Tag: fertilizantes

  • Guerra no Oriente Médio pode encarecer fertilizantes e combustíveis

    Guerra no Oriente Médio pode encarecer fertilizantes e combustíveis

    A escalada do conflito no Oriente Médio tem acendido um alerta no agronegócio brasileiro. Além das implicações geopolíticas, a instabilidade na região pode pressionar os preços de fertilizantes e combustíveis, dois insumos essenciais para a produção agrícola.

    Fertilizantes

    Um dos principais pontos de preocupação envolve o fornecimento de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. O Brasil depende fortemente das importações desse insumo: em 2025, cerca de 100% da ureia utilizada no país foi adquirida no exterior. Desse total, aproximadamente 41% das cargas passaram pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica no Golfo Pérsico que concentra parte relevante do comércio global de fertilizantes.

    Com o aumento das tensões na região, analistas alertam para possíveis interrupções logísticas e redução da oferta. Caso o conflito se prolongue, a expectativa é de restrições no fornecimento e pressão de alta nos preços do produto no mercado internacional.

    Importância do Oriente Médio

    O Oriente Médio tem papel central no comércio global desses insumos. A região responde por cerca de 41% das exportações mundiais de ureia e por uma parcela significativa da produção de amônia, matérias-primas fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados. Qualquer interrupção na produção ou no transporte desses produtos tende a afetar diretamente os fluxos comerciais e os preços globais.

    O mercado já começa a perceber os efeitos. Levantamentos apontam elevação nas cotações internacionais dos fertilizantes nitrogenados e retirada de ofertas em alguns portos diante das incertezas sobre a disponibilidade do produto e as condições logísticas.

    Combustíveis

    Além dos fertilizantes, o conflito também pode impactar o custo dos combustíveis. A região é uma das principais produtoras de petróleo do mundo, e eventuais restrições na oferta ou no transporte da commodity tendem a pressionar os preços internacionais. Ou seja, a alta do petróleo afeta diretamente o valor do diesel e do frete, elevando os custos de produção e de transporte no agronegócio.

    Diante desse cenário, especialistas avaliam que um conflito prolongado poderia gerar reflexos na próxima temporada agrícola brasileira, especialmente na safra 2026/27, que tem o plantio no segundo semestre. A combinação de fertilizantes mais caros e custos logísticos mais elevados tende a pressionar as margens do produtor rural e pode influenciar os preços dos alimentos ao longo da cadeia produtiva.

     

  • Com investimento de R$ 4,5 milhões, Yara fortalece operação logística no Rio Grande do Sul

    Com investimento de R$ 4,5 milhões, Yara fortalece operação logística no Rio Grande do Sul

    A Yara Brasil inaugurou o novo Centro de Distribuição da unidade de Cruz Alta (RS). A empresa investiu R$ 4,5 milhões na estrutura, que amplia a capacidade de armazenagem e movimentação de fertilizantes e transforma a unidade em um hub estratégico de mistura e distribuição no Sul do país.

    A nova estrutura permite operar anualmente 100 mil toneladas de fertilizantes, o equivalente a quase 20 caminhões carregados por dia. A capacidade estática chega a 16 mil toneladas em big bags. Com a expansão, a unidade abriu 10 novos postos de trabalho diretos.

    “A nova estrutura permitirá maior segurança no armazenamento, eficiência operacional e redução de gargalos logísticos, atendendo melhor e com mais qualidade os produtores da região. Nosso investimento reforça o compromisso da Yara com o desenvolvimento do agronegócio no Estado e o fortalecimento da competitividade regional”, afirma Lucas Elizalde, Diretor de Operações da Regional Sul e Cerrado da Yara.

    O armazém funcionará exclusivamente para o portfólio de alta tecnologia da companhia, incluindo as linhas YaraBasa, YaraBasa FULL, YaraMila e YaraBela. A expectativa da empresa é que a expansão impulsione o desempenho da unidade, com crescimento estimado de 25% no faturamento em volume.

    A localização privilegiada e a logística eficiente consolidam Cruz Alta como um polo regional de distribuição de fertilizantes. A unidade amplia a competitividade local e contribui para o desenvolvimento do agronegócio no Rio Grande do Sul, além de atender clientes em outros estados.

    A Yara mantém três unidades operacionais no Rio Grande do Sul: Porto Alegre; Rio Grande, onde está a maior e mais moderna planta de fertilizantes da América Latina; e Cruz Alta.

  • Nova companhia investe em fertilizantes minerais brasileiros para reduzir impacto ambiental no campo

    Nova companhia investe em fertilizantes minerais brasileiros para reduzir impacto ambiental no campo

    A união entre Massari Fértil e Morro Verde marca um novo passo na transição para uma agricultura mais sustentável. A nova companhia reforça os investimentos em fertilizantes minerais mistos naturais desenvolvidos com base em ativos geológicos brasileiros e adaptados à realidade dos solos tropicais, combinando eficiência agronômica e menor impacto ambiental.

    Mais do que ampliar a escala produtiva, a empresa consolida a inovação mineral como eixo tecnológico de crescimento. Com operação verticalizada, do processo de mineração à formulação final, a companhia garante qualidade, rastreabilidade e controle sobre toda a cadeia produtiva, além de reduzir a dependência de insumos importados.

    Os fertilizantes naturais que a empresa produz liberam nutrientes de forma gradual, o que melhora o equilíbrio nutricional das plantas e reduz as perdas por lixiviação. Essa característica é especialmente importante em solos tropicais, conhecidos pela acidez elevada e baixa disponibilidade de fósforo. Fatores que influenciam diretamente a produtividade.

    Pesquisas da Embrapa reforçam que o manejo nutricional eficiente é determinante para o desempenho agrícola em ambientes tropicais. Tecnologias adaptadas às condições químicas e climáticas do Brasil garantem maior estabilidade produtiva no longo prazo.

    “A inovação no agro precisa refletir a realidade do solo brasileiro. Ao investir em formulações baseadas em minerais nacionais e pesquisa aplicada, desenvolvemos soluções que unem produtividade, equilíbrio nutricional e menor pegada ambiental”, afirma George Fernandes, CEO da Morro Verde.

    Desafio estratégico

    O movimento também responde a um desafio estratégico do país: o alto índice de importação de fertilizantes. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), entre 85% e 90% dos fertilizantes usados no Brasil vêm do exterior. Essa dependência aumenta custos, emissões do transporte de longa distância e vulnerabilidade às oscilações cambiais e geopolíticas.

    Ao priorizar fósforo e corretivos minerais nacionais, a nova companhia encurta cadeias logísticas, reduz emissões e fortalece o uso de recursos minerais brasileiros. A estratégia está alinhada às metas do Plano Nacional de Fertilizantes, que busca ampliar a produção doméstica e reduzir a exposição externa do setor.

    Com a integração das operações, a empresa cria uma plataforma tecnológica única, capaz de transformar ativos geológicos em soluções agrícolas de maior valor agregado. A verticalização acelera o desenvolvimento de produtos, amplia os testes regionais e fortalece o uso de inteligência agronômica nas recomendações técnicas.

    A expectativa é que, nos próximos três anos, a companhia consolide a maior plataforma nacional de fertilizantes minerais mistos naturais, unindo liderança de mercado, inovação aplicada e compromisso ambiental.

    “O Brasil tem recursos minerais estratégicos e conhecimento técnico para produzir fertilizantes sob medida para sua realidade. Inovação mineral significa produzir mais com menos impacto e fortalecer a soberania do agro brasileiro”, ressalta Sérgio Saurin, fundador e CEO da Massari Fértil.

    Ao colocar sustentabilidade e ciência aplicada no centro da estratégia, a nova empresa reforça um modelo que alia eficiência agrícola, segurança alimentar e responsabilidade ambiental. Pilares essenciais para o futuro do agronegócio brasileiro.

  • Comida mais cara: conflito no Oriente Médio pressiona preços de fertilizantes

    Comida mais cara: conflito no Oriente Médio pressiona preços de fertilizantes

    A escalada da tensão no Oriente Médio acendeu um alerta vermelho no mercado global de fertilizantes. De acordo com uma análise da StoneX, empresa de serviços financeiros, a região concentra uma fatia expressiva da oferta mundial, e qualquer interrupção pode reconfigurar os preços internacionais.

    Dados de 2024 mostram o peso da área no comércio global: o Oriente Médio responde por 41% das exportações mundiais de ureia, 28% das de amônia e 29% das vendas internacionais de DAP, um dos principais fertilizantes fosfatados. Diante desses números, a instabilidade geopolítica já provoca os primeiros reflexos: a incerteza leva fornecedores locais a retirarem suas ofertas do mercado, reduzindo temporariamente a disponibilidade do produto.

    Retirada de ofertas e risco logístico já afetam o mercado

    O mercado opera com cautela. Enquanto investidores aguardam desdobramentos para precificar os riscos, a primeira consequência prática é a contração da oferta. A logística agrava o cenário. Navios evitam trafegar pelo Estreito de Hormuz, rota vital para o escoamento de fertilizantes. Essa interrupção nos fluxos pode atrasar entregas e elevar os custos com frete, afetando importadores ao redor do globo.

    A valorização do petróleo, outro efeito colateral da crise, também pressiona o setor. O aumento dos custos de combustíveis impacta diretamente os fretes internacionais, tornando os insumos mais caros para países que dependem de importações, como o Brasil.

    Irã, no centro do conflito, é peça-chave para as exportações

    O epicentro da crise, o Irã, ocupa uma posição estratégica. Em 2024, o país foi responsável por 11% das exportações mundiais de ureia e 5% das de amônia. Dados não oficiais apontam que o Brasil importou cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia iraniana no ano passado, o que representa aproximadamente 16% de todas as suas compras externas do produto.

    Um eventual bloqueio ou redução da capacidade de exportação iraniana teria, portanto, um impacto significativo sobre os compradores globais. Com efeito particularmente relevante para o Brasil, altamente dependente desses nitrogenados.

    Calendário agrícola brasileiro ameniza impacto imediato, mas cenário exige atenção

    Apesar do risco, o momento do calendário agrícola mundial oferece um certo alívio ao Brasil. O país está fora da janela de alta temporada para compras de nitrogenados. No curto prazo, nações como Estados Unidos, Austrália e parte da Europa, que estão em períodos de maior demanda, devem sentir os impactos de forma mais direta.

    Ainda assim, o mercado já trata o conflito como um fator de alta. A relevância do Oriente Médio e do Irã na produção global de fertilizantes coloca o setor em estado de atenção. A principal dúvida que paira sobre o futuro dos preços é a duração do conflito, a extensão dos danos à infraestrutura e o número de países que podem ser arrastados para a crise. Essas variáveis determinarão se o impacto será um solavanco passageiro ou uma mudança duradoura no custo da produção agrícola mundial.

  • Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Na madrugada deste sábado, EUA e Israel deflagraram ataques aéreos simultâneos contra Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah. O Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O conflito não é apenas uma crise diplomática. Para o Brasil, representa uma ameaça concreta à cadeia produtiva do agronegócio, ao preço do combustível e à estabilidade do câmbio.

    O canal mais imediato entre a guerra e o bolso do brasileiro passa pelo barril de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo, sob ameaça, analistas projetam que o preço pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150. Cenários extremos, que envolvem o fechamento total do estreito, chegam a projetar valores acima de US$ 300.

    O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para escoar a produção do campo. Qualquer alta no diesel chega ao produtor rural antes mesmo de chegar ao consumidor final, e chega rápido. A inflação que começa no frete termina na prateleira do supermercado.

    Há um ângulo positivo, mas limitado: a Petrobras e os exportadores brasileiros de petróleo bruto ganham com a alta do barril. O risco, porém, é a pressão política por reajuste nos preços domésticos da gasolina, o que retroalimenta o ciclo inflacionário.

    Agronegócio: dois golpes em sequência

    O setor que mais sente o choque é o agronegócio, e por dois caminhos distintos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos insumos que usa no campo. E o Irã figura entre os principais fornecedores de ureia, essencial para as safras de soja e milho. Um bloqueio nas rotas marítimas ou sanções ao comércio iraniano encarece esses insumos, aumenta o custo de produção e, no médio prazo, pressiona os preços dos alimentos.

    O segundo golpe vem do lado das exportações. O Irã foi, em 2025, o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, com US$ 2,9 bilhões em compras. O milho sozinho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total. E a soja contribuiu com outros 19,3%. Um conflito prolongado fecha esse mercado de maneira abrupta, sem substituto imediato no horizonte.

    Câmbio e juros: o impacto macroeconômico

    Crises geopolíticas globais favorecem o dólar em detrimento de moedas emergentes. O real tende a se desvalorizar, o que encarece as importações, entre elas, os fertilizantes. E obriga o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    O cenário mais preocupante é aquele em que o conflito se prolong. Nesse caso, o Fed americano deve manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% por mais tempo, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. O PIB brasileiro, que já enfrenta projeção de crescimento de apenas 1,8% em 2026, ficaria ainda mais pressionado.

    Há algum lado positivo?

    Sim, mas circunscrito. Uma mudança de regime no Irã poderia, no médio prazo, ampliar a oferta global de petróleo e derrubar os preços. O que favoreceria a competitividade do agronegócio brasileiro. Por ora, porém, a incerteza domina o cenário e os riscos superam as oportunidades.

    O impacto mais imediato e certo já chegou: o preço do petróleo sobe e o diesel encarece. O risco mais grave, ainda incerto, é a combinação entre a perda do mercado iraniano para milho e soja e o encarecimento dos fertilizantes. Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e se o Estreito de Ormuz de fato fechar. O Brasil torce para que seja uma crise curta. O agronegócio, mais do que qualquer outro setor, sabe o que está em jogo.

  • Lei do Autocontrole entra em vigor para o setor de fertilizantes

    Lei do Autocontrole entra em vigor para o setor de fertilizantes

    O Governo Federal publicou nesta quarta-feira (25) o Decreto 12.858, que altera as regras para inspeção e fiscalização da produção e comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas no Diário Oficial da União (DOU).

    A medida atualiza o Anexo do Decreto nº 4.954/2004 para compatibilizar o regulamento com a Lei nº 14.515/22, conhecida como Lei do Autocontrole, e promove adequações ao rito processual previstas no Decreto nº 12.502/2025.

    A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDA/Mapa) conduzirá a fiscalização dos insumos agrícolas com novas ferramentas. A principal mudança regulamenta as sanções administrativas, medidas cautelares e penalidades previstas na legislação.

    Nova classificação de infrações

    O decreto inclui a classificação de infração de natureza moderada, que se soma às categorias já existentes: leve, grave e gravíssima. As faixas de multas seguem agora os valores estabelecidos no Anexo da Lei nº 14.515/2022, considerando o porte econômico do agente administrado.

    Os agentes das cadeias produtivas abrangidas pelo decreto deverão implementar e executar programas de autocontrole obrigatórios. As empresas precisam estabelecer procedimentos e controles sistematizados para monitorar, verificar e corrigir etapas do processo produtivo, desde a aquisição de matérias-primas até a distribuição dos produtos.

    O texto também regulamenta o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária. Diferente do autocontrole, este programa terá adesão voluntária e concederá benefícios aos participantes. Entre as vantagens, a possibilidade de regularização por notificação nos casos de infrações de natureza leve ou moderada. O regulamento define os objetivos do programa, critérios de adesão, obrigações para permanência e hipóteses de suspensão e exclusão.

    Agentes registrados, cadastrados ou credenciados antes da regulamentação dos programas de autocontrole terão dois anos para se adequar às novas exigências.

  • Mercado brasileiro de fertilizantes registra alta de 7,8%

    Mercado brasileiro de fertilizantes registra alta de 7,8%

    O mercado brasileiro de fertilizantes registrou alta de 7,8% nas entregas entre janeiro e novembro de 2025. O total acumulado chegou a 45,27 milhões de toneladas, contra 42 milhões no mesmo período de 2024, segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA).

    Somente em novembro, as entregas ao mercado somaram 4,33 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 2,6% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando o setor comercializou 4,21 milhões de toneladas.

    Mato Grosso lidera consumo entre os estados

    Mato Grosso manteve a liderança no consumo de fertilizantes, com participação de 22,7% do total nacional. O estado recebeu 10,28 milhões de toneladas no acumulado do ano.

    Paraná aparece na segunda posição, com 5,42 milhões de toneladas, seguido por São Paulo (4,83 milhões), Rio Grande do Sul (4,60 milhões), Minas Gerais (4,38 milhões), Goiás (4,36 milhões) e Bahia (2,95 milhões).

    Produção nacional recua em novembro

    A produção nacional de fertilizantes intermediários totalizou 517 mil toneladas em novembro de 2025. O número representa queda de 11,8% em relação ao mesmo mês de 2024.

    No acumulado de janeiro a novembro, porém, a produção atingiu 6,72 milhões de toneladas. O volume representa avanço de 4,1% frente às 6,46 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

    As importações de fertilizantes alcançaram 3,85 milhões de toneladas em novembro de 2025. O volume representa redução de 12,7% frente ao mesmo mês de 2024.

    No acumulado de janeiro a novembro, as compras externas somaram 39,70 milhões de toneladas. O número representa crescimento de 4,8% em comparação com as 37,90 milhões de toneladas importadas no mesmo período de 2024.

    Paranaguá lidera entrada de insumos

    O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada dos fertilizantes no país. O terminal importou 9,95 milhões de toneladas no período, alta de 6,4% frente a 2024, quando registrou 9,35 milhões de toneladas.

    O volume representa 25,1% do total movimentado em todos os portos brasileiros, segundo dados do Sistema de Informações do Comércio Exterior (Siacesp/MDIC).

  • Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    A forte demanda internacional por fertilizantes mantém os preços em patamares elevados no início de 2026, pressionando o custo de produção no campo e reduzindo o poder de compra do agricultor brasileiro. Dados da consultoria StoneX mostram uma piora significativa nas relações de troca, obrigando os produtores a desembolsar mais sacas de grãos para adquirir a mesma quantidade de insumos.

    Atualmente, o agricultor precisa vender cerca de 36 sacas de milho para comprar uma tonelada de uréia. Um aumento de cinco sacas em relação a janeiro. No caso da soja, a situação se repete: são necessárias quase 29 sacas para adquirir uma tonelada de MAP, também cinco sacas a mais que no começo do ano.

    Fatores globais que sustentam os preços

    O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explica que o movimento reflete a valorização dos fertilizantes no mercado internacional. “Os principais países consumidores se preparam para a temporada de adubação da primavera no Hemisfério Norte. Este movimento sustenta os preços e impacta diretamente o Brasil”, destaca.

    Dois gigantes influenciam fortemente o mercado:

    • Estados Unidos: buscam garantir estoques para as aplicações da primavera, aumentando a demanda.
    • China: amplia suas compras internas e reduz o volume de exportações, restringindo a oferta global.

    Outro agente crucial é a Índia, que realiza grandes licitações de compra de ureia. “A expectativa de novas compras indianas reforçou a percepção de um mercado firme”, completa Pernías.

    Cautela e incerteza no mercado doméstico

    No Brasil, com o fim da janela de compra para a safrinha e um longo intervalo até a safra 2026/27 de soja, os produtores adotam postura cautelosa e tendem a adiar decisões, na esperança de condições mais favoráveis.

    No entanto, o analista da StoneX faz um alerta: não há garantias de melhora significativa no curto prazo. “A demanda norte-americana e chinesa pode perder força em algum momento, mas o apetite comprador do Brasil e da Índia tende a crescer ao longo do ano. Isso pode continuar sustentando os preços”, avalia Pernías.

    O cenário indica que os agricultores brasileiros continuarão enfrentando um ambiente de decisões complexas e custos elevados com fertilizantes. Pelo menos durante os primeiros meses de 2026.

  • Exportações brasileiras ao Canadá crescem 15% e batem recorde

    Exportações brasileiras ao Canadá crescem 15% e batem recorde

    O Brasil conquistou um marco histórico no comércio com o Canadá em 2025. O país exportou US$ 7,25 bilhões em produtos para o mercado canadense, crescimento de 15% em relação a 2024, segundo dados do Quick Trade Facts (QTF), estudo que a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) elabora.

    O resultado representa o maior valor que a série histórica anual do ranking registra desde 2018, quando a Câmara iniciou o levantamento. As exportações superaram o recorde anterior em mais de US$ 900 milhões.

    As importações brasileiras de produtos canadenses também avançaram. O Brasil comprou US$ 3,14 bilhões do Canadá em 2025, alta de 13% na comparação anual. O movimento gerou um superávit comercial de US$ 4,11 bilhões, o maior que os dois países já registraram.

    A corrente de comércio bilateral – soma de exportações e importações – cresceu 14% no período. A participação do Canadá nas exportações totais do Brasil subiu de 1,9% em 2024 para 2,1% em 2025. Nas importações brasileiras, a fatia canadense avançou de 1,06% para 1,12%.

    “Os números de 2025 mostram que o Brasil consolidou e ampliou sua presença no mercado canadense. O avanço expressivo em ouro, café e carnes evidencia a competitividade da pauta exportadora brasileira, mesmo em um cenário de incertezas econômicas”, afirma Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.

    Ouro lidera com crescimento de 74%

    O setor de extração mineral comandou o desempenho recorde. As exportações de ouro em formas brutas para uso não monetário totalizaram US$ 3,14 bilhões, crescimento de 74% sobre 2024. O produto representou 43,3% de tudo que o Brasil vendeu ao Canadá no ano.

    Divulgação/CCBC

    O café verde não torrado registrou expansão de 46%, com vendas de US$ 336,6 milhões. O agronegócio também se destacou nas proteínas animais: as exportações de carne bovina desossada e congelada saltaram 189%, atingindo US$ 60,5 milhões, enquanto outras carnes suínas congeladas cresceram 58%, para US$ 40,9 milhões.

    Outros destaques incluem ouro em barras, fios e perfis (alta de 214%), minérios de níquel (77%), manteiga e gordura de cacau (163%) e coque de petróleo calcinado (75%).

    Alguns segmentos apresentaram retração. As exportações de aeronaves caíram 52%, os açúcares de cana recuaram 25% e a alumina calcinada registrou queda de 7%.

    Fertilizantes e turborreatores puxam importações

    O Brasil intensificou as compras de produtos canadenses após a retração que ocorreu entre 2023 e 2024. Os fertilizantes lideraram a pauta: os cloretos de potássio somaram US$ 1,52 bilhão em importações, crescimento de 22%. O produto respondeu por 48,4% do total importado do Canadá.

    Os turborreatores de empuxo superior a 25 kN avançaram 46,5%, alcançando US$ 201 milhões. Outros setores registraram crescimentos expressivos: enxofre a granel (678,3%), aparelhos para filtragem de gases (380,2%), moldes para borracha e plásticos (109,1%) e máquinas agrícolas (83,3%).

    Equipamentos para colheita cresceram 69,4%, helicópteros de até 2.000 kg subiram 29,4% e medicamentos contendo compostos heterocíclicos expandiram 13,4%.

    “O Canadá continua sendo um parceiro essencial para cadeias produtivas estratégicas no Brasil, especialmente nos segmentos químico, farmacêutico e de máquinas industriais”, diz Nascimento. “O crescimento das importações em 2025 reforça a integração entre as economias”, complementa.

    O desempenho comercial entre Brasil e Canadá ganhou relevância em um ano marcado por incertezas no comércio internacional, especialmente após o ‘tarifaço’ que os Estados Unidos impuseram. O fortalecimento da relação bilateral demonstra a capacidade dos dois países de expandir negócios mesmo em cenários desafiadores.

  • Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode agilizar a entrada de fertilizantes e outros insumos agrícolas no Brasil. A proposta estabelece registro automático para produtos que já possuem certificação válida das autoridades dos países membros do BRICS.

    Deputado Max Lemos (PDT-RJ). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O PL 823/25, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), altera a lei que regula o setor de fertilizantes. O objetivo central é reduzir os custos de produção no campo. Com insumos mais baratos, a expectativa é que o preço final dos alimentos no prato do consumidor também caia.

    “O barateamento dos insumos rurais geraria benefício direto para a população com a redução do preço do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos”, defendeu Lemos na justificativa do projeto.

    Como funcionaria o registro automático

    Pelo texto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) terá um prazo máximo de 15 dias para conceder o registro, contados a partir do pedido da empresa. Se o ministério não emitir o documento nesse período, a empresa poderá comercializar o produto normalmente, sem risco de multas.

    A medida também simplifica a atuação de distribuidoras e representantes de fabricantes estrangeiras. Elas não precisarão mais abrir uma empresa específica no Brasil (pessoa jurídica), bastando manter uma representação legal regularizada no país.

    Próximas etapas e tramitação

    O bloco do BRICS reúne atualmente 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A certificação por parte desses países servirá como aval para o processo rápido no Brasil.

    O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões da Câmara. Isso significa que não precisa passar pelo plenário, a menos que haja recurso. As comissões responsáveis pela análise são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Após a Câmara, a proposta ainda precisará de aprovação do Senado Federal e, posteriormente, sanção presidencial para se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias