Tag: etanol

  • Entenda a alta do preço do etanol hidratado na safra 25/26

    Entenda a alta do preço do etanol hidratado na safra 25/26

    O etanol hidratado negociado nas usinas paulistas superou R$ 3 por litro pela primeira vez na safra 2025/26. Segundo levantamentos do Cepea, o valor líquido de impostos ultrapassou essa marca na última semana.

    De acordo com o Centro de Pesquisas, a oferta reduzida na fase final da safra sustentou os preços. Além disso, os vendedores mantiveram postura firme nas negociações realizadas no mercado paulista.

    A demanda também impulsionou as cotações, com distribuidoras ativas na recomposição dos estoques. Esse movimento ocorreu após as vendas realizadas durante as festas de Natal e Ano Novo. Nesse cenário, o volume comercializado cresceu de forma expressiva no início de janeiro.

    Dados do Cepea indicam que as vendas entre 5 e 9 de janeiro foram as maiores desde janeiro de 2024. No período, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado em São Paulo fechou em R$ 3,0228 por litro. O valor representa alta de 2,26% em relação ao intervalo imediatamente anterior.

    Já o etanol anidro também registrou valorização no mercado paulista. O Indicador CEPEA/ESALQ do anidro atingiu R$ 3,4170 por litro, valor líquido de impostos. A alta semanal do anidro foi de 1,43%.

  • Açúcar e oferta de etanol pressionam mercado em 2026/27

    Açúcar e oferta de etanol pressionam mercado em 2026/27

    A entressafra 2025/26 começa em janeiro e pode manter preços firmes ao vendedor. Além disso, a demanda segue aquecida, segundo pesquisadores do Cepea. Os estoques menores de etanol no Centro-Sul também sustentam as cotações.

    Por outro lado, a safra 2026/27 exige atenção redobrada do mercado. A temporada começa oficialmente em abril de 2026. Nesse contexto, os preços internacionais do açúcar ganham importância estratégica.

    Ao mesmo tempo, o setor acompanha a expansão da produção de etanol. O risco surge caso a oferta cresça mais rápido que a demanda. Por isso, agentes consultados pelo Cepea indicam maior cautela no ciclo.

    Assim, a safra 2026/27 tende a ter poucos fatores de sustentação de preços. Segundo o Cepea, o cenário desenhado é mais desafiador. Há possibilidade de pressão baixista sobre as cotações do biocombustível.

    As projeções preliminares indicam moagem de cerca de 625 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul. No mercado internacional, a expectativa aponta para superávit global de açúcar. Esse cenário indica maior disponibilidade do produto.

    Além disso, cresce a sinalização de aumento da participação vendedora. Com preços externos mais enfraquecidos, usinas podem ajustar o mix produtivo. Nesse movimento, as empresas podem direcionar mais cana para o etanol.

    Consequentemente, a maior oferta pode intensificar a pressão sobre os preços do biocombustível.
    Outro fator relevante envolve o comportamento do preço do petróleo. 
    No etanol de milho, o Cepea observa trajetória clara de crescimento produtivo.

    A safra 2025/26 já mostrou expansão frente ao ciclo anterior. Além disso, a participação do etanol de milho deve continuar avançando.

  • Queda na moagem de cana no Nordeste contrasta com avanço do etanol anidro

    Queda na moagem de cana no Nordeste contrasta com avanço do etanol anidro

    A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste somou 32,5 milhões de toneladas até 30 de novembro da safra 2025/26, registrando uma queda de 9,4% em relação ao mesmo período da temporada anterior (35,9 milhões de toneladas). O levantamento foi feito pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) com base em dados do Ministério da Agricultura (MAPA).

    Segundo o presidente da NovaBio, Renato Cunha, os números refletem uma safra mais curta e desafiadora, especialmente no Nordeste. “Apesar da retração na moagem e no açúcar, o setor mostra resiliência com o crescimento do etanol anidro, essencial para a matriz energética e as metas de descarbonização”, afirmou.

    Desempenho regional

    Na Região Norte, a moagem caiu 10,9%, passando de 7,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas. No Nordeste, o recuo foi de 9,1%, totalizando 26,1 milhões de toneladas. A menor disponibilidade de cana impactou diretamente a produção de açúcar, que despencou 24%, para 1,66 milhão de toneladas.

    A produção total de etanol nas duas regiões atingiu 1,38 milhão de m³, queda de 7,8% frente à safra passada. O etanol hidratado foi o mais afetado, com retração de 11,3%, enquanto o etanol anidro manteve estabilidade, com leve recuo de 2,0% no consolidado regional e crescimento de 5,1% no Nordeste. O resultado evidencia uma mudança no perfil produtivo, com foco crescente no biocombustível misturado à gasolina.

    O Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador de qualidade da cana, acompanhou a tendência de queda. O ATR médio por tonelada de cana caiu 6,5% no consolidado das regiões, pressionado principalmente pelo Nordeste (-9,6%). Já o Norte apresentou melhora de 6,1% no indicador.

    Progresso da safra e estoques

    Até o fim de novembro, o setor atingiu 55% da moagem estimada para a safra 2025/26. O Norte teve avanço mais expressivo (88,3% da meta), enquanto o Nordeste alcançou 50,4%. Na produção total de etanol, a execução chegou a 54,5%, com destaque para o Norte, que já atingiu 96,4% da estimativa.

    Os estoques de etanol também recuaram significativamente. Até 30 de novembro, o volume total armazenado nas regiões Norte e Nordeste somou 326,2 mil m³, uma queda de 28,9% ante os 458,7 mil m³ do mesmo período em 2024. O estoque de etanol anidro caiu 25,4%, enquanto o hidratado registrou redução de 31,5%.

    A NovaBio alerta que a continuidade da safra depende de fatores climáticos e operacionais que ainda podem influenciar os resultados. “O monitoramento deve ser cauteloso, especialmente diante das oscilações de mercado e das condições de campo na reta final da safra”, conclui Renato Cunha.

  • Preços do etanol atingem maior nível da safra 2025/26

    Preços do etanol atingem maior nível da safra 2025/26

    Os preços do etanol alcançaram, na última semana, o maior patamar nominal da safra 2025/26. O avanço ocorreu devido à oferta restrita no mercado spot paulista, segundo dados do Cepea. Entre 8 e 12 de dezembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado em São Paulo fechou a R$ 2,9092 por litro. O valor, líquido de ICMS e PIS/Cofins, representa alta de 0,83% frente ao período anterior. Com isso, o hidratado registra a nona semana consecutiva de valorização na atual safra.

    Já o etanol anidro também apresentou avanço, conforme levantamento do Centro de Pesquisas. O Indicador CEPEA/ESALQ do anidro subiu 0,39% na semana, alcançando R$ 3,3256 por litro. O preço é líquido de impostos, sem a incidência de PIS e Cofins. Esse movimento marcou o oitavo aumento semanal seguido do anidro no mercado paulista.

    Segundo o Cepea, a postura dos vendedores contribuiu para sustentar os preços. Produtores demonstram baixo interesse em fechar novos negócios neste momento. Além disso, eles não têm pressa para finalizar os estoques, que seguem reduzidos.

    Ao longo da semana passada, chuvas em boas proporções atingiram regiões produtoras de São Paulo.
    Com isso, mais usinas encerraram a moagem da safra 2025/26.

    Do lado da demanda, compradores relatam volumes suficientes para atender as próximas semanas.
    Assim, o interesse pelas compras permaneceu pontual no mercado. As distribuidoras, por sua vez, priorizam o encerramento do ano com estoques mais enxutos. Esse comportamento limitou novas negociações e reforçou a sustentação dos preços do etanol.

     

     

  • Preço do etanol hidratado sobe pela oitava semana seguida

    Preço do etanol hidratado sobe pela oitava semana seguida

    O preço do etanol hidratado mantém alta no mercado spot paulista desde meados de outubro. Na última semana, o Indicador CEPEA/ESALQ subiu pela oitava vez seguida.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que a menor oferta e a demanda aquecida sustentam essa valorização. O número de usinas que encerrou a safra 2025/26 na região Centro-Sul aumentou, segundo a Unica. Nesta temporada, 120 unidades já finalizaram a moagem, contra 70 no mesmo período do ano passado.

    Entre 1º e 5 de dezembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado em São Paulo fechou em R$ 2,8853 por litro, valor líquido de ICMS e PIS/Cofins. O preço representa alta de 0,7% frente ao período anterior.
    No caso do anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou R$ 3,3128 por litro, sem PIS/Cofins. O valor subiu 0,38% na mesma comparação.

  • Preço do etanol segue em alta em São Paulo

    Preço do etanol segue em alta em São Paulo

    Os preços do etanol hidratado e anidro permanecem firmes em São Paulo há mais de um mês. Entre 17 e 21 de novembro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou em R$ 2,8554 por litro, já livre de ICMS e PIS/Cofins, e subiu 1,13% frente ao período anterior.

    O etanol anidro também registrou avanço. O Indicador Cepea/Esalq atingiu R$ 3,2434 por litro, líquido de impostos, e aumentou 1,05% na mesma comparação.

    Os pesquisadores do Cepea apontam que a firmeza dos preços vem da baixa oferta e da proximidade do fim da safra 2025/26. O vendedor mantém postura firme, o que sustenta o mercado.

    A semana começou com menor movimento em São Paulo, mas Mato Grosso do Sul teve ritmo mais intenso. As chuvas em regiões paulistas reduziram a oferta e fortaleceram os preços.

    Os compradores demonstram menor interesse no mercado spot, sobretudo após ampliarem as aquisições nas semanas anteriores.

  • Avião a etanol da Embraer completa 1.700 unidades e domina mercado agrícola

    Avião a etanol da Embraer completa 1.700 unidades e domina mercado agrícola

    Na manhã desta segunda-feira (24), a Embraer marcou um momento especial na sua trajetória de mais de cinco décadas. A fabricante brasileira entregou o 1.700º avião Ipanema, modelo que se tornou referência absoluta na aviação agrícola nacional. O cliente, baseado em Imperatriz, no Maranhão, vai usar a aeronave para pulverizar diversas culturas na região.

    Foto: Divulgação Embraer

    A história do Ipanema se confunde com o próprio desenvolvimento da agricultura tecnificada no Brasil. Desde que a Embraer lançou o modelo, a aeronave conquistou aproximadamente 60% do mercado brasileiro de aviação agrícola. São números que impressionam e revelam a confiança dos produtores rurais no equipamento nacional.

    “A entrega da unidade 1.700 representa um marco importante na história desta aeronave que é sinônimo de alta produtividade, eficiência, baixo custo operacional e sustentabilidade no setor”, afirma Sany Onofre, líder da Aviação Agrícola da Embraer. O executivo não esconde o orgulho: “Sentimos um enorme orgulho em ver como o Ipanema continua contribuindo fortemente para o desenvolvimento do setor agrícola ao longo dos anos”.

    Potência que vem do etanol

    O diferencial do Ipanema 203 começa no tanque. A aeronave opera com etanol, um biocombustível produzido no próprio Brasil, o que garante sustentabilidade e independência energética para os produtores. Mas a inovação vai além da escolha do combustível.

    Com capacidade para pulverizar mais de 200 hectares por hora, o avião entrega uma performance que equivale ao trabalho simultâneo de quatro grandes pulverizadores terrestres. A diferença fica ainda mais evidente quando analisamos os resultados no campo: a aplicação aérea garante uma distribuição regular de altíssima qualidade, sem amassar o solo ou disseminar pragas por contato.

    Os números comprovam a eficiência. Produtores que adotam a pulverização aérea com o Ipanema conseguem um ganho de até 15 sacas a mais por hectare comparado com métodos tradicionais. Em tempos onde cada centavo conta na agricultura, essa diferença representa um impacto significativo na rentabilidade.

    Mercado aquecido

    O desempenho recente do Ipanema mostra que o mercado continua aquecido. Nos últimos três anos, a Embraer entregou mais de 180 unidades da aeronave. A demanda permanece forte, impulsionada pela necessidade dos produtores em otimizar custos e aumentar a produtividade.

    A fabricante não se limita apenas a vender aviões. A empresa participa ativamente dos principais eventos do setor agrícola, onde apresenta as novidades tecnológicas do Ipanema 203 e promove discussões sobre o futuro da aviação agrícola no país.

    Segurança em primeiro lugar

    Um dos pilares da estratégia da Embraer na aviação agrícola é a segurança operacional. A companhia desenvolve uma agenda intensa de iniciativas no campo, abordando temas como inspeções preventivas, ambiente seguro e boas práticas para pilotos, mecânicos e operadores.

    O investimento em capacitação é impressionante. Atualmente, 100% das turmas de formação de pilotos agrícolas do Brasil recebem palestras do time de suporte ao cliente Ipanema. A estratégia garante que a cultura da segurança seja compartilhada desde o início da vida profissional do piloto agrícola, reduzindo riscos e acidentes no setor.

    Gigante brasileira

    Fundada em 1969, a Embraer se consolidou como uma das líderes globais no setor aeroespacial. A empresa atua em quatro segmentos principais: Aviação Comercial, Aviação Executiva, Defesa & Segurança e Aviação Agrícola. Ao longo de sua história, a fabricante já entregou mais de 9 mil aeronaves.

    Os dados operacionais impressionam: em média, a cada 10 segundos, uma aeronave fabricada pela Embraer decola de algum lugar do mundo. Anualmente, mais de 150 milhões de passageiros voam em aviões da marca brasileira.

    A companhia lidera a fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos e figura como a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. Com presença global, a Embraer mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviço e distribuição de peças nas Américas, África, Ásia e Europa.

    O Ipanema 1.700 representa mais um capítulo dessa trajetória de sucesso, provando que tecnologia nacional pode competir e vencer nos mercados mais exigentes do mundo.

  • Movido a batatas: conheça a história que a indústria automobilística esqueceu

    Movido a batatas: conheça a história que a indústria automobilística esqueceu

    Quando você enche o tanque com etanol hoje em dia, provavelmente não imagina que Henry Ford já tava nessa vibe há mais de 100 anos. O cara não era só obcecado por carros, ele queria literalmente transformar batatas em combustível.

    Foto: Divulgação Ford Motors

    Documentos da década de 1910 revelam que o fundador da Ford conduziu experimentos extensos com biocombustíveis, testando desde açúcar e madeira até batatas alemãs. O objetivo? Encontrar um substituto viável para a gasolina antes que ela ficasse cara demais ou simplesmente acabasse.

    O Modelo T que rodava com qualquer coisa

    Lançado em 1908, o icônico Ford Modelo T tinha uma característica interessante que muita gente não conhece: ele conseguia rodar com gasolina, álcool e até querosene. Não era exatamente um carro flex como conhecemos hoje, mas a flexibilidade do motor de quatro cilindros impressionava.

    “Todo mundo está esperando por um substituto para a gasolina”, declarou Henry Ford em 1916 ao jornal Western Brewer, uma publicação voltada pra produtores de cerveja. A escolha do veículo de comunicação não foi aleatória – Ford tinha um plano audacioso envolvendo cervejarias.

    O magnata, que era conhecido por não beber uma gota de álcool, viu uma oportunidade quando cerca de 60 cervejarias fecharam as portas em Michigan devido à proibição da bebida. Sua ideia era simples e genial: converter essas instalações em destilarias de álcool combustível.

    Testes surpreendentes nos laboratórios da Ford

    Durante 18 meses, a equipe de engenheiros da Ford testou diversos tipos de álcool combustível. Os resultados foram surpreendentes, e até melhores que a gasolina em alguns aspectos.

    Foto: Divulgação Ford Motors

    Um Modelo T abastecido com álcool apresentou potência 15% superior comparado ao mesmo carro rodando com gasolina. O motor de 20 cavalos ficava mais forte, embora a autonomia fosse um pouco menor. Qualquer dono de carro flex brasileiro reconhece esse trade-off na hora.

    Ford testou álcool produzido de várias fontes vegetais: resíduos de fábricas de enlatados, sobras de usinas de açúcar, talos de milho e aquela tal batata alemã especial que poderia ser cultivada localmente. Até materiais que normalmente iriam pro lixo viraram combustível nos experimentos.

    A visão futurista de Henry Ford

    O empresário não pensava pequeno. Em entrevista ao Western Brewer, ele revelou que já tinha 30 tratores Fordson funcionando com álcool em Dearborn. Mas a visão dele ia muito além dos veículos.

    Henry Ford. Foto: Divulgação Ford Motors

    Ford imaginava um futuro em que tubulações subterrâneas distribuiriam álcool combustível para abastecer carros, tratores, sistemas de iluminação e cozinhas domésticas, de forma semelhante ao uso atual do gás natural.

    “Quando isso acabar não haverá mais gasolina e, muito antes disso, o preço da gasolina terá subido a um ponto em que será muito caro para ser queimado como combustível automotivo”, previu Ford com uma precisão impressionante.

    Como a lei seca matou o sonho verde

    Apesar dos resultados promissores e do potencial comercial demonstrado, o projeto dos biocombustíveis de Ford enfrentou um obstáculo insuperável: a Lei Seca.

    A proibição do álcool começou em Michigan antes mesmo da lei federal entrar em vigor em 1920. Operar destilarias legalmente se tornou praticamente impossível, mesmo que o álcool fosse destinado exclusivamente para fins combustíveis.

    Quando a Lei Seca finalmente terminou em 1933, a Ford já tinha seguido em frente. O Modelo T havia sido substituído pelo Modelo A e depois pelos motores V8 de cabeçote plano. A janela de oportunidade tinha fechado.

    O legado esquecido

    Hoje, quando você abastece seu carro com etanol no Brasil, prática comum desde os anos 70, você tá usando uma tecnologia que Henry Ford ajudou a desenvolver um século atrás. A diferença é que levou décadas pra ideia finalmente decolar.

    Os experimentos de Ford com biocombustíveis mostram um lado menos conhecido do inventor: ele não era só um gênio da produção em massa, mas também um visionário ambiental à frente do seu tempo.

    Portanto, se a Lei Seca não tivesse atrapalhado, quem sabe os Estados Unidos não teriam se tornado pioneiros em combustíveis renováveis já nos anos 1920? A história dos carros e do meio ambiente poderia ter sido bem diferente.

  • Etanol brasileiro pode alcançar emissão negativa de carbono

    Etanol brasileiro pode alcançar emissão negativa de carbono

    Os pesquisadores da Embrapa e Unicamp desenvolveram estudo revolucionário sobre biocombustíveis. A pesquisa demonstra que novas tecnologias podem zerar a pegada de carbono do etanol. Além disso, o processo consegue até mesmo gerar emissões negativas no setor.

    Tecnologias inovadoras transformam setor sucroenergético

    O estudo avaliou duas tecnologias principais para reduzir emissões de carbono. Cientistas analisaram o sistema BECCS e a aplicação de biochar em canaviais. Essas soluções podem ampliar significativamente os benefícios do programa RenovaBio.

    O BECCS captura carbono biogênico emitido durante a produção de etanol. Durante a fermentação, as usinas liberam dióxido de carbono que pode ser capturado. Posteriormente, o CO₂ fica armazenado em formações rochosas subterrâneas de forma permanente.

    A Usina FS já aplica essa tecnologia pioneira no território brasileiro. A iniciativa reforça o papel dos biocombustíveis na economia de baixo carbono. Entretanto, o processo ainda demanda altos investimentos e infraestrutura especializada.

    Biochar melhora solo e sequestra carbono

    O biochar transforma resíduos vegetais em material estável de carbono. Pesquisadores submetem bagaço de cana à pirólise com pouco oxigênio. O resultado é um biocarvão que melhora propriedades físicas do solo.

    Produtores aplicam o material nos canaviais para sequestrar CO₂ por décadas. Cada tonelada de biochar pode capturar até 1,42 toneladas de carbono equivalente. Além disso, o produto atua como corretivo agrícola natural nas lavouras.

    Redução drástica na intensidade de carbono

    Atualmente, o etanol hidratado brasileiro apresenta 32,8 gramas de CO₂ por megajoule. Com BECCS na fermentação, o índice cairia para apenas 10,4 gramas. A aplicação de biochar reduziria as emissões para 15,9 gramas por megajoule.

    Lucas Pereira, pesquisador da Embrapa, explica cenários ainda mais ambiciosos possíveis. “A captura durante a combustão permitiria resultados negativos de -81,3 gramas”, afirma. Isso significa que o etanol removeria mais carbono do que emite.

    Custos elevados limitam adoção das tecnologias

    Nenhuma das 300 usinas certificadas pelo RenovaBio adota essas tecnologias atualmente. Os créditos de descarbonização negociam a cerca de US$ 20 por tonelada. Porém, o BECCS custa entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada capturada.

    O biochar apresenta custo médio de US$ 427 por tonelada do produto. Esses valores elevados impedem a implementação em larga escala no momento. Especialistas apontam necessidade de novos mecanismos de incentivo econômico e regulatório.

    Duas frentes de captura de carbono

    Nilza Patrícia Ramos, da Embrapa, destaca duas frentes de aplicação estudadas. A primeira ocorre durante a fermentação alcoólica nas usinas de etanol. A segunda acontece na geração de eletricidade a partir de biomassa.

    “A fermentação emite CO₂ relativamente puro e mais fácil de capturar”, explica. Já a combustão pode gerar emissões negativas em maior escala comercial. Contudo, essa opção enfrenta custos mais altos e desafios de infraestrutura.

    Plantas-piloto já testam armazenamento de carbono em usinas de etanol. Entretanto, nenhuma unidade sucroenergética opera comercialmente com a tecnologia ainda. Especialistas alertam sobre necessidade de mapear formações geológicas adequadas para armazenamento.

    Biochar reduz também outros gases de efeito estufa

    Cristiano Andrade, pesquisador da Embrapa, destaca benefícios adicionais do biochar. O produto reduz emissões de óxido nitroso, gás muito mais potente. Experimentos consideram aplicação entre 1 e 4 toneladas por hectare cultivado.

    A taxa menor é compatível com a rotina atual das usinas. A maior representa o limite viável conforme disponibilidade de resíduos agrícolas. Porém, aplicações excessivas podem afetar negativamente a fertilidade do solo.

    Etanol supera gasolina e compete com elétricos

    Pesquisadores compararam emissões de veículos movidos a etanol, gasolina e eletricidade. Mesmo sem tecnologias de emissão negativa, o etanol apresenta menor intensidade. Com BECCS e biochar, a vantagem ambiental aumenta significativamente em relação.

    Em alguns cenários, o etanol pode superar até veículos elétricos brasileiros. Isso ocorre quando se considera a eletricidade média do sistema nacional. O biocombustível demonstra potencial competitivo frente a todas as alternativas atuais.

    RenovaBio precisa de políticas complementares

    O programa RenovaBio estimula biocombustíveis com baixa emissão de gases estufa. Distribuidoras de combustíveis fósseis adquirem CBIOs para compensar suas emissões. Cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂ evitada no ambiente.

    Contudo, o incentivo financeiro atual pode não viabilizar tecnologias de captura. O estudo sugere linhas de financiamento e mercado voluntário de carbono. Nos Estados Unidos, o crédito tributário 45Q remunera até US$ 180/tCO₂.

    Potencial de reduzir 12% das emissões nacionais

    A implementação em larga escala geraria ganhos expressivos para o Brasil. A combinação de tecnologias poderia resultar em 197 milhões de toneladas. Isso equivale a 12% de todas as emissões brasileiras registradas em 2022.

    O cenário mais viável capturaria cerca de 20 milhões de toneladas anualmente. Cada usina certificada sequestraria em média 75 mil toneladas de carbono. Esse volume seria decisivo para cumprimento das metas climáticas brasileiras até 2030.

    O país precisa reduzir emissões líquidas para 1.200 milhões de toneladas. Isso representa 500 milhões a menos que o total emitido em 2022. As tecnologias de emissão negativa acelerariam significativamente esse processo de descarbonização.

    Desafios na coleta de dados agrícolas

    Autores do estudo alertam sobre fragilidades no inventário de dados agrícolas. Usinas ainda apresentam dificuldades para mensurar emissões com precisão total. Isso pode gerar superestimativas ou subestimativas nos cálculos de impacto ambiental.

    A análise de mudanças no uso da terra ainda carece de detalhamento. Esse fator é central para avaliar sustentabilidade real da bioenergia brasileira. Especialistas recomendam aprimoramento urgente dos sistemas de monitoramento e rastreabilidade.

    Brasil pode liderar transição para combustíveis limpos

    O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol e biodiesel. O país dispõe de infraestrutura agrícola e industrial robusta para expansão. Além disso, políticas consolidadas como RenovaBio oferecem base regulatória sólida.

    O etanol brasileiro já se destaca como combustível de baixo carbono. Com tecnologias de emissão negativa, o país daria salto qualitativo expressivo. Isso colocaria o Brasil na vanguarda da transição energética global atual.

    O biocombustível nacional competiria não apenas com combustíveis fósseis tradicionais. A disputa incluiria também veículos elétricos e hidrogênio verde no mercado. Pesquisadores veem oportunidade única para o agronegócio brasileiro se posicionar estrategicamente.

    Futuro depende de articulação entre setores

    O avanço das tecnologias exige equilíbrio entre inovação e economia sustentável. Mecanismos econômicos precisam tornar o carbono negativo competitivo internacionalmente. Políticas públicas mais ambiciosas são fundamentais para viabilizar os investimentos necessários.

    O futuro do etanol depende menos da disponibilidade técnica das soluções. O desafio central está na capacidade de articular incentivos econômicos eficazes. Somente assim o Brasil transformará o carbono negativo em ativo competitivo.

    Os pesquisadores concluem que o momento é estratégico para o setor sucroenergético. A janela de oportunidade está aberta para liderança brasileira em biocombustíveis avançados. Entretanto, isso requer decisões coordenadas entre governo, setor privado e academia.

  • Safra de grãos deve atingir 354,8 milhões de toneladas no Brasil

    Safra de grãos deve atingir 354,8 milhões de toneladas no Brasil

     A área cultivada cresce. A produção respira. A segunda estimativa da safra 2025/26, divulgada nesta quinta-feira (13/11), pela Conab, manteve praticamente intacto o número já conhecido: 354,8 milhões de toneladas de grãos. É o mesmo patamar do primeiro levantamento — 354,7 milhões. Pequena diferença em relação ao número anterior.

    A área total plantada sobe para 84,4 milhões de hectares, alta de 3,3%. É expansão real. Uma aposta firme do produtor, mesmo com o relógio do clima batendo fora de hora em várias regiões.

    A produtividade média nacional aparece projetada em 4.203 kg/ha, número ainda dependente de modelos e previsões. Modelos erram. O clima muda rápido. A Conab, por isso, mantém os olhos bem abertos para cenários como o excesso de chuva no Paraná, a irregularidade das precipitações em Mato Grosso e o atraso firme das águas em Goiás.

    Soja – área cresce, mas o ritmo do plantio tropeça

    A oleaginosa segue gigante. A área deve subir 3,6%, alcançando 49,1 milhões de hectares. A produção estimada bate em 177,6 milhões de toneladas.

    O plantio? Vai bem, mas nem tanto. Está dentro da média dos últimos 5 anos, embora atrasado em relação à safra passada. Goiás e Minas recuaram. Chuva pouca. Solo seco. No Mato Grosso, o ritmo lembra o de 2024/25, mas outubro pregou uma peça: plantio sob instabilidade, sementes sofrendo com déficit hídrico e falhas na população de plantas. Isso pesa.

    Milho – três safras, ritmo firme, mas queda na produção total

    O milho deve chegar a 138,8 milhões de toneladas somando todas as fases. Uma queda leve de 1,6% ante o último ciclo.

    Na primeira safra, a área cresce 7,1% e a produção deve alcançar 25,9 milhões de toneladas. O plantio já pega 47,7% das lavouras. Acima da média. Mas teve frio demais no Sul, chuva demais no Paraná e até granizo — aquele que bate no telhado e deixa produtor em silêncio. A Conab ainda avalia os danos.

    Arroz – menos área, menos produção

    O arroz encolhe. A estimativa aponta 11,3 milhões de toneladas, queda de 11,5%. A área diminuiu. No Rio Grande do Sul, onde o arroz é rei, mais de 78% da semeadura foi feita. Mas o produtor precisou esperar o solo secar para entrar com as máquinas. O avanço, porém, é satisfatório. Ainda assim, há manchas de irregularidade nas chuvas.

    Feijão – estabilidade no agregado

    A colheita total das três safras deve chegar a 3,1 milhões de toneladas. Um déjà-vu da temporada passada.

    A primeira safra, porém, encolhe 7,3% na área, com 841,9 mil hectares. A produção esperada cai para 977,9 mil toneladas — cerca de 8% menor. O plantio avança bem: São Paulo já concluiu, Paraná bate 91% e Minas segue em 44%.

    Culturas de inverno – trigo rendendo menos

    O trigo deve fechar a safra com 7,7 milhões de toneladas. As condições climáticas ajudaram, mas houve redução de investimentos. Menos fertilizante eMenos defensivo. Menos vigor. O resultado aparece no campo: espigas menores, produtividade limitada. No Paraná, as chuvas fortes de novembro podem afetar parte das áreas ainda não colhidas.

    Mercado – etanol puxa o milho; soja ganha o mundo

    O consumo interno de milho deve avançar para 94,6 milhões de toneladas, uma alta de 4,5%, impulsionada sobretudo pelo etanol. Enquanto isso, as exportações também ganham ritmo e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Os estoques, por sua vez, seguem estáveis — nada que tire o sono do produtor.

    No caso da soja, o Brasil se posiciona com mais firmeza. Com os Estados Unidos reduzindo embarques e o mercado global mantendo o apetite elevado, as vendas externas podem alcançar 112,1 milhões de toneladas em 2025/26, aumento de 5,11%. É um salto que chama atenção e reforça a força do grão brasileiro.

    Além disso, o esmagamento deve crescer. A ampliação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel e a procura crescente por proteína vegetal tendem a levar o processamento a 59,37 milhões de toneladas em 2026. É um avanço de 1,37%, número modesto, mas que confirma a tendência de expansão do setor.