Tag: China

  • China impõe tarifa de 55% à carne bovina importada

    China impõe tarifa de 55% à carne bovina importada

    O Ministério do Comércio da China confirmou a imposição de salvaguardas sobre a carne bovina importada.
    A medida inclui tarifa adicional de 55% para volumes que superarem cotas estabelecidas. O ministério publicou a decisão em comunicado oficial nesta quarta-feira, 31 de dezembro.

    As regras entram em vigor em 1º de janeiro de 2026. O prazo de validade será de três anos, até 31 de dezembro de 2028. A decisão confirma discussões realizadas em recentes reuniões bilaterais.

    O tema ganhou relevância devido ao avanço das exportações brasileiras ao mercado chinês. O Brasil figura entre os principais fornecedores de carne bovina à China. Segundo o comunicado, a medida resulta de investigação iniciada em dezembro de 2024. As autoridades analisaram o crescimento das importações e os efeitos sobre a indústria doméstica.

    O ministério avaliou também a relação entre aumento das compras externas e prejuízos ao setor local. Ao final do processo, a China concluiu que as importações causaram danos graves à indústria nacional. O governo estabeleceu nexo direto entre o crescimento das importações e os impactos econômicos internos.

    Entenda como as medidas vão funcionar

    As salvaguardas combinarão cotas específicas por país com tarifas adicionais. A tarifa extra incidirá apenas sobre volumes que ultrapassarem os limites definidos. Dentro da cota anual, a carne bovina importada manterá a tarifa atualmente vigente. Acima da cota, os importadores pagarão tarifa adicional de 55%. A alíquota será aplicada sobre o imposto já em vigor.

    O ministério informou que as cotas não utilizadas não poderão ser transferidas. Cada ano terá limites independentes para importação. As medidas abrangem carne bovina fresca, refrigerada ou congelada.
    O texto inclui produtos com ou sem osso, inteiros ou em meia carcaça.

    Acordos e exceções

    Durante as salvaguardas, a China suspenderá benefícios do acordo China–Austrália. A decisão prevalecerá sobre compromissos bilaterais existentes para carne bovina. O comunicado prevê exceções para países em desenvolvimento. A isenção vale para países com participação inferior a 3% das importações chinesas.

    O conjunto desses países não poderá ultrapassar 9% do total importado. Caso os limites sejam superados, a salvaguarda poderá valer no ano seguinte. A lista de países excluídos consta em anexo ao anúncio oficial.
    O Ministério do Comércio afirmou que poderá revisar as medidas. A reavaliação dependerá de mudanças no mercado ou na indústria doméstica.

    Posicionamento do setor brasileiro

    A ABIEC e a CNA avaliam que a salvaguarda altera o acesso ao mercado chinês. As entidades afirmam que a medida exige reorganização da produção e das exportações. Segundo as organizações, os embarques envolvem produtos com maior valor agregado. Esses produtos têm perfil distinto do consumo doméstico brasileiro. O setor associa as exportações à geração de emprego e renda.

    As entidades destacam que a China permanece como principal destino da carne brasileira. O país asiático segue como mercado estratégico para a pecuária nacional. A medida cria uma quota crescente ao longo dos três primeiros anos.
    O limite inicial será de 1,106 milhão de toneladas no primeiro ano. Dentro da quota, a tarifa será de 12%. Fora da quota, a sobretaxa de 55% elevará a tarifa total para 67%.

    Importação em 2025

    Em 2025, a China importou cerca de 1,7 milhão de toneladas do Brasil. O volume representou 48,3% das exportações brasileiras de carne bovina. Nesse cenário, a cadeia produtiva precisará realizar ajustes.
    As mudanças envolvem produção, logística e exportação. A ABIEC e a CNA destacam a relação comercial construída ao longo de anos. As entidades citam fornecimento regular, previsibilidade e cumprimento sanitário. A carne bovina brasileira complementa o abastecimento do mercado chinês. O produto contribui para a estabilidade da oferta ao consumidor local.

    Impacto da pecuária na economia brasileira

    A cadeia da pecuária bovina tem papel central na economia brasileira. O setor leva renda a milhares de municípios. A atividade sustenta cerca de 7 milhões de empregos diretos e indiretos. Cerca de 70% da produção atende o mercado interno.
    Aproximadamente 30% da carne bovina brasileira segue para exportação.

    As entidades ressaltam o caráter complementar das vendas externas. As exportações ajudam a equilibrar e sustentar a cadeia pecuária nacional. A ABIEC e a CNA acompanharão a implementação das medidas.
    As entidades atuarão junto ao governo brasileiro e às autoridades chinesas. O objetivo é reduzir danos aos pecuaristas e exportadores. As organizações também buscam preservar o fluxo comercial histórico.

  • China será peça-chave para equilíbrio do mercado do boi

    China será peça-chave para equilíbrio do mercado do boi

    A manutenção das exportações de carne bovina para a China será determinante para sustentar as cotações do boi gordo no próximo ano. A avaliação aparece no relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca o papel do mercado chinês no equilíbrio entre oferta e demanda doméstica.

    Em 12 de dezembro, o preço médio futuro da arroba para 2026 alcançou R$ 333,10, avanço de 6% em relação a 2025. A consultoria projeta uma moderação gradual da oferta ao longo de 2026, mas a entrada do período sazonal de descarte de fêmeas e o aumento dos animais de pasto devem ampliar a oferta nos próximos meses.

    “O fluxo normal de exportações à China será essencial para evitar quedas nas cotações do boi gordo, diante de um cenário de oferta confortável no curto prazo”, afirma Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

    A China adiou para janeiro a decisão sobre a investigação de salvaguarda, inicialmente prevista para novembro. A postergação reduziu a pressão sobre o contrato futuro de dezembro e trouxe alívio temporário aos exportadores brasileiros, que mantêm posição relevante no mercado chinês. Com o mercado físico estável, os vencimentos mais curtos continuam sem espaço para valorizações além dos níveis atuais.

    Oferta elevada

    Mesmo com alguma margem para avanço das cotações, a oferta elevada limita movimentos mais expressivos. Dados preliminares de abates sob inspeção federal (SIF) em novembro confirmam o ritmo forte registrado nos dois meses anteriores.

    Segundo o Itaú BBA, as margens dos confinamentos permanecem positivas, sustentadas pelos preços futuros do boi e pelos custos de ração ainda controlados. O principal desafio segue sendo o encarecimento do boi magro, resultado da dificuldade de reposição. Já o bezerro tende a continuar valorizado, com oferta restrita e pressão crescente sobre as fases de recria e engorda.

  • Safra recorde de soja no Brasil pode reduzir preços mundiais

    Safra recorde de soja no Brasil pode reduzir preços mundiais

    O Brasil se prepara para colher uma safra recorde de soja em 2026, mas agricultores do maior exportador mundial do grão enfrentam um dilema inédito: o mercado global pode não conseguir absorver toda a produção. A Conab projeta 177,1 milhões de toneladas para a safra que começa no início de 2026, volume 3,3% superior ao ano anterior.

    “Estamos crescendo em uma escala maior do que a demanda”, alerta Thiago Facco, vice-presidente da Aprosoja Tocantins. O executivo prevê que o Brasil alcançará produção excedente “em um futuro muito próximo”, mesmo que a safra atual atenda bem ao mercado.

    O presidente norte-americano Donald Trump pressiona a China a comprar mais soja dos Estados Unidos, o que pode reduzir drasticamente o espaço para as exportações brasileiras. O governo chinês se comprometeu a adquirir pelo menos 25 milhões de toneladas anuais de soja norte-americana pelos próximos três anos.

    Se Pequim cumprir o acordo, os embarques brasileiros perderão mercado justamente quando a colheita nacional acelerar. O Brasil pode repetir a situação dos Estados Unidos, que enfrentaram excesso de oferta antes do acordo comercial entre Trump e Xi Jinping.

    Estoques brasileiros devem atingir recorde de nove anos

    A Abiove, associação da indústria esmagadora de soja, projeta que os estoques finais de 2026 alcançarão o maior nível em nove anos. O acúmulo ocorrerá mesmo com o aumento do processamento interno para atender ao mandato de mistura de biodiesel em expansão no país.

    “Em 2025, o Brasil teve uma supersafra, mas exportou muito bem por causa da guerra comercial”, observa Daniele Siqueira, analista da AgRural. “Para 2026, não há essa garantia. O Brasil pode ter um excesso de oferta que pese sobre os preços.”

    Chicago registra volatilidade nas cotações futuras

    Os contratos futuros da soja negociados em Chicago subiram cerca de 8% neste ano, mas recentemente devolveram parte dos ganhos. As compras chinesas de soja norte-americana ficaram muito aquém das 12 milhões de toneladas prometidas até o fim da temporada.

    Francisco Queiroz, analista do Itaú BBA, avalia que “se o potencial de uma safra recorde na América do Sul se confirmar, poderemos ver algum tipo de correção de preços em Chicago”.

    A consultoria Agroconsult estimou recentemente a produção em 178 milhões de toneladas, volume superior às 175 milhões projetadas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Caso os números mais altos se confirmem, o Brasil poderá compensar uma queda esperada na produção global, mas o crescimento da oferta provavelmente superará o aumento da demanda mundial.

    Chuvas irregulares associadas ao La Niña podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras no Sul do Brasil e na Argentina. Porém, se a colheita avançar normalmente até fevereiro, o país deverá enfrentar estoques em expansão.

    China preferiu soja brasileira em 2025

    As exportações brasileiras de soja dispararam em 2025, quando compradores chineses optaram pelo grão brasileiro durante as tensões comerciais com os EUA. O Brasil embarcou recorde de 104,8 milhões de toneladas até novembro, sendo 79% destinadas à China. As vendas totais dos EUA para a China somaram apenas 3,2 milhões de toneladas desde o acordo preliminar de outubro, segundo o USDA.

    A área plantada no Brasil continua a crescer. A Conab estima que os agricultores devem semear 48,9 milhões de hectares nesta safra, expansão de 3,4% em relação à anterior. O aumento ocorre apesar do alto custo dos fertilizantes e das taxas de juros elevadas que deixaram muitos produtores altamente endividados.

    Diferente dos EUA, onde agricultores alternam áreas entre soja e milho, o clima brasileiro permite o cultivo sucessivo das duas culturas. A soja também vem substituindo pastagens e áreas de arroz, segundo a Conab.

    Margens apertadas preocupam produtores

    “As margens estão muito apertadas, às vezes até negativas para a soja”, afirma Lucas Beber, presidente da associação de agricultores do Mato Grosso, principal estado produtor do grão. “A esperança está no milho.”

    Felipe Jordy, gerente de inteligência de mercado da Biond Agro, avalia que os produtores que já planejaram expandir suas áreas não devem desistir, mas as margens fracas provavelmente reduzirão o ritmo de expansão.

    “Quem já está abrindo novas áreas não vai parar, mas vai desacelerar e repensar parte disso”, conclui Jordy.

  • Agronegócio bate recorde com US$ 155 bilhões em exportações em 2025

    Agronegócio bate recorde com US$ 155 bilhões em exportações em 2025

    O agronegócio brasileiro consolidou sua posição como principal motor das exportações nacionais ao registrar US$ 13,4 bilhões em vendas externas durante novembro de 2025, representando crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números colocam o mês como o segundo melhor novembro da série histórica do setor.

    No acumulado de janeiro a novembro, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram marca inédita de US$ 155,25 bilhões, superando em 1,7% o desempenho do mesmo período de 2024. O resultado reafirma a relevância estratégica do setor para a economia nacional, respondendo por quase metade das vendas externas do país.

    Expansão internacional impulsiona resultados

    A China mantém-se como principal destino dos produtos agropecuários brasileiros, com US$ 52,02 bilhões importados no período (+10%). A União Europeia aparece em segundo lugar, com US$ 22,89 bilhões (+5,4%), seguida pelos Estados Unidos, que registraram US$ 10,48 bilhões (-4%).

    Mercados emergentes demonstram crescimento expressivo: a Índia ampliou suas compras em 11%, atingindo US$ 3,02 bilhões, enquanto o México aumentou as importações em 8,5%, somando US$ 3 bilhões. A diversificação geográfica revela estratégia consistente de expansão do agronegócio brasileiro em diferentes regiões.

    Recordes históricos em produtos estratégicos

    Novembro destacou-se pelos recordes em categorias fundamentais. A carne bovina liderou com US$ 1,75 bilhão (+51,8%) e volume recorde de 318 mil toneladas exportadas para o mês. No acumulado anual, foram 3,15 milhões de toneladas embarcadas (+18,3%), gerando receita de US$ 16,18 bilhões (+37,5%).

    O café verde registrou US$ 1,5 bilhão em exportações (+9,1%), também estabelecendo novo recorde em valor. A soja em grãos alcançou US$ 1,83 bilhão (+64,6%), impulsionada pelo aumento de 6,5% no volume embarcado.

    Produtos como celulose (US$ 939,2 milhões, +8,6%) e algodão (US$ 640,1 milhões, +18,6%) bateram recordes simultâneos de valor e volume. O gergelim surpreendeu com crescimento de 47,7% em quantidade exportada, totalizando 72,3 mil toneladas.

    Abertura de mercados amplia oportunidades

    As miudezas bovinas exemplificam o impacto positivo das aberturas de mercado conquistadas em 2025. A Indonésia, após habilitar 17 novas plantas frigoríficas e autorizar importações de carne com osso e miúdos, aumentou suas compras em 579%. As Filipinas, com abertura similar, elevaram as importações em 35%.

    Desde 2023, foram conquistados 500 novos mercados para produtos do agronegócio brasileiro. Iniciativas como AgroInsight e Caravana do Agro Exportador aproximam produtores de oportunidades internacionais, tendo identificado mais de 800 possibilidades comerciais em 38 países.

    Feijões e pulses beneficiam-se de aberturas recentes na Rússia, Líbano, Costa Rica, Peru, China, Coreia do Sul, Malásia e África do Sul, registrando crescimento consistente nas exportações.

    Resultados sustentados por volume e estratégia

    O desempenho das exportações manteve-se positivo mesmo diante de preços internacionais moderados, demonstrando a competitividade do agronegócio brasileiro baseada em ganhos de produtividade e eficiência. O aumento de 6,5% no volume embarcado em novembro comprova a capacidade do setor em expandir sua presença global.

    As vendas externas continuam cumprindo papel estratégico ao complementar o mercado interno, ampliar escala produtiva, fortalecer cadeias, gerar empregos e estimular investimentos em todas as regiões do Brasil. Os números recordes de 2025 refletem esforço coordenado entre setor produtivo e governo para diversificar destinos e produtos exportados.

  • Capivara, samba e café: Luckin Coffee transforma Brasil em febre na China

    Capivara, samba e café: Luckin Coffee transforma Brasil em febre na China

    A Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China, transformou o Brasil em produto de luxo. A empresa fechou um acordo de R$ 10 bilhões para vender 400 milhões de copos de café estampados com símbolos brasileiros: capivaras, samba e grãos de arábica premium.

    A operação vai além do marketing tradicional. Especialistas classificam o movimento como a maior iniciativa de diplomacia comercial entre Brasil e China dos últimos anos. A Luckin, que superou a Starbucks em número de lojas no mercado chinês, escolheu o café brasileiro como pilar de sua estratégia de expansão.

    Brasil vira símbolo de status para consumidores chineses

    O consumidor chinês associa o café brasileiro a qualidade premium e sofisticação. A Luckin explorou essa percepção ao criar uma linha exclusiva que celebra elementos da cultura brasileira. Os copos trazem ilustrações de capivaras, referências ao samba e destacam a origem arábica dos grãos.

    A estratégia funciona. Jovens chineses compartilham fotos dos copos nas redes sociais, transformando o produto em símbolo de lifestyle. O Brasil ganhou presença massiva no cotidiano urbano chinês através das mais de 20 mil lojas da Luckin espalhadas pelo país.

    Café arábica brasileiro domina mercado asiático

    O Brasil lidera a produção mundial de café arábica, variedade considerada mais refinada e aromática que o robusta. A China consome cada vez mais café, especialmente entre a população jovem e urbana das grandes cidades.

    Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar

    A Luckin identificou essa tendência e apostou no Brasil como fornecedor estratégico. O contrato de R$ 10 bilhões garante fornecimento estável de grãos premium por anos, fortalecendo a cadeia produtiva brasileira e consolidando o país como principal parceiro da rede no setor.

    Diplomacia comercial que beneficia ambos os lados

    O acordo representa mais que uma transação comercial. Economistas apontam que a operação fortalece laços econômicos entre Brasil e China, segundo maior parceiro comercial brasileiro. O café brasileiro ganha visibilidade em um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores potenciais.

    Para o Brasil, o contrato traz previsibilidade de receita e valoriza a imagem internacional do país. Para a Luckin, significa diferenciação competitiva em um mercado cada vez mais disputado. A rede usa a origem brasileira como argumento de vendas, explorando o fascínio chinês pela cultura e produtos latino-americanos.

    Impacto nas exportações brasileiras

    Especialistas do agronegócio comemoram o acordo. O contrato estabiliza preços para produtores brasileiros e incentiva investimentos em qualidade. O setor cafeeiro nacional ganha escala e previsibilidade, elementos essenciais para planejamento de longo prazo.

    Foto: Agência Agro em Campo

    A operação também abre portas para outros produtos brasileiros na China. A visibilidade gerada pelos 400 milhões de copos cria oportunidades para exportadores de diferentes setores explorarem o mercado asiático.

  • Demanda aquecida sustenta preços do boi em dezembro

    Demanda aquecida sustenta preços do boi em dezembro

    O mercado pecuário ganha força com a entrada de dezembro, puxado pelo aumento do consumo nas festas de fim de ano. Além disso, o pagamento do 13º salário eleva as compras de carne no varejo, segundo levantamentos do Cepea.

    No mercado externo, China e Estados Unidos mantêm sinais claros de demanda firme durante este início de mês.
    Para atender aos pedidos, parte dos frigoríficos já opera com escalas adiantadas e férias coletivas programadas.
    Por outro lado, algumas indústrias ainda precisam comprar muitos animais, o que sustenta a movimentação do mercado.

    Assim, o aquecimento deve continuar, principalmente até a metade da próxima semana, avaliam os pesquisadores. Historicamente, a primeira quinzena registra alto escoamento de carne no atacado e no varejo nacional. Como resultado, o cenário dá suporte direto aos preços da arroba do boi gordo.

    Na segunda quinzena, porém, o mercado costuma perder ritmo por paradas técnicas e recessos industriais.
    Mesmo assim, a oferta ajustada e as exportações recordes mantêm os preços sustentados neste mês.
    Portanto, o setor não deve enfrentar pressão significativa de queda ao longo de dezembro.

     

  • Soja cai em Chicago com demanda chinesa fraca

    Soja cai em Chicago com demanda chinesa fraca

    A falta de novos anúncios de compras da China pressiona os preços da soja na bolsa de Chicago. Por isso, os contratos para janeiro voltaram a registrar queda nesta quarta-feira (3). A soja recuou 0,80% e fechou cotada a US$ 11,1575 por bushel. Segundo analistas, o mercado aguarda sinais concretos de compra por parte da China. Enquanto isso, a ausência de negócios mantém o viés de baixa para os preços internacionais.

    No Brasil, o avanço do plantio reduz parte das incertezas do mercado. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura já alcança 86% da área prevista. Esse percentual, portanto, supera a média dos últimos cinco anos, de 84,4%. Com isso, a oferta futura segue elevada e limita reações nos preços da soja.

    Trigo fecha em leve baixa

    O trigo também encerrou o pregão em queda na bolsa de Chicago. Os investidores realizaram lucros após a valorização registrada na sessão anterior. Dessa forma, os contratos para março recuaram 0,51%.
    O cereal fechou cotado a US$ 5,3825 por bushel. Apesar disso, o mercado segue atento aos próximos desdobramentos da demanda global.

    Milho perde força em Chicago

    O milho devolveu quase todos os ganhos da sessão anterior na bolsa de Chicago. Assim, os contratos para março fecharam em baixa nesta quarta-feira (3). O cereal caiu 1,48% e encerrou o dia cotado a US$ 4,3150 por bushel.
    Além disso, o mercado não registrou mudanças relevantes no cenário de oferta e demanda. Consequentemente, as projeções seguem indicando preços pressionados para o milho. A expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos em 2025/26 reforça esse movimento.

     

  • Passageira tenta entrar no Brasil com 240 caranguejos da China escondidos em malas

    Passageira tenta entrar no Brasil com 240 caranguejos da China escondidos em malas

    Uma passageira que desembarcou da China no Aeroporto Internacional de Guarulhos teve uma surpresa nada agradável ao passar pela fiscalização. A Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, apreendeu nada menos que 240 caranguejos escondidos em suas malas.

    Foto: Vigiagro/Mapa

    Os crustáceos estavam cuidadosamente organizados em 12 caixas, cada uma pesando 4,6 quilos e contendo 20 unidades. O problema? Os animais não tinham nenhuma autorização para entrar no território brasileiro. E isso representa um risco bem sério pra saúde da agropecuária nacional.

    A análise preliminar dos fiscais indica que a espécie pode ser o caranguejo-de-mitene (Eriocheir sinensis), também conhecido como hairy crab ou caranguejo-peludo. Trata-se de uma verdadeira iguaria na China e bastante apreciada em lugares como Singapura e Hong Kong, onde o preço pode chegar a valores bem altos dependendo da época.

    Perigo para fauna e cadeia produtiva

    Mas o que pode parecer apenas uma tentativa de trazer um produto gourmet pra casa esconde perigos reais. A entrada clandestina de organismos aquáticos abre portas pra introdução de doenças graves que podem se espalhar rapidamente, afetando tanto ecossistemas locais quanto cadeias produtivas inteiras. Os prejuízos econômicos podem ser devastadores.

    O coordenador-geral do Vigiagro, Cleverson Freitas, reforça que as equipes trabalham justamente pra evitar esse tipo de situação. “O trabalho é estratégico pra impedir o ingresso de produtos e organismos sem autorização, garantindo a sanidade agropecuária, a saúde animal e a segurança dos consumidores”, explica.

    Foto: Vigiagro/Mapa

    A fiscalização de cargas e bagagens clandestinas está entre as principais atribuições do Vigiagro, que atua como uma barreira de proteção contra riscos sanitários no trânsito internacional. E casos como esse mostram que a vigilância é mesmo necessária. Afinal, o que parece ser só uma tentativa de contrabando gastronômico pode ter consequências bem maiores pro país.

    A apreensão aconteceu durante inspeção de rotina no aeroporto paulista, que é um dos principais pontos de entrada internacional do Brasil. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre possíveis penalidades aplicadas à passageira.

  • Alerta: peste suína africana retorna após 30 anos

    Alerta: peste suína africana retorna após 30 anos

    A Espanha confirmou nesta sexta-feira (28/11) o primeiro caso de peste suína africana em três décadas. Dois javalis serem encontrados mortos na região de Barcelona com resultado positivo para o vírus. O anúncio do Ministério da Agricultura espanhol reacende preocupações sobre possíveis impactos econômicos na poderosa indústria de carne suína do país, líder absoluta no mercado europeu.

    A detecção do vírus ocorre em momento crítico para o setor. A Espanha não registrava casos da doença desde 1994 e atualmente lidera a produção de carne suína na União Europeia, representando aproximadamente um quarto de toda a produção do bloco e superando até mesmo a Alemanha.

    O país depende fortemente das exportações para a China, seu principal mercado asiático. A confirmação da peste suína africana surge justamente quando o governo espanhol intensifica esforços para expandir sua participação no mercado chinês de proteína animal.

    Acordo com China pode limitar danos comerciais

    Apesar dos riscos de restrições às exportações, um acordo comercial firmado recentemente entre Espanha e China prevê que eventuais sanções se limitem apenas às regiões afetadas pelo vírus. Reduzindo significativamente o risco de um embargo nacional que seria devastador para a economia do setor.

    “Não são boas notícias. Existe o risco de embargo contra o maior exportador de carne suína da UE, principalmente na Ásia e na China em particular”, alertou Jean-Paul Simier, analista do grupo francês de pesquisa de commodities Cyclope.

    A indústria suína espanhola já vinha atravessando um período turbulento antes mesmo da detecção do vírus. Desde julho, os preços da carne suína registram queda aproximada de 20%, pressionando as margens de lucro dos produtores e frigoríficos.

    Medidas emergenciais ativadas

    Após a confirmação dos casos, o Ministério da Agricultura notificou imediatamente a União Europeia e ativou protocolos de emergência na área afetada. As autoridades orientam que todas as granjas da região reforcem urgentemente os protocolos de biossegurança.

    Equipes técnicas trabalham agora para rastrear a origem da infecção e evitar a propagação do vírus, que é altamente contagioso entre suínos. Mas não representa risco para humanos.

    A peste suína africana não tem cura ou vacina disponível, tornando o controle de sua disseminação crucial para proteger tanto os rebanhos comerciais quanto a economia do setor.

  • Produção de frango no Brasil deve alcançar marca histórica

    Produção de frango no Brasil deve alcançar marca histórica

    O setor avícola brasileiro está prestes a escrever um novo capítulo na sua história. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a produção de carne de frango deve alcançar 15,86 milhões de toneladas em 2026. Um número que supera todos os recordes anteriores e deixa pra trás até mesmo a estimativa deste ano, de 15,5 milhões de toneladas.

    Mas a boa notícia não para por aí. Quando a gente soma as três proteínas favoritas do brasileiro,frango, porco e boi, o país deve produzir impressionantes 32,6 milhões de toneladas no próximo ano. É um aumento pequeno, de 0,4% em comparação com 2025, mas que ainda assim representa outro recorde. A Conab divulgou essas projeções na quarta-feira (26).

    China volta a comprar e exportações ganham fôlego

    Este ano trouxe desafios pro setor. O registro de um caso de Influenza Aviária em maio, lá no Rio Grande do Sul, abalou as vendas para o mercado internacional. As exportações devem fechar 2025 em 5,2 milhões de toneladas, pouco acima das 5,15 milhões de toneladas embarcadas em 2024.

    O que salvou a situação foi a diversificação. Outros países compraram boa parte da produção brasileira e amenizaram o impacto da crise. E tem mais: neste mês, a China, nosso maior comprador de frango, anunciou que vai retomar as importações do produto brasileiro.

    Para 2026, os produtores esperam que essa trajetória positiva continue. A previsão é embarcar 5,25 milhões de toneladas pro exterior. E o melhor: mesmo com mais exportação, o brasileiro não vai sentir falta de frango no mercado. A disponibilidade interna deve crescer 3,1%, passando de 10,3 milhões de toneladas em 2025 para 10,62 milhões em 2026. Isso significa 51,3 quilos de frango por habitante, suficiente pra garantir o abastecimento tranquilo.

    Carne suína segue no mesmo ritmo

    A suinocultura brasileira também está de vento em popa. A produção deve atingir 5,63 milhões de toneladas em 2025. As exportações continuam crescendo (1,48 milhão de toneladas até dezembro), mesmo com a China comprando menos depois que recuperou seus rebanhos da Peste Suína Africana.

    O cenário interno permanece positivo: a disponibilidade sai de 4 milhões de toneladas em 2024 para 4,16 milhões em 2025. E 2026 promete ser ainda melhor, com produção estimada em 5,88 milhões de toneladas, uma alta de 4,5%. Os embarques devem chegar a 1,6 milhão de toneladas, mas o mercado doméstico continua bem abastecido, com disponibilidade interna crescendo 3,2% e alcançando cerca de 4,3 milhões de toneladas.

    Carne bovina enfrenta virada de ciclo

    Com a carne bovina, a história é um pouco diferente. Em 2025, a produção deve ficar em 11,38 milhões de toneladas, levemente acima do ano passado. As exportações vão bater recorde: 4,21 milhões de toneladas embarcadas até o fim do ano.

    Esse desempenho impressiona ainda mais quando a gente lembra que os Estados Unidos haviam colocado tarifas no produto brasileiro (suspensas só em novembro). A China segue firme como principal compradora, absorvendo 53,7% das nossas exportações de carne bovina.

    Mas 2026 vai marcar uma reversão no ciclo pecuário. Os produtores planejam reter mais fêmeas, o que deve reduzir a produção para 10,89 milhões de toneladas. As exportações devem se manter estáveis, em torno de 4,25 milhões de toneladas. Já o mercado interno vai sentir: a disponibilidade doméstica deve cair para 6,67 milhões de toneladas.

    Ovos também batem recorde

    Por fim, tem boas notícias pros fãs de ovos. A Conab projeta outro recorde em 2026: 50,3 bilhões de unidades produzidas, um crescimento de 2,6% sobre as 49 bilhões de unidades estimadas para 2025. O resultado mantém a tendência de alta na disponibilidade do produto no mercado brasileiro.