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  • Óleo de jacaré-do-Pantanal é testado como antidepressivo

    Óleo de jacaré-do-Pantanal é testado como antidepressivo

    Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) estudam o óleo de jacaré-do-Pantanal (Caiman yacare), um subproduto do abate que pode ganhar nova função na saúde humana. A pesquisa, coordenada pelo professor Leandro Nogueira Pressinnotti e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), investiga se o óleo pode curar feridas, combater infecções e aliviar sintomas de depressão.

    “O jacaré-do-Pantanal é um legítimo animal pantaneiro. Ele é rústico e tolera condições bastante desfavoráveis. Nesse sentido, ele pode estar associado a micro-organismos potencialmente patogênicos aos humanos. Por isso, é necessário pesquisas sobre segurança dos extratos”, afirma Pressinnotti.

    Equipe testa dois tipos de óleo com funções diferentes

    A equipe da Unemat estuda dois tipos de óleo. Os pesquisadores extraem um tipo de óleo da glândula paracloacal, que pode ter ação antimicrobiana, e outro das vísceras, que não apresenta toxicidade comprovada. Além disso, eles testam se as substâncias retiradas de materiais descartados oferecem segurança em tratamentos humanos. Os cientistas também avaliam se o processo é economicamente viável.

    Foto: Divulgação – Unemat

    Segundo o pesquisador, os próximos passos da pesquisa incluem “a aferição de citotoxicidade e potencial de cicatrização in vivo por esses óleos”. O projeto conta com a colaboração dos mestrandos Lucas Polizzeli Azevedo e Natasha Rayane de Oliveira Lima, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) da Unemat.

    Estudos ganham reconhecimento internacional

    Os resultados já chamaram atenção fora do Brasil. Dois artigos científicos foram publicados — um na Science Direct e outro na Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais — destacando o avanço da bioprospecção brasileira, área que une biologia e economia na busca por compostos naturais com potencial terapêutico e farmacológico.

    Pesquisa valoriza biodiversidade do Pantanal

    Embora seja um estudo de laboratório, o trabalho também representa uma nova forma de enxergar a fauna pantaneira. Por isso, o que antes seria rejeito agora pode se transformar em remédio, cosmético ou esperança. Além disso, a equipe acredita que o uso sustentável dos recursos do bioma valoriza a biodiversidade do Pantanal e abre novas frentes de pesquisa em saúde pública e produtos naturais.

    A natureza, afinal, guarda nas escamas do jacaré uma receita ancestral para curar feridas que a ciência humana ainda tenta cicatrizar.

  • Juros elevados do Plano Safra comprometem investimentos em infraestrutura no Mato Grosso

    Juros elevados do Plano Safra comprometem investimentos em infraestrutura no Mato Grosso

    Com a colheita da safra 2025/26, produtores de Mato Grosso já sentem os efeitos restritivos do novo Plano Safra, que apesar de recorde em volume anunciado, oferece menos recursos efetivos para o crédito rural. A subvenção diminuída e a alta das taxas de juros têm feito o acesso a financiamentos viáveis ficar distante para muitos agricultores, segundo o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

    “Os recursos não têm chegado ao produtor rural. Muitos não conseguem fazer operações bancárias nem para custeio, quanto mais para investimentos em armazenagem,” disse Bertuol. Ele alerta que mais de 50% da safra está sem local adequado para estocar, comprometendo a logística do escoamento.

    Os números reforçam essa preocupação. Mato Grosso deve produzir cerca de 47 milhões de toneladas de soja na safra 25/26. Mas sua capacidade estática de armazenagem alcança apenas 53,4 milhões de toneladas, espaço que também serve ao milho, cuja produção ultrapassou 54 milhões de toneladas na última safra. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) estima um déficit superior a 52 milhões de toneladas para as duas culturas.

    Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja MT, destaca o impacto especialmente sobre pequenos e médios produtores. “Construir armazéns é caro e burocrático. Com juros atuais, não é viável. Muitos recorrem a silos bolsa e enfrentam falta de caminhões e maiores custos para transporte na colheita.”

    Lentidão atrapalha

    Porém, apesar do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) incluído no Plano Safra, a lentidão no desembolso do crédito restringe a ampliação da infraestrutura. Bier ressalta que o problema ultrapassa o produtor rural, atingindo a segurança alimentar nacional.

    “Se ocorrer crise no escoamento, seja por portos ou geopolítica, corre-se o risco de perder até metade da produção de Mato Grosso. Um prejuízo bilionário e reflexo direto na economia do país,” alertou.

    O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, reforça que o déficit não é local, mas nacional. E é agravado pelo aumento dos juros e corte nos recursos. Ele aponta que o aumento da produção em 2025 para 350 milhões de toneladas de grãos no Brasil não acompanha o ritmo da construção de armazéns, agravando o déficit que ultrapassa 120 milhões de toneladas.

    Ele defende políticas públicas para incentivar a construção de armazéns próprios, como benefícios fiscais e financiamento mais acessível, vital para que o país garanta soberania frente a crises e oscilações do mercado.

  • Motor da economia: faturamento do agro cresce 11,3% e alcança R$ 1,4 trilhão

    Motor da economia: faturamento do agro cresce 11,3% e alcança R$ 1,4 trilhão

    O Valor Bruto da Produção (VBP) do agronegócio brasileiro atingiu um patamar histórico de R$ 1,406 trilhão em agosto de 2025, conforme dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    O resultado representa um expressivo crescimento de 11,3% em comparação com a safra de 2024, impulsionado principalmente pelo desempenho excepcional das lavouras de café e milho e pela forte alta na pecuária.

    O segmento de lavouras foi um dos principais motores do crescimento, com um faturamento bruto de R$ 928,07 bilhões – alta de 10,8% em relação ao ano anterior. Destaques absolutos foram o café (+47,2%), o milho (+32,4%) e o amendoim (+43%).

    A soja (+8,8%) e o algodão (+8,4%) também tiveram contribuições significativas. Por outro lado, produtos como batata-inglesa (-53,9%), laranja (-17,9%) e feijão (-15,9%) registraram quedas no valor da produção.

    A pecuária também apresentou desempenho robusto, com um crescimento de 12,3% no faturamento, saltando de R$ 425,77 bilhões em 2024 para R$ 478,08 bilhões em 2025. Todos os principais produtos tiveram alta: bovinos (20,5%), ovos (14,1%), suínos (9,6%), leite (5,2%) e frango (4,7%).

    Ranking de valor por produto

    Em termos de valor individual, a soja se mantém como a cultura de maior participação, respondendo sozinha por R$ 322,1 bilhões. Na sequência, aparecem milho (R$ 164,0 bi), cana-de-açúcar (R$ 117,9 bi), café (R$ 115,2 bi) e algodão (R$ 36,6 bi). Juntos, esses cinco produtos representam 53,8% de todo o VBP nacional. Na pecuária, a bovinocultura é a líder, com R$ 204,1 bilhões.

    A análise regional confirma a força do Centro-Oeste e do Sudeste. O Mato Grosso se consolida como maior produtor, responsável por 15,7% do VBP nacional (R$ 221,3 bi), com destaque para soja, milho e algodão. Minas Gerais (12%), São Paulo (11,3%) e Paraná (11,2%) completam a liderança no ranking estadual, cada um com suas especialidades: café e leite em MG; cana e laranja em SP; e milho, soja e frango no PR.

    O VBP é calculado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola do Mapa com base na produção agropecuária e nos preços de mercado do período. O indicador reflete o faturamento bruto dentro das propriedades rurais. E é um importante termômetro da saúde econômica do setor, que segue como um dos pilares da economia brasileira.

  • Programa eleva em até 30% a produtividade de pequenos pecuaristas

    Programa eleva em até 30% a produtividade de pequenos pecuaristas

    Durante o NeoSummit COP30, realizado em São Paulo nesta quarta-feira (10), Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, apresentou resultados expressivos do programa Escritórios Verdes, que apoia 900 pequenos pecuaristas em Rondônia e no oeste de Mato Grosso, aumentando a produtividade das propriedades em até 30%. A iniciativa combina tecnologia e gestão para promover sustentabilidade e eficiência no setor agropecuário.

    O programa atua com três pilares principais: regularização ambiental, assistência técnica e gestão das propriedades. Até o momento, mais de 19 mil fazendas foram regularizadas ambientalmente, com a recuperação de 8 mil hectares de mata nativa.

    A assistência técnica potencializou a produção e elevou a renda dos produtores em até 1,5 salário mínimo. Já a gestão eficiente foi implementada em 500 propriedades, sendo que 30% delas já operam com baixo impacto de carbono.

    Para Tomazoni, a sustentabilidade no agronegócio brasileiro depende do aumento da eficiência produtiva sem encarecer os alimentos, sendo este o principal desafio da transição ecológica. “A solução não é um produto mais caro na prateleira, é um produtor mais eficiente no campo”, afirmou.

    Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

    A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), técnica adotada no programa, aproxima o Brasil ao cenário global como referência em produção sustentável. O modelo permite até três safras anuais em uma mesma área, combinando culturas agrícolas, criação de gado e reflorestamento, evitando a abertura de novas fronteiras agrícolas. Segundo a Embrapa, sistemas integrados já ocupam mais de 17 milhões de hectares no país, área maior do que a soma da Áustria, Dinamarca e Suíça.

    Foto: Divulgação JBS

    Tomazoni reforçou a importância de mudar a percepção negativa sobre o agronegócio brasileiro: “Deixamos, ao longo do tempo, que se construísse uma narrativa de que o agro não é sustentável. A COP30 é a nossa chance de mostrar para o mundo o que estamos fazendo aqui”.

    A pecuária, segundo o executivo, pode ser parte da solução para a crise climática se adotada em modelos regenerativos. Ele defende a revisão da contabilidade do carbono do setor, valorizando a capacidade de captura de CO₂ pelas pastagens manejadas corretamente, que podem mitigar as emissões de metano dos animais. Estimativas da FAO indicam que solos agrícolas tropicais podem capturar até 23% das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Pesquisa

    Pesquisa do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da FGV (OCBio/FGV) mostrou que 31% das fazendas do programa Fazenda Nota 10 removem mais carbono do que emitem, corroborando a tese de que o aumento da eficiência produtiva gera impactos ambientais positivos.

    Além da experiência direta com os produtores, Tomazoni atua como líder do Grupo de Trabalho de Sistemas Alimentares da Sustainable Business COP (SBCOP). Que coordena a contribuição do setor privado na agenda climática. Ele destacou a importância de transformar metas climáticas em ações práticas que gerem investimentos e acelerem a adoção de boas práticas no agronegócio. “Cabe ao setor privado dar materialidade ao que os governos pactuam. O caminho é produzir cada vez mais com menos recursos”, concluiu.

  • Pesca esportiva em MT cresce 40% e atrai investimentos milionários

    Pesca esportiva em MT cresce 40% e atrai investimentos milionários

    O turismo de pesca esportiva em Mato Grosso atravessa seu melhor momento histórico. Dados do setor apontam crescimento entre 30% e 40% nos últimos dois anos, transformando o estado em um dos destinos mais cobiçados do Brasil para a modalidade.

    A expansão tem atraído investimentos milionários e consolidado MT como referência nacional na pesca esportiva sustentável, impulsionada principalmente pela Lei do Transporte Zero, que proíbe o transporte de peixes capturados.

    O empresário Alisson Fagner Santos Trindade, presidente da Associação Mato-Grossense de Ecoturismo e Pesca Esportiva, exemplifica essa expansão. Proprietário de duas pousadas na região de Chapada dos Guimarães, ele investiu R$ 4 milhões na Marina Sérgio Motta, em Cuiabá.

    O empreendimento funciona como um “shopping náutico”, reunindo loja especializada, revenda de embarcações, estacionamento náutico, restaurante, choperia, escola náutica e infraestrutura completa para pescadores esportivos.

    “Esse investimento só foi possível graças à evolução do turismo de pesca em Mato Grosso. A Lei do Transporte Zero criou um ambiente jurídico estável e a resposta foi imediata: mais peixes nos rios, mais turistas e mais negócios”, destaca Alisson.

    Lei do Transporte Zero: o divisor de águas

    A legislação que restringe o transporte de espécies capturadas tem sido o principal catalisador do crescimento. Empresários relatam mudanças significativas na quantidade e variedade de peixes nos rios mato-grossenses.

    Luana Karine, proprietária de pousada em Nova Canaã do Norte, confirma os resultados: “As pessoas estão respeitando e não matam mais o peixe. Já vemos espécies voltando, como o jaú, em maior número e também em tamanhos menores, sinal de renovação dos cardumes”.

    A empresária, ex-apresentadora do programa “Elas na Pesca” da Fish TV, mudou-se de Santa Catarina para MT durante a pandemia, atraída pelo potencial do setor. “Chegamos em 2020 sem conhecer ninguém. No começo havia resistência, mas hoje a realidade é outra”, relata.

    Pantanal registra mesma tendência de crescimento

    No Pantanal, a avaliação é igualmente positiva. Marcelo Martinelli, empresário com 25 anos de atuação em Cáceres, mantém hotéis e três barcos-hotéis na região.

    “No início, alguns clientes vinham pensando em levar peixe, mas logo entenderam a nova lógica. Hoje, a procura só aumenta. Temos reservas cheias para esta temporada e já estamos com alta demanda para o ano que vem”, afirma Martinelli.

    O empresário destaca a mudança cultural: “Antes, muita gente procurava a pesca para levar pescado. Agora, entendem que o valor está na vivência, no contato com a natureza. Isso ampliou o perfil dos clientes”.

    Fishing Show Brazil: Mato Grosso em destaque nacional

    O crescimento do setor ficou evidente na Fishing Show Brazil, realizada em São Paulo entre 28 e 31 de agosto. O estande de Mato Grosso, com 100 m², foi um dos mais movimentados do evento.

    15 empresários mato-grossenses participaram da feira, promovendo sorteios e pacotes turísticos que atraíram centenas de visitantes interessados nos destinos do estado.

    “É um segmento forte e que ainda tem muito a crescer. A pesca esportiva gera negócios e movimenta cadeias inteiras ligadas ao turismo”, destacou Maria Letícia, secretária-adjunta de Turismo da Sedec.

    Turismo de alto padrão e impacto econômico

    O perfil dos turistas também evoluiu. Milton Alves Santos, da Amazônia Fishing Lodge, atua há uma década na divisa com o Pará e observa a atração de público diferenciado.

    “Recebemos famílias inteiras que voltam todos os anos. São turistas de alto padrão que injetam recursos não só no lodge, mas em toda a cadeia: transporte aéreo, guias, fornecedores locais e até comunidades ribeirinhas”, avalia Santos.

    A pesca esportiva sustentável movimenta diversos segmentos da economia local, incluindo hotelaria, transporte, alimentação, guias especializados e comércio de equipamentos.

    O Governo de Mato Grosso, através da Sedec, mantém estratégia dupla: participação em feiras nacionais e consolidação da política do Transporte Zero. A combinação garante sustentabilidade ambiental e atratividade turística.

    Os empresários do setor demonstram confiança no crescimento contínuo, com novos investimentos planejados e expectativa de expansão ainda maior nos próximos anos, consolidando MT como destino número 1 da pesca esportiva no Brasil.

  • Entregas e importações de fertilizantes avançam no primeiro semestre

    Entregas e importações de fertilizantes avançam no primeiro semestre

    As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro cresceram 10,5% no primeiro semestre de 2025, conforme dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume atingiu 20,14 milhões de toneladas, contra 18,23 milhões no mesmo período do ano anterior.

    Somente em junho, as entregas somaram 4,31 milhões de toneladas, um avanço de 7,2% em comparação a junho de 2024, quando foram entregues 4,03 milhões de toneladas.

    Mato Grosso liderou as entregas no período, concentrando 23,9% do total com 4,81 milhões de toneladas. Paraná (2,88 milhões), Goiás (2 milhões), São Paulo (2 milhões), Minas Gerais (1,69 milhão), Rio Grande do Sul (1,5 milhão) e Bahia (1,2 milhão) também se destacaram no ranking.

    O setor segue preparado para a safra de grãos, que deve alcançar produção de 345,2 milhões de toneladas em 2025.

    12º Congresso Brasileiro de Fertilizantes

    Durante o 12º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, realizado em 2 de setembro, em São Paulo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a ANDA firmaram um acordo de cooperação técnica. O objetivo da parceria é ampliar o intercâmbio de informações entre os setores público e privado. Portanto, melhorando o acesso a dados sobre fertilizantes e nutrição de plantas.

    O acordo foca no aprimoramento das estatísticas do setor, no estímulo à inovação e bioinsumos, na produção de conhecimento estratégico e na mobilização de recursos para a sustentabilidade.

    A produção nacional de fertilizantes intermediários cresceu 8,9% no primeiro semestre, totalizando 3,51 milhões de toneladas. Em junho, a produção foi de 609 mil toneladas, porém teve leve queda de 1,8% em relação a junho de 2024.

    Já as importações de fertilizantes intermediários somaram 18,47 milhões de toneladas no semestre, um aumento de 10,3% em comparação ao ano anterior. Em junho, as importações registraram leve queda de 2,4%, totalizando 3,55 milhões de toneladas.

    O porto de Paranaguá, principal ponto de entrada de fertilizantes no Brasil, recebeu 4,87 milhões de toneladas nos primeiros seis meses de 2025. Isso representou alta de 9,9% sobre o volume de 4,43 milhões de toneladas desembarcado em 2024. Paranaguá responde por 26,4% do total importado pelo país.

  • Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    O Brasil expandiu em 3,1% a área tratada com defensivos agrícolas no primeiro semestre de 2025. O crescimento comparado ao mesmo período de 2024 elevou o total para mais de 1,1 bilhão de hectares tratados. Os dados integram pesquisa da Kynetec Brasil encomendada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).

    As culturas de segunda safra lideraram a expansão no período. Algodão e milho, plantados no início do ano, registraram crescimento tanto em área quanto em tecnologia aplicada. Os produtores aumentaram o número de aplicações, especialmente de inseticidas e fungicidas foliares.

    A expansão poderia ter sido maior, mas eventos de estiagem atingiram Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. A seca nessas regiões impactou a safra de soja 2024/25 e reduziu o manejo com fungicidas foliares.

    Volume de aplicações cresce 4,5%

    O volume total de defensivos aplicados entre janeiro e junho cresceu 4,5% em relação a 2024. A distribuição por categoria mostra herbicidas representando 40% do total. Inseticidas respondem por 29%, fungicidas por 21%, tratamento de sementes por 1% e outros produtos somam 8%.

    A metodologia considera a PAT (Área Potencial Tratada). Este indicador calcula o número de aplicações e produtos no tanque. Assim, a PAT reflete tanto a área cultivada quanto a intensidade tecnológica nas lavouras.

    O milho representou 33% da área total tratada no período. A soja ficou em segundo lugar com 28%, seguida pelo algodão com 16%. As demais culturas se distribuem entre pastagem (6%), cana (4%), feijão (3%), café (2%), arroz (2%), citros (2%), trigo (1%), hortifruti (1%) e outras (3%).

    Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 38% da área tratada nacional. A região BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) respondeu por 17%. São Paulo e Minas Gerais somaram 13%, seguidos por Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), Mato Grosso do Sul (8%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (6%). As demais regiões representaram 2%.

    Indicador PAT ganha relevância

    Os resultados demonstram a importância do indicador PAT para monitorar o setor. A ferramenta se torna ainda mais crucial em cenários de instabilidade climática. A tomada de decisões técnicas no campo depende dessas informações para proteger lavouras e manter produtividade.

    O crescimento registrado reflete a adaptação dos produtores às condições adversas. Chuvas irregulares e temperaturas acima da média exigiram maior intensidade no uso de defensivos para garantir a proteção das culturas.

  • China compra 50% da carne bovina exportada por Mato Grosso

    China compra 50% da carne bovina exportada por Mato Grosso

    De janeiro a julho, 81 países abriram espaço no prato para a carne bovina de Mato Grosso. No total, foram embarcadas 458,3 mil toneladas no período, com a China abocanhando mais da metade desse volume: 236,3 mil toneladas, o equivalente a 51,5% do total.

    Receita bilionária e logística eficiente

    A força do estado no comércio global se traduz em números robustos. Só com a venda dessa proteína, a receita já chegou a US$ 2 bilhões nos sete primeiros meses do ano, com preço médio de US$ 5,2 mil por tonelada. Além disso, boa parte desse fluxo passa pelos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), corredores logísticos que conectam o campo mato-grossense às mesas do mercado asiático e europeu.

    Sustentabilidade como diferencial

    “Os números de janeiro a julho mostram que Mato Grosso é reconhecido não apenas pela qualidade da carne bovina, mas também pela forma sustentável com que produzimos. Esse equilíbrio é o que garante competitividade e fortalece a confiança dos mercados internacionais”, afirma Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

    Estados Unidos e Rússia entre os maiores compradores

    Atrás da China, os Estados Unidos aparecem como segundo maior comprador, com 28,2 mil toneladas (6,1% do total). No entanto, esse quadro pode mudar no segundo semestre, já que o governo americano estuda medidas que podem afetar as compras. Logo depois, surge a Rússia, com 27,4 mil toneladas (5,99%).

    Diversificação de mercados

    Mesmo com volumes menores, a lista de destinos revela a amplitude do mercado da carne mato-grossense. Entre eles estão Chile, Filipinas, Egito, Arábia Saudita, México, Itália, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Espanha, Hong Kong, Líbia, Reino Unido, Líbano e Aruba. Essa diversificação reforça o peso global do produto.

    Mato Grosso, líder absoluto na pecuária

    Com um rebanho de mais de 34 milhões de cabeças, Mato Grosso concentra 17% do gado brasileiro. Além disso, o estado mantém o título de maior exportador de carne bovina do país. Por fim, esse prestígio, vale destacar, não é fruto do acaso.

    “O mercado internacional tem cada vez mais confiança na carne bovina mato-grossense. Esse reconhecimento é fruto de anos de investimento em tecnologia e boas práticas ambientais, que hoje são diferenciais competitivos importantes. Mato Grosso segue ampliando mercados e consolidando sua imagem como fornecedor confiável de carne bovina de qualidade, com sustentabilidade”, reforça Andrade.

  • Pesca esportiva: Mato Grosso domina ranking entre os melhores destinos do Brasil

    Pesca esportiva: Mato Grosso domina ranking entre os melhores destinos do Brasil

    Um fenômeno chama atenção no cenário nacional da pesca esportiva: Mato Grosso concentra dez das principais cidades brasileiras para a modalidade, segundo a 12ª edição do Boletim de Inteligência de Mercado do Turismo (BIMT), do Ministério do Turismo. Nenhum outro estado apresenta tamanha densidade de destinos reconhecidos oficialmente.

    A explicação está na geografia privilegiada. O estado abriga trechos de três das principais bacias hidrográficas brasileiras – Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraguai – criando um mosaico aquático único no país. Os municípios mapeados são Alta Floresta, Nova Canaã do Norte, Sinop, São Félix do Araguaia, Canarana, Barão de Melgaço, Poconé, Cáceres, Cuiabá e Pontes e Lacerda.

    Esta diversidade hidrográfica resulta em rios com características distintas: desde as águas cristalinas do Cristalino até os meandros do Paraguai no Pantanal, passando pelos caudalosos Araguaia, Teles Pires, Juruena, Cuiabá, São Lourenço, Culuene e Xingu.

    Variedade de espécies impressiona pescadores

    O que mais atrai os praticantes da pesca esportiva é a biodiversidade. Mato Grosso oferece desde espécies clássicas como tucunaré, dourado, pacu e pirarucu até peixes que proporcionam disputas intensas: pirarara, jaú, cachorra, bicuda e matrinchã.

    A temporada de pesca se estende de fevereiro a outubro, período que oferece as melhores condições para a atividade. Durante esses meses, pescadores de todo o Brasil e exterior convergem para o estado.

    Modelo sustentável ganha força

    Uma característica que diferencia Mato Grosso é a adoção da modalidade “pesque e solte”. A legislação estadual proíbe o transporte de peixes capturados, uma medida que preserva os estoques pesqueiros e mantém a sustentabilidade da atividade a longo prazo.

    Esta abordagem conservacionista tem atraído pescadores conscientes e operadoras turísticas especializadas, criando um nicho de mercado em expansão.

    Números expressivos movimentam economia

    A pesca esportiva representa um segmento econômico robusto. Segundo a Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), a atividade movimenta cerca de R$ 3 bilhões anuais no Brasil, gerando aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos.

    Em Mato Grosso, o impacto se espalha por diversos setores: pousadas especializadas, barcos-hotéis, guias credenciados, restaurantes regionais e comunidades ribeirinhas encontram na atividade uma importante fonte de renda.

    Infraestrutura em desenvolvimento

    A concentração de destinos reconhecidos em Mato Grosso reflete também investimentos em infraestrutura turística. Pousadas especializadas, equipamentos adequados e serviços de guiamento têm se profissionalizado para atender a demanda crescente.

    Maria Letícia Costa, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, confirma que processos de capacitação estão em andamento, focando na qualificação de guias, condutores e gestores do setor.

    Projeção internacional

    Leonardo Perci, da Embratur, aponta que o objetivo é “consolidar o Brasil como destino internacional de pesca esportiva”. Para isso, destaca a importância de operações responsáveis que conectem turistas aos rios brasileiros através de experiências autênticas.

    Um dos principais desafios identificados pelos especialistas é a carência de dados sistematizados sobre o setor, informação fundamental para estratégias de promoção e presença em feiras nacionais e internacionais.

    Temporada 2025 promete movimentação intensa

    Com dez cidades oficialmente reconhecidas e infraestrutura em expansão, Mato Grosso se posiciona para receber um volume crescente de pescadores esportivos na próxima temporada. O estado oferece desde experiências em águas pantaneiras até aventuras em rios amazônicos, atendendo diferentes perfis de praticantes.

    O levantamento foi divulgado durante a Fishing Show Brazil, realizada em São Paulo entre 28 e 31 de agosto, principal vitrine do setor pesqueiro esportivo nacional.

  • Mudas de banana-terra anã transformam produção em Mato Grosso

    Mudas de banana-terra anã transformam produção em Mato Grosso

    A introdução da banana-terra anã em Cáceres tem revolucionado a agricultura familiar do município. Com ciclo produtivo mais curto, iniciando colheitas a partir de sete meses, alta resistência a pragas e elevado potencial produtivo, a variedade se adaptou com sucesso às condições locais. Atualmente, produtores do Assentamento Cinturão Verde lideram o cultivo, adotando técnicas modernas para ampliar a produtividade e qualidade da banana-terra anã.

    A secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destaca que a experiência de Cáceres comprova o impacto positivo da união entre políticas públicas, pesquisa científica e organização social. “O acesso a mudas de qualidade, assistência técnica e infraestrutura aumenta a renda e fortalece a economia local. É assim que a agricultura familiar se torna mais competitiva e sustentável”, afirmou.

    Inovação no cultivo e sustentabilidade

    Na vanguarda da produção, Círo Cercino Santos, do Sítio Cerro Verde, aplica um sistema de plantio adensado com até 2.800 plantas por hectare. Segundo ele, essa técnica ajuda a manter a umidade do solo e controlar plantas daninhas. Resultando em uma produção que pode chegar a 500 caixas de banana por hectare, superior ao método tradicional.

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    Além disso, Círo investiu em energia solar para reduzir custos e aumentar a sustentabilidade da produção. Com planos de implantar plasticultura — técnica que utiliza cobertura plástica para proteger a plantação — ele mira uma maior proteção das plantas, redução de perdas e qualidade constante dos frutos ao longo do ano.

    Tecnologia e investimento social na agricultura familiar

    Outro produtor que se destaca é Wellington Barbosa de Araújo, do Sítio Três Irmãos, que atua em área arrendada com contrato formal. Com perfuração de poço artesiano e instalação de energia solar, ele realiza melhorias que permanecem na propriedade ao final do contrato, visando fortalecer a produção regional.

    Wellington mantém irrigação contínua e parcerias para garantir fornecimento regular. Ao mesmo tempo em que planeja a aquisição de terras próprias para ampliar investimentos e deixar um legado para a família. Ele também enxerga potencial econômico no aproveitamento integral da banana-terra anã, com produção de biomassa, doces, chips e até embalagens ecológicas feitas a partir das fibras e folhas da planta.

    Cooperativismo fortalece produtores locais

    A Cooperativa Agropecuária de Produtores da Agricultura Familiar (Cooperfami), com cerca de 80 associados, tem papel fundamental nesse processo. Presidida por Jaqueline Rodrigues da Silva, com Nivaldo Policeno de Souza como vice-presidente, a cooperativa participa de iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a Rota da Banana — projeto que acelera o escoamento e amplia os mercados para a banana-terra anã.

    “A cooperativa atua para garantir que o produtor tenha mercado para sua produção, abrindo portas e assegurando preço justo,” explicou Jaqueline.

    Com essa união de esforços, a banana-terra anã consolida-se como uma importante cultura para o fortalecimento da agricultura familiar em Mato Grosso. Gerando renda e promovendo a sustentabilidade econômica e ambiental no município de Cáceres.

    O projeto foi feito graças a uma parceria entre a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o apoio do Governo de Mato Grosso por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf/MT).

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