Tag: exportações

  • Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    O agronegócio brasileiro mergulha em um verdadeiro pesadelo logístico. O Estreito de Ormuz, essa artéria vital do comércio global, fechou no fim de fevereiro de 2026 em meio às tensões entre Irã, EUA e Israel. Remessas de frango, grãos e soja agora desviam para o Mar Vermelho, um caminho que dobra custos de frete e acende temores de atrasos que pesam direto no seu bolso.

    Rotas redirecionadas

    Enquanto os exportadores correm para manter os produtos rolando, grandes transportadoras redirecionam navios carregados com os 95 mil contêineres de frango brasileiro do ano passado, rumo ao Oriente Médio. Ricardo Santin, do comando da ABPA, diz que nenhum rompimento grande aconteceu ainda; navios em trânsito tentam passagem, enquanto o Ministério da Agricultura ajusta papéis para novos portos. Ainda assim, fretes de contêineres refrigerados quase dobraram da noite pro dia, corroendo lucros em cada etapa.

    Mudança de rotas após bloqueio pressiona fretes, atrasa cargas e afeta insumos agrícolas

    O desvio pelo Mar Vermelho salva alguns negócios, mas armazéns lotam com cargas congeladas que não esperam pra sempre. Negociantes miram portos turcos como rota alternativa esperta pra Ásia Central, burlando o bloqueio do Golfo por completo.

    Escassez de fertilizantes já é um problema

    O Brasil importa 85% dos fertilizantes, e 20-30% do suprimento mundial passa por Ormuz. Preços da ureia saltaram 36% em dias, enquanto o enxofre pros fosfatos atrasa, encarecendo soja, milho e algodão em todo o Cerrado.

    Daniel Kümmel, da Abitrigo, alerta pro baque imediato. “Esse fechamento do Estreito de Ormuz já impacta diretamente nossos negócios, porque fretes marítimos vão mudar, a questão dos seguros e a questão também do petróleo em si.” Estoques de trigo aguentam três meses, mas pães podem subir de preço no país todo se o rolo se arrastar. Um dólar mais forte engorda a receita de exportação em reais, mas agrotóxicos e máquinas importadas mordem de volta.

    Produtor rural vive momento de tensão

    O agro fica de olho em cada faísca do conflito. Problemas logísticos dominam sobre proibições totais, somando-se aos engasgos globais de navios. Especialistas da UFG apontam a falta de ureia e enxofre como as verdadeiras assassinas de produtividade na próxima safra.

    Produtores se viram onde dá, mas o tabuleiro segue instável. Uma guerra prolongada pode forçar cortes no plantio ou margens de navalha. Todo mundo acompanha os fios diplomáticos, torcendo por um alívio antes do próximo ciclo de cultivo decolar.

  • Exportações de algodão batem recorde e sustentam mercado

    Exportações de algodão batem recorde e sustentam mercado

    As exportações brasileiras de algodão seguem aquecidas, enquanto o mercado interno registra negociações pontuais. Além disso, os embarques atingem recordes e avançam no acumulado de 12 meses.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a retomada das compras pela China impulsiona esse desempenho externo.
    Ao mesmo tempo, o mercado interno enfrenta oscilações de preços e diferenças entre paridade de exportação e cotações.

    Em março, o Brasil exportou 347,8 mil toneladas de algodão. Esse volume supera fevereiro em 28,6% e cresce 45,4% frente a março de 2025. Com isso, o resultado marca o maior embarque já registrado para meses de março. Além disso, representa o maior volume desde dezembro de 2025.

    No acumulado de 12 meses, o país soma 3,032 milhões de toneladas exportadas. Esse total supera todo o volume embarcado em 2025, que foi de 3,026 milhões.

    De acordo com dados da Secex, o desempenho reforça a força do Brasil no mercado global. Enquanto isso, o mercado interno mantém liquidez limitada e negociações pontuais.

    No mercado spot nacional, os preços oscilam, mas permanecem firmes, segundo o Cepea. Em alguns momentos, a demanda enfraquecida pressiona as cotações. Além disso, compradores tentam adquirir lotes a preços menores diante de dificuldades nas vendas de manufaturados. Por outro lado, vendedores resistem, principalmente para algodão de melhor qualidade.

    Ao mesmo tempo, algumas indústrias buscam recompor estoques e sustentam os preços.
    Assim, o mercado interno mantém equilíbrio, mesmo com oscilações recentes.

  • Feijão preto pode render até 6 mil kg/ha? Conheça a aposta da Embrapa

    Feijão preto pode render até 6 mil kg/ha? Conheça a aposta da Embrapa

    O feijão preto ocupa um lugar insubstituível na cultura alimentar brasileira. Portanto, quando a oferta interna cai, os impactos chegam direto ao bolso do consumidor e à rentabilidade do produtor.

    Em safras nas quais a produção nacional não consegue abastecer o mercado interno, é comum o Brasil importar feijão preto de países como Argentina e China. Assim, a Embrapa Arroz e Feijão apresentou ao mercado uma resposta concreta. Trata-se da cultivar BRS FP417, lançada em fevereiro de 2025 durante o 36º Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR).

    O setor produtivo nacional ganha um material genético desenvolvido para elevar produtividade, reduzir perdas por doenças e melhorar a qualidade comercial dos grãos.

    O que torna a BRS FP417 diferente

    A BRS FP417 se destaca por reunir resistência a várias doenças que impactam a rentabilidade da cultura, apresentando ótimos níveis de resistência à antracnose e à murcha de fusário, além de resistência intermediária ao crestamento bacteriano comum e à murcha de curtobacterium. Essas enfermidades causam perdas expressivas em lavouras de todo o Brasil. Por isso, a resistência genética se traduz em economia direta para o produtor, sem precisar aumentar o custo com fungicidas.

    Foto: ARAÚJO, Sebastião José de

    Além disso, a cultivar se destaca pela rusticidade aliada à alta produtividade e excelente qualidade comercial de grãos. Não se trata apenas de uma planta resistente. Trata-se de um material que entrega desempenho superior em condições reais de campo. A BRS FP417 possui alto rendimento de peneira 11 (4,25mm), atingindo 86% dos grãos nessa classificação, e tempo médio de cocção de 32 minutos. Dessa forma, o grão atende tanto às exigências da indústria alimentícia quanto às do consumidor final.

    Produtividade: os números que interessam ao produtor

    Com ciclo de desenvolvimento normal, o potencial produtivo da BRS FP417 pode chegar a 6.000 kg/ha, dependendo do ambiente de produção. A média nacional de produtividade do feijão gira em torno de 1.400 a 1.500 kg/ha. Assim, o potencial dessa cultivar é quatro vezes superior à média do setor.

    Nos experimentos de validação, a linhagem apresentou produtividade média de 2.465 kg/ha, com potencial de 4.096 kg/ha a partir da média dos cinco experimentos com as maiores produtividades. Esses resultados, portanto, são sólidos e replicáveis.

    Um dos grandes diferenciais da BRS FP417 é sua arquitetura ereta de porte alto com resistência ao acamamento, o que facilita a colheita mecanizada. A cultivar atende diretamente à demanda por lavouras adaptadas a sistemas modernos e de larga escala.

    Onde adquirir as sementes da BRS FP417

    A proposta é comercializada por empresas parceiras da Embrapa: Sementes Cittolin, NL Lunardi Sementes, Cooperativa Agrícola Mista São Cristóvão, Cooperativa Agroindustrial Alfa, Coprossel e outras licenciadas.

    A BRS FP417 está registrada para os estados de AL, BA, CE, DF, GO, MA, MS, MT, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RS, SE, SC, SP e TO. Assim, produtores de diferentes regiões produtoras estratégicas do país já podem planejar a adoção da nova cultivar.

    O mercado do feijão preto: oportunidade para quem produz com qualidade

    O cenário atual do mercado de feijão preto combina expansão das exportações e pressão de preços internos. A Conab estimou que a produção de feijão preto cresceu 14% no Brasil em 2025, alcançando 811,3 mil toneladas.

    Mesmo com esse crescimento, o mercado externo absorve cada vez mais. Em 2024, as exportações brasileiras de feijão somaram 217 mil toneladas, um recorde histórico.  Por outro lado, as cotações do feijão preto ao produtor cederam cerca de 36,4% em 2025 em comparação à média de 2024.

    Nesse contexto, produtividade e qualidade passam a ser os principais fatores de competitividade. Portanto, cultivares como a BRS FP417 chegam em momento oportuno. Afinal, produzir mais por hectare, com grãos de padrão comercial elevado, é o caminho mais eficiente para preservar a margem mesmo em cenários de queda de preço.

    A Embrapa se dedica à busca de cultivares que permitam aos agricultores ofertarem produtos de melhor qualidade aos consumidores, conseguindo, consequentemente, melhores rendimentos com a cultura.

  • Exportações de frango batem recorde no primeiro trimestre

    Exportações de frango batem recorde no primeiro trimestre

    As exportações brasileiras de carne de frango atingiram recorde no primeiro trimestre de 2026. Mesmo assim, o cenário geopolítico seguiu desafiador e exigiu atenção do setor.

    De janeiro a março, o Brasil embarcou 1,45 milhão de toneladas de carne de frango. Assim, o volume superou em 0,7% o recorde anterior, de 1,44 milhão de toneladas, registrado em 2025.

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados analisados pelo Cepea. Além disso, a série histórica do Cepea começou em 1997. O resultado surpreendeu agentes do setor consultados pelo Cepea.  Isso ocorreu porque o início do ano costuma registrar menor demanda internacional.

    Nesse contexto, as exportações geralmente ganham força apenas no segundo semestre. Ainda assim, o desempenho positivo contrariou essa tendência sazonal. Em março, o setor monitorou possíveis impactos do conflito no Oriente Médio. Por isso, agentes mantiveram cautela diante de riscos ao mercado brasileiro.

    Apesar do avanço nas exportações, os preços internos da carne de frango caíram em março. Ou seja, o bom desempenho externo não sustentou as cotações domésticas.

    Agora, em abril, o Cepea registra aumento nos valores de negociação. Esse movimento reflete o reajuste dos fretes, impulsionado pela alta dos combustíveis. Além disso, a demanda costuma crescer no início do mês, o que fortalece os preços. Com isso, os valores atuais se aproximam dos níveis observados em fevereiro. Esse cenário indica recuperação recente das cotações no mercado interno.

  • O país que domina o suco de laranja enfrenta um problema silencioso

    O país que domina o suco de laranja enfrenta um problema silencioso

    O Brasil consolidou sua posição como o maior produtor de laranja do mundo e líder absoluto na exportação de suco da fruta. Atualmente, o país responde por cerca de 34% a 35% da produção global e concentra até 80% do comércio internacional de suco de laranja.

    Esse protagonismo transforma a citricultura em um dos pilares do agronegócio nacional. Ao todo, o setor movimenta aproximadamente US$ 14 bilhões por ano e gera cerca de US$ 2 bilhões em exportações.

    Além disso, a produção brasileira abastece mercados estratégicos, como Estados Unidos e União Europeia, que concentram a maior parte da demanda internacional.

    Cinturão citrícola concentra força produtiva

    A produção de laranja no Brasil se concentra principalmente no chamado cinturão citrícola, que abrange o estado de São Paulo e o Triângulo Mineiro.

    São Paulo, sozinho, responde por cerca de 74,6% da produção nacional. A região reúne condições climáticas favoráveis, tecnologia avançada e alta produtividade.

    Na safra 2025/26, a produtividade média estimada chega a 808 caixas por hectare, com destaque para regiões como o sudoeste paulista, onde os índices são ainda mais elevados.

    Exportações impulsionam o setor

    Grande parte da produção brasileira não vai diretamente para o consumo in natura.

    Mais de 90% das laranjas colhidas no país são destinadas à indústria de suco. Esse produto segue principalmente para o mercado externo, consolidando o Brasil como peça-chave no abastecimento global.

    Em 2026, por exemplo, a demanda da União Europeia voltou a crescer, com alta expressiva nas importações. Esse movimento ajudou a sustentar o desempenho do setor mesmo diante de desafios internos.

    Greening avança e acende alerta no campo

    Apesar da liderança global, o setor enfrenta uma ameaça crescente: o avanço do greening, considerada a doença mais destrutiva da citricultura mundial.

    Sem cura conhecida, a praga já atinge cerca de 48% dos pomares no cinturão citrícola. Esse cenário compromete a produtividade e eleva os custos de produção.

    Outro fator que desafia o setor é o clima. Eventos como secas prolongadas e ondas de calor têm impactado diretamente a produção. A safra 2024/25, por exemplo, foi uma das menores das últimas décadas, refletindo condições climáticas adversas.

    Embora haja recuperação prevista para 2025/26, o cenário ainda exige atenção. A irregularidade das chuvas continua sendo um dos principais riscos para a produtividade.

    Custos sobem, mas Brasil segue competitivo

    Mesmo com aumento nos custos, especialmente com mão de obra e manejo, o Brasil mantém vantagem competitiva no mercado global.

    A produtividade nacional ainda supera a de concorrentes importantes, como os Estados Unidos. Isso garante ao país uma posição estratégica no comércio internacional.

    Além disso, o setor segue investindo em tecnologia para manter eficiência e reduzir perdas.

    Um gigante sob pressão

    O Brasil segue como potência global da laranja. No entanto, o cenário atual mostra que essa liderança não está garantida sem desafios.

    Entre oportunidades e ameaças, o setor vive um momento decisivo. A capacidade de adaptação será determinante para manter o país no topo da citricultura mundial.

  • China turbina agro brasileiro e leva exportações a nível recorde

    China turbina agro brasileiro e leva exportações a nível recorde

    Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, a China segue como o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Os números de 2025 reforçam essa posição de forma inequívoca. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações do agro para a China cresceram 11,3% em valor entre 2024 e 2025, o que representou variação absoluta de US$ 5,62 bilhões, o maior crescimento entre todos os países compradores.

    Esse desempenho não ocorre de forma isolada. Ele faz parte de um ano histórico para o setor. As exportações do agronegócio brasileiro atingiram um valor recorde de US$ 169,2 bilhões em 2025, alta de 3% em relação ao ano anterior. Com esse desempenho, o setor respondeu por 48,5% de tudo o que o Brasil exportou no período.

    China concentra quase um terço de tudo que o Brasil exporta no agro

    Dentro desse cenário de recordes, a China se destaca com folga sobre os demais parceiros. A China lidera o ranking de compradores com US$ 55,3 bilhões e 32,7% das exportações, seguida pela União Europeia, com US$ 25,2 bilhões e 14,9% do total.

    Portanto, enquanto a Europa absorve menos da metade do que a China compra, o país asiático consolida uma posição que vai muito além de uma parceria comercial ordinária. Trata-se, na prática, de um elo estrutural para o agronegócio nacional.

    Soja, carne bovina e celulose lideraram os envios ao mercado chinês em 2025. Ainda assim, o Brasil não se limita a essas commodities tradicionais. O país avança, de forma crescente, sobre produtos mais especializados e de maior valor agregado.

    DDGS: o coproduto do etanol de milho que chegou ao porto chinês

    Um dos marcos mais recentes dessa diversificação envolve o DDGS, sigla em inglês para grãos secos de destilaria com solúveis. Trata-se de um coproduto gerado durante a produção de etanol de milho, com ampla aplicação na alimentação animal.

    As primeiras cargas brasileiras de DDGS chegaram à China no início de abril. O embarque partiu do Porto de Imbituba, em Santa Catarina, e um navio com 62 mil toneladas do produto desembarcou no porto de Nansha, em Guangzhou, no sul da China.

    Esse resultado não surgiu do acaso. A abertura desse mercado, concretizada em maio de 2025, resultou de negociações sanitárias longas e de pressão direta do setor produtivo. No caso do DDGS, a abertura do mercado chinês contou com o impulso da União Nacional do Etanol de Milho, a Unem. Além disso, vale lembrar que, até recentemente, os Estados Unidos dominavam o fornecimento desse produto à China. A entrada do Brasil, portanto, representa uma mudança relevante no cenário geopolítico do comércio de insumos agrícolas.

    Farinha de vísceras de aves: do subproduto ao contêiner exportado

    Outro avanço recente envolve a farinha de vísceras de aves, insumo amplamente utilizado na nutrição animal. A exportação desse produto ocorre após a abertura do mercado chinês em abril de 2023, a partir de demanda apresentada pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal, a Abra. O Mapa confirmou o envio do primeiro contêiner do produto ao país asiático.

    Assim como no caso do DDGS, o avanço mostra que o Brasil sabe transformar subprodutos da indústria nacional em oportunidades comerciais concretas. Em vez de descartar ou subutilizar esses materiais, o setor produtivo, em parceria com o governo, abre mercados e gera receita com itens que, até pouco tempo, tinham destino limitado.

    Cooperação institucional como motor da diversificação

    Os dois casos acima revelam um padrão que o Mapa adota de forma crescente: a abertura de novos mercados não depende apenas de negociações diplomáticas, mas também da demanda organizada dos próprios setores produtivos. Unem e Abra, cada uma em sua frente, demonstram como entidades setoriais atuam como catalisadoras de oportunidades comerciais.

    A estratégia de diversificação de produtos elevou, durante 2025, as exportações de produtos não tradicionais em cerca de 15%, e a diversificação de destinos possibilitou que o agronegócio brasileiro enfrentasse turbulências no cenário internacional, como o tarifaço, casos de influenza aviária e redução dos preços internacionais de algumas commodities.

    Brasil não apenas mantém o volume de vendas à China, mas também amplia continuamente o leque de produtos que chega ao mercado asiático. Cada novo item na pauta representa, ao mesmo tempo, uma redução da dependência das commodities tradicionais e uma inserção mais sofisticada do agronegócio brasileiro no comércio global.

  • Exportações de café solúvel do Brasil têm melhor fevereiro em cinco anos

    Exportações de café solúvel do Brasil têm melhor fevereiro em cinco anos

    As exportações brasileiras de café solúvel atingiram 7,4 mil toneladas em fevereiro de 2026, registrando avanço de 13,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O volume corresponde a 321,1 mil sacas de 60 kg, com receita cambial de US$ 90,3 milhões, alta de 10,8% frente a fevereiro de 2025.

    De acordo com o diretor executivo da entidade, Aguinaldo Lima, esse foi o melhor resultado para o mês de fevereiro nos últimos cinco anos. “O desempenho surpreende diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que ainda impactam parte dos embarques. Mesmo assim, observamos aumento das aquisições norte-americanas, o que reforça a demanda pelo café brasileiro”, afirmou.

    Desempenho no ano ainda é negativo

    Apesar da recuperação mensal, o acumulado do primeiro bimestre de 2026 somou 13,2 mil toneladas (573,7 mil sacas), queda de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita também recuou, totalizando US$ 161,1 milhões no comparativo anual.

    Lima avalia, porém, que a redução das tarifas de 50% para 10% sobre o produto brasileiro, válida a partir de março, pode estimular a retomada dos embarques nos próximos meses. “Essa mudança tende a amenizar as perdas e fortalecer o ritmo de exportações para os EUA ao longo do ano”, destacou.

    União Europeia e mercados prioritários

    A Abics também espera avanços com a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia, que deve reduzir gradualmente a tarifa de 9% incidente sobre o café solúvel exportado ao bloco europeu. “A Europa é nosso segundo principal destino. O acordo trará novos espaços para crescimento”, comentou Lima.

    No ranking dos principais importadores, os Estados Unidos permanecem líderes, com 1,8 mil toneladas (76,8 mil sacas) compradas no primeiro bimestre. Uma queda de 2,5% ante 2025. Rússia e Argentina completam as primeiras posições, com 1,16 mil toneladas (+18,5%) e 1,09 mil toneladas (−2,6%), respectivamente.

    No mercado doméstico, o consumo de café solúvel no Brasil continua em expansão. Entre janeiro e fevereiro, o volume cresceu 15,1%, alcançando 4,1 mil toneladas (179,7 mil sacas). Segundo Lima, o avanço reflete investimentos da indústria em qualidade e inovação. “As empresas vêm apostando em novos produtos e embalagens, o que tem fortalecido a preferência do consumidor brasileiro”, disse.

  • Exportações do agro de SP crescem e atingem US$ 3,76 bilhões no 1º bimestre

    Exportações do agro de SP crescem e atingem US$ 3,76 bilhões no 1º bimestre

    O agronegócio de São Paulo alcançou superávit de US$ 2,79 bilhões no primeiro bimestre de 2026. As exportações do setor totalizaram US$ 3,76 bilhões no período, enquanto as importações somaram US$ 970 milhões.

    As vendas externas do agro representaram 40,2% de tudo o que o estado exportou nos dois primeiros meses do ano. Já as importações do setor corresponderam a 7,5% do total comprado por São Paulo no período.

    “O resultado confirma a força e a diversidade do agro paulista no comércio internacional. São Paulo reúne produção, indústria e tecnologia, o que permite ao estado manter desempenho sólido nas exportações mesmo em cenário global desafiador”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

    Cinco setores concentram 76% das vendas

    O complexo sucroalcooleiro liderou as exportações paulistas no bimestre. O setor respondeu por 28% do total vendido ao exterior, com US$ 1,05 bilhão. O açúcar representou 94,7% desse montante, e o etanol, 5,3%.

    As carnes ocuparam a segunda posição, com US$ 623 milhões em vendas (16,6% do total). A carne bovina respondeu por 82,1% das exportações do segmento.

    Produtos florestais alcançaram US$ 576,34 milhões (15,3% de participação). Celulose representou 67,8% desse valor, e papel, 26,9%.

    O setor de sucos exportou US$ 337,70 milhões (9% do total), com o suco de laranja respondendo por 96,8% das vendas. O café completou o grupo dos cinco principais, com US$ 279,17 milhões (7,4% de participação). Café verde representou 72,9% das exportações do segmento, e o solúvel, 24%.

    O complexo soja apareceu na oitava posição, com US$ 120,48 milhões em vendas (3,2% do total). A soja em grão respondeu por 57,9% desse valor, e o farelo, por 24,1%.

    Produtos florestais e carnes puxam alta

    Na comparação com o primeiro bimestre de 2025, produtos florestais registraram crescimento de 16,5% nas vendas externas. O setor de carnes avançou 9,8% no período.

    Por outro lado, sucos apresentaram queda de 44,3% na receita com exportações. O complexo soja recuou 39,4%, seguido por sucroalcooleiro (-8%) e café (-5,9%).

    China mantém liderança entre compradores
    A China seguiu como principal destino das exportações do agro paulista no bimestre. O país asiático respondeu por 20,5% das vendas, com destaque para produtos florestais, carnes, fibras têxteis e itens do complexo soja.

    A União Europeia apareceu na segunda posição, com 16,9% de participação. Os Estados Unidos ficaram em terceiro, com 9,7% das compras.

    No ranking nacional, o agronegócio paulista ocupou a segunda posição no primeiro bimestre. O estado respondeu por 16,6% das exportações do setor no Brasil, atrás apenas de Mato Grosso (20,5%).

  • Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Segundo dados inéditos do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, o valor embarcado para o país norte-americano no primeiro bimestre de 2026 foi o menor para o período desde 2023.

    Entre janeiro e fevereiro, as vendas externas para os EUA totalizaram US$ 4,9 bilhões, uma queda expressiva de 23,2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. A retração representa US$ 812 milhões a menos na balança comercial bilateral.

    Somente em fevereiro, o recuo foi de 20,3% na comparação anual, atingindo US$ 2,5 bilhões. Com esse resultado, o fluxo de exportações para o mercado americano acumula agora sete meses consecutivos de queda livre. Um movimento iniciado em agosto de 2025, quando os EUA impuseram sobretaxas de importação que variaram entre 40% e 50% para uma vasta gama de produtos brasileiros.

    O efeito das tarifas e a virada na corte americana

    É importante ressaltar que os números divulgados ainda não refletem a recente reviravolta judicial. No final de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu pôr fim às sobretaxas de 40% e 50%. Substituindo-as por uma nova tarifa global de 10%. Como a decisão saiu apenas no fim do mês, os seus efeitos práticos no comércio bilateral devem começar a ser percebidos nas estatísticas a partir de março.

    “Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Petróleo e café puxam queda, mesmo sem tarifas

    A pressão sobre a pauta exportadora em fevereiro veio, surpreendentemente, de setores que não estavam sujeitos às tarifas. O petróleo bruto, principal item da pauta, sofreu uma queda abrupta de 80,7% nas vendas. Os combustíveis derivados também recuaram 42,2%, influenciados por questões conjunturais de mercado.

    Outro destaque negativo foi o café, que, apesar de isento das sobretaxas desde novembro, viu suas exportações caírem 40% em relação a fevereiro do ano passado, contribuindo significativamente para o resultado negativo.

    Já os produtos que estavam sob o guarda-chuva das tarifas mais pesadas (entre 40% e 50%) registraram uma queda de 27,4% no mês. Itens de madeira, enquadrados nas tarifas da Seção 232, tiveram retração ainda mais severa.

    Déficit comercial explode

    A situação é agravada pela dinâmica das importações. Embora as compras brasileiras de produtos americanos também tenham caído em fevereiro (-16,5%), a retração foi menos intensa do que a das exportações. Como resultado, o déficit do Brasil no comércio bilateral com os EUA saltou para US$ 900 milhões no bimestre. Um aumento colossal de 142,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Portanto, com esse movimento, os Estados Unidos perderam uma posição no ranking de fornecedores do Brasil, caindo para o terceiro lugar, atrás de China e Coreia do Sul.

    Enquanto o mercado aguarda para ver se a nova tarifa global de 10% amenizará o impacto sobre os produtos brasileiros, a Amcham faz um alerta para o futuro. “É fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais. Especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, conclui Abrão Neto, destacando a necessidade de diálogo para evitar novos solavancos no comércio entre as duas nações.

  • Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, marcando o melhor resultado da série histórica para o mês, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O desempenho responde por 45,8% de todas as vendas externas do Brasil no período e garantiu superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial do setor.

    Em relação a fevereiro de 2025, o avanço foi de 7,4%, impulsionado principalmente pelo aumento de 9% no volume exportado. A alta reflete o esforço conjunto do Mapa com instituições governamentais e o setor privado para ampliar e diversificar mercados do agro brasileiro.

    Apesar do crescimento expressivo em volume, o preço médio dos produtos exportados caiu 1,5%, acompanhando o movimento de queda nos índices globais de alimentos medidos por organismos como o Banco Mundial e a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).

    As importações de produtos agropecuários somaram US$ 1,5 bilhão, retração de 9,1% na comparação anual, reforçando o saldo positivo das exportações.

    China segue como principal parceira

    A China manteve a liderança entre os destinos, com US$ 3,6 bilhões em compras do agro brasileiro (30,5% do total). Na sequência vieram a União Europeia (US$ 1,8 bilhão; 15,2%) e os Estados Unidos (US$ 802,9 milhões; 7%).

    Outros países asiáticos também ampliaram suas importações. O Vietnã comprou US$ 372,6 milhões (+22,9%), e a Índia destacou-se com US$ 357,3 milhões (+171,1%), ocupando o 4º e 5º lugares no ranking dos principais importadores do agro nacional.

    Mercados como Turquia, Egito, México, Tailândia, Reino Unido e Filipinas também registraram altas expressivas em suas compras de produtos brasileiros.

    Soja, carnes e café puxam exportações

    Entre os setores que mais contribuíram para o resultado, o complexo soja liderou com US$ 3,78 bilhões (31,4% do total e alta de 16,4%). As proteínas animais vieram em seguida, somando US$ 2,7 bilhões (+22,5%).

    Os produtos florestais, o café e o complexo sucroalcooleiro completam a lista dos principais grupos exportadores, com participações de 10,5%, 9,3% e 7,1%, respectivamente.

    Além dos produtos tradicionais, o agronegócio brasileiro também se destacou com o crescimento de itens de nicho, como:

    • Óleo essencial de laranja: US$ 47,8 milhões (+28,8%)
    • DDG de milho: US$ 36,2 milhões (+164,2%)
    • Farinhas e extratos de carne: US$ 20,1 milhões (+10,5%)
    • Manteiga e gordura de cacau: US$ 17,2 milhões (+25,9%)
    • Óleo de milho: US$ 15,9 milhões (+49,5%)

    Governo destaca ampliação de mercados

    De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o resultado mostra a força do aumento produtivo do país. “O Brasil caminha para uma safra recorde e reforça sua capacidade de atender à demanda global com regularidade, qualidade e confiança”, afirmou.

    Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o avanço na agenda de acesso a mercados. “Foram nove novas aberturas em fevereiro e 544 desde o início de 2023. O Brasil não apenas aumenta a oferta, mas também suas oportunidades de comércio”, disse.