Tag: fertilizantes

  • Justiça condena vizinhos por abalo psicológico de agricultor após perder safra de eucalipto em MG

    Justiça condena vizinhos por abalo psicológico de agricultor após perder safra de eucalipto em MG

    A Justiça de Uberlândia (MG) condenou dois vizinhos de um agricultor por causar abalo psicológico ao produtor após ele perder parte da safra de eucalipto. A decisão destaca os riscos do uso irregular de agrotóxicos e reforça a responsabilidade dos agricultores quanto ao manejo seguro de defensivos.

    Prejuízo na lavoura e responsabilidade dos vizinhos

    O agricultor percebeu danos significativos em sua plantação de eucalipto. As inspeções revelaram que a causa foi a deriva de agrotóxicos aplicados irregularmente pelos vizinhos. Como resultado, a produtividade caiu e o produtor sofreu prejuízos econômicos relevantes.

    Além disso, o caso demonstra que aplicar defensivos fora das normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) não prejudica apenas a lavoura vizinha. Por isso, é essencial que todos os agricultores sigam as regras técnicas, garantindo proteção ambiental e legal.

    Reconhecimento do abalo psicológico

    O juiz destacou que a perda da safra causou impactos emocionais graves. O laudo pericial indicou que o estresse afetou a rotina do agricultor e seu bem-estar. Por isso, a Justiça determinou a indenização, reforçando que os danos morais também são passíveis de reparação quando a conduta do vizinho prejudica a vida emocional do trabalhador rural.

    Deriva de agrotóxicos e cuidados no campo

    Especialistas em agronomia explicam que a deriva ocorre quando partículas do defensivo se deslocam pelo vento e atingem áreas vizinhas. Assim, aplicar produtos sem orientação técnica ou em condições climáticas inadequadas aumenta significativamente os riscos.

    Além disso, a deriva não afeta apenas a produtividade. Ela também pode prejudicar a saúde de pessoas, animais e o equilíbrio ambiental. Por isso, manter registros detalhados de aplicação e cultivo ajuda a proteger os direitos do agricultor caso surjam problemas.

    Precedentes e proteção do produtor

    Decisões como essa reforçam que a legislação brasileira protege os agricultores tanto contra prejuízos materiais quanto emocionais. Além disso, os casos alertam vizinhos sobre a responsabilidade compartilhada no uso de agrotóxicos.

    Para o agricultor, a condenação representa uma compensação financeira e o reconhecimento da gravidade da situação. Assim, o caso de Uberlândia serve como alerta para que todos os produtores rurais adotem boas práticas, garantindo segurança e respeito mútuo no campo.

  • Banco do Brasil pode liberar ajuda a produtores rurais em crise

    Banco do Brasil pode liberar ajuda a produtores rurais em crise

    A guerra no Irã já começa a gerar reflexos diretos no campo brasileiro. Diante da alta nos custos de insumos essenciais, o Banco do Brasil avalia medidas para apoiar produtores rurais que enfrentam queda nas margens de lucro.

    Desde o início do conflito, produtos como fertilizantes e diesel ficaram mais caros. Como resultado, o custo de produção aumentou e pressionou o caixa de quem depende da atividade rural.

    Custos mais altos e menos lucro no campo

    Com a disparada dos preços, muitos produtores passaram a operar com margens mais apertadas. Além disso, a instabilidade no cenário internacional aumentou a incerteza sobre os próximos meses.
    Diante desse cenário, cresce a preocupação com a sustentabilidade financeira das propriedades, especialmente entre médios e grandes produtores.

    Banco avalia medidas, apesar de negar oficialmente

    Embora o Banco do Brasil negue oficialmente a adoção de novas medidas, o mercado já discute possíveis ações. Entre elas, aparece a extensão dos prazos de empréstimos, o que permitiria ao produtor adiar parte dos pagamentos.

    Caso isso aconteça, muitos produtores ganhariam fôlego no curto prazo. No entanto, essa estratégia também levanta preocupações dentro do próprio sistema financeiro.

    Inadimplência acende alerta

    Nos últimos meses, os números já começaram a preocupar. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,2% para 5,2% entre 2024 e 2025.

    Esse avanço ocorreu, principalmente, por causa do agronegócio e do crédito relacionado ao consumo. Por isso, qualquer nova flexibilização precisa considerar o risco de aumento ainda maior nos atrasos.

    Pressão sobre o Banco do Brasil

    Ao mesmo tempo em que avalia ajudar o setor, o Banco do Brasil também enfrenta seus próprios desafios. A ampliação de crédito ou o alongamento de dívidas pode pressionar o balanço da instituição.

    Por esse motivo, o banco estuda alternativas para reforçar seu capital. Entre as possibilidades, surgem discussões sobre venda de ativos e outras estratégias financeiras.

    Quando o agro sente, a economia responde

    O movimento não acontece por acaso. O Banco do Brasil ocupa hoje a posição de maior financiador do agronegócio no país, o que o coloca no centro desse cenário.

    Além disso, o peso do setor na economia explica a preocupação. A agropecuária representa cerca de 6% do PIB brasileiro e, recentemente, respondeu por uma parcela significativa do crescimento econômico.

    Dessa forma, quando o agro enfrenta dificuldades, os impactos tendem a se espalhar por toda a economia.

  • Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    A guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês neste sábado (28). Apesar de distante 12 mil quilômetros, o conflito já provoca efeitos concretos na economia brasileira.

    O primeiro impacto foi a alta de 20% no preço do diesel. Com isso, os custos de frete aumentaram. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou, inclusive, a cancelar contratos para o escoamento de 23,7 mil toneladas de milho fechados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

    Além disso, especialistas alertam que os efeitos podem chegar à mesa do consumidor. Combustíveis mais caros encarecem o transporte e a distribuição. Por sua vez, a alta nos fertilizantes pressiona o produtor rural. O resultado é um efeito cascata que atinge grãos, pão, carnes e hortaliças.

    O alerta dos especialistas

    Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, avalia que o consumidor não deve sentir o impacto de imediato. No entanto, a tendência é de elevação nos preços, especialmente se o conflito se prolongar.

    Para ele, o maior risco não é a alta dos combustíveis em si, mas o desabastecimento. “Qual foi a última vez que vimos o Estreito de Ormuz fechado? Nunca. É um evento sem registro na história econômica mundial”, afirma, em entrevista à Globo Rural.

    O especialista reforça que o cenário afeta diretamente a logística nacional, que depende do transporte rodoviário. Segundo ele, importadores já sinalizaram que, com a defasagem atual de preços, não compensa trazer diesel para o Brasil.

    Quanto aos insumos agrícolas, Serigati pondera que o repasse ao consumidor não é automático. “O fato de o fertilizante estar mais caro não significa que o alimento também ficará. O repasse depende, principalmente, da produtividade”, explica, citando a Guerra da Ucrânia como exemplo de quando o setor absorveu custos sem repassá-los.

    Quais alimentos podem ficar mais caros?

    As commodities são as mais vulneráveis, pois têm preços definidos no mercado internacional. A consultoria Datagro identificou os produtos agropecuários brasileiros com maior risco diante do conflito:

    • Milho: risco de atrasos nos embarques pelo aumento dos custos logísticos
    • Açúcar: forte presença de exportações para o Oriente Médio
    • Carne de frango: dificuldades de entrega aos países do Golfo Pérsico, além de alta em fretes e seguros
    • Suco de laranja: o Brasil, líder global nas exportações, pode sentir o encarecimento logístico e a instabilidade na demanda

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também expressa preocupação com carne suína e ovos. Segundo a entidade, o conflito já elevou em até 30% o custo das embalagens plásticas feitas com matéria-prima importada da região. Diante disso, a ABPA não descarta repasses ao consumidor em breve.

  • Fusão cria maior plataforma brasileira de fertilizantes minerais naturais

    Fusão cria maior plataforma brasileira de fertilizantes minerais naturais

    A fusão entre a Massari Fértil e a Morro Verde dá origem a uma companhia que aposta na inovação mineral como resposta aos desafios de sustentabilidade e produtividade do agronegócio brasileiro. A estratégia central: ampliar investimentos em fertilizantes minerais mistos naturais, desenvolvidos a partir de ativos geológicos do próprio país e formulados para a realidade dos solos tropicais.

    A empresa opera de forma verticalizada da mineração à formulação final, o que garante maior controle de qualidade, rastreabilidade e eficiência agronômica. Esse modelo também reduz a dependência de insumos importados, um ponto crítico para o setor: segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome.

    Nutrição adaptada ao solo brasileiro

    Os fertilizantes minerais naturais da companhia promovem liberação gradual de nutrientes, favorecendo equilíbrio nutricional ao longo do ciclo das culturas. Em solos tropicais, marcados por elevada acidez, intemperismo intenso e baixa disponibilidade natural de fósforo, essa característica aumenta o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas e reduz perdas por lixiviação.

    A Embrapa reforça a importância dessa abordagem. Estudos da instituição indicam que o manejo nutricional eficiente define a produtividade em ambientes tropicais. E que tecnologias adaptadas às condições químicas e climáticas brasileiras tendem a gerar maior estabilidade produtiva no longo prazo.

    “A inovação no agro precisa considerar a realidade do solo brasileiro. Ao investir em formulações baseadas em ativos minerais nacionais e pesquisa aplicada, desenvolvemos soluções que combinam produtividade, estabilidade nutricional e menor impacto ambiental”, afirma George Fernandes, CEO da Morro Verde.

    Menos carbono na cadeia de fornecimento

    A agenda ambiental vai além da eficiência agronômica. Com a alta dependência de importados, o Brasil acumula emissões associadas ao transporte de longa distância e fica exposto a volatilidades geopolíticas e cambiais. Ao fortalecer a produção nacional com base em fósforo e corretivos minerais brasileiros, a nova companhia encurta cadeias logísticas e reduz a intensidade de carbono no fornecimento de nutrientes.

    A estratégia está alinhada ao Plano Nacional de Fertilizantes, que estabelece como meta ampliar a produção doméstica e diminuir vulnerabilidades externas.

    Plataforma tecnológica e expansão nos próximos três anos

    Com a integração das operações, a empresa consolida uma plataforma tecnológica capaz de transformar ativos geológicos em soluções agrícolas de maior valor agregado. A verticalização acelera ciclos de desenvolvimento, amplia testes regionais e fortalece o uso de inteligência agronômica nas recomendações técnicas.

    A meta é ambiciosa: em três anos, a companhia projeta se tornar a maior plataforma brasileira no segmento de fertilizantes minerais mistos naturais. Combinando liderança de mercado, inovação aplicada e compromisso ambiental.

    “O Brasil tem recursos minerais estratégicos e conhecimento técnico para desenvolver fertilizantes alinhados à sua própria realidade. Inovação mineral significa produzir mais com menos impacto, fortalecer a soberania produtiva e contribuir para uma agricultura mais resiliente”, diz Sérgio Saurin, diretor-presidente e fundador da Massari Fértil.

    Ao colocar sustentabilidade e ciência aplicada como pilares estratégicos, a companhia reforça um modelo que equilibra eficiência, segurança alimentar e responsabilidade ambiental. Um debate cada vez mais central nas agendas de inovação e transição climática do agronegócio brasileiro.

  • Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio começaram a se traduzir em alta expressiva nos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo, com reflexos diretos no Brasil,país que importa cerca de 85% dos insumos agrícolas que consome. Nos portos brasileiros, a ureia registrou alta superior a 15% em uma semana, enquanto o nitrato de amônio avançou cerca de 28%, com valorização de mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período, segundo dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu nota oficial pedindo cautela ao mercado e orientando produtores rurais a evitar compras precipitadas. O ministro Carlos Fávaro foi direto: “É momento de cautela e de combate à especulação. A melhor forma de enfrentar a especulação é não comprar quando o preço está artificialmente elevado.”

    Por que os preços subiram tão rápido

    A volatilidade tem raízes tanto nas incertezas geopolíticas quanto em impactos concretos já verificados na cadeia global de fertilizantes. Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que, nos dias seguintes ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram ofertas do mercado à espera de maior clareza sobre a formação de preços. Ao mesmo tempo, ataques no Catar resultaram em redução da produção de nitrogenados no país, diminuindo a disponibilidade global de mercadorias.

    Outro fator de pressão é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos, foi prejudicada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio. A região responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia, segundo Pernías. “Qualquer interrupção prolongada pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, alerta o analista.

    A situação é agravada ainda pela interrupção temporária das exportações russas de nitrato de amônio, outro fator citado pelo próprio Mapa como elemento de instabilidade no mercado internacional.

    Brasil dependente e vulnerável

    A dependência brasileira de fertilizantes importados torna o país especialmente exposto a esse tipo de choque externo. Dados da Embrapa indicam que 85% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior. E no caso específico da ureia, utilizada em culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar, essa dependência chega a 90% do consumo nacional. Em 2025, o Brasil importou entre 7 e 8 milhões de toneladas do insumo, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. Parte relevante dessas compras tem origem justamente em países do Oriente Médio.

    Para o advogado especialista em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, o cenário pode pressionar ainda mais os custos de produção agrícola. “O impacto esperado é o aumento do preço dos fertilizantes, podendo gerar uma elevação de 15% a 20% no valor desses insumos”, afirma.

    O efeito tende a chegar primeiro às regiões mais dependentes do transporte rodoviário. Municípios com grande produção de grãos como Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde (MT), Cascavel, Toledo e Londrina (PR), além de Dourados e Maracaju (MS), podem sentir mais rapidamente o impacto no custo de colheita e transporte da safra.

    Governo orienta: aguardar antes de comprar

    Com a safra de inverno já plantada ou em fase final de implantação, o Mapa avalia que não há necessidade imediata de aquisição de fertilizantes. A próxima grande demanda ocorrerá apenas com o início do plantio da safra de verão, tradicionalmente a partir de setembro. O que, na avaliação do ministério, abre uma janela para que o mercado se estabilize.

    “Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, afirmou o ministro Fávaro.

    O ministério também destacou que existem alternativas tecnológicas e estratégias de manejo capazes de otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, reduzindo a exposição dos produtores às oscilações do mercado internacional.

    Incerteza permanece

    No curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir os efeitos da redução da oferta com mais rapidez, pois atravessam o período de preparação para a safra de primavera. Momento em que a demanda por fertilizantes costuma crescer de forma expressiva. Caso os preços internacionais mais elevados sejam repassados ao comprador norte-americano, existe risco de pressão sobre as margens dos agricultores em um momento sensível de planejamento.

    No Brasil, o impacto deve ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados geralmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, em antecipação ao plantio da safrinha de milho. Diante disso, muitos importadores podem adotar postura mais cautelosa no curto prazo.

    Ainda assim, Pernías alerta que o nível de incerteza é alto. “A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista. O Mapa informou que seguirá monitorando permanentemente a cadeia de suprimentos e dialogando com atores do setor para avaliar alternativas de logística, importação e abastecimento.

  • Conflitos elevam custos e preocupam citricultores

    Conflitos elevam custos e preocupam citricultores

    Os citricultores brasileiros monitoram a alta dos custos de produção em março, pressionados por insumos ligados ao petróleo. O aumento atinge derivados como adubos nitrogenados e óleo diesel, impulsionado pelos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Além disso, a tensão geopolítica reduz a oferta de petróleo, limita o transporte global e encarece o frete marítimo.

    Segundo pesquisadores do Cepea, fertilizantes à base de fósforo também registram valorização no período. Esses insumos são amplamente utilizados nas adubações de base e impactam diretamente o custo das lavouras. Por outro lado, os preços de produtos à base de potássio seguem estáveis até o momento.

    No caso do diesel, dados da ANP apontam alta de 15,4% até meados de março. Atualmente, produtores realizam a pulverização, o que amplia o impacto da elevação do combustível. Com isso, o custo da safra pode subir cerca de 5,8% apenas com essa operação. Além desse efeito, outros gastos operacionais e o frete também tendem a aumentar.

    Diante desse cenário, produtores demonstram preocupação com a rentabilidade da próxima safra de laranja. As margens devem ficar mais apertadas, o que exige maior cautela no planejamento agrícola.

    Fertilizantes

    Em relação aos fertilizantes, o Cepea indica um momento de atenção, mesmo fora do período de compra. Ainda assim, recentes reajustes elevam o alerta entre produtores, principalmente nos adubos nitrogenados. As listas de preços já mostram aumentos relevantes, com destaque para a ureia.

    Por fim, os desdobramentos geopolíticos das próximas semanas mantêm os agricultores em alerta. Segundo o Cepea, esse cenário pode limitar investimentos e afetar o desenvolvimento das lavouras.

  • Fiscalização retira de circulação fertilizantes irregulares no interior paulista

    Fiscalização retira de circulação fertilizantes irregulares no interior paulista

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu 5.046 litros de fertilizantes irregulares em uma operação realizada no interior de São Paulo. As ações de fiscalização ocorreram nas cidades de Cedral, Olímpia e Urupês, na região de São José do Rio Preto, e foram coordenadas pelas unidades regionais do Mapa em Araraquara e São José do Rio Preto.

    Os auditores fiscais federais agropecuários (AFFAs) identificaram que os produtos apreendidos não possuíam registro no Ministério, o que impede a comprovação de sua eficácia. Além disso, muitos apresentavam formulações desequilibradas e rótulos com números de registro incompatíveis com as garantias declaradas. Esses fertilizantes, quando aplicados, podem causar danos às lavouras e comprometer o desenvolvimento das plantas.

    Durante a ação, os fiscais interceptaram um veículo que transportava produtos para revenda. A equipe reteve a nota fiscal e apreendeu os lotes irregulares no estabelecimento responsável. A fiscalização também constatou falhas graves, como a ausência de controle de qualidade e a inexistência de ordens de produção que detalhem as matérias-primas utilizadas.

    Ao todo, sete empresas foram fiscalizadas na primeira semana de março, e três delas autuadas por infrações à legislação. A operação ocorreu a pedido do Serviço de Fiscalização de Insumos e Sanidade Vegetal do Estado de São Paulo (SISV-SP).

    Os auditores ainda descobriram que algumas empresas produziam adjuvantes nas mesmas instalações destinadas à fabricação de fertilizantes, uma prática proibida, pois pode causar contaminação cruzada entre matérias-primas diferentes. Essa irregularidade compromete a qualidade e a conformidade dos produtos.

    Todos os fertilizantes fora das normas foram apreendidos, e as empresas notificadas a regularizar suas atividades junto ao Mapa.

    Venda irregular pela internet

    A fiscalização também constatou que comerciantes da região usavam redes sociais e ligações telefônicas para vender fertilizantes. O Mapa ampliou o monitoramento desse tipo de comércio e orienta agricultores e consumidores a conferir sempre o registro do produto antes da compra, evitando adquirir itens falsificados ou sem aprovação. Denúncias podem ser feitas por meio da plataforma Fala.BR, disponível no site do Ministério.

    Segundo o Mapa, as operações de fiscalização seguem critérios de análise de risco e inteligência fiscal. O objetivo é otimizar recursos, garantir a conformidade dos insumos agropecuários e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro, protegendo tanto os produtores quanto os consumidores.

  • Rússia suspende exportações de fertilizante e afeta Brasil

    Rússia suspende exportações de fertilizante e afeta Brasil

    A Rússia interrompeu as exportações de nitrato de amônio por um mês, até 21 de abril. O país tomou a decisão para garantir estoques durante o plantio de primavera. A medida ocorre em meio à crise global causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Esse corredor concentra cerca de 24% do comércio mundial de amônia.

    A Rússia controla até 40% do comércio global de nitrato de amônio. Além disso, lidera o fornecimento de fertilizantes ao Brasil. Em 2025, o país respondeu por 25,9% das importações brasileiras de adubos químicos.
    Os dados são do Ministério do Comércio Exterior.

    O governo russo suspendeu todas as licenças de exportação do produto. No entanto, manteve apenas contratos governamentais já firmados. O Ministério da Agricultura da Rússia afirmou que priorizará o mercado interno.
    A decisão atende à demanda crescente durante a temporada de campo.

    Rússia e o nitrato de amônio

    A Rússia produz cerca de um quarto do nitrato de amônio mundial. Ainda assim, não consegue ampliar a produção neste ano. O país enfrenta limitações em meio à crise global de abastecimento. Além disso, ataques recentes afetaram a produção local.

    Em fevereiro, drones ucranianos atingiram a fábrica de Dorogobuzh. A unidade responde por cerca de 11% da produção russa do insumo. A planta deve retomar totalmente as operações apenas em maio. Por isso, o mercado global pode sentir impactos no curto prazo.

    O nitrato de amônio é essencial no início do plantio agrícola. Além disso, o produto também possui uso na indústria de explosivos. A Rússia exporta o fertilizante para países como Brasil, Índia e Peru.
    Também atende mercados na África, Ásia e América do Norte.

    Dependência externa preocupa o agronegócio brasileiro

    O Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes. O país importa cerca de 95% do nitrogênio utilizado na agricultura. Além disso, compra 75% do fosfato no exterior. No caso do potássio, a dependência chega a 91%.

    A escassez de matérias-primas limita a produção nacional. O país possui poucas reservas de insumos essenciais. O potássio, por exemplo, se concentra em países como Canadá e Rússia. Essas nações dominam o mercado global do produto.

    A produção de nitrogenados exige gás natural barato. Por isso, o Brasil perde competitividade frente a grandes produtores. As reservas de fosfato também apresentam menor qualidade. Além disso, o custo de exploração é mais elevado.

    A demanda agrícola intensifica essa dependência externa. O solo brasileiro possui baixa fertilidade natural. Assim, os produtores precisam adubar com frequência. Culturas como soja, milho, café e cana lideram o consumo. Os custos logísticos também pesam no mercado interno. Importar fertilizantes ainda sai mais barato para o produtor.

    Plano Nacional de Fertilizantes

    O governo criou o Plano Nacional de Fertilizantes em 2022. A estratégia busca reduzir a dependência externa até 2050. A meta prevê produção interna entre 45% e 50% da demanda. Para isso, o país deve investir mais de R$ 25 bilhões até 2030.

  • Operação combate falsificação de agrotóxicos

    Operação combate falsificação de agrotóxicos

    Uma operação deflagrada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nos dias 9 e 10 de março resultou na apreensão de aproximadamente 28 toneladas de defensivos agrícolas com indícios de irregularidades em um galpão na cidade de Patos de Minas, no Alto Paranaíba.

    Batizada de “Operação Dólos”, correspondente à Ronda Agro CXXIV, a ação do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras) localizou um depósito usado para armazenamento clandestino, sem qualquer registro nos órgãos competentes. No local, parte dos produtos estava em galões sem rotulagem, o que indica possível falsificação.

    Além dos defensivos, os fiscais encontraram 10,5 toneladas de sementes e 20,5 toneladas de fertilizantes também com indícios de irregularidades. Totalizando mais de 50 toneladas de insumos apreendidos.

    A força-tarefa reuniu o Mapa, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Polícia Civil de Patos de Minas, a Seção de Inovação Tecnológica da Superintendência de Inteligência Integrada da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SIT/SII/SSP-GO) e o Centro Integrado de Inteligência, Segurança Pública e Proteção Ambiental (CIISPA), do Ministério da Justiça, também participaram da operação.

    Saúde pública

    Para Marcela Ferreira Rocha, coordenadora de Fiscalização de Agrotóxicos do IMA, a apreensão demonstra a importância da fiscalização para proteger a saúde pública, o meio ambiente e a produção agrícola. “O uso de produtos falsificados pode causar danos irreversíveis às lavouras, além de contaminar o solo e os recursos hídricos”, alertou.

    No local, as equipes interditaram e autuaram o estabelecimento, além de iniciarem os procedimentos para apuração criminal. O prejuízo estimado aos infratores ultrapassa R$ 3,2 milhões, considerando o valor dos produtos apreendidos.

    A diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, Graciane Castro, destacou a importância da atuação conjunta. “Os resultados reforçam a importância da cooperação entre os órgãos de fiscalização e forças policiais. Fortalecendo o combate ao comércio ilegal e ampliando a capacidade do Estado de coibir práticas criminosas”, afirmou.

    As operações do Vigifronteiras atuam estrategicamente para retirar de circulação insumos agrícolas irregulares que não oferecem garantia de qualidade. Portanto, representando riscos diretos aos produtores rurais, à sanidade vegetal e à saúde pública.

  • Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    A recuperação da produção agrícola no Rio Grande do Sul, após os impactos dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos, está no centro das discussões da 26ª Expodireto Cotrijal, realizada de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque. Durante a feira, a Yara, multinacional líder em nutrição de plantas, anunciou a ampliação de investimentos em programas de recuperação de solos, novas soluções nutricionais e iniciativas voltadas à sustentabilidade da cadeia de alimentos.

    Segundo o vice-presidente de Vendas da Yara Brasil, Diogo Rezende, o cenário do mercado de fertilizantes passa por um momento de reorganização global, após períodos de forte volatilidade nos preços e nas cadeias de suprimento. Ainda assim, o Brasil mantém papel estratégico na produção mundial de alimentos.

    “O agro brasileiro segue como protagonista global. Mesmo diante de desafios climáticos e logísticos, o produtor mantém níveis elevados de produtividade. Nesse contexto, soluções nutricionais eficientes tornam-se cada vez mais importantes para garantir estabilidade e rentabilidade no campo”, afirmou.

    Rezende destacou ainda que o Rio Grande do Sul possui relevância estratégica para o setor de fertilizantes, principalmente pela diversidade de culturas e pelo alto nível tecnológico adotado pelos produtores rurais.

    Recuperação de solos ganha reforço

    Entre os anúncios feitos na feira está a renovação da parceria com a Embrapa no programa Recupera Rural RS, iniciativa voltada à recuperação de solos degradados após as enchentes que atingiram o estado em 2024.

    A empresa destinará R$ 300 mil adicionais ao projeto, elevando para R$ 750 mil o investimento total no programa. As ações incluem diagnóstico técnico das áreas afetadas, orientação agronômica, práticas conservacionistas e acompanhamento direto aos produtores rurais.

    De acordo com a companhia, considerando todas as iniciativas realizadas desde os eventos climáticos extremos, o aporte total destinado ao estado chega a R$ 1,5 milhão, incluindo ações emergenciais de apoio ao setor agrícola.

    Para o vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, a reconstrução produtiva do estado passa necessariamente pela recuperação da saúde do solo.

    Da esquerda para direita: Guilherme Schmitz – VP Marketing e Agronomia da Yara Brasil; Marcio Wally, Diretor de Vendas Região Sul da Yara Brasil e Diogo Rezende – VP de Vendas da Yara Brasil – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “O impacto do desastre climático de 2024 ainda é sentido em várias regiões do estado. Por isso, restaurar a fertilidade e a estrutura do solo é fundamental para recuperar a competitividade das propriedades e garantir a segurança alimentar”, afirmou.

    Schmitz acrescentou que a parceria com a Embrapa permite ampliar o alcance das soluções técnicas no campo. “A ciência é essencial nesse processo. Trabalhamos para levar conhecimento agronômico e práticas sustentáveis diretamente ao produtor.”

    Nova solução nutricional chega ao Sul

    Além das ações de recuperação ambiental, a empresa apresentou na Expodireto o YaraBasa FULL, evolução da linha de fertilizantes utilizada em diversas culturas no Brasil.

    A nova formulação integra, em um único grânulo, nutrientes essenciais do tipo NPK, micronutrientes e bioinsumos desenvolvidos pela companhia. A proposta é aumentar a eficiência nutricional das plantas e melhorar o desempenho das lavouras em condições de estresse climático.

    Segundo Márcio Wally, diretor de Vendas da Região Sul da Yara Brasil, o lançamento foi pensado especialmente para os sistemas produtivos predominantes no sul do país, como as rotações de soja e arroz.

    “O produtor da região busca soluções cada vez mais completas e eficientes. O YaraBasa FULL combina nutrição mineral com bioinsumos, o que contribui para maior vigor radicular e melhor tolerância das plantas às variações climáticas”, explicou.

    Testes de campo realizados pela empresa indicam resultados positivos. Até o momento, mais de 25 pesquisas agronômicas foram concluídas, além de cerca de 200 áreas demonstrativas em lavouras comerciais. Outros 14 estudos adicionais seguem em andamento no país.

    Bioinsumos ganham espaço no agro

    Outro destaque apresentado na feira é o avanço do portfólio de bioinsumos da companhia, alinhado à crescente demanda por soluções agrícolas mais sustentáveis.

    Entre os produtos disponíveis está o YaraAmplix SEEDLIFT, desenvolvido para tratamento de sementes. A formulação combina extratos de algas marinhas com nutrientes como nitrogênio, fósforo, zinco e cálcio.

    Ensaios conduzidos pela empresa em lavouras de trigo indicaram aumento de até 50% no volume de raízes, o que contribui para maior eficiência no uso de água e nutrientes.

    Além disso, plantas com melhor desenvolvimento radicular tendem a apresentar maior tolerância a estresses ambientais ao longo do ciclo produtivo.

    Durante os cinco dias da Expodireto Cotrijal, especialistas agronômicos da companhia permanecem no estande para apresentar as tecnologias e orientar produtores sobre estratégias de manejo nutricional.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Sustentabilidade e descarbonização

    As iniciativas apresentadas na feira também fazem parte da estratégia global da empresa voltada à descarbonização da cadeia de alimentos e ao avanço da chamada agricultura regenerativa.

    Nesse contexto, a companhia lançou a campanha de posicionamento chamada “Fator Y”, que busca destacar a combinação entre conhecimento científico, inovação tecnológica e sustentabilidade.

    A proposta é reforçar o papel da agricultura brasileira como fornecedora de alimentos para o mundo, ao mesmo tempo em que incentiva práticas produtivas com menor impacto ambiental.

    Fundada na Noruega em 1905, a Yara atua atualmente em mais de 60 países e conta com cerca de 17 mil colaboradores. No Brasil, a empresa está presente nos principais polos agrícolas e mantém mais de 4 mil funcionários, atendendo produtores de diferentes perfis e culturas.