Tag: exportação

  • Café do Brasil reage a investigação dos Estados Unidos

    Café do Brasil reage a investigação dos Estados Unidos

    Os exportadores de café do Brasil intensificam a defesa após nova investigação comercial dos Estados Unidos. O governo de Donald Trump acusa países, incluindo o Brasil, de falhas contra trabalho forçado. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mobiliza estratégias para responder à investigação baseada na seção 301.

    O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirma que o setor já dialoga com a Associação Americana de Café. Além disso, a entidade pretende atuar diretamente nos debates e apresentar dados sobre o Brasil.

    Investigação acende alerta no mercado

    Matos reconhece que a apuração gera preocupação entre exportadores brasileiros. Ele cita um caso recente no México, onde a Justiça americana condenou uma fazenda por irregularidades trabalhistas. Por isso, o Cecafé estruturou um plano estratégico para proteger a imagem do café brasileiro.

    Estratégia inclui documentos e legislação

    O setor prepara documentos técnicos para explicar a legislação trabalhista brasileira aos Estados Unidos. Também destaca fiscalizações em fazendas e regras rígidas adotadas no país. Além disso, o Brasil possui a lista suja do trabalho análogo à escravidão, usada como referência internacional. Segundo Matos, essas informações serão apresentadas diretamente no processo.

    Apoio do governo e reforço na fiscalização

    O Cecafé também auxilia o governo brasileiro na produção de documentação técnica. Esse trabalho ocorre por meio do Pacto Social do Café com o Ministério do Trabalho. Matos afirma que a contratação de mais de 800 auditores fiscais, prevista para 2025, fortalece a defesa.

    Tarifas e riscos comerciais entram no radar

    Atualmente, o café em grão e o torrado do Brasil permanecem fora de tarifas nos Estados Unidos. Por outro lado, o café solúvel enfrenta taxa de 10%, com risco de subir para 15%. Matos avalia que a investigação aumenta os riscos para o setor exportador.

    Setor aposta em diálogo para reduzir impactos

    Na semana passada, representantes do Cecafé participaram da Convenção da Associação Americana de Café, na Flórida. O evento reuniu cerca de 800 profissionais e discutiu incertezas no mercado global. Por fim, Matos afirma que o setor mantém atuação ativa para reduzir ameaças. Ele defende maior aproximação entre empresas brasileiras e americanas para sustentar decisões comerciais.

  • Frango mantém exportações recordes apesar de tensão global

    Frango mantém exportações recordes apesar de tensão global

    O conflito no Oriente Médio gera incertezas no mercado avícola global e mantém agentes brasileiros em estado de alerta. Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informam que o Brasil lidera as exportações mundiais de carne de frango.

    Esse cenário geopolítico pode dificultar as vendas externas da proteína brasileira nos próximos meses. Mesmo assim, os embarques seguem firmes no início de março, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. Os números indicam que o conflito ainda não afetou as exportações brasileiras de frango. O setor, inclusive, mantém ritmo histórico de vendas ao mercado internacional.

    Em fevereiro, o Brasil exportou 493,2 mil toneladas de carne de frango. O volume representa o melhor resultado para fevereiro em toda a série histórica iniciada em 1997. Além disso, o setor completa o terceiro mês consecutivo com exportações em níveis recordes.

    Mercado interno

    No mercado interno, entretanto, o ritmo de negociações perdeu força na primeira quinzena de março. Pesquisadores do Cepea relatam menor liquidez nas transações envolvendo produtos avícolas. Apesar disso, as cotações permanecem praticamente estáveis em diferentes regiões do país.

    Exportações de ovos crescem em fevereiro

    As exportações brasileiras de ovos também registraram desempenho expressivo em fevereiro. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram o maior volume para o mês desde 2013. Os números superam o desempenho observado em fevereiro de 2025. Em janeiro deste ano, o setor já havia registrado recorde mensal em 13 anos. Apesar do avanço anual, o volume embarcado recuou levemente frente a janeiro.

    Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Brasil exportou 2,94 mil toneladas de ovos em fevereiro. O volume ficou 5% abaixo do registrado em janeiro. Ainda assim, o resultado supera em 16% o volume exportado no mesmo mês de 2025.

  • Exportação de carne bovina bate recorde histórico em fevereiro

    Exportação de carne bovina bate recorde histórico em fevereiro

    As exportações de carne bovina seguem como principal fator de sustentação dos preços da arroba do boi gordo no Brasil. Além disso, os embarques registram recordes há anos e reforçam a competitividade da proteína brasileira no mercado global. O cenário também se mantém positivo neste início de 2026, com volumes elevados de vendas externas.

    Fevereiro tem maior volume já registrado

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram forte avanço nos embarques de carne bovina in natura.
    Em fevereiro, exportadores embarcaram 235,889 mil toneladas da proteína em apenas 18 dias úteis. Esse volume representa aumento de 23,9% em relação ao registrado em fevereiro de 2025.

    Além disso, o resultado configura o melhor fevereiro da história para as exportações brasileiras de carne bovina.
    A média diária de embarques alcançou 13,105 mil toneladas no mês. Esse desempenho supera em 37,6% a média diária observada no mesmo período do ano passado.

    China lidera compras da carne brasileira

    A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático recebe quase metade de toda a proteína exportada pelo Brasil. Em seguida, os Estados Unidos aparecem como o segundo maior comprador da carne bovina nacional.

    Conflito no Oriente Médio gera cautela no mercado

    No mercado interno, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada observam novas incertezas. O atual conflito no Oriente Médio gera especulações entre agentes do mercado brasileiro. Embora a região não seja destino relevante da carne bovina, tensões logísticas preocupam exportadores.

    O fechamento de rotas estratégicas pode elevar custos de frete e de seguros marítimos. Diante desse cenário, compradores adotam postura mais cautelosa e avaliam novas estratégias comerciais. Por outro lado, vendedores resistem aos preços ofertados e aguardam novas propostas. Com isso, o ritmo de negócios no mercado doméstico permanece lento.

     

  • Nova rota aérea leva alimentos brasileiros frescos para turistas na África em tempo recorde

    Nova rota aérea leva alimentos brasileiros frescos para turistas na África em tempo recorde

    Pela primeira vez, o Brasil exportou hortifrútis frescos em um voo direto para a Ilha do Sal, em Cabo Verde. A operação pioneira, que partiu do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), promete revolucionar o abastecimento de alimentos perecíveis no arquipélago africano.

    Em vez de seguir a rota tradicional, que incluía escalas em aeroportos europeus e posterior transporte marítimo, a carga com cerca de 5 toneladas de alimentos brasileiros seguiu em um cargueiro fretado diretamente para o destino. A iniciativa, acompanhada pela Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tem como objetivo testar a viabilidade de tornar essa entrega direta uma prática frequente.

    “O mercado de Cabo Verde já conhece os produtos brasileiros, mas a logística anterior era mais demorada. Este primeiro embarque é um teste com pequenas quantidades de diferentes itens para verificar a viabilidade de adotar essa entrega direta com mais frequência”, explicou Rita Lourenço, chefe da Vigiagro em Viracopos.

    Qualidade e agilidade na mesa do consumidor

    A nova logística representa um salto de qualidade para os alimentos que chegarão à ilha. Ao eliminar as escalas e o transbordo, o tempo de transporte é drasticamente reduzido, o que é crucial para itens altamente perecíveis. Entre os produtos enviados estão os mais sensíveis, como alface, tomate e pimentão.

    De acordo com a servidora do Mapa, os voos diretos são fundamentais para ampliar o tempo de prateleira. Além de melhorar a conservação e garantir a apresentação ideal dos alimentos. Outro diferencial importante é que os hortifrútis seguiram diretamente do produtor para o destino final, sem a atuação de intermediários, um modelo que agrega valor e assegura a qualidade superior dos produtos brasileiros no exterior.

    A expectativa é que essa remessa abasteça, principalmente, hotéis e resorts da Ilha do Sal, um dos destinos turísticos mais procurados de Cabo Verde, localizada na costa noroeste da África.

    Lista de produtos embarcados na operação inédita:

    Frutas: lima ácida Tahiti (1.310 kg), mamão (891 kg), manga (576 kg). Abacate avocado (720 kg), figo roxo (240 kg), pitaya (36 kg), goiaba (13,8 kg) e carambola (7,2 kg).

    Legumes e Hortaliças: pimentão (234 kg), mandioca (108 kg), tomate fresco (18 kg) e alface fresca (6,4 kg).

  • Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Os preços do café voltaram a subir em março após quedas registradas em fevereiro. O avanço ocorre após impactos do conflito no Oriente Médio. Os dados do Cepea mostram recuperação de parte das perdas registradas no mês anterior.

    Em fevereiro, as cotações caíram no Brasil e no exterior. O mercado reagiu à expectativa de safra recorde em 2026/27. No entanto, o cenário geopolítico mudou esse movimento. O conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global.

    Conflito e câmbio impulsionam cotações

    Além das tensões geopolíticas, o dólar ganhou força frente ao real. Esse movimento também influenciou os preços internos. Outro fator importante envolve riscos logísticos no Estreito de Ormuz. A rota concentra parte relevante do transporte marítimo mundial.

    As preocupações com possíveis bloqueios elevaram as cotações do arábica na bolsa internacional.
    O café arábica negociado na ICE Futures registrou valorização. Como resultado, os preços também subiram no Brasil.

    Dificuldades logísticas podem afetar oferta

    Pesquisadores do Cepea alertam para impactos nas rotas comerciais globais. Com custos maiores e logística comprometida, produtores asiáticos podem enfrentar dificuldades para abastecer mercados ocidentais. Ou seja, esse cenário pode reduzir a oferta disponível em alguns destinos consumidores.

    Negócios avançam no mercado spot

    A recente valorização estimulou negócios no mercado físico brasileiro. Ainda assim, os pesquisadores relatam negociações com volumes reduzidos. Em geral, os produtores seguem cautelosos diante das incertezas no cenário internacional e nas cotações futuras.

  • Fiscalização aponta irregularidade em exportação de soja no Porto de Paranaguá

    Fiscalização aponta irregularidade em exportação de soja no Porto de Paranaguá

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) identificou indícios de fraude em uma carga de soja prestes a seguir para exportação pelo Porto de Paranaguá (PR). O Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR) constatou a irregularidade após comunicação da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), em 24 de fevereiro. O órgão divulgou a informação nesta segunda-feira, 9 de março.

    Foto: MAPA

    A inspeção ocorreu no Pátio de Triagem do porto, etapa que verifica se o produto cumpre os padrões oficiais de identidade e qualidade exigidos para exportação e alimentação humana. Durante a fiscalização, técnicos encontraram divergências entre o produto transportado e as informações da nota fiscal, o que indicou possível adulteração no processo logístico. A carga, de aproximadamente 42 toneladas, apresentou composição diferente da declarada, conforme auditoria realizada pelo Mapa.

    Segundo o chefe do Sipov/PR, Fernando Augusto Mendes, o controle rigoroso das exportações é fundamental para manter a credibilidade do agronegócio brasileiro. Ele destacou que o Brasil, maior produtor e exportador de soja do mundo, depende da confiança internacional: “Fortalecer os mecanismos de fiscalização é essencial para proteger a reputação do produto nacional”, afirmou.

    O Mapa é o órgão responsável pela fiscalização e classificação de produtos vegetais destinados ao mercado interno e externo, conforme estabelece a Lei nº 9.972/2000 e o Decreto nº 12.709/2024. Essas normas definem os padrões técnicos e as exigências operacionais que garantem a conformidade dos produtos agrícolas com os requisitos internacionais.

    Fiscalização em etapas

    No Paraná, a fiscalização do Mapa ocorre em três fases. A primeira é feita na origem, em 64 unidades registradas como armazenadoras e exportadoras, principalmente para a China. Em seguida, ocorre a checagem no Porto de Paranaguá, em cooperação com a APPA e órgãos estaduais. Somente em 2025, mais de 507 mil veículos foram inspecionados nessa etapa. A última fase acontece durante o embarque no navio, com atuação conjunta da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), responsável por emitir o certificado fitossanitário de exportação.

    O superintendente federal de Agricultura no Paraná, Almir Gnoatto, reforçou que a fiscalização é vital para garantir a integridade do setor. “A atuação do Mapa assegura que os produtos comercializados e exportados atendam aos padrões de qualidade e identidade. Isso protege o produtor, o mercado e a imagem do agronegócio brasileiro, fortalecendo a confiança internacional”, destacou.

    A investigação segue em andamento. O Mapa analisa os indícios de irregularidades de natureza administrativa e operacional, enquanto a Polícia Federal apura eventuais infrações penais. O Ministério acompanhará tecnicamente a destruição da soja apreendida, com destinação final em aterro sanitário.

  • Conflito no Oriente Médio pode impulsionar exportações de combustível do Brasil

    Conflito no Oriente Médio pode impulsionar exportações de combustível do Brasil

    O agravamento das tensões no Oriente Médio pode gerar efeitos mistos no comércio exterior brasileiro. O cenário pode elevar exportações de combustíveis e reduzir temporariamente vendas de alimentos. A avaliação é do diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão.  Ele comentou o cenário nesta quinta-feira (5), durante análise dos dados da balança comercial brasileira.

    Segundo Brandão, conflitos na região costumam pressionar o preço do petróleo no mercado internacional.
    Com isso, o Brasil pode ampliar receitas externas com combustíveis. “O Brasil é exportador líquido de petróleo. Se o preço subir, o saldo do comércio de combustíveis tende a crescer”, afirmou.

    Oriente Médio é grande comprador de alimentos brasileiros

    Apesar do possível ganho com combustíveis, o conflito pode afetar temporariamente exportações de alimentos.
    Países do Oriente Médio compram produtos importantes do agronegócio brasileiro. Entre eles estão carne de frango, milho, açúcar e produtos halal, produzidos conforme normas islâmicas.

    Mesmo assim, Brandão avalia que o impacto deve ser temporário. “A demanda por alimentos nesses países não desaparecerá. Os fluxos comerciais tendem a se normalizar”, explicou.

    Os dados do Mdic mostram forte dependência regional em alguns produtos. Cerca de 32% das exportações brasileiras de milho seguem para o Oriente Médio. A região também recebe 30% das vendas de carne de frango brasileira. Além disso, responde por 17% das exportações de açúcar e 7% da carne bovina.

    Exportações para os Estados Unidos continuam em queda

    Os dados da balança comercial também indicam mudanças no comércio com parceiros estratégicos. Em fevereiro, o Brasil exportou US$ 2,523 bilhões para os Estados Unidos. O valor representa queda de 20,3% frente ao mesmo mês do ano passado. As importações também recuaram 16,5%, somando US$ 2,788 bilhões.
    Com isso, o saldo comercial ficou negativo em US$ 265 milhões.

    Essa foi a sétima queda consecutiva das vendas brasileiras ao mercado norte-americano. O movimento reflete a sobretaxa de 50% imposta pelo governo do presidente Donald Trump em 2025. No fim de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a tarifa. Entretanto, os efeitos positivos na balança comercial devem aparecer apenas nos próximos meses.

    Exportações brasileiras para a China crescem

    Enquanto isso, o comércio com a China seguiu em trajetória oposta. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 7,220 bilhões. O resultado representa crescimento de 38,7% frente aos US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Por outro lado, as importações de produtos chineses caíram 31,3%.
    O total importado alcançou US$ 5,494 bilhões.

    Assim, o Brasil registrou superávit de US$ 1,73 bilhão na relação comercial com o país asiático. Segundo Brandão, um fator relevante influenciou as estatísticas de importação. O Brasil comprou uma plataforma de petróleo avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões. A aquisição ocorreu junto à Coreia do Sul e impactou as estatísticas regionais.

    União Europeia amplia compras de produtos brasileiros

    O comércio com a União Europeia também apresentou resultado positivo. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 34,7%. As vendas alcançaram US$ 4,232 bilhões no período. Enquanto isso, as importações europeias recuaram 10,8%. O total importado somou US$ 3,301 bilhões. Assim, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 931 milhões com o bloco.

    Comércio com Argentina registra retração

    No comércio com a Argentina, as vendas e as compras recuaram. As exportações brasileiras caíram 26,5% e somaram US$ 1,057 bilhão. As importações também diminuíram 19,2%, totalizando US$ 850 milhões. Mesmo com a retração, o Brasil manteve superávit comercial. O saldo positivo com o país vizinho chegou a US$ 207 milhões.

    China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina seguem entre os principais parceiros comerciais do Brasil.
    Esses mercados influenciam diretamente o desempenho da balança comercial brasileira.

  • Irã proíbe exportação de alimentos após ataques dos EUA

    Irã proíbe exportação de alimentos após ataques dos EUA

    O governo do Irã proibiu a exportação de alimentos e produtos agrícolas nesta terça-feira (3). A medida ocorre após o conflito com Israel e Estados Unidos. Segundo a agência Tasnim, o governo confirmou a decisão em comunicado oficial.

    Além disso, o texto determina a suspensão das exportações até segunda ordem. O governo iraniano informou que prioriza o abastecimento interno. Assim, o país concentra esforços no fornecimento de bens essenciais à população.

    O Irã acionou um plano de emergência no sábado. No mesmo dia, Estados Unidos e Israel lançaram um ataque contra a República Islâmica. O ataque resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. Além disso, a ofensiva matou oficiais militares de alta patente.

    Importação brasileira

    O Brasil não importa alimentos essenciais do Irã. No entanto, o país compra pistache e uva passa do mercado iraniano. Dados do Ministério da Agricultura apontam esses produtos como as principais aquisições agrícolas brasileiras.

    Com a proibição, o governo iraniano busca garantir segurança alimentar durante o conflito. Enquanto isso, o mercado internacional monitora possíveis impactos no comércio agrícola.

     

  • Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Na madrugada deste sábado, EUA e Israel deflagraram ataques aéreos simultâneos contra Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah. O Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O conflito não é apenas uma crise diplomática. Para o Brasil, representa uma ameaça concreta à cadeia produtiva do agronegócio, ao preço do combustível e à estabilidade do câmbio.

    O canal mais imediato entre a guerra e o bolso do brasileiro passa pelo barril de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo, sob ameaça, analistas projetam que o preço pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150. Cenários extremos, que envolvem o fechamento total do estreito, chegam a projetar valores acima de US$ 300.

    O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para escoar a produção do campo. Qualquer alta no diesel chega ao produtor rural antes mesmo de chegar ao consumidor final, e chega rápido. A inflação que começa no frete termina na prateleira do supermercado.

    Há um ângulo positivo, mas limitado: a Petrobras e os exportadores brasileiros de petróleo bruto ganham com a alta do barril. O risco, porém, é a pressão política por reajuste nos preços domésticos da gasolina, o que retroalimenta o ciclo inflacionário.

    Agronegócio: dois golpes em sequência

    O setor que mais sente o choque é o agronegócio, e por dois caminhos distintos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos insumos que usa no campo. E o Irã figura entre os principais fornecedores de ureia, essencial para as safras de soja e milho. Um bloqueio nas rotas marítimas ou sanções ao comércio iraniano encarece esses insumos, aumenta o custo de produção e, no médio prazo, pressiona os preços dos alimentos.

    O segundo golpe vem do lado das exportações. O Irã foi, em 2025, o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, com US$ 2,9 bilhões em compras. O milho sozinho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total. E a soja contribuiu com outros 19,3%. Um conflito prolongado fecha esse mercado de maneira abrupta, sem substituto imediato no horizonte.

    Câmbio e juros: o impacto macroeconômico

    Crises geopolíticas globais favorecem o dólar em detrimento de moedas emergentes. O real tende a se desvalorizar, o que encarece as importações, entre elas, os fertilizantes. E obriga o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    O cenário mais preocupante é aquele em que o conflito se prolong. Nesse caso, o Fed americano deve manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% por mais tempo, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. O PIB brasileiro, que já enfrenta projeção de crescimento de apenas 1,8% em 2026, ficaria ainda mais pressionado.

    Há algum lado positivo?

    Sim, mas circunscrito. Uma mudança de regime no Irã poderia, no médio prazo, ampliar a oferta global de petróleo e derrubar os preços. O que favoreceria a competitividade do agronegócio brasileiro. Por ora, porém, a incerteza domina o cenário e os riscos superam as oportunidades.

    O impacto mais imediato e certo já chegou: o preço do petróleo sobe e o diesel encarece. O risco mais grave, ainda incerto, é a combinação entre a perda do mercado iraniano para milho e soja e o encarecimento dos fertilizantes. Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e se o Estreito de Ormuz de fato fechar. O Brasil torce para que seja uma crise curta. O agronegócio, mais do que qualquer outro setor, sabe o que está em jogo.

  • Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) avalia com otimismo e cautela a nova tarifa dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos anunciou taxa de 10% sobre importações globais. A medida também vale para o café solúvel brasileiro. Antes, os EUA aplicavam tarifa de 50% desde agosto de 2025. Como resultado, o volume exportado caiu cerca de 50% nos últimos seis meses.

    De volta ao jogo

    Agora, a nova alíquota restaura parte da competitividade do produto nacional. Os Estados Unidos mantêm parceria histórica com o Brasil há mais de 60 anos. Atualmente, o país responde por 20% das exportações brasileiras de café solúvel. Além disso, as compras anuais superam US$ 220 milhões.

    Com a nova tarifa, o Brasil volta a competir em condições semelhantes a outros fornecedores globais. O México permanece como exceção, pois mantém tarifa zero. Assim, o setor considera a mudança um passo relevante para reequilibrar o comércio.

    Cautela

    Apesar do avanço, a entidade mantém cautela diante das incertezas da Seção 301. O Brasil está entre os países sob investigação nesse mecanismo. Por isso, novas medidas tarifárias podem atingir produtos brasileiros. A associação defende diálogo e harmonia entre os dois governos. Segundo a entidade, previsibilidade e estabilidade garantem segurança nas relações comerciais.

    Expectativa para reunião entre Lula e Donald Trump

    A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Donald Trump está prevista para março. O setor considera o encontro uma oportunidade estratégica para incluir o café solúvel nas pautas bilaterais.

    Atualmente, café verde e café torrado entram no mercado norte-americano com tarifa zero. Por isso, a entidade busca tratamento semelhante para o café solúvel brasileiro. O setor vive momento de apreensão, atenção e esperança.

    A indústria quer retomar protagonismo nos Estados Unidos, seu principal e mais tradicional cliente. Além disso, o segmento busca preservar o papel estratégico desse mercado na cadeia de valor.