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  • UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    Técnicos da União Europeia (UE) iniciam nesta segunda-feira (24) uma missão de duas semanas no Brasil para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. A visita acontece a poucos dias da entrada em vigor de uma medida que pode interromper parte das exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco.

    O principal foco da missão será verificar como o Brasil controla o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A avaliação poderá pesar no processo para que o país volte a integrar a lista de fornecedores considerados aptos a exportar esses produtos para o mercado europeu.

    A medida europeia passa a valer em 3 de setembro e alcança categorias como carne bovina, carne de aves, pescado e mel. A decisão de retirar o Brasil da lista foi tomada em maio e posteriormente formalizada em regulamento publicado pela Comissão Europeia. O bloco alegou não ter recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos.

    Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as negociações técnicas continuavam e afirmou que o Brasil não havia pedido flexibilização das normas sanitárias europeias, mas buscava demonstrar o cumprimento integral das exigências do mercado.

    Setor de aves espera resultado positivo

    Entre representantes da cadeia de aves, a expectativa é de que a auditoria transcorra sem grandes problemas.

    Segundo fontes ouvidas sob reserva, as empresas que vendem para a Europa já adotam há bastante tempo procedimentos específicos para esse mercado, incluindo a segregação dos animais destinados à UE e a não utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento.

    A inspeção, portanto, será uma oportunidade para que os técnicos europeus acompanhem essas práticas diretamente nas unidades brasileiras.

    Ainda assim, um eventual retorno do país à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente de uma nova decisão das autoridades europeias.

    Exportações podem ser interrompidas em setembro

    Mesmo com a presença da missão no país, existe a possibilidade de os embarques serem interrompidos a partir de 3 de setembro, ainda que temporariamente.

    Equipes oficiais que atuam nos frigoríficos já receberam orientação para não certificar, a partir dessa data, mercadorias que não estejam em conformidade com os requisitos europeus referentes ao uso de antimicrobianos.

    A legislação que retira o Brasil da relação de fornecedores habilitados tem aplicação prevista justamente para 3 de setembro de 2026.

    Para que o país volte à lista, será necessária uma decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), ligado à Comissão Europeia. Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, mas o próximo encontro regular está previsto apenas para novembro, segundo fonte a par das negociações.

    Mercado europeu movimenta milhões para o frango brasileiro

    O impasse ocorre em um mercado relevante para a avicultura nacional.

    Em 2026, o Brasil já exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com faturamento próximo de US$ 680 milhões, segundo dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Somente em julho, os embarques alcançaram 36,8 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 104,2 milhões.

    Uma interrupção nas vendas, portanto, pode afetar frigoríficos habilitados para atender ao mercado europeu, mesmo que a paralisação seja revertida posteriormente.

    Missão vai visitar empresas em três estados

    A agenda dos técnicos europeus começa com reuniões com representantes do Ministério da Agricultura em Brasília.

    Na sequência, a equipe deve visitar quatro empresas de carne de aves habilitadas a exportar para a União Europeia, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    A missão também inclui inspeções em apiários paranaenses, uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo e agências estaduais de defesa agropecuária.

    Os representantes europeus permanecem no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião de encerramento em Brasília.

  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    A agroindústria iniciou 2026 com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes. Com isso, encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).

    O desempenho, porém, variou entre os segmentos. Enquanto as indústrias não alimentícias registraram queda de 2% na produção no semestre, as de alimentos e bebidas avançaram 1,1%. De acordo com o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor”.

    Entre os segmentos analisados, a indústria de insumos agropecuários apresentou o pior resultado, com queda de 8,3% na produção. O setor já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, devido aos “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, segundo o centro de estudos.

    Outros segmentos também fecharam o semestre no vermelho. A produção de produtos têxteis recuou 5%, enquanto a de produtos florestais caiu 2,4%.

    Na direção oposta, as indústrias de biocombustíveis registraram forte crescimento. A produção avançou 18,1% no semestre, impulsionada principalmente pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. As indústrias de fumo também tiveram resultado positivo, com alta de 1,6%.

    Agroindústria perde ritmo no segundo trimestre

    O desempenho da agroindústria também mudou de forma significativa entre os dois primeiros trimestres do ano. Entre janeiro e março, o PIMAgro cresceu 0,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já entre abril e junho, o indicador registrou queda de 0,8% na comparação anual.

    No segmento de alimentos e bebidas, entretanto, todas as indústrias apresentaram crescimento no primeiro semestre. O destaque ficou com as bebidas alcoólicas e não alcoólicas, que registraram alta de 1,5% cada.

    A produção de alimentos de origem animal também avançou. O crescimento foi de 1,3%, impulsionado principalmente pelos setores de carnes e laticínios.

    Já as indústrias de alimentos de origem vegetal tiveram alta mais moderada, de 0,4% até junho. O resultado foi sustentado pela produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café.

    Ainda assim, o segmento perdeu força ao longo do semestre. Depois de avançar 4,4% no primeiro trimestre, a produção recuou 2,7% entre abril e junho.

    Em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. Foi a segunda queda consecutiva do indicador.

    Cota chinesa e exportações podem pressionar setor

    Para o FGV Agro, a agroindústria deve enfrentar novos desafios no segundo semestre. Um dos principais fatores é o preenchimento da cota chinesa para a carne bovina.

    Segundo o centro de estudos, a produção destinada ao mercado asiático vinha contribuindo para sustentar um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. Com o limite de embarques, portanto, esse impulso pode perder força nos próximos meses.

    Além disso, a interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, também deve pressionar o desempenho da agroindústria brasileira no segundo semestre.

  • Exportações do agro avançam em julho, enquanto açúcar e café recuam

    Exportações do agro avançam em julho, enquanto açúcar e café recuam

    O agronegócio brasileiro exportou US$ 16,338 bilhões em julho de 2026, alta de 5,4% em relação aos US$ 15,500 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. As importações do setor somaram US$ 1,748 bilhão, queda de 2,8% na comparação anual.

    Com esse resultado, o agronegócio gerou um superávit de US$ 14,590 bilhões em julho. O saldo cresceu 6,5% ante os US$ 13,702 bilhões registrados um ano antes, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Os números integram o levantamento da balança comercial do agronegócio brasileiro, elaborado pelo Mapa com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os dados foram extraídos em agosto de 2026 e estão sujeitos a alterações.

    Complexo soja lidera exportações

    O complexo soja foi o principal destaque entre os produtos exportados pelo agronegócio em julho. As vendas externas alcançaram US$ 7,148 bilhões, avanço de 22,4% na comparação com julho de 2025.

    A soja em grãos respondeu por US$ 5,874 bilhões, alta de 17,4%. O volume embarcado aumentou 9,3%, para 13,401 milhões de toneladas, enquanto o preço médio subiu 7,4%, para US$ 438 por tonelada.

    O óleo de soja apresentou o crescimento mais expressivo dentro do complexo. As exportações aumentaram 163,1%, para US$ 383 milhões, com alta de 130,1% no volume embarcado.

    O farelo de soja também teve desempenho positivo. As vendas externas somaram US$ 891 milhões, crescimento de 28,6%, impulsionadas por aumentos de 17,6% no volume e de 9,3% no preço médio.

    Carnes mantêm ritmo positivo

    As exportações de carnes totalizaram US$ 2,905 bilhões em julho, alta de 5,2% sobre o mesmo período do ano anterior. O volume embarcado avançou 8,4%, para 922 mil toneladas.

    A carne de frango liderou o crescimento entre os principais segmentos, com exportações de US$ 972 milhões, aumento de 35,5%. O volume vendido ao exterior cresceu 31%, para 505 mil toneladas.

    As exportações de carne bovina recuaram 5,8% em valor, para US$ 1,566 bilhão. O volume caiu 16,8%, para 258 mil toneladas, mas o preço médio avançou 13,2%, para US$ 6.069 por tonelada.

    Já a carne suína registrou queda de 5,7% no valor exportado, para US$ 295 milhões. O volume, contudo, subiu 3,4%, enquanto o preço médio recuou 8,8%.

    Açúcar e café registram queda

    O complexo sucroalcooleiro apresentou um dos principais resultados negativos do mês. As exportações recuaram 27,6%, para US$ 1,127 bilhão, acompanhadas por quedas de 15,5% no volume e de 14,3% no preço médio.

    As vendas externas de açúcar somaram US$ 1,026 bilhão, redução de 30,1%. O volume embarcado caiu 16,6%, enquanto o preço médio diminuiu 16,2%.

    O café também registrou queda. As exportações atingiram US$ 937 milhões, recuo de 18,2%, com redução de 2,4% no volume e de 16,1% no preço médio.

    O café verde respondeu pela maior parte do resultado negativo: as vendas caíram 21,8%, para US$ 816 milhões.

    Celulose e produtos florestais avançam

    As exportações de produtos florestais alcançaram US$ 1,622 bilhão em julho, aumento de 16,5% na comparação anual. O preço médio também subiu 16,5%, enquanto o volume permaneceu estável em 2,763 milhões de toneladas.

    A celulose foi o principal destaque do segmento, com exportações de US$ 1,063 bilhão, alta de 30,8%. O volume cresceu 2,9% e o preço médio avançou 27,1%.

    Em sentido contrário, as vendas externas de madeira e suas obras recuaram 8%, para US$ 327 milhões. As exportações de papel ficaram praticamente estáveis, com alta de 1,3%, para US$ 225 milhões.

    Resultado acumulado no ano

    De janeiro a julho de 2026, o agronegócio brasileiro exportou US$ 103,395 bilhões, alta de 6% em relação aos US$ 97,497 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

    As importações do setor somaram US$ 11,713 bilhões, queda de 1,4%. Com isso, o saldo acumulado da balança comercial do agronegócio chegou a US$ 91,682 bilhões, crescimento de 7,1% sobre o resultado do ano anterior.

    No acumulado de 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 175 bilhões, avanço de 6,6%. O saldo comercial do setor alcançou US$ 155,011 bilhões.

    Participação nas exportações brasileiras

    O agronegócio respondeu por 47,9% das exportações totais do Brasil em julho de 2026. No mesmo mês, o setor representou 6,5% das importações brasileiras.

    No acumulado de janeiro a julho, a participação do agronegócio nas exportações do país ficou em 47,3%. Considerando o período de 12 meses encerrado em julho, o setor respondeu por 47,4% das vendas externas brasileiras.

    Fonte: Mapa

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  • Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar que o Brasil seja retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida preocupa o agronegócio brasileiro, principalmente a cadeia da carne bovina, já que as novas exigências entram em vigor a partir de setembro.

    Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo atua em diferentes frentes para reverter a decisão.

    “Estamos trabalhando do ponto de vista técnico, diplomático e político para encontrar uma solução. Representantes brasileiros já participaram de reuniões com a Comissão Europeia para discutir alternativas.”

    Por que a União Europeia impôs novas exigências?

    A União Europeia informou que o Brasil não comprovou integralmente o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.

    O bloco europeu proíbe a utilização desses produtos como promotores de crescimento e exige um sistema capaz de comprovar que os animais não receberam substâncias vetadas desde o nascimento até o abate.

    Caso não haja acordo, o Brasil poderá deixar de exportar determinados produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

    Governo negocia período de transição

    O Ministério da Agricultura tenta negociar um período de adaptação para que os produtores possam atender às novas exigências sem interromper o fluxo comercial.

    Além disso, o governo avalia ampliar as restrições ao uso desses insumos em todo o território nacional, medida que hoje é aplicada principalmente às propriedades habilitadas para exportação ao mercado europeu.

    Para André de Paula, manter o Brasil entre os fornecedores da União Europeia é fundamental.

    “É inaceitável para o Brasil estar fora da lista.”

    O ministro ressaltou que o país exporta alimentos ao bloco europeu há décadas e também atende mercados considerados igualmente ou até mais rigorosos em relação às normas sanitárias.

    Setor teme impactos nas exportações

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que existe preocupação com o prazo necessário para adequação das propriedades.

    Segundo ele, comprovar todo o histórico sanitário de um bovino exige acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, processo que pode levar entre dois e três anos.

    “Hoje há risco, mas temos esperança de que o governo brasileiro consiga negociar uma transição maior para manter o fluxo comercial com a Europa.”

    Diversificação dos mercados segue como estratégia

    Enquanto negocia com a União Europeia, o governo também busca ampliar a presença da proteína animal brasileira em novos mercados.

    Entre as iniciativas está uma missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto, que poderá abrir novas oportunidades para o setor.

    Segundo André de Paula, essa estratégia reduz a dependência de compradores específicos e fortalece o agronegócio brasileiro diante de mudanças nas regras internacionais.

    Brasil mantém presença global

    O ministro destacou que o Brasil exporta produtos agropecuários para cerca de 180 países e territórios e já conquistou 664 aberturas de mercado.

    De acordo com ele, esse desempenho demonstra a competitividade da produção nacional, a qualidade da carne brasileira e a credibilidade do sistema de defesa sanitária do país.

  • Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    As cooperativas brasileiras do agronegócio exportaram US$ 17,4 bilhões (cerca de R$ 96 bilhões) em 2025, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

    O resultado representa 10,3% de todas as exportações do agronegócio brasileiro, reforçando a importância do cooperativismo para o comércio exterior do país.

    Apesar do desempenho expressivo, as vendas internacionais seguem concentradas. Das 140 cooperativas exportadoras em atividade, apenas dez responderam por 67% de todo o volume embarcado ao exterior.

    Cooperativas do agro movimentaram R$ 487 bilhões

    Além do avanço nas exportações, as cooperativas agropecuárias registraram faturamento de R$ 487,3 bilhões em 2025.

    O valor representa crescimento de 11,2% em comparação com o ano anterior.

    Considerando todos os segmentos do cooperativismo brasileiro, a movimentação econômica alcançou R$ 848 bilhões, equivalente a 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

    Café e carne de aves lideram as exportações

    Entre os principais itens exportados pelas cooperativas brasileiras estão o café, carne de aves, farelo de soja, carne suína e óleo de soja.

    Esses produtos mantêm forte presença nos mercados internacionais e ajudam a consolidar a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Cooperativismo volta a crescer em número de organizações

    Além disso, o levantamento da OCB também mostra a retomada da expansão do cooperativismo no país.

    Em 2025, o Brasil passou a contar com 4.400 cooperativas distribuídas em 3.425 municípios.

    Os indicadores econômicos revelam um setor em crescimento:

    • R$ 848 bilhões em ingressos totais;
    • Crescimento de 12% em relação a 2024;
    • R$ 1,6 trilhão em ativos;
    • Alta de 14,9% no patrimônio;
    • R$ 61,3 bilhões distribuídos em sobras aos cooperados;
    • Crescimento de 14,2% sobre o ano anterior;
    • 613.375 empregos diretos gerados;
    • Expansão de 6,1% no número de trabalhadores.

    Segundo a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, os resultados refletem a força do modelo cooperativista.

    “Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades”, afirmou.

    Patrimônio supera R$ 1,6 trilhão

    Outro destaque do levantamento é o fortalecimento da participação econômica das cooperativas brasileiras.

    O patrimônio do setor atingiu R$ 1,6 trilhão em ativos, impulsionado principalmente pelo Ramo Crédito, responsável por mais de 72% desse total.

    Já o Ramo Agropecuário segue como o principal motor econômico do cooperativismo nacional. O segmento concentra 57,4% dos ingressos do setor e permanece como o maior empregador do movimento, com aproximadamente 277 mil postos de trabalho.

    O desempenho reforça a relevância das cooperativas para a geração de renda, empregos e desenvolvimento das comunidades rurais em todo o Brasil.

  • Brasil deve superar meta histórica de 700 mercados abertos para o agro, diz ministro

    Brasil deve superar meta histórica de 700 mercados abertos para o agro, diz ministro

    O Brasil deve ultrapassar a meta de alcançar 700 aberturas de mercado para produtos agropecuários antes do fim do atual governo. A projeção foi feita nesta quinta-feira (30) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante a abertura da primeira edição do Outlook Agro Brasil, em Brasília.

    Segundo o ministro, o desempenho das exportações brasileiras reflete a confiança internacional na qualidade dos produtos agropecuários do país e na eficiência do sistema de defesa sanitária nacional.

    Credibilidade sanitária impulsiona expansão do agro

    Durante o evento, André de Paula destacou que o Brasil vem acumulando recordes sucessivos de abertura de mercados e afirmou que a tendência é de continuidade desse avanço.

    “Nós temos como desafio chegar a 700 mercados até o fim do governo, e nós vamos passar essa meta”, declarou.

    Para o ministro, a conquista é resultado da reputação construída pelo agronegócio brasileiro junto aos compradores internacionais.

    “As aberturas de mercado são fruto da credibilidade dos nossos produtos e da qualidade deles”, afirmou.

    Defesa agropecuária seguirá como prioridade

    André de Paula ressaltou que o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação representa uma conquista histórica para o setor.

    Segundo ele, o novo status sanitário amplia oportunidades comerciais para os produtores brasileiros, mas exige monitoramento constante para preservar a confiança dos parceiros internacionais.

    O ministro afirmou que o país possui estrutura para responder rapidamente a eventuais ocorrências da doença e destacou a capacidade nacional de produção de antígenos.

    Governo busca ampliar presença do agro no comércio global

    O Ministério da Agricultura pretende manter a estratégia de abertura comercial como uma das principais ferramentas para impulsionar as exportações do agronegócio.

    De acordo com André de Paula, o objetivo é ampliar o acesso dos produtos brasileiros a novos destinos e fortalecer as relações comerciais já existentes.

    O ministro também destacou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na promoção internacional do agronegócio brasileiro.

    Segundo ele, a atuação do governo busca consolidar a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, ampliando a competitividade do setor e reforçando sua presença no mercado global.

  • Boi gordo abre a semana estável

    Boi gordo abre a semana estável

    O mercado do boi gordo iniciou a semana com pouca movimentação e preços praticamente estáveis em todo o país. Levantamento divulgado pela Scot Consultoria nesta segunda-feira (28) mostra que, das 33 regiões acompanhadas, 29 mantiveram as cotações inalteradas.

    As únicas altas foram registradas no norte de Minas Gerais, no sudoeste de Mato Grosso e no Rio de Janeiro. Já a única queda ocorreu em Roraima.

    Preço do boi gordo segue em R$ 344 nas principais praças

    Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), que servem de referência para o mercado nacional, o boi gordo permaneceu cotado em R$ 344 por arroba, considerando o pagamento a prazo.

    As cotações do chamado “boi China”, além da vaca gorda e da novilha, também permaneceram estáveis ao longo do dia.

    Segundo a Scot Consultoria, parte das indústrias ainda não retomou as compras nesta semana e concentrou esforços na definição das estratégias comerciais. Entre os frigoríficos que atuaram no mercado, prevaleceram as mesmas referências de preços observadas na sexta-feira anterior.

    Algumas unidades chegaram a oferecer valores inferiores, mas não houve fechamento de negócios nesses patamares.

    Atacado registra valorização da carne bovina

    Enquanto o mercado do boi gordo permaneceu estável, o atacado apresentou alta nas cotações da carcaça bovina.

    De acordo com a Scot, o movimento foi impulsionado pela combinação entre maior procura e menor oferta de carne, resultado da redução no ritmo dos abates.

    Mesmo com o avanço dos preços, os atacadistas mantiveram as compras de forma moderada para evitar excesso de estoques. A expectativa é que os valores permaneçam firmes até o início de agosto.

    Exportações seguem em ritmo forte

    O desempenho das exportações continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado pecuário brasileiro.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil embarcou 195,214 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,845 mil toneladas.

    Além do elevado volume exportado, o preço médio pago pelo produto segue em um dos maiores patamares do ano, alcançando US$ 6.368,90 por tonelada.

    Brasil avança para abrir mercado na Coreia do Sul

    Outro fator acompanhado pelo setor é o avanço das negociações para ampliar os mercados compradores da carne bovina brasileira.

    Uma missão técnica da Coreia do Sul deve visitar o Brasil em agosto para inspecionar frigoríficos nacionais. A etapa é considerada decisiva para a abertura do mercado sul-coreano às exportações brasileiras.

    Caso o processo seja concluído, o país poderá ampliar sua presença na Ásia e diversificar ainda mais os destinos da carne bovina produzida no Brasil, fortalecendo a competitividade do setor no comércio internacional.

  • Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Um estudo do WRI Brasil propõe a criação de um protocolo unificado para as cadeias brasileiras de soja e carne bovina. A iniciativa pretende integrar ferramentas já existentes de monitoramento e rastreabilidade para facilitar o comércio internacional, especialmente com a China, sem estabelecer novas exigências para os produtores.

    Segundo o instituto, o Brasil já dispõe de instrumentos capazes de monitorar o desmatamento e acompanhar a origem da produção agropecuária. No entanto, esses sistemas funcionam de forma isolada e adotam critérios diferentes, o que dificulta sua compreensão por compradores e investidores internacionais.

    Estudo aponta diferenças entre protocolos existentes

    A pesquisa analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade utilizados nas cadeias de soja e carne bovina.

    O levantamento identificou divergências em aspectos como:

    • datas de corte para desmatamento;
    • critérios de avaliação;
    • monitoramento de fornecedores indiretos;
    • auditorias e processos de verificação.

    De acordo com o WRI Brasil, essas diferenças reduzem a credibilidade dos sistemas brasileiros e tornam mais difícil para importadores identificar quais padrões devem ser seguidos.

    Objetivo é integrar regras já existentes

    O estudo reforça que a proposta não cria novas normas para o setor.

    A recomendação é harmonizar os critérios técnicos atualmente utilizados, integrar bases de dados e simplificar os processos de auditoria, criando um referencial único para as cadeias produtivas.

    Na avaliação do instituto, essa integração pode fortalecer a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e aproximar os sistemas brasileiros das exigências internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).

    China é apontada como parceira estratégica

    O relatório destaca que a China permanece como o principal destino das commodities agropecuárias brasileiras.

    Para os pesquisadores, Brasil e China têm condições de liderar a construção de um padrão internacional voltado para cadeias produtivas livres de desmatamento.

    O documento, intitulado Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains, foi desenvolvido pelo WRI Brasil com apoio da BV Rio, Amigos da Terra, Principles for Responsible Investment (PRI), WRI China e Proforest.

    Recomendações

    No setor pecuário, o estudo recomenda acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, sem aguardar a implementação completa da identificação individual obrigatória dos animais.

    Além disso, a proposta prevê a migração gradual para sistemas individuais de rastreabilidade, ampliando a transparência da cadeia produtiva.

    Para a cadeia da soja, o estudo recomenda fortalecer a rastreabilidade desde a fazenda de origem. Entre as medidas sugeridas estão a integração de tradings, cooperativas e plataformas estaduais, além da conexão de informações fiscais para tornar os registros mais confiáveis.

  • Brasil deve exportar quase 6 milhões de toneladas de frango em 2026

    Brasil deve exportar quase 6 milhões de toneladas de frango em 2026

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta um novo avanço da produção e das exportações brasileiras de proteínas animais nos próximos anos. As estimativas, divulgadas nesta terça-feira (28), indicam crescimento para os setores de frango, carne suína e ovos, reforçando a posição do Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.

    No caso da carne de frango, a expectativa é que o país exporte até 5,875 milhões de toneladas em 2026, volume 10,3% superior ao embarcado no ano anterior, quando foram exportadas 5,324 milhões de toneladas.

    Segundo a entidade, as vendas externas deverão continuar avançando em 2027, embora em ritmo mais moderado, alcançando 6,050 milhões de toneladas, alta de 3%.

    Produção de frango também deve crescer

    A ABPA estima que a produção brasileira de carne de frango fique entre 16 milhões e 16,150 milhões de toneladas em 2026, representando crescimento de até 5,6% em relação ao ano anterior.

    Para 2027, a previsão é de nova expansão, desta vez de 2,8%, elevando a produção para aproximadamente 16,6 milhões de toneladas.

    No mercado interno, a disponibilidade de carne de frango também deve aumentar. A projeção é de 10,275 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,1%. Em 2027, a oferta pode atingir 10,550 milhões de toneladas, avanço de 2,7%.

    Carne suína mantém trajetória de expansão

    As perspectivas também são positivas para a carne suína.

    A produção brasileira deve chegar a 5,870 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 5% sobre o ano anterior. Em 2027, a expectativa é de aumento de 3,1%, totalizando cerca de 6,050 milhões de toneladas.

    Nas exportações, a ABPA projeta embarques de 1,6 milhão de toneladas em 2026, resultado 5,9% superior ao registrado anteriormente.

    Para 2027, a previsão é de novo avanço, com exportações próximas de 1,7 milhão de toneladas, crescimento estimado em 6,3%.

    Produção de ovos continua em alta

    A produção brasileira de ovos deverá alcançar 64,8 bilhões de unidades em 2026, volume 4,1% maior que o registrado no ano anterior.

    Em 2027, a ABPA prevê novo crescimento, desta vez de até 2,6%, levando a produção para aproximadamente 66,5 bilhões de unidades.

    Exportações de ovos devem se recuperar em 2027

    Ao contrário do desempenho esperado para frango e carne suína, as exportações de ovos devem recuar em 2026.

    A associação estima embarques de 30 milhões de unidades, queda de 26,6% em relação ao ano anterior.

    Para 2027, entretanto, a expectativa é de recuperação. A ABPA projeta crescimento de 15% nas exportações, que poderão atingir cerca de 64,5 milhões de unidades.

    O que indicam as projeções da ABPA

    As estimativas reforçam a expectativa de continuidade da expansão da proteína animal brasileira nos mercados nacional e internacional. O avanço da produção e das exportações de frango e carne suína demonstra a competitividade do setor, enquanto o mercado de ovos deve recuperar parte das perdas registradas em 2026, segundo as projeções apresentadas pela ABPA.