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  • Governo anuncia R$ 4 bilhões para fertilizantes; veja como o crédito vai beneficiar o setor

    Governo anuncia R$ 4 bilhões para fertilizantes; veja como o crédito vai beneficiar o setor

    O governo federal vai destinar R$ 4 bilhões ao setor de fertilizantes. O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou o crédito nesta semana, na abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, em São Paulo.

    Além disso, o valor faz parte do Plano Brasil Soberano 3, que prevê R$ 18,5 bilhões em financiamentos para setores estratégicos da economia. O Conselho Monetário Nacional (CMN) analisa a proposta nesta quarta-feira (26/08).

    IA muda estratégia e competitividade do agronegócio global

    Greening dos citros avança e exige ação rápida nos pomares

    Na prática, os recursos vão passar pelo BNDES e vão financiar crédito e capital de giro. Dessa forma, o pacote vai socorrer empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelos efeitos de guerras e crises geopolíticas.

    Profert e PLP 114 devem ser sancionados em breve

    Alckmin revelou, ainda, que o presidente Lula deve sancionar em breve dois projetos já aprovados pelo Congresso: o Profert e o PLP 114/2026.

    Por um lado, o Profert vai criar mecanismos de crédito fiscal para estimular a produção nacional de fertilizantes. Por outro, o PLP 114 vai permitir reduzir ou suspender tributos federais sobre combustíveis quando o preço do petróleo subir no mercado internacional.

    Setor manteve abastecimento mesmo com dependência externa

    O Brasil importa quase 90% dos fertilizantes que consome. Ainda assim, o setor conseguiu garantir o abastecimento do mercado interno mesmo em meio a guerras e dificuldades logísticas, segundo Elias Alves Lima, presidente do Conselho de Administração da ANDA.

    “De janeiro a maio deste ano, foram entregues 15,46 milhões de toneladas, volume suficiente para atender às necessidades do período. Esse resultado ajudou a preservar aquilo que o Brasil tem de mais estratégico: a força do seu agronegócio, que continua alimentando nosso país e contribuindo decisivamente para a segurança alimentar mundial”, afirmou Lima.

    Governo defende ampliar produção nacional de adubos

    Para o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, o Brasil já reúne condições para ampliar a produção de fertilizantes. No entanto, ele defende que o país transforme esse potencial em uma estratégia de Estado de longo prazo.

    “Temos em São Paulo todos os elos da cadeia produtiva do agro. Nosso agro tem pessoas preparadas, tecnologia, pesquisa e extensão para produzir cada vez mais”, disse Melo Filho, que também cobrou o cumprimento do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF).

    Na mesma linha, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Soares, ligou o aumento da produção agrícola à necessidade de mais adubo. “Na última safra, produzimos mais de 1,2 bilhão de toneladas de produtos agrícolas. Para isso, precisamos do adubo”, afirmou.

    Além disso, Soares lembrou que o governo recupera hoje 1,5 milhão de hectares de terras degradadas por ano. Conforme esse ritmo avançar, a demanda por fertilizantes deve crescer na mesma proporção.

    Brasil amplia produção de bioinsumos

    Nos últimos quatro anos, o país lançou quase 1.300 novos bioinsumos, muitos deles à base de fertilizantes, segundo Cleber Soares. “O Brasil é protagonista nos três grandes desafios do mundo: segurança alimentar, segurança energética e segurança climática”, disse o secretário-executivo.

    Especialista pede união entre produtores, bancos e governo

    Da mesma forma, Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV e ex-ministro da Agricultura, defendeu uma estratégia integrada diante do cenário internacional turbulento.

    “O mundo hoje é complicado, com crise geopolítica e guerras. Para vencer as dificuldades, precisamos de uma estratégia integrada dos produtores rurais, bancos e governo. Temos tudo para ser os produtores globais responsáveis pelo fim da fome no mundo e de liderar a transição para a energia renovável”, afirmou Rodrigues.

    Ministério quer reduzir dependência de fertilizante importado

    Por fim, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou os fertilizantes como insumo estratégico para o país. Em mensagem de vídeo, ele defendeu medidas para reduzir a dependência externa e citou a retomada de plantas industriais que estavam paradas.

    Também por meio de pronunciamentos remotos, os deputados federais Arnaldo Jardim e Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, participaram do congresso.

  • Operação apreende 217 toneladas de fertilizantes adulterados em MT

    Operação apreende 217 toneladas de fertilizantes adulterados em MT

    Uma operação realizada em Mato Grosso apreendeu aproximadamente 217 toneladas de fertilizantes adulterados, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

    A Operação Safra Paralela foi deflagrada na terça-feira (18) e os produtos apreendidos foram avaliados em cerca de R$ 645 mil.

    A ação faz parte da Operação Ronda Agro CXLVI, realizada no âmbito do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras), do MAPA.

    Fiscalização encontrou irregularidades nos fertilizantes

    Durante a fiscalização, as equipes constataram que o estabelecimento envolvido não tinha registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

    Também foram identificadas irregularidades relacionadas à rotulagem e à rastreabilidade dos fertilizantes.

    De acordo com o Mapa, havia ainda indícios de manipulação dos produtos com componentes não autorizados, além da utilização de sacarias pertencentes a terceiros.

    Amostras dos materiais foram coletadas e serão encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) para análise.

    Investigação apura possíveis crimes

    Além das irregularidades encontradas nos produtos, a investigação apura a possível ocorrência de crimes relacionados às atividades investigadas, como organização criminosa, furto qualificado e estelionato.

    Segundo o Mapa, o nome Safra Paralela faz referência à suspeita da existência de um mercado clandestino relacionado à adulteração de fertilizantes e à subtração de grãos.

    Operação reuniu forças de segurança em Mato Grosso

    A operação foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (FICCO/MT).

    A ação contou ainda com apoio do Comando Regional da Polícia Militar de Mato Grosso, em Primavera do Leste, e da Polícia Rodoviária Federal, em Rondonópolis.

    A fiscalização integra as ações de defesa agropecuária voltadas à regularidade da cadeia produtiva e ao controle dos insumos comercializados no setor rural.

  • Brasil quer produzir 30% mais fertilizantes até 2030

    Brasil quer produzir 30% mais fertilizantes até 2030

    A meta do governo federal de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados de cerca de 85% para menos de 70% até 2030, prevista no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), deve acelerar investimentos não apenas na ampliação da capacidade produtiva, mas também em tecnologias capazes de tornar a indústria nacional mais eficiente, competitiva e sustentável.

    O PNF, instituído pelo Decreto nº 10.991/2022 e revisado pelo Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), reúne cinco diretrizes, 27 metas e 168 ações de curto, médio e longo prazos. O plano busca reativar, concluir ou ampliar fábricas estratégicas de fertilizantes no país, com foco especial nos nitrogenados e fosfatados, nutrientes que, junto ao potássio, formam a base da maior parte dos insumos usados na agricultura brasileira.

    Nessa frente, a Petrobras já retomou as fábricas de nitrogenados de Araucária (PR) e Três Lagoas (MS) e amplia encomendas às unidades da Unigel em Sergipe e na Bahia, enquanto o setor privado investe em projetos como o complexo de fosfatados da Serra do Salitre (MG).

    Projeto de lei

    O movimento ganhou reforço concreto neste mês. O Senado aprovou, em 11 de agosto de 2026, o projeto que prevê até R$ 10 bilhões em subsídios, ao longo de cinco anos, para estimular a produção nacional de fertilizantes.

    A medida cria o Profert, com até R$ 2 bilhões anuais em créditos fiscais para novas fábricas e modernização das existentes. O programa também estabelece uma mistura mínima de fertilizantes nacionais, que começa em 2% e chegará a 10% em 2037.

    A iniciativa busca reduzir a dependência brasileira das importações. Atualmente, o país importa 97,8% do potássio, 89% do nitrogênio e 66,4% do fósforo consumidos. Desde 2003, a produção nacional caiu 50,9%.

    Tecnologia se torna peça-chave para a competitividade do setor

    Para especialistas, porém, aumentar a capacidade instalada representa apenas parte da solução. A competitividade da produção nacional dependerá cada vez mais da incorporação de tecnologias voltadas ao controle de qualidade laboratorial e de processos.

    “O desafio não é apenas produzir mais fertilizantes, mas produzir com qualidade, eficiência e custos competitivos. A tecnologia será um fator decisivo para que a indústria brasileira consiga competir com grandes produtores internacionais”, afirma Rafael Soares, diretor da Pensalab.

    Equipamentos de instrumentação analítica permitem acompanhar em tempo real os parâmetros críticos da produção, o que garante maior controle da composição dos fertilizantes e reduz perdas com reprocessamento, variabilidade de matérias-primas e over-spec nutricional ao longo do processo industrial.

    “Com monitoramento contínuo, a indústria consegue assegurar que o produto atenda aos padrões exigidos pelos órgãos reguladores, além de otimizar o uso de matérias-primas e reduzir desperdícios. Isso melhora a produtividade e aumenta a competitividade das plantas nacionais”, explica Soares.

    Automação industrial ganha força nas plantas nacionais

    A automação industrial também avança como aposta estratégica do setor.

    Sistemas automatizados de controle de qualidade elevam a eficiência das linhas de produção ao monitorar 100% da produção em tempo real, o que permite liberar lotes rapidamente sem aumento proporcional dos custos, além de reduzir os resíduos químicos e o consumo energético das plantas.

    Para o especialista em ESG Roberto Gonzalez, a inovação tecnológica também vai impulsionar a expansão dos chamados fertilizantes de menor impacto ambiental.

    “Além de contribuir para processos mais eficientes, novas tecnologias ajudam a atender exigências ambientais cada vez mais rigorosas. E ampliam as oportunidades para produtos alinhados às práticas de sustentabilidade exigidas pelo mercado internacional”, afirma.

    Produção nacional tem caráter estratégico

    O economista Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP, avalia que fortalecer a produção nacional se tornou uma questão estratégica para o país.

    “Embora as questões envolvendo a Venezuela não tragam grandes impactos ao setor, este é um momento de cautela. Ampliar a produção interna é fundamental para garantir competitividade e estabilidade, especialmente diante da implementação do acordo Mercosul-União Europeia”, afirma.

    O apoio federal ao setor, por sua vez, já tem mobilizado recursos expressivos. Além dos R$ 10 bilhões previstos pelo Profert, o programa também autoriza até R$ 1 bilhão em 2026 para conter o impacto da alta dos fertilizantes sobre os consumidores, em um cenário de aumento dos custos relacionados a fornecedores como o Irã.

    Somados aos investimentos privados já anunciados, os aportes reforçam o esforço para reduzir a exposição do agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 8% do consumo mundial de fertilizantes, às oscilações do mercado internacional.

  • Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    O crédito mais restrito, o El Niño e as incertezas do cenário geopolítico estão entre as principais pautas das empresas que participam do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

    O evento começou na terça-feira (11) e segue até quinta-feira (13), no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

    Crédito mais restrito muda estratégia das empresas

    Diretor conselheiro da Andav e líder do grupo de trabalho de pesquisa da entidade, Alberto Yoshida afirma que o setor sente os efeitos do ciclo de investimentos realizado entre 2020 e 2022, quando os preços das commodities estavam em patamares elevados.

    Agora, os preços dos grãos perderam força, os juros estão mais altos e há menos recursos disponíveis para financiamento. O cenário também afeta os distribuidores de insumos.

    “Se os produtores rurais passam por uma dificuldade muito grande, a distribuição está muito próxima. Esse aperto que nós temos é uma consequência inclusive do próprio mercado.”

    Ao mesmo tempo, as distribuidoras enfrentam aumento dos custos operacionais, principalmente com combustíveis e energia elétrica.

    Para Yoshida, o momento exige maior atenção à gestão das empresas, com foco em gestão e fluxo de caixa, análise de balanço e controle de despesas.

    Segundo ele, o cadastro dos clientes ganhou importância e a chamada “esteira de crédito” passou a ser uma ferramenta cada vez mais relevante para os distribuidores.

    Gestão de risco ganha espaço no agro

    Na Fortgreen, a estratégia tem sido reforçar a gestão de risco e ampliar as alternativas de financiamento.

    Segundo o head de crédito, Henrique Ramires, a equipe passou a trabalhar mais próxima da área comercial e dos clientes, inclusive em campo.

    A análise deixou de considerar apenas balanços e declarações financeiras. Também entram na avaliação informações sobre a lavoura, como região, cultura, preços e dados obtidos por imagens de satélite.

    Além disso, a empresa também ampliou o uso de operações de barter e Cédulas de Produto Rural (CPRs) como instrumentos para reduzir riscos e sustentar as vendas.

    “O barter serve para dois cenários: primeiro, alavancar venda; segundo: mitigar risco”, afirmou Ramires.

    Produtores fracionam compra de insumos

    O ambiente de maior cautela também mudou o ritmo de comercialização de insumos, segundo a multinacional Basf.

    Gustavo Bastos, gerente sênior de acesso ao mercado da empresa, afirma que os produtores estão mais criteriosos e têm fracionado as aquisições.

    Com isso, parte das decisões de compra fica para mais perto do momento da aplicação.

    El Niño aumenta atenção para a próxima safra

    O El Niño é um dos principais fatores de preocupação para a próxima safra.

    Segundo Bastos, os efeitos do fenômeno podem variar entre as regiões produtoras. No Cerrado, há preocupação com possíveis impactos sobre o calendário de plantio. No Sul, o cenário pode aumentar a pressão de fungos e doenças.

    A estratégia da empresa, diante da maior incerteza climática, é manter proximidade com os agricultores para ajudar nos ajustes de manejo conforme as condições encontradas no campo.

    O monitoramento climático oficial para 2026 aponta diferenças importantes entre as regiões brasileiras. As projeções para o período de julho a setembro indicam maior probabilidade de chuva abaixo da média em áreas do centro-norte do país e de chuva acima da média em partes da Região Sul.

    Geopolítica preocupa oferta de matérias-primas

    O cenário internacional também aumenta a preocupação com a disponibilidade de matérias-primas utilizadas pela indústria.

    Segundo Thiago Haydn, gerente comercial da Schem Group, os impactos relacionados ao Estreito de Hormuz já repercutem no mercado de enxofre.

    A matéria-prima é relevante para a produção de ácido sulfúrico e, consequentemente, para diferentes fertilizantes e produtos químicos utilizados pelo agronegócio.

    Para Haydn, o risco não está apenas na possibilidade de aumento dos preços.

    “Pior que pagar caro é você não ter produto quando o produtor precisar”, concluiu.

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  • Café: fim da colheita já direciona atenção à safra 2027/28

    Café: fim da colheita já direciona atenção à safra 2027/28

    Com a colheita da safra 2026/27 praticamente concluída, cafeicultores já concentram esforços na próxima temporada. Agora, a atenção se volta à floração e à adubação das lavouras que formarão a safra 2027/28.

    Segundo o Cepea, produtores também se preparam para retomar a aplicação de fertilizantes nitrogenados. Além disso, eles dão sequência aos plantios, reformas e renovações das lavouras. Esse movimento ocorre em meio ao cenário de preços elevados do café, que favorece os investimentos no campo.

    Café ganha poder de compra frente aos fertilizantes

    De acordo com o Centro de Pesquisas, o café apresentou melhora no poder de compra frente aos fertilizantes. Entre maio e o início de agosto, a relação de troca ficou mais favorável aos cafeicultores. O movimento ocorreu diante dos preços dos insumos acompanhados pelo Cepea, com destaque para a ureia.

    Apesar da melhora recente e da valorização do café, a relação de troca ainda exige atenção. O indicador permanece abaixo do nível observado há um ano. Por isso, pesquisadores do Cepea reforçam a importância do planejamento da adubação da próxima safra. A estratégia será fundamental para os produtores que já iniciam os preparativos para a temporada 2027/28.

  • Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    A guerra no Oriente Médio já começa a produzir reflexos concretos sobre o agronegócio brasileiro. Cinco meses após o início do conflito, empresas do setor de fertilizantes estimam uma redução de pelo menos 10% nas entregas para a safra 2026/27.

    Além dos impactos logísticos provocados pela instabilidade na região, produtores enfrentam um cenário marcado por crédito mais caro, aumento do endividamento rural e menor rentabilidade de culturas importantes como soja e milho.

    Compras seguem abaixo do ritmo esperado

    Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões do país, aproximadamente 80% das compras de fertilizantes já foram realizadas.

    O percentual está cinco pontos abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior.

    No caso do milho de segunda safra, as aquisições alcançam 30%, contra 35% observados um ano atrás.

    Segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes para Brasil e Paraguai, houve uma melhora recente no ritmo das negociações.

    Nas últimas três semanas, cerca de 3 milhões de toneladas de fertilizantes foram comercializadas no mercado brasileiro.

    A recuperação dos preços da soja ajudou a melhorar a relação de troca entre grãos e insumos, favorecendo novos negócios.

    “As últimas três semanas trazem uma dose de otimismo dentro desse contexto, mas não tiram toda a complexidade que temos ao navegar nesse cenário”, afirmou Monteiro.

    Mercado deve encolher em 2026

    Em 2025, o Brasil registrou recorde de aproximadamente 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues.

    Para este ano, empresas e consultorias projetam uma redução entre 5 milhões e 10 milhões de toneladas.

    As maiores quedas devem ocorrer nos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.

    Apesar do cenário mais cauteloso, a Mosaic acredita que a retração poderá ficar próxima do limite inferior das projeções.

    Fertilizantes ficaram mais caros

    Um dos fatores que mais preocupa o setor é a disparada dos preços.

    Segundo a indústria, o produtor rural precisa desembolsar atualmente entre duas e quatro sacas adicionais de soja para adquirir a mesma quantidade de fertilizante em comparação ao ano passado.

    Guerra afeta preços globais

    Desde o início do conflito, os mercados internacionais de fertilizantes vêm registrando forte volatilidade.

    A situação no Estreito de Ormuz e em outras rotas estratégicas de transporte influencia diretamente os preços de matérias-primas essenciais para a produção de adubos.

    Dados da StoneX mostram que:

    • O enxofre passou de US$ 435 para US$ 1.152 por tonelada.
    • O MAP (fosfato monoamônico) subiu de US$ 635 para cerca de US$ 890 por tonelada.
    • A ureia avançou de US$ 404 para US$ 461 por tonelada.

    O aumento do preço do enxofre se tornou um dos principais desafios para fabricantes globais.

    Mosaic reduz operações temporariamente

    A escassez de enxofre levou a Mosaic a anunciar, em julho, uma nova redução temporária de operações no Brasil.

    Segundo a empresa, não existe prazo definido para retomada total das atividades.

    O retorno dependerá principalmente da evolução dos preços internacionais da matéria-prima.

    Concorrência com a indústria de baterias preocupa

    Outro fator de pressão é o crescimento da demanda global por enxofre para a fabricação de baterias.

    De acordo com Guilherme Schmitz, vice-presidente de marketing e agronomia da Yara Brasil, o segmento de baterias possui maior capacidade de pagamento e disputa o mesmo insumo utilizado na produção de fertilizantes.

    Logística internacional entra em alerta

    A indústria também acompanha com preocupação possíveis novos gargalos logísticos.

    Entre a importação da matéria-prima e o processamento dos fertilizantes no Brasil, o ciclo pode durar cerca de três meses.

    Nesse período entram etapas como embarque internacional, desembarque nos portos brasileiros, liberação aduaneira e distribuição interna.

    Por isso, empresas recomendam que produtores façam planejamento antecipado das compras.

    Importações atrasadas elevam preocupação

    A StoneX avalia que as importações brasileiras seguem abaixo do ritmo necessário para recompor estoques.

    Segundo o analista Tomás Pernías, o país precisará acelerar as compras nos próximos meses caso queira manter níveis adequados de abastecimento.

    Além do Estreito de Ormuz, o mercado monitora a possibilidade de interrupções no Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de fertilizantes provenientes da Arábia Saudita.

  • Profert avança e mira reduzir dependência de fertilizantes importados no Brasil

    Profert avança e mira reduzir dependência de fertilizantes importados no Brasil

    O Congresso Nacional avançou na criação do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), iniciativa que busca reduzir a dependência externa de insumos estratégicos e fortalecer a segurança alimentar no Brasil. Atualmente, o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, o que expõe o agronegócio a crises internacionais, oscilações de preços e riscos logísticos.

    A forte dependência do mercado externo pressiona os custos de produção e compromete a competitividade do agro brasileiro. Sem acesso estável a fertilizantes, produtores enfrentam queda de produtividade e aumento no preço dos alimentos, cenário que impacta diretamente o consumidor.

    Para enfrentar esse problema, o Projeto de Lei nº 699/2023 propõe estimular a produção nacional, ampliar investimentos e desenvolver a cadeia de fertilizantes no país. O senador Laércio Oliveira (PP-SE), autor da proposta, defende que o Brasil precisa reduzir uma vulnerabilidade histórica e estrutural do setor.

    Desde a apresentação do projeto, em fevereiro de 2023, o texto passou por debates com representantes do governo, indústria e setor agropecuário. A proposta ganhou força no Senado, onde a Comissão de Agricultura aprovou o parecer da senadora Tereza Cristina (PP-MS) em março de 2024.

    Fortalecimento da indústria de fertilizante

    Durante a análise, a senadora destacou que o fortalecimento da indústria de fertilizantes se tornou estratégico diante dos impactos geopolíticos no abastecimento global. Segundo ela, o projeto está alinhado à política industrial do governo, a Nova Indústria Brasil (NIB), e reforça a busca por maior autossuficiência.

    Na Câmara dos Deputados, o projeto passou por mudanças relevantes em maio de 2026 para se adequar à reforma tributária. O relator, deputado Júnior Ferrari (PSD-PA), substituiu os incentivos fiscais tradicionais por um modelo baseado em créditos fiscais voltados a investimentos na cadeia produtiva.

    O novo texto também inclui medidas para estimular a produção interna, incentivar a pesquisa mineral e ampliar investimentos em infraestrutura. A proposta busca corrigir distorções que hoje favorecem fertilizantes importados em relação aos produzidos no Brasil.

    Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendem o Profert como uma política essencial para aumentar a competitividade do país. O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) afirma que o projeto reduz custos de produção e melhora o ambiente de negócios.

    Já o deputado Danilo Forte (União-CE) avalia que o Brasil pode ampliar seu protagonismo no mercado global de alimentos, desde que invista na redução dos custos produtivos.

    Outros parlamentares destacam o potencial do país para expandir a produção de fertilizantes. Para Joaquim Passarinho (PL-PA), o Brasil precisa alinhar sua liderança na produção de grãos com a capacidade industrial de insumos. Sérgio Souza (MDB-PR) reforça que o país deve aproveitar melhor suas reservas minerais.

    O projeto ainda aguarda nova análise no Senado Federal. Se aprovado, o Profert deve criar as bases para reduzir a dependência externa, fortalecer a indústria nacional e garantir maior estabilidade ao agronegócio brasileiro.

  • Fertilizantes voltam a reagir e exigem estratégia do produtor rural

    Fertilizantes voltam a reagir e exigem estratégia do produtor rural

    A dinâmica do mercado de fertilizantes mudou no início de julho e passou a oferecer novas oportunidades de compra para produtores brasileiros. Após meses de pressão sobre os custos de produção, parte dos insumos apresenta maior estabilidade, embora o cenário internacional ainda imponha volatilidade e exija planejamento estratégico para a safra 2026/27.

    A redução das tensões geopolíticas e a retomada das exportações por grandes fornecedores globais impulsionaram a melhora nas negociações. Esse movimento aliviou a pressão sobre os preços de alguns fertilizantes e reaqueceu o mercado brasileiro, especialmente entre produtores que ainda buscam complementar suas compras.

    Mercado de fertilizantes segue dividido

    Apesar do ambiente mais favorável em alguns segmentos, o mercado de fertilizantes mantém comportamento heterogêneo. Produtos com maior oferta registram estabilidade e previsibilidade, enquanto outros continuam pressionados pela oferta restrita e pelos altos custos de matérias-primas.

    Esse cenário mantém produtores cautelosos, com muitos aguardando condições mais atrativas antes de fechar novos negócios.

    Segundo Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o produtor precisa acompanhar o mercado de perto e avaliar cada oportunidade de forma individual.

    Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro
    Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. Foto:
    Divulgação/Biond Agro

    “O cenário ficou menos turbulento nas últimas semanas, principalmente com a retomada das exportações de ureia pela China e a redução das tensões geopolíticas. Ainda assim, o mercado segue muito sensível a qualquer mudança no ambiente internacional. Mais do que esperar novas quedas, o produtor precisa aproveitar as janelas de oportunidade para cada tipo de fertilizante”, afirma.

    Planejamento define competitividade na safra 2026/27

    O planejamento antecipado segue como principal ferramenta para reduzir riscos e proteger a rentabilidade no campo. Produtores que anteciparam parte das compras entraram neste momento com maior segurança e flexibilidade.

    A recomendação, segundo a especialista, envolve avançar nas compras de potássio e adotar aquisições parciais de nitrogênio, fósforo e enxofre. Essa estratégia reduz a exposição às oscilações de preços sem comprometer o abastecimento.

    “O ideal é escalonar as compras e aproveitar relações de troca favoráveis, sem depender de acertar o menor preço do mercado”, destaca.

    Mesmo com a recente melhora, fatores geopolíticos e logísticos ainda podem alterar rapidamente o comportamento dos preços. Por isso, acompanhar o mercado e ajustar a estratégia de compra conforme a necessidade de cada cultura será decisivo para manter a competitividade e controlar os custos na safra 2026/27.

  • Importação de fertilizantes cai 8,6% e abre espaço para indústria nacional

    Importação de fertilizantes cai 8,6% e abre espaço para indústria nacional

    A importação de matérias-primas para fertilizantes recuou 8,6% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Isso segundo levantamento da StoneX. O movimento interrompe o ritmo elevado de compras externas registrado em 2025, quando o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    A retração atingiu insumos estratégicos para a nutrição das lavouras. As compras de ureia caíram 32%, enquanto o MAP (fosfato monoamônico) recuou 24%. O nitrato de amônio e o enxofre registraram quedas ainda mais intensas, de 42% cada. Em sentido oposto, o cloreto de potássio e o TSP avançaram, impulsionados pela migração da demanda diante da oferta restrita de MAP e DAP no mercado internacional.

    A StoneX atribui o recuo à postura mais cautelosa de produtores e importadores. Incertezas no cenário global e relações de troca entre as mais desfavoráveis dos últimos anos levaram ao adiamento de negociações. Ao mesmo tempo, a janela logística se estreita. Tradicionalmente, as compras de fosfatados se concentram entre abril e agosto, para garantir abastecimento na safra de verão, enquanto os nitrogenados ganham força entre junho e dezembro, com foco na segunda safra.

    Fragilidade estrutural

    O cenário reforça uma fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro. O país importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), e lidera o ranking global de importações do insumo. Esse nível de dependência pesa diretamente nos custos de produção. Os fertilizantes representaram, em média, 23% do custo total das culturas de soja, milho e algodão, segundo a Conab. Em Mato Grosso, principal produtor de soja, o insumo responde por 46,7% do custeio da oleaginosa na safra 2026/27, conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

    Apesar dos desafios, o momento abre uma janela estratégica para o fortalecimento da indústria nacional. O Ministério da Agricultura projeta que a produção doméstica poderá atender cerca de 50% da demanda interna até 2050, com iniciativas como a reativação de fábricas de nitrogenados. No curto prazo, fertilizantes líquidos, foliares e soluções para fertirrigação já ganham espaço. O segmento movimentou R$ 26,9 bilhões em 2024, alta de 18,9%, segundo a Abisolo, com destaque para o avanço de 23,2% nos foliares e de 36,1% nos produtos voltados à fertirrigação e hidroponia.

    Momento decisivo

    Para Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, o setor vive um momento decisivo. “O agronegócio brasileiro enfrenta um ano de elevada complexidade, com adversidades climáticas, custos em alta e mercado volátil. Mas também com oportunidades estratégicas capazes de reposicionar o produtor no centro da economia global”, afirma. Segundo ele, planejamento e gestão eficiente serão essenciais para transformar riscos em vantagem competitiva.

    No campo da produção nacional, Minas Gerais concentra cerca de 70% das reservas brasileiras de potássio. O estado abriga a principal mina em operação, em São Gotardo. A capacidade atual gira em torno de 3 milhões de toneladas por ano. Mas projetos de expansão preveem alcançar 23 milhões e, posteriormente, 50 milhões de toneladas anuais, volume próximo ao consumo total do país, estimado em cerca de 60 milhões de toneladas.

    O especialista em fertilizantes Fellipe Parreira, também da GIROAgro, defende uma estratégia integrada para reduzir a vulnerabilidade externa. “O Brasil precisa ampliar o aproveitamento de jazidas nacionais e investir em validação científica para mitigar riscos geopolíticos sem comprometer a produtividade”, diz. Segundo ele, o crescimento consistente da indústria de nutrição vegetal no país já oferece alternativas com menor exposição cambial e maior previsibilidade logística.

  • Fertilizantes ou agrotóxicos? Especialista desfaz mitos sobre o insumo agrícola

    Fertilizantes ou agrotóxicos? Especialista desfaz mitos sobre o insumo agrícola

    Grande parte da população brasileira não sabe diferenciar fertilizantes, adubos, agrotóxicos e defensivos agrícolas. É o que revela uma pesquisa qualitativa encomendada pela Nutrientes Para a Vida (NPV) e conduzida pelo Instituto de Pesquisa Ipeso, que ouviu 600 pessoas em todo o país. O levantamento aponta que os brasileiros conhecem esses insumos apenas superficialmente e não se consideram bem-informados sobre suas funções na produção de alimentos e na conservação dos recursos naturais.

    Para o engenheiro agrônomo Valter Casarin, coordenador-geral e científico da NPV, iniciativa da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), entender como esses elementos atuam é essencial para qualificar o debate sobre segurança alimentar e sustentabilidade.

    “É importante que a sociedade conheça o verdadeiro papel que os fertilizantes desempenham nos sistemas de produção. Esses insumos não substituem práticas como a conservação do solo e o manejo adequado, mas fazem parte de um conjunto de tecnologias que permite produzir mais alimentos com eficiência e responsabilidade ambiental”, afirma o especialista.

    A seguir, Casarin separa mito de verdade sobre cinco crenças comuns a respeito dos fertilizantes.

    Fertilizantes e agrotóxicos são a mesma coisa: mito

    Fertilizantes e agrotóxicos cumprem funções opostas, embora a confusão entre os dois termos seja frequente. Os fertilizantes fornecem nutrientes essenciais, como nitrogênio, fósforo e potássio, para o crescimento das plantas.

    Já os agrotóxicos, também chamados de defensivos agrícolas, protegem as lavouras contra pragas, doenças e plantas daninhas. Em resumo: os fertilizantes nutrem a planta, enquanto os defensivos a protegem.

    Fertilizantes empobrecem o solo: mito

    O uso correto de fertilizantes faz o oposto do que muitos imaginam. A cada safra, o solo perde parte de seus nutrientes junto com grãos, frutas, fibras e outros produtos colhidos. Os fertilizantes repõem justamente esses elementos minerais, e ajudam a manter a fertilidade e a capacidade produtiva da terra.

    A ausência dessa reposição, ou o manejo inadequado da área, é o que de fato compromete a qualidade do solo, não o uso responsável do insumo.

    Fertilizantes ajudam a preservar as florestas: verdade

    O aumento da produtividade em áreas já cultivadas permite produzir mais alimentos sem expandir continuamente a fronteira agrícola. Essa dinâmica reduz a pressão por abertura de novas áreas e favorece a conservação de ecossistemas naturais.

    Nas últimas décadas, os ganhos de produtividade no Brasil possibilitaram ampliar significativamente a produção agropecuária sem um crescimento proporcional da área cultivada. Um fenômeno que pesquisadores da Embrapa costumam chamar de “poupança de florestas”.

    Quanto mais fertilizante, maior a produção: mito

    A quantidade aplicada não determina, sozinha, o resultado da colheita. Assim como na alimentação humana, tanto a falta quanto o excesso de nutrientes podem prejudicar o desenvolvimento das plantas.

    A dosagem correta deve considerar a análise do solo, as necessidades específicas de cada cultura e o estágio de desenvolvimento da lavoura. Esse equilíbrio garante maior eficiência no uso dos nutrientes, melhor desempenho produtivo e menor risco de impactos ambientais.

    A agricultura orgânica não usa fertilizantes: mito

    Sistemas de produção orgânica também dependem de fertilizantes. A diferença está na origem dos insumos permitidos. As normas da produção orgânica priorizam fontes como esterco, compostos orgânicos e determinados minerais naturais.

    Independentemente do sistema de cultivo, toda planta precisa de nutrientes para crescer, completar seu ciclo biológico e produzir alimentos.

    Informação como ferramenta de sustentabilidade

    Para Casarin, disseminar informações confiáveis sobre o tema é fundamental para qualificar o debate sobre produção agrícola sustentável. “Fertilizantes não são vilões, nem soluções mágicas. São ferramentas que, quando utilizadas corretamente, ajudam a garantir alimentos na mesa, renda no campo e maior preservação dos recursos naturais”, conclui o coordenador da NPV.