Tag: China

  • Guoxin: China usa navio fazenda de peixes com inteligência artificial

    Guoxin: China usa navio fazenda de peixes com inteligência artificial

    A China entregou no ano passado o Guoxin 1 2-1, primeiro navio de aquicultura inteligente de 150 mil toneladas do mundo, desenvolvido pelo grupo estatal Qingdao Guoxin. A embarcação transforma aquicultura marinha em operação industrial móvel, capaz de se deslocar para regiões com temperatura, correntes e qualidade de água ideais para criação de peixes de alto valor comercial.

    Mobilidade permite acompanhar melhores condições oceânicas. Foto: Xinhua/Li Ziheng

    Atualmente ancorado nas águas de Zhoushan, na província de Zhejiang, o navio recebeu mais de 1 milhão de juvenis de corvina-amarela no início de maio e registrou captura única superior a 46 mil peixes adultos em novembro de 2025, consolidando o modelo como plataforma industrial viável.

    Investimento e capacidade produtiva

    O projeto custou 610 milhões de yuans (US$ 84,3 milhões) e foi construído pela Beihai Shipbuilding, subsidiária da China State Shipbuilding Corporation. A embarcação mede 244,9 metros de comprimento e 45 metros de largura, com capacidade anual de produção estimada em 3.600 toneladas de peixes premium.

    O navio conta com 15 tanques padrão para criação comercial, quatro tanques circulares de exercício e 22 tanques experimentais, totalizando 96 mil metros cúbicos de água. Apesar do volume, apenas 35 tripulantes operam toda a estrutura, sendo 16 dedicados diretamente às atividades de aquicultura.

    Tecnologia: mais de 200 câmeras e 2 mil sensores monitoram produção

    O Guoxin 1 2-1 incorpora mais de 160 inovações tecnológicas em layout funcional, sistemas de criação, uso de energia renovável e integração de informações. A rede de monitoramento inteligente utiliza mais de 200 câmeras e 2 mil sensores que acompanham velocidade da água, níveis de oxigênio, temperatura e volume de alimentação em tempo real.

    Na sala de controle, uma tela eletrônica centraliza todas as leituras e permite que a equipe técnica ajuste parâmetros operacionais remotamente. O índice de mecanização ultrapassa 90%, com automação 45% superior ao navio anterior Guoxin 1, lançado em 2022.

    Inteligência artificial toma 30% das decisões

    O sistema inteligente responde por aproximadamente 30% das decisões agrícolas, ajustando automaticamente ciclos de alimentação, distribuição de oxigênio e circulação de água. Essa automação reduz custos de mão de obra em cerca de 20% e libera profissionais para supervisão e análise de dados.

    O navio exige entre 1 e 1,5 tonelada de ração por tanque diariamente. O sistema automatizado de alimentação, com carregamento automático, carrinhos guiados por trilhos e silos de armazenamento a bordo, permite que apenas dois funcionários alimentem todos os tanques, mantendo consistência de volumes e horários.

    Segundo Sun Linlin, diretor de produção, a lógica operacional se assemelha à de pastores nômades que buscam novas fontes de água. “Vamos sempre onde a água está melhor”, explica. A mobilidade mantém os peixes em ambiente natural adequado, reduzindo choques térmicos e flutuações de oxigênio.

    Logística expressa: peixe fresco chega aos mercados em até 6 horas

    O modelo integra produção e distribuição, encurtando drasticamente o tempo entre captura e venda. A estrutura atual entrega peixe fresco aos mercados chineses em até seis horas para distâncias de até 500 quilômetros e em até 15 horas para distâncias de até 1 mil quilômetros.

    Após processamento inicial a bordo, a produção segue para diferentes linhas de valor: peixe fresco inteiro, porções cortadas e refeições pré-cozidas. O objetivo é atender desde mercados tradicionais até redes de varejo e canais de conveniência.

    Expansão da frota: próximo navio foca em salmão e trutas

    O navio irmão Guoxin 1 2-2 entrou em operação comercial em novembro de 2025, dedicado a salmão, truta e outras espécies de água fria de alto valor. Quando os três navios da série Guoxin 1 operarem em plena capacidade, a produção anual combinada deve superar 10 mil toneladas.

    Inteligência artificial toma 30% das decisões operacionais. Foto: Qingdao Guoxin Group

    O Guoxin 1 2-1 representa versão aprimorada do Guoxin 1 original de 100 mil toneladas, lançado em 2022, e marca o início da aquicultura offshore industrializada em escala na China.

    A linha de produtos Yuxianfang do Grupo Guoxin recebeu certificações ASC, HACCP e FDA, sendo exportada para Singapura, Coreia do Sul, Estados Unidos e Canadá.

    “Celeiro azul”: China aposta em aquicultura de alto-mar

    Sun Linlin defende que a aquicultura industrializada em alto-mar aumenta eficiência no uso de recursos naturais e transforma o oceano em “celeiro azul” sustentável. “Esses navios libertam a aquicultura das incertezas do mar e permitem flexibilidade sazonal sem precedentes. Podemos criar espécies do sul em águas do norte e vice-versa”, afirma.

    A estratégia chinesa visa criar cluster industrial de aquicultura em ambientes de águas profundas, afastando-se dos modelos tradicionais de tanques fixos próximos à costa. O projeto se alinha ao 14º Plano Quinquenal da China e à estratégia do governo municipal de Qingdao para transformar a região em hub nacional da indústria marinha.

  • China retoma importação de frango brasileiro e impulsiona exportações

    China retoma importação de frango brasileiro e impulsiona exportações

    O governo chinês suspendeu a proibição de importação de frango do Brasil, o que reacende o otimismo no setor avícola nacional e abre caminho para um recorde histórico nas exportações em 2025. A decisão reverte as restrições que o país asiático impôs após registrar um caso isolado de gripe aviária no Brasil e marca a retomada de um dos mercados mais estratégicos para a proteína brasileira.

    O Brasil lidera as exportações mundiais de carne de frango, com vendas para 151 países. A China mantém a posição de principal destino dessa proteína. A GTF, que figura entre os seis maiores produtores de frango do Brasil e está entre os dez principais exportadores do país, vê a reabertura do mercado chinês como um importante impulso para seus embarques internacionais.

    Ásia concentra quase metade das exportações brasileiras

    Em 2024, a GTF comercializou 35 mil toneladas de carne de frango para o mercado asiático, volume que representou 45% de suas exportações totais. Desse montante, 61% foram destinados à China, país que contribui de forma significativa para o desempenho das exportações brasileiras do setor.

    Antes da suspensão temporária, os embarques da companhia para o país asiático já cresciam em forte ritmo, impulsionados pela confiança dos compradores internacionais na qualidade e segurança alimentar dos produtos brasileiros.

    “A suspensão da proibição e a reabertura das exportações representam um marco importante para nós. Mantemos uma relação comercial sólida com o mercado asiático, tendo na China um dos destinos mais estratégicos, responsável por quase 27% de nossas exportações”, afirma Rafael Tortola, CEO da GTF.

    O executivo destaca que a retomada reforça o compromisso da empresa com a excelência, a sustentabilidade e os mais rigorosos padrões sanitários exigidos globalmente.

    China lidera ranking de consumo mundial

    Segundo dados da GTF, a China lidera o ranking mundial de consumo de frango com 562.207 toneladas e 10,9% de participação global. Os Emirados Árabes Unidos ocupam a segunda posição, com 455.121 toneladas (9%), seguidos pelo Japão, com 443.201 toneladas (8,6%).

    Esses três países estão entre os principais destinos da carne de frango brasileira, seguidos por Arábia Saudita (7,2%) e África do Sul (6,3%).

    Projeção de crescimento de 10% para 2025

    A reabertura do mercado chinês representa um marco estratégico para as exportações brasileiras de frango. Em 2024, a GTF direcionou cerca de 28% de suas exportações à China. Para 2025, a empresa projeta expectativas ainda mais ambiciosas, com aumento de aproximadamente 10% nas exportações, incluindo os mercados asiáticos, e o fortalecimento contínuo de sua presença global.

    “Com a China liderando o consumo e sendo responsável por uma parte significativa de nossas vendas, essa decisão reforça a confiança dos mercados internacionais na qualidade e segurança dos produtos brasileiros”, destaca Tortola.

    Preferências regionais definem estratégia de exportação

    A GTF exporta cortes específicos de acordo com as preferências de consumo de cada região. Na Ásia, os produtos mais demandados incluem asa inteira, meio da asa, coxa e sobrecoxa (com e sem osso), cartilagens e pés de frango.

    Na África, os cortes mais procurados são coxa e sobrecoxa, MDM (carne mecanicamente separada), peito e pés de frango. O Oriente Médio prefere coxas, sobrecoxas, moelas, fígados e peito. Na Europa, o peito domina as vendas. Nas Américas, a demanda concentra-se em coxas e sobrecoxas (com e sem osso), asa inteira, coxinha da asa, peito e pés de frango.

    Diferenças culturais determinam valor dos cortes

    “As diferenças culturais também se refletem nas partes mais valorizadas de cada região. Os pés de frango, por exemplo, são amplamente consumidos em países emergentes, mas na China são considerados uma iguaria de alto valor”, explica Kendi Okumura, gerente de exportação da GTF.

    A executiva destaca que as cartilagens do peito e do joelho, muitas vezes descartadas em outros mercados, são apreciadas na China e no Japão, onde existe valorização do aproveitamento integral da proteína.

    No Brasil, o consumo também se mostra diversificado, mas não há cortes vendidos exclusivamente no mercado interno. Isso permite às empresas otimizar a exportação de todas as partes do frango conforme a demanda internacional.

  • Saiba como o agro paulista alcançou superávit bilionário em 2025

    Saiba como o agro paulista alcançou superávit bilionário em 2025

    O agronegócio paulista consolidou-se como o motor das exportações estaduais e um pilar fundamental para a economia brasileira em 2025. Em um ano marcado por instabilidade internacional e a imposição do “tarifaço” norte-americano, o setor fechou o exercício com um superávit comercial robusto de US$ 23,09 bilhões. Os dados, compilados pela Diretoria de Pesquisa do Agronegócio (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, revelam a resiliência e a força do campo paulista.

    As exportações do agro somaram US$ 28,82 bilhões no ano, respondendo por 40,5% de tudo o que São Paulo vendeu ao exterior. Já as importações do setor foram de US$ 5,73 bilhões, equivalentes a apenas 6,6% do total estadual. “As exportações de 2025 registraram o segundo maior resultado de toda a série histórica.

    São números bastante expressivos, que geram desenvolvimento, empregos e fortalecem a economia do estado”, destacou Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA.

    No ranking nacional do agronegócio, São Paulo reafirmou sua importância ao ser responsável por 17% das exportações do setor no Brasil, ocupando a segunda colocação entre todos os estados, atrás apenas de Mato Grosso (17,3%).

    Açúcar, carne e laranja no topo da Pauta

    A pauta de exportações foi liderada pelo complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol), com 31% do total e US$ 8,95 bilhões, seguido pelo setor de carnes (15,4% / US$ 4,43 bi) e pelos sucos (10,4% / US$ 2,98 bi), com predomínio esmagador do suco de laranja. Produtos florestais (celulose e papel) e o complexo soja completam o top 5, que, juntos, concentraram 75,1% das vendas externas do agro paulista.

    O café foi o grande destaque em crescimento, com aumento de 42,1% nas exportações na comparação com 2024. As carnes também tiveram desempenho forte (+24,2%). Por outro lado, grupos como o sucroalcooleiro (-28,4%) e produtos florestais (-5,2%) registraram retração, reflexo das oscilações nos mercados internacional e de preços.

    China consolida liderança; EUA sofrem com tarifas

    A China se manteve como o principal destino das exportações, absorvendo 23,9% do total. A União Europeia (14,4%) aparece em segundo lugar. Já os Estados Unidos (12,1%) sentiram diretamente o impacto das tarifas impostas a partir de agosto, com quedas mensais acentuadas nas exportações a partir daquele mês – chegando a uma retração de 54,9% em novembro.

    A estratégia de diversificação de mercados mitigou parte do prejuízo, com aumento de vendas para países como México, Canadá e Argentina. A perspectiva para 2026 é de recuperação, especialmente após o anúncio da retirada das tarifas para itens como café, sucos, frutas tropicais e carne bovina em novembro. “Nos últimos três anos, as exportações para os Estados Unidos apresentaram crescimento consistente. O que reforça a perspectiva de retomada do fluxo comercial”, avalia José Alberto Ângelo, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).

  • Exportações do agro crescem e garantem superávit histórico

    Exportações do agro crescem e garantem superávit histórico

    O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com resultados históricos. As exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, crescimento de 3% em relação a 2024, e representaram 48,5% de todas as vendas externas do país. O desempenho recorde foi impulsionado sobretudo pela abertura e ampliação de mercados internacionais e pelo aumento de 3,6% no volume exportado, que compensou a leve queda de 0,6% nos preços médios.

    Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, os números refletem o sucesso da estratégia de diversificação de produtos e destinos, realizada em parceria entre o Mapa, Itamaraty, MDIC e ApexBrasil. “O agro brasileiro mostrou resiliência, garantindo abastecimento interno, emprego, renda e sustentabilidade”, afirmou.

    Balança comercial do agro alcança superávit de US$ 149 bilhões

    As importações agropecuárias totalizaram US$ 20,2 bilhões no ano passado, alta de 4,4%. Com isso, a balança comercial do agronegócio fechou 2025 com superávit de US$ 149,07 bilhões, o maior da história.

    Somente em dezembro, o setor registrou exportações de US$ 14 bilhões, aumento de 19,8% sobre o mesmo mês de 2024, e importações de US$ 1,62 bilhão, resultando em saldo positivo de US$ 12,38 bilhões.

    Diversificação e abertura de mercados fortalecem desempenho

    Desde 2023, o Brasil abriu 525 novos mercados para produtos agropecuários. Essas aberturas já garantiram cerca de US$ 4 bilhões em receitas adicionais, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua.

    A diversificação de produtos e destinos permitiu ao país mitigar os efeitos de turbulências globais, como tarifações, queda de preços e casos pontuais de influenza aviária.

    A safra recorde de grãos 2024/2025 também foi determinante, alcançando 352,2 milhões de toneladas, alta de 17% sobre o ciclo anterior. No setor de carnes, a produção de bovina, suína e de frango também foi recorde, garantindo excedentes exportáveis sem comprometer o mercado interno.

    China, União Europeia e EUA lideram as compras

    A China manteve-se como principal destino, com US$ 55,3 bilhões (32,7% das exportações e alta de 11%), seguida pela União Europeia (US$ 25,2 bilhões, +8,6%) e pelos Estados Unidos (US$ 11,4 bilhões, -5,6%). Outros mercados em destaque foram Paquistão (+122%), Argentina (+29%), Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México.

    Soja, carnes e café dominam a pauta exportadora

    A soja em grãos manteve a liderança, com US$ 43,5 bilhões em receitas (+1,4%) e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas (+9,5%).

    A carne bovina registrou US$ 17,9 bilhões (+39,9%) e ganhou 11 novos mercados em 2025.

    Na carne suína, o Brasil conquistou o posto de terceiro maior exportador mundial, com crescimento de 19,6% em valor e 12,5% em volume.

    Já a carne de frango teve aumento de 0,6% no volume exportado, mesmo diante dos desafios sanitários do ano anterior.

    O café apresentou alta de 30,3%, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais historicamente elevados. Frutas, pescados, feijões e produtos regionais também registraram avanços expressivos.

    Produtos não tradicionais ganham espaço

    Diversos itens fora do grupo principal de commodities atingiram recordes em 2025. Entre eles estão:

    • Pimenta piper seca: US$ 517,8 milhões (+81,1%).
    • Óleo de amendoim: US$ 264,6 milhões (+147,4%).
    • Melões frescos: US$ 231,5 milhões (+24,9%).
    • Castanha de caju: US$ 75,8 milhões (+72,7%).
    • Feijões: US$ 443 milhões (+32% em valor e +55,5% em volume).

    Destaque ainda para o gergelim, que movimentou US$ 195,1 milhões nas vendas para a China, após a abertura do mercado em novembro de 2024.

    Apoio à internacionalização de produtores

    Para ampliar a presença global do agro brasileiro, o governo lançou iniciativas como o AgroInsight, o Passaporte Agro e as Caravanas do Agro Exportador. O AgroInsight, criado em janeiro de 2025, já mapeou mais de 800 oportunidades de negócios em 38 países, aproximando produtores e cooperativas de novos mercados e consolidando a imagem do Brasil como potência agroexportadora.

  • Brasil atinge recorde de exportações de algodão e mantém liderança mundial

    Brasil atinge recorde de exportações de algodão e mantém liderança mundial

    O Brasil encerrou 2025 com um marco histórico nas exportações de algodão, consolidando-se como o maior exportador global da fibra. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país embarcou 452,5 mil toneladas em dezembro. O maior volume mensal já registrado, superando o recorde anterior de 415,6 mil toneladas alcançado em janeiro do mesmo ano.

    De acordo com Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o desempenho extraordinário foi sustentado por uma oferta elevada após uma colheita recorde. “Estimamos uma produção de 4,15 milhões de toneladas em 2025. Essa ampla disponibilidade, aliada a condições logísticas favoráveis, acelerou os embarques no final do ano”, explicou o especialista.

    No acumulado de 2025, o Brasil exportou pouco mais de 3 milhões de toneladas de algodão, mantendo a liderança conquistada em 2024 no comércio internacional do produto. Os principais destinos das vendas foram China, Bangladesh e Paquistão, grandes potências têxteis que seguem ampliando a demanda pela pluma brasileira.

    Para 2026, a projeção é de uma ligeira redução na produção, influenciada pela queda nos preços internacionais. “O cenário de preços baixos tem desestimulado o plantio em algumas regiões. Ainda assim, com produtividade dentro da normalidade, o Brasil deve continuar como principal fornecedor global”, avalia Bulascoschi.

    O desempenho reafirma o protagonismo do agronegócio brasileiro na cadeia global do algodão, impulsionado por tecnologia, eficiência logística e consistência produtiva ao longo dos últimos anos.

  • Brasil amplia vendas de carne bovina à China em 2025

    Brasil amplia vendas de carne bovina à China em 2025

    As exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde em 2025, segundo dados oficiais. A China manteve a liderança como principal destino da carne brasileira no período. Esse cenário, contudo, aumenta a pressão sobre a cadeia pecuária em 2026.

    Pesquisadores do Cepea destacam que a produção nacional opera em patamar recorde. Além disso, a China impôs medidas de proteção comercial às importações de carne. Essas medidas incluem tarifas e cotas, conhecidas como salvaguardas. Diante disso, o setor pecuário precisa ampliar alternativas de escoamento do produto.
    Essa estratégia envolve tanto o mercado externo quanto o consumo interno.

    Recorde de vendas para a China

    Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 1,648 milhão de toneladas à China em 2025. O volume representa um recorde histórico para o mercado chinês. O crescimento foi de 24,6% em relação a 2024.
    Além disso, a China respondeu por 48% das exportações brasileiras totais.

    Salvaguardas

    Com as salvaguardas, o Brasil terá cota de 1,106 milhão de toneladas em 2026. Sobre o volume excedente, a China aplicará tarifa adicional de 55%. Com base em 2025, a cota seria atingida entre agosto e setembro.

    A média embarcada à China nos últimos quatro meses de 2025 foi de 175 mil toneladas. Se esse ritmo continuar, a cota pode ser alcançada entre junho e julho de 2026.

    Preços

    Em relação aos preços, a média da carne exportada subiu 15,42% em 2025. Em geral, o valor médio ficou em US$ 5,15 por quilo, segundo a Secex. A China pagou, em média, US$ 5,29 por quilo pela carne brasileira. Ou seja, esse preço superou em 17,24% o registrado em 2024.

    O ano de 2025 foi o segundo melhor em preços pagos pela China. O recorde segue com 2022, quando a média atingiu US$ 6,41 por quilo.

    Se a cota for atingida em 2026, a tarifa elevará o preço médio para US$ 8,2 por quilo. Porém, a China e países europeus nunca pagaram esse patamar.

     

  • Brasil bate recorde histórico com US$ 348,7 bilhões em exportações em 2025

    Brasil bate recorde histórico com US$ 348,7 bilhões em exportações em 2025

    O Brasil registrou exportações recordes de US$ 348,7 bilhões em 2025, superando em US$ 9 bilhões a marca anterior de 2023. A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgou os dados nesta terça-feira (6/1), consolidando os três últimos anos como os melhores da história da balança comercial brasileira.

    As exportações cresceram 3,5% em valor e 5,7% em volume comparado a 2024. O crescimento volumétrico supera em mais do dobro a previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC) para o comércio global em 2025, estimada em 2,4%.

    Mais de 40 mercados batem recordes de compras

    O país conquistou novos patamares em mais de 40 mercados internacionais, incluindo Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega.

    “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirma o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. “O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior, sobretudo com a Nova Indústria Brasil (NIB) e com o Plano Brasil Soberano”.

    Importações e corrente de comércio alcançam recordes históricos

    As importações atingiram US$ 280,4 bilhões em 2025, valor 6,7% superior ao ano anterior e quase US$ 8 bilhões acima do recorde de 2022. A corrente de comércio somou US$ 629,1 bilhões, o maior patamar da série histórica, com crescimento de 4,9% sobre 2024.

    O superávit comercial fechou em US$ 68,3 bilhões, terceiro maior da história, ficando atrás apenas dos resultados de 2023 e 2024.

    O último mês do ano trouxe exportações recordes de US$ 31 bilhões, crescimento de 24,7% em relação a dezembro de 2024. As importações somaram US$ 21,4 bilhões (+5,7%), gerando saldo de US$ 9,6 bilhões (+107,8%), também recorde para o mês. A corrente de comércio alcançou US$ 52,4 bilhões (+16,2%).

    Indústria de transformação lidera com US$ 189 bilhões

    A indústria de transformação cresceu 3,8% em valor e registrou aumento de 6% em volume, atingindo o montante recorde de US$ 189 bilhões. O setor estabeleceu recordes nas exportações de diversos produtos:

    • Carne bovina: US$ 16,6 bilhões
    • Carne suína: US$ 3,4 bilhões
    • Alumina: US$ 3,4 bilhões
    • Veículos para transporte de mercadorias: US$ 3,1 bilhões
    • Caminhões: US$ 1,8 bilhões
    • Café torrado: US$ 1,2 bilhões

    A indústria extrativa aumentou 8% o volume exportado. Minério de ferro (416 milhões de toneladas) e petróleo (98 milhões de toneladas) bateram recordes de embarque.

    Agronegócio mantém força nas exportações

    Os bens agropecuários cresceram 3,4% em volume e 7,1% em valor. O café verde alcançou valor recorde de US$ 14,9 bilhões, enquanto a soja registrou volume histórico de 108 milhões de toneladas. O algodão em bruto também estabeleceu marca com 3 milhões de toneladas exportadas.

    As exportações para a China cresceram 6% e atingiram US$ 100 bilhões, impulsionadas por soja, carne bovina, açúcar, celulose e ferro-gusa. A União Europeia registrou crescimento de 3,2%, com destaque para café, carne bovina, minério de cobre, milho e aeronaves.

    A Argentina apresentou salto de 31,4% nas compras de produtos brasileiros, puxado pelo setor automotivo.

    Estados Unidos reduzem compras em 6,6%

    As exportações para os Estados Unidos caíram 6,6% no ano, concentrando a redução entre agosto e dezembro. O governo norte-americano impôs tarifas sobre parte dos produtos brasileiros, gerando a maior queda em outubro (-35,4%). Dezembro mostrou recuperação, com redução de apenas 7,2% e embarques de US$ 3,4 bilhões.

    Nas importações, os bens de capital registraram o maior aumento (+23,7%), seguidos por bens intermediários (+5,9%) e bens de consumo (+5,7%). As importações de combustíveis recuaram 8,6%.

    O Brasil aumentou as compras originárias da China (11,5%), Estados Unidos (11,3%) e União Europeia (6,4%). A importação de produtos argentinos recuou 4,7%.

  • China assume liderança mundial na produção de tambaqui

    China assume liderança mundial na produção de tambaqui

    A China ultrapassou o Brasil e assumiu a liderança mundial na produção de tambaqui, transformando o peixe amazônico em mais uma commodity da aquicultura global. O país asiático aplicou ao Colossoma macropomum o mesmo modelo industrial que já o consolidou como maior produtor mundial de proteína aquática: planejamento de longo prazo, forte apoio estatal, integração logística e produção em larga escala.

    A mudança ocorreu de forma silenciosa nos últimos anos, reposicionando a espécie dentro das cadeias globais de proteína animal. O Brasil produziu 113 mil toneladas de tambaqui em 2024, representando um crescimento de 3,92% em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A ascensão chinesa contrasta com a trajetória brasileira. Enquanto o país sul-americano concentra a produção no consumo interno e em feiras regionais, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a China estruturou cadeias completas que incluem processamento industrial de filés, produtos congelados e logística voltada à exportação contínua.

    Características biológicas atraem mercado internacional

    O sucesso do tambaqui fora do Brasil está diretamente ligado às suas características biológicas. O peixe apresenta crescimento rápido, rusticidade e excelente conversão alimentar, fatores essenciais para sistemas de aquicultura intensiva. Além disso, a espécie tolera variações ambientais, adapta-se bem a altas densidades de cultivo e possui carne branca de sabor suave, com ampla aceitação do consumidor.

    Essas características despertaram o interesse de países com forte tradição em aquicultura industrial. Para a China, que busca espécies eficientes para atender seu gigantesco mercado interno e manter fluxo constante de exportações, o tambaqui encaixou-se de forma quase ideal no modelo produtivo.

    Modelo industrial chinês versus produção brasileira

    A entrada do tambaqui na matriz aquícola chinesa ocorreu por meio de programas controlados de introdução, adaptação genética e aprimoramento dos sistemas de cultivo. Em pouco tempo, a espécie passou a ser criada em tanques escavados, estruturas semi-intensivas e sistemas altamente tecnificados, com controle rigoroso de alimentação, sanidade e processamento pós-abate.

    O diferencial chinês está na escala produtiva, na logística integrada, no processamento com valor agregado e na capacidade de manter fornecimento estável ao mercado global. No Brasil, o tambaqui é ainda majoritariamente associado ao consumo fresco, comercializado em feiras locais e mercados regionais, o que limita volumes e padronização para exportação.

    Foto: Frank Nery/Secom Rondônia

    Dados de organismos internacionais como a FAO indicam que a expansão da aquicultura chinesa ocorre de forma consistente desde os anos 2000, com forte apoio estatal, investimentos em pesquisa aplicada e políticas voltadas à segurança alimentar.

    Brasil mantém protagonismo científico e genético

    Mesmo tendo sido superado em volume de produção, o Brasil continua sendo a principal referência mundial em genética, pesquisa e desenvolvimento tecnológico do tambaqui. O país concentra os principais bancos genéticos da espécie e domina tecnologias de reprodução, larvicultura e engorda em clima tropical.

    Universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras foram responsáveis por avanços decisivos nessas áreas, muitos deles posteriormente adotados em outros países. Na prática, parte relevante do conhecimento aplicado hoje na Ásia tem origem em pesquisas conduzidas no território brasileiro.

    Produção nacional em números

    O IBGE apurou que o volume total de peixes de água doce para consumo alcançou, em 2024, a marca de 724,8 mil toneladas. Desse total, a tilápia contribuiu com 499 mil toneladas (68,89%) e os peixes redondos (tambaqui, pacu, pirapitinga e seus híbridos) contribuíram com 177 mil toneladas (24,4%).

    A Região Norte se mantém como principal produtora, respondendo por 62,3% do total de peixes redondos, com destaque para Rondônia, que concentra 33,5% da produção nacional. No estado, o tambaqui representa 93,8% do pescado cultivado.

    O Mato Grosso aparece em segundo lugar com 16,3% da produção, onde predominam o tambacu e a tambatinga. O Maranhão responde por 12,3% da produção nacional, com divisão equilibrada entre o tambaqui e os híbridos.

    Desafios  para o Brasil

    A mudança no eixo da produção mundial de tambaqui evidencia um movimento maior da aquicultura contemporânea:. Quem domina escala, logística e industrialização lidera o mercado, mesmo quando a espécie tem origem em outro país.

    Enquanto a China transforma o tambaqui em uma proteína global, o Brasil enfrenta o desafio de converter seu protagonismo científico em maior competitividade industrial, agregando valor, ampliando escala e fortalecendo sua presença internacional.

    tambaqui
    Foto: Siglia Souza/Embrapa

    Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, o tambaqui é a espécie nativa mais produzida no país por seu rápido crescimento e sua ótima qualidade. O peixe que nasceu na Amazônia agora circula pelo mundo. E o futuro dessa cadeia depende de como o país de origem irá se posicionar nesse novo cenário globalizado.

    A produção aquícola de tambaqui aumentou de 13 mil toneladas em 2000 para 142 mil toneladas em 2016, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A FAO destaca que existe enorme potencial para o cultivo da espécie em grande e pequena escala.

    A aquicultura mundial tem crescido de forma consistente. A produção global de pesca e aquicultura em 2022 atingiu 223,2 milhões de toneladas, um aumento de 4,4% em relação a 2020. Pela primeira vez na história, a aquicultura de animais aquáticos superou a pesca extrativa em volume de produção.

  • Saiba por que a China compra 70% da soja brasileira

    Saiba por que a China compra 70% da soja brasileira

    O Brasil exportou mais de 240 milhões de toneladas de soja para a China entre 2021 e 2025, somando apenas os primeiros sete meses de cada ano. O volume explica como um único grão conecta cozinhas chinesas, fazendas brasileiras e decisões de segurança alimentar em Pequim.

    A China transformou sua economia nas últimas cinco décadas. O país saiu de uma sociedade rural e pobre para se tornar a segunda maior economia do planeta. Mais de 300 milhões de pessoas entraram na classe média, enquanto cerca de 200 milhões deixaram as fazendas e migraram para cidades entre 2007 e 2017.

    Essa migração urbana mudou os hábitos alimentares. A população trocou a dieta tradicional de arroz e vegetais por refeições com mais carne, ovos, leite, óleo de soja e alimentos processados. A soja brasileira ocupa papel central nessa transformação.

    Cozinha chinesa puxa demanda por óleo e proteína

    A China possui mais de 1,4 bilhão de habitantes. Cada refogado diário exige óleo na panela, proteínas e ingredientes processados que dependem da soja.

    O país usa soja de duas formas distintas. A produção interna, com grãos de maior teor proteico, atende o consumo direto em óleo de cozinha, tofu, bolinhos secos e receitas tradicionais milenares.

    A soja brasileira segue outro caminho. Indústrias de esmagamento transformam o grão em óleo e farelo. O óleo vai para cozinhas e indústrias, mas o farelo rico em proteína alimenta a cadeia de ração que engorda porcos, frangos e bovinos.

    Farelo de soja sustenta 56 milhões de toneladas de carne

    A China consome mais de 56 milhões de toneladas de carne por ano. Mais da metade vem apenas da carne suína. Levar um porco até o abate exige cerca de 300 quilos de ração.

    Entre 2018 e 2020, a peste suína africana devastou o rebanho chinês. Aproximadamente 225 milhões de porcos morreram, a oferta de carne despencou e os preços dispararam.

    O governo chinês respondeu com fazendas verticais. Prédios de vários andares, totalmente automatizados, criam porcos com máximo controle e eficiência. Essas estruturas exigem ração em volume ainda maior e com regularidade absoluta.

    O consumo de frango continua crescendo. A carne bovina, antes símbolo de status raramente acessível, passa por expansão com projeções de mercado acima de US$ 120 bilhões até 2030. Em todos os segmentos, o farelo de soja brasileira funciona como elo invisível.

    Produção interna não acompanha apetite da classe média

    Nos anos 1990, a China se aproximou da autossuficiência em soja. O cenário mudou a partir dos anos 2000, quando o consumo de carne, óleo e alimentos industrializados cresceu mais rápido que a capacidade de plantar.

    O país produz entre 20 e 30 milhões de toneladas de soja por ano, mas consome cerca de 120 milhões. Mais de 80% da soja necessária vem de importações, transformando o grão em questão de segurança alimentar nacional.

    Guerra comercial muda rotas e consolida Brasil como fornecedor

    Os Estados Unidos lideraram o fornecimento de soja para China durante muito tempo. O Brasil cresceu abrindo áreas no Cerrado e investindo em tecnologia, mas a virada veio em 2018.

    A guerra comercial entre China e Estados Unidos trouxe tarifas, sanções e desconfiança. A China decidiu reduzir a dependência de um único fornecedor e acelerou compras no Brasil.

    Hoje, mais de 70% da soja importada pelos chineses sai de portos brasileiros. A China também busca diversificar com volumes da Argentina, Paraguai, Tanzânia e até retorno gradual às compras nos Estados Unidos, numa tentativa de diluir riscos.

    Soja redesenha interior brasileiro e expõe gargalos

    A parceria impulsionou o agronegócio brasileiro e redesenhou cidades do interior. Municípios como Canarana, Água Boa e outras cidades do Vale do Araguaia, no Mato Grosso, se fortaleceram como polos de produção, serviços e logística.

    Cada safra movimenta caminhões em estradas congestionadas, forma filas em portos e expõe déficit de armazenagem superior a 80 milhões de toneladas. Produtores vendem rápido por falta de espaço para estocar.

    O país enfrenta gargalos em ferrovias que deveriam ligar o Mato Grosso a portos como Paranaguá e Barcarena com mais eficiência. A estrutura incompleta aumenta custos internos, pressiona fretes e limita a capacidade de capturar todo o valor possível do grão.

    Super ciclo cria dependência bilateral perigosa

    O movimento atual se encaixa no super ciclo das commodities. Períodos longos em que demanda elevada e preços altos de matérias-primas como soja, petróleo, minério e cobre impulsionam países produtores.

    Foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar

    Dois terços de toda a soja comercializada no mundo têm como destino a China. A cada três grãos exportados, dois acabam em território chinês. Se uma rota é interrompida, se uma safra quebra ou se uma guerra afeta o caminho entre portos brasileiros e chineses, o impacto atinge o mercado global.

    Sem a China, o Brasil exportaria muito menos. Campo, arrecadação e PIB encolheriam. Sem o Brasil, a China produziria menos carne e teria dificuldade para manter estável o consumo de proteína da população urbana.

    Brasil precisa agregar valor e reduzir vulnerabilidade

    O desafio brasileiro é não se acomodar na posição de fornecedor bruto. Especialistas recomendam investir em logística, armazenagem, ferrovias, portos e tecnologia para reduzir gargalos internos e elevar a margem dos produtores.

    Outra frente é agregar valor. Em vez de exportar apenas grão, o país pode ampliar a venda de óleo de soja, farelo e derivados industriais. Fortalecer a produção de carnes e outros produtos que incorporem a soja como insumo captura uma fatia maior da renda que hoje fica na transformação feita em outros países.

    Para a China, o objetivo estratégico é garantir que comida nunca se transforme em arma política. Isso explica a busca por novos parceiros e estoques estratégicos, mantendo o Brasil no centro do tabuleiro.

  • Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    O Brasil pode deixar de faturar cerca de US$ 3 bilhões com exportações de carne bovina à China. Isso ocorre após a adoção de novas tarifas e cotas de importação pelo governo chinês. Nesta quarta-feira (31), a China anunciou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil.

    O volume excedente terá tarifa de 55%, o que restringe o acesso ao mercado. Além disso, o país asiático definiu cotas isentas da tarifa para outros grandes exportadores. A medida afeta diretamente a competitividade da carne bovina brasileira.

    Exportações

    Para 2025, o setor projeta exportações de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina à China. Até novembro, os embarques já somaram 1,5 milhão de toneladas, com receita de US$ 8 bilhões. Segundo analistas, a tarifa pode inviabilizar exportações acima da cota estabelecida.

    O percentual de 55% dificulta negociações nas atuais condições de mercado. Caso as vendas fiquem limitadas a 1,1 milhão de toneladas, o Brasil voltaria ao patamar pré-2022. Desde aquele ano, as exportações superaram 1 milhão de toneladas anuais.

    Tratamento desigual

    O setor também critica o tratamento desigual entre fornecedores. A Argentina recebeu cota de 510 mil toneladas, enquanto o Uruguai ficou com 310 mil toneladas. Em resumo, na avaliação de especialistas, esses volumes são elevados em relação ao tamanho dos rebanhos desses países. Por isso, eles consideram que a medida é mais severa para o Brasil.

    Distribuição de cotas

    Outra preocupação envolve a distribuição das cotas. O setor ainda não sabe qual país fará a gestão nem quais critérios serão adotados. Além disso, as autoridades chinesas também avaliam novas medidas, ainda não detalhadas oficialmente. Entre elas, estão a redução de frigoríficos habilitados e das linhas de crédito aos importadores.

    Diante desse cenário, o mercado já projeta revisões nas estimativas de exportação para 2026.
    A incerteza aumenta e pressiona o planejamento do setor pecuário brasileiro.