Tag: milho

  • Embrapa lança projeto para ajudar produtores a enfrentar riscos climáticos

    Embrapa lança projeto para ajudar produtores a enfrentar riscos climáticos

    A Embrapa anunciou o lançamento do projeto “Do risco à decisão”, iniciativa que pretende fortalecer o monitoramento dos principais riscos climáticos enfrentados pela agricultura brasileira e oferecer informações que auxiliem o produtor rural na tomada de decisões.

    O projeto será iniciado em julho e terá duração de 48 meses, reunindo uma rede formada por 39 pesquisadores e analistas da empresa pública de pesquisa agropecuária. A coordenação ficará sob responsabilidade da Embrapa Agropecuária Oeste.

    Projeto vai monitorar eventos climáticos que afetam a produção

    O objetivo é ampliar a capacidade de prever e acompanhar fenômenos que causam prejuízos recorrentes às lavouras brasileiras.

    Entre os principais eventos monitorados estão as geadas, secas, oscilações climáticas e riscos associados às mudanças no clima.

    Segundo a Embrapa, as informações deverão contribuir para que produtores adotem medidas preventivas antes que os impactos climáticos causem perdas significativas.

    Leia mais: Goiás lidera produção de sorgo no Brasil e cresce 40% na safra 2025/26

    Soja, milho e trigo estão entre as prioridades

    O projeto concentrará esforços em algumas das principais culturas da agricultura brasileira.

    Entre elas estão soja, milho, trigo, arroz, feijão-comum, feijão-caupi, mandioca, uva e maçã.

    Essas culturas representam parte significativa da produção nacional e estão frequentemente expostas aos efeitos de eventos climáticos extremos.

    Geadas e seca estão entre as maiores ameaças ao campo

    A iniciativa ganha relevância em um momento em que diferentes regiões do país registram episódios de frio intenso e estiagem.

    As geadas registradas recentemente em municípios como Lages (SC) reforçam a necessidade de sistemas capazes de antecipar riscos e fornecer informações técnicas para reduzir prejuízos nas lavouras.

    Além das geadas, a seca continua sendo um dos fatores que mais comprometem a produtividade agrícola brasileira, afetando desde o desenvolvimento das plantas até a rentabilidade do produtor.

    Objetivo é fortalecer a tomada de decisão no campo

    Ao integrar pesquisadores de diversas unidades da Embrapa, o projeto busca transformar dados climáticos em informações práticas para apoiar o planejamento agrícola.

    A expectativa é ampliar a capacidade de resposta do setor diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, aumentando a segurança das decisões tomadas pelos produtores rurais.

    Leia mais: Cogumelos comestíveis, tóxicos ou alucinógenos: é possível identificar a diferença?

  • Conheça o milho com fungo que custa R$ 400 o quilo

    Conheça o milho com fungo que custa R$ 400 o quilo

    O aparecimento de fungos nas lavouras de milho costuma ser motivo de preocupação para produtores brasileiros. No México e em outros países da América Central, porém, uma dessas infecções agrícolas é vista de forma completamente diferente.

    O fungo é responsável pela doença conhecida no Brasil como carvão-comum-do-milho. Ele é considerado uma iguaria na culinária local. Em alguns casos, o produto chega a ser vendido por cerca de R$ 400 o quilo.

    O que é o huitlacoche?

    O alimento conhecido como huitlacoche surge quando o fungo Ustilago maydis infecta as espigas de milho.

    A doença provoca deformações nos grãos, que ficam inchados, escurecidos e com aparência semelhante à de uma trufa.

    Segundo a Embrapa, o fungo é o causador do carvão-comum-do-milho, doença presente em todas as regiões produtoras do Brasil.

    Mexicanos transformaram ingrediente em um símbolo gastronômico — Foto: Divulgação

    Consumo

    O ingrediente aparece em diferentes receitas da culinária mexicana, desde preparações populares vendidas em feiras até pratos servidos em restaurantes de alta gastronomia.

    De acordo com o cozinheiro Edu Bacon, especialista em Raizagem Catarinense, o alimento possui grande versatilidade culinária.

    Entre os usos mais comuns estão:

    • Refogados com manteiga e ervas;
    • Molhos para massas;
    • Recheios de tacos e quesadillas;
    • Preparações inspiradas na culinária francesa;
    • Receitas com influência italiana e asiática.

    Nos Estados Unidos, especialmente nas regiões próximas à fronteira mexicana, também é comum o consumo do huitlacoche conservado em óleo e ervas aromáticas.

    Benefícios nutricionais

    Além do valor gastronômico, o huitlacoche também chama atenção por suas propriedades nutricionais.

    Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Agrícola Bati Akdeniz, na Turquia, identificou características que podem tornar o alimento interessante para a dieta humana.

    Entre os resultados observados estão o alto teor de proteínas, presença de quase todos os aminoácidos essenciais, quantidade significativa de lisina e diversidade de carboidratos.

    Leia mais: Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    Fungo preocupa produtores brasileiros

    Apesar de ser valorizado em alguns países, o Ustilago maydis continua sendo uma preocupação para agricultores brasileiros.

    A infecção impede o desenvolvimento normal dos grãos e reduz a produtividade das espigas atingidas.

    Segundo a Embrapa, a doença é considerada de importância secundária, mas tem registrado aumento de ocorrências em algumas regiões produtoras, especialmente no Sul do país.

  • Soja ganha competitividade apesar de prêmio em baixa

    Soja ganha competitividade apesar de prêmio em baixa

    Os prêmios de exportação do óleo de soja seguem em níveis historicamente baixos, apesar da recuperação observada na última semana. Segundo o Cepea, os valores permanecem entre os menores da série histórica iniciada em junho de 2004.

    O cenário reflete a ampla oferta de óleo de soja na América do Sul. Além disso, a demanda por biodiesel no Brasil continua abaixo das expectativas do mercado. Mesmo com a pressão externa, a queda dos prêmios aumentou a competitividade do óleo brasileiro. Com isso, os embarques ganharam força no mercado internacional. Ao mesmo tempo, esse movimento limitou os efeitos de baixa sobre os preços domésticos.

    Colheita pressiona mercado do milho

    O início da colheita da segunda safra continua pressionando os preços do milho. Compradores atuam tanto no mercado interno quanto nos portos.

    De acordo com o Cepea, as médias parciais de junho, até o dia 18, são as menores do ano em várias regiões produtoras. Os consumidores acompanham o avanço da colheita e mantêm estoques suficientes para o curto prazo. Por isso, muitos agentes adiam novas negociações.

    As recentes quedas dos preços internacionais também reduziram a paridade de exportação. Enquanto isso, vendedores sem necessidade imediata de caixa restringem os negócios. Os produtores que ainda possuem espaço nos armazéns também negociam com cautela.

    El Niño pode afetar próxima safra de milho

    O fenômeno El Niño foi confirmado no Brasil e pode influenciar o desenvolvimento das próximas safras. No Sul, o clima pode elevar os volumes de chuva. Já no Centro-Oeste, o fenômeno pode provocar irregularidade das precipitações e aumento das temperaturas.

    Segundo o Cepea, esse cenário preocupa o setor em um período importante para a safra de verão. No Sul, o excesso de chuva pode prejudicar a semeadura do milho. No Centro-Oeste, atrasos na safra de verão podem comprometer o calendário da segunda safra. Nesse caso, o plantio poderá ocorrer fora da janela considerada ideal.

     

  • Preço do milho nas festas juninas sobe apesar de produção recorde no Brasil

    Preço do milho nas festas juninas sobe apesar de produção recorde no Brasil

    A safra recorde de milho no Brasil não impediu a alta dos preços nas festas juninas de 2026. Apesar da ampla oferta no campo, consumidores encontram espigas vendidas por até R$ 15 em quermesses, especialmente em grandes centros urbanos.

    Segundo o IBGE, o país produziu 141,7 milhões de toneladas de milho em 2025, o maior volume já registrado. O aumento da oferta pressionou as cotações no mercado agrícola. Dados do setor indicam queda superior a 4% no preço do grão nos últimos 12 meses, enquanto a saca acumula desvalorização próxima de 10% em relação ao ano anterior.

    Mesmo assim, essa redução não chegou ao consumidor final. Em cidades como Boa Vista e Recife, a espiga cozida custa cerca de R$ 5. Já em festas mais estruturadas de São Paulo, o valor pode triplicar.

    A diferença entre o preço no campo e nas festas juninas reflete os custos ao longo da cadeia. Despesas com transporte, combustível, gás, carvão, mão de obra e taxas de eventos têm peso crescente na formação do preço final. A logística e a operação das barracas acabam determinando quanto o consumidor paga.

    Produção

    Antes disso, a produção no campo também influencia a qualidade e o valor do milho destinado ao consumo direto. O manejo adequado e a fertilização equilibrada garantem espigas mais uniformes, com melhor enchimento de grãos e padrão visual valorizado no mercado.

    Nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio impactam diretamente a produtividade e a qualidade do cereal. Em períodos de alta demanda, como o São João, produtores que investem em tecnologia e manejo conseguem atender melhor mercados exigentes, como feiras, supermercados e o setor de alimentos típicos.

    “A boa safra garante abastecimento e estimula investimentos em tecnologia e inovação. No milho para consumo humano, a fertilização adequada define o padrão comercial das espigas e aumenta o valor agregado”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro.

    O milho ocupa papel central nas festas juninas em todo o país. Receitas como pamonha, canjica, curau e bolo de milho impulsionam o consumo e movimentam uma cadeia que envolve produtores, cooperativas, distribuidores, varejo e comerciantes.

    Estados como Pernambuco, Paraíba, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo concentram grandes festas e ampliam a demanda nos meses de junho e julho.

    O cenário de 2026 evidencia um contraste: o Brasil produz mais milho e registra queda nos preços no campo, mas o consumidor paga mais pelo produto nas festas. Entre a lavoura e a barraca, a cadeia de custos transforma o cereal em um dos itens mais valorizados da temporada.

  • Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    O avanço do El Niño tem elevado as temperaturas em todo o Brasil. Esse fenômeno costuma provocar chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul registra volumes superiores ao normal. Como consequência, a situação pode impactar o escoamento de cargas por hidrovias estratégicas utilizadas no transporte de grãos de Mato Grosso para os portos do Arco Norte.

    Na última semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou que o El Niño já está ativo e pode ganhar intensidade nos próximos meses.

    Segundo as projeções da NOAA, existe 63% de probabilidade de ocorrência de um El Niño classificado como “muito forte”, cenário caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico em cerca de 2 graus Celsius acima da média histórica.

    Fenômeno ameaça escoamento de cargas

    Em relatório assinado pelos analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinen e Victor Tani, o Santander alertou para possíveis impactos na navegação da região. “Isso deve impactar negativamente as condições de navegabilidade no Arco Norte”, destacou o banco.

    De acordo com estudo divulgado pela instituição financeira nesta quinta-feira (18), o nível do Rio Tapajós tende a ficar aproximadamente 0,9 metro abaixo do padrão normal durante anos de El Niño. Isso ocorre devido à redução das chuvas na região, comprometendo o fluxo de embarcações na hidrovia que conecta o Centro-Oeste aos portos do Arco Norte.

    Atualmente, a hidrovia do Tapajós concentra principalmente o transporte de granéis sólidos. A produção de soja e milho sai das áreas produtoras de Mato Grosso pela BR-163 até os terminais localizados em Miritituba, distrito de Itaituba (PA).

    Posteriormente, as cargas seguem em barcaças pelo rio rumo aos portos de Santarém e Barcarena, ambos no Pará, de onde são embarcadas para o mercado internacional. Em 2025, os portos do Arco Norte responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja e milho, segundo dados do governo federal.

    Os números mais recentes reforçam a importância dessa rota logística. Apenas no primeiro bimestre de 2026, a hidrovia do Rio Tapajós movimentou 2,38 milhões de toneladas de cargas, conforme informações do Ministério de Portos e Aeroportos. Nesse volume, o transporte de soja e milho representou 86% do total, enquanto os fertilizantes responderam por 6,3% e os granéis líquidos por 7,4%.

    Hidrovias na logística do agronegócio

    Apesar dos riscos climáticos associados à redução do nível dos rios, especialistas avaliam que o crescimento das hidrovias tem transformado a logística nacional. Para o diretor de agronegócio da nstech, Thiago Cardoso, o aumento do transporte de grãos por vias fluviais e a expansão das exportações pelo Arco Norte representam uma mudança estrutural importante.

    “Vamos aumentar cada vez mais o transporte por estas vias. É uma logística mais inteligente”, afirmou o executivo.

    Levantamento da nstech, baseado em dados do Ministério dos Transportes, mostra que a participação das hidrovias no escoamento da soja saltou de 9% para 13,5% entre 2023 e 2025. Dessa forma, o modal hidroviário foi o que registrou o maior crescimento no período.

    As ferrovias também ampliaram sua participação, passando de 22% para 25% no transporte da oleaginosa. No entanto, o avanço ocorreu em ritmo inferior ao observado nas hidrovias.

    Por outro lado, o transporte rodoviário continua predominante na logística brasileira. Embora sua participação tenha recuado, o modal ainda respondeu por 66% do escoamento da soja em 2025, ante 69% em 2023.

    Segundo Cardoso, a dependência das rodovias ainda gera desafios relevantes para a competitividade do setor.

    “Apesar do avanço rumo à intermodalidade, a predominância rodoviária ainda expõe ineficiências, com o país operando com um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância. Para superar os desafios, a agenda ESG e a digitalização (rastreabilidade, multimodalidade) deixaram de ser diferenciais e tornaram-se pré-requisitos comerciais”, ressaltou.

    Além disso, o executivo avalia que boa parte dos avanços observados na intermodalidade foi impulsionada pela iniciativa privada. Em contrapartida, entraves regulatórios e burocráticos ainda limitam a expansão dos investimentos em infraestrutura logística de longo prazo.

  • Como os clássicos juninos fortalecem o seu organismo

    Como os clássicos juninos fortalecem o seu organismo

    Junho traz consigo as cores e ritmos das festas juninas, mas os verdadeiros protagonistas dessas celebrações estão no prato. Milho, amendoim e mandioca formam a base da identidade alimentar brasileira e garantem não apenas o sabor das quermesses, mas também uma carga valiosa de nutrientes.

    De acordo com especialistas, esses alimentos são versáteis o suficiente para compor uma dieta equilibrada durante todo o ano.

    Além da relevância cultural, esses ingredientes movimentam a economia do campo. São Paulo lidera a produção nacional de amendoim, respondendo por 86% do volume total do país, o que supera as 700 mil toneladas anuais. O milho também se destaca como um dos dez principais cultivos do estado, com uma safra estimada em 3,6 milhões de toneladas para 2024/25, enquanto a mandioca mantém uma produção estável próxima de 1,6 milhão de toneladas.

    Para Katlly Evillim Sousa, nutricionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), a temporada junina é o momento ideal para valorizar essa cultura alimentar. Segundo a especialista, o consumo equilibrado desses itens fornece energia, vitaminas, minerais e compostos bioativos essenciais para a manutenção da saúde.

    Milho: energia e defesa antioxidante

    O milho serve como base para diversas receitas e atua como uma poderosa fonte de carboidratos e energia. O grão carrega proteínas, minerais (como ferro, potássio e zinco) e vitaminas do complexo B.

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    O grande diferencial, no entanto, reside nos seus compostos fenólicos e antioxidantes, que protegem as células contra radicais livres e ajudam a reduzir o risco de doenças crônicas, como diabetes e câncer. Suas fibras também promovem o bom funcionamento intestinal e a saúde do coração.

    Amendoim: o aliado do coração

    Considerado um alimento funcional, o amendoim se destaca pelo alto valor nutricional. Ele oferece proteínas, vitamina E e gorduras insaturadas (ômega 6 e 9). A presença do resveratrol confere ao amendoim um papel protetor para o sistema cardiovascular, auxiliando no controle do colesterol.

    Reprodução – Jornal da USP

    Por ser rico em fibras, ele aumenta a sensação de saciedade e ajuda a regular o açúcar no sangue, embora exija moderação devido ao seu alto teor calórico.

    Mandioca: versatilidade energética

    A mandioca completa a tríade como um alimento altamente energético e rico em vitamina C, potássio e magnésio. A vitamina C estimula a formação de colágeno e a proteção celular, enquanto o potássio garante o funcionamento muscular adequado.

    Foto: divulgação: Embrapa/Regina Siglia Souza

    Assim como os outros itens da lista, as fibras da mandioca são fundamentais para o controle da glicose e do colesterol, além de auxiliarem o trânsito intestinal.

  • Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    As cotações da soja avançaram no mercado brasileiro diante do ritmo intenso dos negócios. A demanda externa seguiu firme e as indústrias nacionais ampliaram as compras nos últimos dias. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Mesmo assim, a ampla oferta global limitou altas mais expressivas nos preços.

    Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam esse cenário. O órgão elevou a estimativa da produção mundial de soja na safra 2025/26 para 429,2 milhões de toneladas, novo recorde histórico. O volume projetado supera em 0,4% a previsão anterior e fica 0,3% acima da temporada passada.

    Entre os principais produtores, o Brasil deve colher 180 milhões de toneladas de soja. A estimativa do USDA ficou ligeiramente abaixo das 180,25 milhões de toneladas projetadas pela Conab.

    Na Argentina, o USDA elevou a previsão para 50 milhões de toneladas. O volume representa alta de 4,2% frente à estimativa de maio. Apesar do aumento, a produção argentina ainda ficará 2,2% abaixo da safra anterior.

    O Brasil também deve manter a liderança global nas exportações de soja. Para a safra 2025/26, o USDA projeta embarques de 115 milhões de toneladas.

    Oferta de milho pressiona mercado

    No mercado de milho, a expectativa de maior oferta tem pressionado as cotações em grande parte do país. Embora a colheita esteja concentrada em poucos estados, agentes do mercado já consideram o aumento da disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

    Segundo o Cepea, compradores reduziram o volume de negociações enquanto aguardam possíveis quedas mais acentuadas nos preços.

    Ao mesmo tempo, vendedores adotaram maior flexibilidade para fechar negócios. Muitos reduziram preços pedidos ou ajustaram condições de entrega e pagamento. O objetivo é acelerar o escoamento da produção neste início de colheita.

    A postura mais cautelosa dos consumidores ganhou força após as novas projeções divulgadas pela Conab e pelo USDA. Os relatórios apontam aumento da produção brasileira na safra 2025/26 e expansão da oferta mundial na temporada 2026/27.

    De acordo com o Cepea, o crescimento da produção brasileira resulta da melhora da safra de verão.

    No cenário internacional, países como a Índia devem ampliar a produção de milho. Como consequência, os estoques globais também tendem a crescer, aumentando a pressão sobre os preços.

     

     

     

  • Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    A produção brasileira de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26. A projeção representa um novo recorde histórico. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento no 9º Levantamento da Safra de Grãos. O volume previsto supera em 1,8% o resultado da temporada anterior.

    Segundo a Companhia, o aumento corresponde a 6,4 milhões de toneladas. Além disso, a área cultivada deve atingir 83,5 milhões de hectares. A Conab atribui o desempenho ao avanço da área plantada e às condições climáticas favoráveis. Com isso, a produtividade média nacional deve alcançar 4.295 quilos por hectare.

    Soja lidera crescimento da produção

    A soja apresenta o maior avanço entre as culturas analisadas. A produção está estimada em 180,3 milhões de toneladas. O volume supera em 8,8 milhões de toneladas o resultado da safra passada. Além disso, a colheita está praticamente concluída.

    A Conab destaca o crescimento da área destinada à oleaginosa. O uso de tecnologia e o clima favorável também impulsionaram a produtividade.

    Milho registra alta e pode alcançar 140,5 milhões de toneladas

    O milho deve somar 140,5 milhões de toneladas nas três safras do ciclo 2025/26. A colheita da primeira safra alcança 87,7% da área cultivada. A produção dessa etapa deve atingir 29,3 milhões de toneladas.

    O resultado representa alta de 17,7% frente à temporada anterior. Além disso, a produtividade média cresceu 7,6%. A expectativa é de rendimento médio de 7.110 quilos por hectare. O índice estabelece novo recorde histórico para a primeira safra.

    Já a segunda safra está em fase inicial de colheita. A produção prevista chega a 107,9 milhões de toneladas. Na terceira safra, o plantio se aproxima do encerramento. A expectativa é colher 3,3 milhões de toneladas.

    Algodão e sorgo apresentam cenários distintos

    A produção de algodão deve atingir cerca de 4 milhões de toneladas. O volume representa queda de 2,5% sobre a safra anterior. Segundo a Conab, a redução ocorre devido à menor área semeada.

    Por outro lado, o sorgo deve registrar forte crescimento. A colheita está estimada em 7,62 milhões de toneladas. O resultado supera em 24,9% o volume obtido na temporada passada. O aumento corresponde a 1,5 milhão de toneladas.

    Arroz e feijão devem garantir abastecimento interno

    A colheita de arroz está praticamente finalizada. A produção prevista alcança 11,1 milhões de toneladas. O volume fica 13,2% abaixo do registrado na safra passada. A redução reflete a menor área destinada ao cereal.

    No caso do feijão, a produção total das três safras deve ficar próxima de 3 milhões de toneladas. O resultado representa leve recuo de 0,5% frente ao ciclo anterior. Ainda assim, a estimativa garante o abastecimento do mercado interno.

    Trigo terá menor área plantada

    Entre as culturas de inverno, o trigo segue com o plantio em andamento. A semeadura já alcança 45,3% da área prevista. A Companhia projeta redução da área destinada ao cereal. Por isso, a produção deve ficar em torno de 6,3 milhões de toneladas.

    Exportações e estoques ganham reforço

    A safra recorde de soja deve ampliar as exportações brasileiras. A expectativa é embarcar 116,1 milhões de toneladas. Além disso, o processamento da oleaginosa pode alcançar 61,58 milhões de toneladas.

    Com esse cenário, o estoque de passagem da soja deve atingir 9,2 milhões de toneladas. A Conab também revisou as projeções para o milho. Os estoques finais do grão podem chegar a 13,25 milhões de toneladas em janeiro de 2027. Já o estoque final de feijão foi atualizado para 288,5 mil toneladas até dezembro deste ano.

  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • Soja ganha força com exportações aquecidas

    Soja ganha força com exportações aquecidas

    A soja registra maior liquidez no mercado brasileiro neste início de junho. O ritmo forte das exportações e a demanda da indústria sustentam as negociações. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário limita quedas mais acentuadas nos preços da oleaginosa. Além disso, o mercado absorve a oferta da safra recorde colhida no Brasil.

    As perspectivas para a produção global também seguem favoráveis. A Argentina avança na colheita, enquanto os Estados Unidos aceleram a semeadura da nova safra. Os embarques brasileiros reforçam a força da demanda internacional. Dados da Secex mostram exportações de 14,82 milhões de toneladas de soja em maio.

    O volume ficou 11,5% abaixo de abril. No entanto, superou em 5,1% o registrado em maio de 2025. De janeiro a maio, o Brasil alcançou um recorde de exportações para o período. O resultado confirma a competitividade da soja brasileira no mercado global.

    Produtores se preparam para vazio sanitário

    No campo, os produtores iniciam os preparativos para o vazio sanitário da soja. A medida busca controlar a ferrugem asiática nas principais regiões produtoras.

    Nos Estados Unidos, o USDA informou que a semeadura da safra 2026/27 atingiu 87% da área prevista. O índice supera a média de 80% dos últimos cinco anos.

    Na Argentina, a colheita alcançou 91,7% da área cultivada. A Bolsa de Cereales manteve a estimativa da safra em 50,1 milhões de toneladas.

    Milho mantém trajetória de queda

    Foto: Seapa/MG

    O mercado de milho iniciou junho com preços em queda na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo pesquisadores, muitos compradores permanecem afastados do mercado spot. Além disso, parte da demanda já possui estoques suficientes para o curto prazo.

    Os consumidores também acompanham o avanço da colheita da segunda safra brasileira. Ao mesmo tempo, observam a queda dos preços internacionais. Esse movimento reduz a paridade de exportação e aumenta a pressão sobre as cotações domésticas.

    Do lado da oferta, produtores sem necessidade imediata de venda limitam os negócios. Com isso, aguardam melhores oportunidades de comercialização. Os vendedores apostam em possíveis sustentação dos preços. Entre os fatores observados estão a menor produção prevista para 2025/26 e os impactos climáticos.

    A seca preocupa principalmente produtores de Goiás e de partes de Mato Grosso do Sul. No Paraná, as geadas também geram atenção sobre a produtividade.

    Mercado externo pressiona cotações

    No cenário internacional, os preços do milho registraram forte queda no começo de junho. A melhora das condições climáticas nos Estados Unidos contribuiu para o movimento. Além disso, a maior oferta na América do Sul ampliou a pressão sobre o mercado.

    A colheita da segunda safra brasileira e a boa produção argentina também pesam sobre as cotações. Por fim, a desvalorização do trigo reforçou a tendência de baixa no mercado global de milho.