Tag: clima

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Ondas de calor preocupam; saiba como evitar incêndios

    Ondas de calor preocupam; saiba como evitar incêndios

    A onda de calor que atinge o Estado de São Paulo deve permanecer pelo menos até o fim desta quarta-feira (19/8), segundo a Defesa Civil paulista.

    No interior de São Paulo, onde as temperaturas podem ficar até 7°C acima da média, o cenário exige atenção redobrada dos produtores rurais.

    A combinação de ar quente e seco, baixa umidade relativa e vegetação ressecada aumenta as condições favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais e queimadas em áreas rurais.

    Diante do risco, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo reuniu recomendações para reduzir as chances de incêndios e proteger as propriedades rurais.

    Áreas em vermelho têm risco perigosíssimo de incêndio, segundo Instituto Nacional de Meteorologia (Foto: Inmet)

    Mantenha os aceiros limpos

    Uma das principais medidas é manter os aceiros limpos e conservados. Essas faixas sem vegetação funcionam como barreiras para dificultar que o fogo avance de uma área para outra.

    A orientação citada pela Secretaria prevê largura mínima de 3 metros entre talhões no interior da propriedade, 5 metros em cada lado de cercas e divisas e 6 metros no entorno de vegetação nativa.

    A manutenção deve ocorrer durante toda a estiagem. Quando tomado por vegetação seca, o aceiro perde eficiência como barreira contra a propagação do fogo.

    A legislação paulista também estabelece aceiros mínimos em situações envolvendo queima controlada e prevê que as dimensões sejam ampliadas quando condições ambientais, climáticas ou topográficas exigirem maior proteção.

    Vegetação seca aumenta o risco

    Outra recomendação é manter a vegetação bem roçada, principalmente nos limites da propriedade rural durante períodos de calor intenso.

    Mato alto e seco funciona como material combustível, facilitando a propagação das chamas e permitindo que um foco iniciado fora da propriedade alcance áreas produtivas.

    Redobre o cuidado com fontes de calor

    Durante a onda de calor, produtores e trabalhadores rurais devem redobrar os cuidados com qualquer fonte capaz de iniciar um incêndio.

    A recomendação é evitar churrasqueiras, fogueiras e velas próximas à vegetação, além de garantir o descarte adequado de cigarros, fósforos e cinzas de fornos a lenha.

    A queima de resíduos vegetais também exige atenção. O emprego de fogo em queima controlada está sujeito às regras ambientais e à autorização correspondente. A Cetesb mantém procedimento específico para autorização de queima controlada utilizada como fator de produção, manejo agrícola e florestal e para determinadas finalidades fitossanitárias e científicas.

    Em períodos de risco elevado de incêndios, autorizações também podem sofrer restrições ou suspensões, como já ocorreu no Estado em situações críticas.

    Reforce as rondas pela propriedade

    Nos dias mais quentes, a Secretaria de Agricultura recomenda aumentar a frequência do monitoramento das áreas consideradas mais vulneráveis.

    A atenção deve ser maior em locais com vegetação seca, divisas das propriedades e áreas próximas a estradas, onde um foco de incêndio pode se espalhar rapidamente.

    Identificar fumaça ou fogo ainda no início pode reduzir o tempo necessário para acionar as equipes responsáveis pelo combate.

    Se precisar, acione os bombeiros

    Focos de incêndio devem ser enfrentados apenas por pessoas treinadas e com equipamentos adequados. Tentar controlar as chamas sem preparo pode colocar trabalhadores e moradores em risco.

    Ao identificar fumaça suspeita ou um princípio de incêndio, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo 199.

  • Brasil pode ter calor de 40 °C nesta terça-feira

    Brasil pode ter calor de 40 °C nesta terça-feira

    A terça-feira (18) será marcada por tempo seco, calor e baixa umidade do ar em grande parte do Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

    As temperaturas podem chegar a 39 °C em Cuiabá (MT). Ao mesmo tempo, áreas do Rio Grande do Sul concentram as principais condições para chuva, trovoadas e tempestades.

    Sul terá chuva e risco de tempestades

    No Rio Grande do Sul, as áreas de instabilidade permanecem concentradas principalmente no centro-sul do Estado. Nessas localidades, há condições para pancadas de chuva, trovoadas e tempestades.

    No norte gaúcho, em Santa Catarina e no centro-sul do Paraná, o céu fica mais nublado, com possibilidade de chuva isolada.

    Já no norte do Paraná, o tempo permanece mais estável.

    Sudeste terá calor e baixa umidade

    No Sudeste, o tempo fica mais nublado no leste de São Paulo e na faixa litorânea do Rio de Janeiro. Há possibilidade de chuva isolada no litoral sul paulista.

    No oeste de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro, e no noroeste de São Paulo, a previsão indica baixa umidade do ar, com índices inferiores a 20% nas horas mais quentes.

    Essas áreas estão sob aviso laranja para baixa umidade, conforme a previsão citada do Inmet.

    Centro-Oeste concentra temperaturas elevadas

    O Centro-Oeste terá uma terça-feira de calor intenso e umidade baixa em grande parte da região.

    Há aviso laranja de perigo para baixa umidade em áreas de Goiás, do Distrito Federal, de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul.

    Entre as capitais, a previsão indica máximas de:

    • 39 °C em Cuiabá (MT)
    • 38 °C em Campo Grande (MS)

    No noroeste de Mato Grosso, pode ocorrer chuva isolada durante a tarde.

    Nordeste terá contraste entre litoral e interior

    No litoral norte da Bahia, em Sergipe, Alagoas e no litoral sul de Pernambuco, há previsão de pancadas de chuva.

    Também existe possibilidade de chuva isolada no nordeste da Bahia, oeste de Alagoas, centro-leste de Pernambuco, noroeste do Maranhão, leste da Paraíba e litoral sul do Rio Grande do Norte.

    No interior nordestino, o predomínio será de tempo ensolarado, quente e seco.

    Há ainda aviso laranja para baixa umidade no sul do Maranhão, centro-sul do Piauí e oeste e noroeste da Bahia.

    Norte terá chuva em áreas isoladas

    No Norte, há previsão de chuva no Acre e no oeste do Amazonas.

    Também podem ocorrer chuvas isoladas no leste do Amapá e do Pará e no norte de Rondônia.

    Nas demais áreas, o tempo permanece mais estável. A baixa umidade do ar deve atingir pontos de Rondônia, sudeste do Amazonas, centro-sul do Pará e Tocantins.

    Calor e tempo seco exigem atenção no campo

    Para o setor agropecuário, períodos de calor elevado e baixa umidade merecem acompanhamento, principalmente em áreas sob aviso meteorológico.

    A condição do tempo pode influenciar o manejo das atividades rurais, a disponibilidade de água e as condições para trabalhos em campo. Por isso, produtores devem acompanhar as atualizações meteorológicas da região onde atuam.

     

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    O avanço do El Niño sobre o clima brasileiro colocou o Governo Federal em alerta para os possíveis impactos na produção agropecuária durante a safra 2026/27. Diante do risco de alterações nas chuvas e nas temperaturas, o Executivo prepara ações para reduzir os efeitos do fenômeno e evitar problemas de abastecimento.

    O governo anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão para medidas relacionadas ao fenômeno. O planejamento inclui a formação de estoques públicos, distribuição de alimentos, monitoramento de rios, ações de saúde e prevenção e combate a incêndios florestais.

    No entanto, um dos principais instrumentos de proteção do produtor ainda enfrenta restrições. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permanece com R$ 461,7 milhões bloqueados em 2026.

    Seguro rural entra no centro das preocupações

    O orçamento original do PSR para este ano era de aproximadamente R$ 1,01 bilhão. Depois de cancelamentos e do bloqueio de recursos, a disponibilidade operacional caiu para cerca de R$ 473,8 milhões.

    A situação preocupa porque o seguro rural permite ao produtor reduzir parte do risco financeiro provocado por eventos climáticos. Além disso, o período entre julho e setembro concentra uma parcela importante das operações de custeio e da contratação de apólices para a safra de verão.

    Segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), as contratações de seguro agrícola caíram 13,9% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

    O cenário pode se tornar ainda mais delicado caso o El Niño apresente forte intensidade.

    Governo monitora impactos sobre a agricultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária criou um grupo de trabalho para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno sobre o setor agropecuário. A iniciativa envolve órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    A equipe deve avaliar vulnerabilidades regionais e por cultura, além de propor estratégias de adaptação e redução dos impactos. Entre as atividades analisadas estão lavouras de soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.

    A preocupação é justificada porque o El Niño pode provocar efeitos diferentes conforme a região. No Sul, por exemplo, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuvas acima da média. Já em áreas do Norte e do Nordeste, pode favorecer condições mais secas. No Centro-Oeste, as alterações no regime de chuvas também podem afetar o calendário e o desenvolvimento das lavouras.

    Onde será aplicado o R$ 1,3 bilhão

    Do total anunciado pelo governo, R$ 850 milhões serão destinados à compra de arroz e milho para formação de estoques públicos. A medida busca aumentar a capacidade de resposta do país diante de uma eventual redução da oferta de alimentos.

    Outros R$ 65 milhões estão previstos para a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos. A ação contempla povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.

    Também foram previstos recursos para monitoramento de rios e ações na área de saúde. Além disso, R$ 337 milhões, autorizados anteriormente por crédito extraordinário, serão utilizados em fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.

    Apesar do volume anunciado, a principal crítica do setor está na ausência de uma recomposição imediata do orçamento destinado ao seguro rural.

    FGV alerta para redução da área protegida

    O Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) avalia que, caso os recursos atualmente disponíveis sejam mantidos, a área agrícola protegida pelo seguro pode cair para aproximadamente 2,7 milhões de hectares em 2026.

    O número representaria menos de 3% da área agrícola brasileira. Para o observatório, o cenário aumenta a exposição dos produtores aos eventos climáticos justamente em um período de maior risco para a próxima safra.

    A instituição defende não apenas o desbloqueio dos recursos, mas também uma suplementação do orçamento. A proposta é elevar o PSR para cerca de R$ 2,3 bilhões, o que permitiria ampliar novamente a área protegida.

    A urgência está no calendário agrícola. Quanto mais próxima a decisão estiver do plantio, maior é a necessidade de que os recursos estejam disponíveis para que o produtor consiga contratar a proteção antes de assumir o risco climático.

  • Sistema FAEP cobra crédito emergencial após tornado no Paraná

    Sistema FAEP cobra crédito emergencial após tornado no Paraná

    Produtores rurais de diferentes regiões do Paraná enfrentam os impactos provocados pelas fortes tempestades que atingiram o estado no último sábado (8). Diante dos danos, o Sistema FAEP cobra medidas emergenciais dos governos estadual e federal para auxiliar agricultores, pecuaristas e moradores afetados.

    Segundo informações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), houve registros de tempestades em municípios como Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Tibagi, Guarapuava, Candói, Castro, Jaguariaíva e Nova Aurora.

    Os temporais provocaram danos em áreas urbanas e rurais. Entre os registros estão casas, galpões e granjas danificados, quedas de árvores e postes e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

    FAEP pede apoio aos produtores rurais

    O Sistema FAEP afirma que vai formalizar pedidos de ajuda às Secretarias Estaduais da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e da Fazenda (Sefa), além da Companhia Paranaense de Energia (Copel).

    Entre as medidas solicitadas estão:

    • Levantamento urgente dos prejuízos;
    • Atendimento da Defesa Civil aos municípios atingidos;
    • Prioridade para o restabelecimento da energia elétrica;
    • Criação de crédito emergencial para produtores rurais e moradores afetados.

    A entidade considera que essas ações são necessárias para que os produtores consigam iniciar a reconstrução das propriedades e retomar as atividades.

    Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a resposta precisa ser rápida e coordenada entre os órgãos públicos.

    A entidade também defende a criação de crédito emergencial pré-aprovado para pessoas e produtores que tiveram prejuízos com as tempestades.

    Paraná registra histórico de eventos extremos

    Além dos danos provocados pelo episódio mais recente, o Sistema FAEP chama atenção para a frequência dos eventos climáticos extremos no estado.

    De acordo com dados apresentados pela entidade, o Paraná registrou cerca de 6 mil desastres naturais na última década.

    As ocorrências teriam atingido os 399 municípios paranaenses, afetado mais de 4,5 milhões de pessoas e causado prejuízos estimados em R$ 32 bilhões.

    Para a FAEP, o histórico reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção e criar mecanismos capazes de acelerar a resposta quando novos eventos atingirem comunidades rurais e urbanas.

    Entidade cobra medidas de prevenção

    A discussão sobre prevenção já havia sido realizada em julho, durante uma reunião na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

    O encontro reuniu representantes do Sistema FAEP, Simepar, Defesa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, Comitê de Governança Climática, Tribunal de Contas do Estado, Associação dos Municípios do Paraná, universidades, prefeituras e outras entidades.

    Na ocasião, foram discutidas estratégias para enfrentar fenômenos como vendavais, granizo e tornados, além dos possíveis efeitos do El Niño no estado.

    Agora, diante dos novos estragos, o Sistema FAEP cobra que as discussões sejam acompanhadas por medidas práticas de prevenção e auxílio.

    Tornado de 2025 ainda afeta produtores

    A entidade também utiliza como exemplo o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, em novembro de 2025.

    O fenômeno provocou danos no município e também afetou áreas de Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Guarapuava e Candói.

    Segundo o Sistema FAEP, parte dos produtores atingidos pelo desastre não foi contemplada pelas condições especiais anunciadas pelo governo estadual.

    Nove meses depois, agricultores e pecuaristas ainda enfrentariam dificuldades para acessar medidas de apoio à reconstrução das propriedades, de acordo com a entidade.

    Para a organização, a situação reforça a necessidade de criar mecanismos de resposta capazes de chegar aos produtores afetados pelos eventos climáticos com maior rapidez.

    A cobrança agora se volta para que os governos estadual e federal adotem medidas emergenciais após os novos temporais e evitem que produtores atingidos fiquem sem condições de reconstruir suas propriedades e retomar a produção.

  • Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Na safra 2026/27, agricultores brasileiros devem enfrentar um El Niño de intensidade muito elevada — um dos mais fortes já vistos, na verdade. A previsão considera os fenômenos registrados desde 1950 e aumenta a preocupação com o clima durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras.

    O último episódio classificado como “muito forte” ocorreu na safra 2015/16. Na ocasião, 16 culturas diferentes registraram perdas de produtividade.

    O fenômeno começou em junho de 2026 e está evoluindo rapidamente. A expectativa é que o pico ocorra entre novembro e janeiro de 2027, embora ainda não exista uma previsão exata para o fim do evento.

    El Niño pode atrasar o plantio da soja

    Um dos principais pontos de atenção está no calendário da soja, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e no Matopiba.

    Especialistas avaliam que a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode atrasar o início da semeadura. Caso isso aconteça, o calendário do milho, normalmente plantado entre fevereiro e março, também poderá ser afetado.

    Além disso, o risco existe também para outras culturas. Café e citros podem enfrentar dificuldades durante a floração, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por um aumento das precipitações no Sudeste.

    Segundo Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o aquecimento global tem contribuído para uma maior frequência e intensidade dos episódios de El Niño.

    O especialista destaca que, nas últimas décadas, houve mais ocorrências do fenômeno e episódios de maior intensidade.

    O que é o Niño 3.4?

    O Niño 3.4 é uma região do Oceano Pacífico utilizada pelos meteorologistas como uma das principais referências para medir a intensidade do El Niño e da La Niña.

    Ela fica entre 5 graus ao norte e 5 graus ao sul da linha do Equador, entre os meridianos 170° e 120° a oeste.

    Na última atualização mencionada no material-base, a temperatura na região chegou a 1,3 °C, nível associado a um El Niño moderado naquele momento.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    Para a agrometeorologista Ana Maria Heuminski de Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a velocidade de aquecimento do Pacífico aumentou a expectativa de um fenômeno mais intenso.

    Ela ressalta, porém, que um El Niño mais forte aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas não significa que todas as regiões brasileiras serão afetadas da mesma maneira.

    Soja concentra uma das maiores preocupações

    A soja está entre as culturas que mais preocupam os especialistas por causa da possibilidade de alterações no calendário agrícola.

    Eduardo Martins, diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), considera que os danos podem ser maiores caso a falta de chuva se intensifique em áreas mais vulneráveis.

    “Se a falta de chuva for ampliada, pegar o Matopiba [confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que é mais exposto ao clima, tem solos mais arenosos, e o Centro-Oeste, há possibilidade de 20% de perda a nível nacional, pegando a safra 2015/16 como base”, estima Martins, que foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no governo Fernando Henrique Cardoso.

    Chuvas podem beneficiar o Sul

    Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o território brasileiro.

    No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva acima da média. Por isso, a preocupação durante a implantação das lavouras de verão é justamente o excesso de precipitação.

    Para Ana Maria Heuminski de Ávila, do Cepagri, a chuva pode até favorecer a produtividade de soja e milho no Rio Grande do Sul, desde que não seja excessiva.

    O excesso de precipitação, como observado em 2024, pode provocar problemas para as lavouras.

    Manejo do solo é uma das estratégias

    Diante de um cenário de maior variabilidade climática, o planejamento passa a ter papel importante na preparação das propriedades.

    O seguro rural é, sem dúvidas, uma ferramenta que pode ajudar os produtores a enfrentar possíveis perdas. No entanto, outra estratégia está relacionada ao manejo do solo.

    Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, destaca a importância de manter uma boa cobertura vegetal e uma estrutura adequada do solo.

     “Ele (produtor) tem que primeiro fazer o que a gente chama de lição de casa: manter uma boa palhada, o solo com uma boa cobertura vegetal, com boa estrutura química e física, para que, quando chover, a água consiga penetrar em todo o solo e formar uma camada maior de água.”

    Assim, diante da possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27, produtores precisam considerar não apenas o calendário de plantio, mas também o manejo do solo, o planejamento da propriedade e mecanismos de proteção contra perdas.

    O impacto, porém, dependerá da intensidade do fenômeno e, principalmente, de como chuva e temperatura vão se comportar em cada região produtora do país.

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  • Ventania e tempestades: os últimos eventos extremos do clima têm relação com o El Niño?

    Ventania e tempestades: os últimos eventos extremos do clima têm relação com o El Niño?

    Rajadas de vento acima de 120 km/h, enchentes, temporais e até um tornado chamaram a atenção dos brasileiros nos últimos dias. Diante da sequência de ocorrências, uma dúvida passou a ganhar força: tudo isso tem relação com o El Niño?

    A resposta dos especialistas é mais complexa do que parece.

    Segundo meteorologistas, o El Niño já está ativo no Oceano Pacífico, mas ainda não é o principal responsável pelos eventos registrados nesta semana no Sudeste. No entanto, o fenômeno pode aumentar o risco de extremos climáticos nos próximos meses.

    O que causou a ventania em São Paulo e no Rio de Janeiro?

    As rajadas que atingiram os dois estados foram provocadas principalmente pela chegada de uma frente fria após um período marcado por calor intenso e tempo seco.

    O contraste entre massas de ar com características muito diferentes gerou uma situação conhecida como frente de rajada, capaz de produzir ventos extremamente fortes.

    De acordo com especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), esse tipo de ocorrência é raro durante o inverno no Sudeste.

    Embora o El Niño esteja presente no Pacífico, os meteorologistas afirmam que não existe uma ligação direta entre o fenômeno e os ventos registrados recentemente.

    Onde o El Niño já influencia o clima?

    No Sul do Brasil, a situação é diferente.

    Os temporais que atingiram diversas cidades do Rio Grande do Sul ocorreram em um contexto climático mais favorável à atuação do El Niño.

    Historicamente, o fenômeno altera os padrões atmosféricos e aumenta a frequência de episódios de chuva acima da média na região.

    Além das enchentes, as condições mais quentes da atmosfera favorecem a formação de tempestades severas, granizo e até tornados.

    Alterações no clima

    O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal.

    Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera e afeta os regimes de chuva e temperatura em várias partes do planeta.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    No Brasil, os principais impactos costumam incluir:

    Aumento das chuvas no Sul;

    Redução das precipitações em áreas do Norte e Nordeste;

    Maior irregularidade climática no Sudeste e Centro-Oeste.

    O que esperar nos próximos meses?

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam que o El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre.

    As projeções indicam que o aquecimento do Pacífico poderá atingir níveis compatíveis com um episódio forte, elevando o risco de secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos em diferentes regiões do mundo.

    “O El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

    Especialistas ressaltam, porém, que o El Niño não atua sozinho.

    O aquecimento global continua sendo considerado o principal fator por trás do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos observados nas últimas décadas.

    Histórico

    • 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
    • 2009–2010: El Niño moderado.
    • 2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
    • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
    • 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.
  • Trigo gaúcho enfrenta risco de doenças após chuvas recordes em julho

    Trigo gaúcho enfrenta risco de doenças após chuvas recordes em julho

    As chuvas ganharam força nos últimos dias em parte do Brasil e elevaram o risco sanitário para as lavouras de trigo no Rio Grande do Sul. É o que aponta o relatório semanal da EarthDaily, empresa de sensoriamento remoto com dados de satélites.

    O levantamento mostra que a precipitação acumulada ficou acima da média em áreas do Centro-Oeste, em parte do Sudeste e no MATOPIBA. Os maiores volumes, porém, ocorreram na Região Sul: em algumas localidades gaúchas, os acumulados superaram 160 milímetros nos últimos 10 dias.

    Temperaturas revertem cenário de geadas

    O comportamento térmico também mudou de forma significativa. Na primeira quinzena de julho, termômetros marcaram até 5°C abaixo da média, com geadas em algumas regiões. Na última semana, esse quadro se inverteu: as temperaturas subiram até 7°C acima da normalidade, principalmente no Sul, o que reduz o risco de novos episódios de geada.

    Em contrapartida, o calor combinado à alta umidade do solo favorece a proliferação de doenças, sobretudo nas áreas que registraram excesso de chuvas.

    RS tem maior volume de chuva em 10 anos, diz especialista

    “No Rio Grande do Sul, a precipitação acumulada desde o início de julho atingiu o maior nível dos últimos 10 anos e deve permanecer elevada até o fim do mês. Apesar de um início mais seco, as chuvas intensas das últimas semanas mudaram o cenário. O excesso de chuvas tende a reduzir a radiação solar devido ao aumento da cobertura de nuvens. E pode favorecer a ocorrência de doenças, elevando o risco para as lavouras de trigo”, afirma Felippe Reis, analista de cultura da EarthDaily.

    trigo
    Foto: Arquivo Agro em Campo

    O índice de vegetação (NDVI) ainda indica condições favoráveis para as lavouras no estado, com valores superiores aos do ciclo anterior, quando a produtividade superou a tendência histórica. Contudo, a persistência do padrão úmido nos estádios finais da cultura pode comprometer o potencial produtivo e a qualidade dos grãos. Portanto, repetindo o que ocorreu em 2023.

    Paraná mantém boas condições, mas norte do estado preocupa

    No Paraná, o desenvolvimento do trigo segue favorável. Na maior parte do território, a precipitação acumulada nos últimos 30 dias superou tanto a média histórica quanto os volumes registrados nos últimos três anos, garantindo boa disponibilidade hídrica para a cultura.

    A exceção fica por conta do norte paranaense, onde os acumulados de chuva foram menores. Caso esse cenário de baixa precipitação persista nas próximas semanas, a região pode enfrentar redução da umidade do solo e aumento do risco de estresse hídrico.

    Chuvas reduzem ritmo da colheita da cana-de-açúcar no Sul

    Depois de cerca de 20 dias de tempo seco, a região Sul da zona canavieira, que reúne Paraná e Mato Grosso do Sul, voltou a registrar chuvas expressivas, com acumulados superiores a 20 milímetros nos últimos dias. O volume de precipitação reduziu o ritmo das operações de campo e chegou a interromper temporariamente a colheita em algumas áreas. A EarthDaily prevê normalização das atividades no início da próxima semana.

    Apesar da pausa momentânea, as lavouras de cana mantêm boas condições gerais. Na média, o NDVI aponta desenvolvimento satisfatório dos canaviais, com potencial produtivo semelhante ou até superior ao da safra passada.

    Modelos climáticos preveem novas chuvas fortes no Sul

    Os modelos ECMWF e GFS indicam continuidade das chuvas no Sul do país, com acumulados que devem superar 100 milímetros em parte do Rio Grande do Sul. O GFS projeta um cenário ainda mais chuvoso, com precipitações significativamente superiores às estimadas pelo ECMWF em algumas áreas da região.

    Os dois modelos também apontam temperaturas acima da média, o que reduz o risco de novas geadas no curto prazo e favorece tanto o desenvolvimento das lavouras quanto o avanço das operações de campo.

    A umidade do solo deve permanecer acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo, mantendo condições hídricas favoráveis à cultura. Em contrapartida, essa mesma umidade elevada continuará aumentando o risco de doenças nas lavouras de trigo do país.

  • Seca ameaça segunda safra de milho no Centro-Oeste

    Seca ameaça segunda safra de milho no Centro-Oeste

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê seca mais intensa nas regiões centrais entre julho e setembro. Como resultado, a segunda safra de milho e as pastagens podem sofrer impactos. Ao mesmo tempo, o instituto espera chuvas fortes no centro e norte da Região Norte, na Região Sul e no litoral nordestino. Essas áreas devem manter boa disponibilidade de água no solo.

    O Boletim Agroclimatológico também analisa a influência do El Niño e das temperaturas do Atlântico. Além disso, o estudo avalia os reflexos sobre milho, feijão, algodão e pastagens.

    Norte terá menos chuva e temperaturas mais altas

    O Inmet prevê precipitações abaixo da média em grande parte da Região Norte. No norte do Amazonas, o déficit pode alcançar 100 milímetros. Além disso, as temperaturas devem superar a média histórica. As anomalias podem atingir até 2°C no Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins e norte de Rondônia. Esse cenário favorece a redução dos níveis dos rios. Também aumenta o risco de incêndios e queimadas.

    Apesar disso, a boa reserva de água no solo beneficia o milho segunda safra e o sorgo. As lavouras estão em maturação e colheita. Segundo o Inmet, o clima seco reduz a umidade dos grãos. Além disso, amplia as janelas de colheita e preserva a qualidade da produção.

    Entretanto, setembro pode trazer dificuldades para lavouras tardias de milho e pastagens. Tocantins, Amapá e sudeste do Pará concentram maior preocupação. Nessas áreas, o déficit hídrico poderá atingir 130 milímetros.

    Chuvas irregulares já reduziram a umidade do solo

    Em junho, as chuvas ficaram concentradas no norte da Região Norte, litoral nordestino e parte da Região Sul. Essas regiões registraram acumulados superiores a 150 milímetros. Além disso, mantiveram armazenamento de água acima de 70% da capacidade disponível. As condições favoreceram o desenvolvimento do milho segunda safra e do feijão durante o enchimento dos grãos.

    Por outro lado, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Tocantins receberam menos de 40 milímetros de chuva. O mesmo ocorreu no norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior nordestino, sul do Pará e Rondônia. Além disso, o sudeste do Pará apresenta armazenamento de água inferior a 15% da capacidade disponível. Segundo o boletim, essa situação deve piorar nos próximos meses. Como consequência, as pastagens perderão vigor e poderão afetar os rebanhos.

    No Centro-Oeste, a baixa umidade favorece a maturação do algodão. Porém, aumenta o risco de perdas na segunda safra de milho. Esse cenário também pode elevar os custos da proteína animal no segundo semestre.

    Sul favorece milho, mas aumenta risco de doenças

    No Paraná, as chuvas favoreceram o desenvolvimento das lavouras de milho. As culturas de inverno também apresentam bom desempenho. No entanto, as chuvas frequentes elevam o risco de doenças fúngicas.

    Segundo o Inmet, os produtores precisam intensificar o monitoramento fitossanitário. O cuidado é ainda mais importante nas lavouras mais avançadas. Além disso, as chuvas reduzem as janelas para fertilização e aplicação de defensivos agrícolas.

    Entre julho e setembro, o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina devem registrar volumes superiores a 150 milímetros.

    Nordeste exige atenção ao milho e ao feijão

    O Nordeste continuará com temperaturas acima da média histórica. Em algumas áreas, os desvios podem alcançar 2°C. A faixa litorânea deve manter boa umidade. Os Distúrbios Ondulatórios de Leste continuarão favorecendo as chuvas. Entretanto, agosto intensificará o déficit hídrico no oeste da Bahia e no interior da Paraíba e Pernambuco. Em setembro, o déficit poderá superar 100 milímetros em grande parte do interior nordestino.

    Segundo o Inmet, o cenário exige atenção às lavouras de milho e feijão de terceira safra cultivadas em sistema de sequeiro. O aumento da evapotranspiração pode comprometer a floração, a formação de vagens e o enchimento dos grãos. O risco é maior no semiárido oriental e na região do Sealba, formada por Sergipe, Alagoas e leste da Bahia. Enquanto isso, o algodão deve ganhar qualidade. Em contrapartida, as pastagens tendem a perder produtividade.

    Centro-Oeste deve concluir colheita com clima seco

    O Centro-Oeste terá temperaturas cerca de 2°C acima da média histórica. As chuvas registradas no primeiro semestre favorecem boa colheita de milho, sorgo e algodão. Além disso, o clima seco deve acelerar a conclusão da colheita e preparar as áreas para a próxima safra.

    No Pantanal, o inverno deve permanecer equilibrado. Já o norte de Mato Grosso e o nordeste de Goiás podem enfrentar déficit hídrico.

    Sudeste terá pressão sobre reservatórios

    O Sudeste deve manter volumes de chuva próximos da média histórica. Entretanto, Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais podem registrar déficit hídrico. As temperaturas devem permanecer cerca de 1°C acima da média.

    O cenário favorece a cafeicultura, as hortaliças e as culturas irrigadas de inverno. Por outro lado, a demanda por água deve aumentar. Assim, os reservatórios podem sofrer maior pressão.

    El Niño continuará influenciando o clima

    O Inmet afirma que o El Niño seguirá influenciando o clima brasileiro até fevereiro de 2027. O fenômeno favorece chuvas na Região Sul. Além disso, altera o comportamento climático em outras partes do mundo.

    Já o Atlântico Tropical deve permanecer em condição de neutralidade durante os próximos meses.