Tag: China

  • Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    O Brasil consolidou sua vantagem competitiva na soja em relação aos Estados Unidos entre 2020 e 2024, combinando custos menores em nível de fazenda, câmbio favorável e forte demanda da China para sustentar a rentabilidade do produtor.

    Análise da Universidade de Purdue, com dados padronizados da rede Agribenchmark, mostra que a lucratividade da soja brasileira permaneceu positiva durante todo o período, enquanto fazendas típicas nos EUA registraram anos de prejuízo e maior pressão financeira.

    A crescente participação do Brasil no mercado global de soja já é vista como ameaça direta pelos agricultores americanos. Em janeiro de 2026, 44% dos produtores dos EUA declararam estar “muito preocupados” e 36% “preocupados” com a competitividade das exportações de soja do país frente ao Brasil, de acordo com o Ag Economy Barometer, da Universidade de Purdue. Desde 2018, quando ultrapassou os Estados Unidos como maior produtor mundial de soja, o Brasil vem ampliando sua presença como principal fornecedor global do grão.

    Mato Grosso x Iowa: como se comparam os custos da soja

    O estudo compara uma fazenda típica de soja em Mato Grosso com uma propriedade representativa em Iowa, ambos polos relevantes da produção nos dois países. Juntos, Brasil e Estados Unidos respondem por cerca de 70% da produção mundial de soja, o que torna a comparação dos custos de produção e da rentabilidade um indicador-chave da competitividade no mercado internacional.

    Na fazenda de Mato Grosso, a área média cultivada com soja foi de 5.900 acres entre 2020 e 2024, contra 1.800 acres na fazenda de Iowa, retratando a maior escala produtiva no Cerrado brasileiro. Todos os valores foram convertidos para dólares, permitindo comparação direta de custos e receitas entre os países.

    Custos de produção: insumos pesam no Brasil, terra pesa nos EUA

    A principal diferença na estrutura de custos de produção da soja está no peso dos insumos no Brasil e no peso da terra nos Estados Unidos. No caso brasileiro, os custos diretos, como sementes, fertilizantes, defensivos, seguro e secagem, responderam em média por mais de 60% do custo total entre 2020 e 2024, refletindo a forte dependência de insumos na agricultura tropical do Cerrado. Já na fazenda americana, os custos fixos, especialmente ligados ao valor da terra, foram o maior componente, representando quase metade do custo total no período.

    Segundo o levantamento, a valorização expressiva das terras agrícolas nos EUA nos últimos anos elevou o peso dos custos fixos e reduziu a flexibilidade dos produtores americanos diante da volatilidade dos preços das commodities. No Brasil, embora a terra também tenha valorizado em algumas regiões, o peso relativo da posse da área nos custos da fazenda típica analisada foi de aproximadamente 25%, bem abaixo do observado em Iowa.

    Custos da soja dobram no Brasil, mas margem se sustenta

    Os custos totais de produção da soja na fazenda típica de Mato Grosso praticamente dobraram entre 2020 e 2024. Saltando de 172 para 337 dólares por tonelada. O aumento foi puxado principalmente pela disparada dos fertilizantes e de outros insumos importados após 2021, em função da guerra entre Rússia e Ucrânia e dos gargalos nas cadeias de suprimentos.

    O Brasil importa cerca de 85% de suas necessidades de fertilizantes. Isso deixou o produtor exposto à alta das cotações internacionais e à desvalorização do real frente ao dólar naquele período. Ainda assim, a combinação entre câmbio favorável, preços elevados da soja e forte demanda externa garantiu que as receitas brutas acompanhassem ou superassem o avanço dos custos. Portanto, mantendo a rentabilidade da soja brasileira em terreno positivo.

    Nos Estados Unidos, os custos de produção também aumentaram. Mas em ritmo mais moderado, passando de 399 para 448 dólares por tonelada entre 2020 e 2024. O estudo destaca, porém, que a alta de custos operacionais (mão de obra, maquinário, serviços e diesel) somada à valorização da terra reduziu as margens e aumentou a vulnerabilidade financeira das fazendas americanas.

    China consolida papel de maior compradora da soja brasileira

    A China seguiu como principal destino da soja brasileira, consolidando o país como fornecedor prioritário do maior importador mundial do grão. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras de soja para o mercado chinês responderam, em média, por 71% do total exportado pelo país. Isso segundo o estudo citado. Em 2023, o volume de soja brasileira enviado à China atingiu recordes. Enquanto os embarques dos Estados Unidos ficaram em torno da metade do volume exportado pelo Brasil.

    Esse padrão reforça o papel do Brasil no chamado “triângulo da soja” entre Estados Unidos, Brasil e China, em que o país sul-americano passou a capturar a maior parte do crescimento da demanda chinesa, enquanto os EUA diversificam seu uso interno de soja e perdem participação relativa no mercado chinês.

    ​Margens positivas no Brasil e volatilidade nos EUA

    Os dados de lucros econômicos indicam que a soja brasileira manteve margens positivas em todos os anos analisados. Embora com alguma redução após 2022 quando os preços internacionais começaram a se estabilizar depois do pico de alta. No caso da fazenda de Iowa, a rentabilidade foi mais volátil, com anos de margem forte, como 2021 e 2022, mas também com registros de prejuízo em 2020 e 2024.

    A pesquisa aponta que, desde 2023, produtores americanos vêm enfrentando aumento da pressão financeira. Isso é fruto do encarecimento dos insumos, da compressão das margens e do maior uso de crédito operacional carregado de safras anteriores. Essa combinação torna o produtor dos EUA mais exposto a choques de preços e à competição com a soja de menor custo produzida no Brasil.

    Expansão em novas fronteiras pode reforçar liderança brasileira

    Na avaliação dos autores, a competitividade da soja brasileira tende a se manter ou até se ampliar nos próximos anos. Impulsionada pela expansão em regiões de fronteira agrícola com custos mais baixos e pela gradual melhoria da infraestrutura logística. Estradas, ferrovias e portos mais eficientes têm potencial para reduzir o chamado “custo Brasil”. E aumentar ainda mais a atratividade da soja do país no mercado global.

    Para os Estados Unidos, o desafio será preservar competitividade em um ambiente de custos elevados de terra e insumos. Ao mesmo tempo em que enfrenta concorrência crescente da América do Sul. O estudo destaca que o futuro da soja americana passa por ganhos de produtividade, gestão de custos e uso de estratégias de gestão de risco de preços e de comercialização, em um cenário de maior incerteza no mercado internacional.

  • Exportações de amendoim do Brasil crescem

    Exportações de amendoim do Brasil crescem

    As exportações brasileiras de amendoim descascado cresceram 37% em 2025, alcançando mais de 311 mil toneladas, o maior volume das últimas décadas, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. No ano anterior, os embarques somaram cerca de 227 mil toneladas. Em valores, as exportações renderam US$ 367 milhões, ligeiramente acima dos US$ 360 milhões registrados em 2024.

    O amendoim descascado continua liderando a pauta de exportações do setor. Em 2025, a Rússia manteve a primeira posição entre os destinos, com 22% do total embarcado, seguida pela China (20%) e Argélia (12%).

    A pesquisadora Renata Martins Sampaio, do IEA, ressalta que o produto representa o principal item exportado pela cadeia brasileira de amendoim. Municípios paulistas seguem à frente nos embarques: Tupã (21%), Dumont (14%), Borborema (14%), Herculândia (8%) e Jaboticabal (6%).

    Óleo de amendoim tem alta expressiva

    O óleo de amendoim em bruto apresentou desempenho ainda mais robusto, com exportações praticamente triplicadas, de 51 mil toneladas em 2024 para 154 mil toneladas em 2025. A China concentrou 88% das compras, reflexo do aumento no consumo interno de óleos vegetais.

    “As cotações do óleo de amendoim subiram em 2025, consolidando Brasil, China e Itália como os principais atores do mercado global”, destaca Sampaio.

    China domina produção global

    Mesmo sendo o maior produtor e consumidor mundial de amendoim, responsável por mais de 35% da produção global, a China continua líder também nas importações. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que, na safra 2024/25, o país asiático produziu cerca de 19 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do ciclo anterior.

    Em 2025, os chineses importaram 74% do óleo de amendoim comercializado mundialmente, reforçando a dependência do produto brasileiro.

    São Paulo consolida liderança nacional

    No Brasil, a oferta cresceu com a safra 2024/25, que aumentou mais de 50% na produção de amendoim em casca. O estado de São Paulo reafirmou sua liderança no setor. Tupã se destacou nas exportações de grãos, com 21% do total, seguido por Dumont e Borborema. No setor de óleos, Catanduva manteve o posto de maior exportador, responsável por 21% dos embarques.

    Apesar da redução de 30% na área plantada, o clima favorável e o bom desenvolvimento das lavouras trazem otimismo para a safra 2025/26. Segundo o presidente da Câmara Setorial do Amendoim, José Antonio Rossato, a boa distribuição das chuvas deve garantir recuperação da produtividade e melhoria na qualidade dos grãos, amenizando os impactos da menor área cultivada.

  • Brasil retoma exportação de sorgo para a China após 12 anos

    Brasil retoma exportação de sorgo para a China após 12 anos

    O Brasil voltou a exportar sorgo para a China, encerrando um hiato de 12 anos. A remessa, feita em janeiro, totalizou 25,83 toneladas, suficiente para encher apenas um contêiner, segundo dados do governo brasileiro.

    O embarque ocorreu logo após dez tradings receberem autorização, em novembro de 2025, para enviar o grão ao mercado chinês. Essa foi a primeira venda desde 2014, quando o país asiático importou 1.374 toneladas de sorgo brasileiro.

    Expansão do mercado e nova oportunidade

    A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) acredita que novos embarques devem ocorrer nos próximos meses, com a China interessada em diversificar o fornecimento de grãos para ração animal. O país asiático busca reduzir a dependência de importações dos Estados Unidos, seu principal fornecedor tradicional.

    Segundo o diretor-executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o avanço nas exportações aconteceu após a inspeção sanitária de técnicos chineses, que validaram as condições das lavouras brasileiras.

    “Com as exigências fitossanitárias resolvidas, começamos a ver novos embarques de sorgo para a China”, explicou Silveira.

    Sustentação do consumo interno

    Apesar do avanço comercial, o Brasil ainda não tem grandes volumes disponíveis para exportação, já que parte significativa da produção abastece o mercado interno. O setor de etanol de milho, em expansão, também consome sorgo como matéria-prima.

    “Não temos excedente, porque o consumo interno está forte. O etanol de milho também puxa a demanda”, disse Silveira.

    Uma fonte do setor, que preferiu não se identificar, afirmou que a carga enviada pode ter sido teste de qualidade ou uma venda pontual para um pequeno importador chinês.

    Mesmo com exportações modestas, o sorgo ganha importância na pauta agrícola brasileira. A Conab prevê que a safra 2025/26 cresça quase 10%, chegando a 6,7 milhões de toneladas. O avanço reflete o aumento da área plantada e o uso do sorgo como alternativa em regiões mais secas, especialmente no Cerrado.

  • Brasil inicia exportação de DDG para a China

    Brasil inicia exportação de DDG para a China

    O Brasil deu mais um passo importante na expansão de suas exportações ao realizar o primeiro embarque de DDG (grãos secos de destilaria) com destino à China. O navio partiu do Porto de Imbituba (SC) transportando cerca de 62 mil toneladas do coproduto da produção de etanol de milho, consolidando um marco na pauta comercial do agronegócio brasileiro.

    O envio é resultado do trabalho conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após a assinatura do protocolo sanitário bilateral com as autoridades chinesas. Desde então, a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) coordenou o processo de registro, habilitação e inspeção das plantas interessadas em acessar o novo mercado. Até o momento, 13 estabelecimentos brasileiros receberam autorização oficial para exportar DDG à China. Isso após comprovarem boas práticas de fabricação, rastreabilidade e controle de segurança alimentar.

    Volume cresce

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), o Brasil exportou 879.358 toneladas de DDG e DDGS em 2025. Volume 9,77% superior ao de 2024. As remessas atenderam 25 destinos. E reforçaram a imagem dos Brazilian Distillers Grains como produtos de alto valor agregado na cadeia do milho e da bioenergia.

    A China, por sua vez, importou mais de US$ 66 milhões em DDG em 2024, voltados principalmente à formulação de ração animal. Com o novo acordo e o embarque inaugural, o Brasil se posiciona como fornecedor competitivo e confiável para o mercado chinês.

    O avanço nas exportações acompanha o crescimento da indústria nacional de etanol de milho, que projeta para a safra 2025/2026 a produção de quase 10 bilhões de litros do biocombustível. Essa expansão impulsiona também a oferta de coprodutos como o DDG, cada vez mais valorizado no mercado internacional.

    O que é DDG

    O DDG (Distillers Dried Grains) é um coproduto obtido durante o processamento do milho para a produção de etanol. Após a fermentação e destilação, o material restante, rico em proteínas, fibras e lipídios, é seco e transformado em ingrediente de alto valor nutritivo usado na alimentação animal.

  • Filmes biodegradáveis crescem no mundo, mas Brasil não protege patentes

    Filmes biodegradáveis crescem no mundo, mas Brasil não protege patentes

    O setor de embalagens de alimentos vive uma corrida global por soluções mais sustentáveis. Entre as apostas mais promissoras estão os filmes biodegradáveis incorporados com óleos essenciais. A tecnologia prolonga a conservação de produtos frescos e processados e diminui a dependência dos plásticos derivados de petróleo. Um levantamento internacional de patentes revelou que o interesse por essa solução cresceu consistentemente entre 2012 e 2024, mas escancarou uma lacuna: o Brasil não protege nenhuma inovação nessa área.

    A prospecção tecnológica, realizada por pesquisadores da Embrapa, Unicamp e UFBA na base de dados Espacenet, mapeou 170 patentes válidas depositadas no período. O estudo mostra uma evolução constante nos registros, com picos em 2018 (30 patentes) e 2023 (35 patentes), indicando uma tecnologia em franca expansão com forte apelo comercial e ambiental.

    China domina 93% dos registros globais de patentes

    A análise geográfica dos pedidos não deixa dúvidas sobre quem lidera o setor. A China concentra cerca de 93% de todos os depósitos de patentes relacionados a filmes com óleos essenciais para alimentos.

    O protagonismo chinês reflete investimentos contínuos em inovação, políticas públicas de sustentabilidade e a força do setor acadêmico no desenvolvimento tecnológico. Países como Coreia do Sul, Romênia, Chile, Espanha, Índia, Luxemburgo e México aparecem com participações pontuais, confirmando o interesse global na área.

    Universidades puxam inovação; Brasil tem produção científica, mas não deposita patentes

    As universidades são as grandes protagonistas dessa inovação, respondendo por 69% dos registros. A chinesa Jiangnan University lidera como a instituição com mais depósitos. Empresas de embalagens e do agronegócio também figuram na lista, embora em menor número.

    Apesar da forte produção científica nacional em alimentos e bioeconomia, o estudo não identificou nenhum documento de patente depositado no Brasil com as palavras-chave e classificações utilizadas. Para a doutoranda Itala Silva, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o dado acende um alerta. “O cenário aponta um alto potencial para inovação no país, desde que haja maior incentivo à proteção intelectual e à transferência de tecnologia”, explica.

    Canela, orégano e cravo: os óleos essenciais que conservam alimentos

    Os filmes desenvolvidos demonstram grande versatilidade. Muitas patentes não especificam um alimento alvo, mas uma parcela significativa foca na conservação de frutas, que demandam materiais com boa permeabilidade a gases e ação antimicrobiana para preservar sabor e aparência.

    Na composição, os pesquisadores combinam materiais como amido e quitosana, escolhidos pela biodegradabilidade e propriedades estruturais. O colágeno de peixe e a gelatina também se destacam pela resistência mecânica e proteção contra radiação UV. Uma tendência recente é a incorporação de subprodutos da agroindústria, como cascas e bagaços, alinhando a tecnologia à economia circular.

    Entre os compostos bioativos, os óleos essenciais de canela, orégano e cravo são os mais frequentes. O óleo de canela oferece propriedades antifúngicas e antibacterianas; o orégano traz alto teor de carvacrol e timol; e o cravo contribui com forte ação antimicrobiana. Os pesquisadores utilizam essas substâncias isoladamente ou em combinação e aplicam técnicas como encapsulamento para aumentar sua estabilidade e eficácia.

    Desafio brasileiro: transformar ciência em propriedade intelectual

    Para o pesquisador Jorge Herman, da Unicamp, a tecnologia representa uma alternativa concreta para reduzir o desperdício de alimentos e de embalagens plásticas. O grande desafio para o Brasil, agora, é transformar o conhecimento científico gerado nas universidades em inovação protegida.

    O estudo, publicado nos Cadernos de Prospecção (v. 19, n. 1, 2026), é assinado por Itala Silva (UFBA), Daniel Terao (Embrapa Meio Ambiente), Jorge Herman Behrens (Unicamp) e Aline Biasoto (Embrapa Meio Ambiente). Eles concluem que, para fortalecer a competitividade do país, é preciso ampliar o número de patentes e participar ativamente de um mercado global que não para de crescer.

  • Exportações de carne bovina batem recorde em janeiro

    Exportações de carne bovina batem recorde em janeiro

    As cotas impostas pela China preocupam a cadeia da pecuária brasileira. Isso ocorre porque o país asiático lidera as compras de carne bovina do Brasil. Os pesquisadores do Cepea alertam para possíveis impactos no mercado pecuário nacional. Ainda assim, o setor inicia 2026 com forte avanço nas exportações.

    Recorde histórico em janeiro

    A demanda externa por carne bovina brasileira mantém trajetória de crescimento. Além disso, os embarques confirmam as expectativas positivas para o ano. Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 258,94 mil toneladas em janeiro. O volume representa recorde histórico para o mês. Com isso, o resultado supera o melhor desempenho anterior, registrado em 2025.

    Exportação para a China

    A China respondeu por 46,3% do total exportado em janeiro. O percentual ficou próximo da média de 2025, que foi de 47,67%. Se o ritmo atual continuar, o Brasil deve atingir a cota chinesa em setembro. A cota anual estabelecida para o Brasil é de 1,106 milhão de toneladas.

    Somente em janeiro, o Brasil enviou 119,63 mil toneladas à China. Esse foi o maior volume exportado ao país asiático para um mês de janeiro. Dessa forma, mesmo com a cota da China, as exportações de carne bovina iniciam 2026 em nível recorde.

  • Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    O Brasil inicia 2026 consolidado como o maior exportador e fornecedor de carne bovina do mundo. Após um 2025 de recordes históricos de abate e exportação, o país se firma como pilar estratégico em um cenário global de oferta limitada e concentrada. Segundo Larissa Barboza Alvarez, analista de mercado da StoneX, começam a surgir sinais de mudança no ciclo pecuário, o que pode afetar a disponibilidade de gado nos próximos anos.

    Essas tendências estão detalhadas no relatório “Perspectivas para Commodities 2026”, publicado pela StoneX em 27 de janeiro. O documento traz projeções para os principais mercados agropecuários e destaca a carne bovina como ativo central para o Brasil em 2026.

    Oferta de gado e virada do ciclo

    O ponto de maior incerteza neste início de ano está na oferta de animais para abate. Em 2025, a pecuária nacional registrou volume recorde de abates, impulsionado sobretudo pelo descarte expressivo de fêmeas. Movimento que tende a se limitar naturalmente, já que essas matrizes garantem a reposição do rebanho.

    “Nos últimos meses, a queda no abate de fêmeas indica que os produtores podem estar iniciando um novo ciclo de retenção”, afirmou Larissa. Como o ciclo pecuário costuma durar de 18 a 30 meses, ajustes realizados agora devem influenciar a oferta até 2027. Se a virada realmente se confirmar, a produção pode se tornar mais ajustada justamente em um momento de demanda aquecida nos mercados interno e externo, favorecendo a valorização da carne bovina ao longo do ano.

    Consumo interno em expansão

    O bom momento da economia brasileira, com crescimento e baixo desemprego, sustenta o avanço do consumo doméstico. “A melhora da renda tende a estimular a compra de carne bovina, que tem papel central na dieta do brasileiro”, explicou a analista.

    Ainda assim, ela alerta para fatores de moderação, como o aumento da inadimplência e a maior cautela das famílias em um ano eleitoral. Eventos sanitários também seguem no radar — o impacto da gripe aviária em 2025 mostrou como choques pontuais de oferta podem alterar a competitividade entre proteínas e influenciar preços.

    Dependência global do Brasil

    No cenário externo, o Brasil mantém posição dominante no comércio internacional. A China segue como principal destino das exportações brasileiras e ainda apresenta necessidade de importação superior à capacidade total de embarque do país. Outros mercados relevantes, como Japão, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes, Chile e Estados Unidos, continuam com demanda estável.

    Em 2025, a rápida reação da China à redução das compras norte-americanas  após o aumento de tarifas reforçou a competitividade brasileira e a confiança na capacidade de resposta do setor exportador.

    “O Brasil entra em 2026 com protagonismo ampliado e o desafio de equilibrar consumo interno firme com uma possível redução na oferta de gado”, destacou Larissa Barboza Alvarez. O desfecho desse equilíbrio deve orientar preços, margens e a dinâmica da pecuária nacional ao longo do novo ciclo.

  • Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram pelo sexto mês seguido. O movimento ocorre após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Já as vendas do Brasil para a China mantiveram trajetória de crescimento.

    O Ministério do Desenvolvimento divulgou os dados nesta quinta-feira, em Brasília. Em janeiro, as exportações aos EUA somaram US$ 2,4 bilhões. O valor representa queda de 25,5% na comparação anual. No mesmo mês de 2025, as vendas atingiram US$ 3,22 bilhões.

    As importações de produtos norte-americanos também diminuíram no período. O Brasil comprou US$ 3,07 bilhões dos Estados Unidos. O número indica retração de 10,9% sobre janeiro do ano passado. Com esse desempenho, a balança comercial bilateral registrou déficit. O saldo ficou negativo em US$ 670 milhões para o Brasil.

    A redução nas exportações ocorre desde a aplicação das tarifas extras. O governo norte-americano impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros em 2025. Depois, as autoridades revisaram parte das alíquotas no fim do ano. Mesmo assim, o impacto permanece sobre o comércio brasileiro. O MDIC calcula que 22% das vendas ainda pagam tarifas adicionais. As taxas atuais variam entre 40% e 50%.

    China mantém resultado positivo

    O comércio com a China seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro. O total embarcado alcançou US$ 6,47 bilhões no período. Um ano antes, o valor exportado somou US$ 5,51 bilhões. Já as importações brasileiras da China recuaram 4,9%. As compras caíram para US$ 5,75 bilhões. Com isso, o Brasil obteve superávit comercial com os chineses. O saldo positivo chegou a US$ 720 milhões no mês.

    A corrente de comércio com a China apresentou avanço. A soma de exportações e importações atingiu US$ 12,23 bilhões. O resultado indica alta de 5,7% na comparação anual.

    No caso dos Estados Unidos, o cenário foi diferente. O intercâmbio comercial totalizou US$ 5,47 bilhões. O volume caiu 18% frente ao mesmo período anterior.

    Desempenho em outros mercados

    O comércio com a União Europeia também mostrou retração. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 310 milhões. A corrente comercial com o bloco recuou 8,8%. As exportações para os europeus caíram 6,2% em janeiro. As importações do Brasil diminuíram 11,5% no mesmo intervalo.

    Com a Argentina, o fluxo comercial encolheu de forma mais intensa. O comércio bilateral apresentou queda de 19,9% no mês. Mesmo com a retração, o Brasil manteve saldo positivo. O superávit com o país vizinho alcançou US$ 150 milhões. As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 24,5%. As importações vindas do mercado argentino caíram 13,6%.

     

  • Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode agilizar a entrada de fertilizantes e outros insumos agrícolas no Brasil. A proposta estabelece registro automático para produtos que já possuem certificação válida das autoridades dos países membros do BRICS.

    Deputado Max Lemos (PDT-RJ). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O PL 823/25, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), altera a lei que regula o setor de fertilizantes. O objetivo central é reduzir os custos de produção no campo. Com insumos mais baratos, a expectativa é que o preço final dos alimentos no prato do consumidor também caia.

    “O barateamento dos insumos rurais geraria benefício direto para a população com a redução do preço do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos”, defendeu Lemos na justificativa do projeto.

    Como funcionaria o registro automático

    Pelo texto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) terá um prazo máximo de 15 dias para conceder o registro, contados a partir do pedido da empresa. Se o ministério não emitir o documento nesse período, a empresa poderá comercializar o produto normalmente, sem risco de multas.

    A medida também simplifica a atuação de distribuidoras e representantes de fabricantes estrangeiras. Elas não precisarão mais abrir uma empresa específica no Brasil (pessoa jurídica), bastando manter uma representação legal regularizada no país.

    Próximas etapas e tramitação

    O bloco do BRICS reúne atualmente 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A certificação por parte desses países servirá como aval para o processo rápido no Brasil.

    O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões da Câmara. Isso significa que não precisa passar pelo plenário, a menos que haja recurso. As comissões responsáveis pela análise são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Após a Câmara, a proposta ainda precisará de aprovação do Senado Federal e, posteriormente, sanção presidencial para se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Pênis bovino vira “ouro branco” da pecuária de MT

    Pênis bovino vira “ouro branco” da pecuária de MT

    Enquanto produtores focam em cortes nobres como picanha e filé-mignon para o mercado internacional, frigoríficos de Mato Grosso descobriram uma fonte inesperada de lucro: o vergalho bovino. O pênis do animal, antes descartado ou vendido a preços irrisórios, agora alcança US$ 6 mil por tonelada no mercado asiático, especialmente na China e em Hong Kong.

    A transformação do pênis bovino em produto de alto valor econômico reflete uma revolução no aproveitamento animal. Os frigoríficos mato-grossenses adotaram estratégias de aproveitamento integral da carcaça, eliminando desperdícios e maximizando lucros.

    “O mercado asiático valoriza partes do animal que o consumidor ocidental tradicionalmente rejeita”, explica um relatório da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). A entidade registrou crescimento de 340% nas exportações de miúdos bovinos para a Ásia nos últimos três anos.

    O abismo de preços justifica o foco das indústrias frigoríficas no mercado externo:

    • Mercado Interno (Brasil): valor do quilo: R$ 21,00
    • Mercado Externo (Hong Kong): valor da tonelada: até US$ 6.000 (aproximadamente R$ 30.000)

    Diferença percentual: mais de 1.400% de valorização

    Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, um dos frigoríficos mato-grossenses autorizados a exportar o subproduto, confirma que as vendas movimentam entre quatro e cinco toneladas mensais, totalizando aproximadamente 60 toneladas anuais apenas dessa empresa.

    O produto segue rigorosos protocolos sanitários e chega in natura ao mercado asiático, onde os consumidores valorizam preparações cozidas, ensopados e pratos típicos que utilizam o vergalho pela sua textura cartilaginosa e capacidade de absorver temperos e caldos.

    Por que a China paga tanto?

    A valorização do pênis bovino no mercado asiático tem raízes culturais profundas. Diferentemente do Ocidente, onde miúdos frequentemente são descartados, a culinária chinesa tradicionalmente aproveita todas as partes do animal.

    Principais usos culinários na Ásia:

    • Ensopados de longa cocção que amaciam a textura cartilaginosa
    • Sopas medicinais tradicionais
    • Pratos que valorizam a capacidade do produto de absorver sabores complexos
    • Preparações que associam o consumo a propriedades nutricionais

    Competitividade e diversificação da pecuária mato-grossense

    Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), destaca que Mato Grosso possui uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais.

    A estratégia de diversificação de produtos vai além dos cortes tradicionais. Segundo Andrade, quando os frigoríficos ampliam o portfólio e atendem mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecem a economia, reduzem riscos e aumentam a competitividade da carne produzida no estado no cenário global.

    O momento é estratégico para essa diversificação. A China impôs, a partir de janeiro de 2026, medidas de salvaguarda que estabeleceram uma cota de 2,7 milhões de toneladas para importação de carne bovina, com o Brasil recebendo 1,1 milhão de toneladas dessa cota.

    As importações que excederem a cota enfrentarão tarifa de 55%, o que torna ainda mais valiosa a estratégia de maximizar lucros através do aproveitamento integral da carcaça, incluindo subprodutos de alto valor como o vergalho.

    A comercialização do pênis bovino representa uma tendência crescente no setor: o aproveitamento total do animal abatido. O que antes era considerado descarte agora contribui significativamente para a rentabilidade dos frigoríficos.