Tag: IBGE

  • Agronegócio comanda crescimento da economia brasileira em 2025

    Agronegócio comanda crescimento da economia brasileira em 2025

    O agronegócio brasileiro consolida sua posição como motor da economia nacional. O setor registrou crescimento de 11,6% no acumulado até o terceiro trimestre de 2025, segundo dados que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (4). O desempenho supera amplamente outros setores da economia.

    A economia brasileira expandiu 2,4% no acumulado do ano até setembro, comparado ao mesmo período de 2024. O resultado demonstra como a agropecuária lidera o crescimento nacional. A indústria avançou 1,7%, enquanto o setor de serviços registrou alta de 1,8% no período.

    Commodities agrícolas garantem expansão no terceiro trimestre

    O terceiro trimestre trouxe números expressivos para o agronegócio. O setor cresceu 10,1% na comparação com o mesmo período de 2024. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), que o IBGE publicou em novembro, revela os principais responsáveis pelo desempenho:

    • Milho lidera com alta de 23,5% na produção
    • Laranja registra crescimento de 13,5%
    • Algodão avança 10,6%
    • Trigo apresenta expansão de 4,5%

    A pecuária também contribuiu positivamente para os resultados. Apenas a cana-de-açúcar registrou retração, com queda de 1,0% no período.

    Política agrícola fortalece competitividade do produtor

    Carlos Fávaro, ministro da Agricultura e Pecuária, atribui os resultados ao fortalecimento das políticas públicas para o setor. “O desempenho do agro mostra a força do produtor brasileiro, que segue inovando e ampliando a produção com sustentabilidade. Esse crescimento é resultado direto do acesso ao crédito e da abertura de mercados, que garantem mais competitividade ao nosso país”, destacou o ministro.

    Brasil mira mais comércio com Ásia e Sul Global. Ministro Carlos Fávaro destaca abertura de mercados durante visita à China.
    Carlos Fávaro, Ministro da Agricultura. Foto: Divulgação – Mapa

    O crescimento do agronegócio gera efeitos positivos em cadeia. Claudia Dionísio, analista das Contas Trimestrais do IBGE, explica que “o grande escoamento de produção de commodities, decorrente do bom desempenho da Extrativa Mineral e da Agropecuária, contribuiu positivamente para a atividade de Transporte, armazenagem e correio”.

    No acumulado dos quatro trimestres encerrados em setembro de 2025, a agropecuária cresceu 9,6%. A economia brasileira como um todo avançou 2,7% no período, impulsionada pelo Valor Adicionado a preços básicos (2,7%) e pelos impostos sobre produtos líquidos de subsídios (2,9%).

  • Abate de bovinos cresce 7% no Brasil e impulsiona produção pecuária

    Abate de bovinos cresce 7% no Brasil e impulsiona produção pecuária

    O setor pecuário brasileiro encerrou o terceiro trimestre de 2025 com resultados robustos em todas as categorias. Os frigoríficos abateram 11,23 milhões de cabeças de bovinos entre julho e setembro, número que representa crescimento de 7% comparado ao mesmo período de 2024. Na comparação trimestral, o avanço chegou a 6,7% em relação ao segundo trimestre deste ano.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (12) os primeiros resultados das Estatísticas da Produção Pecuária, que também mostram desempenho positivo nos abates de suínos e frangos. A indústria processou 15,80 milhões de cabeças de suínos no período, alta de 5,3% na comparação anual e de 4,7% no cotejo trimestral.

    A indústria frigorífica produziu 2,95 milhões de toneladas de carcaças bovinas no terceiro trimestre, volume 6,1% superior ao registrado no mesmo período de 2024. O destaque fica para a comparação trimestral, que aponta crescimento de 10,9% em relação aos três meses anteriores.

    Os dados incluem apenas animais abatidos sob algum tipo de inspeção sanitária, garantindo os padrões de qualidade exigidos para comercialização.

    Setor de aves mantém trajetória de crescimento

    O segmento avícola confirmou o bom momento do setor. Os abatedouros processaram 1,69 bilhão de cabeças de frangos no trimestre, resultado 2,8% superior ao do terceiro trimestre de 2024 e 3% acima do segundo trimestre deste ano.

    A produção de carcaças de frango alcançou 3,59 milhões de toneladas, com incrementos de 3% na comparação anual e de 1% no confronto trimestral.

    Suinocultura apresenta avanço de 5,3% no ano

    O abate de suínos totalizou 15,80 milhões de cabeças, consolidando alta de 5,3% em doze meses. A produção de carcaças atingiu 1,49 milhão de toneladas, crescimento de 6,1% na comparação anual e de 4,7% em relação ao trimestre anterior.

    Captação de leite cru bate recorde com alta de 10,3%

    Os laticínios sob inspeção sanitária adquiriram 7,01 bilhões de litros de leite cru no terceiro trimestre, volume 10,3% maior que o registrado no mesmo período de 2024. O crescimento trimestral também impressiona: 7,5% acima do segundo trimestre.

    Este resultado marca um dos melhores desempenhos do setor leiteiro nos últimos anos, refletindo tanto o aumento da produção quanto a recuperação da atividade industrial.

    Os curtumes monitorados pela Pesquisa Trimestral do Couro, estabelecimentos que processam pelo menos 5 mil unidades de couro cru bovino por ano, receberam 11,44 milhões de peças inteiras no terceiro trimestre. O volume representa crescimento de 8,4% em relação a 2024 e de 6,5% na comparação com o trimestre anterior.

    Produção de ovos registra leve queda trimestral

    A produção de ovos de galinha alcançou 1,23 bilhão de dúzias no período, avanço de 2,3% em doze meses. Entretanto, o setor registrou recuo de 0,8% em relação ao segundo trimestre de 2025, única categoria com resultado negativo na comparação sequencial.

    O IBGE realiza trimestralmente quatro pesquisas oficiais sobre a conjuntura agropecuária: Abate de Animais, Leite, Couro e Produção de Ovos de Galinha. Desde 2018, o instituto disponibiliza resultados preliminares cerca de um mês antes da divulgação completa.

    Os dados detalhados estarão disponíveis no periódico Indicadores IBGE: Estatística da Produção Pecuária em 10 de dezembro. As informações podem ser consultadas no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra).

  • O reino do Oink: Toledo (PR) tem quase 6 porcos por pessoa

    O reino do Oink: Toledo (PR) tem quase 6 porcos por pessoa

    O dia em Toledo, no oeste do Paraná, começa cedo, antes que o sol se desprenda do horizonte e espane a névoa sobre as plantações. O orvalho escorre das folhas de soja, o motor dos tratores rompe o silêncio, e o ar já carrega aquele cheiro inconfundível: mistura de ração, terra úmida e promessas de fartura. Seja bem-vindo(a) ao Reino do Oink.

    À distância, há quem jure ouvir um murmúrio que vem do campo. Um rumor ritmado, quase orquestral. É o som de 950 mil porcos respirando, comendo, crescendo, existindo.

    No mapa, a simpática Toledo é um ponto distante de Curitiba, no interior paranaense. Mas, na prática, é a capital invisível dos suínos. Um lugar onde há quase seis porcos para cada pessoa.

    Os 160.701 habitantes, segundo estimativa do IBGE para 2025, vivem cercados por um oceano de grunhidos e silos metálicos. Os animais são tantos que parecem se multiplicar no eco dos currais e no vapor que sai das granjas nas manhãs frias.

    O trono dos porcos

    Foto: Ari Dias/AEN

    Há uma ironia silenciosa na paisagem. A cidade foi erguida por gente, mas quem reina por aqui é o porco. O IBGE confirma: 950 mil suínos dividem o território com pouco mais de 160 mil moradores. Se cada habitante decidisse adotar um, ainda sobrariam quase 790 mil focinhos sem dono. É a cidade brasileira com a maior quantidade de suínos.

    O contraste é poético e brutal. O mesmo animal que já foi símbolo de fartura nas mesas do interior hoje sustenta uma indústria de bilhões. Toledo produz proteína como quem produz destino, no compasso dos caminhões frigoríficos que cruzam a BR-467, levando o cheiro e a riqueza do campo para longe.

    O império do oink

    Dizem que é fácil saber quando se está chegando a Toledo. O vento entrega. Ele sopra carregado de um aroma ácido, mistura de vida, trabalho e exaustão. Para uns, é incômodo; para outros, é sinal de prosperidade. Aqui, o cheiro do ar é o cheiro do sustento.

    Entre as faixas de milho e soja, surgem granjas que mais parecem fortalezas: portões automáticos, silos reluzentes, sistemas de ventilação que nunca param. Lá dentro, máquinas alimentam, climatizam e registram cada movimento. O que era natureza virou cálculo. O que era instinto virou estatística.

    Foto: Ari Dias/AEN

    Mesmo assim, há uma harmonia discreta nesse cotidiano. É como se homem e animal tivessem firmado um pacto silencioso. Cada porco alimentado é uma engrenagem da economia, uma batida no coração do município, uma pequena parte do futuro que Toledo constrói com paciência e precisão.

    O cheiro, o som e o sustento

    Com o tempo, os moradores se acostumaram. A suinocultura não é apenas um negócio, é uma espécie de identidade. O caminhoneiro sabe o caminho de cor; o agricultor reconhece no ar quando as granjas estão cheias; o comerciante mede as vendas pelo número de abates da semana.

    Toledo respira em oinks. O som é constante, mas não ensurdece. É o bater de um coração coletivo, pulsando do campo para o centro, atravessando os milharais e as ruas largas da cidade.O Paraná é o segundo estado que mais abate suínos no Brasil, responsável por 21,5% da produção nacional. Mas Toledo é um caso à parte. Nenhum outro município reúne tantos animais por habitante. Aqui, o porco é mais presente que o poste, mais numeroso que as janelas e tão essencial quanto a chuva que molha o milho.

    Entre o barro e o brilho

    Nada disso seria possível sem as mãos que trabalham na sombra. Homens e mulheres que acordam antes do amanhecer, lavam as botas com pressa e entram nas granjas como quem entra num templo. O cheiro forte que muitos evitam é, para eles, o perfume da estabilidade.

    Foto: Ari Dias/AEN

    Cada porco adulto produz de cinco a sete litros de dejetos por dia. É muito e Toledo aprendeu a lidar com o excesso. Biodigestores transformam o que antes era problema em energia. O que era sujeira, por exemplo, hoje ilumina casas, move motores e fertiliza plantações.

    O ciclo se fecha com uma elegância quase poética: o porco alimenta o homem, e o homem devolve o que sobra à terra.

    O futuro em tom de rosa

    Toledo carrega um desafio constante: crescer sem sufocar. O mundo exige carne, mas também cobra sustentabilidade. A cidade aposta em tecnologia, pesquisa e vigilância sanitária. A Embrapa Suínos e Aves desenvolve rações que reduzem emissões, enquanto cooperativas testam sistemas de reuso de água e manejo inteligente de resíduos.

    Foto: Ari Dias/AEN

    Mesmo assim, o risco ronda: a peste suína africana, as oscilações de mercado, as mudanças no clima. Tudo pode mudar de uma safra para outra. Ainda assim, Toledo segue firme — resiliente, teimosa, obstinada, como os próprios animais que cria.

    Entre o sol e o som

    Quando o entardecer cobre o oeste do Paraná de dourado, então a cidade parece suspensa no tempo. Enquanto isso, os silos brilham sob a luz oblíqua, e ao mesmo tempo os caminhões passam levantando poeira. Por fim, ao fundo, ainda se ouve o mesmo coro grave, contínuo, quase ritual.

    Toledo é mais que uma cidade. É uma metáfora viva do Brasil agrícola. Um lugar onde o homem e o porco dividem o mesmo destino. Ou seja, um produz, o outro sustenta; um respira, o outro transforma.

    E, no fim do dia, quando o vento muda de direção e traz de volta o cheiro do campo, fica clara a essência de tudo: é uma cidade de gente, movida a oinks.

  • Inflação dos alimentos tem menor alta em um ano

    Inflação dos alimentos tem menor alta em um ano

    A prévia da inflação oficial mostra queda nos preços de alimentos e bebidas pelo quinto mês seguido. Em outubro, o recuo foi de 0,02%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta sexta-feira (24) pelo IBGE.

    De junho a outubro, os alimentos ficaram 0,98% mais baratos, o que representa o maior período de deflação do setor desde setembro de 2024. O IPCA-15 geral subiu 0,18%, abaixo dos 0,48% registrados em setembro.

    Menor pressão sobre a mesa do brasileiro

    Entre setembro de 2024 e maio de 2025, os preços de alimentos e bebidas subiram por nove meses seguidos, impulsionados por problemas climáticos e quebra de safra. Desde então, os valores acumulam cinco quedas consecutivas:

    Outubro: -0,02%

    Setembro: -0,35%

    Agosto: -0,53%

    Julho: -0,06%

    Junho: -0,02%

    Com essa sequência, o acumulado em 12 meses ficou em 6,26%, acima da inflação geral (4,94%), mas o menor desde setembro de 2024, quando marcava 5,22%.

    Alimentação no domicílio

    A inflação da alimentação em casa caiu 0,10% em outubro e acumula 5,47% em 12 meses — o menor patamar desde agosto de 2024. Essa categoria é a mais importante dentro do IPCA-15, representando 21,63% da cesta de consumo de quem ganha até 40 salários mínimos.

    Cebola e arroz puxam queda no mês

    Os produtos que mais contribuíram para a deflação em outubro foram cebola (-7,65%), ovo de galinha (-3,01%), arroz (-1,37%) e leite longa vida (-1%). Cada recuo retirou 0,01 ponto percentual do índice.

    Outros alimentos registraram fortes reduções, embora com peso menor no total: pepino (-24,43%), abobrinha (-20,80%), morango (-15,63%) e peixe castanha (-12,68%).

    No acumulado de 12 meses, os maiores recuos vieram da batata-inglesa (-39%), feijão preto (-32%), cebola (-27%) e pepino (-27%). Em contrapartida, o café moído (53%), a abobrinha (43%) e o pimentão (36%) lideraram as altas.

    Veja a variação de outros grupos em outubro

    Tubérculos, raízes e legumes: -2,17%

    Hortaliças e verduras: -1,87%

    Cereais, leguminosas e oleaginosas: -1,24%

    Pescados: -0,98%

    Leites e derivados: -0,66%

    Aves e ovos: -0,51%

    Carnes e peixes industrializados: -0,24%

    Carnes: -0,05%

    Bebidas e infusões: 0,01%

    Enlatados e conservas: 0,22%

    Panificados: 0,23%

    Frutas: 2,07%

    Óleos e gorduras: 2,18%

    Expectativa é de estabilidade com safra recorde

    Para o economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, o resultado é animador e mostra uma convergência da inflação para o centro da meta de 3% ao ano.

    Segundo ele, a queda de preços de alimentos básicos traz alívio para as famílias de menor renda. “A redução em itens como arroz, leite, ovos e cebola é muito positiva”, afirma.

    A Apas, que representa mais de 4,5 mil supermercados no estado, projeta continuidade na desaceleração dos preços nos próximos meses. “Temos uma safra recorde de grãos, o que deve ajudar na queda de itens essenciais da cesta básica”, conclui Queiroz.

  • Emissões de metano na pecuária brasileira batem recorde e ameaçam meta climática

    Emissões de metano na pecuária brasileira batem recorde e ameaçam meta climática

    O Brasil enfrenta um desafio crescente no combate às mudanças climáticas: as emissões de metano da pecuária atingiram níveis recordes em 2023 e afastam o país do compromisso internacional assumido há três anos. Especialistas alertam para a urgência de mudanças nas práticas agropecuárias e questionam a precisão dos dados oficiais sobre o rebanho bovino nacional.

    O Observatório do Clima divulgou dados alarmantes: o Brasil emitiu 20,8 milhões de toneladas de metano em 2023, crescimento de 6% em relação às 19,6 milhões de toneladas registradas em 2020. A agropecuária concentra 75% dessas emissões, com 15,7 milhões de toneladas liberadas na atmosfera — novo recorde nacional e aumento de 1,1% sobre o ano anterior.

    A fermentação entérica, processo digestivo dos bovinos popularmente conhecido como “arroto do boi”, responde pela maior parte das emissões. Os números contrariam o compromisso que o Brasil assumiu na COP26, em 2021, quando o país se juntou a mais de cem nações para reduzir em 30% as emissões de metano até 2030, tomando como base os níveis de 2020.

    Produtividade: a chave para reduzir emissões

    Pesquisadores da Unesp consultados pelo Jornal da Unesp defendem que o Brasil precisa disseminar práticas que aumentem a produtividade na pecuária. A estratégia permite produzir mais carne e leite com menos animais, reduzindo assim a emissão total de metano.

    Ricardo Reis, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp em Jaboticabal, dedica duas décadas ao estudo da relação entre manejo de pastagens, suplementação alimentar e emissões de metano. “O grande problema é que, ainda hoje, boa parte dos pecuaristas não entende a pastagem como uma cultura”, afirma.

    O pesquisador explica que os produtores precisam tratar o capim com o mesmo rigor técnico aplicado à soja ou ao milho, investindo em manejo adequado. A falta de cuidados degrada as áreas de pastagem, reduz sua capacidade de alimentar o rebanho e encarece a recuperação. O abandono gera custos ambientais elevados.

    Pasto de qualidade reduz metano e estoca carbono

    “O que faz com que o animal produza metano é a digestão da fibra de baixa qualidade do capim no rúmen. Quando o boi come um pasto verde e de qualidade, ele vai emitir menos metano”, explica Reis. O professor destaca um benefício adicional: “Ao mesmo tempo, o produtor estoca carbono no solo ao preservar as pastagens. Essa é a forma mais eficiente de mitigação.”

    O engenheiro agrônomo Abmael Cardoso, egresso do Programa de Pós-graduação em Zootecnia da FCAV-Unesp, contesta a estimativa oficial de 238,2 milhões de cabeças de gado no Brasil. Segundo ele, a metodologia que o IBGE utiliza ignora os ganhos de produtividade que a pecuária brasileira alcançou nas últimas décadas.

    O problema reside na política fundiária. Uma normativa do INCRA determina que a produtividade das fazendas pecuárias deve ser calculada pela taxa de lotação — número de animais dividido pela área da propriedade. Esse critério incentiva os produtores a declarar mais animais para demonstrar maior produtividade.

    “Em razão dessa questão metodológica, todo o esforço do Brasil para reformar suas pastagens, adotar sistemas integrados de produção, melhorar a qualidade nutricional, entre outras tecnologias, não está sendo capturado nas estimativas de emissão, porque elas usam os dados de rebanho oficiais do IBGE, que são imprecisos”, afirma Cardoso.

    Indicadores mostram descompasso nos dados oficiais

    Diversos indicadores de produtividade cresceram nos últimos anos, o que reforça a tese de que os números oficiais não refletem a realidade. Consultorias especializadas em produção de carne demonstram que o Brasil reduziu as áreas de pastagem nas últimas décadas enquanto aumentava a produção de carne.

    “Existe um descompasso entre as metodologias aplicadas pela política fundiária para medir a eficiência das propriedades rurais e a política ambiental brasileira”, diz Cardoso. Apesar das críticas, o agrônomo valoriza o trabalho dos órgãos estaduais e do IBGE.

    O pesquisador defende estratégias de mitigação concentradas na produtividade da fase de cria, período entre o nascimento e o desmame do bezerro. “Isso vai se refletir, no médio e longo prazo, em um rebanho menor com maior produtividade. E, consequentemente, em uma emissão de metano menor”, conclui Cardoso.

  • Pecuária brasileira faturou R$ 132,8 bilhões com recordes em leite, ovos e mel

    Pecuária brasileira faturou R$ 132,8 bilhões com recordes em leite, ovos e mel

    A pecuária e aquicultura brasileiras alcançaram R$ 132,8 bilhões em valor de produção durante 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (18). O crescimento de 8,8% em relação ao ano anterior marca um novo recorde no setor.

    Os produtos de origem animal geraram R$ 121,1 bilhões, com alta de 8,2%. A aquicultura contribuiu com R$ 11,7 bilhões, registrando aumento expressivo de 15,4%.

    O rebanho bovino brasileiro atingiu 238,2 milhões de cabeças em 2024. Este número representa o segundo maior efetivo desde 1974, superado apenas por 2023. A redução de 0,2% reflete o ciclo pecuário atual, explica a analista Mariana Oliveira.

    “O abate elevado de fêmeas ocorreu devido aos preços do bezerro e da arroba, que desestimularam a retenção para reprodução”, afirma Oliveira.

    São Félix do Xingu (PA) mantém a liderança municipal com 2,5 milhões de cabeças. Corumbá (MS), Porto Velho (RO), Cáceres (MT) e Marabá (PA) completam o ranking dos cinco maiores rebanhos.

    Produção de leite atinge novo recorde com menos vacas

    A produção nacional de leite cresceu 1,4% e atingiu 35,7 bilhões de litros em 2024. O resultado surpreende pelo contraste: o número de vacas ordenhadas diminuiu 2,8%, totalizando 15,1 milhões – o menor registro desde 1979.

    O valor de produção do leite alcançou R$ 87,5 bilhões, alta de 9,4%. O preço médio pago aos produtores subiu para R$ 2,45 por litro, crescimento de 7,9%.

    Castro (PR) liderou a produção municipal com 484,4 milhões de litros. Carambeí (PR) e Patos de Minas (MG) ocuparam a segunda e terceira posições, respectivamente.

    Galináceos batem recorde impulsionados pelo Sul

    O Brasil registrou 1,6 bilhão de cabeças de galináceos em 2024, crescimento de 1,7%. O efetivo de galinhas atingiu recorde com 277,5 milhões de cabeças, alta de 6,8%.

    A região Sul mantém 47,3% do efetivo nacional desde 1983. O Paraná lidera com 28,8% do total brasileiro, seguido por São Paulo (13,0%) e Rio Grande do Sul (9,8%).

    Santa Maria de Jetibá (ES) concentra o maior efetivo municipal com 14,9 milhões de galinhas.

    Produção de ovos cresce em 24 estados

    A produção brasileira de ovos alcançou 5,4 bilhões de dúzias em 2024, crescimento de 8,6%. O resultado marca um novo recorde na série histórica, que cresce ininterruptamente desde 1999.

    Santa Maria de Jetibá (ES), Bastos (SP) e São Bento do Una (PE) lideram a produção municipal de ovos no país.

    Nordeste impulsiona recordes de mel e caprinos

    A produção de mel cresceu 4,9% e atingiu 67,3 milhões de quilos. O Nordeste responde por 39,4% da produção nacional, com destaque para Piauí, Ceará, Bahia e Maranhão.

    Os rebanhos de caprinos e ovinos também bateram recordes. Os caprinos cresceram 3,1% e somaram 13,3 milhões de animais. Os ovinos aumentaram 0,3% e chegaram a 21,9 milhões de cabeças.

    Aquicultura registra crescimento expressivo

    A produção de peixes aumentou 10,3% e alcançou 724,9 mil toneladas, gerando R$ 7,7 bilhões. A tilápia representa 68,9% da produção nacional de peixes.

    O camarão criado em cativeiro atingiu 146,8 mil toneladas, crescimento de 15,2%. O valor de produção chegou a R$ 3,1 bilhões, com o Ceará (57,1%) e Rio Grande do Norte (21,5%) concentrando 99,7% da produção nacional.

  • IBGE mostra queda da carne em agosto, mas churrasco continua caro

    IBGE mostra queda da carne em agosto, mas churrasco continua caro

    O brasileiro até comemorou em agosto: a carne bovina ficou 0,43% mais barata, segundo o IBGE. Foi mais um capítulo da sequência de pequenas quedas mensais que começou no primeiro semestre. O problema é que esse refresco é quase simbólico. Nos últimos 12 meses, o alimento ainda acumulou uma inflação de 22,17%, lembrando que o alívio no açougue é curto e a conta continua pesada.

    Porém, a trégua na alta dos preços  tem prazo de validade. Dois fatores devem pressionar novamente a alta nos próximos meses: o ritmo forte das exportações e a expectativa de menor abate de bois até o fim da entressafra. Em outras palavras, o cenário é de oferta mais apertada e carne desaparecendo das gôndolas na mesma velocidade em que some do prato do consumidor.

    Cortes populares puxam a alta

    O que mais chama atenção, portanto, é que os cortes do dia a dia foram justamente os que mais encareceram. O acém, por exemplo, lidera o ranking, com alta de 29,1% em 12 meses. Logo em seguida aparecem o peito (27,4%) e o músculo (24,6%). Já a paleta, bastante usada em cozidos, também disparou, registrando aumento de 24%.

    Na sequência, aparecem ainda a costela (23,6%), a alcatra (23,5%) e o lagarto comum (23%). O patinho, que continua sendo favorito em receitas caseiras, subiu 22,1%. Além disso, até cortes tradicionalmente mais nobres entraram na lista: o contrafilé e a capa de filé avançaram 21,4%, enquanto o filé-mignon, símbolo de requinte e prestígio, ficou 19,1% mais caro.

    Por outro lado, a picanha, estrela dos churrascos de domingo, apresentou um desempenho diferente: subiu “apenas” 12,1%. Já o fígado, alternativa tradicional de economia para muitas famílias, teve inflação de 15,6%.

  • Abate de bovinos cresce e suínos atingem recorde histórico

    Abate de bovinos cresce e suínos atingem recorde histórico

    O abate de bovinos cresceu 3,9% no segundo trimestre de 2025, informou o IBGE. O total chegou a 10,464 milhões de cabeças, alta também de 5,5% frente ao primeiro trimestre do ano.

    Pela primeira vez desde 1997, o abate de fêmeas superou o de machos. As fêmeas tiveram alta de 16% sobre 2024, mantendo a tendência observada no primeiro semestre de 2025. A produção de carcaças bovinas somou 2,65 milhões de toneladas. O volume foi 1,6% maior que em 2024 e 6,1% acima do trimestre anterior.

    Suínos batem recorde de abate e produção

    O abate de suínos atingiu 15,02 milhões de cabeças entre abril e junho. O número subiu 2,6% sobre 2024 e 4,1% frente ao trimestre anterior.
    O resultado marcou recorde histórico para maio e junho. Segundo Angela Lordão, gerente da pesquisa, o crescimento vem do consumo interno e das exportações.
    O consumidor busca cortes de fácil preparo e preços competitivos. Já as exportações ganharam força com a forte demanda das Filipinas e aumento das vendas para Chile e Japão, que compensaram a queda das compras chinesas.
    O peso de carcaças suínas somou 1,413 milhão de toneladas. O avanço foi de 5,7% sobre 2024 e 6,5% em relação ao trimestre anterior.

    Frangos registram alta anual no abate

    O abate de frangos chegou a 1,639 bilhão de cabeças no trimestre. O volume foi 1,1% maior que em 2024, mas 0,4% inferior ao do trimestre anterior.
    As carcaças somaram 3,55 milhões de toneladas. O aumento foi de 2,7% frente a 2024 e 1,9% em relação ao primeiro trimestre.

    Leite tem maior aquisição da série histórica

    A aquisição de leite cru chegou a 6,502 bilhões de litros no trimestre. O número foi 9,4% superior ao de 2024, mas 1% menor que no primeiro trimestre.
    O resultado foi o maior da série histórica para um segundo trimestre, iniciada em 1997, superando o recorde de 2024.

    Couro apresenta leve alta no trimestre

    Os curtumes adquiriram 10,748 milhões de peças inteiras de couro cru bovino. O total cresceu 4,6% frente a 2024 e recuou 0,1% em relação ao trimestre anterior.

    Produção de ovos cresce em 2025

    A produção de ovos de galinha somou 1,241 bilhão de dúzias. O volume foi 6,2% maior que em 2024 e 2,9% acima do trimestre anterior.

  • IBGE prevê safra recorde de 328,4 milhões de toneladas em 2025

    IBGE prevê safra recorde de 328,4 milhões de toneladas em 2025

    A produção brasileira de grãos deve alcançar 328,4 milhões de toneladas em 2025. A estimativa é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e representa um aumento de 12,2% em relação ao volume colhido em 2024, que foi de 292,7 milhões de toneladas. Em resumo, o levantamento divulgado em abril mostra ainda alta de 0,2% sobre a previsão feita em março, com acréscimo de 732,7 mil toneladas.

    Área plantada também cresce

    A área a ser colhida em 2025 está estimada em 81 milhões de hectares, com crescimento de 2,5% frente a 2024. O avanço é de 2 milhões de hectares. Na comparação com março, o aumento foi de 6,5 mil hectares, o que representa estabilidade.

    Soja, milho e arroz lideram

    Soja, milho e arroz continuam como os principais produtos do campo. Juntos, representam 92,7% da produção total estimada e ocupam 87,7% da área plantada. Em relação ao ano anterior, os destaques por cultura são:

    • Algodão herbáceo (em caroço): +4,3% na área plantada e +2,8% na produção
    • Arroz (em casca): +10,3% na área e +12,2% na produção
    • Soja: +3,0% na área e +13,3% na produção
    • Milho: +3,0% na área e +11,8% na produção
      • Milho 1ª safra: -3,2% na área e +12,5% na produção
      • Milho 2ª safra: +4,7% na área e +11,6% na produção
    • Sorgo: +1,4% na área e +3,2% na produção
    • Feijão: -5,4% na área, mas +4,3% na produção
    • Trigo: -8,8% na área e +7,0% na produção
    Gráfico: Divulgação – IBGE

    Estimativas por produto

    • Soja: 164,2 milhões de toneladas
    • Milho: 128,2 milhões de toneladas
      • 25,8 mi t na 1ª safra
      • 102,5 mi t na 2ª safra
    • Arroz (em casca): 11,9 milhões de toneladas
    • Trigo: 8,1 milhões de toneladas
    • Algodão herbáceo (em caroço): 9,1 milhões de toneladas
    • Sorgo: 4,1 milhões de toneladas

    Produção cresce em todas as regiões

    A produção de grãos deve crescer em todas as regiões do país:

    • Centro-Oeste: +14,5%
    • Sul: +8,9%
    • Sudeste: +13,6%
    • Nordeste: +8,8%
    • Norte: +11,0%

    Na variação mensal (abril x março), Norte (+4,3%) e Sul (+0,4%) apresentaram alta. Sudeste e Centro-Oeste ficaram estáveis. O Nordeste registrou queda de 1,5%.

    Mato Grosso mantém liderança

    Mato Grosso segue como o maior produtor de grãos do Brasil, com 30,8% do total. Na sequência vêm:

    • Paraná: 13,7%
    • Goiás: 11,7%
    • Rio Grande do Sul: 10,1%
    • Mato Grosso do Sul: 7,6%
    • Minas Gerais: 5,5%

    Juntos, esses seis estados respondem por 79,4% da produção nacional. Por região, a distribuição é:

    • Centro-Oeste: 50,4%
    • Sul: 26,0%
    • Sudeste: 8,9%
    • Nordeste: 8,5%
    • Norte: 6,2%

    Destaques em abril

    Na comparação com março, os produtos com maior alta na produção foram:

    • Aveia: +4,2%
    • Café arábica: +3,5%
    • Uva: +1,9%
    • Milho 1ª safra: +1,0%
    • Milho 2ª safra: +0,7%
    • Castanha-de-caju: +0,6%
    • Cevada: +0,3%

    Houve redução nas estimativas do:

    • Feijão 2ª safra: -4,3%
    • Feijão 1ª safra: -3,9%
    • Cacau: -2,5%
    • Trigo: -1,0%
    • Sorgo: -0,6%
    • Soja: -0,0%

    Produção por região (abril)

    • Centro-Oeste: 165,5 milhões de toneladas (50,4%)
    • Sul: 85,3 milhões de toneladas (26,0%)
    • Sudeste: 29,3 milhões de toneladas (8,9%)
    • Nordeste: 28,1 milhões de toneladas (8,2%)
    • Norte: 20,2 milhões de toneladas (6,2%)

    Estados com maiores variações

    Aumentos:

    • Pará: +936,8 mil t
    • Paraná: +288,8 mil t
    • Bahia: +274,3 mil t
    • Ceará: +140,9 mil t
    • Santa Catarina: +37,2 mil t
    • Rondônia: +19,3 mil t

    Quedas:

    • Piauí: -737,6 mil t
    • Tocantins: -115,2 mil t
    • Pernambuco: -66,8 mil t
    • Paraíba: -27,6 mil t
    • Goiás: -16,2 mil t

    Destaques por cultura

    Cacau

    A produção de cacau deve alcançar 292,2 mil toneladas, 2,5% abaixo de março. O recuo é resultado da menor produtividade nas lavouras do Pará e Amazonas. Em relação a 2024, a produção sobe 1,5% com aumento da área plantada (+1,6%).

    Café

    A produção de café (arábica e canephora) está estimada em 3,3 milhões de toneladas, ou 55 milhões de sacas de 60 kg, alta de 2,3% em relação a março. Em comparação com 2024, porém, a safra deve cair 3,6%.

    • Café arábica: 2,2 milhões de toneladas (37 milhões de sacas), queda de 7,5% sobre 2024.
    • Café canephora (conilon): 1,1 milhão de toneladas (18 milhões de sacas), alta de 5,5%.

    A produtividade do conilon aumentou com os investimentos em tratos culturais e chuvas regulares.

    Castanha-de-caju

    A produção foi estimada em 141,1 mil toneladas, com crescimento mensal de 0,6%. A área colhida subiu 0,1% e o rendimento médio, 0,3%. No ano, a expectativa é de queda de 12,4% por menor produtividade.

    Trigo, aveia e cevada

    • Trigo: 8,1 milhões de toneladas (+7,0% frente a 2024, mas -1,0% ante março)
    • Aveia: 1,2 milhão de toneladas (+12,8% no ano e +4,2% no mês)
    • Cevada: 544,6 mil toneladas (+30,8% no ano e +0,3% no mês)

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    Tomate, café e leite elevam preços dos alimentos em abril

    Os alimentos ficaram mais caros em abril, segundo o IBGE. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 1,14% no grupo alimentação e bebidas. Em geral, o índice é considerado a prévia da inflação oficial no país. Em março, a alta foi de 1,09%.

    Alta dos alimentos

    O grupo alimentação no domicílio subiu 1,29% em abril. Em março, esse grupo registrou alta de 1,25%. Tomate, café moído e leite longa vida puxaram o aumento dos preços. Em resumo, as altas foram de 32,67%, 6,73% e 2,44%, respectivamente.

    A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara. Ou seja, o grupo subiu 0,77% neste mês, após alta de 0,66% em março. Lanche e refeição foram os principais responsáveis pela elevação. Ou seja, os preços desses itens subiram 1,23% e 0,50%, respectivamente.

    No geral, o IPCA-15 subiu 0,43% em abril. Em março, a alta havia sido de 0,64%. Em abril de 2024, o avanço foi de 0,21%. Portanto, no acumulado do ano, o IPCA-15 já registra alta de 2,43%.  Nos últimos 12 meses, a inflação medida pelo índice chegou a 5,49%. Até março, o acumulado em 12 meses era de 5,26%.

    O que é o IPCA-15?

    O IPCA-15 antecipa a tendência da inflação oficial. O IBGE calcula o índice com base na cesta de consumo das famílias. O indicador considera rendimentos de um a 40 salários mínimos.

    A coleta de dados abrange 11 regiões urbanas do país. Entre elas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. A diferença para o IPCA está no período de apuração e abrangência.

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