Tag: clima

  • Preço do trigo sobe com oferta restrita e clima preocupa

    Preço do trigo sobe com oferta restrita e clima preocupa

    Os preços do trigo seguem em alta no mercado brasileiro. A oferta limitada sustenta as cotações durante a entressafra. Além disso, vendedores mantêm postura retraída diante dos possíveis impactos do El Niño no Sul do Brasil.

    Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o mercado registra altas consecutivas nas principais regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual superou R$ 1.300 por tonelada. Assim, os valores retornaram aos níveis de agosto de 2025. Já no Paraná, as cotações ultrapassaram R$ 1.350 por tonelada. Dessa forma, os preços voltaram aos patamares observados em setembro de 2025.

    Ainda conforme o Cepea, produtores seguem retendo o cereal no mercado interno. A expectativa de menor produção na próxima safra reforça esse movimento.

    De olho no tempo

    As incertezas climáticas aumentam a cautela entre os triticultores do Sul do País. A confirmação do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 mantém produtores em alerta. O excesso de chuvas pode atingir o período de maturação e pré-colheita do trigo.

    Do lado comprador, as moageiras aceitam preços mais elevados nas negociações. Segundo o Cepea, as indústrias buscam atender à demanda no mercado spot e recompor estoques. Além disso, o consumo interno deve permanecer estável nos próximos meses, fator que sustenta o ritmo das compras.

     

  • Banco Central afirma que o clima pressiona o crédito rural

    Banco Central afirma que o clima pressiona o crédito rural

    Eventos climáticos extremos elevaram a inadimplência no agronegócio brasileiro em 2025. A avaliação é do Banco Central do Brasil. O dado aparece no REF, Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado nesta segunda-feira (25).

    Segundo o BC, os impactos climáticos atingiram principalmente as operações de crédito rural. Além disso, o cenário aumentou a inadimplência no setor agropecuário.

    Risco climático x crédito rural

    A autoridade monetária afirmou que o sistema financeiro segue exposto ao risco climático por meio do crédito rural. De acordo com o relatório, os maiores riscos concentram-se na agropecuária e na indústria extrativista.

    O documento destaca ainda que todas as 122 atividades agropecuárias analisadas apresentaram alto risco climático. Entre os eventos extremos registrados em 2025, o BC citou tempestades no Sul do Brasil. Além disso, mencionou temporais no interior paulista, enchentes e períodos de seca.

    Segundo o Banco Central, algumas instituições financeiras aperfeiçoaram mecanismos de gerenciamento climático após os eventos extremos de 2024.

    O relatório também mostrou queda no número de instituições afetadas por problemas climáticos nas carteiras de crédito. O percentual recuou de 44% na pesquisa anterior para 21% no levantamento realizado em 2026.

    Mesmo assim, o BC afirmou que o risco de crédito continua sendo o principal canal de transmissão climática ao Sistema Financeiro Nacional.

    Por outro lado, o documento ressaltou que a inadimplência no agronegócio possui múltiplos fatores. Dessa forma, o Banco Central afirmou que não é possível calcular o impacto exclusivo dos eventos climáticos sobre os atrasos financeiros.

  • El Niño 2026 ameaça produção de morango, tomate e grãos no Brasil

    El Niño 2026 ameaça produção de morango, tomate e grãos no Brasil

    A possível chegada de um El Niño intenso em 2026 acende um alerta no agronegócio brasileiro, especialmente para culturas sensíveis ao clima, como morango, tomate e grãos. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de formação do fenômeno já supera 90%, com cerca de 50% de chance de atingir intensidade forte ou muito forte, cenário conhecido como “Super El Niño”.

    A previsão indica um aumento significativo nas temperaturas globais, com elevação que pode chegar a 3°C. Esse cenário tende a provocar irregularidades climáticas, afetando diretamente a produtividade agrícola. Culturas de clima frio e temperado estão entre as mais vulneráveis, já que dependem de faixas térmicas mais estáveis para se desenvolver.

    Estudos da Embrapa apontam que, considerando um aumento gradual de temperatura até 2050, o Brasil pode enfrentar uma redução de até 50% na produção agrícola. Embora o impacto do El Niño seja mais imediato, os dados reforçam a preocupação com a resiliência do setor diante das mudanças climáticas.

    Adaptação

    No campo, especialistas destacam que a adaptação passa, principalmente, pelo manejo eficiente do solo e pela nutrição adequada das plantas. Segundo Douglas Vaz-Tostes, especialista em nutrição de lavouras do Grupo GIROAgro, não é mais possível dissociar o manejo climático do nutricional.

    “A escolha correta dos fertilizantes impacta diretamente a eficiência do sistema produtivo. Quando o produtor aplica o nutriente certo, na dose e no momento adequados, reduz perdas e preserva o potencial produtivo, mesmo em cenários adversos”, afirma.

    No caso do morango, por exemplo, o impacto do calor é ainda mais sensível. A cultura se desenvolve melhor em temperaturas entre 13°C e 26°C. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, há prejuízos na floração, o que compromete a produção e pode gerar atrasos na colheita.

    Irregularidade climática

    Além das temperaturas elevadas, a irregularidade climática também favorece o aumento da incidência de pragas e doenças, exigindo maior esforço fisiológico das plantas. Nesse contexto, o especialista ressalta que o desafio atual vai além da simples adubação.

    “Hoje, não basta apenas fornecer nutrientes. É essencial garantir que a planta consiga absorver e transformar esses insumos em produtividade, mesmo sob estresse climático”, explica.

    Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, a preparação antecipada deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma condição essencial para a sustentabilidade do agronegócio. Estratégias como o uso eficiente de fertilizantes, o planejamento do plantio e a adoção de tecnologias agrícolas devem ganhar ainda mais relevância nos próximos ciclos produtivos.

  • Geadas e temperaturas negativas acendem alerta no campo

    Geadas e temperaturas negativas acendem alerta no campo

    A onda de frio que atingiu o Sul do Brasil nesta semana colocou o clima no centro das atenções do agronegócio e elevou o alerta sobre a safra de grãos 2025/26. A chegada de uma frente fria derrubou as temperaturas, provocou geadas e levou os termômetros a mínimas próximas de 3°C em áreas produtoras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

    Na Serra Gaúcha, as temperaturas ficaram abaixo de 0°C por vários dias consecutivos, o que aumentou o risco de danos em lavouras de milho, feijão e culturas de inverno em fase inicial de desenvolvimento.

    O cenário agrava uma situação já pressionada por irregularidade climática. A safra 2025/26 vinha enfrentando estiagem, oscilações térmicas e baixa umidade do solo em importantes regiões produtoras. Agora, as geadas adicionam um novo fator de risco ao ciclo agrícola.

    No Rio Grande do Sul, produtores aceleram a semeadura do milho em áreas menos suscetíveis ao frio para reduzir perdas. A estratégia busca escapar das janelas mais críticas de ocorrência de geadas.

    Manejo do solo

    Segundo Fellipe Parreira, da GIROAgro, o manejo do solo ganhou protagonismo diante do aumento da imprevisibilidade climática. “A inoculação de sementes com bactérias eficientes favorece o desenvolvimento radicular e pode elevar a produtividade. No entanto, o resultado depende de fatores como clima, solo, manejo e disponibilidade de nutrientes”, explica.

    Solos bem corrigidos, com boa estrutura física e fertilização equilibrada, aumentam a retenção de água, fortalecem o sistema radicular e ajudam na recuperação das plantas após estresse térmico. Em áreas com manejo técnico adequado, as lavouras tendem a apresentar maior resistência durante episódios de frio intenso e geadas.

    O avanço de práticas como agricultura regenerativa, adubação de precisão e conservação do solo reflete a resposta do setor aos eventos climáticos extremos. Produtores ampliam investimentos em manejo biológico, cobertura vegetal, retenção hídrica, preservação da microbiota do solo e monitoramento climático.

    Esse movimento acompanha a busca por produtividade com sustentabilidade, aliada ao uso de tecnologias mais eficientes e adaptadas às diferentes realidades do campo brasileiro.

    Impacto

    O impacto do frio não se limita ao Sul. O milho, cultura estratégica para o agronegócio, influencia diretamente cadeias como proteína animal, indústria de alimentos, exportações e logística. Quedas na produtividade podem gerar efeitos em toda a economia agrícola.

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já indicava maio como um mês de forte contraste climático, com avanço de massas de ar frio e risco de geadas no Sul, além de pressão sobre áreas do Centro-Sul.

    Além das baixas temperaturas, técnicos monitoram o estresse hídrico em áreas de segunda safra, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Nessas regiões, milho e feijão enfrentam perdas causadas pela combinação de seca e frio.

    O cenário reforça uma mudança estrutural no campo. A produção agrícola passou a depender cada vez mais da adaptação às condições climáticas. Planejamento técnico, manejo eficiente do solo e estratégias de resiliência tornaram-se essenciais para sustentar a produtividade diante das mudanças do clima.

  • Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Novas previsões climáticas divulgadas em maio aumentaram a preocupação de especialistas sobre a formação de um El Niño forte nos próximos meses. Apesar disso, cientistas alertam que ainda é cedo para afirmar que o fenômeno atingirá níveis extremos, conhecidos informalmente como “super El Niño”.

    O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status para “alerta de El Niño” e apontou 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026. Além disso, a probabilidade de ele continuar ativo até o início de 2027 chega a 96%.

    Modelos meteorológicos internacionais também passaram a indicar um aquecimento mais intenso das águas do Pacífico tropical. Segundo análise da Climatempo, o fenômeno deve atingir pelo menos intensidade forte.

    Mesmo com os novos alertas, pesquisadores pedem cautela. A cientista atmosférica Kimberley Reid explicou que previsões feitas nesta época do ano ainda apresentam muitas incertezas.

    “O histórico mostra que previsões feitas nesta época do ano ainda carregam incertezas importantes”, afirmou à BBC.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em várias partes do planeta.

    Enquanto o El Niño aquece as águas do Pacífico, o La Niña provoca o efeito contrário, com temperaturas mais frias do que a média.

    Anomalia de temperatura no Oceano Pacífico. Valores em graus Celsius — (Dados divulgados pelo CPC/NOOA em 11/05/2026)

    Segundo especialistas, os sinais atuais já mostram um aquecimento consistente no oceano. A NOAA informou que o aquecimento das águas subsuperficiais aumentou pelo sexto mês consecutivo.

    O pesquisador José Marengo afirmou que o fenômeno realmente está se formando, mas destacou que ainda não é possível prever sua intensidade final.

    “Neste momento, o que podemos dizer é que o El Niño está se configurando, sim, e que esperamos talvez uma intensidade moderada a forte. Mas ainda é muito cedo para afirmar que será um super El Niño ou o pior do século”, disse.

    Possibilidade de “super El Niño”

    Meteorologistas monitoram especialmente a região chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas permanecem mais de 1,5 °C acima da média durante vários meses, o evento costuma ser considerado muito forte.

    Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo já indicam possibilidade de aquecimento acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério norte. Algumas projeções mais extremas sugerem temperaturas superiores a 3 °C.

    Mesmo assim, os cientistas reforçam que previsões feitas entre março e maio costumam apresentar maior margem de erro, fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade”.

    Quais podem ser os impactos?

    Especialistas alertam que um El Niño forte pode elevar ainda mais a temperatura global e aumentar o risco de recordes de calor em 2027.

    Além disso, o fenôeno costuma provocar secas severas em países como Austrália, Indonésia e Filipinas. Já regiões da América do Sul, especialmente Peru e Equador, podem enfrentar chuvas intensas e enchentes.

    No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam clima mais quente e seco.

    Segundo nota técnica do Cemaden, o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes e deslizamentos no Sul do país. Ao mesmo tempo, Norte e Nordeste podem sofrer com seca e incêndios florestais.

    Marengo afirmou que autoridades já deveriam iniciar medidas preventivas: “Independentemente de o El Niño ser moderado, forte ou muito intenso, nós teremos impactos”, destacou. “Ainda não sabemos exatamente a magnitude, mas já conhecemos, com base em eventos anteriores, quais regiões podem ser mais afetadas.”

  • Frio intenso ameaça milho e feijão no Centro-Sul

    Frio intenso ameaça milho e feijão no Centro-Sul

    A queda acentuada das temperaturas aumenta os riscos para lavouras de segunda safra no Centro-Sul do Brasil. O cenário preocupa produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul.

    O estresse térmico pode comprometer o desenvolvimento do milho e do feijão. Além disso, a estiagem recente agravou a vulnerabilidade das culturas.

    Impacto em dois estados

    As condições climáticas adversas já afetam a segunda safra nos dois estados. Em algumas regiões, o atraso da colheita prejudicou a janela ideal de semeadura.

    Com isso, produtores enfrentam menos chuvas e maior risco de massas de ar frio durante maio. Esse cenário afeta diretamente o desenvolvimento das lavouras.

    Durante a implantação do milho e do feijão, os volumes de chuva diminuíram. O problema atingiu principalmente o oeste do Paraná e o sul do Mato Grosso do Sul. As culturas entraram em fases críticas entre abril e início de maio. Nesse período, as plantas exigem maior disponibilidade de água.

    No entanto, a escassez hídrica provocou perdas significativas nas lavouras. Mesmo com a melhora das chuvas no fim de abril, os impactos persistem.

    Previsões meteorológicas

    As previsões meteorológicas indicam o avanço de uma forte massa de ar polar. O sistema deve atingir a Região Sul, o sul paulista e Mato Grosso do Sul.

    O cenário favorece a formação de geadas em grande parte do Sul do Brasil. Assim, o frio intenso amplia os riscos para milho e feijão.

    As lavouras nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo seguem em fases sensíveis. Por isso, as baixas temperaturas preocupam produtores e técnicos.

    A região de Ponta Grossa, no Paraná, concentra importante área produtora de milho safrinha. Atualmente, o núcleo regional possui cerca de 33 mil hectares cultivados.

    Segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná, 95% das áreas apresentam alta sensibilidade ao frio. Desse total, 25% estão em floração e 70% em frutificação. A previsão aponta temperatura mínima de 3,6 °C na terça-feira (12). Dessa forma, cresce o risco de impactos na floração e no enchimento dos grãos.

    As baixas temperaturas podem causar falhas na polinização. Além disso, o frio reduz a formação dos grãos e derruba a produtividade.

    A estiagem entre 10 e 26 de abril também aumentou a vulnerabilidade das plantas. O déficit hídrico intensificou os efeitos do estresse térmico.

    No feijão, os danos podem ser ainda maiores. A cultura apresenta elevada sensibilidade às baixas temperaturas.

    O frio pode provocar abortamento floral e reduzir a formação de vagens. Durante o enchimento dos grãos, a geada também pode causar enrugamento.

    Além disso, os grãos podem perder tamanho e peso. Isso compromete diretamente a produtividade das lavouras.

    Por outro lado, culturas de inverno apresentam menor risco neste momento. Trigo, aveia, canola e pastagens não devem sofrer impactos significativos.

    Previsão do tempo no Sul do Brasil

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê a passagem de uma frente fria pela Região Sul. O sistema deve provocar chuvas intensas e temporais.

    As áreas mais afetadas incluem o sudoeste e centro-sul do Paraná. O norte de Santa Catarina também deve registrar acumulados elevados.

    Segundo a previsão, os volumes de chuva podem superar 80 milímetros. Além disso, o frio continuará atuando durante o fim da semana.

    As temperaturas devem permanecer baixas em grande parte da Região Sul. O cenário inclui o sul gaúcho, oeste catarinense e oeste paranaense.

    O extremo sul do Mato Grosso do Sul também deve registrar temperaturas reduzidas. Em áreas serranas, os termômetros podem ficar abaixo de 2 °C.

    A possibilidade de geadas aumenta principalmente em áreas de maior altitude. Por isso, cresce o risco para lavouras em estágios sensíveis.

    Especialistas recomendam acompanhamento constante das atualizações meteorológicas. O monitoramento ajuda no manejo das lavouras e reduz riscos operacionais.

     

  • Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    A safra de laranja 2026/27 deve recuar no cinturão citrícola paulista e mineiro. O avanço do greening preocupa os produtores. O Fundo de Defesa da Citricultura, Fundecitrus, estima produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos.

    A projeção integra a primeira Pesquisa de Estimativa de Safra divulgada nesta sexta-feira (8). O volume representa queda de 12,9% frente à safra anterior. Em 2025/26, produtores colheram 292,94 milhões de caixas.

    Queda de frutos no pomar

    Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o número de frutos diminuiu nos pomares. De acordo com Ayres, as árvores apresentam 17% menos frutos. Esse fator explica a maior parte da redução produtiva.

    Além disso, o greening segue como principal ameaça da citricultura brasileira. O levantamento aponta que 52% dos pomares adultos apresentam contaminação pela doença. Com isso, o greening reduz o peso das frutas e compromete a produtividade anual.

    Entre as 12 regiões citrícolas analisadas, apenas quatro mantêm o número de frutos. Nessas áreas, os frutos tendem a ser maiores.

    Por outro lado, Porto Ferreira, no interior paulista, deve registrar queda de 26% no total de frutos. Segundo Ayres, os efeitos do greening explicam o forte recuo na região. Além das doenças, o clima também pode alterar a produção final da safra.

    Na temporada passada, a colheita ficou 7% abaixo da estimativa inicial. Ayres afirmou que o clima seco e as altas temperaturas prejudicaram o pós-florecimento dos pomares.

    Árvores produtivas e não produtivas

    O levantamento também identificou crescimento no número de árvores produtivas. Em 2026, o cinturão citrícola soma 184,3 milhões de árvores produtivas. O total cresceu 0,91% frente a 2025.

    Já o número de árvores não produtivas aumentou 6,17%. O volume passou de 26,3 milhões para 28 milhões.

    Segundo Ayres, áreas fora do cinturão citrícola possuem 13 milhões de árvores com menos de três anos. Essas plantas devem entrar no censo do Fundecitrus a partir de 2028. Ele afirmou ainda que a citricultura brasileira expandiu produção além das regiões tradicionais.

  • Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    O clima irregular já começa a redesenhar o cenário do milho safrinha no Brasil em 2026, e os efeitos podem chegar diretamente ao bolso do consumidor no segundo semestre.

    Após um início de ano marcado por chuvas mal distribuídas em importantes regiões produtoras, especialistas acendem o alerta para impactos na produtividade e possível pressão sobre os preços nos próximos meses.

    Clima irregular desafia o milho safrinha

    O desenvolvimento do milho safrinha depende de uma janela climática bastante específica. Plantado após a colheita da soja, o grão precisa de chuvas regulares nas fases iniciais e clima mais seco na colheita.

    Neste ano, porém, o comportamento do clima foge do padrão. Regiões como Paraná, Mato Grosso do Sul e partes do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem intercalados com chuvas irregulares, o que compromete o desenvolvimento das lavouras.

    Além disso, o atraso no plantio da soja em algumas áreas reduziu a janela ideal para o milho, aumentando o risco de exposição a condições adversas, como frio precoce e déficit hídrico.

    Produtividade sob pressão

    Com menos água disponível em fases críticas, como germinação e enchimento de grãos, a tendência é de queda na produtividade em diversas regiões.

    Analistas do setor já revisam projeções, indicando que, mesmo com uma área plantada significativa, o rendimento médio pode ficar abaixo do esperado. Esse cenário reduz a oferta efetiva do grão no mercado.

    A situação preocupa especialmente porque o milho safrinha representa cerca de 70% a 75% da produção total de milho no Brasil. Ou seja, qualquer quebra impacta diretamente o abastecimento nacional.

    Impacto nos preços no segundo semestre

    Com a possibilidade de menor oferta, o mercado já começa a reagir. A lógica é simples: menos milho disponível tende a elevar os preços, principalmente no segundo semestre, quando a demanda segue firme.

    O grão tem papel estratégico na cadeia produtiva, sendo base para ração animal. Por isso, qualquer alta no milho afeta também os custos da produção de proteínas como frango, suínos e até carne bovina.

    Além disso, o Brasil mantém forte presença nas exportações. Caso a produção fique abaixo do esperado, o país pode reduzir volumes exportados ou priorizar o mercado interno, o que também influencia a formação de preços.

    Mercado atento ao clima e à demanda

    O comportamento do clima nos próximos meses será decisivo. Caso as chuvas se normalizem em algumas regiões, parte das perdas pode ser mitigada. No entanto, se a irregularidade persistir, o cenário de pressão sobre os preços tende a se consolidar.

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional, especialmente da China, segue como fator-chave. Uma combinação de oferta menor e demanda aquecida pode intensificar ainda mais a valorização do milho.

    Tecnologia e gestão como resposta

    Diante desse cenário, produtores investem cada vez mais em tecnologia para reduzir riscos. Monitoramento climático, uso de sementes mais resistentes e manejo eficiente do solo tornam-se essenciais.

    Ainda assim, o clima continua sendo uma variável fora do controle — e, em 2026, ele volta ao centro das decisões no campo e no mercado.

    O desempenho do milho safrinha nos próximos meses não deve afetar apenas o agronegócio, mas toda a cadeia de alimentos, reforçando como eventos climáticos se conectam diretamente à economia.

  • Milho depende da chuva e risco cresce na segunda safra

    Milho depende da chuva e risco cresce na segunda safra

    O atraso no plantio da segunda safra de milho aumentou o risco climático e, ao mesmo tempo, elevou a dependência das chuvas no Brasil.

    Agora, abril e maio ganham ainda mais importância. Isso porque a cultura entra na fase de enchimento de grãos justamente quando as precipitações começam a perder força. Por isso, produtores acompanham o clima com mais atenção.

    Safrinha entra em fase decisiva

    Com o plantio fora da janela ideal, muitas áreas passaram a depender diretamente das condições climáticas.

    Em regiões como Goiás, Matopiba e parte do Mato Grosso do Sul, o risco aumentou. Isso ocorre porque o ciclo da cultura avança em um período mais seco. Além disso, a irregularidade das chuvas pode limitar o potencial produtivo. Por outro lado, no Mato Grosso, o plantio aconteceu mais cedo. Ainda assim, a produtividade também depende da distribuição das chuvas.

    Atraso no plantio pressiona produção

    O atraso na semeadura ocorreu, principalmente, por causa da colheita mais lenta da soja.

    Como resultado, muitos produtores plantaram fora do período recomendado. Em Goiás, cerca de 70% da área ficou fora da janela ideal. Já no Mato Grosso, esse índice é menor, mas ainda exige atenção.

    Dessa forma, a exposição ao risco climático aumentou em boa parte das lavouras.

    Safra de verão equilibra oferta

    Enquanto a safrinha enfrenta incertezas, a safra de verão avança e sustenta a oferta no curto prazo.
    Por isso, o aumento da disponibilidade pressiona os preços em algumas regiões. Ao mesmo tempo, o mercado segue atento ao desempenho da segunda safra.

    Assim, o equilíbrio entre oferta atual e expectativa futura passa a guiar as negociações.

    Mercado oscila com cenário externo

    No cenário internacional, os preços do milho oscilaram nas últimas semanas.

    Primeiro, as cotações recuaram, pressionadas pelo dólar e pelo andamento da safra global. Depois, o mercado reagiu com a alta do petróleo e da soja, que influenciam custos e demanda.

    Além disso, fatores externos continuam trazendo volatilidade para os preços.

    Preços reagem no mercado interno

    No Brasil, o milho perdeu força em fevereiro, principalmente devido à maior oferta da safra de verão.
    No entanto, ao longo de março, o movimento mudou. Em regiões como Campinas (SP), os preços voltaram a subir.

    Esse avanço reflete tanto o cenário internacional quanto as incertezas sobre a safrinha. Por isso, o mercado já começa a precificar possíveis impactos na produção.

    Clima segue como principal fator

    Diante desse cenário, o clima se mantém como o principal ponto de atenção.

    Se as chuvas continuarem irregulares, a produtividade pode cair. Por outro lado, caso o clima ajude, parte das perdas pode ser reduzida.
    Assim, produtores e mercado seguem atentos às próximas semanas, que devem definir o rumo da safra.

  • El Niño 2026 pressiona agro e acende alerta para inflação no Brasil

    El Niño 2026 pressiona agro e acende alerta para inflação no Brasil

    O avanço das projeções para um novo episódio de El Niño em 2026 começa a ganhar espaço nas análises do mercado brasileiro e já influencia decisões em dois setores estratégicos: agronegócio e energia.

    Com probabilidade superior a 60% de formação no inverno e possibilidade de atingir cerca de 80% no segundo semestre, o fenômeno deixa de ser um cenário alternativo e passa a ser considerado um fator relevante de risco econômico.

    Impactos no campo devem variar por região

    No agronegócio, o El Niño altera o regime de chuvas de forma desigual entre as regiões do país.

    No Sul, o aumento das precipitações tende a favorecer culturas como soja e milho, elevando o potencial produtivo. Ainda assim, o excesso de chuva pode comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a colheita.

    No Centro-Oeste, principal região produtora do Brasil, o risco está no atraso das chuvas. Esse cenário pode prejudicar o plantio da soja e reduzir a janela da segunda safra de milho, responsável por cerca de 75% da produção nacional.

    Já nas regiões Norte e Nordeste, a redução das chuvas aumenta o risco de perdas em culturas básicas e pressiona a pecuária.

    Volatilidade climática aumenta custos e riscos

    Além da distribuição irregular de chuvas, o El Niño costuma intensificar a variabilidade ao longo da safra.

    Períodos de excesso podem ser seguidos por estiagens curtas, o que eleva o risco de perdas mesmo em regiões inicialmente favorecidas. Esse comportamento afeta diretamente a produtividade, a qualidade das lavouras e os custos operacionais.

    Com isso, produtores podem enfrentar maior necessidade de replantio, uso intensivo de insumos e manejo mais técnico. Também cresce a demanda por seguro rural e ferramentas de proteção financeira, o que aumenta o custo de produção e adiciona volatilidade aos preços.

    Pressão sobre alimentos pode impactar inflação

    O redesenho climático tem efeito direto sobre os preços dos alimentos. A combinação entre perdas regionais, maior volatilidade internacional e custos logísticos mais elevados tende a pressionar um dos principais componentes da inflação brasileira.

    Em cenários mais intensos, o impacto pode deixar de ser localizado e se espalhar por diferentes cadeias produtivas, ampliando o efeito sobre o custo de vida.

    Agro e energia ampliam efeito econômico

    A combinação entre pressão nos alimentos e aumento do custo da energia amplia o impacto sobre a economia. De um lado, a produção agrícola pode enfrentar perdas ou queda de produtividade. De outro, o setor elétrico pode operar com custos mais elevados.

    Esse cenário reforça o risco inflacionário e pode influenciar decisões de política monetária nos próximos meses.

    Intensidade do fenômeno será decisiva

    O impacto final dependerá da intensidade do El Niño. Um evento moderado tende a gerar efeitos regionais e parcialmente compensatórios. Já um fenômeno mais forte pode sincronizar perdas agrícolas e deterioração energética, ampliando o impacto sobre preços e expectativas.

    Mercado já começa a ajustar projeções

    Entre maio e junho, com maior precisão dos modelos climáticos, o mercado deve recalibrar as expectativas para a safra 2026/27 e para o equilíbrio do sistema elétrico.

    Até lá, o El Niño já se consolida como uma variável relevante na formação de preços, influenciando alimentos, energia e inflação no Brasil.