Tag: exportação

  • Comércio externo avança e mercado interno de arroz segue lento

    Comércio externo avança e mercado interno de arroz segue lento

    O mercado brasileiro de arroz mantém baixa liquidez, apesar da recente alta de preços no Rio Grande do Sul. Segundo o Cepea, agentes enfrentam impasse e limitam negociações no mercado interno.

    Os produtores adotam postura cautelosa, pois priorizam os trabalhos nas lavouras e aguardam preços mais atrativos. Ao mesmo tempo, compradores focam na aquisição de estoques internos diante das incertezas sobre oferta e preços. Além disso, o comércio exterior ganha força e amplia a movimentação do setor em março.

    De acordo com a Secex, o Brasil importou 176,1 mil toneladas de arroz no mês. O volume importado cresceu 55,67% frente a fevereiro e avançou cerca de 70% na comparação anual. Esse resultado representa o maior patamar registrado desde julho de 2024.

    As exportações também avançaram e somaram 240,7 mil toneladas em março. O volume exportado aumentou 12,1% em relação a fevereiro e subiu 78,79% frente ao mesmo período de 2025.

  • Exportações de café caem e atingem menor nível desde 2023

    Exportações de café caem e atingem menor nível desde 2023

    As exportações brasileiras de café registram forte queda na safra 2025/26, segundo o Cecafé. Entre julho de 2025 e março de 2026, o Brasil embarcou 29,09 milhões de sacas de 60 kg. O volume recuou 21,2% frente ao mesmo período da safra 2024/25.

    Na temporada anterior, o país exportou 36,91 milhões de sacas no mesmo intervalo. Além disso, o volume atual é o menor registrado desde a safra 2022/23.

    Em março de 2026, os embarques somaram 3,04 milhões de sacas. O resultado representa alta de 15,4% frente a fevereiro, quando saíram 2,63 milhões de sacas.

    Apesar da recuperação mensal, o cenário segue restritivo, conforme o Cepea. A menor produção da safra 2025/26 reduz a disponibilidade interna.

    Ao mesmo tempo, os estoques nacionais permanecem historicamente baixos. Esse cenário limita o ritmo das exportações brasileiras de café. Além disso, os produtores já têm pouco café disponível para negociar.Eles também se mantêm capitalizados após venderem a preços elevados ao longo da temporada.

    Por isso, os produtores não demonstram pressa em comercializar os volumes restantes.Segundo o Cepea, esse comportamento sustenta o ritmo mais lento das exportações.

    A tendência é de continuidade desse cenário no curto prazo. O mercado deve ganhar fôlego apenas com o avanço da safra 2026/27. A colheita deve se intensificar de forma mais consistente a partir de meados de maio.

  • Exportações de suco de laranja têm queda de quase 30% na receita

    Exportações de suco de laranja têm queda de quase 30% na receita

    A receita das exportações brasileiras de suco de laranja caiu 27,1% na safra 2025/26. O volume embarcado permaneceu estável entre julho de 2025 e março de 2026. Esse desempenho reflete a queda dos preços internacionais nesta temporada, segundo dados da Secex.

    Além disso, o cenário externo mais pressionado limita o faturamento do setor citrícola brasileiro. Por outro lado, os embarques para os Estados Unidos sustentam a estabilidade no volume exportado. Ainda assim, esse avanço não compensa a queda na receita total das exportações.

    Mesmo com maior volume enviado aos norte-americanos, o faturamento caiu 16,4% na safra. Esse resultado reforça a pressão dos preços internacionais sobre o suco de laranja brasileiro.

    Enquanto isso, os embarques para a União Europeia seguem como preocupação para o setor. Em março, o Brasil exportou 36,9 mil toneladas ao bloco europeu. O volume avançou 49,3% frente a fevereiro, quando somou 24,89 mil toneladas.

    No entanto, esse ritmo ainda não garante o mesmo escoamento da safra anterior.Assim, o total exportado pode ficar abaixo do registrado em 2024/25.

    Por outro lado, pesquisadores do Cepea apontam fatores positivos para o mercado. Os estoques atuais têm melhor qualidade em relação à temporada passada. Além disso, os preços mais baixos podem estimular novas compras internacionais.

    Ao mesmo tempo, os estoques europeus parecem mais limitados neste momento. Com isso, o setor espera uma retomada das importações da União Europeia nos próximos meses.

  • Exportações de carne bovina batem recorde no trimestre

    Exportações de carne bovina batem recorde no trimestre

    As exportações brasileiras de carne bovina in natura mantêm ritmo forte neste início de 2026. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, o volume embarcado no primeiro trimestre bateu recorde histórico.

    De janeiro a março de 2026, o Brasil exportou 701,662 mil toneladas de carne bovina in natura. O volume supera em 19,7% o registrado no mesmo período de 2025. Além disso, o resultado fica 36,6% acima do observado no primeiro trimestre de 2024.

    Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacam também a valorização da carne brasileira no exterior. Em março, o preço médio por tonelada alcançou US$ 5.814,80. O valor representa alta de 3,1% frente a fevereiro. Na comparação anual, o preço subiu 18,7% em relação a março de 2025.

    Esse cenário externo favorável sustentou os preços do boi gordo no mercado interno durante março. No início de abril, os preços do boi gordo, do bezerro e da carne seguem em alta. A demanda externa aquecida e a oferta restrita de animais para abate sustentam esse movimento.

  • Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    As exportações brasileiras de frango para o Oriente Médio caíram em março, enquanto os embarques de milho cresceram. O conflito na região impactou diretamente o fluxo comercial entre o Brasil e países do Oriente Médio.

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados da balança comercial nesta terça-feira, 7 de abril. A reportagem compilou informações de embarques para 15 países do Oriente Médio. Entre eles, estão Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito.

    O volume de carnes de aves e miudezas exportado caiu 21% na comparação anual. Os embarques recuaram de 138 mil para 108 mil toneladas em março. O Brasil não exportou cortes de frango para o Irã em março deste ano. O mesmo cenário já havia ocorrido em março do ano passado.

    Milho

    Por outro lado, as exportações de milho para a região cresceram 24%. O volume embarcado atingiu 907 mil toneladas no mês. Os envios de milho para o Irã praticamente cessaram no período. O volume caiu de 304 mil para pouco mais de 1 mil toneladas. Em contrapartida, o Egito ampliou significativamente as compras do cereal brasileiro. Os embarques para o país cresceram 1.171,5% em relação ao ano anterior.

    Além disso, o Brasil exportou 26 mil toneladas de milho para o Iraque. No mesmo período do ano passado, não houve embarques para esse destino.

    Cenário Global

    No cenário global, as exportações brasileiras de carne de aves cresceram 6,9%. O volume total embarcado chegou a 468,7 mil toneladas. Já as exportações totais de milho avançaram 12,8% no período. O Brasil embarcou 983 mil toneladas do grão para o mercado internacional.

  • Brasil ganha força e atrai produtores de vinho do mundo

    Brasil ganha força e atrai produtores de vinho do mundo

    O Brasil vem ganhando espaço no mercado global de vinhos e, com isso, passa a atrair cada vez mais interesse de produtores internacionais.

    Esse movimento deve se refletir na Wine South America 2026, que acontece entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves. A edição contará com a participação de países que ainda não integravam o evento, o que reforça o avanço do setor no país.

    Brasil entra no radar global

    Nos últimos anos, o mercado brasileiro passou a chamar atenção pela combinação entre consumo crescente e potencial de expansão.

    Além disso, a diversificação de mercados e o avanço de acordos comerciais têm direcionado o interesse de produtores estrangeiros para a América Latina. Nesse cenário, o Brasil se consolida como um ponto estratégico para negócios no continente.

    Por isso, eventos do setor ganham força como espaços de conexão entre oferta internacional e demanda local.

    Novos países ampliam presença

    A entrada de novos participantes reforça esse movimento. Países como Nova Zelândia e Alemanha passam a integrar o evento, enquanto outros mercados tradicionais ampliam sua presença.

    Ao mesmo tempo, produtores buscam não apenas apresentar seus rótulos, mas também entender o perfil do consumidor brasileiro e criar parcerias comerciais. Com isso, a feira se posiciona como porta de entrada para marcas que desejam expandir atuação na região.

    Produção brasileira ganha espaço

    Enquanto cresce o interesse internacional, a produção nacional também avança.

    Além do protagonismo do Rio Grande do Sul, outras regiões começam a ganhar destaque, como Santa Catarina, Bahia e até áreas do Centro-Oeste.

    Esse avanço ocorre porque produtores exploram diferentes condições de clima, solo e altitude. Como resultado, surgem vinhos com características próprias e maior reconhecimento no mercado.

    Diversidade de terroirs impulsiona setor

    A expansão da vitivinicultura brasileira mostra que o setor vai além das regiões tradicionais. Hoje, novos polos produtivos investem em tecnologia e manejo para melhorar a qualidade. Além disso, a diversidade de terroirs permite maior variedade de estilos, o que amplia o interesse do consumidor.

    Dessa forma, o Brasil fortalece sua posição tanto na produção quanto no consumo de vinhos.

    Serra Gaúcha segue como referência

    Mesmo com a expansão, a Serra Gaúcha continua como principal polo do setor.

    A região concentra grande parte da produção nacional e mantém reconhecimento pela qualidade dos vinhos e espumantes. Além disso, áreas como o Vale dos Vinhedos possuem certificações que reforçam esse padrão.
    Assim, o local segue como centro estratégico para negócios e eventos do segmento.

    Mercado deve seguir em expansão

    A combinação entre consumo interno, interesse internacional e diversificação produtiva indica um cenário de crescimento para os próximos anos.

    Por isso, o Brasil tende a consolidar seu papel no mercado global de vinhos, tanto como produtor quanto como destino estratégico para novos investimentos.

  • China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    A China suspendeu as importações de carne bovina da unidade nº 2082 da ArreBeef, localizada em Pérez Millán, distrito de Ramallo, província de Buenos Aires. A decisão veio após autoridades chinesas identificarem cloranfenicol, antibiótico proibido para bovinos desde 1995, em um contêiner da empresa, em 19 de março de 2026.

    O bloqueio atinge uma das principais exportadoras argentinas e chega em meio ao endurecimento dos controles chineses sobre carne importada. Apesar de envolver apenas um contêiner de 22 toneladas, a medida gerou preocupação imediata no setor e mobilizou o SENASA, o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria da Agricultura.

    Fiscalização mais rígida

    A decisão, no entanto, não foi isolada. Na semana anterior, a China já havia suspendido o frigorífico uruguaio San Jacinto após detectar fluazuron na carne. Juntos, os dois casos indicam uma postura crescentemente rigorosa do principal destino das exportações argentinas de proteína bovina.

    Nesse contexto, segundo o Clarín, a suspensão da ArreBeef ativou um protocolo de crise e deu início a uma investigação coordenada pelas autoridades argentinas. Os trabalhos continuaram durante o feriado prolongado no país, enquanto o governo aguarda mais detalhes da GACC sobre o lote afetado.

    O que as investigações buscam

    No centro da apuração está uma pergunta: como o cloranfenicol chegou à carga da ArreBeef? Para respondê-la, técnicos do SENASA ativaram o sistema nacional de rastreabilidade bovina e iniciaram o cruzamento de dados com as autoridades chinesas.

    As hipóteses iniciais apontam para um falso positivo ou para a derivação de outra substância com estrutura química semelhante. Com base nesse argumento, a defesa argentina já enviou a Pequim um dossiê com informações sobre o programa nacional de monitoramento de resíduos, apresentado como evidência do rigor sanitário do país. A expectativa é rastrear os animais até a fazenda de origem, algo que o sistema argentino permite tecnicamente nesses casos.

    Diplomacia corre para conter os danos

    Desde que a GACC bloqueou novos embarques da unidade da ArreBeef, o governo argentino concentra esforços em duas frentes. A primeira é limitar o problema ao contêiner específico, protegendo as cargas já em trânsito antes de 19 de março. A segunda é acelerar a retirada da restrição.

    Para isso, as autoridades consideram ainda enviar uma delegação à China. A iniciativa segue o precedente de 2016, quando um caso semelhante, envolvendo a Ecocarnes, exigiu negociação direta em Pequim e resultou na resolução do impasse.

    Operações seguem com alternativa

    Do ponto de vista operacional, porém, o impacto sobre a ArreBeef tende a ser limitado. A empresa mantém a CAIBER (antiga Finexcor, em Quilmes) como unidade alternativa para exportações à China e a outros mercados, o que preserva sua capacidade produtiva durante a vigência da suspensão.

    Ainda assim, o episódio expõe uma vulnerabilidade estrutural do agronegócio argentino: a dependência de um único grande comprador e a fragilidade diante de restrições sanitárias impostas por ele. Mais do que resolver o caso da ArreBeef, o momento exige do setor uma resposta rápida, coordenada e tecnicamente sólida, capaz de preservar o acesso ao mercado que mais importa.

  • Brasil proíbe exportação de barbatana de tubarão-azul

    Brasil proíbe exportação de barbatana de tubarão-azul

    O Governo do Brasil anunciou nesta quinta-feira (26) uma nova instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que estabelece regras mais rígidas para a exportação, importação e reexportação do tubarão-azul (Prionace glauca), também conhecido como cação-azul. A medida foi apresentada durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15 da CMS), em Campo Grande (MS).

    Barbatana de tubarão-azul. Foto: divulgação – Ibama /Gov.br

    A nova norma reforça o compromisso do país com a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), que incluiu o tubarão-azul em seu Anexo II em 2023. O texto será publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (27).

    O Ibama, autoridade administrativa da Cites no Brasil, é responsável pela emissão das licenças de importação e exportação e pela verificação do cumprimento dos critérios técnicos e ambientais.

    Regras de fiscalização e controle

    A instrução normativa proíbe a exportação de barbatanas separadas do corpo do tubarão e a captura de fêmeas ou indivíduos jovens. Também fixa limite máximo de 20% de captura do tubarão-azul por cruzeiro voltado ao comércio exterior e restringe a operação a recintos aduaneiros previamente autorizados. A norma substitui três regulamentos anteriores, unificando o marco regulatório da espécie.

    Entre os novos critérios, estão a exigência de licenças Cites, comprovante de origem legal e avaliação técnico-científica que demonstre que a exploração não ameaça a sobrevivência da espécie. A norma também prevê inspeções agendadas, análises laboratoriais e reforço da rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva.

    Sustentabilidade e governança ambiental

    Para o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e presidente da COP15, João Paulo Capobianco, a medida consolida o Brasil como liderança global em conservação.

    “Essa iniciativa integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da governança ambiental e do multilateralismo. O país reafirma seu papel de promover soluções baseadas no consenso para proteger a biodiversidade e as espécies migratórias”, afirmou.

    O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou que o novo modelo de gestão pesqueira combina rigor técnico, monitoramento e diálogo com o setor produtivo.

    “A norma garante exploração sustentável e maior controle ao longo da cadeia. Também amplia a transparência e a responsabilidade do comércio internacional”, disse Agostinho.

    Pesca sustentável e restrições adicionais

    Na atividade pesqueira, a norma deixa de considerar o tubarão-azul como espécie-alvo e limita sua participação a no máximo 20% da captura total por cruzeiro. A norma também proíbe o uso de equipamentos que aumentem o impacto sobre a espécie. E exige o desembarque dos animais com as barbatanas naturalmente aderidas ao corpo, medida que fortalece a fiscalização e reduz práticas ilegais.

    Para importações, o texto determina a apresentação de licença Cites do país de origem, registro no Cadastro Técnico Federal (CTF) e comprovação de que o comércio não ameaça a espécie. Também veda a entrada no país de espécies de tubarões ameaçadas de extinção, reforçando o controle sobre fluxos internacionais e a preservação da fauna marinha.

  • Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    O Brasil garantiu uma rota alternativa para manter o fluxo das exportações do agronegócio diante da crise no Estreito de Ormuz. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu negociação com a Turquia que permite o trânsito e o armazenamento temporário de cargas brasileiras em solo turco, possibilitando que os produtos cheguem ao Oriente Médio e à Ásia Central sem precisar cruzar o Golfo Pérsico.

    A estrutura portuária turca, que já era utilizada por exportadores brasileiros, ganhou um novo respaldo jurídico com a criação do Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário. O documento foi a solução encontrada após o país passou a exigir novas regras sanitárias para produtos de origem animal.

    Na prática, o certificado garante que mercadorias como carnes, lácteos e outros produtos de origem animal possam atravessar o território turco ou ficar armazenadas temporariamente antes de seguir ao destino final. Isso sem burocracia extra e sem riscos de bloqueio sanitário.

    A medida traz mais segurança e previsibilidade ao setor exportador brasileiro em um momento de forte instabilidade nas rotas marítimas internacionais, reforçando a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário em funcionamento.

    Por que o Estreito de Ormuz ameaça as exportações brasileiras?

    A crise que motivou a busca por rotas alternativas tem origem em um dos pontos mais estratégicos do planeta. O Estreito de Ormuz é a única passagem do Golfo Pérsico para o mar aberto, conectando ao sul o Oriente Médio ao Mar Arábico. Ao contrário de canais como o Panamá, Ormuz funciona como um beco sem saída. Portanto, quem entra pelo sul precisa sair pelo mesmo caminho.

    Sua importância econômica é difícil de contabilizar. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que cerca de 25% do comércio global de petróleo passe por Ormuz. Isso é o equivalente a 20 milhões de barris por dia em 2025, com 80% desse volume destinado à Ásia. Além disso, cerca de 19% do comércio mundial de gás natural liquefeito também transita pelo estreito, representando 93% da produção do Catar.

    A crise atual teve início em 28 de fevereiro de 2026. Após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, incluindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, o Irã fechou o Estreito de Ormuz a navios estrangeiros. A Guarda Revolucionária Islâmica transmitiu avisos proibindo qualquer embarcação de atravessar a passagem.

    O impacto foi imediato nos mercados globais. Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril, e o bloqueio ameaça provocar forte inflação caso se prolongue. Grandes transportadoras como Maersk e Hapag-Lloyd suspenderam operações na área.

    O estreito não está formalmente fechado para todos os países. O chanceler iraniano Seyed Abbas Araqchi declarou que Ormuz segue aberto apenas para nações consideradas amigas do Irã, como China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão. Para cargas com origem ou destino em países aliados dos Estados Unidos, a rota pelo Golfo Pérsico tornou-se inviável.

    Para o agronegócio brasileiro, que tem no Oriente Médio e na Ásia Central destinos estratégicos, o acordo com a Turquia representa uma salvaguarda concreta enquanto a situação geopolítica na região permanece indefinida.

  • Rússia suspende exportações de fertilizante e afeta Brasil

    Rússia suspende exportações de fertilizante e afeta Brasil

    A Rússia interrompeu as exportações de nitrato de amônio por um mês, até 21 de abril. O país tomou a decisão para garantir estoques durante o plantio de primavera. A medida ocorre em meio à crise global causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Esse corredor concentra cerca de 24% do comércio mundial de amônia.

    A Rússia controla até 40% do comércio global de nitrato de amônio. Além disso, lidera o fornecimento de fertilizantes ao Brasil. Em 2025, o país respondeu por 25,9% das importações brasileiras de adubos químicos.
    Os dados são do Ministério do Comércio Exterior.

    O governo russo suspendeu todas as licenças de exportação do produto. No entanto, manteve apenas contratos governamentais já firmados. O Ministério da Agricultura da Rússia afirmou que priorizará o mercado interno.
    A decisão atende à demanda crescente durante a temporada de campo.

    Rússia e o nitrato de amônio

    A Rússia produz cerca de um quarto do nitrato de amônio mundial. Ainda assim, não consegue ampliar a produção neste ano. O país enfrenta limitações em meio à crise global de abastecimento. Além disso, ataques recentes afetaram a produção local.

    Em fevereiro, drones ucranianos atingiram a fábrica de Dorogobuzh. A unidade responde por cerca de 11% da produção russa do insumo. A planta deve retomar totalmente as operações apenas em maio. Por isso, o mercado global pode sentir impactos no curto prazo.

    O nitrato de amônio é essencial no início do plantio agrícola. Além disso, o produto também possui uso na indústria de explosivos. A Rússia exporta o fertilizante para países como Brasil, Índia e Peru.
    Também atende mercados na África, Ásia e América do Norte.

    Dependência externa preocupa o agronegócio brasileiro

    O Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes. O país importa cerca de 95% do nitrogênio utilizado na agricultura. Além disso, compra 75% do fosfato no exterior. No caso do potássio, a dependência chega a 91%.

    A escassez de matérias-primas limita a produção nacional. O país possui poucas reservas de insumos essenciais. O potássio, por exemplo, se concentra em países como Canadá e Rússia. Essas nações dominam o mercado global do produto.

    A produção de nitrogenados exige gás natural barato. Por isso, o Brasil perde competitividade frente a grandes produtores. As reservas de fosfato também apresentam menor qualidade. Além disso, o custo de exploração é mais elevado.

    A demanda agrícola intensifica essa dependência externa. O solo brasileiro possui baixa fertilidade natural. Assim, os produtores precisam adubar com frequência. Culturas como soja, milho, café e cana lideram o consumo. Os custos logísticos também pesam no mercado interno. Importar fertilizantes ainda sai mais barato para o produtor.

    Plano Nacional de Fertilizantes

    O governo criou o Plano Nacional de Fertilizantes em 2022. A estratégia busca reduzir a dependência externa até 2050. A meta prevê produção interna entre 45% e 50% da demanda. Para isso, o país deve investir mais de R$ 25 bilhões até 2030.