Apesar do retorno das chuvas em janeiro, o clima ainda preocupa a citricultura brasileira, segundo análises do Cepea. De acordo com o Centro de Pesquisas, o clima pode afetar o desenvolvimento da safra 2026/27 em diferentes regiões produtoras.
Calor provoca queda de frutos
Em algumas áreas, as altas temperaturas provocaram queda de frutos em vários estágios de desenvolvimento.
Além disso, a entrada recente de uma frente fria trouxe ventos e ampliou a variação térmica. Esse cenário, portanto, também pode prejudicar o desenvolvimento das plantas ao longo do ciclo produtivo.
Segundo agentes consultados pelo Cepea, ainda é cedo para projeções mais precisas sobre a safra. No entanto, o clima permanece como o principal fator de incerteza para o setor citrícola.
Mercado reage ao aumento da demanda
No mercado, o calor elevou a demanda por laranja de mesa em várias regiões. Em alguns momentos, os vendedores tiveram dificuldade para atender aos pedidos. Frutas com boa qualidade, bom tamanho e ratio adequado, portanto, alcançaram preços mais elevados.
A Ceasa/MS (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul) tem se consolidado como referência regional na comercialização de hortifrutis premium. Em 2025, o entreposto recebeu produtos de diferentes estados brasileiros e de países como Argentina, Chile, Uruguai, Estados Unidos e Egito. A operação envolve uma logística rigorosa, que assegura a chegada das frutas em perfeito estado até a mesa do consumidor.
Os cuidados começam ainda no campo. Desde a colheita, produtores adotam padrões técnicos de manejo e embalagem para evitar danos mecânicos e preservar a qualidade nutricional. No transporte, caminhões refrigerados mantêm temperaturas controladas, garantindo a integridade das cargas durante longas viagens até Campo Grande.
Tecnologia e refrigeração preservam qualidade
Dentro da Ceasa/MS, empresas investem em câmaras frias de grande porte para armazenar frutas, verduras e legumes em condições ideais. No pavilhão 10, inaugurado em 2025, ficam instaladas companhias como Casa do Morango, Horti Van e Top Morena, responsáveis por algumas das maiores estruturas climatizadas do entreposto. Cada empresa destina cerca de metade da área às câmaras frias, que podem alcançar até 20 metros de altura e comportar até 150 toneladas de produtos.
A Horti Van se destaca pela oferta de frutas premium — itens com coloração intensa, formato uniforme, ausência de manchas e sabor acentuado. Entre as mais procuradas está a uva sem sementes Pingo de Mel, cultivada em Petrolina (PE), a cerca de 2,5 mil quilômetros de Campo Grande. As frutas chegam à Ceasa/MS com código de barras que identifica produtor, variedade, procedência e data de envio.
Frutas premium ganham espaço no mercado
Segundo o gerente comercial da Horti Van, Humberto Firmino, a classificação dos produtos segue padrões internacionais. “A categoria premium representa um nível de qualidade superior, com frutas refrigeradas, embaladas e rastreadas, garantindo segurança e frescor até a entrega final”, explica.
Foto: Ceasa/MS Divulgação
Além das uvas, a empresa comercializa maçãs Gala, Pink e Red importadas da Argentina e do Chile, melões do Rio Grande do Norte e mangas Tommy de Juazeiro (BA). Todos permanecem sob refrigeração entre 4 °C e 14 °C, conforme a necessidade de cada produto. “Nossas câmaras frias têm capacidade total de 300 mil quilos”, destaca Firmino.
Outra fruta que chama atenção é a pera asiática Singo Pear. Cada unidade chega embalada individualmente, protegida por pequenas pétalas de isopor e mantida em baixas temperaturas para conservar textura e sabor.
O Brasil vendeu 19,1% mais frutas em volume para a Europa em 2025 na comparação com o ano anterior. A receita com essas exportações cresceu 12,8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que os blocos devem assinar no sábado (17), no Paraguai, promete acelerar ainda mais esses números.
O tratado, negociado há pelo menos 25 anos, vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens agrícolas e alimentos frescos.
“O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.
Europa concentra 79% das frutas exportadas pelo Brasil
A União Europeia recebeu 79% das frutas que o Brasil exportou em 2025. Atualmente, produtores brasileiros pagam tarifas que variam entre 4% e 14% para vender no bloco europeu. O acordo vai reduzir e extinguir essas cobranças, o que amplia a abertura aos produtos nacionais.
“Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, diz a executiva da Ascenza Brasil.
No total, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, comparado a 2024, segundo o Midic.
Faturamento pode chegar a US$ 1,8 bilhão até 2029
A Apex estima que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, com receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.
Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão lideraram as exportações para a Europa no ano passado. Essas seis frutas geraram receita de US$ 967 milhões, contra US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 949 mil toneladas dessas frutas para a Europa em 2025 e 796,6 mil toneladas em 2024.
Melão e manga lideram; melancia tem melhor desempenho
Agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) para o continente europeu no ano passado. Essas frutas registraram os melhores resultados em valor absoluto.
Foto: Divulgação – Isla Sementes
A melancia, no entanto, teve o melhor desempenho relativo em 2025. As exportações cresceram 44,3% em volume (de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas em 2025) e 60,5% em receita (de US$ 68,4 milhões para US$ 109,9 milhões).
Café valoriza em receita, mas recua em volume
O café, outro importante produto agrícola que o Brasil exporta para a Europa, registrou alta de 34,2% em receita: de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. No entanto, o volume exportado caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado.
Assim, a expectativa para 2026 é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa mantém-se como mercado-chave do café brasileiro, com Alemanha e Itália entre os principais importadores.
Como o acordo vai reduzir tarifas
Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada assim que o acordo entrar em vigor. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de sete anos. Mamão e manga já têm tarifas zeradas na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem da importação dessas frutas do Brasil.
“Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul-União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.
Os principais concorrentes do Brasil nos envios à União Europeia, como Peru, Chile e México, já exportam frutas sem pagar tarifas. O acordo torna-se, portanto, fundamental para nivelar as condições de competição e permitir que produtores brasileiros disputem o mercado europeu em igualdade de condições.
O verão impulsiona o consumo de frutas frescas no Rio Grande do Sul. Agricultores familiares assistidos pela Emater/RS-Ascar cultivam melancia, morango, abacaxi, uva, pêssego e outras variedades que abastecem feiras e mercados em todo o Estado. Os consumidores buscam essas frutas in natura, em sucos, sobremesas e smoothies durante a temporada de calor, que se estende até 20 de março.
“O Rio Grande do Sul produz uma diversidade de frutas que colorem as mesas e o dia a dia de quem produz, mas também dos consumidores”, destaca Luis Bohn, gerente técnico estadual e diretor técnico em exercício da Emater/RS-Ascar. Ele observa aumento na procura durante o verão, especialmente nas feiras realizadas em quase todos os municípios gaúchos, com destaque para o Litoral.
Clima desafia produtores e beneficia culturas específicas
As temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar prejudicaram algumas culturas, como melancia e melão, mas beneficiaram as videiras, o abacaxi e o morango, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. Bohn ressalta que a irrigação se tornou fundamental para os produtores enfrentarem períodos de seca.
“A irrigação nesse momento, em especial para a viticultura ou mesmo as melancias e melões, é fundamental, pela necessidade fisiológica dessas frutíferas, pois permite que as frutas se desenvolvam a um tamanho de boa aparência”, avalia o diretor técnico.
Abacaxi de Terra de Areia conquista pelo sabor único
Terra de Areia, município tradicional na produção de abacaxi no Litoral gaúcho, cultiva a fruta em 360 hectares com 120 famílias. A variedade Pérola se diferencia pelo sabor sempre doce, resultado de uma característica especial: os produtores colhem o abacaxi bem maduro.
“O abacaxi é uma fruta não climatéria, ou seja, colhemos ele bem maduro. Depois de desconectado da planta-mãe, ele pode mudar de cor, mas não acrescenta mais açúcares”, explica o extensionista Wolnei Marcio Fenner. Essa particularidade impede o transporte de longa distância, diferentemente do abacaxi de outros estados, colhido verde e com sabor inferior.
A safra 2025/2026 prevê colheita de 7,5 milhões de frutos. “O clima neste ano tem sido muito favorável. Quem comprar não vai se arrepender”, garante Fenner.
Morango gaúcho atinge pico de qualidade
O Rio Grande do Sul cultiva morango em 588 hectares com 2.631 famílias de agricultores. O Levantamento Frutícola de 2025 da Emater/RS-Ascar identifica a Serra, o Vale do Caí e Pelotas como principais regiões produtoras.
No Vale do Caí e em Pelotas, os produtores comercializam morango entre outubro e dezembro. Na Serra, o auge ocorre do final de dezembro até fevereiro. As cultivares de dias neutros, como San Andrés e Álbio, ocupam maior área, enquanto as variedades de dias curtos — Fênix, Fronteiras e Caminho Real — se destacam pela precocidade.
“As frutas deste ano estão com ótima qualidade, demonstrando uma excelente safra, com colaboração do clima”, destaca o extensionista Thompsson Benhur Didoné. Ele menciona pequeno atraso no início da safra devido a fortes geadas, mas a produção se recuperou completamente.
Em Pelotas, a cultura mantém plena produção com frutos de excelente qualidade, calibre, coloração e sabor. Bom Princípio, conhecido como Terra do Moranguinho, celebra anualmente a Festa Nacional do Moranguinho em setembro e mantém colheita com boa qualidade e demanda satisfatória.
Melancia amplia área cultivada no Estado
A colheita de melancia atinge o auge no Rio Grande do Sul. Os bons preços na safra anterior motivaram produtores da região de Pelotas a aumentar a área plantada. Na região de Soledade, municípios como Rio Pardo, General Câmara e Encruzilhada do Sul intensificam a colheita em área estimada de 1.800 hectares.
Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar
São Jerônimo concentra 60 produtores que cultivam 800 hectares de melancia, com expectativa de produtividade de 35 toneladas por hectare. “Porém a falta de chuvas afeta algumas lavouras que não têm sistema de irrigação”, ressalta o extensionista Marcelo da Silva Fortes. Ele também atende 35 produtores em Arroio dos Ratos, onde cultivam 350 hectares.
As variedades Manchester, Braba, Karistan, Top Gun e Talismã dominam a produção nos dois municípios, basicamente através do sistema convencional com aração e gradagem.
Irrigação multiplica produtividade por cinco
Fortes identifica tendência de aumento da área cultivada com melancia em plantio consorciado com florestas de acácia-negra e eucalipto, fomentadas por empresas florestais. Alguns produtores de soja migraram para a melancia devido à descapitalização, atraídos pela rentabilidade em área menor.
O uso de tecnologias como irrigação por aspersão e fertirrigação por gotejamento aumenta significativamente a produtividade. Atualmente, os produtores irrigam 60% das áreas de melancia em São Jerônimo e Arroio dos Ratos. “Temos exemplos bem claros das vantagens de irrigar, com um produtor produzindo 15 toneladas por hectare e outro, do outro lado da estrada, produzindo 75 toneladas por hectare”, compara Fortes.
Os produtores também adotam outras técnicas, como protetor solar à base de caulim, que evita queimaduras e escaldaduras nas frutas. “Hoje o pessoal é adepto e já inclui o protetor solar no seu orçamento”, afirma. Ele desmistifica a mancha branca na casca: “Não é veneno. É efeito do protetor solar, à base de caulim, uma rocha, sendo, portanto, um produto natural”.
“O Rio Grande do Sul tem a fruticultura como uma de suas vocações produtivas, uma das suas grandes tradições, com característica a produção dentro de uma diversidade, diante do clima que temos nas regiões. A safra de verão de 2026 está ofertando frutas com sensacional aparência, qualidade e sabor”, conclui Bohn.
O maracujá conquista nutricionistas e consumidores com uma característica rara entre as frutas: seu teor elevado de proteína. Uma porção da fruta entrega aproximadamente 5g de proteína, valor que se aproxima dos 6g fornecidos por um ovo médio. Essa concentração surpreende, já que frutas raramente aparecem como fontes significativas desse macronutriente.
A descoberta transforma o maracujá em uma alternativa valiosa para quem busca aumentar a ingestão de proteína vegetal na dieta. Vegetarianos, veganos e pessoas interessadas em diversificar suas fontes proteicas encontram na fruta tropical uma opção nutritiva e acessível.
Riqueza nutricional vai muito além da proteína
O maracujá concentra benefícios que vão além do conteúdo proteico. A fruta oferece abundância em fibras alimentares, que auxiliam o funcionamento intestinal e prolongam a sensação de saciedade. Seu perfil antioxidante protege as células contra danos oxidativos, enquanto vitaminas essenciais fortalecem o organismo.
O betacaroteno, precursor da vitamina A, atua na saúde ocular e na integridade da pele. A vitamina C, presente em quantidades expressivas, fortalece o sistema imunológico e participa da síntese de colágeno. Esses nutrientes trabalham em conjunto para promover bem-estar e vitalidade.
Propriedades calmantes atraem atenção crescente
As reconhecidas propriedades calmantes do maracujá consolidam sua reputação como alimento funcional. Compostos bioativos presentes na fruta, especialmente na polpa e nas folhas, demonstram efeitos ansiolíticos e sedativos suaves. Estudos científicos investigam a passiflorina e outros alcaloides que podem modular a atividade do sistema nervoso.
Consumidores modernos, pressionados por rotinas estressantes, procuram alternativas naturais para promover relaxamento. O maracujá atende essa demanda sem os efeitos colaterais associados a medicamentos sintéticos. Sucos, chás e extratos da fruta ganham espaço nas prateleiras de produtos naturais.
Brasil domina produção mundial de maracujá
O Brasil se posiciona como maior produtor mundial de maracujá, colhendo mais de 700 mil toneladas anuais. A produção nacional concentra-se principalmente no Nordeste, onde estados como Bahia, Ceará e Pernambuco lideram o cultivo. O clima tropical e as condições de solo favorecem o desenvolvimento das diversas variedades da fruta.
O maracujá-azedo (Passiflora edulis) representa a maior parte da produção comercial brasileira. Agricultores familiares e grandes produtores cultivam a fruta para atender o mercado interno e exportações crescentes. A cadeia produtiva gera empregos e movimenta a economia regional, especialmente em áreas rurais.
Mercado nacional e exportações em expansão
O mercado brasileiro de maracujá movimenta cifras expressivas, com consumo tanto in natura quanto processado. A indústria transforma a fruta em sucos, polpas congeladas, doces, geleias e sorvetes. Produtos derivados do maracujá conquistam consumidores que valorizam sabores tropicais autênticos.
As exportações brasileiras de maracujá e seus derivados crescem anualmente, com destinos principais na Europa e América do Norte. Países importadores apreciam a qualidade da fruta brasileira e sua versatilidade culinária. O mercado internacional reconhece o Brasil como fornecedor confiável de maracujá premium.
Desafios da produção e oportunidades de crescimento
Produtores enfrentam desafios como pragas, doenças e oscilações climáticas que afetam a produtividade. A fusariose e o vírus do endurecimento dos frutos representam ameaças significativas aos pomares. Pesquisadores desenvolvem variedades resistentes e técnicas de manejo integrado para minimizar perdas.
Oportunidades surgem com a demanda crescente por alimentos funcionais e superalimentos. O marketing em torno dos benefícios nutricionais do maracujá impulsiona vendas em mercados sofisticados. Produtores que investem em certificações orgânicas e práticas sustentáveis conseguem preços premium.
Versatilidade culinária amplia consumo
A gastronomia explora o maracujá em preparações doces e salgadas. Chefs criam mousses, tortas, pavês e drinks que destacam o sabor ácido característico da fruta. Cozinhas contemporâneas incorporam o maracujá em molhos para carnes, marinadas e reduções que agregam complexidade aos pratos.
Foto: Gabriel Faria/Embrapa
O uso do maracujá em receitas funcionais cresce entre nutricionistas e influenciadores digitais. Smoothies proteicos combinam a fruta com outras fontes vegetais para maximizar o aporte nutricional. Essa versatilidade mantém o maracujá relevante em diferentes contextos alimentares.
Sustentabilidade e aproveitamento integral
Iniciativas sustentáveis promovem o aproveitamento integral do maracujá, incluindo cascas e sementes. A casca, rica em pectina, serve como ingrediente para produtos funcionais voltados ao controle glicêmico. Pesquisadores estudam aplicações industriais para subprodutos que tradicionalmente viravam descarte.
Pequenos produtores adotam sistemas agroflorestais que integram maracujazeiros com outras culturas. Essas práticas melhoram a resiliência dos sistemas produtivos e reduzem a dependência de insumos externos. A produção sustentável de maracujá alinha-se com expectativas crescentes de consumidores conscientes.
O futuro do maracujá no Brasil e no mundo parece promissor. A fruta combina apelo nutricional, sabor único e versatilidade que atendem tendências contemporâneas de alimentação. Investimentos em pesquisa, melhoramento genético e marketing devem ampliar ainda mais o alcance do maracujá.
A revelação sobre seu conteúdo proteico posiciona o maracujá como protagonista em dietas baseadas em plantas. Consumidores descobrem que podem obter nutrição completa de fontes tropicais e saborosas. O maracujá se estabelece não apenas como fruta, mas como alimento estratégico para a nutrição moderna.
O Circuito Frutificaminas, promovido pela Emater-MG, fechou o ano de 2025 com resultados expressivos. Ao longo de 12 meses, foram realizadas 17 etapas regionais e uma série de eventos técnicos voltados ao desenvolvimento da fruticultura, reunindo cerca de 1,5 mil participantes entre produtores rurais, técnicos e demais membros da cadeia produtiva. Além disso, a programação contemplou seis encontros voltados à atualização de extensionistas da empresa, com a participação de 125 profissionais.
Criado em 2010, o Circuito Frutificaminas faz parte de ações da Emater-MG para socialização de tecnologias, troca de experiências e difusão de informações técnicas e de mercado. Em 15 anos de atuação, o programa já contabilizou 139 eventos. E contou com a participação de cerca de 15 mil pessoas e caravanas de mais de 541 municípios mineiros. Portanto, consolidando-se como o maior evento do setor no estado.
Segundo Deny Sanábio, coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, o Circuito tem papel fundamental na qualificação da produção. “O objetivo é levar conhecimento atualizado aos produtores, melhorar a quantidade e a qualidade das frutas produzidas, aumentar a renda no campo e contribuir para a manutenção e geração de empregos”, afirma.
Entre as temáticas abordadas em 2025 estiveram potenciais e desafios da fruticultura, manejo integrado de pragas e doenças, irrigação, comercialização, crédito rural, certificação, segurança alimentar, uso de drones, inovações tecnológicas e culturas específicas, como banana, abacate, goiaba, maracujá, tangerina e frutas vermelhas. Também ganhou destaque o enfrentamento ao greening, doença considerada a principal ameaça à citricultura.
Números da Fruticultura
O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor mundial de frutas, com cerca de 46 milhões de toneladas. O aumento do consumo de frutas in natura e de sucos naturais, observado globalmente, também se faz sentir no Brasil, ampliando a demanda por produtos de qualidade e estimulando investimentos no setor.
Em Minas Gerais, são aproximadamente 146 mil hectares em produção. E mais 13,5 mil hectares em formação, ocupando entre a quarta e a quinta posição no ranking nacional. A safra mineira totaliza cerca de 4 milhões de toneladas por ano.
O valor bruto da produção estadual fica em torno de R$ 5 bilhões, sendo que aproximadamente 38% desse montante provém da agricultura familiar. A atividade gera mais de 500 mil empregos e desempenha um papel estratégico na viabilização econômica das pequenas propriedades rurais.
Apesar das condições favoráveis para a produção de frutas tropicais, subtropicais e temperadas ao longo do ano, Minas Gerais ainda importa frutos que poderiam ser cultivados no estado. Um desafio apontado pelo setor são as perdas no mercado interno. Que podem chegar a até 40% da produção, decorrentes de falhas nos tratos culturais, armazenamento, transporte e falta de informação ao longo da cadeia produtiva.
Para Deny Sanábio, iniciativas como o Circuito Frutificaminas são essenciais para enfrentar esses gargalos. “Não basta apenas explorar as potencialidades naturais. É preciso investir em capacitação, parcerias, políticas públicas e assistência técnica contínua. O Circuito cumpre esse papel ao aproximar produtores, instituições de pesquisa, ensino, órgãos públicos e iniciativa privada, fortalecendo a fruticultura mineira”, ressalta.
A ampliação da oferta de alimentos provocou queda de 2,43% nos preços das frutas, legumes e verduras em novembro, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). O recuo marca uma reversão em relação a outubro, quando os produtos in natura haviam subido 4,18%.
O movimento trouxe alívio para o bolso das famílias paulistas e sinaliza um cenário mais favorável para o fim de ano. No acumulado de 2025, a categoria registra redução de 3,78% nos preços. Um contraste com novembro de 2024, quando a alta foi de 1,20%.
De acordo com Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, a queda está diretamente ligada ao aumento de oferta e à demanda mais fraca no período. “O comportamento dos preços em novembro reflete a disponibilidade maior de produtos e o consumo mais moderado”, explicou.
Entre os in natura, os legumes lideraram a deflação, com queda de 12,4% em novembro. As verduras recuaram 1,78%, e as frutas, 1,86%. “No caso das frutas, há uma tendência de elevação na oferta no quarto trimestre, com destaque para uvas, limões, peras, morangos, melões, mangas e maçãs. Fatores que pressionam os preços para baixo”, acrescentou Queiroz.
Com a melhora na oferta e condições climáticas mais favoráveis, o setor aposta em estabilidade para os preços de alimentos frescos na reta final de 2025.
A Epagri realiza nesta terça-feira, 17 de dezembro, a abertura oficial da colheita do maracujá em Santa Catarina. O evento ocorre na propriedade da família Zizo e Filho, no bairro Vila São José, em São João do Sul, das 8h30 às 13h. A iniciativa é itinerante e destaca uma cidade e uma propriedade produtora diferente a cada ano.
Mais de mil famílias catarinenses trabalham na produção de maracujá, com destaque para a região Sul do Estado. Foto: Aires Mariga
Cerca de 200 participantes, entre produtores, técnicos e convidados, começam o dia com um café da manhã de recepção. Após o café, os visitantes podem conhecer as tecnologias e serviços de 18 expositores. Às 10h15, o consultor e engenheiro-agrônomo Hércules José de Oliveira, formado pela Universidade Federal de Viçosa (MG), ministra uma palestra sobre o mercado de maracujá. O ato simbólico de abertura da colheita está marcado para as 11h15, seguido de um almoço de confraternização.
Estado mantém posição como terceiro maior produtor nacional
Santa Catarina se consolida como o terceiro maior produtor nacional de maracujá. O estado cultiva a fruta em uma área de dois mil hectares, envolvendo mais de mil famílias. A região Sul concentra 90% da produção catarinense, com os municípios de Sombrio e São João do Sul se destacando.
Natan da Rosa Porto, extensionista rural da Epagri em São João do Sul, comenta as expectativas para a safra 2024/2025. “O setor prevê uma colheita em torno de 55 mil toneladas, volume semelhante ao do ano passado. Até agora, não tivemos contratempos climáticos significativos, mas a safra está só começando e precisamos acompanhar”, afirma.
A safra 2023/2024 registrou uma produção de 45 mil toneladas, queda atribuída ao excesso de chuvas no estado. A Epagri apoia a cadeia produtiva através de políticas de crédito, desenvolvimento de tecnologias e orientação sobre sistemas de manejo.
Serviço:
O quê: Abertura Oficial da Colheita do Maracujá em SC
Quando: 17 de dezembro, das 8h30 às 13h
Onde: Propriedade Zizo e Filho, Bairro Vila São José, São João do Sul (SC)
A proximidade do Natal aquece o mercado de frutas especiais em todo o Brasil. Nas bancas das Ceasas, os comerciantes registram aumento de até 50% nas vendas durante dezembro, impulsionado pela busca dos consumidores por produtos frescos e de qualidade para as ceias de fim de ano.
Produtores nacionais abastecem cerca de 90% das frutas vendidas nas centrais de abastecimento, segundo comerciantes da unidade do Distrito Federal. A cereja chilena figura entre as poucas exceções importadas, enquanto uvas, pêssegos, lichias e ameixas chegam às mesas brasileiras direto das lavouras nacionais.
“Hoje não tem mais isso não. A gente encontra frutas o ano todo, muito graças, claro, à tecnologia, à ciência que ajudou a desenvolver variedades para todo o Brasil”, afirma a consumidora Helena Bittar.
O Vale do São Francisco, no Nordeste, exemplifica a transformação tecnológica na fruticultura brasileira. A região produz uvas durante todo o ano, eliminando a dependência das festas de fim de ano para consumir determinadas frutas. Investimentos em pesquisa agrícola e desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima tropical garantem o abastecimento contínuo do mercado.
Paulo Iovino, diretor de empresa que comercializa frutas no atacado e varejo na Ceasa de Brasília, confirma a importância do período natalino. “É o melhor mês do ano, principalmente quando o preço está bom. Se [os preços] do pêssego, banana, uvas, estiverem em conta, sai tudo. É Natal”, afirma.
Expectativa de super safra no Sul
Produtores da região Sul esperam colher uma super safra de frutas de caroço neste ano, especialmente pêssegos e ameixas. O varejo projeta crescimento de 10% no consumo de frutas de época durante este Natal, principalmente das variedades com preços mais acessíveis em comparação a 2024.
A capacitação dos produtores rurais e o domínio de tecnologias agrícolas eliminaram a sazonalidade que limitava o consumo de certas frutas. “Essas categorias, antigamente a gente se encontrava algumas variedades de fruta numa determinada época, né?”, recorda Helena Bittar.
Preços registram alta de 6,7%
Apesar do otimismo entre comerciantes, a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) aponta aumento de 6,7% nos preços das frutas especiais e importadas em relação ao Natal passado. As frutas secas acumulam alta de 6,2% no mesmo período. O abacaxi, por exemplo, chega a custar R$ 10 a unidade, valor que alguns consumidores consideram elevado.
Márcio Milan, vice-presidente da ABRAS, explica que o consumo aumenta naturalmente nesta época. “O consumo de frutas premium tende a aumentar, consolidando o mês de dezembro como o melhor período para o setor”, ressalta. O dirigente atribui o crescimento à renda adicional do 13º salário e ao clima festivo do Natal.
O movimento nas Ceasas confirma a tendência: quando os preços permanecem acessíveis, especialmente de itens tradicionais como pêssego, banana e uvas, as vendas disparam durante todo o mês de dezembro.
Os produtores de pêssego de Pelotas e região projetam colher entre 40 e 45 mil toneladas da fruta até janeiro de 2025. O volume representa um crescimento de até 40% em relação à safra de 2024, quando a região colheu 30 mil toneladas. A abertura oficial da colheita acontece no dia 19 de novembro.
O inverno favorável explica as expectativas positivas dos agricultores. Segundo Adriano Bosenbecker, presidente da Associação dos Produtores de Pêssego de Pelotas, a região registrou uma boa quantidade de “horas de frio”, que é o período com temperaturas iguais ou inferiores a 7,2°C.
“A gente teve um período de frio constante, sem aquelas variações de temperatura, o que ajudou bastante na dormência das plantas e, depois, resultou em uma floração muito bonita e no bom desenvolvimento dos frutos”, afirma Bosenbecker.
Aproximadamente 900 famílias cultivam pêssego em pequenas propriedades rurais na região de Pelotas. A agricultura familiar domina a produção local.
Bosenbecker destaca que a maior propriedade da região colheu menos de 1% de todo o pêssego produzido na última safra. A distribuição equilibrada da produção caracteriza o cultivo na área.
A zona produtora de pêssego engloba municípios vizinhos como Morro Redondo, Canguçu, Capão do Leão, Piratini, Arroio do Padre e Cerrito.
“Temos uma tradição centenária na produção de pêssego. É muito importante para o fomento da economia da zona rural da nossa região. Além de ser a fonte de renda da família que produz, também é a das pessoas que trabalham com isso, aquelas que fazem uma diária, um bico, como a gente costuma falar”, conta o presidente da Associação.
Pelotas lidera produção industrial de pêssego no Brasil
A região de Pelotas concentra o principal polo industrial de pêssego do Brasil. As fábricas se distribuem entre Pelotas, Capão do Leão e Morro Redondo. Os municípios nasceram de antigas divisões territoriais e formam, juntos, um polo industrial único no país.
Os números comprovam o domínio da região no mercado nacional. “Quando tu vai em qualquer supermercado do país e vê uma compota de pêssego, pode ter 95% de certeza que é daqui, porque a cada 100 latas, 95 são produzidas na nossa região”, explica Bosenbecker.
A tradição centenária e a concentração das indústrias locais consolidam Pelotas como referência nacional na produção de pêssego industrializado.