Tag: milho

  • Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa a patente nº BR 102024018669-9, oficializando uma tecnologia que pode mudar o manejo de pragas em lavouras de soja e milho. A invenção protege formulações pesticidas de liberação controlada desenvolvidas a partir da lignina, um polímero natural abundante na biodiversidade brasileira.

    Os pesquisadores Silvio Vaz Júnior, da Embrapa Agroenergia, Ângelo Aparecido Barbosa Sussel, da Embrapa Cerrados, e a bolsista de pós-doutorado Flávia Augusta Dias Galarza assinam a inovação. A patente, expedida em 12 de maio de 2026, garante à Embrapa a propriedade da tecnologia por 20 anos, contados a partir de setembro de 2024.

    Da fábrica de celulose para o campo

    A matéria-prima da tecnologia é a lignina Kraft, coproduto da indústria de papel e celulose que normalmente vai para a queima em caldeiras. Ao transformar esse resíduo em suporte para defensivos, os pesquisadores inserem o material na lógica da economia circular e ampliam seu valor tecnológico.

    “O principal objetivo é reduzir os impactos ambientais causados pelos pesticidas sintéticos convencionais”, afirma Silvio Vaz Júnior. Nos métodos tradicionais de pulverização, perdas chegam a 30% por degradação imediata dos princípios ativos. O que leva agricultores a aumentar as doses e contaminar solos e recursos hídricos.

    A lignina atua como matriz protetora: encapsula o pesticida e o libera de forma lenta e gradual nas lavouras. Ela também oferece proteção contra a radiação ultravioleta, que frequentemente degrada pesticidas quimicamente instáveis antes de cumprirem sua função.

    Como a tecnologia funciona

    Para viabilizar o encapsulamento, os pesquisadores submeteram a lignina a modificações químicas, gerando duas variantes: lignina Kraft acetilada (LKA) e lignina Kraft aminada (LKAM). Nos testes laboratoriais, essas versões atingiram índices de encapsulamento entre 80% e 100%.

    As nanopartículas resultantes medem entre 150 e 300 nanômetros, tamanho que favorece a adesão e a absorção pelas plantas. Essa precisão em escala nanométrica garante que o princípio ativo chegue exatamente onde e quando o produtor precisa, com menos desperdício.

    Resultados nos campos de soja e milho

    Em lavouras de soja, o alvo dos testes foi a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), principal doença da cultura no Brasil. A formulação TBZ-LKA reduziu em até 84,85% o número de lesões causadas pelo fungo. Um desempenho comparável ao dos produtos líderes de mercado Tebufort® e Fox Xpro®.

    No milho, os pesquisadores testaram o controle da helmintosporiose (Exserohilum turcicum). O destaque foi a formulação PTZ-LKA, que reduziu a incidência da doença em 97% na primeira avaliação. Mesmo 45 dias após a aplicação, sob condições climáticas favoráveis ao fungo, a tecnologia continuou protegendo as folhas, superando fungicidas comerciais em longevidade e redução de pústulas.

    Além da eficácia prolongada, a análise comparativa mostrou que as formulações de lignina demandam menor massa de fungicida por hectare. “Reduzimos significativamente a carga tóxica lançada no ecossistema”, destaca Silvio.

    Alinhamento com as metas globais de sustentabilidade

    A patente se encaixa nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — especificamente o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). A tecnologia responde à demanda por “intensificação sustentável”: produzir mais alimentos sem ampliar o impacto ambiental.

    O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de celulose, o que garante oferta abundante e barata de lignina Kraft. Esse cenário torna a fabricação das nanoformulações economicamente viável e estrategicamente relevante para a indústria nacional de defensivos.

  • Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Na última quinta-feira (28), a novela “Quem Ama Cuida” ganhou forte repercussão na programação da Globo. A obra atingiu momentos de alta tensão entre os personagens Otoniel e Arthur Brandão, interpretados por Tony Ramos e Antonio Fagundes.

    A  produção alcançou 22,9 pontos de audiência na Grande São Paulo, registrando seu melhor desempenho semanal até o momento.

    No entanto, o que pouca gente sabe, é que o protagonista da trama também tem um “pézinho” no agro. Antonio Fagundes é proprietário de uma fazenda no interior paulista, onde atua no cultivo de soja e milho, dois pilares fundamentais do agronegócio nacional.

    Fazenda Fama I

    A participação do ator no setor rural ocorre através da Fazenda Fama I, localizada entre os municípios de Ourinhos e Salto Grande.

    Antonio afirma exercer posse mansa, pacífica e contínua da propriedade desde 1998. Coincidentemente, esse mesmo período marcou sua atuação na icônica novela “O Rei do Gado”, o que reforça ainda mais sua associação simbólica com o universo rural.

    Imagens aéreas da ‘Fazenda Fama I’ — Foto: Reprodução/Youtube

    Diante do uso produtivo constante da terra e da ausência de contestação, Fagundes ingressou com uma ação de usucapião extraordinária para regularizar o registro oficial do imóvel. O processo ganhou repercussão quando veio a público em 2023.

    Eterno ‘Rei do Gado’ 

    A relação do ator com o universo rural já é antiga. Antonio Fagundes foi protagonista da novela “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa, uma das obras mais marcantes da teledramaturgia brasileira.

    Na trama, ele interpretou duas fases do personagem Antonio Mezenga e, posteriormente, seu neto Bruno Mezenga, figura central do enredo.

    Antonio Fagundes como Bruno Mezenga em ‘O Rei do Gado’ (1996) — Foto: Globo

    Além disso, o próprio ator reconhece o impacto duradouro da produção em sua carreira.

    “Eu sou ‘o rei do gado’ para muita gente, ainda hoje. A novela me marcou pelo resto da vida”, afirmou o veterano.

  • Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 908 no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21), estabelecendo os Preços de Liberação dos Estoques Públicos (PLE) para arroz, milho, trigo e derivados da mandioca. A medida orienta as operações de venda da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em leilões públicos até 2027.

    Os preços funcionam como referência para a intervenção do governo no mercado. Quando as cotações superarem o PLE, o governo poderá autorizar a venda de produtos dos estoques públicos para conter altas.

    A Conab executará as operações por meio de leilões no Sistema de Comercialização Eletrônica (Siscoe).

    Preços por produto e região

    O arroz em casca terá preço de liberação de R$ 78,80 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, válido até 31 de janeiro de 2027. Nas demais regiões, o valor chega a R$ 98,81 por saca de 60 kg.

    A farinha de mandioca fina beneficiada, tipos 1 e 2, terá PLE de R$ 3,01 por quilo nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com vigência até 31 de dezembro de 2026.

    Para a fécula de mandioca, o preço será de R$ 3,53 por quilo nas mesmas regiões, também válido até o fim de 2026.

    No caso do milho, o Mapa definiu valores regionalizados. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o preço será de R$ 69,39 por saca de 60 kg. No Sudeste e no Paraná, ficará em R$ 63,82. Já no Centro-Oeste e no Norte, exceto Tocantins e Pará, o valor será de R$ 48,43.

    No oeste da Bahia e nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, o milho terá PLE de R$ 58,04 por saca. Nessas regiões, os preços valem até 31 de dezembro de 2026.

    Para o restante do Nordeste, o valor será de R$ 78,37 por saca de 60 kg, com vigência entre 1º de junho de 2026 e 31 de maio de 2027.

    O trigo em grãos, tipo 1 pão, terá preço de liberação de R$ 97,01 por saca de 60 kg na Região Sul, válido entre 1º de julho de 2026 e 30 de junho de 2027.

    Regras para uso dos estoques

    A portaria estabelece que os preços do milho não se aplicam às vendas destinadas ao Programa de Venda em Balcão (ProVB), operado pela Conab.

    Além disso, quando os preços de mercado superarem o PLE, a liberação dos estoques dependerá de autorização prévia do Mapa e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A decisão também considerará a disponibilidade orçamentária e seguirá as regras da Portaria nº 523/2022.

  • Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    A produção brasileira de grãos deve atingir 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 8º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 1,6% em relação ao ciclo anterior, com incremento de 5,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do sorgo.

    A soja lidera o avanço e pode atingir produção recorde de 180,1 milhões de toneladas, superando em 0,5% a estimativa anterior. Com 98,3% da área já colhida, a oleaginosa deve crescer 5% na comparação com a safra passada, o equivalente a 8,6 milhões de toneladas a mais. O resultado marca o sétimo aumento em dez ciclos consecutivos.

    O milho também mantém desempenho relevante. A primeira safra deve alcançar cerca de 28,5 milhões de toneladas, avanço de 3,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela expansão da área plantada. No total das três safras, a produção do cereal deve chegar a 140,2 milhões de toneladas, configurando o segundo maior volume da série histórica.

    A segunda safra de milho, já totalmente semeada, deve produzir 108,5 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,6%. O impacto climático em estados como Goiás e Minas Gerais explica parte da redução, apesar do aumento de 2,1% na área plantada em nível nacional.

    Sorgo como alternativa estratégica

    O sorgo desponta como alternativa estratégica no campo e pode registrar crescimento de até 23,8%, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas. A expansão da área cultivada ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde o avanço chegou a 50,7%. Em Goiás, maior produtor nacional, a produção deve superar 2,2 milhões de toneladas, alta de 40,3%.

    Segundo a Conab, a substituição do milho pelo sorgo em áreas fora da janela ideal de plantio explica o movimento. A cultura apresenta maior tolerância ao déficit hídrico e oferece versatilidade de uso, incluindo alimentação animal e produção de etanol.

    Entre os alimentos básicos, o arroz deve registrar leve queda de 0,3%, com produção estimada em 11,1 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da diminuição de 13,7% na área plantada. Ainda assim, a produtividade aumentou e alcançou 7.281 quilos por hectare, com 94,6% da área já colhida.

    A produção de feijão também deve recuar 5,2%, somando 2,9 milhões de toneladas nas três safras. A primeira safra apresentou ganho de produtividade de 4,3%, com produção próxima de 969 mil toneladas. Mesmo com a retração, a Conab descarta risco de desabastecimento no mercado interno.

    Algodão tem queda na na produção

    No algodão, a expectativa é de produção de aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao ciclo anterior, reflexo da redução de área e produtividade. Já o trigo deve somar 6,4 milhões de toneladas, com retração de 1,5 milhão de toneladas, influenciada pela menor área semeada no Rio Grande do Sul e no Paraná.

    No mercado, a demanda por milho deve crescer impulsionada pela indústria de etanol. O consumo interno tende a avançar 4,6%, alcançando 94,86 milhões de toneladas. As exportações também devem subir e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento da demanda, o estoque final deve ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas.

    Para a soja, as exportações acompanham o desempenho da safra e podem chegar a 116 milhões de toneladas, alta de 7,25% em relação à temporada anterior.

  • Showtec apresenta arsenal tecnológico para soja e milho

    Showtec apresenta arsenal tecnológico para soja e milho

    A Corteva Agriscience leva à Showtec Maracaju 2026 um pacote de tecnologias voltado ao aumento da produtividade das lavouras de soja e milho em Mato Grosso do Sul. Realizado entre os dias 19 e 21 de maio, em Maracaju (MS), a companhia apresenta soluções em sementes, defensivos químicos, biológicos, tratamento industrial de sementes e experiências imersivas voltadas ao produtor rural.

    Entre os destaques está o lançamento do programa Incrementa MS, desenvolvido em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul, Aprosoja MS, Fundação MS e Fundação Chapadão. A iniciativa busca elevar a produtividade agrícola por meio de estratégias agronômicas adaptadas às condições climáticas e produtivas do Estado.

    O programa nasceu com foco na cultura do milho, mas foi ampliado para a soja devido ao calendário produtivo sul-mato-grossense, marcado pela força da safrinha. Os primeiros resultados do projeto piloto apontam ganhos de produtividade associados à adoção de práticas de manejo alinhadas ao ambiente regional.

    A participação na Showtec ocorre em um momento estratégico para o agronegócio sul-mato-grossense. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso do Sul mantém posição de destaque na produção nacional de soja na safra 2025/26. Reforçando o peso econômico do setor para o Estado e para o País.

    Estrutura interativa e experiências imersivas

    A Corteva montou um estande integrado em formato de celeiro, reunindo todas as marcas e soluções do grupo em uma grande área demonstrativa. O espaço aposta em experiências sensoriais, realidade aumentada e conteúdos técnicos voltados ao manejo agrícola.

    Entre as atrações, os visitantes participam de um cinema imersivo que apresenta a jornada da lavoura, desde o planejamento do plantio até os desafios envolvendo pragas, doenças e plantas daninhas. A proposta é mostrar, na prática, como fungicidas, inseticidas, herbicidas, nematicidas, biológicos e tratamentos de sementes atuam no campo.

    Além das demonstrações tecnológicas, a programação inclui palestras técnicas sobre manejo de pragas, doenças, plantas daninhas, biológicos e tratamento industrial de sementes.

    Na área de pesquisa e desenvolvimento, a empresa apresenta novos nematicidas desenvolvidos com a molécula Reklemel, voltados ao controle seletivo de nematoides fitoparasitas sem comprometer organismos benéficos do solo.

    O portfólio de defensivos também inclui soluções como os inseticidas Expedition, Exalt e Intrepid Edge, além dos fungicidas Aproach Premium, Viovan e Vessarya. No segmento de herbicidas, os destaques são Gapper, Paxeo e Elevore.

    Sementes, biotecnologia e manejo integrado

    A companhia também reforça na feira o Sistema Enlist, plataforma que reúne sementes, biotecnologia, herbicidas e boas práticas agrícolas para manejo de plantas daninhas.

    Entre as cultivares adaptadas às condições de Mato Grosso do Sul estão materiais como 97Y70CE, BatalhaCE, 66E, FúriaCE e 64K67CE. A marca Cordius também apresenta variedades desenvolvidas para a região de Maracaju com foco em estabilidade produtiva e tolerância a doenças.

    No segmento de milho, a Brevant Sementes leva híbridos voltados tanto para safra verão quanto para safrinha. Enquanto a Pioneer, que celebra 100 anos de atuação global e mais de 50 anos no Brasil, apresenta novos híbridos com foco em produtividade e tolerância ao estresse hídrico.

    Outro eixo da participação da empresa é o tratamento industrial de sementes por meio da marca LumiGEN, que reúne soluções em fungicidas, inseticidas, bioestimulantes e bionematicidas para milho e sorgo.

    Biológicos ganham espaço no manejo agrícola

    A Corteva também amplia sua presença no segmento de biológicos durante a Showtec. Entre os destaques está o Utrisha N, solução baseada na bactéria Methylobacterium symbioticum, desenvolvida para fixação biológica de nitrogênio em culturas como soja, milho e batata.

    O produto será apresentado em uma experiência de realidade aumentada, na qual o produtor poderá visualizar o funcionamento da tecnologia dentro da planta.

    Outro lançamento da empresa é o Re-Up, potencializador nutricional voltado às culturas de soja, milho e algodão. Segundo a companhia, a solução auxilia no fortalecimento das plantas diante de condições de estresse, contribuindo para ganhos de eficiência e produtividade.

    Além das tecnologias para o campo, a Corteva também apresenta durante a feira o Programa Lidera, plataforma de relacionamento voltada à aquisição de insumos. O sistema permite ao produtor acumular pontos na compra de produtos da companhia, convertendo-os em benefícios, vouchers e premiações.

  • Expectativa de maior demanda global aquece o mercado da soja

    Expectativa de maior demanda global aquece o mercado da soja

    A expectativa de maior demanda global por soja movimentou o mercado brasileiro na última semana. Segundo o Cepea, o dólar valorizado fortaleceu as negociações internas da oleaginosa. Além disso, a previsão de maior participação do Brasil no abastecimento mundial sustentou os preços domésticos da soja.

    Ao mesmo tempo, a demanda aquecida por farelo e óleo de soja manteve firmes as cotações internacionais. Ainda conforme o Cepea, o mercado global segue atento à pressão sobre os embarques dos Estados Unidos Dados divulgados pelo USDA, em 12 de maio, indicam recorde na produção mundial de soja em 2026/27. A estimativa global passou de 427,6 milhões para 441,5 milhões de toneladas.

    O Brasil deve continuar como maior produtor mundial da commodity na próxima safra. Segundo o USDA, o País responderá por 42,1% da produção global de soja. A projeção brasileira indica crescimento da colheita de 180 milhões para 186 milhões de toneladas.

    No mercado interno, a Conab também elevou a previsão para a safra brasileira 2025/26. A companhia estima produção de 180,13 milhões de toneladas nesta temporada. O volume supera em 0,5% a previsão divulgada em abril. Além disso, a estimativa atual fica 5% acima da safra anterior.

    Compradores de milho seguem cautelosos

    O mercado de milho apresentou ritmo mais lento nas negociações nos últimos dias. Segundo o Cepea, compradores aguardam quedas mais intensas nos preços antes de fechar novos negócios.

    A postura cautelosa ocorre após a Conab elevar a estimativa da safra 2025/26. Parte dos consumidores também relata estoques confortáveis para as próximas semanas.

    Dados da Conab apontam produção de 28,46 milhões de toneladas na primeira safra. O volume representa aumento de 14% frente à temporada passada. Além disso, a projeção ficou 2% acima do relatório divulgado em abril. A alta resulta do avanço de área cultivada e produtividade em várias regiões produtoras.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que os estoques iniciais da temporada estão entre os maiores dos últimos anos. Esse cenário trouxe maior tranquilidade aos consumidores do cereal.

    Enquanto isso, vendedores seguem flexíveis nas negociações envolvendo milho. Os agentes ajustam preços e prazos de pagamento para estimular os negócios. Os produtores também enfrentam pressão dos armazéns parcialmente cheios. Além disso, a colheita da safra verão de soja e milho amplia a oferta disponível no mercado.

  • Minas Gerais registra salto de 61% na produção de grãos na última década

    Minas Gerais registra salto de 61% na produção de grãos na última década

    Minas Gerais consolidou um avanço histórico no agronegócio nos últimos dez anos. Um estudo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa) revela que a produção mineira de milho, feijão, sorgo e soja saltou de 11,8 milhões de toneladas, no ciclo 2015/2016, para uma estimativa de 18,9 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Esse crescimento de 61% posiciona o estado como o 6º maior produtor nacional, detendo cerca de 6% do total brasileiro.

    Embora Minas já lidere mercados tradicionais como café, leite, batata e frutas, os grãos ganharam terreno de forma acelerada. Apenas em 2025, o estado exportou 6,8 milhões de toneladas de soja, o que gerou uma receita de US$ 2,7 bilhões.

    Tecnologia e inovação impulsionam o campo

    Para o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, o uso de tecnologias da agricultura de precisão, como drones e sensores, e a expansão da agricultura irrigada explicam o sucesso das colheitas. Ele também destaca o papel da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) no desenvolvimento de sementes mais produtivas e resistentes às mudanças climáticas.

    “A tendência é que o melhoramento genético e a adaptação tecnológica avancem para culturas de grãos mais sustentáveis”, afirmou Fernandes, mencionando lavouras de soja, trigo, milho, feijão e sorgo.

    Estratégia da “safrinha” garante eficiência produtiva

    A otimização do solo também foi determinante para os resultados recordes. Muitos produtores mineiros adotaram o sistema de rotação: plantam soja na primeira safra e milho na segunda, a chamada safrinha. Essa técnica permite colher mais na mesma área, utilizando o terreno de forma eficiente durante quase todo o ano.

    Como resultado dessa estratégia, a produção de soja saltou de 4,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas no período. Atualmente, a oleaginosa ocupa o posto de segundo produto mais importante da pauta exportadora de Minas Gerais, superada apenas pelo café. As regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste lideram esse desempenho no estado.

    Apesar do otimismo, o governo mineiro monitora fatores que podem impactar a safra 2026/2027. O secretário Thales Fernandes aponta preocupações com os juros altos e a chegada do fenômeno El Niño, que pode atrasar o período de chuvas. Além disso, o cenário geopolítico, como o bloqueio no Estreito de Ormuz, gera incertezas sobre o fornecimento global de fertilizantes para o Brasil.

  • Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Quem olha rápido para uma espiga de milho pode até achar que aqueles fios dourados são apenas uma camada incômoda antes do preparo. Mas é justamente ali que acontece uma das etapas mais importantes da produção.

    https://youtube.com/shorts/fAmsEiJp3Vw?si=zTKUYadcn5J2OpSM

    O chamado “cabelo” do milho, conhecido tecnicamente como estigma ou seda, funciona como a parte feminina da planta. Na prática, isso significa que uma espiga só consegue formar um grão quando aquele fio específico recebe o pólen vindo do pendão, a estrutura masculina localizada no topo da planta.

    Um fio pode definir produtividade

    O processo parece simples, mas é extremamente sensível. O pólen cai sobre o cabelo do milho e percorre o interior do fio até alcançar o óvulo na espiga. A partir daí, ocorre a fecundação que origina o grão.

    É por isso que falhas na polinização costumam aparecer diretamente na espiga, deixando espaços vazios entre os grãos. Em muitos casos, calor excessivo, estiagem ou baixa emissão de pólen comprometem essa etapa silenciosa da lavoura.

    Além disso, a quantidade de cabelos visíveis também serve como um indicativo do potencial produtivo da espiga. Quanto mais fios férteis e bem polinizados, maior a chance de uma formação completa de grãos.

    Também está nos chás e receitas

    Apesar de quase sempre ir para o lixo, o cabelo do milho também tem modos de uso variados. Em várias regiões, ele é utilizado em chás e preparos caseiros por conta das propriedades associadas à ação diurética, antioxidante e anti-inflamatória.

    Além dos usos medicinais populares, algumas receitas incorporam a seda em saladas, caldos e sopas. Ainda assim, a maior importância continua ligada ao desenvolvimento da planta.

  • Por que o El Niño preocupa a agricultura no Sul do Brasil?

    Por que o El Niño preocupa a agricultura no Sul do Brasil?

    Você que planta no Sul do Brasil sabe bem: quando o El Niño aparece, o céu desaba e o campo vira um mar de lama. Agora, em maio de 2026, previsões do INMET e CPTEC apontam probabilidade acima de 60% de formação do fenômeno entre maio e julho, saltando para mais de 90% no segundo semestre. Chuvas excessivas no inverno e primavera ameaçam soja, trigo, milho e pastagens, com encharcamento do solo, doenças fúngicas e atrasos operacionais que podem custar bilhões aos produtores.

    O que é o El Niño e por que ele mira o Sul?

    O El Niño surge quando águas quentes do Pacífico equatorial se espalham, alterando ventos e chuvas globais. No Brasil, ele seca o Norte e Nordeste, mas no Sul provoca o oposto: precipitação acima da média, especialmente de junho a dezembro. Histórico mostra perdas pesadas, como no Paraná em ciclos passados, onde trigo perdeu 980 mil toneladas e prejuízos bateram R$ 1 bilhão só nessa cultura, além de R$ 2,5 bilhões totais em safras afetadas. Anomalias de chuva superaram 300 mm em Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul em eventos recentes, e 2026 pode repetir o filme.

    Chuvas torrenciais enchem o campo e travam máquinas

    Produtores enfrentam solos encharcados que impedem o plantio e a colheita, com máquinas atoladas e erosão acelerada. O excesso hídrico atinge fases críticas das culturas, como floração, enchimento de grãos e maturação, reduzindo drasticamente a produtividade.

    Doenças fúngicas explodem na umidade alta, atacando folhas e raízes sem misericórdia, enquanto pragas se multiplicam com temperaturas elevadas associadas. No Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, rios como Uruguai e Ibirapuitã já viram alertas de cheia, complicando ainda mais o acesso às lavouras.

    A soja, carro-chefe do Sul, também sofreu com chuvas em setembro-outubro, período de enchimento de grãos, o que compromete rendimento e qualidade. Estimativas passadas indicam perdas de até 1,5 milhão de toneladas em estados sulinos, com grãos rebaixados para ração animal.

    Preços sobem e mercado sente o tranco

    Com produção menor, preços de grãos disparam, mas o produtor sulista arca com custos extras de manejo e replantio. O fenômeno pressiona a inflação de alimentos, como já alertam analistas para a safra de grãos 2026. Café e cana no Sudeste ganham com seco, mas o Sul paga a conta, com qualidade de grãos chuvados e ATR em queda na cana afetada indiretamente. Mercados globais observam, e o Brasil pode exportar menos, apertando o câmbio.

    Estratégias urgentes pro produtor esperto

    Monitore boletins do INMET, CPTEC e Embrapa diariamente pra ajustar plantios e usar sementes resistentes a fungos. Opte por variedades de ciclo curto na soja, espaçamentos maiores no trigo pra ventilação, e fungicidas preventivos no milho. Diversifique culturas, invista em drenagem de solos e planeje safrinha com margem de segurança. Bancos como BB oferecem crédito consciente pro agro climático; use pra mitigar riscos agora. Assim, você transforma ameaça em oportunidade, sem deixar o El Niño mandar no seu campo.

  • Entenda o reflexo do recorde de exportação da soja brasileira

    Entenda o reflexo do recorde de exportação da soja brasileira

    O Brasil mantém a liderança global nas exportações de soja. A forte demanda internacional, principalmente da China, impulsiona os embarques.

    Segundo o Cepea, o desempenho das exportações sustenta a receita do setor. Isso ocorre apesar da ampla oferta interna e da queda dos preços domésticos. Além disso, a desvalorização cambial também pressiona o mercado brasileiro da soja.

    Recorde de exportação

    Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja. O volume representa recorde histórico da série da Secex. O resultado superou em 15,35% o volume embarcado em março. Na comparação anual, o avanço foi de 9,6%.

    As vendas para a China cresceram 17,6% entre março e abril. O país segue como principal comprador da soja brasileira.

    No acumulado de janeiro a abril, o Brasil exportou 40,24 milhões de toneladas. O volume também representa recorde para o período.

    Milho

    Enquanto isso, os preços do milho seguem em queda na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. A maior oferta pressiona o mercado. A colheita da safra de verão e os estoques elevados ampliam a disponibilidade do cereal.

    Diante desse cenário, compradores encontram facilidade para fechar negócios. Além disso, muitos aguardam novas quedas nos preços. Parte dos vendedores também flexibiliza negociações no mercado spot.

    Segundo o Cepea, os armazéns recebem lotes de soja e milho da safra de verão. Ao mesmo tempo, ainda há estoques remanescentes da temporada 2024/25. Por isso, produtores buscam liberar espaço nos armazéns e reforçar o caixa.

    Apesar disso, o clima preocupa agentes do mercado. Algumas regiões produtoras da segunda safra enfrentam falta de chuva e altas temperaturas.

    Além disso, previsões de frentes frias voltaram ao radar do setor. Caso as condições climáticas adversas persistam, o potencial produtivo das lavouras poderá diminuir.

    Até o momento, a Conab estima produção de 109,11 milhões de toneladas na segunda safra de milho.