Tag: etanol

  • Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    O preço da gasolina e do diesel continua pesando no bolso dos brasileiros. No entanto, muita gente ainda acredita que o valor cobrado nos postos depende apenas da Petrobras ou dos donos de postos. Na prática, diversos fatores nacionais e internacionais influenciam diretamente o preço final dos combustíveis no Brasil.

    Atualmente, os custos de produção e importação representam cerca de 61% do valor final pago pelo consumidor. Já os tributos correspondem a 16%, enquanto os biocombustíveis somam 10%. Além disso, os custos de distribuição e revenda representam outros 13%, sendo aproximadamente 5% referentes à margem das distribuidoras.

    Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o preço nas bombas resulta de uma cadeia complexa. Ou seja, nenhum setor sozinho é responsável pelas altas ou quedas observadas no mercado.

    O que influencia o preço da gasolina e do diesel?

    Diversos fatores ajudam a definir o valor final dos combustíveis no país. Entre os principais, estão:

    • Cotação internacional do barril de petróleo;
    • Variação do dólar;
    • Contexto geopolítico internacional;
    • Carga tributária federal e estadual;
    • Custos logísticos;
    • Mistura obrigatória de biocombustíveis.

    Além disso, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel utilizado no país é importado. Dessa forma, importadoras e distribuidoras assumem riscos relacionados ao câmbio, ao transporte e às oscilações do mercado internacional para garantir o abastecimento nacional.

    O setor de distribuição também exerce um papel importante no funcionamento da economia. Segundo dados do Sindicom, aproximadamente 200 mil veículos são abastecidos por hora em todos os municípios brasileiros.

    Preço dos combustíveis sofre influência de fatores como petróleo, dólar, impostos e cenário internacional — Foto: Reprodução/Unsplash

    Como o preço do combustível é formado?

    O valor pago pelo consumidor é composto por quatro etapas principais: refinaria, biocombustíveis, impostos e distribuição.

    Preço na refinaria

    A Petrobras vende o combustível às distribuidoras ainda na refinaria. Esse valor sofre influência direta de fatores internacionais, principalmente:

    • preço do barril de petróleo no mercado global;
    • cotação do dólar.

    Além disso, a estatal costuma seguir a chamada política de paridade internacional (PPI). Na prática, isso significa que os preços internos acompanham as oscilações do mercado externo.

    Mistura com biocombustíveis

    Antes de chegar aos postos, a gasolina e o diesel recebem a adição de biocombustíveis.

    A gasolina, por exemplo, é misturada ao etanol anidro. Já o diesel recebe biodiesel na composição. Os preços desses produtos variam conforme fatores agrícolas, demanda interna, subsídios e condições de safra.

    Tributos aumentam o valor nas bombas

    Os impostos representam uma parcela relevante do preço dos combustíveis no Brasil. Entre os principais tributos cobrados estão:

    • ICMS: imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços;
    • CIDE: contribuição federal voltada para infraestrutura de transporte e projetos ligados ao petróleo e gás;

    PIS/Pasep e Cofins: tributos destinados ao financiamento de benefícios e programas sociais.

    Assim, qualquer alteração tributária pode gerar impacto imediato nos preços praticados nos postos.

    Gráfico da formação do preço da gasolina — Elaboração: Petrobrás/Dados: ANP e USP

    Distribuição e revenda também entram na conta

    Os postos compram o combustível já misturado das distribuidoras e definem o valor final ao consumidor. Nesse cálculo, entram despesas com transporte, operação, funcionários, logística e margem de lucro.

    Portanto, o preço exibido na bomba não reflete apenas o valor produzido pela refinaria.

    Estreito de Ormuz pode afetar os combustíveis no Brasil

    Mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil também sente os reflexos das tensões internacionais. Um dos pontos mais estratégicos para o mercado mundial de petróleo é o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.

    Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região.

    Em 2025, por exemplo, os conflitos envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevaram o alerta global. O Parlamento iraniano chegou a sugerir o fechamento do estreito como resposta às tensões internacionais.

    Somente a possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já provocou preocupação no mercado internacional.

    Entre os possíveis impactos estão:

    • elevação do barril do petróleo Brent para até US$ 130;
    • aumento dos custos de transporte marítimo e seguros;
    • alta do risco geopolítico e maior pressão inflacionária.

    Mesmo sendo um importante produtor de petróleo, o Brasil ainda importa combustíveis refinados e segue referências internacionais de preços. Por isso, qualquer instabilidade externa pode provocar aumento no valor da gasolina, do diesel, do frete, dos alimentos e até das passagens de transporte público.

  • Etanol sobe após chuvas reduzirem oferta em São Paulo

    Etanol sobe após chuvas reduzirem oferta em São Paulo

    As chuvas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar de São Paulo reduziram o ritmo de moagem recentemente. Segundo o Cepea, as paralisações pontuais diminuíram o processamento nas usinas paulistas.

    Além disso, algumas unidades interromperam temporariamente as negociações no mercado de etanol. Outras usinas, porém, mantiveram ofertas mais firmes e sustentaram os preços em níveis elevados. Com isso, os preços do etanol hidratado subiram na semana passada em São Paulo.

    O avanço interrompeu uma sequência de oito semanas consecutivas de queda do biocombustível. Ainda segundo o Cepea, distribuidoras concentraram esforços na retirada de volumes comprados anteriormente. Por isso, o número de novos negócios permaneceu limitado durante o período analisado.

    Os estoques formados nas semanas anteriores atenderam a demanda imediata das distribuidoras. Além disso, compradores seguiram atuando de forma pontual e evitaram recomposições maiores. O mercado espera aumento da oferta com o avanço da safra 2026/27.

    Açúcar

    Enquanto isso, o mercado spot paulista de açúcar cristal manteve ritmo lento na última semana. De acordo com o Cepea, compradores continuam retraídos e aguardam novas quedas nos preços.

    O cenário reforça expectativas de oferta abundante. Por outro lado, projeções recentes apontam recuo no ATR médio da cana-de-açúcar. Além disso, o mix de produção mais voltado ao etanol pode limitar a oferta de açúcar. Esse movimento pode reduzir a disponibilidade do produto no curto prazo.

    No mercado internacional, o açúcar demerara perdeu força na Bolsa de Nova York. Segundo o Cepea, o avanço das exportações da Tailândia pressionou as cotações internacionais. As vendas externas tailandesas cresceram nos primeiros quatro meses de 2026.

  • Preço do etanol continua em baixa; entenda o motivo

    Preço do etanol continua em baixa; entenda o motivo

    Os preços dos etanóis hidratado e anidro seguiram em queda no mercado paulista na última semana. Segundo o Cepea, o hidratado recuou pela oitava semana consecutiva. Já o anidro caiu pela sétima semana seguida.

    As usinas paulistas tentaram sustentar os preços durante a semana passada. Porém, a demanda menor das distribuidoras pressionou o mercado. Além disso, algumas unidades precisaram negociar volumes rapidamente. A necessidade de caixa e a pressão de tancagem reduziram os preços. Com isso, as cotações fecharam a semana em baixa no mercado paulista.

    Segundo o Cepea, muitas distribuidoras reduziram novas aquisições. As empresas consideraram suficientes os volumes comprados anteriormente. Assim, parte das distribuidoras permaneceu fora do mercado spot. O foco ficou na retirada do produto já adquirido.

    Ainda conforme o Centro de Pesquisas, fatores climáticos podem limitar novas quedas. A previsão de chuvas pode interromper temporariamente a moagem. Esse cenário pode aliviar a pressão de tancagem enfrentada pelas usinas.

    O mercado também acompanhou o anúncio da Petrobras sobre possíveis reajustes na gasolina. A medida pode trazer maior estabilidade ao setor de combustíveis.

    Açúcar registra negociações lentas

    O mercado spot de açúcar operou com baixa liquidez na última semana. Pesquisadores do Cepea afirmam que esse comportamento costuma ocorrer no início da safra. Compradores priorizam contratos anteriores, enquanto vendedores ajustam o novo ciclo produtivo.

    As negociações concentraram-se no açúcar de coloração mais escura e qualidade inferior. Por outro lado, a oferta de açúcar de melhor qualidade permaneceu restrita no mercado.

    Diante desse cenário, as usinas resistiram à redução dos preços. Esse movimento limitou o avanço das negociações. Segundo o Cepea, uma recuperação mais consistente dependerá do mercado externo. O Centro de Pesquisas destaca a importância da valorização do contrato nº 11 da ICE Futures, em Nova York.

  • Preço do etanol continua em queda em maio

    Preço do etanol continua em queda em maio

    Os preços do etanol hidratado iniciaram maio em queda no mercado brasileiro. A liquidez também perdeu força nas negociações.

    Segundo pesquisadores do Cepea, alguns compradores reduziram a participação nas negociações. Assim, o volume comercializado permaneceu limitado.

    Por outro lado, vendedores mantiveram posições firmes durante boa parte das negociações. Mesmo assim, algumas usinas reduziram preços. Essas unidades precisaram liberar espaço nos tanques ou reforçar o caixa no curto prazo. Com isso, fecharam vendas abaixo dos valores desejados.

    Outros vendedores tentaram reajustes positivos e conseguiram avanços pontuais no mercado. Ainda assim, a tendência predominante continuou negativa.

    As distribuidoras ampliaram a demanda em estados importantes do setor sucroenergético. São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registraram maior volume negociado. Apesar disso, os preços do etanol recuaram nesses estados devido ao aumento da liquidez. O cenário manteve pressão sobre as cotações.

    Açúcar

    No mercado do açúcar cristal, os preços também seguiram em baixa no mercado spot paulista. A oferta crescente ampliou a pressão sobre os valores.

    Segundo o Cepea, o mercado enfrenta desequilíbrio entre oferta elevada e demanda limitada. Por isso, as negociações avançam lentamente.

    As usinas intensificaram as tentativas de venda, mesmo diante de preços pouco atrativos. Porém, compradores seguem cautelosos nas aquisições.

    Traders classificam o mercado como “frio”, devido ao baixo volume negociado atualmente. Além disso, o avanço da safra 2026/27 aumentou a oferta disponível.

    Com demanda retraída e maior disponibilidade de produto, as cotações internas do açúcar continuam pressionadas no Brasil.

  • Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    O Paraguai acaba de virar a página na sua política energética. O presidente Santiago Peña assinou o decreto que regulamenta a Lei do Etanol, visando impulsionar a industrialização, atrair investimentos e ampliar os empregos na cadeia da cana-de-açúcar.

    A medida estabelece que pelo menos metade do etanol usado na mistura de combustíveis deve ter origem nacional, sinalização clara de proteção ao mercado interno e de valorização do produtor local. Para garantir o cumprimento, o decreto já prevê mecanismos de controle, cronograma de implementação e regime de sanções para quem descumprir as regras.

    Tudo isso com um foco bem definido: priorizar o etanol produzido no próprio país, assegurando que o álcool anidro misturado aos combustíveis fósseis venha, de fato, do campo paraguaio.

    Setor sucroalcooleiro e o movimento paraguaio

    A lógica por trás da medida é criar demanda garantida para o setor sucroalcooleiro paraguaio. A estratégia pretende assegurar demanda contínua para o setor, oferecendo maior previsibilidade aos produtores e consolidando um ambiente de mercado mais estável.

    Além disso, a iniciativa busca estimular um ciclo de crescimento na economia rural, incentivando a industrialização da cana-de-açúcar, agregando valor à produção nacional e reduzindo a dependência de insumos importados.

    Em resumo, o movimento paraguaio chega em um momento em que vários países da América Latina revisitam suas matrizes energéticas e buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O Paraguai posiciona a cana-de-açúcar como componente estratégico da sua política de energia, um caminho que o Brasil já percorreu décadas atrás com o Proálcool e que agora inspira vizinhos.

  • Alívio no bolso: é hora de abastecer com etanol

    Alívio no bolso: é hora de abastecer com etanol

    A média do etanol hidratado caiu em abril, primeiro mês da safra 2026/27. O Indicador CEPEA/ESALQ atingiu o menor nível real desde junho de 2024.

    O aumento da oferta pressionou os preços ao longo do mês. A moagem avançou rapidamente porque o volume de chuvas ficou abaixo do esperado.

    Os pesquisadores do Cepea informam que as usinas venderam volumes pequenos e pontuais. Além disso, distribuidoras reduziram a presença nas compras durante abril.

    Mesmo assim, o volume comercializado em São Paulo cresceu de forma significativa. As usinas venderam 75,1% mais etanol frente ao mês anterior. Na comparação anual, o avanço foi de 24,8%, segundo dados do Cepea.

    O setor sucroenergético ainda enfrenta um cenário de incerteza. Os agentes de mercado apontam preocupação com o desempenho da safra 2026/27. Os preços mais baixos do etanol e do açúcar reforçam esse alerta no Centro-Sul do Brasil.

  • Entenda o movimento de queda do preço do etanol

    Entenda o movimento de queda do preço do etanol

    Os preços do etanol seguem em queda no Brasil, pressionados pelo aumento da oferta. Os pesquisadores do Cepea apontam avanço da safra 2026/27 de cana-de-açúcar.

    A maior disponibilidade de etanol de milho também amplia a oferta no mercado. Esse cenário mantém em baixa os valores do etanol hidratado e anidro. Além disso, a demanda enfraquecida reforça o movimento de queda nos preços. O recuo ocorre no mercado spot de São Paulo e em outros estados do Centro-Sul.

    Segundo o Cepea, mais usinas entram no mercado spot com o avanço da produção. Outras unidades priorizam a entrega de volumes negociados anteriormente. Esses vendedores anteciparam contratos, pois temiam novas quedas nos preços.

    O clima firme e ensolarado favorece a colheita da cana-de-açúcar. Com isso, a produção de etanol avança de forma consistente nas últimas semanas.

    Do lado da demanda, compradores adquiriram poucos volumes na semana passada. O feriado de Tiradentes reduziu o ritmo das negociações no período.

    Algumas distribuidoras compraram pequenas quantidades para reposição pontual. Outras operaram em regime de plantão e priorizaram questões operacionais.

    Açúcar

    No mercado de açúcar, a liquidez segue baixa em São Paulo. Agentes mantêm postura cautelosa diante do avanço da safra.

    O feriado também contribuiu para reduzir a movimentação semanal. Compradores evitam negócios e aguardam novas quedas nos preços.

    A expectativa considera o aumento da oferta com a safra 2026/27. Pelo lado da produção, a moagem maior eleva a disponibilidade no curto prazo.

    No cenário externo, os preços do açúcar demerara registraram leve alta. As negociações ocorrem na ICE Futures de Nova York. O aumento das importações chinesas sustentou os preços internacionais no período.

  • SUV que roda com etanol, gasolina e energia elétrica já está à venda no Brasil

    SUV que roda com etanol, gasolina e energia elétrica já está à venda no Brasil

    A GWM apresentou nesta sexta-feira (25), durante o Salão de Pequim 2026, o Tank 300 PHEV Flex, o primeiro híbrido plug-in flex fuel do mundo. O modelo estreia simultaneamente na China e no Brasil como linha 2027, disponível em todas as concessionárias da marca e no site oficial a partir de R$ 342 mil.

    Foto: Divulgação

    O lançamento é resultado de um desenvolvimento conjunto entre a GWM Brasil e a Bosch do Brasil, com suporte da matriz chinesa. A tecnologia reúne um sistema híbrido plug-in à capacidade de usar etanol hidratado ou gasolina, com calibração específica e algoritmos que identificam automaticamente a proporção de combustível no tanque.

    394 cv e consumo de até 18,8 km/l

    O coração do Tank 300 PHEV Flex é um conjunto híbrido composto por um motor 2.0 turbo a combustão e um motor elétrico ligado a um câmbio de nove marchas, que produzem 394 cv de potência combinada e 750 Nm de torque. O SUV acelera de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos.

    O motor opera no ciclo Miller, arquitetura que prioriza eficiência energética em vez de pico de potência. Por isso os números de desempenho se mantêm iguais independentemente do combustível usado. Com gasolina, o veículo consome até 18,3 km/l na cidade e 18,8 km/l na estrada. Com etanol, os índices caem para 13,1 km/l e 14,1 km/l, respectivamente.

    A bateria de 37,1 kWh garante até 74 km de autonomia elétrica pelo padrão Inmetro e até 106 km pelo ciclo WLTP. Em recarga rápida DC (até 50 kW), o modelo vai de 30% a 80% em cerca de 24 minutos. Em corrente alternada, aceita até 6,6 kW.

    Off-road sem concessões

    A plataforma Hi4-T mantém a vocação off-road da linha Tank. O modelo traz carroceria sobre chassi, tração 4×4 com reduzida, transmissão automática de nove marchas com conversor de torque e bloqueios eletrônicos de diferencial dianteiro, traseiro e central. O sistema Todo-Terreno oferece nove modos de condução, e o veículo atravessa até 700 mm de lâmina d’água. A capacidade de reboque é elevada, e as dimensões generosas (4.760 mm de comprimento, entre-eixos de 2.750 mm e porta-malas de até 1.520 litros) garantem praticidade no dia a dia.

    “O lançamento do Tank 300 Flex é mais uma demonstração da incrível capacidade da GWM de se adaptar às demandas dos consumidores brasileiros”, afirmou Diego Fernandes, COO da GWM Brasil. “É um orgulho para a marca saber que essa tecnologia brasileira se tornou uma inovação global.”

    O que esse lançamento significa para o mercado de etanol no Brasil?

    O Tank 300 PHEV Flex não é apenas uma novidade de produto; ele abre uma discussão econômica relevante para um dos setores mais estratégicos do agronegócio brasileiro.

    Foto: Portal Gov.br

    Até agora, praticamente todos os PHEVs vendidos no país operam exclusivamente com gasolina no motor a combustão. Isso cria uma contradição. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol e possui a maior frota flex do planeta. Mas seus carros eletrificados ignoram completamente esse combustível. O resultado é que o crescimento da eletrificação no Brasil tem avançado à margem da cadeia do etanol. E potencialmente em detrimento dela.

    Por que a adoção do etanol em PHEVs pode mudar o jogo

    Se outros fabricantes seguirem o caminho aberto pela GWM, o impacto para o setor sucroenergético seria direto e significativo. Hoje, a preocupação central da indústria de etanol é que a massificação dos veículos elétricos puros (BEVs) reduza drasticamente a demanda por combustíveis líquidos nas próximas décadas. Um veículo PHEV flex, no entanto, mantém a demanda por etanol enquanto também reduz emissões — o que representa um cenário muito mais favorável para os produtores.

    O etanol de cana-de-açúcar brasileiro tem uma das menores pegadas de carbono entre os combustíveis disponíveis no mundo. Quando combinado com um powertrain híbrido, ele potencializa ainda mais a redução de emissões por quilômetro rodado. O que fortalece o argumento do Brasil em fóruns internacionais de descarbonização do transporte.

    Um novo mercado para a cadeia produtiva

    A tecnologia flex em PHEVs pode estimular investimentos em duas frentes: expansão da capacidade de produção de etanol de segunda geração (a partir do bagaço de cana) e modernização dos sistemas de distribuição e abastecimento. Se a demanda por etanol em veículos eletrificados crescer, usinas que hoje operam próximas ao limite de capacidade podem encontrar justificativa econômica para ampliar a produção.

    Há também um efeito de imagem importante. O Brasil luta há anos para que o etanol seja reconhecido internacionalmente como combustível de transição legítimo — e não apenas como uma solução regional. Um PHEV flex produzido por uma montadora global e apresentado no maior salão do automóvel do mundo, em Pequim, oferece exatamente esse argumento de credibilidade.

    Os limites do otimismo

    É preciso cautela, porém. O Tank 300 PHEV Flex custa R$ 342 mil, um preço que o coloca fora do alcance da maior parte dos compradores de veículos flex no Brasil, que historicamente se concentram em segmentos de entrada e intermediários. Para que o impacto no mercado de etanol seja de fato relevante, a tecnologia precisaria migrar para modelos mais acessíveis, como hatchbacks e sedãs compactos.

    Além disso, a eficiência do motor em ciclo Miller, que prioriza eficiência em detrimento de potência, reduz parte do ganho que o etanol normalmente oferece em motores convencionais. Isso significa que a vantagem competitiva do etanol, historicamente associada ao desempenho em motores turbo de alto rendimento, se apresenta de forma diferente nesse contexto.

    Independentemente dessas ressalvas, o lançamento do Tank 300 PHEV Flex envia um sinal claro ao mercado: a eletrificação e o etanol não são caminhos opostos. Se a indústria automotiva global passar a tratar o etanol brasileiro como aliado, e não como obstáculo da transição energética, o Brasil sai de uma posição defensiva para uma posição de protagonismo. E o setor sucroenergético, que emprega mais de um milhão de pessoas diretamente, teria motivos concretos para comemorar.

  • Coamo capta R$ 500 milhões para usina de etanol

    Coamo capta R$ 500 milhões para usina de etanol

    A Coamo Agroindustrial Cooperativa iniciou captação de R$ 500 milhões para construir usina de etanol de milho. A cooperativa enviou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários e confirmou a oferta de notas comerciais escriturais.

    A operação marca a segunda oferta pública da Coamo nesse formato e ocorre em série única. A cooperativa direciona a emissão exclusivamente a investidores profissionais, conforme o comunicado oficial. O Banco Santander atua como coordenador líder da operação financeira.

    A emissão integra o programa Programa Eco Invest Brasil, que incentiva projetos sustentáveis e infraestrutura climática.

    Capacidade de produção

    A Coamo planeja instalar a usina em Campo Mourão, no Paraná. A unidade terá capacidade diária de 763,3 mil litros de etanol hidratado e 723 mil litros de etanol anidro. O etanol hidratado abastece diretamente veículos, enquanto o anidro compõe a mistura com gasolina.

    A cooperativa prevê concluir a planta industrial até fevereiro de 2027, segundo o comunicado. O projeto prevê processar 1,7 mil toneladas diárias de milho, volume equivalente a cerca de 20% do recebido.

    A usina ficará anexa ao parque industrial da Coamo, que reúne nove unidades produtivas atualmente. O complexo industrial inclui atividades como moagem de trigo, produção de óleos e fabricação de rações.

    A cooperativa destacou que a industrialização do milho agrega valor à produção dos cooperados. Além disso, a demanda crescente por biocombustíveis impulsionou a decisão de investir na nova planta.

    A Coamo também citou disponibilidade de matéria-prima e experiência industrial como fatores estratégicos. A cooperativa ressaltou sinergias logísticas e conhecimento em trading de commodities no projeto.

    A unidade será a primeira do Sul do Brasil a produzir etanol exclusivamente a partir de milho. O projeto também incorporará tecnologia estrangeira ainda pouco difundida no país, segundo a Coamo.

    Milho e indústria

    A usina ampliará o volume de milho destinado à industrialização de 3% para 20% do total recebido. A participação do milho na produção de ração deve atingir cerca de 15% com o novo projeto.

    A cooperativa também prevê reduzir custos industriais com a cogeração de energia elétrica. A usina contará com termoelétrica capaz de gerar até 30 megawatts de energia.

    A Coamo reúne quase 73 mil cooperados nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Mais de 70% dos cooperados são pequenos produtores, segundo dados da própria cooperativa.

    A organização registra receita superior a R$ 28 bilhões e movimenta mais de 9 milhões de toneladas anuais.

  • Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    A produção de cana-de-açúcar no Brasil deve alcançar 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma leve queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, segundo o 4º Levantamento da Safra divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com a retração, o país registra a maior produção de etanol da série histórica e a segunda maior fabricação de açúcar.

    O volume colhido coloca a safra atual como a terceira maior já registrada pela Conab, atrás apenas dos ciclos 2022/23 e 2024/25.

    Produção de etanol cresce com avanço do milho

    A produção total de etanol, somando cana-de-açúcar e milho, deve atingir 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8% na comparação anual. O crescimento ocorre principalmente pelo avanço do etanol de milho.

    A produção do biocombustível a partir do cereal chega a 10,17 bilhões de litros, um salto de 29,8% frente à safra passada, passando a representar mais de 27% do total produzido no país.

    Por outro lado, o etanol de cana recua. A produção deve somar 27,33 bilhões de litros, queda de 6,9% em relação ao ciclo 2024/25.

    Açúcar registra segunda maior produção da história

    A produção de açúcar está estimada em 44,2 milhões de toneladas, leve alta de 0,1% na comparação anual. O volume configura a segunda maior produção já registrada pela Conab, atrás apenas da safra 2023/24.

    A menor disponibilidade de cana limitou um crescimento mais expressivo, mesmo com maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante.

    A queda na produção de cana reflete a redução de 2,6% na produtividade média nacional, estimada em 75.184 kg por hectare. Condições climáticas adversas ao longo de 2024, especialmente no Centro-Sul, afetaram o desenvolvimento das lavouras, com estiagens, altas temperaturas e incêndios.

    A expansão da área colhida ajudou a compensar parte das perdas. A área total chega a 8,95 milhões de hectares, crescimento de 2,1% frente à safra anterior.

    Sudeste lidera queda na produção

    Principal polo produtor, o Sudeste deve colher 430,1 milhões de toneladas, queda de 2,2% na comparação anual. O recuo reflete os impactos climáticos registrados ao longo de 2024.

    No Norte, a produção soma 3,8 milhões de toneladas, retração de 7,1%, mesmo com aumento de área. No Nordeste, a estimativa é de 53,3 milhões de toneladas, queda de 2%, influenciada pela menor produtividade.

    A região Centro-Oeste deve produzir 150,2 milhões de toneladas, alta de 3,4%. O avanço ocorre principalmente pela expansão da área colhida, que passou de 1,85 milhão para 1,96 milhão de hectares.

    Apesar disso, a produtividade caiu 2,2%, impactada por condições climáticas menos favoráveis.

    Na região Sul, a produção deve atingir 36 milhões de toneladas, crescimento de 1,9%. O resultado reflete a recuperação da produtividade, favorecida por chuvas mais regulares em comparação ao ciclo anterior.

    Mercado: açúcar ganha espaço e etanol se mantém firme

    Na safra 2025/26, o setor direciona mais cana para a produção de açúcar, o que sustenta a oferta do produto mesmo com menor disponibilidade de matéria-prima.

    Já o mercado de etanol segue equilibrado no curto prazo, com destaque para o segmento de etanol anidro. A menor produção de etanol de cana encontra compensação no avanço do etanol de milho.

    No mercado internacional, a maior oferta de açúcar limita altas mais consistentes nos preços. Ainda assim, prêmios de exportação positivos e incertezas externas garantem sustentação pontual às cotações.