Tag: Mato Grosso

  • Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    As chuvas concentradas no Centro-Norte do Brasil entre 1º e 24 de fevereiro garantiram boas condições para o desenvolvimento das principais lavouras, segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento mostra volumes expressivos na região Norte e na faixa que vai do Amazonas ao Centro-Oeste e Sudeste, beneficiando o armazenamento de água no solo e impulsionando os cultivos da primeira e segunda safra.

    No Matopiba e em partes do Semiárido nordestino, embora os volumes tenham sido menores, a umidade favoreceu a semeadura e o crescimento das lavouras. Já o Sul do país registrou precipitações bem abaixo da média, limitando o desenvolvimento da soja no Rio Grande do Sul, estado em que grande parte das áreas está em floração e enchimento de grãos.

    Os indicadores espectrais analisados pela Conab confirmam boas condições de vegetação em quase todas as regiões monitoradas. Com índices superiores à média histórica nas fases críticas da soja. Em áreas do sudoeste de Mato Grosso do Sul, oeste de Santa Catarina e noroeste gaúcho, ainda há reflexos das restrições hídricas das últimas safras. No entanto, o índice atual do Rio Grande do Sul se aproxima das temporadas anteriores, que tiveram menor potencial produtivo.

    Distribuição

    A distribuição das chuvas também influenciou o ritmo do plantio do milho segunda safra.

    • Em Mato Grosso, o plantio avançou rapidamente com o andamento da colheita de soja.
    • No Paraná, a baixa umidade atrasou o início da semeadura em várias regiões.
    • No Mato Grosso do Sul, o retorno das chuvas beneficiou o avanço dos trabalhos e garantiu bom desenvolvimento das áreas já plantadas.
    • Em Goiás e Minas Gerais, o excesso de chuva reduziu a janela ideal de cultivo.
    • No Tocantins, o plantio acelerou e as lavouras emergidas apresentam boas condições agronômicas.

    A colheita da soja segue em ritmo consistente em estados como Mato Grosso, apesar das chuvas intensas em parte do Centro-Oeste e Sudeste, que atrasaram a operação em algumas regiões. No Rio Grande do Sul, a irregularidade e o baixo volume das precipitações já reduziram as estimativas de produtividade. E consolidaram estado como o principal ponto de atenção nas análises do boletim.

  • Expedição leva ciência e inovação para pequenos produtores de café em Mato Grosso

    Expedição leva ciência e inovação para pequenos produtores de café em Mato Grosso

    A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) lançam a Expedição Rota do Café – MT: “Pelos Caminhos do Café Mato-grossense”. O circuito itinerante de encontros técnicos leva resultados de pesquisas diretamente aos cafeicultores familiares das regiões Norte e Noroeste do estado.

    A programação começa por Colniza e segue para Aripuanã, Cotriguaçu, Juína, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde. Estes municípios destacam-se como referências na produção de café robusta em Mato Grosso.

    Atualmente, o estado produz cerca de 270 mil sacas por ano em mais de 30 municípios. A agricultura familiar e a assistência técnica rural impulsionam este crescimento, colocando Mato Grosso entre os estados com maior potencial para produção de cafés robustas, segundo pesquisadores da Empaer.

    Pesquisadores compartilham conhecimento técnico no campo

    Na reunião de planejamento nesta semana, a equipe de pesquisadores apresentou o roteiro da expedição à secretária da Seaf, Andreia Fujioka, e ao presidente da Empaer, Suelme Fernandes. Durante os encontros, técnicos e pesquisadores compartilharão resultados de pesquisas sobre validação de clones de café robusta mais adaptados às condições locais.

    Foto: Assessoria Empaer

    “A proposta é levar mais conhecimento ao produtor. O projeto busca estimular a adoção de tecnologias, melhorar a produtividade e garantir qualidade ao café produzido nas pequenas áreas rurais”, explica a engenheira agrônoma e pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, Danielle Müller.

    O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, reforça o compromisso da instituição: “Nosso compromisso é transformar a pesquisa em ações práticas que beneficiem diretamente o agricultor familiar. Cada etapa da programação foi pensada para transformar conhecimento em ação. Queremos inspirar o produtor a ver o potencial do nosso café”.

    Instituições se unem para fortalecer cafeicultura familiar

    A Rota do Café reúne parceiros institucionais que oferecem suporte técnico, científico e logístico às atividades. Participam da iniciativa a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), prefeituras municipais, sindicatos rurais, associações de produtores, cooperativas e instituições de ensino e pesquisa.

    “Entre os resultados esperados estão a integração entre pesquisa, extensão rural e produtores, a ampliação das oportunidades de comercialização e a valorização da identidade do café mato-grossense”, afirma a engenheira agrônoma e pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, Dalilhia Nazaré dos Santos.

    A secretária da Seaf, Andreia Fujioka, destacou a importância da união entre as instituições: “Acreditamos que o fortalecimento da agricultura familiar passa pela união entre instituições e produtores. Projetos como este reforçam o compromisso do Estado em gerar conhecimento, qualidade e renda para quem vive do que produz”.

    Qualidade e renda garantem permanência no campo

    Para a agricultura familiar, os benefícios vão além do aumento da produtividade. A expectativa da expedição é consolidar a marca “Café de Mato Grosso” como produto de origem, qualidade e valor social. Assim, gerarrenda e incentivando a permanência das famílias no campo.

    “Com assistência técnica, acesso à inovação e orientação adequada de manejo, pequenos produtores têm a oportunidade de produzir mais e melhor. Antes visto como cultura secundária em algumas regiões, o café ganha protagonismo na economia rural do estado”, pontua o engenheiro agrônomo e pesquisador em Solos da Empaer, Wininton Mendes.

    A inscrição para o evento é gratuita e está disponível no link da Empaer: https://forms.gle/GXBT2Ro8WGZfmn3N9

    Confira a programação completa

    Colniza: 11/3 (qua) – Câmara Municipal, 7h às 11h45;

    Aripuanã: 12/3 (qui) – Balneário Oasis, 7h às 11h45;

    Cotriguaçu: 25/3 (qua) – Centro de Eventos, 7h às 11h45;

    Juína: 26/3 (qui) – Barracão da Feira Municipal, 7h às 11h45;

    Nova Bandeirantes: 08/4 (qua) – local a definir, 7h às 11h45;

    Nova Monte Verde: 09/4 (qui) – Estância Villa Bella, 7h às 11h45.

  • Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    O Brasil consolidou sua vantagem competitiva na soja em relação aos Estados Unidos entre 2020 e 2024, combinando custos menores em nível de fazenda, câmbio favorável e forte demanda da China para sustentar a rentabilidade do produtor.

    Análise da Universidade de Purdue, com dados padronizados da rede Agribenchmark, mostra que a lucratividade da soja brasileira permaneceu positiva durante todo o período, enquanto fazendas típicas nos EUA registraram anos de prejuízo e maior pressão financeira.

    A crescente participação do Brasil no mercado global de soja já é vista como ameaça direta pelos agricultores americanos. Em janeiro de 2026, 44% dos produtores dos EUA declararam estar “muito preocupados” e 36% “preocupados” com a competitividade das exportações de soja do país frente ao Brasil, de acordo com o Ag Economy Barometer, da Universidade de Purdue. Desde 2018, quando ultrapassou os Estados Unidos como maior produtor mundial de soja, o Brasil vem ampliando sua presença como principal fornecedor global do grão.

    Mato Grosso x Iowa: como se comparam os custos da soja

    O estudo compara uma fazenda típica de soja em Mato Grosso com uma propriedade representativa em Iowa, ambos polos relevantes da produção nos dois países. Juntos, Brasil e Estados Unidos respondem por cerca de 70% da produção mundial de soja, o que torna a comparação dos custos de produção e da rentabilidade um indicador-chave da competitividade no mercado internacional.

    Na fazenda de Mato Grosso, a área média cultivada com soja foi de 5.900 acres entre 2020 e 2024, contra 1.800 acres na fazenda de Iowa, retratando a maior escala produtiva no Cerrado brasileiro. Todos os valores foram convertidos para dólares, permitindo comparação direta de custos e receitas entre os países.

    Custos de produção: insumos pesam no Brasil, terra pesa nos EUA

    A principal diferença na estrutura de custos de produção da soja está no peso dos insumos no Brasil e no peso da terra nos Estados Unidos. No caso brasileiro, os custos diretos, como sementes, fertilizantes, defensivos, seguro e secagem, responderam em média por mais de 60% do custo total entre 2020 e 2024, refletindo a forte dependência de insumos na agricultura tropical do Cerrado. Já na fazenda americana, os custos fixos, especialmente ligados ao valor da terra, foram o maior componente, representando quase metade do custo total no período.

    Segundo o levantamento, a valorização expressiva das terras agrícolas nos EUA nos últimos anos elevou o peso dos custos fixos e reduziu a flexibilidade dos produtores americanos diante da volatilidade dos preços das commodities. No Brasil, embora a terra também tenha valorizado em algumas regiões, o peso relativo da posse da área nos custos da fazenda típica analisada foi de aproximadamente 25%, bem abaixo do observado em Iowa.

    Custos da soja dobram no Brasil, mas margem se sustenta

    Os custos totais de produção da soja na fazenda típica de Mato Grosso praticamente dobraram entre 2020 e 2024. Saltando de 172 para 337 dólares por tonelada. O aumento foi puxado principalmente pela disparada dos fertilizantes e de outros insumos importados após 2021, em função da guerra entre Rússia e Ucrânia e dos gargalos nas cadeias de suprimentos.

    O Brasil importa cerca de 85% de suas necessidades de fertilizantes. Isso deixou o produtor exposto à alta das cotações internacionais e à desvalorização do real frente ao dólar naquele período. Ainda assim, a combinação entre câmbio favorável, preços elevados da soja e forte demanda externa garantiu que as receitas brutas acompanhassem ou superassem o avanço dos custos. Portanto, mantendo a rentabilidade da soja brasileira em terreno positivo.

    Nos Estados Unidos, os custos de produção também aumentaram. Mas em ritmo mais moderado, passando de 399 para 448 dólares por tonelada entre 2020 e 2024. O estudo destaca, porém, que a alta de custos operacionais (mão de obra, maquinário, serviços e diesel) somada à valorização da terra reduziu as margens e aumentou a vulnerabilidade financeira das fazendas americanas.

    China consolida papel de maior compradora da soja brasileira

    A China seguiu como principal destino da soja brasileira, consolidando o país como fornecedor prioritário do maior importador mundial do grão. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras de soja para o mercado chinês responderam, em média, por 71% do total exportado pelo país. Isso segundo o estudo citado. Em 2023, o volume de soja brasileira enviado à China atingiu recordes. Enquanto os embarques dos Estados Unidos ficaram em torno da metade do volume exportado pelo Brasil.

    Esse padrão reforça o papel do Brasil no chamado “triângulo da soja” entre Estados Unidos, Brasil e China, em que o país sul-americano passou a capturar a maior parte do crescimento da demanda chinesa, enquanto os EUA diversificam seu uso interno de soja e perdem participação relativa no mercado chinês.

    ​Margens positivas no Brasil e volatilidade nos EUA

    Os dados de lucros econômicos indicam que a soja brasileira manteve margens positivas em todos os anos analisados. Embora com alguma redução após 2022 quando os preços internacionais começaram a se estabilizar depois do pico de alta. No caso da fazenda de Iowa, a rentabilidade foi mais volátil, com anos de margem forte, como 2021 e 2022, mas também com registros de prejuízo em 2020 e 2024.

    A pesquisa aponta que, desde 2023, produtores americanos vêm enfrentando aumento da pressão financeira. Isso é fruto do encarecimento dos insumos, da compressão das margens e do maior uso de crédito operacional carregado de safras anteriores. Essa combinação torna o produtor dos EUA mais exposto a choques de preços e à competição com a soja de menor custo produzida no Brasil.

    Expansão em novas fronteiras pode reforçar liderança brasileira

    Na avaliação dos autores, a competitividade da soja brasileira tende a se manter ou até se ampliar nos próximos anos. Impulsionada pela expansão em regiões de fronteira agrícola com custos mais baixos e pela gradual melhoria da infraestrutura logística. Estradas, ferrovias e portos mais eficientes têm potencial para reduzir o chamado “custo Brasil”. E aumentar ainda mais a atratividade da soja do país no mercado global.

    Para os Estados Unidos, o desafio será preservar competitividade em um ambiente de custos elevados de terra e insumos. Ao mesmo tempo em que enfrenta concorrência crescente da América do Sul. O estudo destaca que o futuro da soja americana passa por ganhos de produtividade, gestão de custos e uso de estratégias de gestão de risco de preços e de comercialização, em um cenário de maior incerteza no mercado internacional.

  • Mercado brasileiro de fertilizantes registra alta de 7,8%

    Mercado brasileiro de fertilizantes registra alta de 7,8%

    O mercado brasileiro de fertilizantes registrou alta de 7,8% nas entregas entre janeiro e novembro de 2025. O total acumulado chegou a 45,27 milhões de toneladas, contra 42 milhões no mesmo período de 2024, segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA).

    Somente em novembro, as entregas ao mercado somaram 4,33 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 2,6% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando o setor comercializou 4,21 milhões de toneladas.

    Mato Grosso lidera consumo entre os estados

    Mato Grosso manteve a liderança no consumo de fertilizantes, com participação de 22,7% do total nacional. O estado recebeu 10,28 milhões de toneladas no acumulado do ano.

    Paraná aparece na segunda posição, com 5,42 milhões de toneladas, seguido por São Paulo (4,83 milhões), Rio Grande do Sul (4,60 milhões), Minas Gerais (4,38 milhões), Goiás (4,36 milhões) e Bahia (2,95 milhões).

    Produção nacional recua em novembro

    A produção nacional de fertilizantes intermediários totalizou 517 mil toneladas em novembro de 2025. O número representa queda de 11,8% em relação ao mesmo mês de 2024.

    No acumulado de janeiro a novembro, porém, a produção atingiu 6,72 milhões de toneladas. O volume representa avanço de 4,1% frente às 6,46 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

    As importações de fertilizantes alcançaram 3,85 milhões de toneladas em novembro de 2025. O volume representa redução de 12,7% frente ao mesmo mês de 2024.

    No acumulado de janeiro a novembro, as compras externas somaram 39,70 milhões de toneladas. O número representa crescimento de 4,8% em comparação com as 37,90 milhões de toneladas importadas no mesmo período de 2024.

    Paranaguá lidera entrada de insumos

    O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada dos fertilizantes no país. O terminal importou 9,95 milhões de toneladas no período, alta de 6,4% frente a 2024, quando registrou 9,35 milhões de toneladas.

    O volume representa 25,1% do total movimentado em todos os portos brasileiros, segundo dados do Sistema de Informações do Comércio Exterior (Siacesp/MDIC).

  • Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    O cultivo de café canéfora, que abrange as variedades robusta e conilon, está se expandindo rapidamente no Brasil e ganhando espaço em regiões fora de seu berço tradicional, o Espírito Santo. O país, atualmente segundo maior produtor mundial dessa espécie, vem reduzindo a distância em relação ao Vietnã, líder global do segmento.

    De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais e Mato Grosso registraram forte crescimento na produção desde 2020. O movimento reflete os preços elevados e o aumento do consumo mundial de cafés diferenciados, fatores que motivam agricultores a apostar no canéfora.

    “O cenário é favorável para que esse avanço continue”, afirma Ricardo Schneider, presidente da Câmara de Café de Minas Gerais. Ele destaca que a demanda aquecida e a disponibilidade de áreas agrícolas impulsionam o ritmo de expansão. Analistas acrescentam que a melhora na qualidade dos grãos tem reforçado o interesse das torrefações e exportadores.

    Minas Gerais amplia aposta no canéfora

    Conhecido como o principal produtor de café arábica do país, Minas Gerais também começa a se destacar na produção de canéfora. A safra mineira deve alcançar 602,2 mil sacas de 60 quilos em 202. Um salto de 94% em relação a 2020, segundo dados da Conab.

    Mato Grosso mira produtividade de Rondônia

    O Mato Grosso, referência na produção de grãos como soja e milho, agora mira o exemplo do vizinho Rondônia para aumentar sua produtividade no café robusta. “Nossa meta é elevar a média atual de 23 sacas por hectare para o nível de 50 sacas obtido em Rondônia”, explica Dalilhia Nazare dos Santos, engenheira agrônoma da Empaer-MT.

    A Conab projeta que o estado colha 298,7 mil sacas neste ano, ante 158,4 mil em 2020. O avanço confirma o movimento de diversificação agrícola no Centro-Oeste.

    Ceará e Norte entram no mapa do café

    O café canéfora também começa a ganhar espaço no Norte e Nordeste do país. O Ceará, por exemplo, testa o cultivo de conilon e robusta amazônico, variedade tradicionalmente produzida em Rondônia. A produção combinada de Ceará, Acre e Pará deve chegar a 118,7 mil sacas em 2026. Quase o triplo do registrado em 2020.

    “Esperamos alcançar cerca de mil hectares de café conilon até 2026, com potencial para atingir 5 mil hectares”, afirma Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo do Agronegócio do Ceará. Ele ressalta que a proximidade de portos e infraestrutura logística coloca o estado em posição estratégica para exportar.

    Com o arábica ainda como principal variedade, o Brasil reforça sua posição de destaque no cenário internacional ao diversificar sua produção de canéfora. O país se consolida como competidor direto do Vietnã, ampliando a oferta para atender à crescente demanda global por robusta e conilon, usados em cafés solúveis e espressos.

  • Pênis bovino vira “ouro branco” da pecuária de MT

    Pênis bovino vira “ouro branco” da pecuária de MT

    Enquanto produtores focam em cortes nobres como picanha e filé-mignon para o mercado internacional, frigoríficos de Mato Grosso descobriram uma fonte inesperada de lucro: o vergalho bovino. O pênis do animal, antes descartado ou vendido a preços irrisórios, agora alcança US$ 6 mil por tonelada no mercado asiático, especialmente na China e em Hong Kong.

    A transformação do pênis bovino em produto de alto valor econômico reflete uma revolução no aproveitamento animal. Os frigoríficos mato-grossenses adotaram estratégias de aproveitamento integral da carcaça, eliminando desperdícios e maximizando lucros.

    “O mercado asiático valoriza partes do animal que o consumidor ocidental tradicionalmente rejeita”, explica um relatório da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). A entidade registrou crescimento de 340% nas exportações de miúdos bovinos para a Ásia nos últimos três anos.

    O abismo de preços justifica o foco das indústrias frigoríficas no mercado externo:

    • Mercado Interno (Brasil): valor do quilo: R$ 21,00
    • Mercado Externo (Hong Kong): valor da tonelada: até US$ 6.000 (aproximadamente R$ 30.000)

    Diferença percentual: mais de 1.400% de valorização

    Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, um dos frigoríficos mato-grossenses autorizados a exportar o subproduto, confirma que as vendas movimentam entre quatro e cinco toneladas mensais, totalizando aproximadamente 60 toneladas anuais apenas dessa empresa.

    O produto segue rigorosos protocolos sanitários e chega in natura ao mercado asiático, onde os consumidores valorizam preparações cozidas, ensopados e pratos típicos que utilizam o vergalho pela sua textura cartilaginosa e capacidade de absorver temperos e caldos.

    Por que a China paga tanto?

    A valorização do pênis bovino no mercado asiático tem raízes culturais profundas. Diferentemente do Ocidente, onde miúdos frequentemente são descartados, a culinária chinesa tradicionalmente aproveita todas as partes do animal.

    Principais usos culinários na Ásia:

    • Ensopados de longa cocção que amaciam a textura cartilaginosa
    • Sopas medicinais tradicionais
    • Pratos que valorizam a capacidade do produto de absorver sabores complexos
    • Preparações que associam o consumo a propriedades nutricionais

    Competitividade e diversificação da pecuária mato-grossense

    Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), destaca que Mato Grosso possui uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais.

    A estratégia de diversificação de produtos vai além dos cortes tradicionais. Segundo Andrade, quando os frigoríficos ampliam o portfólio e atendem mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecem a economia, reduzem riscos e aumentam a competitividade da carne produzida no estado no cenário global.

    O momento é estratégico para essa diversificação. A China impôs, a partir de janeiro de 2026, medidas de salvaguarda que estabeleceram uma cota de 2,7 milhões de toneladas para importação de carne bovina, com o Brasil recebendo 1,1 milhão de toneladas dessa cota.

    As importações que excederem a cota enfrentarão tarifa de 55%, o que torna ainda mais valiosa a estratégia de maximizar lucros através do aproveitamento integral da carcaça, incluindo subprodutos de alto valor como o vergalho.

    A comercialização do pênis bovino representa uma tendência crescente no setor: o aproveitamento total do animal abatido. O que antes era considerado descarte agora contribui significativamente para a rentabilidade dos frigoríficos.

  • Tecnologia genética eleva produtividade da agricultura familiar em Mato Grosso

    Tecnologia genética eleva produtividade da agricultura familiar em Mato Grosso

    A aplicação de tecnologias de melhoramento genético vem modernizando a pecuária leiteira e impulsionando a agricultura familiar em Mato Grosso. O uso de sêmen de alta qualidade, transferência de embriões e acompanhamento técnico especializado tem permitido que pequenos produtores aumentem a produtividade dos rebanhos, reduzam custos e tornem a atividade mais sustentável.

    De 2020 a 2025, foram distribuídas 36.297 doses de sêmen, entre convencional e sexado, de raças como Holandês, Jersey, Girolando e Gir Leiteiro. As ações beneficiaram produtores de 60 municípios conectados a cooperativas e associações, promovendo o uso de genética superior e assistência continuada. O investimento total em sêmen, embriões e prenhes somou R$ 10,5 milhões, consolidando um salto de qualidade na cadeia leiteira familiar.

    Evolução técnica e mudança de mentalidade

    Segundo técnicos envolvidos no programa de melhoramento genético, os produtores passaram por uma importante mudança de mentalidade. O leite deixou de ser apenas uma fonte complementar de renda para se tornar uma atividade estruturada e competitiva, com potencial real de crescimento econômico e geração de oportunidades no campo.

    “Hoje, o produtor entende que investir em genética vale mais do que manter animais de baixa produção. As vacas conseguem produzir até quatro vezes mais leite, com melhor aproveitamento e menor custo por litro”, explica a médica-veterinária Vânia Ângela Kohl, coordenadora da iniciativa.

    Médica veterinária Vânia Ângela Kohl. Foto: Assessoria Seaf

    O Projeto de Melhoramento Genético por Transferência de Embriões, iniciado em 2020, registrou 4.378 prenhes sexadas de fêmeas em 34 municípios, beneficiando 925 produtores. O modelo de cooperação com associações e prefeituras prevê contrapartidas locais, que ampliam o alcance das ações e fortalecem o compromisso das comunidades rurais com a pecuária de precisão.

    Novilhas prenhes e biotecnologia consolidam nova fase da pecuária

    Outra frente de avanços foi o fornecimento de novilhas Girolando meio-sangue entre 2022 e 2024, com 324 animais entregues a 177 produtores em seis municípios, como Colniza, Terra Nova do Norte e Alta Floresta. Cada beneficiado recebeu duas novilhas e acompanhamento técnico obrigatório durante um ano, assegurando retorno produtivo e qualidade genética no plantel.

    A ampliação do programa segue garantindo o fornecimento de novilhas e suporte técnico nos próximos anos, reforçando a adoção de biotecnologia reprodutiva como ferramenta essencial para a sustentabilidade da cadeia leiteira.

    “O melhoramento genético é uma política estruturante que reduz custos, aumenta produtividade e garante a permanência das famílias no campo”, avalia Vânia Kohl.

    Casos que inspiram outras propriedades

    Os resultados no campo comprovam os avanços da pecuária familiar em Mato Grosso. Em Pontes e Lacerda, o produtor Marcus Aurélio, do Sítio Recanto, viu sua média de produção saltar de 3 para 16 litros de leite por vaca/dia após investir em inseminação com genética aprimorada.

    “Hoje consigo manter minha família no campo e viver do leite com rentabilidade”, relata o produtor.

    Já em Vera, o casal Sidnei e Luzia multiplicou a produtividade após aderir à transferência de embriões. Com a tecnologia, a fazenda Santa Helena passou a produzir 178 litros diários, ante uma média anterior de 20 litros.

    Foto: Assessoria Seaf

    “Uma vaca que produzia 31 litros agora chega a 35 litros por dia. O impacto é visível na fazenda e na renda da família”, conta Luzia.

    O sucesso dessas experiências demonstra que a modernização genética e o acesso à tecnologia estão redefinindo a pecuária leiteira. E transformando pequenas propriedades em empreendimentos sustentáveis e competitivos.

  • Mercado de fertilizantes cresce 8,4% no Brasil

    Mercado de fertilizantes cresce 8,4% no Brasil

    As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro alcançaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, um aumento de 2,1% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA).

    No acumulado de janeiro a outubro, o total entregue chegou a 40,94 milhões de toneladas, volume 8,4% superior ao registrado em igual período do ano anterior, quando foram entregues 37,78 milhões de toneladas.

    O Mato Grosso continua como o maior consumidor de fertilizantes do país, com 22,1% de participação nacional. O equivalente a 9,05 milhões de toneladas no acumulado de 2025.

    Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões), Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).

    Produção nacional tem leve recuo em outubro

    A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 631 mil toneladas em outubro de 2025, uma queda de 2,2% frente ao mesmo mês do ano anterior. Apesar do recuo mensal, o acumulado de janeiro a outubro registrou alta de 5,7%. Portanto, chegando a 6,20 milhões de toneladas, frente às 5,87 milhões de toneladas produzidas no mesmo período de 2024.

    As importações de fertilizantes totalizaram 4,38 milhões de toneladas em outubro, uma leve redução de 1,1% na comparação anual. No entanto, no acumulado dos dez primeiros meses de 2025, o volume importado foi de 35,88 milhões de toneladas. Portanto, representando crescimento de 7,1% frente às 33,49 milhões importadas em 2024.

    O Porto de Paranaguá (PR) manteve-se como o principal ponto de entrada de fertilizantes no Brasil, com 8,89 milhões de toneladas importadas entre janeiro e outubro de 2025. Um avanço de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior (8,40 milhões de toneladas). O terminal respondeu por 24,8% do total nacional, segundo dados do Siacesp/MDIC.

  • Lei de MT contra Moratória da Soja volta a valer

    Lei de MT contra Moratória da Soja volta a valer

    O estado de Mato Grosso voltou a aplicar trecho de lei que restringe benefícios fiscais a empresas signatárias da Moratória da Soja. Maior produtor de soja do país, Mato Grosso aprovou a norma em 2024. No entanto, o STF havia suspendido o dispositivo por decisão liminar.

    A suspensão terminou no último dia de 2025. Desde 1º de janeiro, o trecho voltou a valer, enquanto o STF analisa o mérito. A norma integra a Lei estadual 12.709/2024. Ela veda benefícios fiscais e concessão de terrenos públicos a empresas signatárias de acordos ambientais. O texto cita compromissos nacionais ou internacionais. Esses acordos impõem restrições à expansão agropecuária em áreas sem proteção ambiental específica.

    Entenda a Moratória da Soja

    A Moratória da Soja surgiu em 2006. Empresas assumiram o compromisso de não comprar soja de áreas desmatadas após 2008 na Amazônia. O acordo contou com apoio do governo federal e de organizações da sociedade civil. Participam tradings associadas à Abiove e à Anec. Greenpeace e Ipam também apoiam a iniciativa. O objetivo é conter o avanço do desmatamento no bioma amazônico.

    Entidades ambientalistas monitoram o cumprimento do acordo por satélite. Segundo o Greenpeace, a produção de soja na Amazônia cresceu 344% entre 2009 e 2022. No mesmo período, o desmatamento caiu 69%.
    Os dados indicam aumento de produtividade sem expansão territorial. A ONG afirma que apenas 3,4% da soja do bioma descumpre as regras. Esse índice facilita o acesso a mercados exigentes, como a União Europeia.

    AGU acionou o STF

    Com a retomada da lei, a AGU acionou o STF. O órgão pediu nova prorrogação da suspensão por pelo menos 120 dias. A AGU argumenta que a retirada de incentivos pode esvaziar o acordo ambiental.

    Segundo o MMA, o fim abrupto da moratória traria riscos ambientais imediatos. O governo alerta para impactos no desenvolvimento sustentável das regiões produtoras. O risco atinge especialmente a Amazônia.

    Estudo preliminar do Ipam aponta aumento de até 30% no desmatamento até 2045. O cenário afetaria as metas climáticas brasileiras, conhecidas como NDCs. Para o Greenpeace, a lei envia sinal negativo às empresas comprometidas com conservação ambiental. A ONG defende que o sistema tributário não deve punir boas práticas ambientais.

    Os setores ruralistas pressionam contra a Moratória da Soja. Medidas semelhantes avançaram no Maranhão e em Rondônia. Em agosto passado, o Cade suspendeu temporariamente o acordo. O órgão investigava possível prática anticompetitiva.

    Em novembro, o ministro Flávio Dino suspendeu todos os processos sobre o tema. A decisão vale até o STF julgar a constitucionalidade da moratória.

    O governador Mauro Mendes deve anunciar a saída das tradings do acordo. O comunicado deve acontecer na próxima segunda-feira, dia 5.

     

  • Centro-Oeste domina ranking de cidades com maior interesse em terras rurais

    Centro-Oeste domina ranking de cidades com maior interesse em terras rurais

    Centro-Oeste lidera o ranking das 20 cidades brasileiras com maior procura por terras rurais em 2025, segundo a plataforma de imóveis rurais Chãozão. O estudo aponta uma concentração de interesse na região, com dez cidades rankeadas.

    Cocalinho (MT) ocupa a primeira posição, com preço médio por hectare de R$ 15.247,19, conforme o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH). Em seguida, Paratininga (MT) aparece com R$ 28.327,52 por hectare. Tatuí (SP) fecha o Top 3, com R$ 176.045,16 por hectare.

    “Especialmente em estados como Mato Grosso e Goiás, a região Centro-Oeste concentra grande parte das principais áreas produtivas do país para lavoura e pecuária, que tiveram grande procura durante este ano. Para se ter uma ideia, nas buscas registradas no Chãozão, terras com aptidão para lavoura representaram cerca de 36% do total, seguidas por 32% de terras voltadas à pecuária”, explica Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão.

    Por estado, o Mato Grosso lidera com seis cidades entre as mais procuradas, seguido por Goiás, com quatro. São Paulo aparece com cinco cidades entre as mais procuradas na região Sudeste. Minas Gerais, Tocantins e Pará também aparecem no ranking, marcando a força do agronegócio nessas regiões. “Chama a atenção pela diversidade de regiões representadas nas primeiras posições do ranking, cada uma com suas inúmeras aptidões produtivas, que vão da pecuária à agricultura de alta performance. É um bom indício de que, em 2026, essa diversidade pode alavancar ainda mais o Brasil como uma potência única no agro”, avalia Geórgia Oliveira.

    Fonte: Chãozão