Tag: Mato Grosso

  • Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    A pecuária brasileira pode enfrentar um novo desafio nos próximos meses. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.

    Segundo a entidade, a possível escassez pode comprometer a oferta de sal mineral, insumo indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário dos rebanhos. O alerta é especialmente relevante para Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho bovino do país e é um dos principais polos de produção de carne do mundo.

    Insumo é fundamental para a produtividade

    A suplementação mineral desempenha papel estratégico na pecuária brasileira. Isso porque grande parte das pastagens apresenta deficiência natural de nutrientes como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.

    A falta desses minerais pode provocar:

    • Redução do ganho de peso;
    • Queda nas taxas de prenhez;
    • Menor desenvolvimento dos bezerros;
    • Redução da produção de leite;
    • Perda de eficiência alimentar;
    • Maior vulnerabilidade a doenças.

    Por isso, especialistas consideram a suplementação um investimento essencial para a produtividade dos rebanhos.

    Dependência externa preocupa o setor

    De acordo com a Famato, o risco de escassez resulta da combinação de fatores como a produção nacional insuficiente, a dependência de importações, restrições na oferta internacional e impactos de conflitos geopolíticos sobre as cadeias de suprimento.

    A suplementação mineral é um dos pilares da pecuária moderna

    Além disso, alguns países fornecedores têm priorizado seus mercados internos, reduzindo a disponibilidade de insumos para exportação.

    O cenário reacende uma preocupação antiga do agronegócio brasileiro: a forte dependência externa para matérias-primas consideradas estratégicas para a agricultura e a pecuária.

    Alta dos preços já afeta produtores

    Mesmo antes de um eventual desabastecimento, pecuaristas já enfrentam aumento nos custos dos suplementos minerais e concentrados utilizados na alimentação animal.

    A expectativa do mercado é de novos reajustes caso a oferta continue pressionada. O impacto tende a ser maior em sistemas intensivos e semi-intensivos, além de propriedades leiteiras que dependem de suplementação constante para manter os índices produtivos.

    Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a situação exige atenção imediata.

    “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.

    Já o vice-presidente da entidade e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte, Amarildo Merotti, destaca que a preocupação ocorre em um momento de múltiplas pressões sobre o setor.

    “O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto, pela preocupação com vacinas contra clostridioses e pela queda nos preços pagos pela indústria. Essa combinação preocupa muito”, ressaltou.

    Bezerros também podem consumir sal mineral – Foto: Nelore Kaka

    Medidas defendidas pelo setor

    Diante do cenário, a Famato defende ações emergenciais para ampliar a disponibilidade dos insumos e reduzir custos ao produtor.

    Entre as propostas estão:

    • Redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre;
    • Diminuição da carga tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal;
    • Agilização dos processos alfandegários;
    • Ampliação das relações comerciais com países fornecedores, como a Bolívia.

    Impactos podem chegar ao consumidor

    Caso o abastecimento seja comprometido, os reflexos podem atingir toda a cadeia pecuária.

    Entre os principais efeitos esperados estão o aumento dos custos de produção, menor eficiência dos sistemas pecuários, redução do ganho de peso dos animais e pressão sobre a rentabilidade dos produtores.

    Além disso, o setor avalia que a escassez pode gerar impactos nos preços da carne bovina e do leite ao consumidor.

    Para a Famato, o episódio reforça a necessidade de fortalecer a produção nacional de insumos estratégicos e acelerar iniciativas previstas no Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, que busca reduzir a dependência externa e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.

  • PF investiga uso da pecuária bovina em esquema de facção criminosa

    PF investiga uso da pecuária bovina em esquema de facção criminosa

    A Polícia Federal deflagrou na última quarta-feira (27) a Operação Rota do Fim, que investiga um esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro com atuação em diferentes estados do país e ligação com o setor da pecuária bovina.

    A ação ocorreu simultaneamente no Rio Grande do Norte, Acre, Rondônia, Ceará, Paraíba e Mato Grosso. Ao todo, a Justiça determinou o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão.

    Segundo a PF, o grupo investigado utilizava empresas ligadas à cadeia produtiva da carne bovina para movimentar recursos obtidos com o tráfico de drogas. As investigações apontam ainda possível ligação da organização com uma facção criminosa do Rio de Janeiro.

    Investigação começou após apreensão de drogas em MT

    As apurações tiveram início em 2022, após a apreensão de 469 quilos de cocaína e 160 gramas de maconha em Poconé (MT).

    A partir do flagrante, os investigadores identificaram um esquema sediado no Acre que, segundo a PF, utilizava empresas de insumos, processamento, distribuição e comercialização de produtos bovinos, além de leilões de gado, para ocultar recursos ilícitos.

    De acordo com a Polícia Federal, cerca de R$ 200 milhões de origem ilegal teriam sido movimentados pelo grupo durante o período investigado.

    Justiça bloqueou bens e rebanhos bovinos

    A operação conta com apoio da Receita Federal e do Gaeco do Ministério Público do Acre. Ao todo, participaram da ação 145 policiais federais e 10 auditores fiscais.

    Segundo a PF, a Justiça também determinou o bloqueio de imóveis, veículos, valores financeiros e até rebanhos bovinos ligados aos investigados.

    Durante a operação, três pessoas ainda foram presas em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo.

    Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e outros crimes que ainda forem identificados ao longo das investigações.

  • Vídeo: Ariranha é flagrada se alimentando em rio do Pantanal e cena impressiona

    Vídeo: Ariranha é flagrada se alimentando em rio do Pantanal e cena impressiona

    Um registro feito no Pantanal mato-grossense chamou atenção nas redes sociais nos últimos dias. Uma ariranha, conhecida popularmente como “onça-d’água”, foi flagrada enquanto se alimentava de um peixe às margens de um rio na região de Porto Jofre, em Mato Grosso.

    O vídeo foi publicado pelo guia turístico Caio Leonardo, que relatou ter passado horas procurando os animais pela região antes de conseguir o encontro. Segundo ele, a cena aconteceu após um longo período de observação em uma área de mata fechada próxima ao rio.

    Busca longa terminou em encontro raro

    De acordo com Caio, o grupo de ariranhas estava escondido em uma mata de galeria, vegetação densa que acompanha as margens dos rios e dificulta a visualização da fauna silvestre.

    Mesmo diante do calor intenso típico do Pantanal, o guia decidiu continuar esperando pela aparição dos animais. A persistência acabou sendo recompensada com uma cena que ele descreveu como uma das mais marcantes já vividas durante suas expedições na região.

    “Apesar do calor do dia, decidi esperar, e a espera foi recompensada com um dos encontros mais incríveis que já tive com esses animais tão brutais, mas ao mesmo tempo tão graciosos”, relatou.

    O flagrante mostra a habilidade da ariranha durante a alimentação, reforçando o comportamento predador da espécie nos rios pantaneiros.

    https://www.instagram.com/reel/DYkD-MmS2Li/?igsh=YWF2c3h1bDNxNmIx

    Conheça a ariranha, a famosa “onça-d’água”

    A ariranha é considerada um dos maiores predadores aquáticos da América do Sul. O animal pode ultrapassar 1,5 metro de comprimento e vive em grupos familiares organizados, comportamento que ajuda tanto na proteção quanto na caça.

    Excelente nadadora, a espécie se alimenta principalmente de peixes. No entanto, também pode capturar crustáceos, aves aquáticas e pequenos répteis presentes nos rios e áreas alagadas do Pantanal.

    Por causa da força, agilidade e comportamento territorial, a ariranha ganhou o apelido de “onça-d’água” entre moradores e visitantes da região pantaneira.

  • Empresa seleciona jovens líderes para indústria com vagas em São Paulo

    Empresa seleciona jovens líderes para indústria com vagas em São Paulo

    Termina no dia 22 de maio o prazo de inscrição para o programa Friboi Desenvolve, iniciativa da JBS voltada à formação de jovens lideranças industriais. No interior de São Paulo, a empresa oferece quatro vagas nas unidades de Lins e Barretos.

    O programa busca profissionais com até dois anos de formação em nível superior para atuar nas áreas de produção e manutenção.

    Ao todo, a JBS disponibiliza 62 vagas em diversas regiões do país, incluindo Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Rondônia.

    Formação com foco prático e liderança

    Os selecionados participarão de uma jornada de desenvolvimento com duração de 18 meses. O programa inclui 12 meses de atuação prática nas operações industriais, seguidos por seis meses em regime de supervisão compartilhada. Ao final, os participantes podem assumir cargos efetivos de liderança.

    A capacitação segue o modelo 70-20-10, que prioriza o aprendizado prático. Nesse formato, 70% do conhecimento ocorre na rotina de trabalho e em job rotation, 20% vem da troca com equipes e lideranças, e 10% envolve treinamentos estruturados e workshops.

    Cursos elegíveis para cada área

    Para as vagas na área de produção, a empresa busca profissionais formados em:

    Engenharia de Alimentos, Agronômica ou de Produção

    • Zootecnia
    • Medicina Veterinária
    • Gestão Industrial

    Já para a área de manutenção, podem se candidatar graduados em:

    • Engenharia Elétrica
    • Engenharia Mecânica
    • Engenharia Mecatrônica
    • Engenharia Química
    • Automação ou Manutenção Industrial

    Segundo Wanderson Costa, diretor de Recursos Humanos da Friboi, o programa reforça a estratégia de desenvolvimento interno da companhia. “Buscamos acelerar talentos com alto potencial e formar líderes preparados para atuar com excelência e contribuir de forma sustentável para o futuro do negócio”, afirma.

    Setor de proteína animal impulsiona empregos

    O programa surge em um contexto de alta demanda por profissionais qualificados no setor de alimentos. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) indicam que o segmento emprega cerca de 10,6 milhões de pessoas, o equivalente a 10,3% da força de trabalho nacional.

    Nesse cenário, a formação de lideranças se torna estratégica para sustentar o crescimento e a competitividade da cadeia de proteína animal no Brasil.

    Etapas do processo seletivo

    A seleção inclui seis fases, com testes online, avaliações técnicas voltadas à resolução de problemas industriais e entrevistas com comitês locais e corporativos.

    Os interessados devem se inscrever até 22 de maio de 2026 pelo site oficial: https://friboidesenvolve.gupy.io/.

  • Produtoras rurais revelam como equilibram maternidade e negócios no campo

    Produtoras rurais revelam como equilibram maternidade e negócios no campo

    Muito antes de o agronegócio se tornar sinônimo de potência econômica em Mato Grosso, mulheres já sustentavam o setor nos bastidores das fazendas, escritórios e propriedades rurais do estado. Entre planilhas, manejo de gado, lavoura e criação dos filhos, elas participaram diretamente da transformação da pecuária mato-grossense em uma das maiores do mundo. No Dia das Mães, suas histórias ganham o protagonismo que sempre mereceram.

    A produtora rural Leane Altmann chegou a Mato Grosso no final da década de 1980, acompanhando o marido em busca de oportunidades no interior do estado. Recém-formada e recém-casada, ela deixou o Sul do país por uma região que ainda engatinhava no desenvolvimento econômico. O que parecia uma aposta arriscada se tornaria uma trajetória de décadas à frente do agronegócio mato-grossense.

    O casal começou pela agricultura e, após adquirir uma propriedade com vocação para a criação de gado, passou a investir também na pecuária. Hoje, a família mantém áreas agrícolas em Nova Mutum e uma propriedade dedicada exclusivamente à pecuária em Santa Rita do Trivelato.

    Maternidade e gestão: uma equação diária

    Conciliar a criação dos filhos com a administração rural nunca foi tarefa simples. Leane encontrou um caminho próprio: quando os filhos eram pequenos, ela assumiu a gestão burocrática dos negócios e chegou a presidir o Sindicato Rural de Nova Mutum, enquanto o marido cuidava das operações dentro da fazenda.

    “Na época em que as crianças eram pequenas, eu fiquei mais na parte burocrática e também fui presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum. Meu marido cuidava mais da fazenda da porteira para dentro”, conta a produtora.

    Com o crescimento dos filhos, Leane passou a assumir também a gestão das propriedades agrícolas, dividindo com o marido a administração dos negócios da família.

    Sucessão que veio como surpresa e como orgulho

    Apesar da forte ligação com o setor, Leane nunca pressionou os filhos a seguirem seus passos. Ainda assim, dois deles já atuam diretamente nas atividades da família, e o caçula avalia permanecer no campo.

    “Eu não imaginava que teria os três meninos na sucessão. Hoje vejo meus filhos com orgulho da atividade e isso me deixa muito satisfeita como mãe”, afirma.

    Para ela, um dos fatores que contribuiu para manter as novas gerações no campo foi justamente a valorização da atividade agropecuária nas últimas décadas. “Hoje a agropecuária tem muita tecnologia. O produtor se valorizou e a família também passou a valorizar essa atividade. Isso ajuda a manter as novas gerações no campo.”

    Leane também reconhece os desafios econômicos do setor, como oscilações de mercado, custos elevados e necessidade constante de adaptação. Mas reafirma sua escolha. “Eu trabalho com agropecuária por opção. É uma atividade econômica que precisa dar resultado, mas também me traz satisfação pessoal.”

    A força feminina que move a pecuária mato-grossense

    O perfil de Leane não é exceção. Segundo Paula Sodré Queiroz, diretora executiva do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), a presença feminina tem crescido de forma expressiva na pecuária do estado, tanto na gestão das propriedades quanto na adoção de práticas sustentáveis e modernas.

    “A mulher pecuarista de Mato Grosso hoje não é apenas coadjuvante: ela planeja, ela decide, ela sustenta famílias e negócios, sendo uma das grandes forças do nosso agro”, afirma Paula.

    Para a diretora, histórias como a de Leane representam uma geração de mulheres que ajudou a consolidar Mato Grosso como referência nacional na produção de alimentos. “Neste Dia das Mães, é importante reconhecer essas mulheres que não apenas ajudaram a construir famílias, mas também participaram da construção da pecuária do estado.”

  • Clima vira ameaça silenciosa a produtores de Mato Grosso

    Clima vira ameaça silenciosa a produtores de Mato Grosso

    O agronegócio de Mato Grosso começou a mudar de comportamento diante das incertezas climáticas que avançam sobre o estado. Nos últimos dias, produtores rurais passaram a reduzir investimentos, rever compras de máquinas e adiar decisões estratégicas para a próxima safra. Isso ocorre, sobretudo, por causa do aumento da preocupação com irregularidade nas chuvas e possíveis impactos sobre a produtividade.

    O movimento acontece justamente no principal polo agrícola do país. 

    Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o plantio da safra 2025/26 perdeu ritmo em algumas regiões e ficou abaixo da média dos últimos cinco anos. 

    Chuva irregular muda humor do agro em Mato Grosso

    Diante desse cenário, a Aprosoja Mato Grosso enviou um ofício ao Ministério da Agricultura pedindo revisão das estimativas oficiais da safra e alertando para os efeitos da crise hídrica sobre as lavouras.

    Segundo a entidade, a falta de chuva já provocou germinação irregular, crescimento lento das plantas, falhas de estande e, em alguns casos, necessidade de replantio. O problema atingiu municípios ligados ao eixo da soja, como Sorriso, Nova Mutum e áreas do leste mato-grossense.

    No campo, entretanto, a preocupação vai além da produtividade. O humor do produtor também começou a mudar. Se antes predominava um ambiente de expansão e confiança, agora cresce a sensação de cautela diante da possibilidade de perdas e aumento dos custos operacionais.

    Além disso, boletins meteorológicos recentes reforçaram a percepção de risco no setor. Afinal, períodos de estiagem seguidos por chuvas intensas dificultam o planejamento agrícola e aumentam a insegurança sobre o comportamento da safra.

    Produtores reduzem compras e seguram investimentos

    Nos bastidores do setor agrícola, o efeito já aparece nas negociações. Revendas relatam queda no ritmo de fechamento de contratos para compra de máquinas e implementos agrícolas. Em vez da corrida por expansão observada nos últimos anos, muitos produtores passaram, agora, a priorizar preservação de caixa.

    Ao mesmo tempo, parte do setor prefere alongar investimentos até que exista maior clareza sobre o comportamento climático nos próximos meses.

    O receio, porém, não está ligado apenas à produtividade das lavouras. Existe também preocupação com a capacidade de absorver novos financiamentos em um cenário ainda marcado por juros elevados e margens mais apertadas.

    Com isso, a desaceleração começou a atingir diferentes segmentos ligados ao campo, incluindo armazenagem, transporte e venda de equipamentos agrícolas.

    Crédito rural mais caro amplia tensão no campo

    Além do clima, produtores enfrentam um ambiente financeiro mais duro. O custo do crédito rural segue pressionando parte do setor, principalmente agricultores que carregam dívidas acumuladas de ciclos anteriores.

    Na prática, o mercado passou a operar em uma espécie de efeito dominó. Quando o risco climático aumenta, os bancos endurecem análises para concessão de crédito. Consequentemente, financiamentos ficam mais caros, investimentos perdem força e produtores passam a operar com ainda mais cautela.

    Em Mato Grosso, onde o agronegócio movimenta grande parte da economia regional, qualquer desaceleração no campo costuma provocar reflexos rápidos em toda a cadeia produtiva.

    Soja de MT volta ao centro da preocupação global

    O cenário também ganhou atenção internacional porque Mato Grosso ocupa posição estratégica no mercado global de alimentos. A China, principal compradora da soja brasileira, acompanha de perto qualquer mudança relacionada à produção do estado.

    Uma combinação entre clima irregular, custos elevados e pressão logística poderia, portanto, reduzir margens e afetar o ritmo das exportações brasileiras nos próximos meses.

    Mesmo assim, entidades do setor evitam falar em crise consolidada. O próprio Imea revisou recentemente para cima a estimativa da safra estadual e projetou produção recorde de soja, apesar dos desafios climáticos registrados ao longo do ciclo.

    Imea e Aprosoja acendem alerta sobre clima no estado

    Boletins recentes continuam apontando irregularidade nas chuvas em partes do Centro-Oeste. Em algumas regiões, períodos de estiagem alternam com precipitações intensas. Como resultado, operações no campo ficam mais difíceis e produtores ampliam o nível de atenção.

    O alerta das entidades do agro mostra, portanto, que o clima voltou ao centro das decisões econômicas do setor.

    Entre tratores desacelerados, negociações mais cautelosas e produtores atentos ao céu, Mato Grosso começa a atravessar um período de observação silenciosa — daqueles em que o mercado prefere esperar antes de apostar no próximo passo

  • Clima no Mato Grosso inspira cautela, mas Bahia favorece safra de algodão

    Clima no Mato Grosso inspira cautela, mas Bahia favorece safra de algodão

    A StoneX, empresa global de serviços financeiros, manteve em março a estimativa para a produção brasileira de algodão na safra 2025/26 em 3,74 milhões de toneladas. A consultoria, no entanto, recomenda cautela. As condições climáticas e o estágio inicial das lavouras em regiões importantes ainda podem afetar o resultado final.

    No Mato Grosso, maior produtor nacional da fibra, as lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, porém ainda incipiente. A regularidade das chuvas em abril será decisiva para os rendimentos, especialmente nas áreas de plantio tardio.

    “O clima nas próximas semanas será decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra”, afirma Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. “As áreas plantadas mais tardiamente exigem atenção redobrada.”

    Na Bahia, o cenário se mostra mais favorável. As chuvas acima da média histórica aceleraram o desenvolvimento das lavouras. Com isso, a consultoria sustenta a projeção de produtividade em 1,97 tonelada por hectare no estado.

    “O clima colaborou de forma bastante positiva na Bahia. As lavouras estão mais adiantadas”, destaca Bulascoschi.

    Exportação sobe 3,3% com safra anterior aquecida

    A consultoria elevou a estimativa para as exportações brasileiras de algodão em 2026 para 3,1 milhões de toneladas. O número representa alta de 3,3% ante a projeção de fevereiro. O volume colhido no ciclo anterior ampliou a oferta para o mercado externo.

    Assim, a demanda mais aquecida em grandes compradores, como China e Paquistão, especialmente no primeiro semestre, também deve favorecer os embarques brasileiros.

    “A combinação entre oferta robusta e demanda internacional mais firme tende a sustentar um bom desempenho das exportações no primeiro semestre”, explica Bulascoschi. “Mas o mercado seguirá atento ao potencial produtivo da safra atual e a como isso influenciará os embarques na segunda metade do ano.”

    Segundo a StoneX, o comportamento da produção ao longo do ciclo determinará não apenas o balanço entre oferta e demanda, mas também a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional em 2026.

  • Preço do milho fecha semana em queda em SP e MS, mas sobe até 4,3% em MT

    Preço do milho fecha semana em queda em SP e MS, mas sobe até 4,3% em MT

    Preço do milho fecha semana em queda em SP e MS, mas sobe até 4,3% em MT

    Os preços do milho encerraram a semana passada com comportamento desigual entre as regiões produtoras do Brasil. Por um lado, o avanço da colheita da safra de verão pesou sobre as cotações em praças de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Por outro lado, a posição firme de produtores diante das incertezas quanto ao frete sustentou altas expressivas no Mato Grosso. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da consultoria AgRural.

    Queda nas praças de SP, MS e MG

    Em Campinas (SP), o indicador do Cepea registrou a cotação de R$ 70,34 por saca de 60 quilos na sexta-feira (27/3). Isso representa um recuo semanal de 1,44%. Apesar da baixa, o indicador acumula alta de 1,16% em março. O patamar de preços, portanto, segue elevado em relação ao início do período.Da mesma forma, outras praças também registraram quedas. Em Dourados (MS), a saca foi negociada a R$ 57,60, com recuo de 0,7% na semana. Já em Unaí (MG), a queda foi de 0,8%, para R$ 61,50 a saca. Em todas essas regiões, o avanço da colheita aumentou a oferta do cereal no mercado físico. Com isso, os compradores recuaram ou ofertaram valores abaixo das pedidas dos vendedores.

    Mato Grosso na contramão: alta de até 4,3%

    No Mato Grosso, no entanto, o cenário foi completamente inverso. De acordo com a AgRural, Lucas do Rio Verde registrou o maior avanço semanal entre as praças monitoradas: alta de 4,3%, com a saca atingindo R$ 48. Além disso, em Querência, a valorização foi de 3,4%, para R$ 46 a saca.

    Dessa forma, a sustentação dos preços na região está ligada à resistência dos produtores em negociar diante das incertezas relacionadas ao custo do frete. Esse fator eleva o risco logístico e, consequentemente, reduz o interesse em fechar contratos a preços considerados abaixo do satisfatório.

    Exportações aceleram em março

    No mercado externo, os embarques de milho seguem em ritmo acelerado. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos primeiros 15 dias úteis de março, foram exportadas 784,2 mil toneladas do cereal, volume equivalente a 90% do total embarcado no mês. Além disso, o ritmo diário de exportação foi 14% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, sinalizando, assim, forte demanda internacional pelo grão brasileiro.

  • Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) avança na modernização da pecuária estadual por meio do projeto ATeG Inseminação, iniciativa gratuita que combina melhoramento genético, assistência técnica e gestão rural para elevar a produtividade nas propriedades. Desde o início da execução, em dezembro de 2024, o programa já atendeu 1.513 propriedades em 99 municípios de Mato Grosso.

    O projeto oferece suporte completo ao produtor, da aquisição do sêmen aos protocolos de inseminação e mão de obra especializada. Para a pecuária de corte, as raças disponíveis são Nelore, Nelore Mocho e Angus. Já para a cadeia leiteira, o programa contempla Girolando (3/4 e 5/8), Gir e Sindi. A iniciativa é realizada em parceria com os Sindicatos Rurais do estado.

    Como funciona na prática 

    A metodologia divide a atuação em duas frentes complementares. Primeiro, o técnico de campo realiza o diagnóstico da propriedade, o acompanhamento gerencial e o preparo das condições necessárias. Só então o médico-veterinário executa o protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), garantindo maior eficiência reprodutiva ao rebanho.

    “A inseminação é uma ferramenta importante, mas o resultado vem da soma das ações, com o técnico de campo atuando na organização, gestão e preparo da propriedade, e o técnico em reprodução na execução do protocolo”, explica a supervisora do projeto, Jéssica Gonçalves.

    Superação e resultados no campo

    Na Fazenda Água Boa, em Brasnorte, a produtora Claudete Grimm Denadai representa tanto o impacto da iniciativa quanto a força do produtor rural. Após perder o marido, ela assumiu sozinha a gestão da propriedade e, por isso, buscou apoio da ATeG para reorganizar o sistema produtivo. Com isso, adotou novas práticas de manejo, nutrição e planejamento e logo colheu resultados concretos.

    “De 63 animais, 38 deram positivo. Teve bastante animal jovem que também emprenhou. A diferença dos bezerros da inseminação para os de touro é muito grande: mais resistência, mais peso, carcaça melhor. A qualidade é outra”, relata Claudete.

    Além dos índices reprodutivos, o acompanhamento da técnica de campo Ingrid dos Santos Costa trouxe novas estratégias de comercialização. “Ela me orientou como engordar as fêmeas e vender os machos. Assim, isso virou uma alternativa para manter a fazenda viável o ano todo”, acrescenta a produtora.

    Tecnologia acessível e gestão integrada

    Para o técnico em reprodução Jeferson Polidoro Murussi, o diferencial do projeto está no acesso. “A inseminação não é novidade: ela já provou que funciona. Portanto, o que o projeto faz é facilitar o acesso, com material de qualidade e suporte técnico. Além disso, o produtor aumenta o valor de venda e ganha eficiência”, afirma.

    Da mesma forma, o gerente da ATeG, Bruno Faria, reforça o caráter estratégico da iniciativa. “Quando aliamos técnica, acompanhamento contínuo e gestão, o produtor passa a ter mais controle da atividade e evolui de forma consistente. Por isso, mais do que aumentar a produção, nosso objetivo é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias no campo”, destaca.

    Números e reconhecimento nacional

    Até março de 2026, o ATeG Inseminação registrou 32.021 protocolos executados, 53.131 diagnósticos de gestação e taxa média de prenhez de 44,37%, índice que comprova a efetividade da técnica quando associada a um sistema produtivo organizado. Diante desses resultados, o projeto segue na terceira rodada de execução, com novas etapas previstas para ampliar ainda mais o alcance.

    Além do desempenho produtivo, os números trouxeram reconhecimento nacional: o Senar MT saltou da 26ª para a 6ª colocação no ranking do Prêmio Coordenador de Excelência 2026, anunciado durante o Encontro Nacional de Coordenadores da ATeG, realizado na sede da CNA, em Brasília, em março.

  • Déficit de armazenagem em Mato Grosso ameaça rentabilidade do agronegócio

    Déficit de armazenagem em Mato Grosso ameaça rentabilidade do agronegócio

    Mato Grosso consolidou sua posição como o maior produtor de grãos do Brasil, mas a infraestrutura de armazenagem não acompanhou o crescimento das lavouras. O estado consegue estocar apenas 50% da própria produção. E esse gargalo cobra um preço alto dos produtores rurais, que acabam vendendo no pior momento, pressionados pelo calendário da colheita e pela falta de alternativas.

    O diagnóstico é da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Para a entidade, o déficit de armazenagem representa hoje um dos principais entraves ao desenvolvimento do agronegócio estadual e nacional.

    “Nos últimos anos, o déficit de armazenagem tem se acentuado no estado. Aproximadamente 50% da produção consegue ser armazenada. O restante precisa ser escoado rapidamente durante o período de safra, por falta de estrutura adequada”, afirmou Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso. “Os mercados importadores conhecem esse gargalo logístico no Brasil, especialmente em Mato Grosso, e acabam se aproveitando dessa situação.”

    O produtor vende na hora errada e perde dinheiro

    Sem capacidade própria de armazenagem, o produtor perde autonomia sobre o momento de vender a produção. Durante a colheita, a oferta elevada pressiona os preços para baixo, e quem não tem onde guardar os grãos precisa negociar sob pressão. Quase sempre aceitando condições desfavoráveis impostas por compradores e tradings.

    Vinicius Baldo, produtor do núcleo de Água Boa, vive esse cenário na prática. Ele tem armazém, mas a capacidade é insuficiente para separar adequadamente os grãos e aproveitar janelas de venda mais vantajosas. “A falta de armazenamento impacta bastante, principalmente com a questão de grão avariado, ardido. A gente já precisou vender antes do momento. Se tivéssemos a capacidade adequada de armazenamento, poderíamos programar melhor as vendas e retirar a soja com mais tempo”, relata Baldo. Para ele, as principais barreiras ao investimento em infraestrutura são o crédito limitado e os juros altos.

    Anos chuvosos ampliam o problema

    Em safras com muita chuva, como a atual, o impacto do déficit de armazenagem se intensifica. Produtores sem armazém próprio precisam colher dentro de parâmetros rígidos de umidade para evitar descontos aplicados pelos compradores. O que reduz a flexibilidade operacional e pode gerar perdas adicionais.

    Josenei Zemolin, produtor do núcleo de Gaúcha do Norte, explica como a falta de estrutura afeta diretamente as decisões durante a colheita. “Em um ano chuvoso como esse, quem tem armazém pode entrar colhendo com umidade bem alta, bem mais cedo. O custo para secar a soja é só lenha e energia. Mas quem entrega nas tradings perde muito, porque elas descontam mais do que o normal”, diz Zemolin. “Se houvesse capacidade de armazenagem suficiente, a gente poderia se programar melhor, fazer a venda futura para pagar os custos e entregar num caminhão próprio.”

    Vale do Araguaia concentra o problema

    O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, aponta que o gargalo afeta todo o estado, mas se agrava nas regiões de expansão agrícola mais recente. Especialmente no Vale do Araguaia, onde silos e armazéns não acompanharam o avanço da produção.

    “Todo o Mato Grosso sofre com a falta de armazenagem. O produtor enfrenta filas e dificuldade de entregar o produto. Existem linhas de crédito, como o FCO Armazenagem e o PCA, disponíveis para o produtor, mas constantemente a gente vê falta de recursos nessas linhas”, destaca Bier.

    Além da escassez de crédito, ele aponta outro obstáculo pouco discutido: a qualidade da energia elétrica no interior do estado.

    “Um armazém precisa funcionar com gerador de energia, e aí vem o problema do custo com o óleo diesel. A energia elétrica de Mato Grosso é precária. Vários municípios têm energia de má qualidade, e outros sequer têm fornecimento suficiente para ampliar novos armazéns”, afirma Bier.

    Crédito existe, mas não chega

    Linhas de financiamento voltadas à construção de silos e armazéns existem no Brasil, mas os recursos disponíveis ficam aquém da demanda. Além da escassez, os juros pouco atrativos e as exigências de garantias restringem o acesso. Especialmente para produtores de médio porte, que mais precisariam da estrutura.

    Para a Aprosoja MT, o caminho passa pela ampliação de políticas públicas e instrumentos financeiros que estimulem o investimento em infraestrutura nas propriedades. A entidade argumenta que armazenar a própria produção fortalece a posição do produtor no mercado, melhora a eficiência logística e contribui para a estabilidade do abastecimento nacional.

    O que está em jogo vai além da fazenda

    O déficit de armazenagem em Mato Grosso não é apenas um problema do produtor rural. Ele afeta a cadeia inteira, do transporte à comercialização, e enfraquece a posição do Brasil frente a mercados importadores que conhecem e exploram esse gargalo.

    Em um estado que lidera a produção nacional de grãos, guardar a própria safra tornou-se, cada vez mais, uma condição para preservar renda, reduzir perdas e sustentar o avanço do agronegócio brasileiro.