou que ainda não havia recebido o documento.

    Proposta está ligada ao Pronara

    A iniciativa está relacionada ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), política federal voltada à redução progressiva do uso desses produtos e ao estímulo a alternativas de menor impacto.

    O programa foi instituído pelo Decreto 12.538/2025 e prevê ações como monitoramento de resíduos em alimentos, incentivo à produção de base ecológica, pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.

    A discussão sobre os chamados Highly Hazardous Pesticides (HHPs) utiliza como referência critérios adotados internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme o material analisado.

    Uma ata do comitê gestor do Pronara também aponta que a classificação poderia auxiliar na priorização de alternativas e no incentivo à inovação tecnológica.

    Produtores temem restrições indiretas

    A Aprosoja Brasil classificou a proposta como um “banimento indireto disfarçado”.

    Segundo a entidade, mesmo sem uma proibição formal, a utilização da lista em políticas públicas poderia provocar consequências em áreas como:

    • crédito rural;
    • seguros agrícolas;
    • programas de certificação;
    • compras públicas;
    • comércio exterior;
    • cadeias de exportação.

    A associação também considera possível o surgimento de novas restrições estaduais ou municipais.

    A posição recebeu apoio de aproximadamente 50 entidades ligadas ao Instituto Pensar Agropecuária (IPA).

    Parte do setor também questiona a participação do Ministério da Agricultura na elaboração da medida e a compatibilidade da proposta com a Lei 14.785/2023, que estabeleceu novas regras para registro, controle e fiscalização de agrotóxicos no país.

    A legislação de 2023 efetivamente disciplina pesquisa, produção, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização dos agrotóxicos no Brasil.

    Setor estima impacto bilionário sobre soja e milho

    Um dos principais argumentos contrários à medida envolve eventuais efeitos sobre a produtividade agrícola.

    Em estudo apresentado ao Ministério da Agricultura, a CropLife Brasil estimou que um cenário de restrição significativa na eficácia do controle fitossanitário poderia provocar perda de 12,8 milhões de toneladas de soja, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 23,5 bilhões.

    Para o milho, a entidade projetou redução potencial de 92,9 milhões de toneladas, equivalente a cerca de R$ 102 bilhões.

    Somadas, as projeções chegam a R$ 125,5 bilhões.

    Os números, no entanto, são estimativas produzidas pelo setor de defensivos para um cenário hipotético de restrição relevante e não representam uma previsão oficial do governo ou uma consequência já estabelecida da criação da lista.

    Exportações também preocupam o setor

    A CropLife argumenta ainda que a classificação poderia produzir efeitos comerciais e reputacionais sobre produtos agrícolas brasileiros em mercados com regras ambientais mais rígidas, como a União Europeia.

    Segundo a entidade, a existência da lista poderia alimentar novos questionamentos sobre sustentabilidade e padrões produtivos brasileiros durante negociações comerciais e relações com compradores internacionais.

    Em manifestação técnica encaminhada à Casa Civil, o Ministério da Agricultura apresentou críticas à minuta.

    Segundo o documento, a Pasta avaliou que a proposta “apresenta graves inconsistências técnicas, jurídicas e institucionais, configurando risco a um sistema regulatório consolidado, ameaçando a segurança jurídica e a competitividade do agronegócio brasileiro”.

    Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário se posicionou favoravelmente à publicação da portaria em manifestação técnica mencionada no processo.

  • Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    A morte de Glória Menezes, aos 91 anos, nesta terça-feira (18), encerrou a trajetória de uma das grandes atrizes da televisão brasileira e também trouxe novamente à memória a história construída ao lado de Tarcísio Meira, seu marido por quase seis décadas.

    Fora das telas, Tarcísio construiu uma trajetória que pouca gente conhece: o ator também investiu no agronegócio e tornou-se proprietário de propiedades rurais pelo país.

    Após a morte do ator, em agosto de 2021, parte da administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    Isolamento da COVID-19 foi no campo

    Antes da morte de Tarcísio, em 2021, ele e Glória Menezes viveram os últimos anos juntos em uma fazenda de gado, localizada no munícipio de Porto Feliz, no interior de São Paulo. A mudança aconteceu no início da pandemia de Covid, em março de 2020.

    O local funcionava como uma unidade produtiva moderna com foco em bem-estar animal, além de contar com biodigestores para tratar dejetos de gado — gerando biofertilizante e biogás para alimentar uma miniusina de energia limpa própria.

    Além disso, a propriedade também erviu de palco para momentos marcantes da família. Em 2021, a atriz levou a filha, Maria Amélia Brito, até o altar na cerimônia de casamento realizada nos jardins da fazenda.

    Glória Menezes acompanha filha até o altar em casamento na fazenda da família em Porto Feliz (Foto: Divulgação/Filó Cerimonial)

    A celebração cumpriu um desejo deixado por Tarcísio Meira antes de falecer e foi oficializada por uma das netas de Glória.

    Fazenda de Tarcísio Meira tem mais de 10 mil hectares

    Nio entanto, o principal empreendimento da família é a Fazenda São Marcos, com mais de 10 mil hectares em Aurora do Paraná, cuja gestão hoje é realizada por Tarcísio Filho.

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou ainda na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator tomou conhecimento de uma grande área disponível para compra e decidiu investir.

    Com o passar dos anos, a ligação com o Pará se fortaleceu, e o famoso chegou a dizer que havia se tornado “quase um paraense”.

    Tarcísio também investiu na comunidade

    A atuação do ator na propriedade não ficou restrita à produção agropecuária.

    Na Fazenda São Marcos, foram construídas moradias para funcionários e mantida uma escola gratuita que atendia filhos de trabalhadores, além de crianças de pequenos agricultores e colonos da região.

    Cerca de metade da extensão da propriedade também é mantida como área de preservação ambiental.

    Vizinho, o produtor Jeferson Castilhou afirmou que Meira também cultivava a harmonia e era simpático com todos ao redor.

    “A propriedade é vizinha nossa. Ele vinha comprar uva e era um senhor tranquilo, simples. Várias vezes encontrei com ele em supermercado, farmácia, padaria. Muito tranquilo, simpático.”

    Tarcísio Meira e Glória Menezes eram apreciadores da vida no campo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    “Não era só patrão, era amigo de todos do sítio, fazia de tudo por seus funcionários. Ele era acostumado a dar presente às crianças do sítio no Natal e sempre tirava fotos com todos. Por causa da pandemia, no final do ano passado ele fez depósito bancário para não ter contato com ninguém”, relembra também Regiane Domicianoma, ex-funcionária do local.

    Glória Menezes e Tarcísio ficaram juntos por quase 60 anos

    Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram no início da década de 1960, quando ambos davam os primeiros passos de suas carreiras.

    Os dois se casaram em 1962 e construíram uma das uniões mais conhecidas da televisão brasileira. O casamento durou 59 anos, até a morte do ator.

    Além da vida pessoal, Glória e Tarcísio dividiram as telas inúmeras vezes e se tornaram um dos casais mais reconhecidos da dramaturgia nacional.

    Amor até o fim

    Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.

    Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.

  • Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (18) uma nova legislação que amplia os instrumentos do governo para enfrentar os impactos do El Niño no campo e reforçar os estoques públicos de alimentos.

    Entre as principais mudanças está a possibilidade de o governo comprar determinados produtos agrícolas por valores até 25% superiores ao preço mínimo estabelecido para a safra.

    A medida abre caminho para ampliar os estoques administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em um período de preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre a produção e o abastecimento.

    A estratégia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) prevê a compra de até 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.

    Caso seja necessário para viabilizar a formação dos estoques, o governo poderá pagar acima do preço mínimo, respeitando o limite estabelecido pela nova legislação.

    O que muda nas compras da Conab

    Até então, a legislação condicionava a aquisição para formação de estoques à situação em que os produtos estivessem negociados abaixo do preço mínimo.

    O mecanismo funcionava principalmente como instrumento de sustentação de preços e renda do produtor. Entretanto, essa condição restringia a atuação da Conab quando os preços estavam acima desse patamar, mesmo diante da necessidade de recompor estoques.

    Com a mudança, o governo ganha maior margem para realizar compras públicas voltadas ao abastecimento.

    Na prática, a alteração permite que a política de estoques seja utilizada não apenas quando há pressão de baixa sobre os preços recebidos pelos produtores, mas também diante da necessidade de garantir disponibilidade de produtos para períodos posteriores.

    El Niño aumenta preocupação com abastecimento

    A mudança ocorre em meio à preparação do governo para os possíveis impactos do El Niño sobre a produção agropecuária brasileira.

    O fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura e pode produzir efeitos diferentes entre as regiões produtoras. Por isso, eventuais impactos sobre as safras dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da localização das lavouras.

    Nesse cenário, a formação de estoques de arroz e milho funciona como instrumento adicional da política de abastecimento.

    Os estoques públicos podem ser utilizados pelo governo para aumentar a disponibilidade de determinados produtos no mercado quando houver necessidade, dentro das regras estabelecidas para cada programa.

    Mais produtos entram no programa para pequenos criadores

    A nova legislação também amplia a cesta de produtos que poderá ser adquirida pela Conab e posteriormente comercializada pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB).

    O programa atende principalmente pequenos criadores de animais, facilitando o acesso a produtos destinados à alimentação dos rebanhos.

    Até agora, o ProVB disponibilizava milho. Com as novas regras, a Conab poderá trabalhar também com:

    • sorgo;
    • caroço de algodão;
    • farelo de soja;
    • farelo de milho;
    • outros produtos destinados à alimentação animal.

    A diversificação pode ampliar as alternativas disponíveis aos pecuaristas, especialmente em períodos de pressão sobre a oferta ou os preços dos insumos utilizados na alimentação animal.

    Cooperativas poderão comprar até 80 toneladas por mês

    O limite mensal para os pequenos criadores permanece em até 27 toneladas.

    A legislação também passa a contemplar cooperativas e associações, que poderão adquirir até 80 toneladas por mês, conforme as regras do programa.

    Outra mudança importante é o fim do limite de 200 mil toneladas anuais que existia para o abastecimento do ProVB.

    A partir de agora, o volume destinado ao programa deverá ser estabelecido conjuntamente pelo MDA, Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério da Fazenda, considerando a disponibilidade orçamentária e financeira.

    Esses ministérios também ficarão responsáveis por estabelecer as condições para as vendas destinadas às cooperativas de produção agropecuária e associações da agricultura familiar, em articulação com a Conab.

    Estoques também poderão abastecer programas sociais

    A nova legislação ainda autoriza a venda direta de produtos dos estoques públicos da Conab para atender programas sociais, ações de abastecimento e iniciativas relacionadas à segurança alimentar.

    Entre os beneficiários previstos estão micro e pequenas indústrias de alimentos, micro e pequenas empresas do varejo alimentar, cooperativas e associações.

    A regulamentação dessa modalidade ficará a cargo dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; e da Fazenda.

    Já a Conab deverá estabelecer os critérios de adesão e credenciamento dos beneficiários, além da metodologia para definição dos preços.

     

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Silo de milho desaba no Paraná; veja vídeo

    Silo de milho desaba no Paraná; veja vídeo

    Um silo de milho desabou na manhã desta sexta-feira (14), em uma unidade da Cocamar, em Primeiro de Maio, no Norte do Paraná. O momento do rompimento foi registrado em vídeo.

    As imagens mostram parte da estrutura cedendo e o milho armazenado começando a cair. Cerca de 20 segundos depois, o silo desaba completamente.

    Segundo a Cocamar, não houve feridos no incidente.

    https://www.instagram.com/reel/DcCQ-r6Jw7X/?igsh=aDQ4aHhicnM4YW9k

    A estrutura atingida é um silo pulmão, utilizado para regular o fluxo e equilibrar o ritmo de recebimento de produtos na unidade.

    Apesar do desabamento, a cooperativa informou que o incidente não deve afetar o recebimento de milho dos produtores. Até a última atualização desta reportagem, o valor do prejuízo causado pelos danos materiais não havia sido divulgado.

    Cocamar diz que protocolos de segurança foram acionados

    Em nota, a Cocamar afirmou que os protocolos de segurança foram acionados após o rompimento e que não houve vítimas.

    “A Cocamar informa que houve o rompimento de um silo pulmão de sua unidade em Primeiro de Maio (PR), utilizado para o armazenamento de milho.

    Os protocolos de segurança foram acionados e não houve vítimas. O incidente resultou apenas em danos materiais.

    A Cooperativa está adotando as providências necessárias e o recebimento da safra na unidade seguirá acontecendo.”

    A cooperativa informou ainda que está tomando as medidas necessárias após o incidente e que as operações de recebimento da safra continuarão normalmente na unidade.

  • Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    As mudanças climáticas devem aumentar a importância da irrigação para o agronegócio brasileiro. A avaliação foi apresentada por pesquisadores durante o Fórum Mais Milho, realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília, nesta quarta-feira (12).

    Segundo os especialistas, a maior frequência de eventos climáticos extremos pode elevar os riscos para produtores que dependem exclusivamente das chuvas para conduzir suas lavouras.

    Mudanças climáticas aumentam importância da irrigação

    Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados e um dos idealizadores da Rede Nacional de Irrigantes (Renai), afirmou que o cenário da produção agrícola brasileira está mudando.

    “O cenário está mudando, vamos ter que irrigar mais”, afirmou.

    O pesquisador destacou que, até agora, a produção de grãos em sistema de sequeiro (que depende principalmente das chuvas) manteve a competitividade do Brasil. No entanto, a mudança no comportamento do clima aumenta a necessidade de estratégias para reduzir os impactos da irregularidade hídrica.

    “Até hoje, a produção do Brasil em sequeiro era competitiva, mas agora o clima está mudando. A irrigação vai ser cada vez mais importante.”

    Para Rodrigues, além da expansão da irrigação, o setor precisa ampliar o monitoramento climático e a geração de dados.

    A medida permitiria aos produtores fazer um planejamento mais preciso das atividades e tomar decisões com maior antecedência diante das condições meteorológicas.

    Estresse hídrico aumenta risco para produtores

    Ronaldo Torres, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), destacou a relação entre as perdas provocadas pelo clima e o endividamento no campo.

    Segundo ele, parte das dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores está relacionada às frustrações de safra causadas pelo estresse hídrico.

    “A irrigação pode ser uma solução para problemas decorrentes de estresse hídrico e eventos climáticos, como El Niño e La Niña, cada vez mais recorrentes”, apontou.

    A irrigação, nesse contexto, pode funcionar como uma ferramenta para reduzir a dependência exclusiva das chuvas e aumentar a previsibilidade da produção.

    Brasil pode ampliar área irrigada

    Durante o evento, Durval Dourado Neto, professor da Esalq, afirmou que o Brasil possui potencial para ampliar significativamente a área irrigada.

    Segundo ele, o país poderia acrescentar 53,4 milhões de hectares de área irrigada no longo prazo, ultrapassando a marca de 60 milhões de hectares.

    O professor também defendeu a expansão da agricultura irrigada como uma estratégia relacionada à segurança alimentar.

    De acordo com estudos apresentados por ele, seria possível desenvolver, no médio prazo, um plano nacional de segurança alimentar com o objetivo de ampliar a área irrigada em 15,5 milhões de hectares nos próximos 30 anos.

    Desse total, 6,4 milhões de hectares estariam em áreas consideradas mais favoráveis à implantação de projetos de irrigação.

    Além disso, o professor também afirmou que seria possível ampliar em 2,1 milhões de hectares a área irrigada a cada quatro anos em regiões próximas aos oito principais polos agrícolas irrigados do país.

    Irrigação exige investimento e infraestrutura

    Para Dourado Neto, a expansão da irrigação precisa ser acompanhada por planejamento e sustentabilidade.

    “É importante ter a ciência norteando a agricultura. O Plano Nacional de Irrigação pode dobrar área adicional irrigável nos próximos anos e fazer isso com sustentabilidade, preservando água e floresta”, disse.

    Gustavo Goretti, pesquisador das áreas de irrigação e conservação do solo, avaliou que a expansão potencial da área irrigada exigiria entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões em investimentos privados no longo prazo.

    Segundo Goretti, alguns dos principais obstáculos para a expansão da irrigação continuam semelhantes aos enfrentados pelo setor há duas décadas.

    Entre eles estão:

    • dificuldades relacionadas ao licenciamento ambiental;
    • regras para armazenamento e outorga de água;
    • disponibilidade de energia elétrica;
    • qualidade do fornecimento de energia.

    O pesquisador também apontou que a irrigação ainda é tratada, em determinadas situações, como uma atividade sujeita a licenciamento, em vez de ser considerada uma tecnologia capaz de contribuir para a produção agrícola.

    Setor defende melhor uso dos recursos hídricos

    Bernhard Kiep, diretor da Abramilho e membro da Câmara de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirmou que o Brasil ainda utiliza de forma limitada seu potencial produtivo e seus recursos naturais.

    “Temos 12% da água doce do mundo, usamos menos de 1%. Somos campeões mundiais de desperdício de água doce do mundo. Precisamos usar melhor para o bem da humanidade.”

    As discussões realizadas no Fórum Mais Milho mostram que a irrigação tende a ganhar espaço na estratégia do agronegócio brasileiro diante das mudanças no regime de chuvas e do aumento dos riscos climáticos.

    Para os pesquisadores, a expansão, porém, depende de investimentos, planejamento, disponibilidade de água, infraestrutura energética, segurança jurídica e uso de dados para orientar as decisões no campo.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão