Tag: etanol

  • Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

    A entidade informou que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o impacto da medida sobre o setor. Mesmo assim, parte das vendas brasileiras continuará sujeita à cobrança. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo americano. Segundo ela, a inclusão de novos produtos na lista de exceções preservou 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos.

    Isentos da tarifa

    Entre os produtos excluídos da tarifa estão pescados, mel e café solúvel. De acordo com Mori, a ampliação das exceções ocorreu após atuação técnica da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

    Madeira, arroz, ovos e açúcar continuam tarifados

    Apesar das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%. Segundo a CNA, esses produtos movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

    A entidade também destacou a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. As autoridades dos EUA afirmaram que alguns produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana. Além disso, alegaram oferta insuficiente no mercado interno e risco de impactos em setores estratégicos da economia.

    CNA continuará defendendo o agronegócio brasileiro

    Sueme Mori informou que a CNA acompanhou toda a investigação comercial. A entidade apresentou estudos técnicos e participou de consultas públicas e audiências realizadas em Washington.

    Segundo a diretora, a confederação demonstrou que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. Além disso, a CNA defendeu a exclusão dos produtos agropecuários da medida. Para a entidade, Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para ambos os países.

    Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso. Também buscará alternativas para reduzir os impactos da tarifa sobre o agronegócio brasileiro. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, concluiu.

  • Etanol recua com avanço da moagem da cana

    Etanol recua com avanço da moagem da cana

    Os preços do etanol anidro e hidratado voltaram a cair com mais intensidade no mercado paulista. Segundo o Cepea, o clima favorável acelerou a moagem da cana-de-açúcar e ampliou a oferta do biocombustível.

    Além disso, a entrada de etanol de outros estados aumentou a disponibilidade do produto em São Paulo. Como resultado, as cotações sofreram maior pressão na última semana.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que as usinas de açúcar e etanol enfrentam forte pressão financeira. Os custos elevados e as altas taxas de juros desafiam a rentabilidade do setor. Esse cenário também amplia o endividamento das empresas sucroenergéticas. Afinal, as usinas dependem de recursos para manter as operações, investir e expandir a capacidade produtiva.

    Diante desse contexto, o Cepea avalia que o setor sucroenergético enfrentará um ambiente desafiador nos próximos meses.

    Açúcar mantém estabilidade com negociações pontuais

    Os preços do açúcar cristal branco permanecem praticamente estáveis no mercado paulista. Segundo o Cepea, os negócios seguem pontuais. Os compradores acompanham o ritmo da safra no Centro-Sul. Ao mesmo tempo, os vendedores mantêm posição firme e evitam reduzir os preços.

    Ainda conforme o Cepea, as chuvas registradas em maio e junho desaceleraram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar. Por outro lado, as precipitações favoreceram o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos na segunda metade da safra.

  • Etanol brasileiro entra na mira dos EUA com tarifa de 25%

    Etanol brasileiro entra na mira dos EUA com tarifa de 25%

    A National Corn Growers Association (NCGA), entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, pediu ao governo americano a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro durante a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301. A associação afirma que políticas adotadas pelo Brasil prejudicaram os agricultores americanos ao longo da última década e defende novas medidas de retaliação.

    O posicionamento foi apresentado em um depoimento encaminhado às autoridades dos EUA, no qual a entidade acusa o Brasil de restringir o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro enquanto ampliava as exportações de etanol produzido no país.

    NCGA critica tarifa brasileira sobre etanol dos EUA

    Segundo a NCGA, a principal barreira comercial é a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado dos Estados Unidos.

    A associação afirma que, em 2017, o governo brasileiro criou uma tarifa de 20% acompanhada de uma cota tarifária para o biocombustível americano. Na avaliação da entidade, a medida provocou forte queda nas exportações para o mercado brasileiro.

    De acordo com o documento, desde 1º de janeiro de 2024, a tarifa permanece em 18%.

    “O mercado praticamente desapareceu”, afirmou o vice-presidente da NCGA, Matt Frostic, ao defender que a tarifa brasileira foi responsável pela redução das exportações americanas de etanol.

    Associação pede tarifa de 25% contra o etanol brasileiro

    Além de criticar as políticas brasileiras, a entidade apoia que o governo dos Estados Unidos imponha uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro.

    Segundo Frostic, a investigação conduzida com base na Seção 301 deveria abranger todas as ações que, na visão da associação, prejudicam os produtores de milho americanos.

    Além disso, o documento também solicita que Washington avalie outras formas de retaliação comercial contra o Brasil.

    RenovaBio também é alvo de críticas

    A associação também direcionou críticas ao RenovaBio, programa brasileiro voltado à descarbonização dos combustíveis.

    Segundo a NCGA, o modelo brasileiro dificultaria a habilitação de usinas americanas e favoreceria os produtores nacionais, ampliando a competitividade do etanol brasileiro em mercados internacionais, incluindo o segmento de combustíveis sustentáveis para aviação.

    Debate sobre pegada de carbono

    Outro ponto levantado pela entidade envolve a comparação da pegada de carbono entre o milho produzido no Brasil e nos Estados Unidos.

    No documento, Frostic questiona o argumento de que o milho brasileiro, cultivado em segunda safra, apresenta menor impacto ambiental. Segundo ele, mudanças no uso da terra, incluindo áreas de pastagem e vegetação nativa, não seriam devidamente consideradas nos cálculos utilizados pelo Brasil.

    A manifestação da NCGA integra a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais brasileiras e poderá servir de base para eventuais decisões do governo americano sobre novas tarifas e outras medidas envolvendo o comércio bilateral de etanol, milho e biocombustíveis.

  • Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    O setor produtivo brasileiro finaliza a argumentação que vai levar a Washington nesta segunda-feira (6), véspera da audiência do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre as tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump com base na seção 301. A estratégia do Brasil aposta no impacto econômico da medida: com matérias-primas brasileiras sobretaxadas, a inflação deve pesar diretamente no bolso do consumidor americano.

    Mais de 70 brasileiros participam do encontro, entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em diplomacia e economia, e políticos. O setor produtivo brasileiro terá 11 representantes com direito à fala, contra 12 do lado americano.

    Etanol dos EUA pressiona por tarifas recíprocas

    O agronegócio brasileiro enfrenta resistência de entidades setoriais americanas, especialmente do setor de biocombustíveis. A RFA (Renewable Fuels Association), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, defende tarifas recíprocas e acusa o Brasil de praticar concorrência desleal.

    Uma pesquisa encomendada pela entidade mostra que os combustíveis renováveis ganharam apoio popular em meio ao debate sobre segurança energética e alta da gasolina. O levantamento indica que 74% dos eleitores registrados apoiam o RFS (programa federal que obriga a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis), o maior índice de aprovação em uma década de pesquisas trimestrais da associação. Apenas 12% dos entrevistados rejeitam a política.

    Os dados também revelam que 87% dos entrevistados consideram a independência energética uma prioridade para os EUA, enquanto 80% apontam o etanol como ferramenta relevante para alcançar esse objetivo. A RFA usa justamente esse argumento para sustentar a defesa de tarifas recíprocas.

    A entidade avalia que o etanol produzido internamente reduz a dependência americana de fontes externas de energia, fortalece a economia rural e barateia o preço dos combustíveis. Analistas de mercado, porém, contestam essa leitura e afirmam que os Estados Unidos ainda dependem de importações para suprir a demanda interna.

    Café brasileiro já mudou o blend americano

    Fontes ligadas às negociações apontam receio da indústria americana de perder espaço diante da qualidade e da competitividade dos produtos brasileiros. Alías, o que já acontece no setor de café.

    Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), afirmou à imprensa que os torrefadores americanos já alteraram os blends de café por falta do produto brasileiro no mercado, e que qualquer nova tarifa vai elevar o preço do cafezinho nos Estados Unidos.

    Os EUA perderam o posto de maior comprador de café solúvel brasileiro para a Alemanha no fim do ano passado, já que as tarifas sobre o produto seguiram fixadas em 10%, segundo Lima.

    Rebanho americano na pior baixa em 70 anos

    O setor de carnes também entra na disputa. Mesmo que o Brasil perca a venda direta e sem tarifas aos EUA, frigoríficos brasileiros com plantas instaladas em países vizinhos da América Latina continuarão abastecendo o mercado americano. Isso justamente quando o rebanho bovino dos EUA enfrenta sua pior baixa em 70 anos.

    Analistas brasileiros destacam que o consumidor americano continuará, na prática, consumindo carne com origem brasileira, ainda que de forma indireta, através de hambúrgueres processados fora do Brasil.

    O Itaú BBA reforçou em relatórios recentes que a indefinição comercial, somada à instabilidade geopolítica, torna ainda mais complexo o custeio e o escoamento das safras agrícolas, enquanto o Brasil busca alternativas de mercado para reduzir prejuízos.

    Como funciona a audiência do USTR

    A audiência reúne 14 painéis sobre diferentes temas, além do agro, com início às 10h no horário de Washington. Cada representante setorial tem até cinco minutos para apresentar um sumário executivo em defesa da cadeia produtiva que representa.

    O USTR pode fazer perguntas aos representantes e abrir espaço para réplicas, mas fontes ouvidas indicam que a argumentação deve ser objetiva e concentrada nas consequências econômicas caso as tarifas entrem em vigor. Os setores tiveram até 1º de julho para enviar a argumentação por escrito, que serve de base para as apresentações desta segunda-feira (6).

    Quem representa o agro brasileiro na audiência
    • Andressa Silva — Associação Brasileira da Indústria do Arroz
    • Vinicius Vanzella — Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul
    • Marcelo Schunn Junqueira — Sociedade Rural Brasileira
    • Fernanda Carneiro — Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
    • Marcos Matos — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
    • José Luiz Pimenta Junior — Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel
    • João Marcelo Messas — Associação Brasileira dos Exportadores de Mel
    • Andrea Almeida — União Nacional do Etanol de Milho
    • Welber Barral — União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e Indústria Brasileira de Árvores
    • Gian Carlo Almeida Marodin — Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
  • Entenda a alta de preço do etanol pela terceira semana

    Entenda a alta de preço do etanol pela terceira semana

    As chuvas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar limitaram a produção de etanol no Centro-Sul brasileiro. Com menor oferta, os preços do biocombustível avançaram pela terceira semana seguida.

    Segundo o Cepea, as precipitações interromperam as atividades industriais em diversas usinas. Por isso, o processamento da cana perdeu ritmo e reduziu a disponibilidade de etanol. Como consequência, as usinas elevaram os preços ofertados ao mercado. Ainda assim, algumas unidades negociaram valores menores devido à liquidez limitada.

    Distribuidoras acompanham produção da nova safra

    Do lado da demanda, as distribuidoras mantiveram uma postura cautelosa durante as negociações. Os compradores acompanham o bom desempenho da produção de etanol na safra 2026/27 antes de ampliar as aquisições.

    Chuvas também favorecem preços do açúcar

    O mercado de açúcar cristal branco também reagiu às chuvas na última semana. As precipitações reduziram o ritmo da colheita e diminuíram a oferta do produto no mercado paulista à vista. Com isso, os preços registraram leve recuperação.

    Mesmo diante desse cenário, compradores continuam resistentes às negociações. Eles esperam novas quedas nos preços e mantêm a liquidez reduzida.

    Oferta elevada limita reação do açúcar

    Segundo o Cepea, o mercado ainda percebe uma oferta relativamente abundante de açúcar. Além disso, agentes destacam a expansão da produção de etanol de milho e a elevada capacidade instalada de açúcar no Centro-Sul.
    Esses fatores seguem limitando altas mais expressivas nos preços do açúcar, mesmo com a redução temporária da oferta provocada pelas chuvas.

     

  • Alimentos pressionam inflação e preocupam agronegócio

    Alimentos pressionam inflação e preocupam agronegócio

    Os alimentos voltaram a liderar a inflação brasileira em maio. O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33%, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (12). O resultado ficou praticamente estável em relação a abril. O índice recuou apenas 0,01 ponto percentual no período.

    A alimentação no domicílio avançou 1,65%. Os maiores aumentos ocorreram na batata-inglesa, que subiu 44,69%, no tomate, com alta de 20,62%, e na cebola, que avançou 16,80%. As carnes também ficaram mais caras e registraram elevação de 1,39%. Esses produtos repetiram o movimento observado em abril e acumulam altas desde janeiro.

    Por outro lado, alguns itens apresentaram queda de preços. O café moído recuou 2,38%, enquanto as frutas registraram baixa de 0,70%.

    A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara. O segmento avançou 0,49% em maio. Os preços dos lanches subiram 0,49%, após alta de 0,71% em abril. Já as refeições passaram de 0,54% para 0,51% no mesmo período.

    No acumulado do mês, a inflação oficial do país ficou em 0,58%. O resultado desacelerou frente aos 0,67% registrados em abril. Apesar do alívio no índice geral, os alimentos continuaram como principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias. O grupo Alimentação e Bebidas respondeu pela maior contribuição ao resultado do IPCA.

    Itens básicos e produtos in natura exerceram forte influência sobre a inflação. Fatores climáticos, custos de produção e oscilações na oferta explicam parte desse movimento.

    Para o agronegócio, os números reforçam a influência das safras e do abastecimento sobre o custo de vida dos brasileiros.

    Safra de cana reduz preços do etanol

    O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil favoreceu a queda do etanol em maio. O biocombustível registrou recuo de 6,20%. Em abril, o produto havia apresentado alta de 0,62%.

    Mesmo com a demanda aquecida, a maior oferta ajudou a reduzir os preços. O etanol também contribuiu para aliviar a inflação do grupo Transportes. Com o aumento da moagem, as usinas ampliaram a disponibilidade de matéria-prima. Como resultado, a oferta de etanol cresceu no mercado.

    O cenário reforça a importância do agronegócio para o comportamento da inflação. Afinal, a produção agrícola influencia diretamente os preços dos combustíveis renováveis.

    Além do etanol, o óleo diesel caiu 2,34% em maio. O combustível tem papel estratégico no campo por abastecer máquinas agrícolas e transportar a produção. A redução dos combustíveis pode diminuir custos logísticos em toda a cadeia agropecuária. Dessa forma, o movimento pode ajudar a reduzir pressões sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.

  • Governo avalia elevar etanol para 32% na gasolina

    Governo avalia elevar etanol para 32% na gasolina

    O governo federal deve analisar nos próximos 15 dias uma proposta para aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina. A medida prevê elevar o percentual dos atuais 30% para até 32%. O anúncio ocorreu nesta terça-feira (9). O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que encaminhará a proposta ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

    Silveira apresentou a iniciativa após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e representantes do setor de biocombustíveis, no Palácio do Planalto. Segundo o ministro, estudos técnicos permitem ampliar a mistura para 32%. Além disso, ele destacou que o setor apresentou a reivindicação durante o encontro.

    Limite técnico

    Embora o limite técnico possa chegar a 35%, o governo pretende avançar inicialmente para o E32. A proposta integra a estratégia de descarbonização da matriz energética brasileira. Além disso, a medida segue as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro.

    De acordo com Silveira, o aumento da mistura reduzirá a dependência de gasolina importada. A expectativa é economizar cerca de 450 milhões de litros do combustível. O ministro também afirmou que a iniciativa pode contribuir para reduzir oscilações de preços causadas por conflitos internacionais.

    Representantes da indústria classificaram a reunião como positiva. Eles reforçaram a importância do etanol para a segurança energética e para a redução dos custos ao consumidor.

    O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, destacou a diferença de preços entre os combustíveis. Segundo ele, o litro do etanol custa, em média, R$ 2,40 menos que o da gasolina. Com isso, o aumento de dois pontos percentuais na mistura pode gerar economia ao consumidor.

    Gussi também afirmou que a diferença de preços proporcionou uma economia de aproximadamente R$ 2 bilhões aos brasileiros nos últimos três meses. Além disso, o dirigente destacou que o país deixou de gastar cerca de R$ 8 bilhões com importações de gasolina no período.

    Sobre possíveis impactos nos veículos, Gussi afirmou que a mudança possui viabilidade técnica. Segundo ele, testes realizados anteriormente já comprovaram a eficiência da mistura de 32%.

    O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, ressaltou que políticas públicas recentes fortaleceram a produção nacional de etanol.

    Para este ano, a expectativa do setor aponta crescimento superior a 4 bilhões de litros na produção do biocombustível. Campos afirmou que o cenário favorece a descarbonização do transporte brasileiro. Além disso, ele destacou que o etanol permanece mais competitivo que a gasolina em diversas regiões do país.

     

  • Engenharia brasileira desenvolve motores agrícolas a etanol e biometano para substituir o diesel

    Engenharia brasileira desenvolve motores agrícolas a etanol e biometano para substituir o diesel

    A AGCO apresentou dois novos motores movidos a combustíveis renováveis: um a etanol e outro a biometano. A equipe de engenharia brasileira da empresa desenvolveu integralmente as soluções ao longo de três anos para tratores na faixa de 200 cv a 300 cv. Esses equipamentos atendem amplamente operações de preparo de solo, plantio e transbordo. E representam uma alternativa concreta ao diesel no agronegócio.

    A equipe de engenharia desenvolveu os motores do zero para operar com seus respectivos biocombustíveis, sem adaptar tecnologias existentes. No caso do motor a etanol, a AGCO criou sistemas exclusivos de ignição e injeção que garantem, segundo a empresa, desempenho, durabilidade e curva de torque equivalentes ao diesel, além de operação mais silenciosa. Produtores rurais, usinas e concessionários participaram do projeto, que a equipe validou em condições reais de trabalho em culturas de cana-de-açúcar e grãos.

    “O motor AGCO Power a etanol foi concebido desde o início como um motor agrícola, preparado para as severas condições de trabalho no campo. Já ultrapassamos 10.000 horas de testes práticos”, afirmou Fabricio Natal, vice-presidente de Engenharia América Latina & APA da AGCO.

    Diesel mais caro impulsiona busca por alternativas

    A alta no preço do diesel tem pressionado os custos de produção no campo. E o mercado busca novas tecnologias como resposta direta a essa demanda. Para André Rocha, diretor da AGCO Power, os novos motores atendem a uma necessidade crescente do setor por soluções que combinem redução de custos operacionais e diminuição das emissões de gases poluentes.

    Para produtores que cultivam cana-de-açúcar ou milho, o uso do etanol pode ir além da simples troca de combustível. A tecnologia abre caminho para um ciclo energético próprio dentro da propriedade, reduzindo a dependência de insumos externos e, potencialmente, gerando créditos de carbono.

    Biometano amplia o aproveitamento de resíduos agrícolas

    Além do etanol, a empresa também apresenta uma versão movida a biometano, combustível obtido a partir da transformação de resíduos agrícolas e biomassa. A solução é especialmente relevante para regiões com alta produção de cana-de-açúcar, milho e outras culturas geradoras de matéria-prima para biogás, ampliando o aproveitamento energético dentro das próprias fazendas.

    Do ponto de vista ambiental, tanto o etanol quanto o biometano integram ciclos renováveis de carbono. E podem reduzir em até 90% as emissões de CO₂ equivalente em comparação com os combustíveis fósseis, segundo dados da empresa.

    A versão movida a biometano tem previsão de lançamento comercial a partir de 2027, enquanto o motor a etanol deve chegar ao mercado em 2028. As novidades integram a estratégia da AGCO de posicionar o Brasil como protagonista na transição energética do setor agropecuário, aproveitando a infraestrutura já consolidada de biocombustíveis no país.

  • Preço do etanol cai pela segunda semana seguida

    Preço do etanol cai pela segunda semana seguida

    As cotações do etanol hidratado recuaram no mercado paulista pela segunda semana consecutiva neste começo de junho.

    Segundo pesquisadores do Cepea, os preços atuais estão próximos dos custos de produção das usinas. Por isso, parte dos vendedores decidiu se afastar temporariamente do mercado spot e aguarda novos movimentos das cotações.

    Além disso, o desempenho positivo da safra de cana-de-açúcar contribui para a pressão sobre os preços. Com o avanço da moagem, as usinas ampliam os estoques de etanol e aumentam a oferta disponível.

    De acordo com o Cepea, nem mesmo o feriado de Corpus Christi estimulou as negociações. Os compradores mantiveram aquisições reduzidas, já que haviam fechado volumes maiores nas semanas anteriores.

    Mercado de açúcar segue com baixa movimentação

    O mercado spot paulista de açúcar cristal branco também registra ritmo lento neste início de junho. A oferta abundante no começo da safra 2026/27 mantém os preços enfraquecidos e reduz o interesse dos agentes por novos negócios.

    No mercado internacional, os contratos de açúcar demerara começaram a semana passada em alta na Bolsa de Nova York. As cotações receberam suporte das preocupações climáticas, principalmente na Índia.

    Entretanto, o aumento da oferta global da commodity passou a pressionar os preços nos dias seguintes. Como resultado, os ganhos observados no início do período perderam força.

  • Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Os Estados Unidos propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida ainda passa por consulta pública antes de uma decisão final, prevista para julho de 2026.

    O USTR estabeleceu um cronograma para o processo: interessados devem solicitar participação em audiência até 22 de junho. O envio de comentários escritos vai até 1º de julho, e a audiência pública ocorre em 6 de julho. O prazo legal para adoção das medidas termina em 15 de julho.

    Lista de exceções inclui alimentos, fertilizantes e aeronaves

    A proposta inclui uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos ou com oferta insuficiente no mercado americano. Entre os itens isentos estão materiais informativos e doações, além de produtos agrícolas e industriais.

    A lista menciona carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes e fertilizantes. Também aparecem aeronaves e peças, minerais de terras raras, produtos químicos orgânicos e itens farmacêuticos.

    USTR aponta práticas comerciais e ambientais como justificativa

    O relatório do USTR reúne críticas ao Brasil em diferentes frentes. O documento cita decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais, com alegações de ordens sigilosas para remoção de conteúdo político e suspensão de perfis, além de multas e restrições a ativos.

    O órgão também questiona regras de pagamento eletrônico e aponta suposto favorecimento a empresas locais.

    Etanol, acordos comerciais e reciprocidade entram no radar

    Os Estados Unidos também criticam acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. Segundo o USTR, o Brasil aplica tarifas menores a centenas de produtos desses parceiros sem oferecer tratamento equivalente aos EUA.

    O relatório destaca ainda o setor de etanol. O órgão afirma que, desde 2017, o Brasil não mantém reciprocidade no acesso ao mercado.

    Outros pontos levantados incluem desmatamento ilegal, propriedade intelectual e combate à corrupção. O USTR avalia que o Brasil não aplica de forma eficaz sua legislação ambiental.

    O documento também critica a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise de patentes. E aponta falhas no enfrentamento a práticas de suborno e corrupção.

    A Amcham Brasil emitiu uma nota oficial agora pela manhã

    Nota

    O relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), publicado em 1º de junho no âmbito da investigação da Seção 301 envolvendo práticas comerciais do Brasil, recomenda, em caráter preliminar, a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Caso confirmadas, essas medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

    Ao mesmo tempo, o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes dos dois países em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final prevista para 15 de julho. Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas.

    “O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    A Amcham acompanha também a expectativa de divulgação, nos próximos dias, do relatório de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

    Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países.

    A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com a continuidades das negociações e apoiar iniciativas que fortaleçam a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos.