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  • Abrafrutas lança selo ESG da fruticultura brasileira

    Abrafrutas lança selo ESG da fruticultura brasileira

    A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) lançou o Selo Frutas do Brasil ESG. A certificação valoriza a fruticultura brasileira e reforça compromissos com sustentabilidade, responsabilidade social e boas práticas de governança.

    Além disso, o selo incorpora a noção de responsabilidade civilizatória aplicada à produção agrícola nacional. O selo reconhece empresas alinhadas aos padrões internacionais de Environmental, Social and Governance (ESG).
    Com isso, a certificação comprova que as frutas brasileiras respeitam o meio ambiente, as pessoas e a gestão responsável. Portanto, o selo se torna um passaporte de credibilidade e sustentabilidade no mercado global.

    Selo estratégico

    O presidente da entidade, Guilherme Coelho, destacou o papel estratégico da nova certificação. Segundo ele, o selo reconhece o trabalho responsável e inovador de produtores e exportadores brasileiros. Além disso, a iniciativa demonstra compromisso com melhoria contínua e equilíbrio entre economia, natureza e dignidade humana.

    Mais competitividade

    A Abrafrutas desenvolveu o selo para valorizar produtores e ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional. A ação também consolida esforços da entidade em sustentabilidade, promoção comercial e profissionalização do setor. Entre as iniciativas, estão participações em feiras internacionais e programas de qualificação técnica. Além disso, a Abrafrutas mantém diálogo permanente com instituições globais sobre práticas ambientais e sociais.

    Exclusivo para empresas associadas, o selo segue rigorosamente as diretrizes ESG internacionais. A certificação adota a Responsabilidade Civilizatória como eixo central das ações no campo. O conceito reforça que decisões produtivas impactam pessoas, ecossistemas e futuras gerações.

    Suporte

    Além do reconhecimento institucional, o selo oferece acompanhamento técnico e auditoria anual. Assim, empresas certificadas mantêm alinhamento permanente com padrões globais e exigências internacionais.
    A diretora de ESG, Priscila Nasrallah, destacou o impacto da nova certificação para o setor. Segundo ela, a Abrafrutas apoiará produtores em todas as etapas do processo. O objetivo é fortalecer uma cultura de transparência, responsabilidade e consciência ambiental. Para a entidade, o selo deve marcar uma nova fase na imagem do agro brasileiro.

    A Abrafrutas atua sem fins lucrativos e representa produtores e exportadores de frutas desde 2014.
    Atualmente, a entidade reúne cerca de 90 associados em todo o país. Essas empresas respondem por aproximadamente 85% das exportações brasileiras de frutas frescas.

     

  • Melhor outubro em 10 anos: exportação de frutas bate recorde

    Melhor outubro em 10 anos: exportação de frutas bate recorde

    O setor fruticultor brasileiro tem motivos pra comemorar. Outubro de 2025 entrou pra história como o melhor mês dos últimos dez anos em exportações de frutas, com vendas que alcançaram US$ 177,5 milhões no mercado internacional. Os números representam um crescimento de 4,6% em comparação com o mesmo período de 2024, quando o país faturou US$ 169,7 milhões, conforme dados do Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A última vez que o Brasil havia superado essa marca foi em novembro do ano passado, quando as exportações do segmento atingiram US$ 217 milhões. Os dados incluem frutas e nozes (não oleaginosas) frescas ou secas, consolidando o país como um player importante no mercado global de alimentos.

    Volume de exportação já supera todo o ano anterior

    Em termos de quantidade, os números impressionam ainda mais. Só em outubro deste ano, 209,4 mil toneladas de frutas brasileiras atravessaram as fronteiras rumo ao exterior. De janeiro a outubro, o Brasil já embarcou 1 milhão de toneladas, exatamente o volume total exportado durante os 12 meses de 2024.

    Apesar dos números expressivos, o segmento ainda representa uma fatia modesta do agronegócio nacional: apenas 2,61% das exportações agrícolas do país. Mesmo assim, as frutas ocupam a quinta posição no ranking de exportações agropecuárias brasileiras.

    Em valores financeiros, as exportações de frutas acumularam US$ 1 bilhão entre janeiro e outubro deste ano. No ano passado, o setor fechou com US$ 1,2 bilhão em faturamento total, representando 1,66% das exportações agrícolas do Brasil.

    Resiliência do produtor brasileiro diante das adversidades

    “Mesmo com todas as crises enfrentadas este ano pelos fruticultores, o fôlego nas exportações foi mantido, mostrando que o campo brasileiro é resiliente e está preparado para enfrentar os desafios do mercado, e também do clima”, afirma Renato Francischelli, country director da Ascenza Brasil.

    Para Francischelli, a fruticultura se consolidou como um dos pilares do agronegócio nacional. “A contribuição é expressiva tanto do ponto de vista interno quanto das exportações, impactando de forma significativa o PIB agropecuário”, complementa.

    Nordeste domina o cenário exportador

    Quando o assunto é exportação de frutas, o Nordeste brasileiro carrega o time nas costas. Quatro estados da região concentraram impressionantes 84,3% das vendas internacionais em outubro, segundo o Comex Stat.

    Pernambuco lidera a lista com folga, respondendo por 31,6% dos valores exportados – um total de US$ 56,1 milhões. Logo atrás vem a Bahia, com US$ 38,6 milhões (21,8% do total), seguida pelo Rio Grande do Norte, que exportou US$ 36,1 milhões (20,3%). O Ceará fecha o quarteto nordestino com US$ 18,8 milhões, representando 10,6% das exportações nacionais de frutas.

    Europa segue como principal parceiro comercial

    O Velho Continente mantém sua posição de destaque como maior consumidor das frutas brasileiras. A Europa absorveu 66,4% do valor total exportado em outubro, consolidando uma parceria comercial que vem se fortalecendo nos últimos anos.

    A Holanda lidera isoladamente como o país que mais investe em frutas brasileiras. Em outubro, os holandeses gastaram US$ 71,7 milhões – impressionantes 40,4% do total exportado pelo Brasil. O Reino Unido aparece em segundo lugar, com compras de US$ 31,2 milhões (17,6%), enquanto a Espanha fecha o pódio europeu com US$ 14,9 milhões (8,4%).

    Os Estados Unidos, que recentemente reduziram as tarifas de importação de frutas de 50% para 40%, compraram US$ 15,5 milhões em frutas brasileiras em outubro – 8,7% do total. A redução tarifária, que abrangeu mais de 200 itens, pode abrir novas oportunidades para os exportadores brasileiros nos próximos meses.

    Na América do Sul, a Argentina se destaca como principal compradora, com aquisições de US$ 8,5 milhões, representando 4,8% das exportações brasileiras do setor.

    Como entrar no mercado internacional de frutas

    Boa parte das frutas que o Brasil exporta vem de propriedades rurais familiares, destaca Francischelli. Para esses produtores, o mercado internacional representa uma oportunidade real de crescimento e diversificação de receita.

    “Produzir com foco em exportação faz o produtor pensar além apenas do mercado interno e isso pode garantir acesso a preços melhores, margens maiores e estabilidade”, explica o executivo da Ascenza.

    Mas entrar nesse mercado exige preparação. Primeiro, é preciso entender quais países importam frutas brasileiras e conhecer as regras específicas de cada destino. As exigências variam conforme o mercado, mas alguns requisitos são universais.

    Entre as principais demandas do mercado internacional estão a adoção de boas práticas de produção, sistemas de rastreabilidade eficientes e a entrega de frutas com qualidade superior. Essas práticas precisam estar presentes em todas as etapas: cultivo, colheita, pós-colheita, embalagens e cumprimento rigoroso das exigências fitossanitárias, incluindo limites de resíduos de defensivos agrícolas.

    Cooperação e planejamento são essenciais

    Segundo Francischelli, uma estratégia eficaz para pequenos e médios produtores é a cooperação. “O produtor pode agrupar-se ou cooperar para ganhar escala e reduzir custos, já que a logística de exportação é um desafio significativo para produtos perecíveis”, orienta.

    Selecionar as culturas mais adequadas para cada mercado e diversificar a produção ajudam a entender melhor as dinâmicas do comércio exterior e reduzem os riscos da atividade.

    “Frutas destinadas à exportação precisam manter qualidade, frescor e aparência também depois da colheita, durante transporte e armazenamento”, ressalta o diretor da Ascenza. Por isso, planejar bem a produção e seguir um calendário rigoroso são fundamentais. Evitar superprodução também faz parte dessa estratégia.

    Proteção da lavoura e manejo adequado

    Para preparar a produção para o mercado internacional, o controle fitossanitário não pode ser negligenciado. Francischelli recomenda que os produtores identifiquem os principais perigos para cada cultura e implementem monitoramento contínuo.

    “O agricultor deve adotar práticas de manejo adequadas para garantir a otimização e a eficiência no uso de defensivos, sempre cumprindo os requisitos específicos de cada mercado de exportação”, orienta.

    Outros fatores críticos incluem a qualidade do solo, planejamento nutricional adequado, sistemas de irrigação eficientes e proteção contra eventos climáticos extremos – que têm se tornado cada vez mais frequentes.

    A documentação é outro ponto crucial. “O agricultor deve manter registro detalhado de aplicação de defensivos, usar apenas os produtos permitidos para exportação e cumprir a tolerância de resíduos conforme exigido pelo país de destino”, alerta Francischelli.

    Sustentabilidade abre portas para mercados premium

    Segundo o executivo, boas práticas agrícolas e manejo sustentável não são apenas exigências burocráticas. Importadores internacionais valorizam cada vez mais a origem das frutas e a ética de produção, priorizando fornecedores que demonstram menor impacto ambiental.

    “Essa preocupação com sustentabilidade pode abrir as portas para mercados premium, onde as margens de lucro são significativamente maiores”, conclui Francischelli.

    Com um histórico de resiliência e capacidade de adaptação, os produtores brasileiros parecem estar no caminho certo para consolidar o país como uma potência global na exportação de frutas. Os números de outubro reforçam esse potencial e indicam que 2025 pode encerrar como um ano histórico para o setor.

  • Bananas do Equador: riscos e impactos para a produção nacional

    Bananas do Equador: riscos e impactos para a produção nacional

    A importação de bananas do Equador tem causado mobilização entre representantes do agronegócio brasileiro. A abertura do mercado à fruta equatoriana, autorizada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após decisão judicial que revogou restrições sanitárias, preocupa produtores nacionais e parlamentares do setor.

    Por ora, a entrada da banana do Equador ocorre apenas na forma desidratada. Isso enquanto o governo conclui a análise de risco para a banana in natura. A deputada federal Rosana Valle (PL-SP) alertou que regiões tradicionais na produção em São Paulo, como Cajati e Vale do Ribeira, podem sofrer impactos econômicos severos.

    No requerimento 2.480/2025 enviado ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a parlamentar pediu medidas para proteger a cadeia produtiva nacional. Em vídeo nas redes sociais, Rosana afirmou que a importação “quebra os agricultores, além de trazer doenças para o Brasil”. Ela também destacou sua luta para defender os produtores de banana, solicitando esclarecimentos ao Ministério da Agricultura.

     Além da deputada, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e entidades ligadas à produção bananeira se reuniram com os ministros Carlos Fávaro e Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, para discutir os riscos da entrada da fruta do Equador.

    Representantes das associações Conaban, Abanorte, Abavar e Febanana expressaram preocupação principalmente com a possível disseminação do fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça tropical 4 (TR4). Essa praga quarentenária ainda ausente está no país. Mas ameaça gravemente as lavouras, especialmente as variedades do grupo Cavendish, como a banana nanica e a prata, as mais consumidas no Brasil.

  • Estrela do Halloween: por que as abóboras crescem tanto

    Estrela do Halloween: por que as abóboras crescem tanto

    As abóboras gigantes continuam a impressionar o mundo vegetal: alguns exemplares chegam a ultrapassar mil quilos, enquanto frutas como os mirtilos mal passam de alguns centímetros de diâmetro.

    Crescimento sem limite

    Segundo Vikram Baliga, professor assistente de horticultura na Texas Tech University, o segredo está no tipo de planta. As variedades de abóbora gigante pertencem ao grupo das plantas indeterminadas, que continuam crescendo enquanto as condições ambientais permitem. “Por isso você vê essas plantas enormes de abóboras se espalhando e tomando conta de todo o quintal — e, às vezes, é só uma única planta”, afirmou Baliga à Live Science.

    Já espécies como o mirtilo seguem um padrão determinado, em que a planta e seus frutos param de crescer ao atingir um tamanho definido geneticamente.

    A programação genética

    A bióloga Jessica Savage, professora associada do Swenson College of Science and Engineering da University of Minnesota Duluth, explica que a diferença está nos “programas” biológicos de crescimento.
    “Algumas plantas, quando desenvolvem uma folha, um fruto ou uma flor, têm um programa que limita o tamanho desse órgão. Outras simplesmente não possuem esse tipo de limite”, afirmou Savage.

    Nas abóboras gigantes, esse limite natural praticamente não existe. Além disso, a casca espessa e o fato de o fruto permanecer apoiado no solo reduzem os efeitos da gravidade. Assim, permite o crescimento de volumes excepcionais.

    Toda a energia em um único fruto

    Reprodução: Carolina Journal

    Baliga também observa que o manejo adotado pelos produtores é decisivo. Para cultivar campeãs de peso, os agricultores costumam deixar apenas uma abóbora por planta. “Se você tem uma planta que consegue acumular todos esses recursos e remove oito frutos, deixando só um, é como se ela pensasse: ‘Ótimo, vou direcionar tudo para este único fruto — é minha chance de garantir meus genes’”, explicou o pesquisador.

    Essa estratégia faz com que a planta concentre toda sua energia em um único fruto, algo impossível em espécies de frutos menores e mais delicados, como os mirtilos.

    Seleção voltada ao tamanho

    A reportagem destaca ainda o papel da seleção artificial. “As abóboras gigantes vêm sendo cruzadas seletivamente há muito tempo apenas pelo tamanho — o que é diferente de muitas outras culturas, em que também se busca sabor”, disse Baliga.

    O resultado é uma fruta que cresceu sob uma combinação rara de genética, estrutura física, manejo e intervenção humana.

    Enquanto as abóboras gigantes quebram recordes a cada temporada, os mirtilos continuam pequenos — e, paradoxalmente, é isso que os torna perfeitos para o consumo diário.

  • Produtores rurais celebram aprovação do acordo Mercosul-União Europeia

    Produtores rurais celebram aprovação do acordo Mercosul-União Europeia

    O Acordo Mercosul-União Europeia deve criar a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores e redução gradual de tarifas sobre a maioria dos produtos negociados entre os blocos. A expectativa do setor rural é alta, pois o acordo amplia mercados, fortalece a competitividade internacional e oferece segurança para investimentos no agronegócio brasileiro.

    O acordo elimina progressivamente tarifas sobre 91% dos produtos europeus e 92% dos produtos sul-americanos em até 15 anos, beneficiando principalmente o agronegócio dos dois blocos.

    Segundo Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp), o tratado traz a oportunidade de ampliar mercados. Além de reduzir barreiras e garantir previsibilidade para os produtores rurais brasileiros. “O setor ganha competitividade ao diversificar destinos e assegurar saída para a produção excedente”, destaca Meirelles.

    O Acordo Mercosul-UE abre possibilidades especialmente para carnes, grãos, frutas e produtos com valor agregado. Com isso, o agronegócio pode investir com mais confiança em tecnologia, qualidade e sustentabilidade. Além disso, o Brasil poderá atuar como um garante da segurança alimentar europeia, aproveitando sua capacidade de realizar três safras anuais.

    Meirelles explica que acordos bilaterais são essenciais para que o produtor rural minimize riscos financeiros, diversifique os mercados e mantenha a estabilidade econômica. “Essa diversificação protege contra oscilações de preços e crises regionais, permitindo ao produtor rural continuar investindo e ter renda mais estável”, afirma.

    Maior bloco econômico mundial

    Para Úrsula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o acordo é um marco que consolida a UE como o maior bloco econômico mundial. Ela destaca a importância estratégica desses tratados para fortalecer relações e enfrentar desafios globais, como a modernização do comércio mundial e o reforço da confiança mútua.

    O coordenador da Comissão Técnica de Cafeicultura da Faesp, Guilherme Vicentini, vê o acordo como forma de garantir maior rentabilidade e continuidade para o produtor rural. Que passa a ter mais opções de mercados globais.

    Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), avalia que o benefício tarifário ao Mercosul será uma vantagem competitiva importante, considerando que a União Europeia já é o segundo maior destino das exportações brasileiras, mesmo sem privilégios tarifários. Ela ressalta que o acordo deve acelerar processos de negociação com outros parceiros comerciais, em um cenário geopolítico global em transformação.

  • Bacaba: conheça a pérola roxa da Amazônia

    Bacaba: conheça a pérola roxa da Amazônia

    A bacaba (Oenocarpus bacaba), conhecida como “pérola roxa da Amazônia”, está conquistando espaço no cenário nacional como uma das mais promissoras superfrutas brasileiras.

    Esta palmeira nativa, que pode atingir até 20 metros de altura, distribui-se por toda a Bacia Amazônica, sendo encontrada com maior frequência no Amazonas, Pará, Acre, Tocantins e sul do Maranhão, além de regiões da Colômbia.

    A bacaba destaca-se por sua extraordinária composição nutricional. Rica em antioxidantes, especialmente antocianinas responsáveis por sua coloração roxa característica, a fruta oferece proteção celular contra os danos causados pelos radicais livres. Seu perfil nutricional inclui altas concentrações de vitaminas A e C, complexo B, além de minerais essenciais como ferro, cálcio e potássio.

    O que torna a bacaba ainda mais especial é sua composição lipídica: cerca de 25% do fruto corresponde a um óleo rico em ácidos graxos benéficos, que contribuem para a produção do colesterol bom (HDL) e redução do colesterol ruim (LDL). As fibras alimentares presentes na polpa auxiliam na regulação do funcionamento intestinal, enquanto os carotenoides e flavonoides oferecem proteção antioxidante adicional.

    Benefícios comprovados para a saúde

    Os estudos nutricionais apontam diversos benefícios do consumo regular da bacaba. A presença de ácidos fenólicos e flavonoides contribui para a saúde cardiovascular, ajudando na prevenção de doenças do coração. As fibras promovem o bom funcionamento do sistema digestivo, enquanto a alta concentração de antioxidantes combate o envelhecimento precoce das células.

    Vista geral de algumas plantas de bacabeiras instaladas no Campo Experimental de Mazagão da Embrapa Amapá. Foto: Gilberto Ken-Iti Yokomizo/Embrapa

    A fruta também se destaca como fonte de energia saudável, oferecendo calorias de alta qualidade através de seus ácidos graxos essenciais, diferentemente de outras fontes calóricas menos nutritivas. Profissionais da saúde enfatizam que, embora os benefícios sejam promissores, o consumo deve fazer parte de uma dieta equilibrada e a orientação médica é sempre recomendada.

    Versatilidade culinária e cultural

    Na culinária amazônica, as pessoas consomem a bacaba tradicionalmente como bebida refrescante, parecida com o açaí. A polpa, branco-amarelada por dentro e roxa por fora, entra no preparo de sucos, vitaminas, sorvetes, picolés e outros doces regionais. O óleo da fruta, de sabor adocicado característico, também serve para receitas culinárias e aplicações cosméticas.

    A versatilidade da bacaba vai além do consumo alimentar. As comunidades ribeirinhas tradicionalmente utilizam suas folhas e fibras para revestimento de casas e confecção de artesanatos. A madeira da palmeira é aproveitada na construção civil e fabricação de arcos. Portanto, demonstrando o aproveitamento integral da espécie.

    Desafios do cultivo e potencial comercial

    O cultivo da bacaba apresenta características específicas que influenciam sua produção comercial. A propagação ocorre exclusivamente por sementes, que devem ser colhidas de frutos maduros e plantadas rapidamente para manter a viabilidade germinativa. A palmeira prefere solos bem drenados, adaptando-se tanto a terrenos arenosos quanto argilosos, desde que haja boa drenagem.

    Diferentemente de outras palmeiras amazônicas como o açaí, a bacabeira não forma populações homogêneas, encontrando-se naturalmente dispersa pela floresta. Em áreas de capoeira, pode-se encontrar de 20 a 50 palmeiras por hectare, o que representa tanto uma limitação quanto uma oportunidade para o manejo sustentável.

    A espécie demonstra resistência ao fogo e capacidade de crescimento em áreas mais abertas, características que facilitam seu cultivo em sistemas agroflorestais. No entanto, a produção comercial ainda enfrenta desafios relacionados à padronização do plantio e ao desenvolvimento de técnicas de manejo mais eficientes.

    Mercado em expansão

    O mercado da bacaba vem apresentando crescimento gradual, impulsionado pelo interesse crescente em superalimentos e produtos naturais amazônicos. A extração e comercialização dos frutos geram renda importante para muitas famílias ribeirinhas, representando uma fonte de economia local sustentável.

    Atualmente, a comercialização concentra-se principalmente no mercado regional, mas há crescente interesse de indústrias alimentícias e de suplementos nutricionais em escala nacional. O fruto é processado na forma de polpa congelada, pós desidratados e óleos, produtos que facilitam o transporte e ampliam as possibilidades de uso industrial.

    A cadeia produtiva da bacaba ainda é relativamente curta, caracterizada pela coleta em pequenas quantidades durante o período de safra. Este cenário representa uma oportunidade de desenvolvimento para a estruturação de uma cadeia mais organizada e eficiente.

    Sustentabilidade e conservação

    A exploração da bacaba representa um modelo interessante de uso sustentável dos recursos amazônicos. Por ser uma espécie nativa que não requer desmatamento para seu cultivo, contribui para a manutenção da cobertura florestal enquanto gera renda para as comunidades locais.

    A bacaba, bacaba-açu ou bacaba-verdadeira (Oenocarpus bacaba) é uma palmeira nativa da Amazônia. Distribui-se por toda Bacia Amazônica, com maior freqüência no Amazonas, Pará, Acre, Tocantins e no sul do Maranhão. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Especialistas apontam que o desenvolvimento da cadeia produtiva da bacaba deve priorizar práticas de manejo sustentável que garantam a regeneração natural das populações selvagens. O estabelecimento de plantios comerciais em áreas já alteradas pode complementar a coleta extrativista sem pressionar os ecossistemas naturais.

    Futuro promissor

    O futuro da bacaba no mercado nacional e internacional parece promissor. Com o crescente interesse em alimentos funcionais e produtos amazônicos sustentáveis, a fruta possui potencial para se tornar um importante produto de exportação brasileiro.

    Investimentos em pesquisa para desenvolvimento de técnicas de cultivo, melhoramento genético e processamento industrial são fundamentais para consolidar a bacaba como uma cultura comercial viável. A parceria entre instituições de pesquisa, produtores locais e indústria alimentícia será crucial para superar os desafios técnicos e expandir o mercado.

    A bacaba representa não apenas uma oportunidade econômica, mas também um símbolo da riqueza da biodiversidade amazônica e do potencial dos produtos florestais não madeireiros para o desenvolvimento sustentável da região. Sua trajetória do extrativismo tradicional para a produção comercial organizada pode servir como modelo para outras espécies nativas com potencial econômico similar.

  • Brasil se consolida como quinto maior exportador mundial de limão

    Brasil se consolida como quinto maior exportador mundial de limão

    O Brasil alcançou a quinta posição mundial na exportação de limão. O país exportou 106,7 mil toneladas da fruta no primeiro semestre de 2024, um recorde que representa crescimento de 18,17% comparado ao mesmo período do ano anterior.

    O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) destaca a crescente relevância do Brasil no comércio internacional de limão. O país agora compete diretamente com grandes exportadores como México (líder mundial), Turquia, África do Sul e Egito.

    O limão brasileiro conquistou reconhecimento especial no Reino Unido. O produto se tornou referência em qualidade, tamanho e sabor, segundo dados do setor. A Holanda mantém a posição de maior importador do limão brasileiro, com ampla margem sobre outros países.

    A variedade Tahiti domina a produção nacional com 97% do total. Pequenos e médios agricultores, que possuem menos de 25 hectares, impulsionam essa produção. O limão Tahiti é uma fruta híbrida criada pelo enxerto de limão persa com limão amargo. Essa característica explica sua natureza sem sementes.

    Características únicas do limão Tahiti

    O limão Tahiti se caracteriza pelo tamanho grande e casca verde espessa. Sua principal qualidade é manter a casca verde vibrante durante toda a vida útil. Essa característica é altamente valorizada nos mercados globais, já que o amarelamento reduz significativamente o apelo ao consumidor.

    A produção brasileira de limão cresceu 47% nos últimos dez anos, alcançando 1,72 milhão de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Limão se consolida como terceira fruta mais exportada

    “O limão hoje é a terceira fruta mais exportada do Brasil, ficando atrás da manga e do melão”, afirma Luiz Eduardo Raffaelli, diretor institucional da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

    O executivo explica que existem subvariedades do limão Tahiti: quebra galho, ponta firme e peruano. Diferentes porta-enxertos como Fly Dragon e Citromelo ampliam as opções. “Todos permanecem dentro da família Citrus Latifolia, que é o limão Tahiti”, detalha Raffaelli.

    Atualmente, 85% das exportações de limão seguem para a União Europeia e Reino Unido. Os 15% restantes abastecem a América do Sul. O mercado interno consome 70% da produção, enquanto 30% vai para exportação.

    Crescimento em volume mantém setor otimista

    “As exportações de limão brasileiro crescem ano a ano em volume”, destaca Raffaelli. “Os preços se mantêm estáveis por quilo, então crescemos em volume, não em valorização do produto”, explica o diretor.

    A cadeia do limão gera impacto social significativo. O cultivo emprega principalmente pequenos produtores agrícolas, ocupando muita mão de obra. São Paulo, principal produtor brasileiro, registra 150 mil empregos diretos ligados à cadeia do limão.

    O setor enfrenta desafios importantes. “A questão de mão de obra é nosso grande desafio”, aponta Raffaelli. “As questões climáticas ocupam segundo lugar, seguidas por problemas fitossanitários e logísticos”, complementa.

    Para superar obstáculos, investimentos constantes em tecnologia continuam. “Fazemos novos investimentos em variedades e técnicas ano a ano”, relata o diretor. “Trabalhamos para aumentar a produtividade por hectare dos pomares brasileiros com resultados positivos.”

    Tecnologia garante qualidade em São Paulo

    Em Taquaritinga, interior paulista, a tecnologia desempenha papel decisivo. Máquinas modernas analisam cada limão, verificando aparência, peso e possíveis defeitos internos. Esse processo garante qualidade para consumidores cada vez mais exigentes.

    O produtor Marco Antônio dos Santos cultiva 25 mil pés de limão. Ele mantém produção ao longo de todo o ano com irrigação, podas e cuidados constantes contra pragas. “O limão tahiti brasileiro é o melhor do mundo”, afirma Santos, destacando que a fruta precisa de sol e água na medida certa.

    As perspectivas futuras são otimistas com a abertura de novos mercados. “Tivemos este ano a abertura do mercado da Índia para o limão brasileiro”, revela Raffaelli. “Estamos em tratativas para abertura do mercado chinês.”

    Esses novos mercados asiáticos representam alto potencial de crescimento. “Isso representará um vasto mercado”, projeta o diretor. “Teremos bons momentos de expansão de áreas plantadas, aumento de emprego e distribuição de renda entre pequenos produtores brasileiros.”

    O limão brasileiro se consolida como símbolo de resistência no campo. Uma fruta simples que move indústrias, sustenta famílias e representa a força da agricultura nacional.

  • Safra de maracujá em SC cresce 26% e alcança 56,8 mil toneladas

    Safra de maracujá em SC cresce 26% e alcança 56,8 mil toneladas

    A safra catarinense de maracujá 2024/2025 registrou uma produção de 56,8 mil toneladas. O número representa um crescimento expressivo de 26,2% em relação à safra anterior, que foi de 45 mil toneladas. A produtividade média dos pomares também subiu, atingindo 28,4 toneladas por hectare.

    O levantamento é da Epagri, realizado em parceria com atacadistas e a Cooperja no Sul do Estado, região que concentra a maior parte da produção.

    O resultado é ainda mais significativo pois superou os efeitos da estiagem provocada pelo La Niña. O fenômeno climático causou escassez de chuva e temperaturas excessivas em janeiro, período crítico para a florada do maracujazeiro-azedo.

    Tecnologia e boas práticas impulsionam a produtividade

    Especialistas atribuem o salto de produtividade a avanços tecnológicos. O engenheiro-agrônomo Diego Adílio da Silva, da Epagri, destaca o programa Mudas Seguras de Maracujá. A iniciativa já elaborou 67 projetos e investiu mais de R$ 1,3 milhão em mudas avançadas e de alta qualidade.

    Outros fatores cruciais foram:

    • O vazio sanitário.
    • O manejo eficiente da adubação.
    • O controle de pragas.
    • O uso da cultivar SCS437 Catarina, desenvolvida pela Epagri e adaptada ao clima do estado.

    Investimento e importância econômica

    A fruta movimentou um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 135 milhões na economia catarinense. Os preços médios pagos aos produtores variaram entre R$ 2,30 e R$ 2,50 por quilo.

    Para mitigar os efeitos da seca, o programa Água para Todos viabilizou 93 propostas de crédito para irrigação. A ação resultou em 127 hectares de pomares irrigados entre 2024 e 2025.

    Santa Catarina é o terceiro maior produtor de maracujá do país, atrás apenas da Bahia e do Ceará. A cultura sustenta mil famílias em mais de 2 mil hectares plantados, com 90% da produção localizada na região Sul.

  • Dekopon: conheça a tangerina gigante japonesa

    Dekopon: conheça a tangerina gigante japonesa

    Uma mexerica de 894 gramas chamou atenção em uma frutaria de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Evaldo Kipper, proprietário do estabelecimento, encontrou pela segunda vez um exemplar gigante da variedade dekopon. Na primeira ocasião, a fruta atingiu impressionantes 998 gramas.

    “Quando estava fazendo a separação para expor nas prateleiras, ela me impressionou”, conta Kipper. O empresário decidiu gravar um vídeo que viralizou nas redes sociais. O conteúdo alcançou quase 1 milhão de visualizações em poucos dias.

    A repercussão trouxe clientes de outras cidades. Consumidores do Paraná, Santa Catarina e até do Nordeste procuraram a frutaria. “As pessoas não vinham só para ver. Elas queriam comprar e experimentar”, relata o comerciante.

    Características únicas da dekopon atraem consumidores

    A dekopon surgiu em 1972 no Japão, resultado do cruzamento entre tangerina ponkan e targor kiyomi. O híbrido combina tangerina com laranja doce, resultando em fruta grande e sem sementes.

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    A variedade apresenta diferenças marcantes em relação às mexericas comuns:

    Características físicas:
    • Casca grossa e rugosa que se desprende facilmente
    • Gomos grandes que se separam com facilidade
    • Pedúnculo volumoso (conexão com a planta)
    • Cor laranja intensa
    • Peso médio entre 400 e 650 gramas
    Características gustativas:
    • Ausência total de sementes
    • Sabor adocicado com leve acidez
    • Volume de suco corresponde a 50% do peso
    • Polpa suculenta e aromática

    A dekopon chegou ao Brasil com a imigração japonesa. Seu cultivo foi implantado pelos imigrantes e descendentes japoneses. Hoje, a produção nacional se concentra na região Sudeste.

    Luana Aparecida Castilho Maro, pesquisadora da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), explica o sucesso da variedade. “Vem sendo cultivada com sucesso em colônias do interior paulista. Pilar do Sul se destaca pelo volume de produção”.

    A pesquisadora destaca que a fruta se adapta bem ao clima tropical, principalmente em regiões montanhosas de Minas Gerais.

    Época ideal de colheita determina qualidade

    No Rio Grande do Sul, a maturação da dekopon ocorre de abril a julho. A primeira etapa da safra produz frutos maiores e mais bonitos. “Na segunda colheita, o tamanho já diminui”, observa Kipper.

    A acidez representa um fator crucial para a comercialização. “A acidez da dekopon é maior que outras variedades. Isso pode limitar a comercialização se não for colhida na época certa”, alerta a especialista da Epagri. No estágio correto de maturação, apresenta equilíbrio ideal entre açúcar e acidez.

    O valor da dekopon não acompanha o tamanho diferenciado. Na frutaria gaúcha, o quilo varia entre R$ 4,99 e R$ 5,99. No início da safra, o preço pode cair para R$ 3,99 devido à maior oferta.

    A distância entre produção e venda influencia diretamente o preço final. “Recebi mensagens de consumidores que encontraram por R$ 30 em outras regiões. Como compramos aqui do lado, em São José do Hortêncio, fica mais barato”, explica Kipper.

    Cultivo requer técnica específica

    A ausência de sementes torna necessária a propagação por enxertia. As mudas enxertadas são mais resistentes a doenças e pragas, facilitando o cultivo. A produção inicia já no primeiro ano após o plantio.

    As mudas tradicionais podem levar até cinco anos para dar os primeiros frutos, enquanto as enxertadas aceleram significativamente o processo produtivo.

    A técnica de borbulhia (enxertia por borbulha) garante características específicas da variedade. Isso inclui sabor doce, ausência de sementes e facilidade para descascar.

    A viralização do vídeo demonstra o potencial comercial da dekopon no mercado brasileiro. A curiosidade dos consumidores, aliada às características diferenciadas da fruta, pode impulsionar novos cultivos.

    A experiência bem-sucedida nas colônias japonesas do interior paulista serve como modelo. O clima tropical favorável e a adaptação da variedade abrem perspectivas para expansão do cultivo em outras regiões do país.

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    Laranjinha-do-mato: uma joia da biodiversidade ameaçada pelo desconhecimento

    Enquanto o Brasil exporta frutas como açaí e cupuaçu, outras espécies nativas permanecem no anonimato, apesar de seu potencial nutricional e ecológico. É o caso da laranjinha-do-mato (Eugenia speciosa), uma pequena fruta da Mata Atlântica que combina sabor peculiar, importância ambiental e riscos de desaparecer antes mesmo de ser descoberta pelo grande público.

    A laranjinha-do-mato é uma árvore ou arbusto da família Myrtaceae, a mesma da pitanga e da goiabeira. Seu porte varia de 1 a 20 metros, dependendo do ambiente: em restingas, surge como arbusto baixo; em florestas, alcança copas altas. Seus frutos, de 1,5 a 2,5 cm de diâmetro, têm casca alaranjada e polpa suculenta, com sabor que mistura notas de pitanga e laranja — daí o nome popular.

    Nativa da Mata Atlântica, ocorre desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, mas enfrenta ameaças como o desmatamento e a fragmentação de habitats. Apesar disso, não consta em listas oficiais de espécies ameaçadas, o que pode mascarar seu risco real.

    Ecologia e usos sustentáveis

    A espécie é chave para a restauração ambiental: seus frutos atraem aves, que dispersam as sementes (zoocoria), e suas flores brancas, que surgem entre agosto e novembro, alimentam abelhas, tornando-a uma planta melífera. Além disso, é resistente a geadas e adapta-se a solos pobres, sendo ideal para reflorestamento e paisagismo urbano.

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    Para comunidades locais, a laranjinha-do-mato oferece múltiplos usos:

    • Alimentação: consumida in natura ou em geleias e sucos, sua polpa é rica em vitamina C e antioxidantes, embora estudos detalhados sobre sua composição nutricional ainda sejam escassos.
    • Madeira: utilizada na confecção de cabos de ferramentas e como lenha.

    A falta de pesquisas científicas aprofundadas é um obstáculo. Enquanto frutas como açaí e jabuticaba ganham destaque internacional, a laranjinha-do-mato permanece à margem, mesmo com seu potencial para prevenir doenças crônicas — algo já comprovado em outras frutas nativas, como açaí e buriti, que modulam a microbiota intestinal e reduzem inflamações.

    Iniciativas de cultivo são promissoras: viveiros como o Safari Garden e a Fábrica das Árvores comercializam mudas por cerca de R$ 50, com produção prevista a partir de dois anos de plantio. Já projetos como o do Coletivo em Folhas incentivam a troca de sementes para preservação.

    Um chamado à ação

    A laranjinha-do-mato simboliza o paradoxo da biodiversidade brasileira: riqueza ignorada. Especialistas defendem que sua conservação exige:

    • Inclusão em políticas públicas de reflorestamento.
    • Estudos nutricionais para valorizar seu consumo.
    • Divulgação em feiras e mercados locais.

    Como lembra o biólogo Vitor Lauro Zanelatto, da Apremavi, “espécies como essa são tesouros que podem sumir antes mesmo de serem conhecidas”. Enquanto isso, sua sobrevivência depende de olhares atentos — e do paladar curioso de quem se aventurar a provar suas “mini-laranjas” silvestres.

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