O conflito no Oriente Médio acendeu um alerta no setor brasileiro de carne de frango. A região recebeu quase 25% das exportações brasileiras da proteína em 2025. Os agentes consultados pelo Cepea monitoram o cenário e avaliam possíveis impactos no comércio exterior.
Oriente Médio concentra grandes compradores
Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita figuram entre os principais destinos da carne de frango brasileira.
Os Emirados lideram o ranking de importadores. Já a Arábia Saudita ocupa a terceira posição entre os mercados compradores. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam forte volume embarcado em 2025.
O Brasil enviou mais de 877 mil toneladas de carne de frango para esses dois países no período.
Agentes de mercado relatam preocupação com novos agendamentos de exportação para a região. Segundo consultados pelo Cepea, o conflito pode levar à suspensão de embarques para o Oriente Médio. Além disso, países próximos já enfrentam reflexos das tensões geopolíticas. Entre eles estão Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano.
Outro fator elevou o alerta no comércio internacional. O Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz na segunda-feira (2). A rota marítima é estratégica para o comércio com países da Península Arábica.
Setor avalia redirecionar carne para outros mercados
Diante do cenário, agentes analisam redirecionar a carne de frango para outros mercados internacionais.
Os países afetados compram principalmente frango inteiro do Brasil. Porém, a mudança enfrenta desafios logísticos, legais e fitossanitários no comércio exterior. Esses fatores podem dificultar a realocação rápida dos embarques.
Mercado interno surge como alternativa
Caso as exportações sejam fortemente afetadas, parte da produção pode seguir para o mercado interno. Essa alternativa, porém, também traz novos desafios para a cadeia produtiva. O setor precisaria adaptar embalagens, etiquetas e outros requisitos comerciais. Essas mudanças exigem ajustes operacionais e planejamento das empresas exportadoras.
Quando se fala em conflito entre Estados Unidos e Irã, o primeiro pensamento é quase sempre o petróleo. Mas há outro produto que merece atenção de quem acompanha mercados agrícolas globais: o pistache.
Na manhã do último sábado (1º de março), EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. Os bombardeios mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por quase quatro décadas, mergulhando a nação em instabilidade e acendendo um alerta em mercados que vão muito além do petróleo.
Em resposta ao conflito, o governo iraniano anunciou a proibição das exportações de todos os produtos alimentícios e agrícolas “até novo aviso”, priorizando o abastecimento interno, segundo a agência de notícias semi-oficial Tasnim. A medida bloqueia embarques de “todos os alimentos e produtos agrícolas”, de acordo com comunicado governamental.
O Irã não é um fornecedor qualquer de pistache. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país responde por cerca de 18% da produção global da oleaginosa. Na safra 2025/2026, a produção iraniana deve atingir 200 mil toneladas.
O Irã é um dos três países que dominam a produção mundial de pistache, ao lado de EUA e Turquia. Nos últimos anos, os EUA, liderados quase inteiramente pela Califórnia, se distanciaram dos concorrentes em volume e respondem hoje por aproximadamente metade de toda a oferta global.
O conflito chega em um momento já delicado para o mercado. Desde pelo menos janeiro de 2026, exportadores iranianos já enfrentavam restrições ligadas à instabilidade interna e bloqueios de internet e comunicações que dificultavam o contato com compradores internacionais, afetando a atividade exportadora antes mesmo da escalada militar.
Há ainda um fator de ciclo agrícola que complica o quadro: a produção de pistache segue um padrão bienal de alternância. Em 2026, a expectativa é que tanto EUA quanto Irã entrem em ano de baixa produção, o que já tornaria a oferta global mais apertada independentemente do conflito.
Cadeia global em alerta
O pistache iraniano abastece alguns dos maiores mercados consumidores do mundo. Entre setembro de 2024 e março de 2025, o Irã exportou 64% de seu estoque total, sendo 26% destinados a mercados de reexportação como Emirados Árabes Unidos e Turquia, outros 26% ao Leste Asiático, 19% ao Sul da Ásia e 10% ao restante do Oriente Médio.
O impacto já começa a aparecer nos preços. Um atacadista de frutas secas e castanhas no estado indiano de Madhya Pradesh relatou à imprensa local que os preços do pistache subiram quase 26% na semana seguinte ao início das hostilidades.
Especialistas apontam que o maior risco não está nas lavouras em si, mas na logística. Segundo Louise Ferguson, professora do Departamento de Ciências Vegetais da Universidade da Califórnia em Davis, a cadeia de abastecimento do pistache é mais vulnerável a interrupções causadas pelo conflito, especialmente no Estreito de Ormuz, do que a produção propriamente dita.
A exportação do pistache movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano para o Irã e gera 350 mil empregos diretos no país. Entre 70% e 80% da produção é destinada ao mercado externo, tornando o produto uma das principais fontes de receita não ligada ao petróleo.
Uma rivalidade com raízes históricas
A disputa entre Irã e EUA no mercado de pistache não é nova. Toda a produção americana de pistache descende de uma única semente iraniana. Na década de 1970, consumidores norte-americanos consumiam cerca de 9 mil toneladas anuais de pistaches importados do Irã. A crise dos reféns em 1979 e o embargo comercial subsequente abriram espaço para que os produtores californianos ocupassem o mercado, e nunca mais saíssem.
Foto: Forças de Defesa de Israel/Reprodução
Juntos, EUA e Irã respondem por mais de 70% das exportações globais de pistache. Os principais campos de batalha comercial entre os dois países são a Europa Ocidental e a China, onde a demanda é forte e crescente.
O Brasil no meio da crise
O Brasil não produz pistache, pois as condições climáticas do país inviabilizam o cultivo. Mas o consumo tem crescido de forma expressiva nos últimos anos. Em 2022, as importações foram de 352 toneladas; saltaram para 601 toneladas em 2023 e atingiram 1.100 toneladas em 2024, segundo o governo federal.
Os Estados Unidos são o principal fornecedor do país, seguidos pelo Irã. Nos primeiros meses de 2026, o Brasil importou 49 toneladas de pistache iraniano, volume superior às 35,5 toneladas adquiridas dos americanos no mesmo período, segundo o sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em 2025, o país também importou cerca de 1.400 toneladas de uva-passa iraniana, além de nozes, amendoins e tâmaras. Contudo, nenhum desses produtos representa insumo essencial da cadeia alimentar brasileira, o que limita o impacto imediato da crise sobre o abastecimento doméstico.
O risco para o consumidor brasileiro é de outra natureza: pressão de preços. Com a oferta iraniana bloqueada e o ciclo agrícola desfavorável nos EUA em 2026, o mercado global pode enfrentar um aperto de oferta que se reflete nas prateleiras, do snack saudável ao sorvete gourmet de pistache.
O Brasil voltou a exportar sorgo para a China, encerrando um hiato de 12 anos. A remessa, feita em janeiro, totalizou 25,83 toneladas, suficiente para encher apenas um contêiner, segundo dados do governo brasileiro.
O embarque ocorreu logo após dez tradings receberem autorização, em novembro de 2025, para enviar o grão ao mercado chinês. Essa foi a primeira venda desde 2014, quando o país asiático importou 1.374 toneladas de sorgo brasileiro.
Expansão do mercado e nova oportunidade
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) acredita que novos embarques devem ocorrer nos próximos meses, com a China interessada em diversificar o fornecimento de grãos para ração animal. O país asiático busca reduzir a dependência de importações dos Estados Unidos, seu principal fornecedor tradicional.
Segundo o diretor-executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o avanço nas exportações aconteceu após a inspeção sanitária de técnicos chineses, que validaram as condições das lavouras brasileiras.
“Com as exigências fitossanitárias resolvidas, começamos a ver novos embarques de sorgo para a China”, explicou Silveira.
Sustentação do consumo interno
Apesar do avanço comercial, o Brasil ainda não tem grandes volumes disponíveis para exportação, já que parte significativa da produção abastece o mercado interno. O setor de etanol de milho, em expansão, também consome sorgo como matéria-prima.
“Não temos excedente, porque o consumo interno está forte. O etanol de milho também puxa a demanda”, disse Silveira.
Uma fonte do setor, que preferiu não se identificar, afirmou que a carga enviada pode ter sido teste de qualidade ou uma venda pontual para um pequeno importador chinês.
Mesmo com exportações modestas, o sorgo ganha importância na pauta agrícola brasileira. A Conab prevê que a safra 2025/26 cresça quase 10%, chegando a 6,7 milhões de toneladas. O avanço reflete o aumento da área plantada e o uso do sorgo como alternativa em regiões mais secas, especialmente no Cerrado.
O Brasil deu mais um passo importante na expansão de suas exportações ao realizar o primeiro embarque de DDG (grãos secos de destilaria) com destino à China. O navio partiu do Porto de Imbituba (SC) transportando cerca de 62 mil toneladas do coproduto da produção de etanol de milho, consolidando um marco na pauta comercial do agronegócio brasileiro.
O envio é resultado do trabalho conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após a assinatura do protocolo sanitário bilateral com as autoridades chinesas. Desde então, a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) coordenou o processo de registro, habilitação e inspeção das plantas interessadas em acessar o novo mercado. Até o momento, 13 estabelecimentos brasileiros receberam autorização oficial para exportar DDG à China. Isso após comprovarem boas práticas de fabricação, rastreabilidade e controle de segurança alimentar.
Volume cresce
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), o Brasil exportou 879.358 toneladas de DDG e DDGS em 2025. Volume 9,77% superior ao de 2024. As remessas atenderam 25 destinos. E reforçaram a imagem dos Brazilian Distillers Grains como produtos de alto valor agregado na cadeia do milho e da bioenergia.
A China, por sua vez, importou mais de US$ 66 milhões em DDG em 2024, voltados principalmente à formulação de ração animal. Com o novo acordo e o embarque inaugural, o Brasil se posiciona como fornecedor competitivo e confiável para o mercado chinês.
O avanço nas exportações acompanha o crescimento da indústria nacional de etanol de milho, que projeta para a safra 2025/2026 a produção de quase 10 bilhões de litros do biocombustível. Essa expansão impulsiona também a oferta de coprodutos como o DDG, cada vez mais valorizado no mercado internacional.
O que é DDG
O DDG (Distillers Dried Grains) é um coproduto obtido durante o processamento do milho para a produção de etanol. Após a fermentação e destilação, o material restante, rico em proteínas, fibras e lipídios, é seco e transformado em ingrediente de alto valor nutritivo usado na alimentação animal.
Os preços do milho mostram reação em algumas regiões. Os produtores seguram as vendas e evitam novas quedas. Portanto, o movimento interrompe a baixa vista até janeiro. A colheita da soja reduz a oferta de fretes.
Com isso, o custo logístico do milho diminui. Esse fator limita recuos mais intensos do cereal, segundo o Cepea.
Os compradores adotam postura cautelosa no mercado interno. Muitos agentes aguardam maior oferta nas próximas semanas. Os trabalhos de campo avançam e ampliam a disponibilidade. Esse cenário pode pressionar valores mais adiante.
As exportações brasileiras seguem em ritmo firme. O país embarcou 4,24 milhões de toneladas em janeiro.
O volume supera em 18% o registrado em 2025, os dados oficiais são da Secretaria de Comércio Exterior. Na temporada 2024/25, os embarques crescem com consistência.
O total exportado atinge 41,62 milhões de toneladas. O resultado fica 8% acima do ciclo anterior.
O desempenho externo ajuda a sustentar o mercado.
Soja
No mercado da soja, as cotações mostram estabilidade. Os preços iniciam fevereiro sem grandes oscilações. A demanda internacional dá suporte às negociações. O dólar valorizado também favorece a oleaginosa.
A alta externa contribui para firmar o mercado. Entretanto, os prêmios de exportação recuam com força.
Esse fator limita o repasse ao mercado doméstico.
Em Chicago, a soja recebe impulso recente. O movimento ocorre após reunião entre Estados Unidos e China.
Os países reafirmam compromisso de ampliar compras. O acordo anima os agentes e sustenta cotações.
As exportações brasileiras começam 2026 aceleradas.
O Brasil embarcou 1,87 milhão de toneladas em janeiro. O volume cresceu 75,5% sobre o mesmo mês anterior.
A China respondeu por 57,2% das compras externas. O cenário confirmou a força da soja brasileira.
O mercado acompanha a evolução da colheita nacional e os produtores e indústrias ajustam estratégias de venda. Os próximos meses definirão o rumo dos preços.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram pelo sexto mês seguido. O movimento ocorre após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Já as vendas do Brasil para a China mantiveram trajetória de crescimento.
O Ministério do Desenvolvimento divulgou os dados nesta quinta-feira, em Brasília. Em janeiro, as exportações aos EUA somaram US$ 2,4 bilhões. O valor representa queda de 25,5% na comparação anual. No mesmo mês de 2025, as vendas atingiram US$ 3,22 bilhões.
As importações de produtos norte-americanos também diminuíram no período. O Brasil comprou US$ 3,07 bilhões dos Estados Unidos. O número indica retração de 10,9% sobre janeiro do ano passado. Com esse desempenho, a balança comercial bilateral registrou déficit. O saldo ficou negativo em US$ 670 milhões para o Brasil.
A redução nas exportações ocorre desde a aplicação das tarifas extras. O governo norte-americano impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros em 2025. Depois, as autoridades revisaram parte das alíquotas no fim do ano. Mesmo assim, o impacto permanece sobre o comércio brasileiro. O MDIC calcula que 22% das vendas ainda pagam tarifas adicionais. As taxas atuais variam entre 40% e 50%.
China mantém resultado positivo
O comércio com a China seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro. O total embarcado alcançou US$ 6,47 bilhões no período. Um ano antes, o valor exportado somou US$ 5,51 bilhões. Já as importações brasileiras da China recuaram 4,9%. As compras caíram para US$ 5,75 bilhões. Com isso, o Brasil obteve superávit comercial com os chineses. O saldo positivo chegou a US$ 720 milhões no mês.
A corrente de comércio com a China apresentou avanço. A soma de exportações e importações atingiu US$ 12,23 bilhões. O resultado indica alta de 5,7% na comparação anual.
No caso dos Estados Unidos, o cenário foi diferente. O intercâmbio comercial totalizou US$ 5,47 bilhões. O volume caiu 18% frente ao mesmo período anterior.
Desempenho em outros mercados
O comércio com a União Europeia também mostrou retração. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 310 milhões. A corrente comercial com o bloco recuou 8,8%. As exportações para os europeus caíram 6,2% em janeiro. As importações do Brasil diminuíram 11,5% no mesmo intervalo.
Com a Argentina, o fluxo comercial encolheu de forma mais intensa. O comércio bilateral apresentou queda de 19,9% no mês. Mesmo com a retração, o Brasil manteve saldo positivo. O superávit com o país vizinho alcançou US$ 150 milhões. As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 24,5%. As importações vindas do mercado argentino caíram 13,6%.
O tarifaço dos Estados Unidos interrompeu o ciclo de recordes das exportações brasileiras de café solúvel em 2025. O Brasil exportou 85,082 mil toneladas do produto no ano, segundo a ABICS. Esse volume equivale a 3,688 milhões de sacas de 60 quilos. Em resumo, o resultado representa queda de 10,6% frente a 2024. Apesar disso, a receita cambial cresceu e atingiu nível histórico.
As exportações geraram US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% em relação ao ano anterior. Segundo a ABICS, a valorização do café sustentou os preços do solúvel.
Preços compensam menor volume exportado
A alta das cotações do arábica e do canéfora elevou o valor do café solúvel. Assim, mesmo com menos embarques, o faturamento externo avançou. O diretor da ABICS, Aguinaldo Lima, atribui o ganho à matéria-prima mais cara.
A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos impactou fortemente os embarques brasileiros. As exportações ao mercado norte-americano caíram 28,2% em 2025. Entre agosto e dezembro, a retração chegou a 40%.
Segundo Lima, a medida reduziu a competitividade do produto brasileiro. Além disso, importadores buscaram fornecedores com tarifas menores. Como resultado, o Brasil perdeu participação em um mercado estratégico.
EUA seguem líderes, apesar da queda
Mesmo com o tarifaço, os Estados Unidos lideraram as importações do café solúvel brasileiro. O país comprou 558.740 sacas em 2025. Na sequência, a Argentina importou 291.919 sacas, com crescimento de 40,2%. A Rússia ocupou o terceiro lugar, com 278.050 sacas, alta de 9,8%. Outros destinos relevantes foram Indonésia, México e Vietnã. A Colômbia ampliou as compras em 178,2%, alcançando 130.029 sacas. Segundo a ABICS, esses países também produzem café solúvel em larga escala. Redirecionamento enfrenta obstáculos comerciais
A queda nas vendas aos EUA exige redirecionamento das exportações brasileiras. Entretanto, o cenário global impõe desafios ao setor. O Brasil possui poucos acordos comerciais amplos, segundo a ABICS. Além disso, outras tarifas reduzem a competitividade do café solúvel nacional. Lima afirma que redirecionar grandes volumes demanda tempo e investimentos. O processo exige marketing, adaptação regulatória e negociações comerciais.
Consumo interno bate novo recorde
Enquanto as exportações recuaram, o mercado interno apresentou forte crescimento. O consumo doméstico atingiu 27,008 mil toneladas em 2025. O volume equivale a 1,170 milhão de sacas. O resultado representa alta de 9,5% frente a 2024. Segundo Lima, o consumidor brasileiro aderiu mais ao café solúvel. A menor inflação do produto também estimulou a demanda interna.
Reforma Tributária eleva custos do setor
A Reforma Tributária trará impactos relevantes à indústria de café solúvel. A partir de 2027, o setor perderá o crédito presumido de 7,4%. A medida elevará o custo implícito das exportações durante a transição tributária.
Segundo a ABICS, a indústria pode perder R$ 430 milhões por ano. O valor representa 7,4% das exportações de 2025. Por saca, o custo adicional equivale a US$ 19,89.
Perspectivas exigem estratégia para 2026
O setor enfrenta contraste entre mercado interno forte e comércio externo desafiador. A possível perda do mercado norte-americano exige resposta estratégica. A diversificação de destinos e novos acordos comerciais tornam-se prioritários.
A União Europeia surge como alternativa promissora no médio prazo. Além disso, o setor busca diálogo para mitigar efeitos da Reforma Tributária. Segundo Lima, investimentos de R$ 2,5 bilhões reforçam a resiliência da indústria.
As exportações de gengibre do Espírito Santo cresceram 8% em 2025 e consolidaram o Estado como um dos principais fornecedores do produto no mercado global. No total, os embarques somaram 28,6 mil toneladas, ante as 26,4 mil toneladas registradas em 2024.
Reconhecido pela alta qualidade, o gengibre capixaba alcançou 50 países. Os Países Baixos lideraram as compras, com US$ 19,91 milhões em importações, seguidos pelos Estados Unidos (US$ 11,68 milhões) e pela Itália (US$ 1,77 milhão).
Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, o desempenho reflete o trabalho contínuo de fortalecimento da cadeia produtiva e a ampliação de mercados internacionais.
“O crescimento das exportações e a presença do gengibre capixaba em 50 países demonstram a força da nossa agricultura e o reconhecimento internacional da qualidade do produto. Esse resultado é fruto de investimentos em tecnologia, boas práticas agrícolas e da parceria entre produtores, cooperativas e o poder público”, afirmou Bergoli.
As exportações brasileiras de açúcar recuaram em 2025, mas ainda registraram o segundo maior volume da história. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o país embarcou 33,774 milhões de toneladas no acumulado do ano, volume 11,7% menor que o recorde de 2024, quando foram exportadas 38,237 milhões de toneladas.
Em dezembro, os embarques somaram 2,912 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado reflete o bom ritmo dos embarques no fim do ciclo, puxado pela demanda firme da Ásia, mesmo diante da queda nos preços internacionais do açúcar.
Apesar da retração anual, o Brasil manteve a liderança mundial nas exportações da commodity, sustentado pela competitividade do produto no mercado internacional e pelo interesse contínuo de países como China, Bangladesh e Arábia Saudita.
A melhoria na infraestrutura portuária e os ganhos de eficiência logística aumentaram a capacidade brasileira de escoamento. Permitindo que os principais destinos operassem com estoques mais baixos. Esse avanço reduziu o tempo de reposição de açúcar e reforçou a presença do Brasil como fornecedor estratégico global.
Fechando o ano
Em dezembro, as vendas externas de açúcar bruto atingiram 2,469 milhões de toneladas, com leve queda de 1% na comparação anual. Já as exportações de açúcar branco cresceram 31,6%, totalizando 443 mil toneladas. No acumulado de 2025, o país exportou 29,469 milhões de toneladas de açúcar bruto (-12,0%) e 4,305 milhões de toneladas de açúcar branco (-9,6%).
A queda dos preços internacionais e a variação cambial pressionaram a receita. O valor médio da tonelada exportada em dezembro foi de US$ 374,55. Uma baixa de 21,6% em relação ao mesmo mês de 2024 e o menor patamar desde novembro de 2021. Como resultado, a receita com exportações de açúcar somou US$ 1,09 bilhão no mês (-19,4%) e US$ 14,109 bilhões no acumulado de 2025, queda anual de 24,2%.
A China segue como principal destino do açúcar brasileiro, com 385 mil toneladas embarcadas em dezembro (13,2% do total) e 4,739 milhões de toneladas no acumulado do ano. Uma alta de 56,9% frente a 2024. A Índia ficou em segundo lugar, com 2,628 milhões de toneladas (-21,6%), seguida pela Argélia, com 2,121 milhões (-4,7%).
O Brasil exportou 40,05 milhões de sacas de café em 2025, uma queda de 20,8% em relação ao ano anterior. Apesar do volume menor, o valor das exportações atingiu um recorde histórico de US$ 15,6 bilhões, um crescimento de 24,1%, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A retração já era esperada após o desempenho excepcional de 2024 e a menor disponibilidade do produto no ano passado. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, destaca que o clima adverso e o esgotamento dos estoques contribuíram para a redução. “Exportamos volumes recordes em 2024, o que diminuiu a oferta em 2025”, afirma.
Tarifas dos EUA e gargalos logísticos afetaram os embarques
Além da menor oferta, o chamado “tarifaço” norte-americano, que impôs tarifas de 50% sobre o café brasileiro entre agosto e novembro, agravou a queda nas vendas. Durante o período, os embarques aos Estados Unidos caíram 55%. O produto solúvel continua sujeito à taxação, o que mantém o ritmo de retração nas exportações para o país.
Ferreira aponta ainda os entraves logísticos como outro fator de prejuízo. “A falta de estrutura adequada para cargas conteinerizadas gerou perdas de R$ 61,5 milhões em 2025, devido a atrasos e custos extras nos portos”, relata. Segundo o boletim Detention Zero, elaborado pela ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios enfrentaram atrasos em 2024, impedindo o embarque médio mensal de 613,4 mil sacas.
Alemanha assume liderança nas importações de café brasileiro
A Alemanha ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o principal destino do café brasileiro, com 5,41 milhões de sacas importadas (13,5% do total), mesmo com queda de 28,8% em relação a 2024. Os EUA ficaram em segundo lugar, com 5,38 milhões (-33,9%).
Presidente do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, destaca sustentabilidade e inovação durante abertura do Coffee Dinner & Summit 2025, em Campinas – Fotografia: Pedro H. Lopes
Também figuram entre os cinco maiores compradores a Itália (3,15 milhões; -19,6%), o Japão (2,65 milhões; +19,4%) e a Bélgica (2,32 milhões; -47%). Entre os dez principais importadores, apenas Turquia (+3,3%) e China (+19,5%) ampliaram suas compras em 2025.
Arábica segue dominante e cafés diferenciados ganham valor
O café arábica manteve a liderança com 32,3 milhões de sacas exportadas (80,7% do total), seguido por canéfora (4 milhões), café solúvel (3,69 milhões) e torrado e moído (58,5 mil).
Os cafés diferenciados, com certificações sustentáveis ou de qualidade superior, representaram 20,3% das exportações totais – 8,15 milhões de sacas. Embora o volume tenha caído 10,9%, a receita aumentou 39,1%, alcançando US$ 3,53 bilhões. O preço médio da saca foi de US$ 432,78.
Os EUA lideraram a importação desses cafés premium, com 1,32 milhão de sacas, seguidos por Alemanha, Bélgica, Holanda e Itália.
Porto de Santos concentra 79% das exportações
O Porto de Santos permaneceu como o principal canal de embarque do café brasileiro, responsável por 31,5 milhões de sacas (78,7% do total). O porto do Rio de Janeiro respondeu por 17,7% (7,1 milhões de sacas), enquanto Paranaguá (PR) movimentou 371 mil sacas (0,9%).
Para Ferreira, a receita recorde reflete tanto o aumento das cotações internacionais quanto o investimento constante dos cafeicultores em tecnologia e qualidade. “O Brasil segue como referência mundial, exportando para mais de 120 países e mantendo mais de um terço do market share global”, afirma o presidente do Cecafé.